20/06/2009

97


#Mas por que será que não me sinto assim com o Haru? Eu sempre gostei dele. Ele e a Kagura eram os únicos dos possuídos que se aproximavam de mim... A gente treinava juntos, viajava juntos... Mas por que que agora eu não consigo sentir nada quando eu o beijo?#

-Kyo?!

O garoto o olha desejando encontrar aquela resposta em seu olhar, porém, não a encontra.

Shigure que estava indo se deitar naquela hora bem avançada da madrugada, ao passar diante do quarto do garoto, vê que a luz estava acessa e escuta as vozes dos garotos.

TOC TOC

-Posso entrar meninos?

Nunca em toda a sua vida, Kyo tinha se sentido tão feliz por ouvir a voz do Shigure. Ele queria acabar logo com aquela conversa, não queria ainda entender quais eram de fato os seus sentimentos pelo primo.

-Entra.

O possuído abre a porta aos poucos e espiar como se não tivesse se anunciado antes, encontrando os dois garotos parados em pé no meio do quarto e com uma cara de poucos amigos.

-Não acham que está na hora de dormir? Essas coisas ficam melhor quando podemos ficar até mais tarde na cama depois no outro dia.

-Eu concordo com o sensei. Mas às vezes uma rapidinha é bem bacana também.

-Do que estão falando?

-Hahahahaha.... Pelo visto terá muito trabalho com esse gato lesado, heim Haa-kun.

-Nem me diga sensei. Ele ainda nem sabe beijar direito.

Só então Kyo percebe sobre o que eles estavam falando e fica duplamente vermelho, uma por causa da vergonha que estava sentindo devido ao assunto que eles estavam falando tão abertamente, e a outra por causa da raiva que estava devido ao comentário do seu beijo.

-A CULPA É SUA HARU. A HANAJIMA GOSTA MUITO DO MEU BEIJO!

Aquilo tinha caído como se fosse uma bomba nos ouvidos do Haru, e Shigure percebe o instante em que o garoto tinha ficado na sua forma black e sai de fininho do quarto.

#Boa sorte Kyon-Kyon! Quem mandou ser um gato tão burro. Eu é que não fico aqui senão vai sobrar para mim também... hohohoho...#

#Ops! O que foi que eu fiz?? Deveria ter ficado com a boca fechada! Agora esse boi lesado está na sua forma mala máxima.#

Haru passa a mão nos cabelos brancos colocando-os para trás enquanto olhava cheio de raiva para o Kyo, que engolia a seco sem saber o que fazer naquele instante.

-Quer dizer que o bichano já beijou aquelazinha.

-Já falei que ela tem nome!

-O bichano é muito mais burro do que imaginei. Ainda se atreve à uma hora dessas defender aquelazinha?

Kyo fechava a mão direita com força. Sentia uma enorme vontade de gritar com o Haru, mas devido ao horário da madrugada ele se segurava ao máximo para não fazê-lo. Haru avança rapidamente sem dar tempo de o garoto dar um passo para trás, segurando-o pela gola da camiseta preta que ele usava para dormir.

-Talvez o bichano goste mais de me beijar na minha forma black... Cê leva jeito de que gosta de umas coisas mais hard....

Haru tenta beijar o gato pela terceira vez, desejando que aquele beijo fosse retribuído com os mesmos sentimentos, mas assim que começa a forçar o Kyo para que esse abrisse a boca para beijá-lo de verdade, o possuído percebe que era inútil. Ele abre os olhos e vê que o garoto estava com os olhos abertos e com um olhar de raiva para ele. Haru afasta os seus lábios dos dele e o empurra com força o jogando no chão.

-Não dá Haru! Eu não consigo sentir nada quando te beijo.

-ENTÃO O BICHANO NÃO GOSTA DE MIM?

-Gosto, mas não dessa forma. Eu não gosto de você desejando te beijar....

Haru avança e volta a segura-lo pela gola da blusa, com o garoto ainda sentado no chão.

-E PORQUE ME BEIJOU NAQUELE DIA?

-... eu não sei....

O possuído pelo boi não consegue se segurar ao ouvir aquilo. Logo o seu primeiro beijo em um homem tinha sido roubado de uma maneira idiota. Sentindo muita raiva e revolta ele dá um forte soco no rosto do Kyo, mas ao contrário do que imaginava, o gato não revida o soco de volta, e fica com o rosto machucado virado de lado.

