26/04/2008

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*Kagura fecha as mãos com força, apesar da dor que sentia em sua mão esquerda. E depois levanta a cabeça com um sorriso para o possuído*

-É claro que irei convida-la. Irei convidar a todos que queiram ir.

-Ahh... *ele se apóia com o cotovelo na mesinha que ficava no canto do salão, onde estava sendo servido o chá, e coloca a mão na cabeça* -Mas o seu primeiro convidado será o Kunimitsu-san, né?

-..... #Será? Não pode ser!# *Kagura que esta assoprando o local aonde tinha caído a água quente, pára e fica o observando*

-Não sabia que era tão amiga dele? *ele fala, mas não olha para ela*

-Bem... a gente sempre se deu muito bem.

-Deu para notar.

#Seria isso uma ponta de ciúmes nele? Não posso pergunta, certamente negaria.#

*Kyo vira o rosto para lhe olhar diretamente nos olhos* -E vê se aparece mais lá na casa do Shigure, aquela lesada sente a sua falta. #Na verdade eu também sinto a falta dela, mas não vou falar isso#

*Ela apenas balança a cabeça dizendo que sim*

*Os dois se mantém em silêncio por alguns segundos. Era como se de repente a garota estivesse diante do Kyo de sua infância, aquele garotinho que não tinha nem medo e nem vergonha de lhe olhar diretamente nos olhos, aquele que sabia se ela estava feliz ou triste apenas olhando em seus olhos*

-Espero que volte a ficar feliz em breve.

-Kyoo??? #Será que ele ainda consegue me entender apenas com o meu olhar?#

-..... *ele segura novamente na mão ferida da garota* -Parece que está menos vermelha agora.

#Ele está realmente preocupado comigo. Mas o que aconteceu? Nem parece aquele Kyo do começo do ano#

*Kagura não encontra coragem para abrir a boca, temia que tudo aquilo sumisse como se fosse um sonho*

*O garoto solta a sua mão poucos segundos antes dos outros voltarem para o salão e se sentarem com eles*

#Hum, pelo semblante dos dois parece que algo aconteceu.# *Kazuma pega uma xícara, com um leve sorriso nos lábios*

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*Kazuma percebe que o filho está ficando a cada segundo mais intrigado com o comportamento da prima*

-Kunimitsu-san, poderia me ajudar a desmontar o móvel que a Kaa-chan irá levar amanhã?

*O discípulo percebe que aquilo era apenas uma desculpa para deixar os dois sozinhos, e mesmo contrariado ele não consegue negar o pedido do mestre*

-A gente já volta, enquanto isso o nosso chá vai esfriando. *Kazuma se levanta primeiro, e Kunimitsu ao se levantar passa os olhos rapidamente em Kagura e percebe que ela está tremendo um pouco ao colocar a água na xícara.*

#Acho que ela não queria ficar sozinha com ele# *O discípulo não tem tempo de ver como o Kyo estava e sai da sala#

#Eu não queria ficar sozinha com ele..... Não vou agüentar se sele for rude novamente comigo.# *Kagura começa a tremer ainda mais*

*Kyo estava com a cabeça baixa, esperando que a garota lhe falasse algo do tipo, "finalmente estamos sozinhos, né KYOOOOO" e grudasse no pescoço dele*

#um... dois.... três... Hummm? nada?....# *ele levanta a cabeça e vê o quanto que a garota está nervosa*

-Kaguraa...

-AIIIIII.....*Ela se assusta ao escutar o seu nome e acaba derrubando água quente em sua mão*

-Está ardendo muito? *Kyo se levanta e fica ao seu lado.* -Deixa-me ver.

-Não foi nada, não se preocupe.

*O garoto segura com as duas mãos a mão ferida da garota* -Está bem vermelho. O que será que a gente deve fazer? *ele levanta a cabeça esperando uma resposta*

#Nhaaa, fazia tantos anos que ele não me olhava com esse olhar# *Kagura não consegue falar nada*

-Não seria melhor você procurar o Hatori?

-Não. Já vai passa.

-Kagura......

-Hum?

-...... você não vai convidar a Tohru para ir a sua casa nova também?

*ela puxa a sua mão de volta* #Eu achei que ele ia perguntar se eu não ia o convidar. Acho que a cada dia estou mais perto do final desse amor de infância# *ela abaixa a cabeça segurando ao máximo à vontade de chorar*

by Kyo

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#Mas, o que está acontecendo com essa garota? É como se de repente eu não a conhecesse mais# *Kyo entra todo pensativo seguindo os três até o interior do salão principal do Dojo. Ele fica apenas observando a prima que conversa animadamente com o discípulo e o Mestre ao lado deles, até que nota que o senhor Kazuma está olhando para ele. Kyo vira a cabeça como se tivesse acabado de passar o olhar por eles.*

#Ele deve estar muito perdido. Mas acho que isso fará bem aos dois.# -Kunimitsu, não quer me ajudar a buscar um pouco de chá para nos esquentar?

-Euu, ajudo Professor.

*Kagura nem dá tempo do mestre responder e já vai para a cozinha. Kazuma olha para os outros dois e vai atrás da garota*

#É impressão minha ou ela está evitando ficar perto de mim sozinha?#

-Eih, Kyo-kun. Aconteceu alguma briga entre você e a Hime-sama?

*Kyo lhe olha sentindo uma grande vontade de lhe responder algo do tipo "não é da sua conta", mas engole aquela resposta a seco* -Nada. Porque?

-..... Kyo-kun.... *o rapaz desiste de perguntar o que de fato queria saber, e muda de assunto* -Está gostando de ser o meu assistente?

#Tenho a sensação de que não era isso que ele ia me perguntar# -Estou sim.

*Os dois ficam em silêncio com as perguntas e respostas que cada um queria dar ou fazer para o outro.*

# O Kyo não precisava ser tão rude como ele foi com a Kaa-chan. Ele ainda é apenas um garoto, quando se dar por conta do que está perdendo irá se arrepender muito. #

#Qual é a do Kunimitsu? Por que está sendo tão gentil com a Kagura? Odeio quando ele a chama de Hime-sama. E odiei o fato dela o convida-lo para um jantar no apartamento dela*

*Kagura e Kazuma estão retornando para o salão do Dojo com as coisas para o chá, mas apenas o Mestre percebe que há um outro clima entre os dois*

#Será que eles já se deram conta?# -Vamos tomar um chá para nos aquecer. *Kazuma senta-se ao lado deles, enquanto que a garota serve o chá para todos, mas evitando olhar nos olhos do Kyo*

by Kyo

89


*Shigure pega as três xícaras do armário e ao colocar sob a mesa, olha para a garota*

-humm??

*Tohu está tirando a panela do fogo quando que o possuído estava se aproximando cada vez mais dela, olhando intrigado para o seu rosto*

-Shi-shigure???

*Ele sem falar nada, nota que o que a garota tinha no nariz era um pouco de chocolate, então passa de leve o dedo na ponta do nariz, retirando assim o chocolate e depois coloca o deu na boca*

-hihihihi...A Tohru tinha um pouco de chocolate na pontinha do nariz... *ele sai da cozinha com o dedo ainda na boca para buscar a Kisa*

*Tohru fica um pouco vesga para olhar a ponta do seu nariz e verifica que estava limpo agora* #Quando é que ficarei menos desastrada?# *Ela coloca a panela na mesa* #Tenho que falar com a Uo-chan. Por mais que o Shigure e o Hatori não me considerem uma criança, eu só sei agir como se fosse uma#

*A garota se apóia com as duas mãos na mesa e abaixa a cabeça* #Será que nenhum dos meus desejos irão se realizar?#

*Shigure retorna para a cozinha e ao vê-la daquele jeito, ele fica por de trás dela e inclina a cabeça para ver o seu rosto*

-Aconteceu alguma coisa, Tohru?

TUDUMM TUDUMM

*Seu coração começa a bater ainda mais forte do que antes, mas dessa vez ela consegue se controlar para não gritar por causa do susto, e ao levantar o rosto fica por alguns segundos sem falar nada apenas olhando em seus olhos*

-Shii-nii? *Kisa está paradinha na porta sem entender nada*

-.... *A garota se vira para olhar a menina* -Err... Venha se sentar aqui, senhorita Kisa.

*A pequena se senta na ponta da mesa e os dois se sentam um de frente para o outro. Eles tomam o chocolate quente. O possuído conversa normalmente com Tohru, enquanto que a Kisa apenas escuta a conversa dos dois, ainda se sentia muito envergonhada*

#Ela parece ser legal, como a Nee-chan me falou. Mas ainda sinto muita vergonha dela. E também sinto a falta do Hiro-kun# *kisa dá um pequeno gole no chocolate*

by Kyo

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-Errr.... bem.... *a garota se levanta do sofá* -Imagina.... e-euu não sou capaz de fazer isso não.

*Shigure acha ainda mais gracioso aquele jeitinho encabulado dela* -Pois eu acho...

-Errr... *ela começa a passar uma mão na outra sem saber o que fazer. A maneira e o tom de voz usado pelo possuído estava fazendo com que o sue coração batesse ainda mais acelerado* -E-eu vou fazer um chocolate quente para a gente....

*A garota nem tem coragem de olhar nos olhos do possuído e vai para a cozinha*

#O que está acontecendo?* Ela coloca a mão em cima do peito* #Por que o meu coração fica tão acelerado quando ele me fala essas coisas?. O meu coração está batendo do mesmo jeito quando o Hatori tocou na minha perna naquele dia..... Nhoooo..... Eu bem que gostaria de ter atendido ao telefone. Adoraria ter escutado a voz do Hatori, já faz uma semana que ele não vêm até aqui#

*Ela abre o armário atrás da barra de chocolate, depois pega uma panela para preparar o chocolate quente*

#Será que ele vira mais aqui em casa, agora que a senhorita Kisa vai morar aqui? Eu gostaria tanto de saber mais sobre ele. Mas não tenho coragem!# *ela abaixa a cabeça mais pensativa do que desanimada* #Humm, o que será que a mamãe faria? Por mais que tenha pensado não consigo nem imaginar#

*Ela acaba de picar o chocolate e coloca a panela no fogo para o derreter*

#Será que a Uo-chan saberia me dizer? A Uo-chan sabe de tudo a respeito da vida da minha mãe quando ela estava na ativa.... Sim, talvez a Uo-chan possa me ajudar. Eu quer ficar um pouco mais esperta, quero ficar um pouco parecida com a minha mãe, quem sabe assim.....#

-Eih, Tohru, não quer te ajude?

-Ahh, muito obrigada Shigure. #Ainda não acredito que estou o chamando pelo nome# -Poderia pegar as xícaras e chamar a senhorita Kisa?

-Claro, faço tudo o que a minha linda jovenzinha me pedir.

#nhaaaa.... Ele me chamou de jovenzinha... # *Tohru sem querer encosta a colher com chocolate na ponta do nariz*

by Kyo

25/04/2008

87


-Tá... Mas como ele está?..... uhumm.... tá.... e o patriarca?...... Sim, bem típico dele.... Não, o Ayaa-san fez muito bem.................. Claro.... Pode deixar que eu a aviso e levarei as roupas do Yuki. Até logo Haa-san.

