30/12/2009

182


Ren continua a folhear os livros, mas sem prestar muita atenção no que estava contido neles. Kazuma apenas a observava, estava ansioso para descobrir o segredo que aquela mulher sabia.

-Quando é que o Akito voltará?

-Creio que daqui alguns dias.

-E por que foi que justamente o senhor ficou como patriarca?

-Essa foi a decisão de Akito-san.

A mulher olha um pouco desconfiada para o professor, achava muito estranho o fato de a Akito ter escolhido precisamente o pai adotivo do possuído que ela mais odiava.

toc toc

-Entre.

Yoko abre a porta mais não entra.

-O quarto já está pronto.

-A senhora pode acompanhar a Ren-sama?

-Certamente que sim.

A mulher responde sem olhar na direção deles e começa a caminhar sendo seguida de perto pela Ren.

#Agora a Yoko-san irá sentir a perturbação que ela queria que o Kyo sentisse ao enviar aquela empregada lá para o Dojo#

O professor fecha a porta e volta rapidamente a procurar os livros mais recentes sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

#Começarei com a geração de agora e depois irei vendo as outras mais antigas.#

Yoko caminhava sem falar nada, quando chega no quarto, ela abre a porta e a Ren entra.

-De volta ao meu antigo quarto.

-Esse nunca deveria ter sido o seu quarto.

-A Tsukiko-sama ficou muito feliz quando eu passei a ficar em seu antigo quarto.

-A falecida esposa do Akio-sama era uma alma muito generosa, por isso nunca viu a víbora que tinha ao seu lado.

-Cuidado Yoko, eu posso voltar a ser a esposa do patriarca, afinal o Kazuma-sama é um homem solteiro.

Yoko fecha as mãos com a pouca força que ainda tinha em seus braços.

-Você é uma mulher baixa o suficiente para fazer isso. Sempre tive certeza de que se casou com o Akira-sama por esse motivo e não por amor.

-Ahahahah, e a senhora morreria feliz se isso acontecesse, não é mesmo? Mas nunca lhe darei essa alegria. Eu sempre amei e só amarei o Akira.

#Maldita!#

A governanta se virá, mas não consegue andar muito, pois Ren a segura pelo braço.

-O que sabe da carta de suicídio da Eiko-chan?

A governanta olha para a mão da Ren em seu braço e a mulher imediatamente se lembra da outra vez que tinha visto aquele olhar em alguém. Ele era o olhar que a Akito direcionou ao Kyo, na única vez em que ele lhe tocou.

Flash-back

-Por favor, não tire o meu bracelete.

O menino chorava enquanto segurava a pequena mão que tentava arrancar o seu bracelete.

-Aki-chan, o deixa ir embora.

Shigure estava parado a poucos passos das duas crianças, mas não ousava se aproximar e impedir a Akito de arrancar o bracelete do possuído pelo gato.

-MAMÃE.... ME AJUDA MAMÃE...

#Ela nunca deveria ter sido a sua mãe seu monstro. A Eiko-chan não deveria ter sido a sua mãe.#

Akito olha cheia de ódio, magoa e nojo para aquela mão que estava sob a sua. E ao empurrar a criança para trás, ela acaba tirando o seu bracelete. E poucos segundos depois a verdadeira forma do possuído se revela a sua frente.

- Que nojo! Que coisa nojenta. Agora sei porque sempre senti muito nojo de você.

O cheio de coisa podre toma conta de toda a sala, e a Ren que estava acompanhando tudo atrás da porta começa a sentir fortes ânsias e sai correndo para fora da mansão.

-Cof cof cof..

-Ren-sama - A mulher se abaixa para ajudá-la a se levantar – cadê o Kyo-kun?

-Me desculpe Eiko-chan, mas quando cheguei já era tarde demais. O patriarca tirou o bracelete do seu filho.

-E onde ele está agora?

-Eu não sei. Sai de lá porque não agüentei o fedo do seu filho.

-Era por isso que o cheiro desagradável começou antes do Akito-san retirar o bracelete. Então, o cheiro de algo apodrecendo era o seu, Ren?

-Yoko-sama, onde está o meu filhinho?

-Ele saiu correndo. Tome, isso é daquele monstro.


A governanta joga nos pés da mulher o bracelete e logo lhe virá às costas.

-A senhora é a tia-avô desse menino. Por que não impediu a Akito-chan?

Yoko se vira rapidamente e esbofeteia a face da mãe que chorava desesperada.

-Já falei para não chamar o patriarca dessa maneira. E não me lembre que aquele monstro é da minha família.

-ELE NÃO É UM MONSTRO! O MEU FILHINHO NÃO É UM MONTRO! O ÚNICO MONSTRO QUE EXISTE NESSE CLÃ É A SENHORA!

A mulher sai correndo em direção do portão que levava para fora da sede, onde ficava a sua casa.

#Desgraçada. Irei falar com o Higuchi-kun, essa idiota ainda irá revelar que o patriarca é uma mulher. A gente já devia ter se livrado dela, assim que o possuído do rato nasceu.#


by DonaKyon

181


Ren se aproximava da porta principal da mansão do patriarca, com seus longos cabelos negros soltos balançando ao sabor do vento, que estava bem forte e gelado naquela manhã. Vestia o último presente que havia ganhado de seu falecido esposo, um belo quimono de seda preto com diversas flores bordadas. Certamente, aquele quimono era um dos mais ricos e delicados, e que poucos no mundo seriam capazes de fazê-lo. Aquele quimono era apenas usado pelas esposas dos patriarcas, e era passado de uma geração para outra.

A mulher mantém a sua cabeça erguida e olhava cheia de raiva e ódio em direção da mansão.

-R-ren-sama... A a se-senhora não pode...

A ex-mulher do antigo patriarca passa direto pela pobre empregada que estava na porta da casa, e a sua fiel empregada, que a acompanhava, também entra sem dizer nada. Ren entra na sala e olha para todos os lados. Finalmente ela colocava os seus pés na mansão, o local onde ela mais sentia a presença do seu amado esposo, e que estava proibida de entrar desde que o Akira tinha morrido.

-Onde está o Kazuma-sama?

-E-ele está na bibl...

-Não precisa responder nada a essa louca.

Yoko se aproximava com passos tranqüilos e seguros, seu olhar para Ren era igualmente cheio de ódio, não apenas por ela estar novamente dentro daquela casa, mas principalmente por estar vestindo exatamente aquele quimono. Ren a olha cheia de superioridade e percebe que a roupa havia chamado a sua atenção assim como ela queria.

-Bom dia Yoko. Vejo que ainda se lembra do quimono de minha sogra.

-Saia daqui imediatamente Ren.

-Bom dia Ren-sama.

As quatro mulheres olham para o Kazuma que chegava a sala.

-Bom dia Kazuma-sama. Estou aqui conforme me pediu.

-Yoko-san, peça as empregadas para deixarem o antigo quarto da Ren-sama arrumado. Ela irá voltar a morar aqui na mansão.

-O quee?

A velha mulher precisa se controlar ao máximo quando escuta aquilo, suas pernas começam a tremer e a sua respiração fica mais acelerada. Ren a princípio fica tão surpresa quanto a Yoko, mas depois de olhar um pouco mais atentamente para o Kazuma, ela percebe o que estava acontecendo.

#Será que ele já descobriu?#

-Ren-sama, vamos até a biblioteca enquanto o seu aposento não está pronto.

-Até quando ela ficará aqui, Kazuma-SAMA?

-Até o Akito-san retornar.

O homem percebe o quanto que aquela notícia havia desestabilizado a velha governanta. Ele começa a caminhar pelo longo corredor seguido pela Ren. Assim que entram na biblioteca, a mulher vê os vários livros que estavam espalhados pelo tatame.

-O Kazuma-sama já encontrou?

-Ainda não.

-Então, por que quer que eu fique aqui na mansão?

-Me desculpe, Ren-sama, os meus motivos são pessoais. Se importaria de ficar esse tempo aqui?

-De forma alguma.

Ren se aproxima da mesa e vê um livro muito antigo sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

-O senhor deveria começar dos mais recentes.

Aquela informação deixa o professor muito surpreso.

#O que é que ela quer que eu encontre?#

A mulher começa a olhar os outros livros e percebe que o homem buscava informações sobre a maldição dos possuídos.

-Realmente deve amar muito o filho da Eiko-chan.

-A Ren-sama sabe algo sobre a carta de suicídio da Eiko-san?

-Carta de suicídio?! A Eiko-chan deixou uma carta? Por que é que ela se matou?

-Não encontramos a carta ainda.

-Nunca entendi o que levou aquela menina a se matar.

-Eu não sabia que a Eiko-san tinha tomado conta da Akito-san quando criança.

-A Yoko fez isso para me atingir. Ela sabia que eu gostava muito da Eiko-chan. Foi por isso que a chamou para ser bába do Akito, e também a fez se casar com o idiota do sobrinho dela.

#Gostaria de entender a razão do ódio dessas duas.#

By DonaKyon

28/12/2009

180


-Mas que garota ingrata! Só porque agora tem um namorado me deixou para segundo plano. Ela vai ver só.

Shigure desce para atrapalhar a conversa dela com o médico.

Kyo dá um longo suspiro e se senta no chão colocando a mão na testa.

-Não adianta sofrer por antecipação.

-Cala a boca Ratazana! Pra você nada irá mudar com ela se lembrando ou não.

Yuki se sentava ao lado do Kyo.

-Todos nós iremos perder essa Akito. Nenhum dos possuídos a conheciam também.

-Mas a vida de vocês continuará a mesma. Principalmente a sua, que nem irá perder o namorado.

-Kyo, por que você não faz o mesmo comigo?

-OQUEE????

Kyo se afastava um pouco do garoto e lhe olhava todo abismado.

-Por que não me dá uma oportunidade assim como fez com a Akito?

-Ahhh, era disso que estava falando...

-Do que achou que era?

-Err... Nada não.

-Da mesma forma que você não conhecia essa Akito e foi capaz de se aproximar dela e de ficar seu amigo, você também não me conhece, e eu também não te conheço. Agora estamos morando juntos e estudamos juntos. Por que não tentamos ser amigos?

Kyo se levanta e olha para o Yuki que estava sentado no chão.

-Volte a conversar comigo sobre sermos “amiguinhos” depois que Akito recuperar a memória e mandar me aprisionar lá no retiro. Acredito que lá terei muito mais tempo para pensar nessa sua proposta.

O gato entra no seu quarto e fecha a porta. Yuki dá um forte tapa em sua testa e encosta a cabeça na parede.

#Como eu sou estúpido! É claro que para ele faz uma tremenda diferença Akito voltando a ser o que era antes. A vida dele não será igual. Ele não perderá só a namorada, como também perderá a liberdade.#

Yuki sente uma suave mão tocando a sua e olha para o seu lado esquerdo, e vê a Honda com o seu sorriso cheio de esperança para ele.

-O dia de hoje é completamente diferente do dia de ontem. Vamos acreditar que mesmo se recordando de tudo, essa Akito não irá mais desaparecer de nossas vidas.

O possuído pelo rato só consegue lhe responder com um sorriso, por que Akito e Shigure estavam subindo as escadas.

Akito estava empoleirada no pescoço do primo enquanto subiam as escadas.