-..... foi por isso.... Eu me senti mal naquela hora que te soquei.... aquela foi a primeira vez que te soquei sem que a gente estivesse treinando... eu me senti mal por causa daquilo.... e sem pensar acabei te beijando...

-Quanta idiotice numa pessoa só!

Haru solta com muita violência à gola do Kyo, fazendo com que o garoto batesse a cabeça no chão. O possuído sai de cima do primo, mas se mantem em pé na sua frente.

-Então o bichano me beijou por pena! Hunf... E ainda se acha no direito de falar sobre o Yuki?

-Eu reconheço.... A ratazana maldita gosta de você....

-Você está errado! O Yuki na verdade não gosta de mim! Ele me ama!!

Kyo começa a se levantar do chão enquanto ia falando e fica parado na frente do Haru.

-É... Ele deve mesmo te amar!

-Não vai me dizer...... Por um acaso cê se sente dessa mesma forma com aquelazinha?

Kyo ao ouvir o “aquelazinha”, pela terceira vez naquela noite, olha fixamente para o Haru e lhe fala com um tom muito mais sério em sua voz.

-Já falei que o nome dela é Hanajima!

#Ele tá mesmo gostando dela! É por isso que ele a defende tanto. É por isso que ele não sente nada quando me beija. Maldita garota. O que será que fez para ele começar a gostar de você?#

Haru fecha a mão com muita força e se segurava para não socar o Kyo mais uma vez.

-Eu ainda não desisti de você.

O possuído pelo boi passa ao lado do Kyo e sai do quarto, deixando-o um pouco mais aliviado.

#Não deu! Eu não consegui sentir nada... Eu não gosto do Haru a esse ponto. Assim como nunca tive esse sentimento pela Kagura para imaginá-la como uma namorada. Descobri que gosto dos dois, mais até do Haru, mas não com esses sentimentos. Gosto muito dele, mas não consigo sentir nada quando o beijo.#

by DonaKyon

17/06/2009

96


Kyo olhava para o rato de uma maneira surpresa mais também com um pouco de raiva.

-Você é o rato! Você é aquele que só pensa em você mesmo! Como é que pode falar que gosta do Haru?

-Falo por que gosto.

Kyo avança e segura o garoto pela gola do pijama.

-VOCÊ ESTÁ MENTINDO! VOCÊ NÃO GOSTA DELE.

-E VOCÊ? GOSTA? FALA BEM ALTO QUE VOCÊ GOSTA DELE!

Kyo abre a boca, mas as palavras não saem de sua boca. Por mais que o garoto se esforce aquela frase não saia de seus lábios. Já sem paciência ele solta o garoto e o empurra para o lado.

-... Eu não vou falar isso na sua frente, sua ratazana maldita.

-Então vamos até o seu quarto e me fala.

Kyo não sabia o que fazer. Estava entre a cruz e a espada. Se falasse para o Hatsuharu não ir para o seu quarto, ele iria para o quarto do Yuki, e mesmo sem pensar no que estava fazendo ele começa a descer as escadas.

-Venha logo!

Haru não consegue evitar e abre um pequeno sorriso e passa ao lado do Yuki para descer as escadas.

-Não vá.

Yuki segura em sua blusa e o garoto para de caminhar.

-Eu preciso ir.

-Por quê? Eu já não falei que gosto de você?

Haru olha para o Yuki e segura em sua mão que ainda prendia a sua blusa.

-Eu te amo Yuki..... Mas preciso ir.

O possuído pelo espírito do boi lentamente solta a mão do possuído do rato. Yuki sentia uma enorme vontade de gritar implorando para que ele não fosse atrás do Kyo. Queria abraçá-lo bem forte em seus braços desejando que esses se tornassem uma eterna prisão para o Haru, mas sabia que nada disso adiantava. O garoto se ajoelha no chão tendo se segurando ao máximo para não começar a chorar.

#Não adianta! Nada do que eu fizer agora irá parar o Haru. Ele nunca ficará só comigo..... Eu nunca serei suficiente para ele.... O meu amor por ele não é tão forte como eu queria.... Só o meu amor não lhe basta.#

Yuki fechava com forças as mãos, sofrendo por se sentir tão inseguro e fraco. Não queria voltar para o seu quarto naquele momento, tudo o que desejava era que aquela noite logo terminasse.