*Shigure desliga o telefone e começa a coçar o ombro com a mão por dentro do quimono*

#Humm, não consigo nem imaginar o que Akito-san tenha feito ao Yuki dessa vez, mas deve ter sido bem grave a ponto do Ayaa o levar para a sua casa. Parece que a fase calma
do nosso patriarca chegou ao fim.#

tap tap tap

-E como está a nossa nova moradora?

-Está ainda muito envergonhada. Nem quis a minha ajuda para arrumar as coisas delas.

*Shigure senta-se no sofá e a garota fica em pé na sua frente*

-Pode-se sentar aqui. *Ele a segura pela mão, a conduzindo para que se sente*

#Como a mão do Shigure é quente. Parece que esquenta todo o meu corpo#

-Tohruu?? *Shigure percebe que a garota olhava fixamente para a sua mão na dela e a solta um pouco antes de falar*

-Ahhh, quem era no telefone?

-Era o Haa-san. O Yuki irá passar alguns dias na casa do Ayame.

-ERrr, aconteceu alguma coisa com o Yuki-kun?

- Nada não. Acho que quer se aproximar do irmão. #Bingo. Bem que o Hatori falou que ela ia desconfiar e que não era para eu contar a verdade para não a preocupa-la#

-Que maravilha. O Yuki-kun me contou que ele e o irmão não eram muitos próximos quando era criança. Quem sabe ele e o Kyo também não se tornem amigos?

-ahahahahahah, isso sim seria um milagre. *Ele escosta-se no sofá e apóia o rosto na mão e o cotovelo no sofá e fica olhando para a garota* -Mas quem sabe? Afinal a Tohru é capaz acalmar qualquer fera com esse seu sorriso.

-..... *Ela fica imediatamente vermelha* #Nhaa, novamente ele falou do meu sorriso#

#Durante todo esse tempo que esteve aqui, nunca tinha reparado no sorriso dela, mas bastou uma manhã na qual ela não estava sorrindo para eu sentir falta dele#

by Kyo

86


- Não faça essa cara, Tori-san. Isso eu vou verificar pessoalmente, como um irmão de verdade. – e dirigiu-se até o quarto de Hatori aonde Yuki bebia o chá em silêncio.

* Ayame não explicou nada pra o irmão, foi juntando as roupas sujas, o necessário para novos curativos e foi empurrando Yuki para fora. Ele não se recusou a ir, embora estivesse confuso com o sorriso “sereno” do irmão, acreditou que ele o levaria até a casa do Shigure, o que o deixou bastante triste. Já dentro do carro alugado os dois voltaram a se falar. *

- Ayame, eu...

- Nós vamos ter um grande banquete essa noite! Você terá o privilégio de comer o mais refinado e delicioso jantar de sua vida, preparado pela minha assistente Mine. Mas não fique com inveja, você já tem a Tohru, apesar de que a senhorita Mine cozinha muito melhor, você está bem servido, ta! Apesar de que nunca chegará a minha realeza de viver e comer com a dignidade de um rei...

- Ayame!!! Do que está falando?

- Ah, eu não lhe disse, irmãozinho? Eu lhe darei uma vida de rei por alguns dias... hohohohohohohoho – ele olha para o irmão e vê sua feição de quem ainda não estava entendendo nada e volta a sorrir serenamente. – Não creio que queira voltar para casa agora e ter que explicar para uma Tohru preocupada o motivo do seu machucado não é mesmo? Então tenho certeza que essa é uma ótima oportunidade de “sermos irmãos”. Você dorme essa noite em minha casa sob a segurança do seu irmão mais velho.

# Isso não me soa muito seguro, e tenho a impressão que será uma noite conturbada e cansativa no meio das loucuras do meu irmão. Mas também acho, que esse sorriso dele me acalma. Ele tem razão, não quero explicar nada para ninguém. O Ayame me entende, ele não me jugou. Tenho certeza que ele entendeu o que eu disse. Talvez seja melhor assim. #

* Então os dois foram em silencio para a casa do Ayame, enquanto Hatori ficou responsável de avisar Shigure que Yuki passaria alguns dias lá e era pra levar algumas roupas. *

by Leandra

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* Hatori deixa Ayame cuidando do Yuki e vai atender ao chamado de Akito. Chegando na porta do guardo percebe que faz um grande silêncio. Ele sentiu um arrepio na espinha e bateu na porta. *

- Akito-san?

- NÃO QUERO VER NINGUÉM, VÁ EMBORA.

# Não é de se admirar que ela esteja de mau humor depois de uma crise histérica, mas normalmente ela se gaba de ter maltratado o pobre garoto. #

- Estarei em minha casa, se precisar de algo me chame imediatamente.

- E NÃO É ÓBVIO? VOCÊ VIVE À MINHA DISPOSIÇÃO. AGORA SUMA DAQUI.

* Hatori apenas olha para a porta do quarto e retorna para casa. Chegando lá encontra o Ayame sentado no sofá da sala tomando chá o esperando. *

- Tori-san, irei levar meu amado irmãozinho para dormir em minha linda mansão. Acho que alguns dias de realeza irá fazer bem para a princeza que está mais parecendo a gata borralheira em frangalhos.

- Não fale assim do seu próprio irmão, Aaya. Ele não gosta de ser comparado a uma menina. Não sei como ele ainda não criou um trauma sério em cima disso.

- Tori-san – Aaya o olha série – É justamente por isso que quero que ele fique em minha casa. Talvez ele já tenha um trauma muito maior mas ninguém percebeu ainda.

* Vendo a cara de quem não entendeu direito a insinuação do amigo, ainda mais vindo dele aparentar saber algo sobre o irmão que os outros não saibam, Ayame deu um meio sorriso e respondeu. *

by Leandra

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#Eu sempre achei que ele se importava e muito com o que as pessoas pensavam sobre ele... Mas não vou falar isso ou vai mudar o rumo da conversa#

*Yuki tenta pensar o mais rápido possível no que responder ao irmão para saber o que precisa sem se expor*

_Que bom que não se preucupa. Também então não se preucuparia se as pessoas achassem que você... #Como digo isso? Diretamente?!# Que você é gay, né?

_Hum.. #Onde ele está querendo chegar com isso?# Não me importaria não. Sou uma pessoa livre de preconceitos.

_Imaginei isso... Porque o modo como você se veste, como fala e age algumas vezes... Bem, isso deve deixar algumas pessoas desconfiadas..

_ Você, por exemplo?

_ Ahn?! Não! *Yuki fica meio atrapalhado, mas logo reencontra as palavras* Falei de pessoas no geral. Ainda mais porque você nunca teve namorada... Ayame, você já sentiu alguma atração inexplicável pelo patriarca?

#Agora entendi! Será que o Yuki está se sentindo atraído pela Akito? Se for, isso explica tantas perguntas em relação à homossexualidade. Afinal, ele não sabe que Akito é mulher..#

_ Atração... Bem, Yuki, é normal que nós nos sintamos atraídos por ele, afinal, é o deus da nossa maldição.

_ Fisicamente também...? *Yuki pergunta bem baixinho, desviando o olhar do irmão*

#Realmente, aconteceu alguma coisa entre eles. Amanhã tenho que falar com ela pra saber o que foi!#

_ Olha, cada caso é um caso. *Ayame disfarça a mentira ao máximo* Não acho que seja nada do outro mundo sentir atração física por ele... #Será que colou? Melhor falar dele antes que ele volte a perguntar se já aconteceu comigo# Aconteceu algo com você, Yuki?

_ Comigo?! Nada! #Não é hora... Não estou pronto.#

_ Foi ele quem fez isso aí com você, não foi?

_ Foi... Mas ele sempre me torturou, você sabe bem disso. *Ayame desvia o olhar com a indireta do irmão* Não precisa acontecer nada de novo pra ele voltar aos velhos hábitos.

_ Tudo bem então. Vou preparar um chá quentinho pra você.

*Ayame levanta-se deixando Yuki sozinho no quarto*

by Thata Srta Rainey

imagem by Ana

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_ A.. A.. Ayame?

_ Credo, Yuki! Pensei que você estava morto aí dentro! Que nem aqueles casos dos sequestradores que arrancam os rins das vítimas e as colocam dentro de umas banheiras com gelo!

_ Ahn?

_ Vem, você já está até enrugado de ficar aí dentro. Vamos voltar pra caminha!

*Ayame ajuda Yuki a se levantar e o enrola numa toalha bem grossa. Os dois vão caminhando lentamente para o quarto de Hatori. Yuki ainda estava muito abalado por tudo que havia acontecido: mas cedo com Akito, e agora este novo pesadelo*

*Yuki senta-se na cama como se fosse um boneco sem ação; Ayame que havia lhe trazido roupas secas, começa a vestir o irmão. O rato finalmente acorda do transe em que se encontrava*

_ Ayame...

_ Sim...?

_ ... #Será que eu poderia confessar isso pra ele? Ele é meu irmão, tenho que me abrir com alguém ou vou enlouquecer... Por outro lado.. *Yuki olha pra cara de Ayame que ainda esperava que ele lhe falasse algo* O Ayame é meio maluco. Vai que espalha por aí, ou me interna dizendo que sou louco... E se for como no meu sonho? O Ayame sempre foi tão... Feminino.

_ Siiiiiim?

_ Bom... Ayame, você nunca teve uma namorada?

#Hum.. Melhor eu não ser muito espalhafatoso com o Yuki.. Pelo visto ele deve estar bem preucupado com algum assunto. É a hora de eu ser o irmão mais velho que não fui antes#
_ Na verdade não, Yuki.

_ Ahn... E nunca gostou de nenhuma? #Nessa idade e nunca namorou com uma mulher....#

_ Bem.. Já gostei de uma na minha adolescência... Problema com as moças, Yuki?

#Não, com os rapazes... # *O rato abaixa a cabeça com o peso do próprio pensamento*
_ Sabe... Algumas pessoas devem te confundir com uma moça na rua. *Yuki se aninha no cobertor e Ayame senta na beirada da cama para ouvi-lo* Afinal, usa o cabelo tão comprido e algumas roupas femininas...

_ Eu não me importo com isso. Na verdade, já sou diferente por ser um possuído. Então, o que as pessoas verem de diferente na minha aparência, realmente não me preucupa.

by Thata Srta Rainey

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*Hatsuharu se espreguiça e se aninha novamente nos braços de Ayame*

_ A Rin já era. Arrumei uma nova princesa pra mim, né Aya?

_ Uhum. *Ayame confirma com a cabeça* Duas verdades, Yuki. Uma, é que somos dois homens. E outra, que somos um casal.

_ O...O que? *Yuki pergunta ainda mais confuso ainda* #Ele está ciente do que está dizendo? Ayame está louco!*

_ O que isso tem demais, Yuki? *Ayame continua a falar suavemente* Ele é uma pessoa como eu, ué..