-Eu não sabia que era tão ciumento assim, Shigure.

-Sou mesmo, e daí?

-Ahh, Tohru, Yuki.... Me lembrei de uma coisa do meu passado.

-Que ótimo Aky-chan.

-E o que se lembrou Akito?

-Do meu pai. E o meu NA-MO-RA-DO – Akito fala aquilo bem no ouvido do Shigure que estava ao seu lado – me confirmou que o que lembrei aconteceu mesmo.

-A-KI-TOOO... eu vou deixar o Haa-san viúvo de namorada.

-Ahahahah

Akito saiu correndo para dentro do quarto que estava ocupando sendo perseguida pelo escritor, enquanto que a Tohru e o Yuki se levantavam do chão.

-Tem razão Honda-san. A Akito de ontem não conhecia o que era o amor.

Os dois começam a escutar as risadas alegres de Akito que vinha do quarto.

-Ainda bem que vocês não se transformam com o abraço dela.

-Já imaginou, Honda-san?

-TOHRUUU VENHA ME AJUDAR! TIRA ESSE ESCRITOR DE FOLHETIM DE CIMA DE MIM.... AHAHAHHA.

-Acho melhor a senhorita não ir. Vai que por um acidente, o Shigure esbarre em você.

-É melhor não arriscarmos mesmo.

-AHAHAHAHAH..... TOHRUUUUU.... AHAHAHAH

-VOCÊS QUEREM CALAR ESSAS BOCAS! AMANHÃ EU TENHO AULA E TENHO QUE DURMIR!

Kyo que havia aberto a porta do quarto só para gritar com eles, já tinha voltado a fechá-la quando Akito e Shigure saem correndo do quarto da Tohru e abrem a porta do quarto do garoto só para pularem em cima dele enquanto se matavam de rir.

-AHHHHH SEUS IDIOTAS! SAEM DE CIMA DE MIM!!


-Nossa, mais uma para a nossa lista! O Kyo chamando Akito de “idiota”.

-Ahahah...

Yuki e Tohru só acompanhavam o que estava acontecendo escudando o que vinha do quarto.

-Ahahahahha.... Quer dizer que amanhã não irá matar aula, Kyo?

-ahahahhaha se quiser eu posso levar a Aky-chan para passear e deixar a casa livre para os bombinhos... ahahah

-SOMEM DAQUI!! VÃO DORMIR!!! ME DEIXEM DURMIRRRR.


by DonaKyon

25/12/2009

179


Akito ao escutar aquilo sente uma forte dor em seu coração. Era como se aquela dor também fosse a dela. Ela não consegue mais olhar para o garoto e começa a olhar para as árvores a sua frente.

-E a sua mãe? Ela não fica triste com isso?

-A minha mãe se matou a muito tempo atrás.

-Não vejo a hora da minha memória voltar para parar de dar esses foras.

-Tudo bem. Sobre isso eu já nem ligo mais. Graças a Saki, esse assunto agora está superado.

-Vocês são bem apaixonados um pelo outro. Assim como a Tohru e o Momiji.

-E você e o Hatori.

Kyo sorria com um ar de deboche para Akito. Era como se ela estivesse falando dos outros sem levar em consideração a si própria. O patriarca se deita no telhado e olha as estrelas.

-Ahahah.... Tá certo, e eu e o Hatori. ... É muito bom esse sentimento, né? O meu pai tinha razão, eu nasci para ser amada.....

Akito rapidamente volta a ficar sentada e coloca as duas mãos nos ombros do garoto.

-KYOOO!!! Eu me lembrei do meu pai! Eu me lembrei dele... AHHH!!!

Ela o abraça enquanto ficava dando pequenos pulos no mesmo lugar.

-Eu finalmente me lembrei do rosto do meu pai. Me lembrei do dia em que ele me falou isso.

-Vo-você se lembrou?

-Sim.. Sim... SIMMMM.... Eu me lembrei. Eu era bem pequena quando ele me falou: É você Akito! A criança especial. A criança escolhida. A criança que nasceu para ser amada. Todos estávamos esperando por você. No seu futuro não haverá solidão ou medo.

A garota solta o Kyo e fica lhe olhando cheia de felicidade, enquanto que o gato tentava disfarçar o medo que estava sentindo.

-E o que mais lembrou Akito?

-Me lembrei do rosto do meu pai. Ele era tão jovem e bonito. Era isso mesmo, não é Kyo?

-Eu não conheci o antigo patriarca.

-Preciso perguntar para o Shigure então. Vamos lá Kyo!

A garota se levanta e agora é a sua vez de estender a mão para ajudar o garoto. Kyo olha em sua mão e depois lhe olha nos olhos, e Akito percebe que havia um pouco de lágrimas em seus olhos. Ela segura em sua mão o levantando e depois lhe abraça.

-Obrigada por se emocionar com isso.

#Na verdade, estou triste porque essa pode ter sido a última vez que segurei em sua mão.#

O patriarca o solta e segura em seu pulso esquerdo, quase bem próximo do bracelete.

-É melhor segurar na minha mão direita.

-Por quê? Você já quebrou o pulso?

-Não! É porque não posso tirar esse bracelete.

-Quê?

-É uma promessa que fiz a minha mãe.

-Ah tá!.

Akito começa a descer os degraus com o coração pulando de felicidade, e o garoto ia bem atrás dela. Assim que coloca os pés no chão, a garota sai correndo para dentro da casa.

-Eih, vai se esborrachar no chão de novo.

Kyo corre atrás do patriarca, mas dessa vez a garota no cai e entra com sapato e tudo pela casa adentro.

-EIHH!! TIRA OS SAPATOSSS!!

Akito para no meio da escada, arrancando os sapatos e jogando para o meio da sala e quase acertando a cabeça do gato.

-EIHH!!! JÁ QUER ME MATAR, É?

Akito nem tenta entender o que o garoto tinha falado com aquilo, ela acaba de subir as escadas e abre a porta do quarto do Shigure com tudo pulando em cima dele, que por milagre já estava dormindo àquela hora.

-SHI-GU-RE... A-COR-DAAAA....

-Aky? O que foi?

O possuído a olha todo assustado.

-Eu me.....

A garota para de falar, lhe dá um sorriso e depois se levanta da cama lhe mostrando a língua.

-bleeeh.... Vou contar primeiro para o meu na-mo-ra-do e depois eu te conto.

Ela volta a correr, passando pelo gato que estava parado na porta e desce as escadas para ir até a biblioteca onde ficava o telefone da casa.

-O que deu nela?

Shigure já estava fora da cama e ajeitava o seu quimono.

-Akito se lembrou do pai.

-Ela se lembrou do Akira-sama?

-Sim. Pelo visto a memória dela deve estar voltando.

By DonaKyon

24/12/2009

178


Kyo estava deitado em cima do telhado olhando as estrelas. Estava com o coração batendo seneramente, pois sabia que no outro dia iria encontrar a Hanajima novamente. Diferentemente de todos os outros, aquilo não era tão simples quando se pensava na situação deles, pois uma vez que Akito recupera-se a sua memória, ele seria aprisionado e a sua namorada nunca mais iria se lembrar dele.

Ele se recorda de Akito,e de tudo o que tinha acontecido entre eles naquele dia. Ela não lembrava nem de perto o patriarca que o garoto conhecia a tantos anos.

#É uma pena que essa garota pode deixar de existir. Não estou pensando apenas em mim e na Saki, mas também na própria Akito. Ela parece que estar muito mais feliz agora. Parece que ela está viva, não, parece não, ela está viva agora que está fora da sede. Nunca imaginei que Akito vivesse a sua vida de forma tão aprisionada na sede.... Pensando bem, talvez o nosso final seja igual para ambos. Viver sozinho e aprisionado na sede dos Sohmas.#

Kyo escuta alguns passos no quintal e rapidamente procura a causa, já imaginando que era novamente a louca da escola atrás dele. Ele olha atentamente e vê que Akito estava andando enquanto olhava para as estrelas no céu.

#Mas que diabos ela está fazendo? Daqui a pouco vai acabar tropeçando em alguma cois... #

Blafff

#Eu não falei....#

Akito havia enfiado o pé num buraco enquanto olhava para o céu e tinha levado um belo tombo. Kyo se aproveitando de suas habilidades felinas, desce se segurando na parede da casa.

-Eih, cê tá bem?

Akito que não tinha escutado nenhum barulho se assusta quando vê o garoto ao seu lado.

-Credo! Parece uma assombração. De onde você saiu?

-Do telhado. Não se machucou?

O garoto se abaixa para olhar o pé torcido da garota e começa a tocar para ver se não tinha quebrado ou luxado. Akito olha para o telhado e depois para o garoto sem entender como ele tinha em poucos segundos descido dali.

-Não foi nada. Cê deve olhar para o chão e não para o céu enquanto anda.

Ele se levanta e estende a mão para ajudar a garota se levantar.

-É que estava olhando as estrelas.

-Se quer ver as estrelas o melhor lugar é o telhado. Sobe pela escadinha ali no fundo da casa.

-E se eu cair?

-Não seja tão medrosa. Até mesmo a Tohru consegue subir. Vamos lá.

Kyo começa a caminhar e se aproxima da parede para subir por ela.

-Eih, o que está fazendo?

#Merda! É verdade, ela não sabe de nada!#

-Pensei ter visto um bicho aqui. Mas não é nada. Deixa eu subir na frente.

O garoto e o patriarca sobem a pequena escadinha indo para o telhado e ficam sentados um ao lado do outro. A noite estava extremamente agradável, e havia uma suave brisa. Akito fica olhando as estrelas com os olhos brilhando.

-Que lindas! Espero que ele também esteja vendo esse céu agora.

-Quem?

-O Hatori. Ele disse que mesmo que nós estejamos longe um do outro, ainda estamos sob o mesmo céu. Podemos ver a mesma Lua, o mesmo Sol, e as mesmas estrelas, na mesma hora.

-Não sabia que ele falava esses tipos de coisas.

-Eu tenho a impressão que você não se aproxima muito dos nossos primos. Te vi conversando muito pouco com eles.

-Eu sou a ovelha negra dos Sohmas.

-Como assim?

-Deixa pra lá. Não quero falar sobre isso agora.

Akito olha para o garoto e percebe que o seu semblante tinha ficado um pouco triste.

#É melhor mudar de assunto. Ele deve ter coisas que não quer se lembrar também.#

-Eih, Kyo, por que é que você e o Yuki moram aqui e não na sede?

#Putz! Essa nossa conversa está ficando um pouco complicada.# - Ah, tipo, foi o Mestre quem me obrigou a ficar aqui, disse que isso faz parte do meu treinamento.

-Mestre?

-É o Kazuma, o meu pai adotivo.

-Ah, já sei quem é. Quando foi que o seu pai morreu?

-Ele não morreu.

-Não?! E por que é que precisa de um pai adotivo?

-Porque o meu pai biológico me odeia.

by DonaKyon

21/12/2009

177


-Guretti, será que isso acabará bem?

-Espero que sim, Aaya. Eu não havia percebido que a falta de memória da Akito, tinha criado um mundo totalmente novo para o Haa-san e para o Kyo.