Kyo já estava no quarto e esperava o primo entrar para fechar a porta. Haru passa por ele com as mãos no bolso e vai se sentar na cama do possuído. A atmosfera naquele quarto estava muito longe de ser um clima romântico, parecia mais que os dois estavam prestes a lutar.

-Pronto, agora pode me dizer. O Yuki não está aqui.

Kyo se mantinha ainda parado ao lado da porta.

-Você realmente acredita que ele gosta de você?

Haru se levanta aproximando-se do primo, deixando-o imprensado entre a porta fechada e o boi, e segura delicadamente o seu queixo olhando-o fixamente em seus olhos. Durante alguns segundos os dois ficam se olhando, mas no momento em que o Haru aproxima os seus lábios do gato, o garoto vira o rosto.

-Está recusando o meu beijo?

Kyo o empurra para trás conseguindo assim espaço para caminhar e vai até o meio do quarto, enquanto que o Haru se encosta-se à porta olhando para o primo.

-Haru, você não me respondeu.

-Eu acredito sim que o Yuki gosta muito de mim.... Ele nunca recusou um beijo meu.

-Hunnfff.... Isso por que ele é um sem vergonha desgraçado. Para ele um beijo não é nada.

-Para você é? O que sentiu quando me beijou naquele dia?

-Ora Haru... Não me faça esse tipo de pergunta.

-Por que não? Quer que eu fale como o Yuki fica quando ele me beija? Ele me beija como se a sua vida depende-se daquele beijo. Esquece tudo o que está em volta. Faz tudo para me deixar feliz com um simples beijo. É com esse sentimento que ele me beija.

Kyo arregala os olhos ao ver o Haru falando daquela maneira do beijo do Yuki, e fecha fortemente as mãos e engole a seco.

#Eu nunca senti isso beijando o Haru... Mas esses sentimentos estão muito próximos do que eu sinto quando beijo a Hanajima.#

Haru caminha até o gato e fica lhe observando ao mesmo tempo em que desejava saber a respeito do que o garoto estava pensando.

by DonaKyon

14/06/2009

95


Kyo estava deitado em cima do telhado e tinha a alma tão agitada que nem se importava com o gelado vento que soprava naquela noite de inverno. Olhava fixamente para as estrelas que estavam paradas na frente de sua vista, como se estivesse procurando por uma resposta. Não eram poucas as suas duvidas e a confusão que sentia com relação aos seus sentimentos era enorme.


-Se prepare. Virei te visitar de madrugada!


Ao se lembrar do Haru, Kyo deita-se de lado, e passa a olhar as folhas da grande árvore que estava plantada ao lado da casa e que dançavam ao sabor do vento. O gato tinha fugido do possível encontro. Seu coração batia de uma maneira irregular. Quando se lembrava do Haru, do segundo beijo que tinha lhe dado, ou dele lhe falando que iria lhe visitar a noite no quarto seus sentimentos eram agitados, doloridos, confusos. Mas quando se lembrava da Hanajima soltando os cabelos, do beijo que tinha lhe dado na rua, da garota desesperada por ele está lendo os seus pensamentos sentia que o seu coração batia ainda mais agitado, confuso, mas também um pouco mais leve.

-Sabia que ia estar aqui.

Kyo já sabia de quem era aquela voz. Seu coração batia mais rápido devido ao susto, mas o possuído não se vira e se mantem de costas para a escadinha que levava até o telhado. Haru sente um pouco de decepção ao ver aquela reação no primo, mas mesmo assim ele caminha até ele e se senta ao seu lado.

-O Yuki está lá no quarto dele.... com a luz acessa....

-E?

-E você fugiu!

-.....

Haru tinha falado aquilo tentando provocar o gato. Mas ao ver que ele ainda se mantinha de costas sem esboçar a menor reação a sua provocação faz com que o possuído comece a sentir o seu sangue ferver.

-Por que não me esperou no quarto?

-... achei que você ia se perder antes de chegar por lá....

Haru fecha as mãos com forças. Escutar aquela provocação tinha esquentado o seu sangue uma pouco mais, porém ele ainda conseguia se controlar.

-Vamos até o seu quarto.

Kyo estava com os olhos ainda mais arregalados agora. Mantinha-se na mesma posição, mas já estava começando a tremer e não era de frio. Ele sabia exatamente o porquê que não tinha ficado no quarto esperando o Haru, ele não queria ter que beijar o garoto pela terceira vez e muito menos fazer isso e aquilo com o garoto.