_ ESSE É O PROBLEMA! ELE É COMO VOCÊ! ALIÁS, ELE É IGUAL A VOCÊ! ENTENDEU, AYAME! HOMEM IGUAL A VOCÊ!

_ A quem você quer enganar, Yuki? *Ayame desagarra-se do boi e se levanta, puxando Hatsuharu para levantar-se também* Está usando seu latim para me acusar, mas será que não está acusando a si mesmo? *Yuki fica perplexo com o comentário, e nada consegue responder* Vem cá, Yukizinho.

*Ayame pega o fino e delicado braço de Yuki, e, com a outra mão, o forte braço de Haru. Ele aproxima os dois até que se toquem*

_ Veja, Yuki.. Não a mal nenhum... *Yuki continua totalmente assustado com a situação, mas não reage aos movimentos do irmão. Ayame agora começa a empurrar os rostos um contra o outro, até que os lábios se toquem* Viu? O céu não abriu, a neve não derreteu, e nem o sol apagou.

_ O que você fez, Ayame??!

_ Nada, quem fez foi você. Você quem quis! Você que quis ele! Você quem beijou o Akito!

_ MENTIRA! ELE ME FORÇOU!

_ Você nem resistiu!

_ Ele é o deus?

_ E você tem braços!

_ E-eu eu fugi!

_ Você gostou!

_ NÃO!

_ Gostou sim, Yuki! gostou, Yuki! Você gosta disso, né Yuki! Responde! Yuki! Responde pra mim! Yuki!


_ YUKI! Fala comigo, Yuki! YUKI SOHMA!
_ ARRRGH!

*Yuki acorda apavorado, dentro da banheira, e dá de cara com Ayame debruçado na borda, chacolhando-o pelo ombro*

by Thata Srta Rainey

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_Onde estou? Está bem frio aqui...

*Ele esfrega uma mão à outra numa tentativa de aquecê-las. Yuki caminha num bosque congelado pelo rigoroso inverno. As árvores, bem altas, impediam que os flocos de neve caíssem diretamente no chão, mas este, já estava todo coberto pelo manto branco*

_Não tem ninguém por aqui.. Eii! *Ele grita e sua voz se perde por entre os eucalíptos* Esto u perdido! Alguém por favor! *Ele para pra ouvir uma resposta que não vem* Não tem niguém aqui, estou sozinho... Espera, eu conheço essa voz.

*Yuki começa a andar apressadamente, seguindo um canto que ouvia. A cada passo q dava, a voz ficava mais alta e clara*

_ É o meu irmão! Tenho certeza, é a voz do Ayame! *Ele corre até que encontra o que procurava: Ayame estava sentado no chão, sobre uma toalha rosa rendada. Estava de costas para Yuki, mas este o reconheceu pelo cabelo e roupa que usava. Ele não estava sozinho, havia alguém sentado entre as suas pernas, que ele abraçava por trás. Yuki pôde ver o cabelo desta segunda pessoa, era branco também, mas curto. Yuki não se aproxima mais e fica observando os dois*

#Como pode? O Ayame está abraçando uma moça e não se transformou?? Como ele conseguiu fazer isso?? *Yuki se aproxima lentamente, e o casal nem percebe sua presença; Ayame continua do mesmo jeito: cantando e afagando a cabeça da outra pessoa* E quem será aquela moça com ele?#

_ Ayame! *Yuki corre e fica imediatamente à frente do irmão* Haru?!

_ Fala, Yuki, beleza?

*Yuki fica pasmo ao ver que a "moça" na verdade era o seu primo Hatsuharu. Ayame nada responde, continua afagando os cabelos brancos do boi*

_ Ayame! Haru! Como podem ficar sentados aqui, como um casal de namorados? Vocês são dois homens!

_ Que besteira, irmãozinho. *Ayame enfim se manifesta, mas ainda de olho fechado e ainda com as mãos sobre o outro possuído* Você falou duas verdades na sua frase.

_ Quê? Que duas verdades? Não entendo... Haru, sai daí, o que a Rin vai pensar?


by Thata Srta Rainey

24/04/2008

80


-E ME CHAME O HATORI AQUI. OUVIU PRINCESINHA???

*Apesar estar gritando Akito estava ajoelhada no chão toda frágil. Tento segurar o choro mais não conseguiu, e acaba deixando o corpo cair lentamente no chão. Sentia uma forte angustia dentro de si. Se pudesse rasgava o seu peito com suas próprias mãos só para extrair aquele sentimento. Ficou por alguns segundos chorando com o som parado em sua garganta. Parecia que não estava conseguindo respirar.*

#Então é assim que você se sente Yuki?#

*Aquele pensamento fez com que a dor viesse toda para fora*

-ARRRRRGGGGHHHHHHHHHHHHHHHHH ARRRRRGGGGHHHHHHHHHHHHHHHHH ARRRRRGGGGHHHHHHHHHHHHHHHHH

*Ela coloca as mãos atrás da cabeça e encosta a testa no chão.*

#Por que não me enxergou, Yuki? Por que não percebeu quem sou realmente? Como não sentiu que não sou um homem?#

*Seu choro agora pode ser escutado por todos na casa, mas nenhuma das empregadas tem coragem de entrar no quarto naquele momento.*

#Mesmo se esfregasse os meus peitos na sua cara você continuaria cego. Como pode achar que eu sou gay?#

-Você é patética! Tenho muita pena de você.

*Akito pára de chorar imediatamente e levanta a cabeça. Olha para todos os lados no quarto e não vê ninguém*

-..... #mas...#

-Eles nunca a verão como uma mulher. Você nunca será desejada como eu fui.........

*No meio daquele ataque histérico ela acaba se lembrando de uma das brigas que teve com a Kana, antes do Hatori ir pedir a permissão para eles se casarem*

-NÃOOOO.... ELE IRÃO ME ENXERGAR SIM! *Akito joga a mesinha de canto no chão* -SUA DESGRAÇADA, PORQUE TINHA QUE APARECER PARA SE CASAR JUSTAMENTE AGORA? *Akito começa a puxar os cabelos como se aquilo fosse apagar de sua mente aquelas frases* -EU SOU COMO VOCÊ. SOU MAIS DO QUE VOCÊ.

*Akito abre o quimono e fica segurando os seus seios e começa a falar baixinho como se fosse uma prece.*

-Sou uma mulher..... Enxergue-me Yuki. Por favor, não pense que sou um homem.....

by Kyo

79


* Yuki caminhava pelo corredor da casa arrastando os pés, tinha o olhar perdido e a boca entre aberta, no rosto o sangue escorria um pouquinho, tinha sido “cicatrizado” pela saliva de Akito. As empregas não tiveram coragem de falar com ele e até mesmo a senhora Yoko o olhou estranho. Ele chegou do lado de fora e parou olhando o céu e a neve que caía. Não conseguia pensar em nada, apenas olhava a neve cair. Voltou a caminhar arrastando os pés na neve, depois de muito tempo conseguiu chegar á casa de Hatori. Estava encharcado até os joelhos por se arrastar na neve, com a boca e as mãos roxas, o sangue nem escorria mais no rosto. Hatori o levou as pressas para dentro de casa e buscou sua maleta médica. *

- Yuki, o que Akito fez com você?

* Ao ouvir aquele nome, Yuki começou a chorar. *

- Yuki, mas o que aconteceu?

* Vendo que o menino não respondia apenas chorava, e o estado que se encontrava levantou-se para ligar pra o Shigure para ajudá-lo com a situação. *

- Yuki, vou preparar um banho quente pra restabelecer a temperatura do seu corpo e ligarei para o Shigure vir te buscar. Por favor enquanto esperar se aqueça no cobertor.

* O menino apenas segurou a calça do médico quando ele se levantou, balançou a cabeça em negativa. *

- Você não quer que eu chame o Shigure?

* O rapaz afirmou com a cabeça. *

- Aki... – a voz do rapaz saí tão fraca entre o choro que mal dava pra ouvir – Akito... você...

* O médico reparou que as mãos dele começaram a tremer quando ele pronunciou o nome do patriarca. *

# Isso parece sério. Não posso imaginar algo que Akito tenha feito que tenha sido pior do que todas as torturas psicológicas que já fez com ele durante sua infância. Eu nunca vi o Yuki nesse estado. #

- O Patriarca quer me ver é isso? – Yuki afirma com a cabeça novamente – Está bem, irei cuidar de você primeiro. Prefere que eu ligue para o Hatsuharu então? – o menino nega novamente com a cabeça, o primo era o último que queria que o visse nesse estado. – Yuki não posso deixá-lo sozinho assim, irei ligar para o seu irmão então.

* Não houve objeção nem afirmação, Yuki apenas soltou a calça do médico e se afundou no cobertor que o envolvia. Hatori ligou para o Ayame apenas dizendo que o Yuki pediu vir vê-lo na sede, e teve a resposta esperada, e a certeza de que em poucos minutos ele estaria ali, assim lhe explicaria a situação. Hatori fez o curativo no rosto dele e o deixou tomando banho na banheira, com a porta aberta pra qualquer emergência. *

by Leandra

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# Molhado, quente, macio. Como o beijo dele é delicado e ao mesmo tempo forte. Meu corpo inteiro formiga, meu estomago parece pegar fogo. Tenho vontade de abraçá-lo, de apertá-lo, de sentir seus ossos estalar, de prendê-lo de não soltá-lo mais. O que é essa mistura de desejo e raiva, de querer empurrá-lo longe e de não deixá-lo sequer respirar perto de outra pessoa? Não, pare. Me solte. Eu não pedi isso, eu não quero isso, ME DEIXE EM PAZ. #

* Yuki soltou o braço dela e colocou a mão delicadamente em seu ombro, fazendo com que ela parece o beijo e o olhasse percebendo que, ao contrário dela, ele estava completamente roxo. *

- Aki-Akito... san... nó-nós so-so-somos ho-hom-homens!

# Droga, o que eu fiz? Idiota! Ele não consegue, ele não pode, não tem como ele me enxergar. Eu sou uma MULHER seu rato inútil nem pra perceber isso você serve. Agora além de homem ele acha que sou gay agora é que ele nunca mais vai vir pra mim, agora que ele nunca mais irá olhar para mim.... se é assim, se tem que ser assim, então eu vou fazer de uma forma que não tenha volta. #

- ALGUM PROBLEMA COM ISSO PRINCEZA? EU PROMETO VOCÊ NÃO VAI SE ARREPENDER.

* Ela joga o peso do corpo sobre o dele fazendo ele se inclinar ainda mais, e apóia a mão agora livre no chão ao lado dele e puxando pela gola da camisa, lambe o sangue da bochecha dele e lhe dá outro beijo ainda mais forte. Ele não recusa, mas quando percebe que seu corpo estava respondendo de uma forma que ele não conhecia e nem controlava ele instintivamente a empurra, completamente assustado. *

# Então realmente não tem jeito? ... ENTÃO TAMBÉM NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ. #

- É isso? Só isso? É só isso que você tem a me oferecer, Y- U – K – I?! huhauahauhauhuahuahauha

* Ela se levanta, ajeita o que sobrou do kimono e vira-se caminhando pra janela rindo. Senta-se e olha pra ele com aquele costumeiro sorriso cínico, sarcástico e frio. *

- Você é realmente uma princesinha, não é? Tremendo tanto por causa de um beijo. Deixa-me adivinhar, esse foi o seu primeiro beijo é?

