17/04/2009

70


A colegial caminhava ainda olhando para as mãos dadas deles e depois olha no rosto do colega de classe.

-Eih, cabeça de laranja, isso não é cara de um namorado feliz. Quer melhorar essa cara! Cê está de mão dada com a minha amiga aqui.

-Essa é a única cara que tenho.

-Credo Hana-chan, o que te deu para ficar com essa mexirica ambulante? Ele mais parece um limão azedo.

-Arff..... Muitissimo bom dia Uo-chan.... Hana-chan... arfff.

Tohru chegava correndo atrás deles com o seu tradicional sorriso. E logo atrás dela chegava o Yuki. Kyo o olha como se o fosse fuzilar e depois vira a cara.

-Tohruzinho... não vai me disser que é a namorada do Príncipe aí.

-QUEEE???? NÃO. NÃO... É CLARO QUE NÃO. SOMOS APENAS AMIGOS. SÓ ISSO...

-Sim... sim... A Tohru-chan é apenas a amiga do Yuki-kun. Mas ela é a minha namorada, né... né.... Tohru-chan?!

-AHNNN??? Momi... Momiji-kun, bom dia.. O senhor já está aqui?

-Sim acabamos de chegar. Uauuu.... que colégio bonito. É a primeira vez que estou num colégio misto, mas a Tohru-chan pode ficar tranqüila que eu sou um coelhinho muito fiel.
Arisa fica curiosa sobre os dois garotos que estavam agora junto a eles. Hatsuharu para ao lado do Yuki, mas fica olhando para as mãos dadas do Kyo e da Hanajima.

-Uo-chan, esses são primos do Kyo e do Yuki-kun. Eles vão estudar em nosso colégio a partir de hoje. Momiji Sohma e Hatsuharu Sohma. Essa é a minha amiga Arisa Uotani.

Arisa percebe que o outro garoto olhava com um olhar um pouco de raiva para a Saki, mas logo se lembra que ele era o tal que gostava do Yuki, e que a Tohru tinha comentado.

-Prazer. Então temos mais Sohmas estudando em nossa escola?

-Se você é amiga da Tohru-chan, então será a minha amiga também, né né?

-E que história é essa do cê ser o namorado dela?? Bastou um final de semana para tudo isso acontecer? A Hana-chan de namoro com o ruivinho e agora a Tohru-chan com esse garotinho aí? Eih, vossa alteza, o que tinha na água daquelas termas, heim??

-Vamos embora Hanajima.

Kyo a puxa pela mão e começa a caminhar com ela ao seu lado.

-Então eles estão juntos mesmo!

Haru faz o comentário sem tirar os olhos de cima dos dois que entravam agora no colégio. Ainda não estava totalmente na sua forma black, mas uma palavrinha a mais sobre aquele assunto certamente o transformaria.

-É realmente de se espantar isso. Nunca imaginei o cabeça de mexirica e a Saki juntos. Mas até que fica um casal bem bacana. Ahhh, maneira essa sua tintura aí!!

-É o cabelo dele mesmo, Uotani-san.

-Verdade?? Puxa, jurava que era tintura. Mas o que tem nessa família para ter pessoas com os cabelos tão estranhos assim??

-Errr, não tem nada não, Uo-chan. Vamos entrar. Logo vai tocar o sinal. Até mais tarde, Momiji-kun, Hatsuharu-kun...

Tohru pega a amiga pelo braço e sai a puxando para dentro da escola deixando os três possuídos no meio do pátio.

-Ahahah, legal essa amiga da Tohru-chan...

-Cuidado Momiji. Não vá se transformar. As únicas que sabem da nossa maldição e a Tohru-chan e a Hanajima-san.

-Essa por enquanto!

Yuki olha espantado para o Haru. Escutar aquilo fez com que o seu coração ficasse um pouco dolorido.

#Então ele ainda pensa em entregá-la para o patriarca? Mesmo depois de tudo o que aconteceu entre a gente ontem, ele ainda está com raiva da Hanajima.#

-Não faz isso não, Haru-kun. Se o fizer a Tohru-chan ficará muito triste.

-E???

-Eu não quero que a minha namorada fique triste.

-Azar o seu.

-Momiji-kun, não adianta falar com ele agora. Falta muito pouco para ele virá o Black Haru.

-bleeee.....

Momiji mostra a língua para o Haru e caminha sozinho pelo resto do pátio e entra para procurar a sua nova sala. Os dois possuídos continuam parados no meio do pátio chamando a atenção de todos os outros alunos que estavam passando, era impossível não reparar naqueles dois garotos lindos.