#Por que que ele não está agindo como o Yuki?#

Haru se deita ao lado do gato e o abraça pelas costas. Sentir aquela aproximação cheia de segundas intenções faz com que o gato se levante rapidamente e fica de pé olhando para o primo deitado no chão e que lhe olhava de uma maneira mais séria agora.

-É... é melhor a gente ir dormir... temos aula amanhã cedo...

Kyo vira-se e começa a caminhar em direção da escada, mas é impedido pelo Haru antes de chegar até ela. O possuído pelo espírito do boi o abraça com muita força e um pouco de desespero.

-Acha que irei te deixar ir tão fácil assim?

-... me solta Haru.

Kyo puxa as mãos do garoto, soltando-se de seus braços e volta a caminhar.

-Então eu vou para o quarto do Yuki.

-NÃO!

O gato não consegue escutar aquilo de uma forma tão indiferente e Haru sente um pouco mais de raiva do Kyo e fica na sua forma black.

-Eu não entendo o bichano. Ele não quer ficar comigo, mas não quer que eu fique com o Yuki.

-Ele está fazendo isso só para me provocar. Aquela ratazana maldita não gosta de você, ele está fazendo isso sem pensar no que você sente por ele.

-ISSO NÃO É VERDADE. EU GOSTO MUITO DO HARU!

Yuki não conseguia mais se manter em silêncio escondido na escada e estava agora a poucos passos do Kyo.

-VOCÊ NÃO GOSTA DE NINGUÉM, SUA RATAZANA MALDITA.

-E VOCÊ GOSTA? EU FIQUEI LÁ NO QUARTO ESPERANDO POR ELE, MAS E VOCÊ? VOCÊ PREFERIU FUGIR.

Haru não estava mais na sua forma black, assim que tinha visto o Yuki gritando que gostava dele, havia voltado ao normal. Seu coração batia acelerado, não podia imaginar que o Yuki fosse falar tão rápido e tão alto como falou que gostava dele.

by DonaKyon

13/06/2009

94


Akito começa a se lembrar daquela que tinha sido a única que tinha lhe dado um pouco de afeto após o falecimento do antigo patriarca. Aquela empregada que cuidava com tanto carinho e dedicação dela quando era criança e que acabou deixando a sede quando se apaixonou por um Sohma e se casou com ele. Aquela Eiko-san que depois deu a luz ao pior dos possuídos, ao mais maldito de todos, ao garoto possuído pelo espírito do gato.

Ao se lembrar de Kyo, Akito sente seu estômago revirar. Ela ainda se lembrava do terrível cheiro do possuído na sua verdadeira forma quando se lembrava do colegial. Aquele fedor que mesmo depois de tantos anos continuava a embrulhar o seu estômago.

#Por que justamente ela tinha que ter dado a luz aquele monstro? A pessoa mais doce e gentil que conheci na vida não merecia ter dado a luz aquilo. Eu o odeio por ser o gato e mais ainda por ter tirado de mim a única pessoa que me deu um pouco de amor e afeto quando eu era criança.#

Hatori sabia que Akito estava pensando em algo muito doloroso. Certamente ela estaria se lembrando da sua antiga Eiko-san. O médico sabia um pouco da dor que o patriarca tinha sofrido quando a empregada deixou a sede para se casar, e depois da tristeza que ela sentiu quando a mulher se matou alguns anos depois. O único que tinha conseguido consolar um pouco a triste criança tinha sido o Shigure.

-Hatori, porque será que eu só consegui levar tristeza para aqueles que me amaram? Foi assim com o meu pai... foi assim com ela....

O médico que até então estava sentado na frente de Akito, muda de lugar e passa a se sentar ao seu lado.

-Mas Akito-san não podia ter feito nada. A culpa não foi sua.

-Às vezes acho que sou o mais amaldiçoado dos possuídos. Parece que o destino gosta de punir todos aqueles que ousam me amar..... A minha punição por ser o kamisama é morrer na solidão.

Akito apóia o braço direito no kotatsu e depois esconde o rosto no braço. Ela não queria que o médico a visse chorando.

-Todos nós podemos mudar o nosso destino. Lute para mudar o seu karma. Lute para não morrer na solidão.

-Eu não consigo mais... Não tenho mais força.... Sempre que começo a lutar o destino me dá um duro golpe... Sinto como se estivesse toda ferida no chão.... completamente sozinha e ferida...