* Yuki não responde, mas a reação de surpresa e vergonha que teve o denunciou completamente. *

# Céus... então foi mesmo o primeiro beijo dele? E comigo? E ele pensando que foi um homem? Ahhh.. o que foi que eu fiz? Não, agora não tem mais volta. #

- Hahahahahaha Patético! Patético como sempre meu ratinho assustado. Agora saia.

* Yuki permaneceu no chão completamente sem reação. Olhando assustado, desconsolado, confuso e envergonhando para Akito. Para ela era tentador demais que ele continuasse ali, com aquela expressão tão indefesa e bonitinha, porque sua vontade era de possuí-lo por inteiro, devorá-lo e não deixar que ele a abandona-se outra vez. Mas ela sabia que isso acabaria destruindo o menino ou o segredo do clã. *

- Você não me ouviu, idiota? SAIA DAQUI. VOCÊ NÃO É HOMEM SUFICIENTE PRA MIM. VÁ EMBORA E ME CHAME UM DE VERDADE. ANDE, ME CHAME O HATORI AQUI. VÁ LOGO, SERÁ PRECISO ALGUEM PRA TE EXPULSAR DAÍ?

* Enquanto falava Akito puxava o braço do Yuki fazendo ele levantar e empurrando ele em direção a porta. Ele não reagia nem falava nada, apenas escutava aquelas palavras como facas atravessando seu corpo. Quando saiu do quarto Akito bateu a porta e gritou novamente para que ele chamasse o Hatori. *

by Leandra

77


* Dizendo isso ela debate seus braços tentando se soltar e a cerâmica passa de leve na bochecha do Yuki e um pequeno filete de sangue aparece. Ela pára de se debater com força e solta o pedaço que estava em sua mão. Mas continua tentando se soltar e gritando. *

- É SÓ ISSO? KAMISAMA É SÓ O QUE EU SOU?

* Os olhos dela enchem de água mas não chora. Yuki repara nos olhos dela e afrouxa a força das mãos sem perceber. Ela aproveita solta sua mão esquerda e agarra a gola da camisa dele puxando ele ainda mais pra perto. *

- SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENXERGA SEU IDIOTA? EU SOU MAIS QUE ISSO... ENXERGUE, YUKI.. ENXERGUE O QUE EU SOU...

* Akito puxou-o pela gola da camisa até que estivesse com o rosto colado no dele e jogando seu peso sobre ele fez com que os dois caíssem no chão. Yuki ficou apoiado sobre o cotovelo direito ainda segurando o pulso direito de Akito com a mão esquerda. Com uma das pernas dobradas entre as do Yuki e a outra por fora, quase sentada no colo dele e apoiando o peso do corpo no cotovelo da não que segura a camisa dele Akito não pensou e simplesmente o beijou.
Yuki não teve tempo de pensar nem reagir, e nem quis, beijou Akito com toda a paixão puxando pra baixo o braço dela que ainda segurava com força fazendo com que ela ficasse ainda mais junto dele. *

by Leandra

23/04/2008

76


# Então voltou tudo ao normal. Ele vai voltar a me maltratar e me humilhar novamente. Aquele rosto preocupado, aquela voz preocupada, aquelas mãos que me seguravam com tanto medo, não existem mais... #

- Vai ficar aí em pé calado é? Onde está o respeito para com o seu Deus?

# Desculpe Yuki, mas se eu te estender a mão e você não a pegar eu não saberei o que fazer. Se lhe fizer um carinho e você me rejeitar eu não suportarei. Se você não pode me olhar como uma mulher, eu não irei mais olhar para você. #

- Sim, Akito-san.

* O rapaz sentou-se de cabeça baixa um pouco perto de onde Akito estava, sua feição era tão triste que o desanimo de Akito parecia terça-feira de carnaval comparado a ele. Ela sentiu uma dor no peito ao ver o possuído daquela forma, mas lembrando-se do seu sonho e de sua posição, respirou fundo novamente. *

- Hum... Não está feliz de estar comigo? É assim tão ruim estar com o seu Deus, Yuki? Não é por mim que você vive? Ah... talvez estar sempre sozinho seja melhor. Naquela casa com aquele monstro e aquela horrenda.

* Ela olha de canto de olho para ele, mas ele não reagiu nem a ofensa que fez a Tohru. Akito começou a ficar nervosa por ele estar tão deprimido por estar ali com ela. Pensar que ela o queria tão bem e tão perto e ele estava sentindo-se tão mal só por estar sentado ao lado dela. Sentiu raiva, ciúme, revolta, tristeza e explodiu. *

* Akito se levantou da janela e começou a gritar desesperada para o Yuki. *

- PORQUE ESSA CARA DE IDIOTA, HEIM? SE NÃO QUERIA ME VER NÃO PRECISAVA SE DAR AO TRABALHO. VOCÊS SÃO TODOS IGUAIS. VOCÊ NÃO QUER ESTAR AQUI É ISSO? – ela começa a rasgar a cortina, a puxar o papel de parede, jogar as almofadas pela janela - NINGUÉM QUER. FALSOS. MENTIROSOS.

* Ela arremessa os vasos de flores pelos lados de Yuki, enquanto esse assistia estarrecido e amedrontado mais um ataque do patriarca, mas decide se levantar e tentar impedi-lo quando ele começa a bater no próprio peito. *

- KAMISAMA. KAMISAMA. É ISSO O QUE VOCÊS ENXERGAM. KAMISAMA É O ÚNICO QUE VOCÊS VEM VISITAR POR OBRIGAÇÃO.

* Ela rasga as mangas do kimono e arremessa na cara dele quando ele tentou chegar perto para pará-la, e continua gritando. *

– VOCÊ QUER IR EMBORA? ENTÃO SAIA DAQUI MALDITO. QUER SE VER LIVRE DE MIM? – ela pega um pedaço de cerâmica que estava perto de um dos jarros que quebrou – É O QUE TODOS VOCÊS DESEJAM PELAS MINHAS COSTAS NÃO É?

* Ela ameaça cortar o pulso esquerdo com a cerâmica, Yuki que estava perto embolado nas magas do kimono arremessado, corre e segura o pulso direito dela com força mas mesmo machucando seu braço ela não solta a cerâmica e tenta bater nele com a mão livre mas ele consegue segurar seu braço a tempo. *

- Akito-san, pare.

- PARAR POR QUE? NÃO É ESSE O SEU DESEJO? SE VER LIVRE DO KAMISAMA PARA FAZER O QUE QUISER? PARA ESTAR LÁ NAQUELA CASA COM AQUELA MENINA HORROROSA?

- Não é nada disso, Akito, acalme-se, por favor.

- NÃO ME DIGA O QUE FAZER. EU SOU O KAMISAMA.

by Leandra

75


* Akito estava deitada sobre a janela completamente desanimada, fazia uma semana desde que Hatori voltara da casa do Shigure mas a esperança de que Yuki viesse vê-la havia acabado. Ela escuta batidas na porta mas nem se dá ao trabalho de responder que não queria ver ninguém. *

- Akito-san? Está aí?

* Akito levantou o corpo na mesma hora e olhou para a porta completamente gelada e com o coração na boca. Depois de perder as esperanças que ele viesse sem ser realmente obrigado, ele estava ali do outro lado da porta a chamando. *

# Ele... ele está aqui. Ele veio me ver sem eu tê-lo obrigado, eu apenas sugeri. Será que ele pensou que era uma ordem? Pra ele ter vindo... Hatori deve ter dito que foi uma ordem. Ele só veio porque sou o kamisama. Sim, acalme-se Akito. Ele não veio para vê-la, veio para obedecer ao seu Deus. #

- Akito-san? Voltarei outro dia se preferir. Akito-san?

- Entre logo. – ela vira-se novamente para a janela e respira fundo enquanto o rapaz entra e fecha a porta. – Não lembro ter dito que podia ir embora sem a minha permissão.

# Ele parece mau humorado, que culpa eu tenho, ele não respondia. #

* Ela respirou fundo novamente e se virou para ele com seu sínico e típico sorriso no rosto. *

- E então meu ratinho? Não agüentou a minha falta e veio correndo com o rabo entre as pernas para mim?

# Não quero tratá-lo assim. Mas se ele veio apenas por eu ser o Kamisama então irei tratá-lo apenas como algo que me pertence, para que ele não se gabe e se ache o preferido de Deus. #

by Leandra

74


* Yuki andava de um lado para o outro na varanda da casa do médico. Ele o havia pedido para passar lá antes de ir atender ao pedido de Akito de vê-lo, para um exame de rotina. *

# O que eu estou fazendo aqui? Porque vim correndo quando o Hatori ligou falando que ele queria me ver? Pior... porque eu fiquei feliz de ter ouvido isso? Akito só me maltratou, e agora ainda faz o que tem feito comigo. #

* Hatori chegou na porta da varanda e ficou olhando a angústia do rato que andava pra lá e pra cá com a mão na boca e completamente perdido em seus pensamentos. *

# O que afinal de contas está acontecendo com essa família? Yuki nunca ficou nervoso para se encontrar com Akito? Ou será que aconteceu alguma coisa na casa que não me contaram? Tohru? Não, aquele desnaturado teria me avisado afinal eu sou o médico da família... a menos que... #

* Hatori ficou remoendo seus pensamentos e olhando para o Yuki. *

# Não. Ele pode ser o que é, mas não faria nada que ela não quisesse, ou pior, não tivesse consciência. Está tudo bem por lá, o problema deve estar com ele mesmo. #

- Yuki?

* O rapaz parou de andar e olhou pro médico com cara de quem não entendeu nada. *

- O que está lhe afligindo? Não vai adiantar andar de um lado pro outro encerando o chão. Venha, entre e vamos conversa.

# Conversar? O que eu vou dizer? Que estou nervoso porque não sei como Akito vai me tratar? Não porque eu to com medo que ele me maltrate, mas porque estou com medo que ele me ignore? Ou ainda, porque estou com medo daquele pesadelo e da minha reação? E se ele tentar me beijar como no sonho? E-eu terei como reagir, como recusar? Ir contra kami-sama?! É isso! #

- Obrigado Hatori!

* O menino sai correndo pra dentro de casa, calça os sapatos e deixa a porta aberta correndo em direção a casa de Akito, deixando o médico de boca aberta e sem entender completamente nada. *

# É isso! Está tudo explicado agora! É claro! Eu não consegui recusar Akito-san no ano novo porque ele é o Kamisama. Todos nós dos 12, ninguém consegue contrariar Akito. Como eu não percebi isso antes? É isso! Não tem nada demais, não tem nada estranho. Sou apenas um possuído que não conseguiu ir contra Deus. #

by Leandra

73


*Kyo já estava impaciente a alguns dias. O pesadelo que havia tido no começo do ano ainda estava muito fresco e constante em sua memória. O comportamento que a possuída pelo espírito do javali estava tendo com ele, só o deixava ainda mais irritado e intrigado. Ele se levanta, veste o casaco e vai dá uma volta, mas acaba indo sem pensar até o Dojo*

-Muito obrigada mesmo, Kunimitsu-san

*essa é a voz da Kagura. Ele se encosta ainda mais contra a parece e fica escutando a conversa*

-imagina Kagura-chan. E pode deixar que lhe ajudarei com a mudança.