-Quer dizer que aquilo não significou muito para você?

Haru olha para o Yuki. Seu olhar estava muito diferente do que tinha na tarde anterior, não olhava com raiva do Yuki, mas era evidente que ele estava muito irritado com aquele comentário.

-Significou muito sim, Yuki. Mas você sabe que eu gosto do Kyo também. Não vou mentir para você. Eu quero ficar com vocês dois para mim. Você porque eu amo, e ele porque eu gosto.

Haru joga a mochila em suas costas e começa a caminhar com as mãos nos bolsos deixando o Yuki completamente perdido e inseguro com os seus sentimentos.

by DonaKyon

16/04/2009

69


Kyo estava encostado na parede ao lado do portão principal do colégio. Sua fisionomia está inda mais enfezada do que a de costume. Tinha as duas sobrancelhas erguidas e a testa franzida. Havia saído de casa sem ao menos responder ao bom dia da Tohru. Sabia exatamente o que tinha acontecido entre o Yuki e o Haru, e aquilo o tinha deixado com muito mais ódio do rato. E para evitar uma briga na frente da garota ele saiu antes que o possuído acordasse.

Hanajima caminhava com a cabeça um pouco baixa. Estava pensativa por causa da conversa que tinha tido com a Tohru no dia anterior.

-Eih, garota psíquica.

A voz do Kyo ao mesmo tempo lhe traz de volta a realidade e faz com que o seu coração bata mais rápido. Kyo ainda com a cara fechada se afasta da parede e caminha até ela.

-Bom dia, Kyo...digo Kyon.

-Me dá.

Hanajima fica olhando para aquela mão estendida a sua frente esperando pela confirmação se ele realmente estava pedindo a mochila dela para carregar.

-Não me diga....

-Eu carrego! Não é isso que um namorado faz?

O garoto sem a menor paciência puxa a mochila de sua mão e a segura em suas costas juntamente com a dele.

-Sim. Mas não precisa fingir tão bem assim.

Kyo que já estava caminhando finge que não tinha escutado o comentário da garota. Não estava de bom humor aquela manhã para conversar. Hanajima começa a caminhar ficando bem próxima a ele, mas um pouco atrás.

-Ande do meu lado. Odeio que andem atrás de mim.

Saki dá um passo largo e fica ao seu lado.

-O que aconteceu?

-Voltou a sentir as minhas ondas?

-Não.

A colegial respondia um sem jeito aquela pergunta. Mesmo sem sentir as ondas do Kyo e sem ler os seus pensamentos havia percebido que ele estava muito irritado naquela manhã.

O possuído caminhava sem olhar para o lado e com passos pesados.

-Mas cê sacou o clima entre aqueles dois, não foi?

Hana sabia a quem ele estava se referindo. Era impossível não perceber que o Yuki tinha voltado mais feliz para casa e que ele e o Haru estavam muito mais próximos e com as ondas numa freqüência muito parecida.

-Sim. Algo aconteceu entre eles.

-Aquela ratazana maldita. Ele deve ter feito aquilo de propósito. Como eu o odeio.

-Não acha melhor esquecemos essa mentira e falar logo o que sente pelo Hatsuharu-kun?

-Não! Não, vou fazer como aquela ratazana maldita que ficou com ele só para me provocar. Ele quis me mostrar que pode ficar na minha frente. Aquele Yuki é um desgraçado mesmo, nem deve se preocupar com os sentimentos do Haru.

Os dois agora já caminhavam pelo amplo pátio que levava até a escola, onde já tinha alguns alunos que olhavam para os dois um pouco espantados.

-Quando foi que eles começaram a namorar?

-Não imaginava que ela tinha um gosto tão ruim assim.

-Aposto que ela fez alguma bruxaria para ficar com ele.

-Como?? Mas era para eu ser a namorada dele.

Aqueles eram apenas alguns dos comentários que eles estavam escutando de seus colegas.

-Tem certeza que quer continuar com isso? Você está escutando o que estão dizendo?

-Cê se importa com isso?

-Não, mas....

Kyo nem espera que a garota termine de falar e segura em sua mão, criando um pequeno alvoroço no pátio da escola.

#Eu não sabia que ele era tão popular assim. Sinto que essas garotas querem me matar agora.#

-MAS O QUE É ISSO??? HANA-CHAN E O CABEÇA DE LARANJA DE MÃOS DADAS?!?! DESDE QUANDO???