Hatori não consegue se controlar ao escutar aquele choro tão abafado e triste, ele se levanta e a abraça pelas costas.

-Não tenha mais medo, Akito-san. Você não está mais sozinha. Agora eu estou ao seu lado......

O coração de Akito batia tão acelerado que ela já nem conseguia chorar. Sentir o calor do corpo do médico fazia com que todo o seu corpo ficasse um pouco aquecido.

-.... Eu não quero que fique ao meu lado.... não quero mais..... não quero que você fique por obrigação ao meu lado.....

Hatori a segura um pouco mais forte em seus braços, se inclina um pouco e lhe fala em seu ouvido.

-Eu estou aqui agora porque eu quis ficar ao seu lado. Eu não quero mais que você fique sozinha.

Akito ao escutar aquilo volta a chorar. A última vez que ela tinha escutado palavras com aqueles sentimentos tinha sido do Shigure, quando ele falou que gostava dela.

-... Por quê? Por que não quer me deixar sozinha?

Hatori fecha os olhos e fica em silêncio, mas Akito podia sentir que o seu coração estava batendo mais forte agora.

#Eu acabei de perceber algo que não queria ter percebido. Eu percebi que você é uma linda e solitária mulher.#

by DonaKyon

11/06/2009

93


A voz do patriarca vindo por detrás faz com que o médico sinta as suas pernas um pouco trêmulas e o seu coração bate mais rápido, mas o médico acreditou que isso era uma conseqüência direta do susto provocado pela voz de Akito.

-Apenas comentei por que isso não é muito comum.

-Eu sei que para vocês eu devo ser um ser que não possui qualquer sentimento, mas isso não é verdade.

Akito se sentia muito incomodada pelo comentário do médico. Agora estava mais claro do que nunca que o médico nunca iria imaginar que ela fosse apaixonada por ele.

#Para ele eu devo ser uma pessoa sem coração. Ele não consegue nem ao menos imaginar que eu posso gostar de uma pessoa.#

-Eu sei que possui vários sentimentos dentro de você. Ela está bem. Não é nada grave.

O patriarca se sente pouco aliviada com a notícia, vira as costas e começa a caminhar de volta para o seu quarto. Hatori ainda permanece parado apenas a observando.

#Por que que isso tinha que acontecer justamente agora? Parece que o destino gosta de me desafiar mesmo. Quando tinha me decidido a mudar, a tentar fazer de tudo para fazer o Hatori feliz, a tristeza e a solidão estão voltando a dominar o meu coração. É melhor parar com isso agora mesmo.#

Akito para de caminhar e fala com a Yoko sem olhar para trás.

-Quando essa empregada melhorar pode mandá-la para trabalhar em outro lugar. Mande-a para uma das residências dos Sohmas do interior.

#Eu sabia que ela ia fazer isso... Akito gosta de tirar de suas vistas tudo aquilo que a ameaça........ Eu não sabia que a conhecia tão bem assim.... Sempre achei que nenhum dos possuídos tinha o direito de tentar entender o kamisama. #

Akito volta a caminhar pelo longo corredor, deixando o médico parado na porta do quarto da empregada. Tudo o que ela não queria naquele momento era ficar sozinha, mas havia se prometido que para o Hatori ela não iria mais impor a sua vontade, que pelo menos ele, ficaria um pouco livre de sua tirania.

-Akito-san......

A voz do médico faz com que o coração de Akito pare de bater por alguns instantes. Ela para de caminhar, mas não olha para trás.

-...posso tomar uma xícara de chá com o senhor patriarca?

A garota sente um pequeno ponto luminoso em seu coração, mas ainda era tão fraca como a luz de uma pequena vela. O sentimento de esperança era para a Akito o pior dos sentimentos.

-.... faça o que quiser....

O tom da resposta de Akito era ao mesmo tempo de medo e de desespero. Tinha certeza que o médico voltaria para casa depois daquela resposta. Hatori sabia que ela não queria ficar sozinha naquele momento, mas ele fica por alguns segundos sem saber o que fazer, afinal pela primeira vez Akito tinha lhe dado realmente o poder da escolha. Sentia que aquela frase não era simplesmente uma frase vaga como ela já havia feito outras vezes.

-Yoko-san, traga as coisas para prepararmos um chá.