-E quando estará saindo da sede, Kaa-chan?

-Creio que amanhã.


#Então ela já vai se mudar e nem me contou.# *ele passa a mão impaciente em seus cabelos laranjas*

-Tive muita sorte. O apartamento que o Kunimistu-san me recomendou é perfeito, professor.

-Agora além de colegas de trabalho seremos também vizinhos, Kagura-chan.


#VI-ZI-NHOS??? COMO ASSIM VIZINHOS?# *O gato estica a cabeça para além de escutar poder ver também o que estava acontecendo*

-Humm? Boa tarde, Kyo.

#O mestre tinha que me ver# -Boa tarde Mestre. *o garoto se recompõem e vai até o grupo.*

-Olá Kyo. *Kagura lhe fala toda sorridente*

#Só isso? Olá Kyo e nada mais?#

-Boa tarde Kyo.

-E aí Kunimitsu?

-A Kaa-chan, já contou a novidade para o Kyo? *Kazuma percebe que há um clima um pouco diferente entre os dois*

-Bem... estou saindo da sede amanhã.

-É. Boa sorte.

*Kunimistu percebe que a garota abaixou a cabeça um pouco chateada por causa da grosseria do rapaz e tenta mudar a conversa*

-E a que horas posso vir te buscar?

-N-não precisa Kunimitsu-san.

-Faço questão, quero ser um bom vizinho.

-Tá. *ela volta a sorrir* -Mas então eu farei um jantar como retribuição.

-Fechado.

#Mas ela não vai me chamar para ir também?#

-Ahh, Kyo...

#Issoo#

-Como a Kisa-chan reagiu com a Tohru-chan?

-Bbemm... #ela não me chamou.#

*Kazuma é obrigado a guardar a risada que queria dar ao ver a cara do garoto*

by Kyo

72


*Tohru desce as escadas e entra na cozinha, verifica se tudo está em ordem. Ao perceber que nada está fora do lugar ela volta para a sala. Pega uma das almofadas e ajeita no sofá. Depois arruma o vaso de flores que ela mesma tinha colocado na mesinha de canto da sala. Ela olha para o chão é percebe que tem uma sujeirinha e abaixa para catar*

-Que pára com isso?

-Humm??

-Você está me dando nos nervos. É apenas uma fedelha que está chegando, imagino o que faria se fosse o Akito-san.

-O SENHOR ACHA QUE ELE VIRÁ JUNTOS? AIII, A CASA NÃO ESTÁ TÃO BEM ARRUMADA ASSIM. ELE VAI ACHAR QUE EU NÃO ESTOU CUIDANDO BEM DE VOCÊS....

*Kyo desiste de tentar falar com ela e a deixa falando sozinha, voltando a prestar atenção na televisão*

-Tohruuuu, chegamos.

*Shigure tira os sapatos com a pequena Kisa se escondendo atrás dele*

#Nhaaaaaaa... como ela é fofa!# -Muito prazer senhorita Kisa. Sou Tohru Honda.

*A garota a olha, mas volta a se esconder atrás do escritor*

-ahahahahah, com a Tohru você não poderá se sentir tão envergonhada, afinal irão dormir na mesma cama... ahahah

-Err... e o Yuki-kun?

-Ele ficou lá na sede.

#Será que ele estará bem? Nhooo, dessa vez o senhor Ayame não está lá para separar uma briga dele com o senhor patriarca.#

*Kisa olha desconfiada para todos os canto da casa.*

-Não quer vir conhecer o seu novo quarto, senhorita Kisa. *Tohru lhe estende a mão, mas a garota não estende a dela, e passa a segurar firmemente as barra do seu vestido*

-vamos até lá Kisa-chan. *Shigure toma a dianteira e sobe com as malas*

#A senhorita Kisa realmente é muito tímida, assim como a Kagura-chan tinha me falado.# *Tohru sobe atrás deles*

*Kyo finalmente vira a cabeça para vê-los subindo as escadas*

#Achei que a Kagura iria vir com eles, já que a idéia foi dela. Mas que diabos está acontecendo com aquela garota?# *ele apóia a testa na mão direta* #Já faz alguns dias que ela está me evitando lá no Dojo.#

by Kyo

71


-Sente-se aqui. Vou preparar um maravilhoso chá para você. Sinta-se muito mais do que honrada, afinal só são poucos que podem provar essa delicia preparada pelas mãos de um próprio deus como eu. Verá que até hoje nunca tinha provado um chá na vida. Sim... porque depois que tomar o meu chá, irá ver que o que bebia antes era apenas uma água quente com algumas folhas misturadas nela. Irei lhe preparar uma verdadeira festa para o seu paladar.

*Ayame vai falando sem parar enquanto preparava tudo para o chá. Mine continuava sentada sem falar nada*

-O que aconteceu, Mine-san?

*A garota volta a limpar as lágrimas que caiam.*

-Eu estava morando com uma amiga....... e agora quando cheguei encontrei todas as minhas coisas empacotadas....... ela vai morar com o namorado......

-QUE HORROR.... ISSO NÃO É UMA AMIGA. ONDE JÁ SE VIU? ISSO NÃO SE FAZ... VOCÊ NÃO PRECISA DE UMA AMIGA ASSIM... QUERO DIZER... ELA NEM É SUA AMIGA...

-.... eu não sabia para onde ir.... fiquei andando sem rumo e quando dei por mim estava aqui perto.

-Foram os deuses que te trouxeram minha linda dama. *Ayame passa delicadamente o dedo para secar as suas lágrimas*

-.... não posso aceitar essa sua generosidade. Tenho certeza que irie encontrar uma pensão para passar a noite e amanhã já irei procurar um outro lugar...

-..... não mesmo... onde já se viu. a minha funcionaria numa pensão chulezenta qualquer. Já sei... Acabei de ter uma brilhante idéia... *ele pega alguns dos pacotes e sai andando pelo corredor com a garota correndo atrás dele, enquanto ele continua falando sem parar*... estava eu pensando agora mesmo que esse palácio é muito grande apenas para a minha nobre pessoa. *ele abre a porta do quarto de visitas* -Pronto aqui será o quarto da Mine-san.

-N-não posso acertar..

-Claro que pode. Assim não tem como chegar atrasada no emprego... hoohohohho...

*Ele a leva para dentro do quarto*

-Sinta-se a vontade, a casa agora é sua.

by Kyo

70


*Ayame retorna para casa, mas voltava um pouco deprimido. Após passar todos asqueles dias rodeado de gente, encontrar a casa vazia e escura o deprimia um pouco.*

-Todo palácio deve ser proporcional ao tamanho do seu rei, mas ficar nessa casa sozinho também não dá.

*Ayame vai entrando em todos os cômodos da casa e acendendo todas as luzes, depois senta-se no sofá branco de couro e inclina a cabeça para trás*

#Como será que ela está?#

*Ayame fecha os olhos e vê a imagem de sua assistente. Fazia pouco tempo que ela estava trabalhando com ele, mas o seu jeito alegre já estava fazendo falta*

#Será que ela voltará essa semana? Gostaria tanto de saber o que ela está fazendo agora. Como passou esses dias? Se ela está feliz?#

*Ayame descruzas as pernas e se levanta. Caminha até a janela. As primeiras luzes estão surgindo espalhadas pela cidade. Na rua poucas pessoas a andarem, pareciam que ainda estavam aproveitando o final do feriado, ou então estavam fugindo do frio.*

#Quem seria o louco de estar na rua com esse frio?# *ele olha para a esquina e vê que uma garota cheia de pacotes tinha acabado de chegar ali.*

-HUm?? Será que esses olhos de brilhantes estão me enganado?

*Ele passa as mãos nos olhos e força a vista para ter certeza*

-É ela sim... *Ayame abre a janela e começa a gritar* -MINE-SAN.... EI MINE-SANN. AQUII... *ele está com metade do corpo para fora da janela e agitando os braços*

*Mine percebe que ele estava a chamando e vai até a entrada da loja com todos aqueles pacotes. Ayame desce voando as escadas para lhe abrir a porta*

-Boa noite, chefís. *sua voz não estava com a mesma animação de sempre*

-Aconteceu alguma coisa, Mine-san?

*A garota abaixa a cabeça e ele percebe que ela está chorando*

-Mas vamos entrando linda dama. Não posso tomar esse ar frio. Tenho a minha pele por demais delicada. Na verdade a pele do meu rosto é como a de um bumbum de bebê.

*ela dá um sorriso, limpa as lágrimas e entra*

by Kyo

22/04/2008

69


- Akito, você está se sentindo bem?

- E por que eu não estaria? – Ela solta a camisa de Hatori gritando e se senta na janela. – Eu estou ótimo. Pode ir embora daqui, eu chamo se precisar.

- Sim, Akito. Mas evite a friagem da janela, por favor.

* Akito faz um sinal para que ele fosse embora sem lhe responder e volta a olhar a neve pela janela. *
# Aquela maldita... está se aproximando o casamento dela com aquele outro lá. Será por isso que tive aquele sonho? Não há a menor possibilidade daquilo acontecer, Yuki não conheceu a Kana e não irá conhecer. Mas... e se aquilo acontecer com outra mulher? #

- NÃO!!!!

* Ela arremessa a jarra de flores recém colocada no quarto. Hatori que ainda estava do lado de fora da porta olhando para ela, tentando imaginar os motivos de Akito escuta o vaso quebrar e abre a porta sem pedir licença. *

- Akito!!!!!

* Ela olha para o médico com lágrimas nos olhos e corre para abraçá-lo chorando. *

- Não, não pode Hatori. Eu não vou deixar, não vou deixar. Ele não pode, não pode...

- O que? O que foi Akito?

* Ela apenas afunda o rosto no peito de Hatori e soluça no meio do choro sem explicar o que ela não deixará e quem seria “ele”. *

# Afinal de contas, o que ta acontecendo com essa família? Akito tudo bem, mas até o Shigure e o Yuki estão estranhos e falando coisas sem sentido. O que é tão doloroso para Akito não deixar? #

* Ele a pega no colo e se senta com ela no futton abraçando-a forte como a uma criança esperando que ela se acalme. Até que ela pegasse no sono e o médico pudesse voltar para sua casa, deixando recado para que qualquer movimento brusco de Akito era pra ligar pra ele. *

by Leandra

68


* Hatori despede-se de Haru na entrada da sede e caminha em direção a casa de Akito. *

# Espero que ela esteja bem, fazia algum tempo em que ela não quebrava o quarto todo. O que será que aconteceu para ela acordar assim? Ontem ela parecia tão contente com a presença do Yuki. #

* Ele entra na casa sem dar atenção aos protestos da senhora Yoko que gritava com ele por ele não estar presente para socorrer o patriarca durante o dia todo. E bate diretamente na porte de Akito. *

- Akito-san, posso entrar?