-Bom dia Uo-chan.

-Bom dia nada. Me explique o que perdi nesse final de semana. Não vai me dizer que a Tohru-chan é a namorada do Príncipe?

-Na hora do almoço te explicarei melhor o que está acontecendo.

Arisa caminhava ao lado da Saki que estava entre ela e o Kyo, que ainda caminhava de mão dada com ela, de cara enfezada e sem falar nada.

by DonaKyon

12/04/2009

68


Hanajima olha muito espantada para a amiga sentada ao seu lado direito.

-Como assim não sabe?

-A senhora Sohma não conseguiu aceitar que teve um filho possuído..... Para evitar que ela ficasse ainda mais doente, o senhor Sohma pediu para o Hatori-san apagar a memória dela, é por isso que ela não se lembra que teve o Momiji-kun. Ela pensa que é a tia dele.

Saki fica pensando como ela ficaria se a sua mãe não a aceitasse como ela é.

-Acho que eu morreria de tristeza se os meus pais me rejeitassem. Se já com todo o amor que sempre recebi deles sempre foi muito difícil viver, imagino como seria a minha vida sem o amor deles e sem o seu amor e o da Uo-chan.

Tohru encosta a cabeça no ombro da amiga e segura em sua mão. Aquele simples gesto faz com que a Hanajima sinta o seu coração um pouco mais leve.

#Isso também é amor. A amizade é uma outra forma de amor.#

-Como será que é a relação dos outros pais com os possuído? Eu nunca vi os pais do Yuki-kun, do Kyo ou os do Shigure-san lá em casa. Nunca nem vi eles falando pelo telefone com os pais deles.

-Será que aconteceu a mesma coisa com os outros?

-Eu não sei. Depois dessa viagem, vi que realmente sei muito pouco sobre a dor que cada um carrega. Mas eu gostaria de ajudá-los. Queria ser aquela pessoa que poderia dar um pouco de alegria para as suas vidas. Mas acho que estou desejando demais. Como eu poderia ser tão importante assim para eles?

-Acredite em mim. Seja sempre você que isso já será o suficiente. A Tohru-chan é o tipo de pessoa que consegue deixar o mundo mais bonito. Basta ver apenas um sorriso seu que tudo fica mais feliz. Foi assim que a Tohru-chan ajudou a Uo-chan e também a mim.

-Mas agora, pelo menos o Kyo, terá a sua ajuda também. Fico realmente feliz por ver que ficaram mais amigos depois dessa viagem.

-Acho que o Kyo e eu temos alguns sentimentos em comum. Mas eu não sei se continuarei amiga dele por muito tempo.

-Por que Hana-chan?? Por que não quer ser amiga do Kyo?

A colegial volta a colocar as roupas que ainda estavam no chão ao seu lado para terminar de arrumar as malas, mas continua falando com a sua voz calma de sempre.

-Vamos mentir que somos namorados por um mês. Ele não quer dizer para todos agora que aquilo era uma mentira. Mas acho que daqui um mês voltaremos a ser novamente apenas colegas de classe como sempre fomos.

Tohru se lembra de como ficou a relação dela como os dois possuídos depois que ela voltou por poucos dias para a casa do avô, e se recorda que de fato o Kyo naquele dia tinha se afastado muito dela, era como se eles tivessem sido sempre apenas colega de classe.

#Eu ficarei muito triste se o Kyo tratar a Hana-chan da mesma forma. Não quero que eles voltem apenas a ser colegas de classe depois desse um mês. Acho que não é isso o que a Hana-chan quer.#

-Humm, Hana-chan... o que sente pelo Kyo?

A garota para de ajeitar as roupas na mala e olha para a amiga. Seu olhar não chegava a ser de espanto, mas tinha uma grande dose de duvida e incerteza nele.

-Eu não sei o que sinto por ele. Mas acho que esse final de semana aqui me fez ficar amiga dele. Entretanto, não espero que essa amizade se mantenha.

Hanajima estava pensando no fato de não poder escutar os pensamentos dele e principalmente dele poder escutar os dela como estava acontecendo.

#Acho que será até mesmo melhor se não continuamos amigos. Quem sabe assim eu não volto a controlar o meu dom? Depois que me aproximei dele, perdi o controle que tinha sob mim mesma.#

-Mas Hana-chan gostaria que essa amizade continuasse?