Aquela resposta de Hatori faz com que Akito sinta ao mesmo tempo mais amor pelo médico com também um pouco de ódio, pois aquela resposta aumentava ainda mais a sua esperança de ter algo que era impossível de possuir.

O patriarca volta a caminhar sem olhar para trás, mas sabia que o possuído caminhava atrás dela.

#Por que será que ele preferiu ficar comigo? Mesmo lhe dando a oportunidade de escolha, ele preferiu tomar o chá comigo...#

-Vai realmente mandar aquela empregada para outra casa?

Akito nada lhe responde, ela abre a porta do quarto e vai se sentar na kotatsu que estava ao lado da janela. Tudo o que ela não queria era lembrar-se da empregada que ela tinha se simpatizado, mas que nem sabia o seu nome. Havia se simpatizado com ela, simplesmente porque ela lembrava a Eiko-san.

by DonaKyon

07/06/2009

92


Hatori caminhava ainda mais pensativo à medida que ia se aproximando da mansão de Akito. Quando chega diante do caminho que levava diretamente a porta principal da casa, o médico para de caminhar. Ainda estava sob o efeito da bebida, o que o deixava um pouco mais aliviado, porque essa era a sua desculpa de que não era nada daquilo que ele tinha imaginado. Ele olha todas as janelas da mansão, sabia que as janelas do quarto do patriarca ficavam no fundo da casa, mas sente um pequeno frio na espinha ao imaginar que Akito poderia surgir a qualquer instante por detrás daquelas janelas e ele poderia lhe ver um pouco.

O médico tira a longa franja da frente do olho quase cego e fica com a mão em cima dele. Ainda podia sentir o caco de vidro do fino jarro entrando em seu olho esquerdo. Aquela sensação sempre havia lhe doído muito mais em sua alma do que no olho ferido. Graças aquele ferimento ele tinha perdido a única mulher que tinha amado em toda a sua vida. A mulher que o amava, e que o tinha aceitado mesmo ele sendo a aberração que era. Porém naquele instante, não era esse sofrimento que lhe vinha à mente, mas sim a dor de Akito, aquela dor que ele nunca imaginou que tinha sentindo e que ele descobriu há algumas semanas atrás, quando o patriarca tinha acordado desesperada de um pesadelo, no qual tinha sonhado que o tinha ferido gravemente.

O possuído senta-se na beirada de cimento de um dos lindos canteiros de flores que enfeitavam a frente da mansão principal da sede. O médico acende um cigarro e repara que aquelas eram as flores de tsubaki que Akito tanto gostava. Hatori fecha com força a mão esquerda. Não queria aceitar que aquilo fosse verdade.

#Não é isso. Eu pensei naquilo por causa da bebida. Eu bebi muito mais do que deveria com o Shigure. Onde já se viu imaginar que Akito poderia ter me ferido naquele dia por ser uma mulher. Não isso nunca! Ela nunca teria me ferido por causa de ciúmes feminino. Se fosse assim, isso significaria que ela gostava de mim, o que é totalmente impossível.#

Hatori estava longe em seus pensamentos e nem viu na hora que a governanta da casa se aproximou dele.

-Boa noite Doutor Hatori. Ainda bem que está aqui.

-O que aconteceu com Akito-san?

O médico já estava de pé, pronto para correr até o quarto do patriarca.

-Não é nada com o senhor patriarca. É uma das empregadas que não está se sentindo bem.

O coração do médico batia mais aliviado, por saber que não era nada com Akito.

-Como o senhor patriarca tem uma certa simpatia pela empregada, é por isso que achei melhor ir atrás do senhor ao invés de a mandar até um hospital.

-Akito-san se simpatizando por uma empregada?

-Sim.... Após tantos anos.

-Eu irei examiná-la.

O médico apaga o cigarro e acompanha a governanta para dentro da mansão. Tudo era de um absoluto silêncio, e poucas luzes estavam acessas. Sua vontade era de perguntar de Akito, mas ele não acha conveniente. O caminho até os quartos das empregadas não passava próximo do quarto de Akito, por isso o médico sabia que era muito baixa a possibilidade de se encontrar com o patriarca.

A mulher de uns 29 anos estava deitada em sua cama. O médico ao ver o rosto da jovem compreende o porquê que o patriarca tinha se simpatizado com aquela pessoa.

#Ela se parece muito com a mãe do Kyo.#

A empregada estava ardendo de febre, e pouco conseguia conversar com o médico, só falava que estava com dor no estômago. O médico a examina e lhe receita algo para aliviar a sua dor.