- Hatori?

* Ela corre e abre a porta do quarto puxando o médico para dentro pelo colarinho e fechando a porta em seguida, sem nem prestar atenção na presença da governanta atrás do médico. *

- Por que demorou tanto pra voltar? Não sabe que tenho uma saúde frágil? O Yuki estava tão mal assim que precisava do meu médico o dia todo?
# Será que ele já melhorou? Será que ele teve outra crise pro Hatori ter que ter ficado lá? Mas não posso perguntar diretamente. #

- Desculpe-me, Akito. Prometo que não se repetirá. O Yuki teve um principio de crise pela manha mas não foi nada grave, como você não queria ver ninguém achei melhor permanecer por lá.

# Que bom! Então ele está melhor, que medo que fiquei. #

- Hunf, não importa. Assim que ele melhorar completamente peça para que venha me ver outra vez. Dei liberdade para eles, mas não significa que estão livres de mim. Quero que eles continuem vindo até mim. É por mim e somente por mim, que eles vivem.

# Os outros não me importo tanto, mas de alguma forma eu já não tenho suportado a grande ausência dele. E pensar que antes da festa eu não reparava em como ele me faz falta. Maldição, antes eu não tivesse sentido isso. #

* Hatori repara que Akito ficou pensativo com uma mão na boca e a outra agarrada ainda ao seu colarinho. *

by Leandra

68


*Tohru nota que o garoto está olhando para ela*

-Algum problema, Sohma-kun?

-Posso te chamar de Tohru também, senhorita Honda?

-Err.. Claro que pode.

-E você me chama apenas de Yuki.

#Pronto mais um.# *Shigure olha para os dois garotos*

-Err...tá, Yuki.

*Yuki se aproxima dela e lhe fala no ouvido* -A Tohru fica ainda mais meiga quando sorri.

#Humm... o que será que ele falou para ela?#

-Não... não fico não. * A menina fica toda envergonhada*

-Não acha Shigure, que a Tohru fica ainda mais meiga quando sorri?

*O possuído a olha com aquele jeitinho todo tímido negando o elogio e um pouco corada de vergonha* #Como pude imaginar que a Tohru faria uma coisa desse tipo com o Haa-san. A gente não deve passar de dois tiozinhos para ela. Ela deve se interessar apenas por garotos da idade dela#

BLAMMM

-E o nosso furação chegou.

*Kyo passa direto por eles e entra na cozinha*

-Err, Kyo.*a garota corre para a cozinha* Posso preparar alguma coisa para você comer?

-Não precisa, Tohru. Comi algumas coisas lá na casa do Mestre. *O garoto está pegando um copo de agua*

-Mestre?

-Ahh... Ele é o meu professor de artes marciais. Já foram embora?

-ahnn?

-Aqueles idiotas, já foram?

-Ah, sim. O Hatori e o Hatsuharu acabaram de ir embora.

*Kyo coloca o copo na pia e sai da cozinha, subindo para o seu quarto*

-Que bicho mordeu esse dai?

-E precisa ser mordido por algo para ficar de mal humor? *Yuki responde de maneira automatica*

-Vou subir para tirar algumas das minhas coisas para deixar espaço para a senhorita Kisa.

*Tohru sobe toda cantarolando deixando os dois possuídos sozinhos na sala*

#É bom ver que ela voltou a sorrir.#

-Shigure,o que aconteceu com o patriarca?

-O mesmo de sempre. Não precisa se preocupar porque não foi por causa da sua ausência na festa. Confesso que nunca tinha visto Akito-san tão preocupada como ela estava com vocês quando teve sua crise. Vai ver que ele se sente culpado pela sua frágil saúde.

-Tudo bem

by Kyo

67


-Você vai ficar no chão até quando, Yuki? *Haru lhe estende a mão e o ajuda a se levantar*

-Haru, respeite a senhorita Honda.

-Tá foi mal. Mas já tá na hora dela saber que essas coisas existem, ou ela acha que os bebês vêm dos repolhos?

-HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAH....... *Shigure começa a chorar de tanto rir*

-O Yuki está certo Haru.

-Tá... Desculpa mesmo. *Haru se inclina na sua frente pedindo desculpas mais formal*

-Nãoo.. Não.. Precisa se desculpar.

-Yuki, Tohru, como vocês estão se sentindo?

-Eu estou bem. *Tohru é a primeira a lhe responder*

-Eu também estou, Hatori.

-Então acho melhor voltar para sede. Estou um pouco preocupado com Akito-san.

-É, talvez seja uma boa ir para lá. Ele quebrou o quarto todo hoje de manhã.

-Você vem comigo, Haru?

-Vou sim. *Haru se aproxima do Yuki e lhe fala baixinho no ouvido* Bzzz - Se tá dando a maior pinta. Bzzz

-Queee?? #Será que está tão na cara assim#

Bzzz- Depois a gente conversa sobre ela. Bzzz *ele aponta com o dedão para a Honda*

-Ahhhh.... #Achei que ele estava falando sobre o Akito#

-Errrr, antes de ir embora o senhor poderia me contar sobre qual animal é possuído?

-Não te contaram?

*Ela balança a cabeça falando que não*

-Eu sou o reprodutor.

-Ahnnn? Como assim??

-HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAH. *Shigure mais uma vez cai na gargalhada e o Hatori coloca a mão na testa*

-Ele é o boi, senhorita Honda.

-Então... Sou o boi reprodutor.

-Boa noite Tohru, se precisarem podem me chamar. Yuki não se esqueça de tomar o medicamento de hoje a noite.

-Pode deixar Haa-san, agora é a minha vez de massagear a perna da Tohru... ahahahhahah

#Ele não toma jeito mesmo#.

*O Escritor acompanha os dois até a porta e o Yuki fica observando a garota se despedindo deles com aquele sorriso no rosto*

#A Honda é tão meiga. Eu bem que poderia me apaixonar para ela mesmo. Isso sim é o correto. Tenho que me interessar por garotas.#

by Kyo

66


-Shigure. Por que demorou tanto para vir atender?

#Impaciente como sempre# -Me desculpe, senhor patriarca. Tentarei ser mais ráp....

-Decedi que a Kisa irá morar com vocês.

-Decidiu?? #Pensei que isso era coisa da Kaa-chan?#

- Ou será que tem algum problema?

-Não. De forma alguma...

*Nesse momento os outros três possuídos acabam de entrar na casa*

-A sua empregadinha consegue tomar conta de mais um, não é mesmo?

#Tadinha da Tohru. Hummmm, mais ela num uniforme de empregada feito pelo Ayaa.........#-Sem problema algum, senhor Patriarca.

*Ao escutar o "Patriarca", Yuki sente que o seu coração está batendo com mais força* #Será que ele quer que eu vá para a sede?#

-.... Tudo bem. Iremos arrumar tudo por aqui. Até bre.....

*Akito desliga o telefone até de ele terminar a frase*

-O que foi agora?

-Nada não, Haa-san. A Kisa-chan virá morar aqui conosco.

-Nhaaa.... Ficou tudo acertado então, Shigure?

-Ficou sim Tohru. Ela poderá dormir no seu quarto, né?

-Claro. Afinal a cama que o senn... VOCÊ me deu é bem grande.

-Também quero. Também que morar aqui e dormir na sua cama.

-HARU.... *Yuki está tão vermelho quanto a Honda de vergonha*

-HAHAHAHAH.... Esse é o meu discípulo. Grande Haa-kun...

#O Shigure vai estragar esse menino.# -E como o Akito-san está?

-Acompanhado.....

#Que??# *Yuki lhe olha assustado#

-....pelo mal humor de sempre.

-Sensei, quando é que a Kisa virá para cá?

-Nessa semana ainda. Mas não acham estranho o fato do Akito-san ter aceitado essa idéia da Kagura?

-Dizem que ele está um pouco mudado, mas ninguém sabe o motivo.... vai ver que ele está $#@¨%$ alguma das empregadas como o pai dele fez.

*A Honda ao escutar aquela palavra quase enfarta, mas é o Yuki quem cai sentado para trás. Os outros três não sabem a quem ajudar primeiro.*

-Foi mal Honda. Esqueci que não está acostumada com essas coisas ainda.

-Tu- tudo bem...#Por qual animal ele será possuído?#

by Kyo

65


*Hatori coloca a mão no ombro do médico*

-E trate de parar com essas insinuações. Talvez a Tohru estivesse chateada por causa dessa sua brincadeira com o Ayaa. Bem... Vou atrás do Yuki. Ele ainda não está bom para ficar nesse frio lá fora.

*Shigure nada diz e o médico sai. O escritor caminha até a mesa e pega um outro cigarro. Já nem sabia quantos havia fumado naquele curto espaço de tempo.*

#Fazia anos que não ficava esse clima entre a gente# * O escritor dá uma tragada e depois solta a fumaça bem lentamente* #Humm, será que ele ficou bravo daquele jeito só por causa da minha gracinha com a Tohru ou ele está irritado por causa do casamento da Kana?#

*O possuído caminha até a janela e vê o médico tomando o caminho que o levava até a base secreta do Yuki* #Ele nem quis comentar o fato.# *ele olha para a neve branca que cobre todo o jardim* #É... nem com ele e nem comigo....#

---flash back---

-ahahahahah... Você é um meninão, Shii-san... ahahah..

*Kana sai correndo pelo jardim cheio de cerejeiras com o possuído logo atrás dela, que consegue alcança-la e a derruba no chão tomando cuidado para não se transformar*

-Sou né. Mas você bem que gosta desse menino aqui. *ele se inclina e lhe beija docemente*

*Ela vê o brilho no olhar dele quando ela abre os olhos depois daquele beijo* -Shii-chan, falou com o seu primo?

-Ainda não. Mas você tem certeza que quer ser assistente dele, que tal ser a minha?

-ahahah... Você sabe que não entendo nada de literatura... ahahahah

-E quem falou que precisa?

-Precisa sim. E eu estudei para ser enfermeira.

-Tá.. Tudo bem. Vou falar com o Haa-san.


-...gure. *A voz da Tohru o traz de volta para a realidade.*

-Estava distraído o que foi, Tohru?

-Telefone para o sen... VOCê...*ela muda o pronome de tratamento ao ver a cara feia feito pelo rapaz* É da sede.

#O que será que aconteceu por lá?#

by Kyo

64


*Tohru volta para a cozinha se sentindo bem melhor, deixando os dois sozinhos*

-Haa-san, não aconteceu nada mesmo?

*O Médico se limita a balançar a cabeça e se senta* #Ele pensa que todos são como ele.# *Nesse instante o médico tem uma idéia. Ele aproveita que está na poltrona que gira e se vira sentado olhando para a janela e ficando de lado para o primo*

-Realmente você é muito esperto.

*Shigure fica atônico quando escuta aquilo*

-Como irei te contar. *ele segura as mãos e as leva até a boca e fica dando batidinhas de leve nos lábios* -Bem... A Tohru me procurou essa noite......