-Principalmente para o Kyo, que nunca teve a oportunidade de se aproximar da Akito, devido ao ódio que ela sempre sentiu por ele.

-Mesmo que ela não volte a se lembrar de nada, ao retornar para a sede, não será possível viver da mesma maneira em que está vivendo aqui. A Yoko-san, nunca permitiria isso.

-Por que a gente não aproveita que o Kazuma-san está como patriarca e não lhe pedimos para tirá-la da sede?

-Ahahahahaha, lembrei-me agora que esse era o nosso plano para quando a Akito se torna-se o patriarca.

-Estou falando sério, Guretti. Eu não quero que o Tori-san sofra mais uma vez.

Shigure se aproxima do Ayame e lhe abraça.

-Não precisa se preocupar com o Tori-san. Não percebe o quanto que ele está apaixonado?

-Ele a está amando muito mais do que amava a Kana.

-É por isso que tudo será diferente dessa vez. Ele sempre protege as mulheres que ele ama. Foi assim com a Kana e não será diferente com a Akito.

-Mas ele bem que poderia me deixar brincar um pouco com ela. Tenho cada vestido lindo para ela.

Shigure aproxima os seus lábios do ouvido do possuído e lhe sussurra.

-E não tem nenhum para você vestir para mim?

-É claro que tenho, cariño.

Shigure passa lentamente os seus lábios do ouvido pelo rosto do Ayame e no momento em que ele estava se aproximando de seus lábios, eles escutam a voz de protesto do Kyo.

-Eih... Aqui não é local para isso.

Os dois se afastam um pouco sem jeito ao verem que o menino estava junto com os namorados.

-Ah, Kyo... Que bom que chegou. Preciso lhe perguntar algo.

O escritor olhava para o garoto com um aspecto um pouco mais sério em seu rosto.

-O que é?

-O que preparou para a Akito no almoço?

Kyo nem se dá o trabalho de lhe responder e deixa os dois possuídos rindo como uns bobos no meio da sala, enquanto vai para o quarto.

Mais um alegre e divertido jantar acontece na casa do escritor. Akito e Hatori ainda não tinham retornado quando Ayame, Haru e os irmãos Hanajima foram embora. Aquela ausência fez com que o casal fosse a conversa principal da noite.

Quando o médico deixou a Akito na casa do escritor, a casa já estava toda apagada. A garota entra com cuidado no quarto e se troca com o máximo de cuidado para não acordar a Honda. Seu coração não parava de bater tão forte e ela resolve fazer o que o namorado havia lhe falado para ela fazer quando sentisse muito a sua falta.

by DonaKyon

19/12/2009

176


Os possuídos se levantam, vão para a sala, e vêem a Akito descendo as escadas, vestida com um vestido preto longo, um pouco justo ao corpo, mas com alguns babados na região dos seios, dando uma falsa idéia de que a garota tinha muito mais seios. Uma fenda na lateral do vestido deixava a vista o sapato com um pequeno salto. Seus curtos cabelos estavam presos com pequenas presilhas. Estava extremamente feminina, sensual e linda.

-SENHORITA AKITO, ESTÁ LINDA!

Tohru a olhava completamente admirada. Akito descia os últimos degraus se sentindo um pouco envergonhada e caminhando com um pouco de dificuldade, mas não tinha ainda percebido que isso era devido ao sapato de salto que nunca tinha usado em sua vida.

Hatori e Shigure não conseguiam falar nada, o que deixava o Ayame completamente satisfeito com o seu trabalho, pois sabia que aquela reação era a sua altura. Não havia palavras suficientes no mundo para descrever algo tão perfeito e tão belo.

O coração do médico batia muito acelerado. Aquela garota que estava agora parada a sua frente, não estava apenas linda, era a pessoa mais feliz e livre que ele tinha visto.

#Serei eternamente grato a Hanajima. Foi ela quem possibilitou a Akito esses dias de liberdade. Definitivamente não deixarei que os Sohmas tomem essa felicidade dela.#

-Vamos Akky. Agora você irá vestir aquele quimono de festa todo bordado.

-NÃO!

Hatori finalmente sai do seu transe e segura na mão da garota antes que ela dê o primeiro passo.

-Eu sei Tori-san que a Akky ficou perfeita com esse vestido preto. Mas eu tenho mais uns quinze, mais maravilhosos e mais divinos do que esse preto que é mais básico e simples, para ela experimentá-los.

-Me desculpe Honda-san, mas, a Akito e eu não iremos jantar aqui.

Hatori começa a caminhar puxando a Akito consigo, e sem se despedir dos demais, o casal sai da casa.

-Viu só isso Guretti? O Tori-san, não me deixou brincar com a Akky!

-Ahahaha, era isso mesmo que você ia fazer com ela. Deixa a Akito curtir esses momentos de felicidade com o Haa-san.

-O senhor a deixou ainda mais linda do que ela já é, Ayame-san.

-É claro que sim, minha jovem vassala. Pelas minhas mãos, até mesmo você que é uma abóbora se transformaria na mais bela cinderela.

-Aaya, deixa o Momicchi-kun escutar isso que verá um coelho muito bravo.

-Como o que ficarei bravo, Shii-chan.

-Ahahaha, falando do coelho.... Onde estão os outros Momicchi-kun?

-Estão sentados lá perto do laguinho.

-O meu amado, idolatrado e perfeito irmãozinho está com a ralé também?

-Não. O Yuki-kun não está com eles.

-O Kyo se deu muito bem com os irmãos Hanajima.

-Não é só com eles. Ele até cozinhou para a Akito-san hoje, né, né, Tohru-chan?

-O QUE?

Shigure e Ayame falam ao mesmo tempo, era impossível acreditar naquilo, e muito mesmo imaginar a cena.

-Ah, e ele até mesmo mandou a Akito-san lavar a louça do almoço.

-AHAHAHAHAHAHAHA, escutou essa Guretti, o pequeno gatito laranja está achando que pode se aproveitar da situação para mandar na nossa Akito. Ahahahah

-AHAHAHAHAHAHAHAhAH. Queria ter visto a cara da Akito... Até parece que ela ia fazer qualquer coisa que ele tenha lhe mandado fazer. Ahahahaha

-Mas ela o obedeceu sim.

Os possuídos pelo cão e pela serpente param de rir assim que o coelho termina de falar, e ambos tem a mesma sensação. A perda de memória da Akito poderia se transformar posteriormente em algo muito dolorido para o Hatori e para o Kyo.

-Tenho a impressão de que a senhorita Akito também está se dando muito bem com o Kyo.

Os dois amantes se olham e não falam mais nada. Momiji percebe que os dois estavam um pouco inquietos, como se quisessem falar algo que a garota não poderia escutar.

-Tohru-chan, esse coelhinho irá lhe ajudar com a janta. O que iremos preparar?

Os dois namorados vão para a cozinha deixando os dois adultos na sala sozinhos.

by DonaKyon

16/12/2009

175


Ao escutar aquela informação, o médico desesperadamente desamarra o laço do avental e o joga sob a cabeça da órfã e dá um enorme passo para trás se afastando o máximo que podia da pia.

-Ah, estão aqui!

Shigure para na porta e percebe que o primo estava em atitude suspeita, o escritor lhe olha com a sobrancelha um pouco arqueada e de desconfiança, tinha certeza de que o médico estava fazendo algo até a poucos instantes, porque ainda estava com a respiração ofegante. Ele olha para as duas garotas paradas na frente da pia, a Akito com o pano e a louça em suas mãos e a Tohru que estava tirando um avental de cima da sua cabeça.

-AKKY!! Venha! Venha! Deixa que essa jovem vassala faça essas tarefas pequenas. Você precisa se livrar imediatamente desses trapos que está vestindo. Infelizmente, não havia nenhum motorista disponível para ir até o meu magnífico atelier para buscar e lhe trazer as minhas exclusivas e maravilhosa coleção. Todos os motoristas estavam ocupados com os membros do nosso clã por causa da reunião. Onde já se viu? São um bando de folgados! Deveriam ter ido a pé. Eles não sabem que andar faz bem? Mas agora o seu salvador está aqui. Vou lhe vestir divinamente. Tenho um vestido mais lindo do que o outro. Tem que ver um branco quase transparente que lhe fiz para que use no verão. Ah! E aquele preto então! Ficará muito sensual em você! Sem falar do...

Todos na cozinha agora escutavam a voz do possuído pela serpente que ia ficando cada vez mais distante. Ayame nem tinha dado à Akito a oportunidade dela os cumprimentar. Ele simplesmente entrou na cozinha, tirou as coisas que ela tinha nas mãos praticamente jogando em cima da Tohru, depois segurou em sua mão e a levou para o quarto, enquanto que puxava a enorme mala com a outra mão.

-Muitíssimo boa tarde, Shigure-san.

-Boa tarde, Tohru-kun. E me conte o que é que o Haa-san estava aprontando.

-Nada! O Hatori-san só est..

-SHIGUre! O que o Kazuma-san te falou? Não achou muito estranha a atitude da Yoko-san? Vamos lá para a biblioteca.

O escritor olha para a menina sorrindo e lhe fazendo um sinal para que ela lhe conta-se depois.

-Ahahaha... Só estou te seguindo porque isso é importante.

Shigure fecha a porta da biblioteca e se senta em sua cadeira de trabalho enquanto que o médico se senta no pequeno sofá de dois lugares ao lado da janela.

-Então achou suspeita a atitude da Yoko-san?

-Claro! A velha nunca desobedeceu a uma ordem dada pela Akito.

-Mas o que ela ganharia com isso?

-Isso ainda não sabemos, mas certamente deve ter uma forte razão.

-Espero que sim. Não quero levar a Akito para a sede sem antes descobrir isso.

-Ela se lembrou de alguma coisa?

-Sim. E foi de algo relacionado à Eiko-san.

-O que ela lembrou?

-Parece que foi de uma brincadeira que elas faziam.

-De ficar rodando com os pássaros?

-Eu não sei ao certo.

-Adorava ver o rostinho de felicidade da Akito quando ela ficava brincando disso com a Eiko-san. É uma pena que com o tempo a gente vá se esquecendo dessas pequenas coisas.

Hatori não consegue evitar que uma pitada de ciúmes doa em seu coração, ao perceber que o Shigure sempre esteve muito mais ao lado da Akito do que ele, e que talvez a conhece-se muito mais do que ele.

-Do que mais elas brincavam?

-De poucas coisas. A Yoko-san sempre estava por perto cuidando para que a Akito fosse sempre tratada como um homem.

-Cadê aqueles dois? Eles tinham que estar aqui para contemplarem a minha maravilhosa e sublime criação.

by DonaKyon

174


-Então ela nunca irá se lembrar dos possuídos?

-É possível. A Saki-chan, fica triste com isso?

-Eu não sei.... Acho muito triste ela não se lembrar de nada do seu passado, mas por outro lado, ela parece estar feliz por ter se esquecido de tudo.

-Enquanto ela mesma estiver desejando se esquecer de tudo, a sua memória não irá retornar.

-Essa garota deve ter tido um passado muito doloroso. Como é que ninguém percebia o quanto que ela sofria?

Megumi encosta a cabeça no braço da irmã e lhe fala com o coração cheio de admiração por ela.