-Não é nada grave, acredito que amanhã já estará se sentindo melhor.

O médico olha novamente para a jovem e antes que ele fale alguma coisa, a governanta faz o comentário.

-Sim, ela lembra muito a Eiko-san.

-É por isso então que Akito-san se simpatizou com ela?

-Acha mesmo que não posso me simpatizar por ninguém, Hatori?

by DonaKyon

06/06/2009

91


Tohru demora uns segundos para entender o porquê que o gato estava mentindo, mas depois ela se lembra da ameaça do Haru de contar tudo sobre o Kyo e a Hanajima para o senhor patriarca.

-Simm... Ele te arrumou?

-Não. E cadê a nossa janta, sua lesada? Daqui a pouco não vai trabalhar? Vai me deixar sem comida, é?

-Não... É claro que não! O senhor se esqueceu de que eu mudei de trabalho?

-Eih Kyon-Kyon.... A Tohru-kun não é a nossa empregada para falar dessa maneira com ela. Olá Haru-kun.

-Boa noite Sensei.

Haru se levanta da cama e fica ao lado do Kyo, passando o braço ao redor do seu pescoço. O gato fica muito desconfortável com aquilo, ele não queria que a colegial visse aquelas atitudes entre eles, mas também não sabia muito bem a razão de querer tanto esconder aquilo.

#Por que tenho esse sentimento de que estou fazendo a coisa errada?#

-Eih Kyo, vai acabar ficando doente assim. Cuidado, por que acredito que o Haa-san não está em condições de dirigir até aqui essa noite.

O gato aproveita aquela desculpa e se afasta rapidamente de Haru pegando a primeira camiseta que vê na gaveta.

-Sensei, posso dormir aqui essa noite?

Kyo que estava vestindo a camiseta para com o objeto no pescoço e começa a suar um pouco frio.

#Por que ele quer dormir aqui essa noite?#

-Hummm..... Por mim pode sim. Mas irá dormir em qual quarto, no do Kyo ou no do Yuki?

Ao escutar aquela pergunta Kyo cai sentado no chão, e olha com os olhos arregalados para os três, seu coração estava muito acelerado, ele não sabia o que seria pior naquele momento, se era o Haru responder que queria dormir com o Yuki ou no seu quarto.

-Ah... sei lá.... não posso dormir no seu quarto, sensei?

-AHAHAHAHAHAHA..... Tinha que ser o Haa-kun mesmo.... AHAHAHAHAHAH..... Dependendo do motivo por que quer dormir no meu quarto, acho que o Ayaa-san não irá aprovar..... AHAHAHAH

-Eu irei preparar a janta para cinco agora mesmo.

A garota vai antes para o seu quarto para trocar de roupa e o Shigure caminha em direção do banheiro para tomar um banho no ôfuro. Haru caminha até o Kyo que ainda estava sentado no chão e se abaixa para falar em seu ouvido.

-Se prepare. Virei te visitar de madrugada!


O coração do garoto batia muito acelerado enquanto que o Hatsuharu calmamente caminhava para fora do quarto.

#Eu não posso acreditar. Ele não está pensando que eu irei deixar que ele entre no meu quarto.#

Kyo se levanta do chão e vai até a porta do seu quarto para espiar se o Haru tinha entrado no quarto do Yuki.

-Buuuu.... Sabia que ia fazer isso.

Haru estava escondido ao lado da porta e assim que o gato coloca a cara para fora para olhar o corredor ele aparece na sua frente. Kyo fica ao mesmo tempo um pouco envergonhado e muito nervoso, ele entra no quarto e fecha a porta com força.

#Hehehe... Ele tem ciúmes do Yuki. Isso quer dizer que eu posso estar errado. Tentarei mais uma vez essa madrugada.#

-O senhor está descendo?

-Não. Vou terminar a minha lição.

Haru entra no quarto do Yuki e o encontra ainda sentado na escrivaninha, aparentemente o garoto estava calmo, e parecia que tinha passado todo o tempo fazendo a sua tarefa escolar, mas na verdade, o possuído não tinha conseguiu fazer nenhuma conta, conjugar nenhum verbo, responder a nenhuma questão de história. Havia passado aqueles minutos com o coração na mão e morrendo de ciúmes do Haru com o Kyo.


by DonaKyon