Saki olha para a Tohru, seu coração dizia que gostaria que essa amizade continuasse, mas a sua razão dizia que era melhor se afastar dele.

-Sinceramente eu não sei Tohru-chan. Acho que diferentemente de você, eu posso fazer muito pouco por ele.

-Sinto que você pode ajudar ao Kyo muito mais do que eu. Nesses poucos dias que ficamos aqui, eu percebi que ele se aproximou muito mais de você do que todos esses meses que estou morando na casa do Shigure.

Tohru sorri para a amiga e começa a lhe ajudar com as malas.

Aquele final de semana estava chegando ao seu final. Foram apenas dois dias, mas que tinham modificado a vida de todos eles. As mudanças foram mais profundas em alguns do que nos outros, mas de alguma forma, aqueles dias tinham começado a mudar a vida de todos eles, seja a vida dos possuídos, seja a vida daquelas garotas, e também a vida do patriarca.

Akito tinha voltado para a sede naquele final de tarde fria completamente absorvida por uma tristeza sem fim. Graças ao médico, que tinha lhe emprestado um dos seus ternos, ela tinha conseguido entrar na mansão sem aquele vestido que agora estava escondido no fundo do armário. O patriarca adormece vestida com aquela roupa, não queria dormir sem sentir o perfume que o médico sempre usava e que fazia parte de suas roupas por mais que lavasse.

No final da noite todos já estavam em casa. E o sentimento que os levou para a cama naquele noite tinha sido diferente em cada um deles.

by DonaKyon

11/04/2009

67


Tohru voltava toda saltitante para o quarto. Estava radiante de felicidade. Havia passado a manhã toda brincando com o Momiji e a Momo-chan e depois a convite dos pais deles haviam almoçado os cinco juntos. Apesar de não ter conversado a sós com o coelho a garota sabia o quanto que ele estava feliz. Seus olhos brilhavam a todo o momento e o seu sorriso era tão largo que quase saltava de seu rosto. Pela primeira vez na vida ele tinha tido uma refeição em família.

#O Momiji-kun não se cabia de tanta felicidade. Foi tão lindo ver os quatro juntos. A senhora Sohma foi tão carinhosa com ele. Parecia uma tia que não via o seu sobrinho querido a muito tempo. NHAAAAA...... Ele brincando com a Momo-chan foi muito fofo. Ele certamente seria aquele tipo de irmão super carinho e companheiro. Graças aos céus que eu poderei ficar perto da Momo-chan todos os dias. Vou fazer de tudo para que essa amizade entre deles continue, mas tomando todo o cuidado para que a senhorita Momo e a senhora Sohma não descubram a verdade sobre a transformação do Momiji-kun.#

A colegial entra no quarto e encontra a sua amiga sentada no chão arrumando as malas delas. Tohru abre um enorme sorriso e corre para abraçar a amiga.

-Nhaaaaaa Hana-chan.

-Vejo que está muito feliz.

-Simmm.... Muito mesmo..... É muito boa a sensação que a gente fica quando podemos levar felicidade para os outros, não é mesmo?

Hanajima a abraça. Aquela era a Tohru que ela sempre amou e admirou. Uma garota que só ficava feliz quando era capaz de levar um pouco de felicidade para os outros. Tohru se lembra que a amiga também deveria estar muito feliz e se afasta um pouco para ver o seu semblante de alegria. Mas encontra um ar de preocupação em seu rosto e fica sentada ao seu lado.

-Hana-chan, por que não está feliz? Você e o Kyo brigaram?

-Tohru-chan, eu não posso mentir para você. Aquela história de eu ser namorada do Kyo é uma mentira.

-Nhooo..... É mesmo??? Que pena, acho que vocês fariam um lindo casal.

Saki fica um pouco corada ao escutar aquilo, nunca tinha imaginado que poderia formar um lindo par com alguém, mas ao mesmo tempo se sentiu um pouco triste ao escutar aquilo e se perceber que nunca faria um lindo casal com o possuído do gato.

- Eu disse aquilo só para ajudá-lo naquele momento. Achei que ele ia ficar morrendo de vergonha por todos vocês saberem que ele beijou o Hatsuharu-kun.

-Mas então por que o Kyo beijou o Hatsuharu-kun?

-Errr, acho que pode ter sido por curiosidade. Ele também me beijou ontem.

-OQUE??? O KYO TE BEIJOU ONTEM???

Tohru estava agora sentada sobre os joelhos e com a parte do corpo inclinada para frente, com o rosto bem próximo ao da Hanajima.