-Mas agora a Saki-chan é amiga dela, e irá lhe proteger da mesma forma que sempre protegeu a Tohru-chan e a Uo-chan.

-Sim. Se ela se esqueceu do seu passado triste por minha causa, eu irei fazer de tudo para que o seu presente seja sempre alegre. Eu sei o que é a dor de ser sempre isolada e ignorada.

Kyo, que tinha ido procurar à namorada, olhava os dois irmãos um pouco distante enquanto eles conversavam.

#É por isso que ela sempre me compreendeu. No fundo e por diferentes razões, tanto eu, como a Saki e a Akito, sempre fomos isolados e ignorados pelos demais.#

Ao perceber que tinha pensado daquela maneira a respeito do patriarca, o possuído pelo gato dá um pequeno sorriso com os lábios.

-Em quem está pensando com esse sorriso nos lábios, Kyo?

O garoto olha para o lado esquerdo de onde vinha se aproximando a voz e vê que o Haru estava agora parado ao seu lado, e que o Yuki estava junto dele.

-Não era na Saki!

Kyo lhe dá aquela resposta por duas razões, a primeira, porque era a verdade e a segunda, era porque ainda se preocupava com o ciúmes do Haru pela Saki.

-Eu sei! Não era um sorriso de apaixonado. Era um sorriso que nunca tinha visto em seu rosto antes.

O garoto apenas lhe olhava sem entender que poderia haver diferentes tipos de sorrisos e muito menos que o dele estaria dentro daquela situação, e o mais estranho ainda era do Haru saber que ele nunca tinha sorrido daquela maneira antes.

-Como pode saber que nunca tive esse sorriso antes?

-Porque te conhece há muitos anos. Eu sei de tudo sobre você e o Yuki.

-É mesmo?? Então, como era o meu sorriso?

-O seu sorriso parecia o sorriso daquele pirralho para a irmã dele.

Yuki olha espantado para o Kyo, por que nunca tinha percebido que ele via a Tohru Honda como se fosse a sua irmã, mas entendia que aquilo era possível.

-Eu sempre a vi como uma mãe e não como uma irmã. Será que os sentimentos são muito diferentes.

-O QUE? CÊ A VÊ COMO UMA MÃE?! Tudo bem que ela é mais velha, mas não é tanto assim.

-A Honda é mais velha do que a gente? Achei que era da nossa idade.

Kyo fica imediatamente vermelho, ao perceber que o Yuki não estava pensando na Akito como ele.

#E por que ele estaria pensando nela? E POR QUE É QUE EU ESTOU PENSANDO NELA?#

O possuído pelo gato enfia a mão no bolso e vira as costas para os dois primos e caminha para o lado da namorada.

-Não entendi. O que deu nele, Haru?

-Acho que ele não estava pensando na Tohru-kun.

-Não?! Então em quem ele poderia pensar como uma irmã?

A conversa entre os dois garotos é interrompida ao escutarem o barulho do carro que se aproximavam. Yuki reconhece as pessoas que estavam dentro dele, e rapidamente pega na mão do Haru e anda com passos bem largos para a porta dos fundos da casa. Haru se deixa ser levado mesmo sem ter visto quem havia chegado.
A porta levava a pequena área de serviço ao lado da cozinha, os dois entram na casa e passam pela cozinha de mãos dadas indo em direção da porta para a sala. Hatori estava acabando de lavar a louça, com a Akito ao seu lado que a secava e a Honda que estava no outra ponta da pia, cortando os vegetais que seriam usados para o jantar daquela noite.

-O que aconteceu, Yuki-kun?

-O Shigure chegou com o meu irmão. Fala que não estou.

Yuki e Haru subiam as escadas correndo e por poucos segundos o seu querido irmão não os vêem no final da escada.

by DonaKyon

12/12/2009

173


-Hanajima-kun, o Kazuma-san lhe mandou alguns documentos para a sua pesquisa.

-Muito obrigado.

-Conseguiu descobrir alguma coisa sobre o problema da Akito?

-Ainda não.

Diferentemente do dia anterior, escutar aquela resposta do garoto havia lhe deixado um pouco mais tranqüilo.

-Então é por isso que acabou aquele barulho todo. É o Hatori quem está lavando a louça.

-Boa tarde Hatori-san, Megumi-kun.

Kyo e Saki apareciam na porta da cozinha.

-Espero que tenha cozinhado direito para a Akito.

O gato fica imediatamente roxo de vergonha. Ele nem tinha imaginado no que os outros possuídos iriam pensar quando ficassem sabendo que ele tinha lhe cozinhado.

#Só espero que ela não tenha contado o que me obrigou a cozinhar, graças a minha namorada.#

-Hatori-san, creio que a Aa-chan se lembrou de algo do passado dela.

Ao escutar aquilo o médico coloca o prato que lavava na pia e olha atentamente para a garota.

-É. Ela se lembrou de um lance que a minha mãe fazia. Acho que as duas brincavam daquilo.

-Mas porque ela foi se lembrar de algo que lhe aconteceu quando era criança? Será que a memória dela voltará dos fatos mais antigos para os mais recentes?

Megumi apenas acompanhava a conversa dos três sem demonstrar a menor intenção de que falaria alguma coisa.

#Pelo visto eu estou certo. Creio que a minha teoria está certa, e isso explicaria o fato da Saki-chan ter lançado a maldição tão perfeita na sua primeira vez.#

-Hatori, como estão as coisas lá na sede?

-Deu tudo na reunião, e o Kazuma-san pediu para que não vá até o Dojo nos próximos dias.

-E por que não?

-Os motivos ele não me disse.

Kyo olha um pouco desconfiado para o médico, mas se o Mestre tinha dado aquela ordem alguma razão deveria haver por detrás dela.

-Ahahahah... Quer dizer que a omelete com nirá do Kyo é muito boa...

-A batata ao misô estava um pouco salgada
, mas estava bom também.

Akito, Momiji e Tohru retornavam para a cozinha enquanto conversavam sobre o menu do almoço, e ao chegarem percebem que o Hatori estava se segurando para não ri e que o garoto dos cabelos laranjas estava com o rosto todo vermelho.

-Mas o Kyo pode deixar que eu cuidarei do jantar. Vou preparar algo muito especial para comemorarmos as aulas de violino que o Momiji-kun irá dar a Momo-chan.

Querendo mudar o tema da conversa, Kyo olha para a Tohru como se fosse o seu tutor e lhe pergunta cheio de autoridade.

-Eih? Não vai trampar hoje não?

-Hihihihi... O Kyo não quer que ninguém mais cozinhe para a Akky... hihihihihi...

-CALA A BOCA SEU COELHO IDIOTA!!

-AHAHAHHA

Momiji sai correndo da cozinha com o gato correndo atrás dele. Akito acha estranho o fato de o Kyo ter chamado o primo de “coelho”, mas não faz nenhuma pergunta e volta a secar a louça.

Megumi observava atentamente a tudo que estava acontecendo e a reação de cada um enquanto estava sentado à mesa e comendo um dos pêssegos que estavam na fruteira sob a mesa. Hanajima olha para o irmão e percebe que ele tinha descoberto algo muito importante. Os olhares dos dois irmãos se cruzam e sem dizerem nada os dois saem da cozinha, deixando o casal de namorados terminando de lavarem a louça do almoço e a Honda já a procura do que iria cozinhar para a janta.

Os irmãos Hanajima vão para o jardim ao lado da casa para poderem conversar, sem que os outros ouvissem.

-O que descobriu Megumi-kun?

-Provavelmente a razão de a sua maldição ter dado tão certo. A Saki-chan também já descobriu?

Saki caminha até a beira do pequeno laguinho que havia no jardim e se abaixa para mexer em algumas pedrinhas, o seu irmão se abaixa ao seu lado.

-Sim.... A minha maldição só funcionou porque a Akito também desejava se esquecer de quem era.

-Exatamente isso.

-É por isso que ela não quer saber do seu passado, a sua intuição lhe diz que ela não deve se lembrar de nada.

-Creio que ela só se lembrará dos momentos que a fizeram feliz.

by DonaKyon

10/12/2009

172


#Você não pode voltar a ser aquela pessoa triste e solitária. Eu não permitirei que o clã dos Sohmas a transforme naquela Akito novamente. Lhe protegerei até o fim. De agora em diante, você não será mais a refém daquele clã maldito e nem dos possuídos, você será livre para ser a Akito que quiser se tornar, e eu estarei ao seu lado para proteger a sua liberdade.#

Hatori se afasta um pouco para lhe olhar e pergunta todo sorridente.

-Como está sendo a sua primeira vez lavando uma louça?

- É a minha primeira vez?

O possuído apenas confirma que sim com a cabeça abrindo ainda mais o seu sorriso.

-Então é por isso que estou sendo esse desastre. Já acabei com dois frascos de detergentes e ainda nem lavei a metade da louça.

-Ahahahha, dois frascos??... ahahah

-Por que está rindo? Vai-me dizer que estou usando pouco detergente?

-AHAHAHHA...

Hatori ria como há muitos anos não fazia, ele mesmo, já nem se lembrado dos motivos que o tinham feito parar de rir daquela maneira. Ele a vira e desamarra o laço do avental.

-Pode deixar que eu termino. É melhor que você as enxugue.

O médico veste o avental e começa a lavar a louça, enquanto que a garota ia secando com um pano as peças que ela já havia lavado.

#Só espero terminar de lavar isso antes que aqueles dois idiotas apareçam por aqui. Certamente eles iriam me azucrinar até os dias finais da minha vida.#

-Obrigada por me ajudar, Hatori.

-Não precisa agradecer. Afinal, essa é a minha obrigação como seu namorado.

plafttt

Akito havia deixado cair a vasilha de alumínio que estava secando ao escutar aquilo e aquela reação faz com que o médico se sinta um pouco sem jeito, afinal acreditava que não tinha mais idade para falar aquele tipo de frase tão piegas.

-Namorados?

-Você não quer? Acha melhor esperar retornar a sua memória?

-Não! Não! Quero sim!

O médico vira um pouco a cabeça para olhar a garota e vê o quanto que ela estava sorrindo e um pouco vermelha enquanto secava mais um prato.

-Cadê os outros?

- A Tohru chegou chorando e saiu com a Saki. Os outros eu não sei onde estão.

-Quem te colocou para lavar a louça?

-Foi o Kyo. Como ele cozinhou, eu tive que lavar a louça.

BLANTH

Agora era a vez de o médico derrubar a louça dentro da pia. Mas o choque de saber que o gato tinha cozinhado para o Kamisama, que o Kamisama havia comido e que depois o Kamisama estava obedecendo a uma ordem dada pelo possuído, tinha sido enorme.

-Como foi a reunião?

-Está tudo acertado. Não precisa se preocupar com o clã nos próximos dias, e amanhã cedo lhe levarei ao Hospital para realizarmos alguns exames.

-Precisamos mesmo?

A voz da garota havia saído um pouco mais baixa e manhosa. Tudo estava indo tão bem desde que ela tinha acordado daquele desmaio, e agora sentia medo de voltar a ter a vida de antes. A sua intuição lhe dizia que ela não iria mais ficar feliz se voltasse a se lembrar de tudo.

O médico entende que ela não estava querendo retornar tão rapidamente para a sede, e começa a suspeitar que ela tivesse se lembrado de algo.