-NÃOOOOOOOOO........... *ele cai de joelhos no chão quase chorando* #Por que ele e não eu?#

*Hatori se mantém firme e segura o sorriso* -Acho que de tanto que ficou me falando de suas fantasias, e como estava na sua cama.... bem, eu acabei não resistindo.....

*Shigure abaixa a cabeça e fica olhando fixamente para o chão* #Como ele foi capaz?Eu criei um monstro. Nem eu seria capaz de tal ato.#

*O Médico não agüenta mais, levantando-se e indo até o primo* -Era isso que queria ouvir? Pronto já ouviu e agora volta para a realidade. Não aconteceu nada.

*O primo lhe olha com os olhos cheios de lágrimas, mas nem ele mesmo sabia o porquê que elas estavam ali*

-Está falando sério Haa-san? Você e a Tohru...

-Eu não sou um pervertido como você. *O médico coloca a mão no seu ombro, mas se sente como se fosse um pouco pervertido quando se lembra do sonho que tinha tido com a garota*

-Mas por que ela estava tão desanimada hoje?

-Parece que teve um pesadelo.

-Pelo visto, essa foi a madrugada dos pesadelos.

-Humm?

-Não... Nada não. *O escritor se levanta do chão* -É claro que o Doutor Hatori não seria capaz de tal façanha. ahahahahahah.... agora dá até vontade de rir... ahahahah onde eu estava com a cabeça??? Você e a Tohru??? ahahahahahah

by Kyo

63


Mas.... mas...

*Ao perceber que o Shigure está rindo menos, o médico deduz que ela já não estava mais com o sabão no rosto e finalmente se vira, mas não a tempo de ver que o possuído além de estar lhe limpando, aproveitou para lhe acariciar o rosto também*

#O idiota deve ter esfregado com força o rosto dela. Está todo vermelho# -Tohru, você também pode me chamar de Hatori apenas.

*A garota abaixa a cabeça mais por causa da vergonha que estava sentido por ter visto o peito do escritor e devido ao toque que havia recebido do que por causa da autorização*

-Que história é essa de que tem que se colocar no seu lugar? *Shigure se levanta e estende a mão para lhe ajudar a levantar*

-Errr.... é que... *ela vira o rosto e olha para o chão* é que sou apenas uma criança.....

-HAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHA.... CRIANÇA? CRIANÇA? AHAHAHAHAHAHAH.... COMO O AYAME DIRIA, SE TE JOGAR NA ÁGUA VOCÊ JÁ VAI FAZER TCHIBUMMM ahahahah ..... Criança é a Kisa-chan!

#Ela deve achar que a gente já tem uns cinqüentas anos# *Hatori se limita a olhar para ela e percebe que o seu sorriso costumeiro havia voltado*

#Então o Shigure não me acha uma criança?#

-Me promete, Tohru-chan, que só me chamará de Shigure.

-Sim.*ela lhe responde com um lindo sorriso*

*Ao ver aquele sorriso novamente em seu rosto, Shigure fica mais aliviado* #O que será que aconteceu ontem aqui? Que droga! Nunca mais deixo os dois sozinhos.# *Shigure olha para a garota com uma ponta de dúvida em seu olhar* #Será? Não. A Tohru não seria capaz de ter feito isso.# *Ele olha para o médico que está ainda parado na janela* #Se bem que o Haa-san era o mais desejado de nós três quando estávamos no colégio.#

*Tohru se aproxima do médico e lhe pergunta um pouco tímida*

-Então, não tem problemas de chamar vocês pelo nome, Hatôrii?

*O médico lhe sorri e coloca a mão sob sua cabeça* -Não tem problema algum, Tohru.

#Hummm, fazia tempo que eu não via aquele sorriso no rosto dele#

by Kyo

62


*Hatori fica olhando para o escritor sem entender o porquê daquelas gargalhadas, mas na hora que olha no rosto da garota, entende o motivo e se vira para olhar a janela, mas torcendo para ver imediatamente uma cena bem trágica para assim evitar o seu riso. Entretanto não havia nada trágico e as gargalhadas do Shigure só aumentava ainda mais a sua vontade de rir*

#Shigure, seu idiota pára de rir#

-..... O que foi, senhor Shigure?

-HAHAHAHAHHAHA..... EN.. ENQUANTO....HAHAHAHA SE ME CHAMAR DE SENHOR... *Ele olha para a garota e se senta no chão de tanto que está rindo* HAHAHAHAHAH...

*Ela olha para o médico que está de costas olhando pela janela, mas percebe que ele está com a mão na boca*

#Mas o que deu neles? Pelo menos não está mais aquele clima pesado#

-AHAHAHAHAHAHHA.... VEMM CÁ TOHRU... *ela a puxa pela mão para que se sente ao seu lado no chão* .... ahahahahah.... você... você não precisa fazer a barba menina.... AHAHAHAHAHAHAHHAHAH

-HUMMM??? *Só então que ela percebe que está com as mãos cheias de sabão* #Só sirvo de motivo de piada mesmo#

-ahahahahah....Deixa eu te limpar. #Que pena que não é chantili.# Me desculpe por rir tanto assim... ahahah... minha barriga está até doendo.. mas você está muito engraçadinha com esse sabão no rosto..

*O escritor a limpa com a manga do seu quimono, o que faz com que a roupa se abre um pouco e devido a proximidade que eles estavam ela vê um pouco do peito do rapaz. Naquele momento o branco que estava saindo de suas bochechas vai sendo tomado pela cor vermelha. Shigure dessa vez percebe que a garota está um pouco envergonhada o que só aumenta a sua vontade de deixá-la ainda mais envergonhada, então ele deixa de limpar com o quimono e se aproveitando do fato do médico está de costa, ele começa a limpar com a mão enquanto vai rindo e sorrindo para ela*

#O Shi... Shigure tem um pouco de pelos no peito...#

-Eu quero ser chamado de SHIGURE.

by Kyo

61


Grak-creck-bum

*E uma vez mais a panela caia de sua mão. Tohru havia entrado na cozinha tão nervosa que já tinha quebrado três copos, uma travessa, dois pratos, além deixar as panelas caírem toda hora no chão. Ela estava tremendo como uma gelatina. Sabia que aquele clima pesado entre o Hatori e o Shigure tinha alguma relação com ela, mas não consegui entender exatamente o por que.*

#Nhooo, como eu gostaria de ser um pouco mais esperta# *Ela pára de lavar a panela* #Não tenho que ser MUITO mais esperta, para conseguir chegar ao nível de ser um pouco mais esperta# *ela suspira e volta a lavar a panela*

#Por quê? Por que não consigo ser esperta como a mamãe? Na minha idade a mamãe.....#

POF

*A panela cai dentro da pia e ela coloca as mãos cheias de sabão em suas bochechas.#

#............a mamãe já estava casada com o papai na minha idade.# *Tal constatação só a deprimiu ainda mais* #nhoooo....aposto que o papai nunca a achou uma criança. nhoooooo. Talvez até a senhorita Kisa seja menos criança do que eu.....#

*Novamente a imagem do Hatori gritando o nome do Shigure lhe vêm a mente, e nesse instante parece que é feita a luz*

-Como?? Como não percebi isso antes?? *Ela fica imediatamente corada e corre até a biblioteca com as mãos e as bochechas cheias de sabão*

Tocc tocc

-Entre


*Tohru os encontra encostados na janela*

-Mil desculpas. *ela se inclina na frente do Hatori* #Estava tão preocupada comigo mesma que não consegui perceber isso antes#

*Shigure olha desconfiado para o médico, mas ele continua fumando apenas a olhando*

-Me desculpe, não tinha percebido que havia me dito para lhe chamar pelo nome apenas para evitar um constrangimento para mim. Não posso chamá-los pelos nomes. Tenho que me colocar no meu lugar. #Afinal só apenas uma criança*

-Mas.....

-Me desculpe também, senhor Shigure. *ela se vira ainda inclinada para o escritor, mas na hora que levanta, só escuta as gargalhadas do possuído*

-HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH.

by Kyo

60


*Kagura volta para casa sentindo uma grande mistura de sentimentos. Estava feliz porque ia trabalhar no Dojo. O ano nem tinha começado, mas os seus planos já estavam acontecendo. Estaria em breve morando sozinha e já havia conseguido um trabalho, ela não queria se manter apenas com o dinheiro que recebia por ser uma das possuídas. Queria se manter com suas próprias pernas. Mas por outro lado, estava se sentindo triste. Ao ver todas aquelas recordações a fez perceber que ela não tinha nenhuma recordação com o Kyo depois que o possuído se tornou um adolescente. Ela estava com a sensação de que literalmente vivia presa a um passado que não existia mais*

#Não agüentaria. Hoje não dava para ver o Kyo me tratando mal.#

*Ela levanta o olhar e vê que os dois pequenos possuídos estão brincando exatamente no local onde ela brincava com o Kyo, e vai até eles*

-Aqui é realmente um ótimo lugar para se brincar.

-Nee-chan.. *Kisa vai até ela sorrindo e lhe abraça. Para ela a Kagura era a sua irmã mais velha. *

-Oi Hiro.

-Hunf.. *O possuído volta a fazer o boneco de neve que fazia junto com a Kisa*

-Kii-chan, o que você acha de ir morar por uns tempos na casa do Gure-nii?

Plashhh

*A cabeça do boneco de neve estava toda amassado no chão. Ao escutar aquilo o garoto que estava se preparando para colocá-la sob o corpo a deixou cair *

-Eu... eu não sei, Nee-chan. Não tem aquela garota morando lá?

-Sim, a Tohru-chan. É por isso que seria bom para a Kii-chan.

-NÃO SERÁ NÃO. *Hiro chuta o corpo de neve para bem longe* A Kisa não pode morar fora da sede.... #ela não pode ficar longe de mim#

-Mas Hiro-kun, a Kisa precisa aprender a se relacionar com os outros. Ela não pode se sentir sempre muito sozinha.

*A vontade do garoto era de gritar bem alto que ela não estava sozinha, que tinha ele ao seu lado, mas acaba abaixando a cabeça sem falar nada*

-A Nee-chan acha que eu deveria morar lá.

*Ela se abaixa para ficar na altura da menina e lhe fala sorrindo*

-Acho sim.

by Kyo

59


* O grito do médico foi bem audível e fez com que a menina se restabelecesse completamente, tomasse a bandeja das mãos do escritor e se enfiasse na cozinha (e se possível no primeiro buraco que encontrasse). O escritor o olhou com raiva por tê-lo atrapalhado mais uma vez e viu o escritor se dirigir à biblioteca com cara de poucos amigos, e o seguiu até lá.
Hatori esperava encostado na janela fumando um cigarro, Shigure entrou e sentou-se em sua poltrona em silencio, permaneceram assim por alguns minutos. *

- Como você é infantil, Shigure.

- Tá, eu não passo de um moleque mesmo. E do tipo incorrigível. Já você é a própria maturidade, hein, Haa-san?