#Será que eu sentiria o mesmo sentimento que senti com o Kyo se eu a beija-se?#

Saki fica por alguns segundos olhando nos lábios da Tohru, mas depois olha nos seus olhos e não tem mais coragem de fazer aquilo.

#Ela é muito importante para mim. Não posso perder a amizade dela por causa disso, tenho certeza que se a Tohru soubesse dos meus sentimentos por ela, acabaria se afastando de mim, só para não me machucar por não poder retribuir da mesma maneira os meus sentimentos. Ela sofreria muito por saber que eu a amo e que ela não pode me amar da mesma maneira.#

-Ele apenas me beijou, isso não quer dizer nada.

-Mas Hana-chan.... Um beijo é sempre um beijo. Se ele te beijou é por que ele sente algo por você.

-O Momiji-kun também te beijou ontem.

-Nhaaa.... Mas com o Momiji-kun é diferente. Ele é apenas um garotinho. Me beijou como se beijam as criancinhas pequenas tentando imitar os adultos. AHHH!! Hana-chan, eu vou trabalhar na casa dos pais do Momiji-kun agora. Ajudarei a cuidar da senhorita Momo-chan, a irmãzinha do Momiji-kun.

-Não sabia que ele tinha uma irmã.

-Hummm.... Na verdade.... ela não sabe que é a irmã dele, e nem a senhora Sohma sabe que é a mamãe do Momiji-kun.

by DonaKyon

08/04/2009

66


Yuki se levanta rapidamente jogando o Haru para trás e ficando meio que sentado no futton apoiando-se em seus braços que estavam estendidos para trás.

-VOCÊ O QUE?? VOCÊ E A RIN??

Haru não tinha falado no sentido de magoar o Yuki. Aquele era o jeito dele, tão desligado que acabava sendo sempre sincero demais por não perceber que poderia ferir as pessoas com as suas palavras.

-Não se preocupe. Tenho certeza que com você será ainda melhor do que foi com ela, porque é você quem eu amo. Foi com você que eu sempre desejei fazer. Yuki, eu te amo!

Haru não dá tempo de o Yuki lhe responder e volta a beijar a sua boca com mais força do que antes, colocando o peso do seu corpo sob o dele, obrigando-o assim a se deitar novamente. Como estava com os olhos fechados, ele não viu a pequena e solitária lágrima que estava saindo dos olhos do Yuki.

#Por que fui sempre tão indeciso e covarde? Por que não fiquei com ele naquele mesmo dia em que me disse que gostava de mim, e que eu era a pessoa mais importante de sua vida? Eu poderia ter conhecido muito antes o que é essa felicidade de ser amado se não tivesse sido tão covarde como fui. Eu teria evitado que ele beijasse outras bocas, que ele tocasse em outros corpos que não fosse o meu.#

Yuki passa a beijá-lo com mais força agora e o abraça o máximo que podia.

#Juro que nunca mais irá procurar outros lábios ou outros corpos. Não te perderei para ninguém. Irei lutar com todas as minhas forças para não te perder jamais.#

Quando os dois já não aguentavam mais ficar sem respirar eles se afastam e o Yuki aproxima os seus lábios da orelha do Haru lhe falando ao ouvido e depois lhe mordiscando cheio de vergonha e um pouco sem jeito.

-Me ensine Haru. Me diz o que tenho que fazer para jamais te perder?

-Não precisa fazer mais nada. Apenas deixe-me te amar para sempre. Eu te amo, yuki.

#Por que não o deixei que me amasse antes?#

Yuki passa os seus braços em volta do pescoço do Haru trazendo os seus lábios para a sua boca beijar. E Haru desliza a sua mão pela lateral do corpo do Yuki fazendo com que sinta a trilha deixada pelo calor dos dedos do primo em seu corpo.

O rato estava se sentindo completamente envergonhado. Nem imaginava o que tinha que fazer naquela situação. Ele já não saberia mesmo se tivesse com uma garota, e se sentia ainda mais perdido já que estava com um homem assim como ele.