-Se lembrou de alguma coisa?

-Ainda não.

-Tudo bem. Então amanhã iremos a outro lugar. Aonde quer ir?

-Ahahahha, como é que eu vou saber? Esqueceu-se que eu não me lembro de nada do que tem nessa cidade?

-Porque não a leva num parque de diversão? Certamente a Aa-chan gostará de andar na roda gigante.

Aquela voz infantil que vinha por de trás de suas costas, faz com que os dois fiquem arrepiados ao mesmo tempo.

-Olá Megumi-kun.

-Boa tarde Aa-chan, Hatori-san.

-Boa tarde, Hanajima-kun.

-Aa-chan, sabe onde a minha irmã está? A Tohru-chan me falou que ela entrou.

-Não a vi Megumi-kun, e cadê a Tohru?

-Está lá na frente com o Momiji-kun.

-Hatori, eu já volto para terminar de secar.

Akito coloca o pano sob a pia e sai para falar com a colegial, deixando os dois na cozinha.

by DonaKyon

08/12/2009

171


O coração da Tohru ao ver o namorado naquele estava fica muito dolorido. Ela então percebe que ele tinha passado o dia todo naquele estado, e assim como ela, ele também estava com medo, mas o seu medo era de perdê-la.

As duas garotas se aproximam da casa e Hanajima vê que o namorado estava na janela do quarto e que lhe fazia sinal para ela ir até lá. A colegial entra na casa sem falar nada, e deixando a Tohru sentada ao lado do garoto que nem tinha percebido que a namorada estava ao seu lado.

Honda delicadamente encosta os seus lábios em sua bochecha lhe beijando docemente. Ao sentir aquele suave toque, o coração do possuído volta a bater tranquilamente, ele não precisava lhe perguntar mais nada, pois já sabia que ela havia entendido o seu medo e que iria permanecer ao seu lado até o último momento.
O coelho se levanta e começa a agitar os braços enquanto falava com a namorada.

-Né... né... Tohru-chan... Não irá acreditar no que acabou de acontecer?

-O que foi, Momiji-kun?

-A Akit....

O som de um veículo se aproximando faz com que o garoto pare de falar, e rapidamente eles olham. Sabiam que naquela tarde aconteceria a reunião do clã dos Sohmas para comunicar o afastamento de Akito. Hatori sai do carro cheio de pressa, tudo o que ele queria era ver como a Akito estava.

-Boa tarde Momiji-kun, Honda-san.

-Muitíssimo boa tarde Hatori-san.

-Olá Harry. Como foi a reunião?

-Deu tudo certo.

O médico lhes cumprimentavam enquanto caminhava e lhes respondiam ao mesmo tempo em que passava ao lado deles, era visível que ele não queria parar para conversar, mas um pouco antes de entrar na casa, o dragão para e se vira para olhar o Momiji.

-Ah, Momiji-kun. Você será o professor de violino da sua irmã.

-É SÉRIO, HARRY?

Hatori apenas lhe sorri vendo o brilho de felicidade em seus olhos e depois entra na casa do escritor deixando do lado de fora os gritos de felicidade do meigo casal. Ele tira os sapatos enquanto procurava pela Akito na sala, mas não a encontra.

#Será que ela está no quarto?#

O médico estava caminhando diretamente para as escadas, sem se importar com o grande barulho que vinha da cozinha, mas o som da panela caindo no chão foi tão alto que ele acabou virando a cabeça para ver quem era aquela pessoa tão desajeitada.

-A-KI-TO???

A garota que estava pegando a panela do chão, com as mãos e várias partes dos seus cabelos cheios de espumas, olha e vê que o médico estava parado na porta da cozinha lhe olhando todo chocado.

-Boa tarde Hatori.

-Mas...? Mas...?

O médico olha para os lados, para ver se encontrava alguma explicação para aquela visão. Nunca em toda a sua vida tinha pensado que veria algo parecido com aquilo, o patriarca dos Sohmas cheia de espuma de detergente lavando a louça do almoço.

Akito se levantava com a panela em suas mãos e abre um lindo sorriso para o médico. Era o mesmo sorriso que ela tinha quando era criança, quando não sabia que seria o patriarca do clã e nem o que representaria em sua vida ela ter nascido como o kamisama dos possuídos.

Hatori não consegue mais se segurar e rapidamente a abraça. Akito podia sentir o quando que o coração do médico estava batendo forte naquele momento. Ela fecha os olhos e sente o calor daquele abraço preenchendo a sua alma. Era um sentimento tão forte que ela queria que nunca mais acabasse. Parecia que não haveria nenhum outro lugar do mundo capaz de lhe dar a aquela mesma felicidade e segurança que ela estava sentindo naqueles braços. Novamente o som da panela caindo no chão ecoa pela cozinha, e Akito, agora o prendia em seus braços também. Não precisavam falar nada e nem se beijar, somente aquele abraço já era o suficiente para eles declararem o amor que um sentia pelo outro.

O toque das mãos de Akito em suas costas, a suave pressão que ela fazia ao encostar a cabeça em seu peito, o coração dela batendo no mesmo ritmo que o dele, tudo aquilo, fez o médico desejar que ela nunca mais voltasse a ser o patriarca de antes.

by DonaKyon

04/12/2009

170


Kazuma havia chegado todo ofegante na casa, e esperava em pé no meio da sala, por sua ilustre moradora.

-A que devo a honra de sua visita, Kazuma-san

-Como está Ren-san?

O homem se inclina de maneira bem respeitosa a sua frente.

-Veio me avisar que finalmente aconteceu ao Akito o mesmo que a mim? O trancaram em algum lugar alegando que ele ficou louco?

-Vim avisar a esposa do nosso antigo patriarca que nesse atual momento sou eu a pessoa quem ocupa as funções de seu falecido esposo.

-Você? E Akito? O que aconteceu com ele?

-Devido a um problema de saúde Akito-sama teve que se afastar por alguns dias da sede.

Ren se senta no tatame e Kazuma se senta a sua frente.

-Agradeço a consideração que o Kazuma-san teve ao vir me avisar disso. A minha prisão domiciliar continuará sendo essa mesma, ou irá me transferir para outro lugar? Não me diga que irá me mandar para o retiro? Não foi lá que os Sohmas deixaram o seu avô preso por vários anos?

Ren odiava todos os Sohmas e não perdia a oportunidade de ferir a qualquer um deles. Kazuma já imaginava que aquela conversa não seria fácil, mas estava disposto a conversar com aquela mulher, afinal, ela tinha sido a esposa do patriarca anterior.

-Se eu pudesse derrubaria aquele lugar.

-O Kazuma-kun sempre foi um Sohma que me intrigou muito. Sempre teve um posicionamento diferente dos demais do clã, principalmente com relação aos possuídos. Foi até mesmo capaz de adotar aquele garoto quando ele ficou órfão de mãe.

-Creio que com relação aos possuídos pensamos a mesma coisa.

-Que são pobres coitados? Que Akito os faz de brinquedos com essa história estúpida de enlace? Se pensar assim, então de fato pensamos a mesma coisa.

-Por que a Ren-san sempre pensou isso?

-Porque essa é a única verdade.

-Gostaria de entender as razões dos pais odiarem os seus próprios filhos.

-Sim, nesse ponto eu sou igual ao sobrinho daquela velha nojenta. Ambos odiamos os nossos filhos.

-Você deveria dizer que odeia a sua FILHA.

Ao escutar aquilo, Ren fecha com forças as suas mãos.

-Então já descobriu esse segredo?

-Descobri ontem. Mas não poderei contar os detalhes.

-Hunf!! Certamente foi aquela velha asquerosa da Yoko. Ela sempre jogou na minha cara o fato de eu não ter gerado um filho homem para o meu amado Akira. Que se o meu amor fosse realmente tão grande por ele, que eu teria lhe parido um filho macho.

-Pelo visto, a Ren-san odeia ainda mais a Yoko-san do que o Akito-sama.

-É, pode ser que tenha razão.

-Curioso, isso até parece ser aquelas relações de amor e ódio entre nora e sogra.

-AAHAHAHAHHAHAHAHAHAH

Ren ria sem parar e Kazuma a olhava espantado.

-O Kazuma-san de fato é um Sohma bem diferente dos outros, o senhor consegue pensar.... ahahahahhahaha Aquela pobre infeliz da Eiko-chan deve estar tranqüila vendo que o filho é criado por alguém como o senhor... ahahahah

- É claro!!! A Ren-san conheceu a mãe do Kyo!

-AHAHAHAHHA.... Não estou falando!! O Kazuma-san é o único de todo o clã que deve ter uns 3 ou 4 neurônios. Ahahahahha... Esse clã maldito que é formado de burros e cegos....... ahahahah.... Não é a toa que ficou como o novo patriarca.... ahahahah

Kazuma percebe que aquela era a oportunidade que ele estava esperando para lhe perguntar o que queria de fato saber.

-Por um acaso a Ren-san sabe de outros segredos dos Sohmas e é por isso que nos chama de burros e cegos?

Ren para de rir e olha atentamente para o Kazuma.

#Será que ele conseguiria realizar o meu desejo? Não perderei nada se tentar, e ganharei a minha vingança se ele descobrir.#

-Quem dentro desse clã não guarda uns dois ou três segredos? Acredito que deveria aproveitar que está com um tempo livre, agora que é patriarca, e estudar melhor a árvore genealógica da sua família. Se olhar com atenção verá que tem certas coisas que não batem.

O homem a olhava atentamente e sabia que apesar de não ter entendido o que ela havia falado, certamente aquela era alguma dica para ele encontrar a resposta de sua pergunta.

A Mulher se levanta e lhe sorri de forma muito sarcástica.

-Depois venha me contar o que encontrou, Kazuma-SAMA.

A mulher se inclina em sinal de respeito e o professor vai embora.

#Eu prometi a Tsukiko-sama que nunca contaria esse segredo para ninguém, mas nunca lhe prometi que iria protegê-lo.#

Kazuma voltava para a mansão com passos bem apressados, queria analisar todos os documentos antigos sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

by DonaKyon

02/12/2009

169


Kazuma fica um pouco sem ação ao escutar aquilo. Shigure e Ayame apenas o olhavam sem entenderem o que estava acontecendo.

-.... Por favor, Hatori, diga ao meu filho para não vir ao Dojo por esses dias. E muito obrigado, por me avisar.

O homem desliga o celular e o entrega ao seu dono.

-O que foi Kazuma-san?

-Shigure, acho que você tinha razão.

-O que o Haa-san descobriu?

-A Yoko-san acabou de mandar para trabalhar no Dojo uma empregada que se parece com a Eiko-san.

-Mas Akito a tinha mandado trabalhar bem longe da sede.

-Parece que a Yoko-san fez questão de não cumprir justamente essa ordem.

-Eu sabia. Aquela velha está escondendo alguma coisa.

-Do que estão falando?

-Não se preocupe, Aaya. Lhe contarei tudo no caminho. Kazuma-san, tome muito cuidado.

Os dois possuídos saem da biblioteca deixando o professor todo pensativo.