- Por que o grau de cinismo nessa frase foi maior? Desde o começo você está confundindo tudo. Eu não fiz absolutamente nada para a Tohru, não me confunda com as suas próprias fantasias.

- Quem diria, o nosso Haa-san realmente não aprecia nada da vida. Ou será possível que ainda tenha esperanças?

- Shigure, por favor. Pense mais no Yuki, no Kyo... o quanto você os cansa e os preocupa por causa dela, e principalmente pense também na Tohru. Não tente revirar as coisas dessa maneira. Você pode distorcer tudo.

- Ora, ora, distorcer? Ainda há algo que não foi distorcido entre nós? Eu preciso revirar as coisas, remexer tudo... só assim serei capaz de alcançar uma resposta e quem sabe perdão.

* silêncio *

- Está bravo? Seu silêncio está me incomodando.

- Não. Apesar de tudo, talvez você esteja certo.

- O QUÊ?! REPITA! AGORA NÃO É HORA DE VOCÊ ME OLHAR COM REPROVAÇÃO E ME DAR UM SERMÃO AINDA MAIOR?!

- Não.

- Sabe como eu me sinto desprezível quando você adota essa postura?!

- Sim. Porque talvez você seja mesmo, colocando a Tohru nisso.

- Sim, eu admito que sou fraco e mesquinho. Sou um homem deplorável.

- A pior parte em você é ser capaz de admitir isso sem sentir remorso algum.

# Remorso, Haa-san? Sim, eu sou capaz de sentir, mas eu também não irei lhe contar isso. #

* Hatori tira mais um cigarro e coloca na boca, Shigure se levanta e acende o cigarro dele com seu isqueiro antes que ele o fizesse, e em seguida acende um cigarro para si mesmo e ambos ficam olhando a paisagem da janela em silêncio. *

by Leandra

58


# Hum... fazia tempo que eu não via esse clima entre eles. Tudo isso apenas pela Tohru chamar o Haa-san de Hatori ou tem alguma outra coisa que eu perdi? Hunf.. eles são bem grandinhos. #

- E aí, vamos dar uma volta Yuki? – O rato é chamado de volta a realidade de seus pensamentos pelo primo e sem dizer muito se levanta para sair.

- Honda-san...

- Ah, Sohma-kun, não se preocupe eu cuido das coisas, pode ir com o senhor Hatsuraru!

- NHÁ... senhor?! Deixa disso que ainda não sou um titio como o sensei ou o Hatori! ahuahauhuahuahuahauhauahua

* Haru sai rindo ao lado de Yuki para ir até a base secreta. Quando dá por si, Tohru estava sozinha na sala com Hatori e Shigure, ela olha rapidamente de um para o outro e fica completamente roxa outra vez. Junta toda a vasilha da sobremesa para levar para a cozinha. *

- Tohru-chan quer ajuda?

* O modo como Shigure falou com ela era carinhoso mas era igual ao de todos os dias, mas agora ouvir seu nome dessa forma vindo dele fazia seu coração acelerar do mesmo modo como quando Hatori a chamava.
Ela acabou derrubando uma das vasilhas, que recolhe imediatamente. *

- Na-Não pre-pre-ciii-as, se-se-nhor Shi-gure.

* Shigure ao ouvir “senhor” novamente, se levanta e segura o braço da Tohru que já estava chegando à porta da cozinha, a fazendo olhar para ele completamente assustada e vermelha, enquanto ele fazia à mesma expressão séria de antes. *

- Senhor? Senhor Shigure? Prefiro como me chamou na última vez, Tohru.

* O rosto do escritor estava tão sensual quando ele disse isso que os joelhos da garota chegaram a bambear e quase derrubou tudo no chão, Shigure teve que segurar a bandeja para não fazer uma completa bagunça. *

- SHIGURE!

by Leandra

21/04/2008

57


* Hatori limita-se apenas a olhar para o escritor com um olhar que congelaria a água do encanamento. Atravessa a cozinha e pega a outra bandeja de sobremesa e volta em silêncio para a sala ignorando completamente a existência do Shigure. *

# Ele fez de propósito. Tenho certeza. Só pode. Ele fez de propósito. Kami-sama só pode estar me punindo por tudo aquilo. Droga, o que eu estava fazendo afinal? #

* Shigure apoiou-se na pia e colocou a mão esquerda sobre os olhos, logo após, olhou sua mão direita por baixo da outra. Olhou pela porta da cozinha enquanto ouvia na sala o murmurinho de todos pela chegada da sobremesa, que foi comida sobre as conversas sem sentido de Aaya, os comentários misteriosos de Haru, a seriedade natural e a forçada pelo o ocorrido do Hatori, a cara de deboche de Shigure que a mantinha a custo, uma Honda completamente desconfortável e atrapalhada e um Yuki completamente calado. *

- Milady, o seu manju é maravilhoso, mas nem se compara ao que uma pessoa muito especial faz somente para mim!

* Mesmo com toda a animação de Aayame, ninguém parecia realmente prestar atenção à outra coisa do que em si próprio. Durante todo o tempo Hatori e Shigure olhavam disfarçadamente para Tohru que fazia um esforço gigantesco para nem sequer cruzar seu olhar com um dos dois nem por um segundo. *

- AH, Sintam-se honrados com a minha magnífica companhia e princesa, sinta-se ainda mais honrada por eu ter provado de sua comida!! Mas agora está na hora do meu sono de beleza em meu suntuoso e confortável castelo! Haru-kun quer uma carona?

- Hã, nhá, não esquenta. Vou ficar mais um pouco com o Yuki aqui. Nós não falamos nada de putaria ainda.

- Hohohoho... não vá desvirtuar meu amado irmãozinho hohohohoho.

- Ho!

- Então, adeus meu plebeus!

* Depois de se despedir de Hatori e Shigure, Aaya pára as brincadeiras de sempre e olha para os dois e aquele clima tenso que pairava entre os amigos, dá de ombros e vai embora. *

by Leandra

56


- Tohru-chan? – O escritor abaixou um pouco sua cabeça curvando-a para poder ver o máximo que podia do rosto da menina pelo lado sem ter que sair de trás dela ou encostar-se nela, enquanto ela virava o rosto pra trás para olhá-lo um pouco séria e triste, mas forçou um sorriso.

- Não dói quase nada mais! O Hatori cuidou bem de mim sim, Shi, Shenhor Shigure.

* Sua expressão debochada foi substituída por uma expressão séria, uma que a menina nunca tinha visto antes. Ficou olhando pra ela calado por algum tempo até que abaixou sua cabeça e encostou na cabeça dela. *

# Será mesmo possível? Não, não, ele nunca faria nada com ela, tenho certeza. Também tenho certeza, ela quase falou o meu nome outra vez, eu não to imaginando isso. Mas por que ela está tão triste assim? #

* O coração da Tohru parou por um segundo quando Shigure baixou sua cabeça e encostou na dela, não estavam com o rosto face a face, mas ela pensou nitidamente que ele iria beijá-la e nem passou por sua cabeça esquivar desse beijo. Estava completamente vermelha e mal respirava enquanto sentia a respiração calma do escritor por cima de sua orelha. *

- Então por que você não está sorrindo de verdade? Ainda não percebeu que é o seu sorriso que vêm curando a todos?

* Ela ouviu aquelas palavras quase sussurradas em um tom tão sério que nunca ouviu o escritor usá-lo, com o coração disparado. Ela tentou olhar para ele que levantava sua cabeça da dela, estava tão assustada e surpresa que falou sem pensar. *

- Shigure o que você disse?

# Ela falou o meu nome?! Ela falou. Eu ouvi nitidamente o meu nome. #

* Shigure nunca se importou de ser chamado de Senhor, até que ela havia chamado Hatori pelo nome. Ouvir seu nome da boca dela era um objetivo óbvio e egoísta de não perder para o primo outra vez, e tinha decidido na mesma hora que descobriria como ele havia feito para poder conseguir a qualquer custo ter o mesmo que o primo.
Mas agora que finalmente ele ouviu o seu nome dito de uma forma tão espontânea e suave, com aquele rosto preocupado e assustado o olhando, seu coração se apertou e um calafrio lhe percorreu a espinha. Se sentiu tonto e eufórico, ao mesmo tempo teve medo e vontade de chorar.
Ele estendeu a mão direita e colocou sobre o rosto da garota, mas antes que ele pudesse pensar em qualquer outra coisa, o médico entrou na cozinha. *

- Por que estão demorando tanto, Aaya está ameaçando vir fazer a sobremesa para o irmão de... – Hatori parou a frase quando olhou para a cena diante de si. Shigure com a mão no rosto da Honda e tão perto dela e ela vermelha e séria.

- Er... Ha-Ha-To-rii... nós, nós já estávamos levando as coisas sim. Er..eu vou levar esses aqui, vocês poderiam levar o resto? Eu to- to in-indo na fre-fre-frente.

* A menina sai da cozinha com uma bandeja na mão e completamente roxa de vergonha. *

by Leandra

55


* Tohru fica vermelha na hora que percebe que também estava prestes a chamar o escritor pelo nome, mas sorri e diz o “Senhor Shigure” de sempre. *

# Foi impressão minha ou ela iria me chamar pelo nome? Eu tenho certeza que ouvi um Shi assobiar na boca dela. #

* Shigure ficou olhando tão concentrado para a menina, numa mistura de euforia e receio, esperando ouvir novamente ela o chamar para ter certeza. Enquanto isso, a menina olhava para ele completamente envergonhada dele a encarar tão destraidamente. *

- Senhor Shi-Shigure, alguma co-coisa errada co-comigo? – a menina passava a mão no rosto temendo estar com ele sujo.

# Não, ela não me chamou pelo meu nome. Meu desejo é tanto que já estou imaginando coisas. Droga, o que será que o Haa-san fez pra conseguir isso? Não, ele não pode ter feito nada... não com a minha Tohruzinha. #

- Não há nada de errado, Tohruzinha!!! – Ele lhe sorri com cara de bobo como sempre.

# Tohruzinha... por que só ele me trata como uma criancinha? Os outros falam que sou uma criança ainda, mas não me tratam como uma. Por que isso me dói tanto? #

* A menina vira-se cabisbaixa e vai arrumar as sobremesas para levar para a sala mas o escritor consegue perceber a tristeza que a abatia, caminhou até ela e colocou as mãos nos ombros dela de costas e sorriu novamente com aquela cara de bobo dele e a sua voz de brincadeira. *

# Ela tem estado assim o dia inteiro, dispersa e abatida. O que diabos o Hatori fez com ela? #

- Toh-ru-chan!!!! O dodói de ontem ainda ta doendo muito? O Haa-san não cuidou direitinho de você não?

* Aquelas mãos no ombro dela fizeram seu corpo inteiro gelar e arrepiar, e a voz do escritor tão perto dela a fez estremecer, mas o escritor perdido no próprio medo não chegou a perceber. *

# As mãos do Shigure, não, do Senhor Shigure, também são grandes e quentes como do Hatori, mas ao mesmo tempo são tão diferentes. A sensação da mão dele é tão diferente da mão do Hatori, mas não sei porque. #

by Leandra