#Com qual objetivo a Yoko-san mandou para o Dojo uma empregada que é parecida com a Eiko-san? Será que ela só queria perturbar o Kyo com isso? Mas por quê?#

Yoko da janela do seu quarto tinha uma visão que lhe favorecia ver quem chegava e quem saia da mansão, e depois de ver que o Shigure e o Ayame tinham saindo da casa, ela vai até a biblioteca. A governanta bate na porta e ao escutar a ordem para entrar ela a abre.

O homem tinha voltado a revirar a ampla biblioteca atrás de alguma informação para terminar com a maldição, e agora estava sentado no tatame com duas pilhas enormes de livros a sua frente.

-Kazuma-san, o que desejará comer agora à noite?

-Pode ser qualquer coisa.

-Que bom que todos do clã o aceitaram como patriarca.

-Será por poucos dias.

-É por isso que está tão desesperado para encontrar o que procura?

O professor fecha o livro que lia colocando-o no chão e olha para a mulher que estava a pé ao lado da porta.

-E isso lhe preocupa?

-Claro. Como governanta da mansão dos patriarcas dos Sohmas, e quem viu o nascimento nessa casa dos dois últimos patriarcas, eu tenho a obrigação de me preocupar com o bem estar e os desejos dos patriarcas.

-A Yoko-san está aqui na mansão desde quando?

-Cheguei alguns anos antes morte do avô de Akito-sama.

-Akio-sama, lembro-me um pouco dele. O Akira-sama era o seu filho mais novo, e foi o seu único filho homem também. Eu cheguei a brincar algumas vezes com o antigo patriarca, creio que ele teria uns dois ou três anos mais do que eu se estivesse vivo.

-Ele seria quatro anos mais velho que o senhor.

-Sem dúvida a senhora tem uma ótima memória.

-Não está mais tão boa como era antes.

-A última vez que estive com Akira-sama, foi um pouco antes do seu casamento com a Ren-san.

-Aquela mulher o roubou para ela. Depois que se casaram ninguém mais chegava perto do Akira-sama. É por isso que ela odiou tanto o Akito-sama quando ele nasceu. Ele foi o único que conseguia afastar o patriarca dela.

O homem se levanta e cruzas os braços.

-Yoko-san, me lembrei de que tenho um compromisso agora. Voltarei antes da hora do jantar.

#Como não me lembrei dela antes#

Kazuma passa pela mulher a deixando sozinha na biblioteca. O que lhe dá a oportunidade de ir ver quais tipos de livros ele estava lendo.

#Esse livros são de histórias antigas a respeito da maldição dos doze signos do zodíaco. Será que ele acha que existe alguma maneira de acabar com a maldição deles? É isso que ele está procurando? Esse homem ama tanto assim aquele monstro? Logo ele que desprezava o avô quando era criança, agora está aqui, desesperado a procura de uma maneira de acabar com a maldição do filho adotivo.#

Yoko pega um dos livros mais antigos e que era escrito a mão e o esconde na manga de seu quimono.

#Pode ser que o Higuchi-kun tenha razão. Talvez possamos nos livrar do Kazuma-san da mesma forma que nos livramos da Eiko-san.#

by DonaKyon

29/11/2009

168


Shigure abria a porta da biblioteca ainda chorando de tanto que estava rindo, e ao seu lado estavam os dois primos.

-Kazuma-san, o senhor infelizmente perdeu a melhor parte da reunião do clã.

- O que aconteceu, Shigure?

-A minha querida ”sogrinha” começou a protestar novamente pelo fato do marido dela não ser o patriarca, e aí o Aaya lhe fala que se ela queria tanto assim ser a esposa do patriarca bastava que ela separa-se do marido e se casa-se com o senhor.... ahahahhahaha

-Acredito que o Kyo não irá aceitar isso.

-AHAHAHAHHAHAHAH, É VERDADE A SHINSEN-SAN FICARIA SENDO A MÃE DE TRÊSPOSSUÍDOS.... AHAHAHHAHAHAHA

-É verdade Guretti. Até euzinho me esqueci disso... ahahahahhaha

Hatori deixa os possuídos se matando de tanto rir e pergunta ao novo patriarca.

-O senhor já tem separado os documentos para enviarmos ao Hanajima-kun?

-Sim, Hatori. São esses daqui.

-Ora, ora.... Vejam só a pressa que o nosso médico está!

Hatori apenas olha furioso para o Shigure, mas esse nem se intimida com o seu olhar. O médico pega a pilha de documentos, tudo o que ele queria agora era ir para perto da Akito.

-Ficará parado aí ou irá comigo?

-Pode deixar Tori-san. Eu mesmo levarei o Guretti para casa.

-Por que vocês não aproveitam para fazer uma lua-de-mel?

Ayame e Shigure olham-se entre si e começam a rir.

-Ahahahahha, escutou essa Aaya? Ele já a quer só para ele.

-Ahahahhah, o nosso Tori-san finalmente está agindo como um homem apaixonado.


BLAMMM


-AHAHAHAHHAHAHAHAH

#São dois idiotas mesmo.#

O médico deixa os dois possuídos rindo dentro da biblioteca e começa a caminhar com passos bem largos pelo corredor da casa quando escuta o Kazuma a lhe chamar.

-Hatori... Poderia me fazer um favor?


-Certamente que sim, Kazuma-san.

-Deixe esses papéis lá no Dojo.

-Se tiver qualquer problema, por favor, me ligue, Kazuma-san.

-Mande lembranças ao meu filho.

O médico volta a caminhar pelo corredor.

#De fato, estou agindo como um homem apaixonado, mas aqueles dois não precisam fazer piadas disso.#

Hatori entra no carro, e coloca os documentos no banco de trás.

#Em pensar que ontem ela estava aqui atrás. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe de mim. Não vejo a hora de tê-la nos meus braços. #

O médico por pouco não se esquece que tinha que passar no Dojo, ele para o carro e buzina. Uma jovem empregada sai de dentro da casa.

#Mas aquela é.... O que ela está fazendo aqui?#

-Pois não, Hatori-san?

-Você não é a empregada da casa do patriarca que eu cuidei a duas noites?

-Muito obrigada pelos seus cuidados. Não tive a oportunidade de lhe agradecer antes.

-Achei que o Patriarca a tivesse mandando trabalhar em outra de nossas propriedades.

-A Yoko-san, me pediu para cuidar do Dojo do novo patriarca, durante a ausência de Akito-sama.

#Por que a Yoko-san não obedeceu a uma ordem tão direta de Akito?#

-Por favor, o patriarca mandou esses documentos para o seu assistente.

A mulher pega os papéis e volta para dentro da casa enquanto que o médico saia com o carro e procurava pelo celular dentro do bolso do paletó.

#Isso é muito estranho!#

Com um pouco de dificuldade, por estar dirigindo, ele liga para o celular do Ayame.

-Alôo...

-AHAHAHHAHAHAHAHHA

#Que vontade de desligar!# -Ayame, é sério! Ainda estão com o Kazuma-san?

Ao perceber que a voz do médico estava bem séria, a serpente fica apreensiva e para com a brincadeira.

-Estamos sim, Tori-san

-Me passe para ele.

- O que foi Hatori?

-O senhor está com uma nova empregada, não é mesmo?

-Sim. A Yoko-san a mandou para o Dojo hoje.

-O senhor já a viu?

-Não. Por quê?

-Essa moça que está trabalhando no Dojo se parece com a Eiko-san.

Kazuma fica um pouco sem ação ao escutar aquilo. Shigure e Ayame apenas o olhavam sem entenderem o que estava acontecendo.

by DonaKyon

27/11/2009

167


Hanajima e a Tohru estavam sentadas na grama entre as enormes árvores que rodeavam a casa do escritor, e a órfã reconhece aquele local, era exatamente onde ela tinha montado a sua pequena barraca e ficou morando por uma semana, sem ao menos imaginar que ali era o quintal do príncipe do seu colégio.

-Foi aqui que tudo começou.

Hanajima segurava na mão da amiga e olha a sua volta.

-Então foi aqui que a Tohru-chan morou quando saiu da casa do seu avô? De fato, é um lugar um pouco perigoso.

-Hana-chan.... Não acha que devemos nos afastar deles?

-Ainda está muito assustada por causa de ontem?

A garota apenas confirma que sim com a cabeça.

-Acho que eles sofreram ainda mais se nós nos afastarmos deles agora do que se for por esquecimento.

-Mas isso não é justo Hana-chan! Se Akito-san mandar apagar as nossas memórias nós não iremos sofrer, mas eles sim. Eles é que ficarão lembrando até o resto das suas vidas tudo o que aconteceu.

-Eu sei.

-E não acha que estamos sendo muito egoístas só pensando na nossa felicidade de agora sem nós importarmos com o que acontecerá depois?

-“O amor é o começo de um milagre”

Ao escutar aquela frase que a sua mãe tinha lhe falado tantas vezes, Tohru abraça os joelhos e começa a chorar com a cabeça encostada neles.

-A Dona Kyoko sempre acreditou nisso. Ela sempre falava que se não fosse o amor do seu pai por ela, certamente teria se perdido de vez nas trevas daquele mundo onde ela estava. Eu também acredito nisso, Tohru-chan. É por isso que mesmo me sentindo tão insegura, com tanto medo como estou, eu quero ficar ao lado do Kyo. Quero acreditar que o amor trará o milagre que precisamos.

Tohru ainda chorando olha para a amiga que estava ao seu lado lhe sorrindo, e reconhece que a Saki sentia exatamente o mesmo que ela estava sentindo naquele momento, mas que tinha decidido a ficar ao lado do garoto e a acreditar que o amor iria fazer o milagre de transformar aquele triste destino.

Hanajima segura nas duas mãos da amiga e lhe pergunta com um sorriso cheio de esperança.

-E a Tohru-chan?! Também acreditará que o amor pode fazer milagres?

-Tem razão Hana-chan. Vamos acreditar!

As duas se levantam do chão e começam a caminhar em direção da casa.

-Vamos falar para a Aa-chan que você entrou chorando porque tirou uma nota baixa, assim ela não ficará preocupada.

-Tá! E por que não foi para o colégio?

-O Kyo queria passar esse tempo comigo.

-E a senhorita Akito? Ela não demonstrou se lembrar de nada?

-Se lembrou de algo apenas relacionado a mãe do Kyo. Acredito que ela própria está evitando a se lembrar de seu passado, pois em momento algum, ela me perguntou sobre o seu passado, apenas o que gostava de comer.

-Mas a gente não sabe essas coisas delas.

-Sim, mas eu inventei. Acho que a Tohru-chan deveria fazer o mesmo também.

As garotas passam próximas da base secreta do Yuki e vêem que ele e o Haru estavam se beijando escondidos por entre as árvores, passando diretamente por eles sem serem vistas.

-Nhaa... Fico tão feliz por ver que o Yuki-kun e o Hatsuharu-kun se entenderam.

-Se as garotas do fã-clube do Prince-Yuki ficarem sabendo disso, acredito que teremos um grande número de suicídios no colégio.

-Cruzes, Hana-chan. Elas não fariam algo tão drástico assim.

-A presidente do fã-clube do Kyo esteve aqui hoje.

-OQUE? Como ela sabe onde o Kyo mora?

-Não sei. Mas por pouco que ela não o abraçou.

-Nossa?! Não quero nem imaginar o que aconteceria se algumas dessas garotas descobrissem o segredo deles.

-Essa é a nossa função Tohru-chan, proteger o segredo dos nossos namorados e do Yuki-kun e do Hatsuharu-kun.

-Sim. Vamos protegê-los a todo custo.

-Pelo visto tem alguém que está muito preocupado.

Hanajima olhava para o Momiji que estava sentado na varanda da casa, com a cabeça baixa, os olhos fechados e segurando as duas mãos como se estivesse fazendo uma prece.

by DonaKyon

24/11/2009

166


Enquanto terminava a reunião na mansão dos patriarcas do clã Sohma, Tohru, Momiji, Yuki e Haru voltavam para a casa do Shigure caminhando. Os três possuídos já tinham notado que a garota tinha passado o dia todo muito distante.

Momiji segurava em sua mão, mas não conversavam nada. Ambos andavam um pouco atrás de Yuki e Haru que caminhavam conversando sobre o dia no colégio.
Assim que entram em casa, Tohru reconhece os sapatos da amiga. Ela tira os seus rapidamente e corre para dentro da casa. Os três ficam lhe olhando sem entenderem nada.

-Hana-chan... Hana-chan....

-Estamos aqui na cozinha, Tohru-chan.

A colegial corre para lá e os encontram sentados a mesa. Kyo e Hanajima estavam sentados um ao lado do outro e a Akito do outro lado da mesa de frente para a colegial. Tohru rapidamente anda para o lado da amiga e a abraça bem forte e chorando baixinho em seu ombro.

-Tohru-chan?! O que foi??

Momiji fica parado na porta da cozinha com o coração na mão. Sofria tanto quanto que a Tohru estava sofrendo. Hanajima se levanta e leva a amiga para fora da casa. Ela não precisava ler os pensamentos da jovem para saber que ela precisava desabafar algo.

Akito se levanta para ir junto com as garotas, mas o Kyo a impede de ir segurando em sua mão. Os quatros sabiam que Akito não poderia escutar a conversa das duas, uma vez que na realidade não era uma amiga delas.

-Eih, onde pensa que vai?

-Vou com a Tohru e a Saki. Não viu que a Tohru entrou chorando?

-E a louça?

-Louça?! Que Louça?

-A que você vai lavar.

Kyo a puxa pela mão e a deixa diante da pia com um monte de panelas, pratos e copos.

-QUEEE?

-Eu cozinhei e agora é a sua vez.

-Mas e a Saki? Ela também comeu.

-Sim, mas ela é visita. E visitas não lavam a louça.

Kyo continuava segurando Akito pelas costas o que a mantinha em frente da pia. Os três primos recém chegados do colégio olhavam aquela cena espantados, não sabiam qual dos fatos era o mais surpreendente, se era o patriarca recebendo ordens do possuído pelo gato, ou se era o contato físico entre os dois, uma vez que Akito sempre tinha sentido um enorme nojo do garoto, ou se era a Akito vestindo um avental para lavar a louça.

Haru tira o celular do bolso e começa a fotografar a cena.

-O que está fazendo Haru? – Yuki lhe perguntava bem baixinho.

-É melhor registrar. Quando a gente contar isso para o Shigure-sensei e o Tori-san eles não irão acreditar.

Kyo deixa a Akito toda desajeitada na frente da pia e se vira encontrando os outros três com cara de espanto. Ele passa por eles sem falar nada e subindo para o seu quarto.

#Não precisam fazer essa cara. Até mesmo EU não acredito no que acabou de acontecer.#

Akito colocava quase meio frasco de detergente na esponja e agora tentava começar a lavar a louça, segurando a panela cheia de gordura e a esfregando lentamente e de uma maneira não muito firme o que fazia com que ela caísse toda hora na pia fazendo um grande barulho.

-Yuki-kun... Haru-kun... Será que a gente não deveria ajudá-la?

Momiji olha em sua volta mais já não encontrava a nenhum dos possuído. Ele caminha até a entrada da casa e se senta na varanda.

#Eu sei como a Tohru-chan está se sentindo. Eu também estou vivendo com esse medo agora, mas mesmo assim quero muito ficar ao lado dela. Mesmo sabendo que amanhã isso tudo pode acabar, eu prefiro viver esses momentos. Porque não existe dor pior do que a dor de sofrer por aquilo que não foi vivido. Por favor, Tohru-chan, entenda isso e continue ao meu lado. Mesmo que seja por somente mais meia-hora, eu prefiro passar esses minutos ao seu lado do que longe de você. Por favor, Tohru-chan, entenda que eu sofrerei ainda mais se te ver sofrendo longe de mim.#

by DonaKyon

22/11/2009

165


-AHHH... Eu não acredito que tive que ficar todo esse tempo com a minha cabeça abaixada justamente para o Kazuma.

Shinsen se levantava sentindo-se extremamente ofendida por aquela situação.

-Hatori-kun, certamente o problema de Akito-sama deve ser neurológico, o patriarca deve ter desenvolvido a doença de sua mãe e ficou louco de vez. Onde já se viu, não deixar a minha família a frente do clã durante a sua ausência? O posto de patriarca deveria ficar para o meu marido, e eu seria a primeira dama do patriarca. Entre todos os Sohmas, a nossa família é a mais importante e nobre, acima de nós só está à família do patriarca. Essa tão alta posição está a minha altura.

-A senhora tem toda razão minha mãe.

Ayame havia falado de uma forma ponderada e ao mesmo tempo muito segura. Todos os presentes lhe olharam espantados ao ver que o jovem estilista não estava falando com da sua maneira tradicional, sendo que a sua mãe foi até mesmo obrigada a se sentar ao escutar aquilo. Nunca em toda a sua vida o filho tinha concordado com ela.

-Certamente a senhora está a altura de ser a esposa do patriarca do clã dos Sohmas. Um dos clãs mais importantes do Japão. E eu sei o que a senhora tem que fazer para ocupar essa posição tão alta no nosso clã.

Como os presentes conheciam a personalidade megalomaníaca do jovem, que não se cansava de falar desde criança que ele era da nobreza, um príncipe, uma alteza, entre outras coisas, todos estavam seguros que o rapaz havia encontrado finalmente a oportunidade para concretizar as suas fantasias. Ayame olha para a sua mãe e lhe fala como se aquilo fosse a coisa mais lógica do mundo.

-O que a minha adorável e honorável mãe deve fazer para ocupar essa tão alta posição é muito simples. Basta se separar do meu pai e se casar com o professor Kazuma. A senhora se esqueceu que o professor é um patriarca SOLTEIRO?

Todos se seguraram para não rirem, a mãe da Rin que estava ao lado da Shinsen chegava a ficar vermelha. A mãe dos dois possuídos olhava sem acreditar no que o SEU filho tinha acabado de lhe falar. Ela olha toda indignada para o marido que estava sentado a sua frente, e ao ver que ele não ia repreender o filho ela lhe grita.

-QUERIDO, VAI SIMPLESMENTE FICAR CALADO? ESCUTOU O QUE O IDIOTA DO SEU FILHO FALOU?

O homem ajeita os óculos e lança a pergunta para todos os presentes.

-Se a Shinsen-san se separar de mim e se casar com o patriarca a minha pensão será de quanto?

Após aquela pergunta era impossível para o Shigure continuar se segurando e ele é o primeiro a soltar uma tremenda gargalhada, a mãe da Rin foi a segunda, e depois foi impossível ver a ordem de quem tinha começado a rir, pois todos os presentes já estavam rindo.

-AH....AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!

Após dar aquele estrondoso grito a mulher se levanta e sai da sala deixando todos rindo ainda mais.

#Maldita família Sohma. Mil vezes maldita!! Todos nesse clã são amaldiçoados.#

-A reunião já acabou Shinsen-san?!

A mãe do Yuki e do Ayame passa ao lado da Yoko deixando bem claro que tinha escutado a pergunta e que a tinha ignorado mesmo.

#Essa sim tem a pose da esposa que sonhei para o meu filho. #

A velha governanta volta a caminhar lentamente pelo longo corredor e vai para o seu quarto.

by DonaKyon

20/11/2009

164


Hatori e Kazuma olham para o Ayame, realmente era quase impossível que pelo menos um deles não soubesse de tal carta.

-Alguém está mentindo!

A voz de Shigure era repleta de acusação e todos olham espantados para o escritor.
-Mas por que mentiriam sobre isso, Guretti?

-Porque tem alguma coisa por trás dessa carta. Kazuma-san, o senhor contou a Yoko-san como ficou sabendo da carta?

-Não, Shigure. Apenas lhe perguntei se ela sabia onde estava a carta.

-Então não lhe faça mais nenhuma pergunta sobre isso. E vamos ver como ela irá reagir.

-Guretti, você acha que a Yoko-san está mentindo?

-Tenho quase certeza que sim.

-E agora nem poderemos perguntar a Akito sobre isso.

Shigure olha para o Hatori com um pequeno sorriso nos lábios, sem perceber o médico tinha falado o nome do patriarca de uma maneira muito mais leve.
Uma das empregadas bate na porta para visar ao novo patriarca que todos já estavam o esperando no local da reunião.

-Boa sorte, Kazuma-san. E nos desculpe por deixar essa ingrata missão em suas mãos.

-Não se preocupe Hatori.

Kazuma sai na frente sendo seguido pelos três possuídos.

Apenas um grupo é que faziam parte das reuniões dos Sohmas, e nelas participavam as famílias de todos os possuídos e mais algumas de “fora” que nada sabiam sobre a maldição, portanto, nem uma palavra sobre aquele assunto era dada durante essas reuniões.

Assim que Kazuma entra na sala todos ficam em silêncio, e o professor recebe olhares de raiva e ódio de boa parte das famílias dos possuídos. Os três amaldiçoados se sentam no local reservados para eles, bem como Kazuma, que se senta no local que sempre tinha sido ocupado pela Yoko.

-Muito obrigado por terem vindo. Serei bem breve para não ocupar o tempo dos senhores. Devido a um problema de saúde o nosso patriarca precisará se afastar por alguns dias de suas funções e me deixou responsável pelo clã até o seu retorno.

Imediatamente vários múrmuros tomam conta da sala.

-Mas por que foi o senhor a pessoa escolhida para ficar no lugar de Akito-sama? A minha família é a que tem um status mais privilegiado dentro do clã. O meu marido é quem deveria ser o indicado.

Ayame e Shigure precisam se segurar para não rirem, Shinsen, a mãe do Ayame e do Yuki, havia falado exatamente o que eles imaginaram.

-Infelizmente eu também não sei os motivos do Akito-sama. Apenas recebi uma carta do patriarca com a sua decisão. Aqueles que não acreditarem em minhas palavras poderão ler a carta que está aqui em minhas mãos.

-Creio que não será necessário. Se essa foi a decisão de Akito-sama temos que acatá-la.

O pai do Momiji é o primeiro a manifestar o seu apoio e respeito pelo novo patriarca, inclinando a sua cabeça, logo esse gesto vai sendo copiado pelos demais, mas os pais do Ayame e da Rin foram os últimos a fazerem.

Era visível que aquelas duas famílias foram as que menos haviam gostado daquela decisão. Não conseguiam aceitar que justamente o neto do antigo possuído pelo gato e o pai adotivo do atual gato fosse a pessoa escolhida pelo kamisama para ficar em seu lugar.

-E onde está o Akito-sama, Hatori-kun?

O pai do Shigure finalmente faz a pergunta que todos queriam fazer.

-Está em repouso numa das nossas propriedades. O patriarca me proibido de revelar onde ele está.

Os familiares dos possuídos sabiam que não adiantava perguntar mais nada ao médico.

-Se não tiverem mais nenhuma pergunta a nossa reunião acabou.

-Kazuma-sama, eu gostaria de lhe pedir a sua autorização para que o Momiji-kun possa ensinar violino a minha filha Momo.

Os pais dos amaldiçoados olham diretamente para Elisa, o que a deixa bem constrangida. Era impossível para a mulher decifrar o que aqueles olhares queriam lhe dizer.

-Tem a minha permissão, Shirou-san.

Os pais do possuído pelo coelho se inclinam em agradecimento.

-Essa daí é que se deu bem. Nem se lembra que pariu uma aberração, mas tem o direito de receber a mesma quantia que você.

Shinsen fala baixinho para a mãe de Rin que estava sentada ao seu lado.

-Ás vezes, tenho vontade de fazer o mesmo que a Elisa-san fez. Eu imagino o sofrimento que a Shinsen-san sente por ter parido duas aberrações.

-Pelo menos um deles é o possuído do rato, o que me rende uma “mesada” muito maior que a de vocês.

A mãe do Yuki e de Ayame olha para a mulher cheia de superioridade, e a mãe da Rin vira o rosto e volta a olhar para frente.

-Será que o Kazuma-sama poderia conceder uma parte do seu tempo a algumas das famílias que estão aqui?

O pai do Shigure é novamente o porta-voz dos demais, e era evidente que aquelas “algumas famílias” eram os pais dos possuídos.

-Creio que isso poderá ser feito outro dia, meu querido papai. O Kazuma-sama não poderá tratar sobre esse assunto agora.

Shigure sente que está sendo fuzilado pelos olhares dos seus pais naquele momento.

-Garanto aos senhores que essa situação será por pouco tempo. Em breve o nosso patriarca estará de volta.

Kazuma se levanta e todos os presentes inclinam a cabeça em sinal de respeito à função que ele está ocupando, o professor saí da sala, deixando todos os Sohmas com suas cabeças abaixadas, uma vez que só poderiam a levantar quando o patriarca não estivesse mais na sala.

#Ufa, foi mais difícil do que a final de uma competição. Ainda estou tremendo por dentro. Pobre daquela garota que vive essa pressão há tantos anos. Ninguém faz idéia do peso que esse cargo tem. Acredito que agora entendo um pouco mais as razões do patriarca ter aquela personalidade.#

Kazuma retornava a biblioteca para separar os documentos que seriam enviados ao Megumi-kun.

by DonaKyon

17/11/2009

163


-A senhora pode me solicitar um chaveiro?

-Certamente que sim. Providenciarei agora mesmo. Ah, Kazuma-san, eu tomei a liberdade para enviar uma jovem empregada para o Dojo. Akito-sama não queria que ela trabalhasse aqui dentro da sede, mas a jovem deseja ficar por perto de sua mãe. O senhor tem alguma objeção?

-Nenhuma. Muito obrigado.

A mulher sai da biblioteca sentindo ainda mais raiva do que antes.

#Aquela idiota da Akito precisa voltar. Acredito que ele só sairá dessa forma. Ainda não posso revelar que quem deveria ficar como patriarca é o possuído do rato. O meu sobrinho tem razão, se a Eiko-san tivesse parido o rato, tudo estaria resolvido. Akito-san perderia o direito como o patriarca por não ser homem, e por ter o meu sangue, já que seria o filho do meu sobrinho, a linhagem direita dos patriarcas continuaria, mesmo o rato, não sendo o filho do meu filho.#

O salão que estava reservado para a reunião já estava com tudo quase preparado. As duas longas fileiras de almofadas já estavam dispostas em seus devidos lugares. Na hora da reunião todos ficariam sentados um de frente para o outro em seus lugares já previamente determinados, na frente das duas fileiras ficavam a almofada de Akito e ao seu lado direito outra de menor tamanho, que era sempre ocupada pela velha governanta. Yoko olha para verificar se faltava alguma coisa.

-Tirem o local reservado ao patriarca.

-Mas o Kazuma-sama não é o patriarca?

-Não. Esse local pertence ao Akito-sama.

As duas empregadas retiram a pesada almofada onde o patriarca se sentava naquelas ocasiões.

#Eu me recuso a participar dessa palhaçada.#

A governanta ao sair do salão encontra com os três possuídos.

-É claro que vocês seriam os primeiros a chegarem. Aposto que estão adorando o fato do Kamisama estar longe da sede.

-Estamos tão preocupados com a saúde de Akito-san quanto o senhora.

Shigure responde a governanta colocando realmente um tom de preocupação em sua voz.

-Hatori-san, eu exijo saber onde é que Akito-sama está.

-Já falei para a senhora. Foi o próprio patriarca que me proibiu de dizer onde ele está.
#Se isso for verdade, eles nunca irão falar. Esses monstros são incapazes de contrariarem ao kamisama deles.#

A governanta passa por eles sem dizer mais nenhuma palavra.

-Nossa, ela está uma fera mesmo. – Shigure olha com certa desconfiança para a velha mulher.

Os possuídos vão até a biblioteca e encontram o Kazuma no meio de vários papeis antigos.

-O Kazuma-san encontrou algo?

-Ainda não. Mas já descobri que precisaremos de um tradutor de chinês antigo.

-O que é natural, afinal a lenda dos doze signos surgiu na China.

Shigure pega alguns dos papeis para ver, mesmo sem entender muito do que estava escrito a sua curiosidade falava mais alto.

-Shigure, como está Akito-san?

-Está bem.

-Eu gostaria que levasse algumas coisas para o Megumi-kun. Peça ao Kyo para entregar a Saki.

-Pode me entregar que levarei sim.

-O professor Kazuma acredita que a nossa maldição possa ser desfeita?

-Sinceramente acho muito difícil, mas acredito que devemos tentar.

-Vocês não estão achando a velha Yoko ainda mais estranha do que o normal?

-Mas isso não é normal já que ela está preocupada com Akito-san?

-Ayame, o Shigure tem razão. Ela não está apenas preocupada, me parece que ela está um pouco amedrontada também, e tenho quase certeza que esse medo está relacionado ao fato do Kazuma-san estar aqui na mansão.

-Também acredito nisso Haa-san. Como falei ontem, essa velha deve saber de muitos outros segredos dos Sohmas.

-Mas a Yoko-san não sabia da carta da Eiko-san, disse-me que o Higuchi-san lhe afirmou que a esposa não deixou nenhuma carta.

-Será que essa carta existiu mesmo? Afinal Akito-san poderia ter inventado isso para o Yuki, com o objetivo de lhe torturar.

-Algo me diz que não, Aaya. Essa carta existiu sim.

-Mas como ela pode ter existido sem que o pai do Kyo ou a Yoko-san soubessem dela?

by DonaKyon

15/11/2009

162


- Só ela percebeu a minha solidão. A Ren foi a única... A Ren chorou por mim..

-Se..senhor Akira.... Não se deixe iludir por essa.... Não a deixe enganá-lo, senhor.... Akira-sama!


#Eu também chorava por você, Akira-sama. Eu ainda choro por você, meu filho. #

A velha governanta entrava com lentos passos na mansão, aquele lugar que era o seu lar a mais de sessenta anos. Yoko não conhecia o mundo de fora, para ela simplesmente não existia um mundo fora da sede dos Sohmas. Ela conhecia cada canto daquela mansão, e sabia de todos os segredos do clã dos Sohmas.

#A maldita Ren não sabia qual era o seu lugar. Se Akira-sama a desejava, bastasse que se deitasse com ele. Essa era a nossa função, foi assim comigo também. Mas eu sabia que não estava altura de ser a esposa do patriarca. Mesmo eu sendo a mãe do seu único filho, eu sabia que nunca poderia desejar o posto de esposa do patriarca.#

A mulher entra em seu quarto e fecha a porta. O ambiente era tão luxuoso como as partes principais da casa. Ela caminha até o armário e tira uma caixa com vários objetos dos dois antigos patriarcas dos Sohmas, do pai e do avô de Akito.

#A Ren não aceitou ser apenas a sombra do meu Akira-sama, para ela isso era muito pouco. Aquela mulher suja desejou ser a sua esposa. Ela se casou com ele, mas ela não foi capaz de lhe gerar um filho homem como eu fiz. Eu gerei a continuidade para o meu amado patriarca. Eu fui a única que lhe gerou um filho homem, nem mesmo a sua esposa legítima conseguiu isso. Mesmo tendo parido um filho com uma saúde tão fraca, o meu Akira-sama era tão belo, como o amor que eu sentia pelo seu pai. Já aquela desgraçada pariu uma mulher. Não lhe bastava ter desonrado a vida do meu Akira-sama ao se casar com ele, ela ainda conseguiu acabar com longa linhagem de descendentes diretos dos patriarcas. Eu odeio aquelas duas. Odeio a mãe e a filha. Eu só morrerei depois que enlouquecer as duas.#

Yoko retira da caixa a única foto que tinha dos três juntos, tirada no dia em que Akira tinha completado 4 anos e alguns dias antes de seu amado Akio-sama morrer.

#Eu imaginei um futuro tão bonito para o meu filho. Eu sabia que ele ia morrer cedo, mas queria que ele tivesse se casado com uma mulher a sua altura, que tivesse um filho homem para ser o próximo patriarca e que eu cuidaria do meu neto como não consegui cuidar do meu filho.#

-Yoko-san, o Kazuma-sama está lhe chamando lá na biblioteca

#Tenho que tirá-lo daqui logo. Se continuar aqui na mansão ele saberá de tudo. Ninguém pode saber que o Akira-sama era filho de uma empregada como eu. Esse segredo será levado ao túmulo comigo, assim como foi com o meu amado e com a sua esposa.#

A governanta guarda a caixa e vai até a biblioteca.

-O que deseja, Kazuma-san?

-A senhora tem a chave dessa parte do armário?

-É o Akito-sama quem as guarda.

-Então terei que chamar a um chaveiro....

-O senhor não acha que isso seria um pouco abusivo?

-Quando o Akito-san retornar, tenho certeza que o patriarca irá aprovar todas as minhas ações.

A mulher olha em sua volta e vê que tudo estava revirado.

#Não deve estar apenas atrás da carta da Eiko-san.#

-O possuído pelo gato irá entrar na sede?

-Não. Vou poupar o meu filho desse ar tão pesado.

-Quem lhe vê falando assim, até pensa que realmente é o seu pai.

-Ainda bem que poucos se recordam que ele é filho do Higuchi-san.

-De fato! Essa foi a maior desgraça que aconteceu a minha família. O senhor que é da família do antigo possuído pelo gato, sabe muito bem o que isso significa dentro do clã.

-Será que o seu sobrinho não sabe de nada da carta da Eiko-san?

-Não! Estive a pouco em sua casa para lhe perguntar isso. O Higuchi-kun me afirmou que a sua falecida esposa não deixou carta alguma.

by DonaKyon