#Estou parecendo com uma garotinha que está prestes a ter a sua pela primeira vez com o namorado. Sei que isso é totalmente ridículo, mas é assim que estou me sentindo. Se bem... se bem que o Haru não é o meu namorado..... Afinal, o que seremos depois que isso acontecer? Não! Não vou pensar nisso agora. Vou apenas me concentrar nesse beijo.#

O rato tira por poucos segundos os seus lábios dos do Haru, respirando bem fundo e pegando o máximo possível de ar, queria não precisar respirar mais. Seu desejo era de beijar eternamente aqueles lábios. Haru enquanto o beijava tirava de uma vez o quimono branco do primo, deixando-o apenas com o boxer preto. A pele desnuda de Yuki sente ao mesmo tempo o leve toque dos dedos da mão direita do boi, que estavam descendo pelo meio de sua barriga e como também a uma brisa fria que entrava pelas pequenas das janelas, o que faz com que todo o seu corpo fique arrepiado.

Quando chega bem próximo da beirada do boxer, Haru para de descer os dedos, deixando o primo na expectativa do que estava por acontecer. O boi para de beijá-lo e se apóia nos dois braços olhando diretamente nos olhos do Yuki.

-Tem certeza? Quer realmente fazer isso agora?

Yuki nada lhe responde, apenas desfaz o nó de seu quimono retirando-o um pouco envergonhado do que estava fazendo, mas ao mesmo tempo cheio de certeza. A pele de Haru não era tão branca como a dele, mas estava bem longe de ser como a pele bronzeada que o gato tinha. Seu tórax era bem definido, resultado dos anos de treinos com o Mestre Kazuma. Sem sobra de dúvida, aquele sim era um belo corpo masculino.

#Ele deverá ficar ainda mais bonito quando for adulto. Provavelmente ficará até mais bonito que o Hatori.#

Haru passa os dedos afastando alguns fios de cabelo que estavam na frente do olho do Yuki e depois fica deslizando com apenas a ponta de um dedo o rosto do primo. Ele era tão delicado, que parecia que com apenas um pequeno toque um pouco mais forte poderia ser feito em pedaços. O coração do possuído pelo espírito do boi também estava batendo muito mais forte agora. Tudo aquilo parecia um sonho, ainda não acreditava que finalmente estava ali, com o Yuki embaixo do seu corpo, e podendo lhe repetir quantas vezes desejasse que lhe amava sem que o primo fizesse uma cara de desaprovação ou o rejeitasse.

by DonaKyon

05/04/2009

65


Yuki caminhava atrás do Haru, mas mantinha poucos passos de distancia entre os dois. Não o queria longe de si naquele instante. Olhava as costas do primo, nunca havia reparado o quanto elas eram largas, bem diferente das dele, que pareciam com as de uma garota, de tão delicada que eram.

Durante o caminho pelo corredor os dois não trocaram nenhuma palavra, iam em silêncio para o quarto que estava sendo ocupado pelos dois. O coração do Yuki a cada passo que dava batia ainda mais rápido, pois a cada instante eles se aproximavam do quarto.

Haru abre a porta ficando já dentro do quarto e a fecha após Yuki entrar com alguns passos tímidos, e vai caminhando assim, até o meio do quarto, onde para e segura o seu braço esquerdo. Agora que estava a sós com o Haru o seu corpo todo havia começado a tremer. Ele não consegue se manter de cabeça erguida, estava sentindo muita vergonha, e fingindo olhar algo no chão ele abaixa a cabeça. Haru se aproxima ficando parado bem na sua frente.

-Yuki, eu te amo!

O possuído levanta a cabeça e olha nos olhos do Haru. Ele não estava esperando por aquelas palavras. Mas ao escuta-las, o seu coração se enche de felicidade, pois sabia que elas eram verdadeiras.

#Então é esse o sentimento de quem se sente amado? Esse calorzinho que sinto dentro de mim parece como a chama de uma pequena vela que luta com todas as suas forças para brilhar o máximo que puder e assim conseguir sozinha iluminar um amplo quarto escuro. Pela primeira vez, eu sei o que é ser amado por alguém.#

Haru sabia que não conseguiria escutar a mesma coisa dos lábios do Yuki, e o segura pela mão, caminhando até o futton. Os corações de ambos estavam batendo rápido, e era como se o outro pudesse escutar aquelas batidas tão aceleradas. Haru para na frente do futton.

-Yuki, eu não quero apenas beijar os seus lábios agora. Eu quero sentir toda a sua pele com os meus lábios.


Yuki abre um pouco mais os seus olhos cor de ametista, e Haru pode ver o quanto que eles estavam ainda mais brilhantes agora. Yuki levanta a sua mão direita e acaricia o rosto do Haru.

-Eu também quero sentir novamente a sua pele na minha.

Haru sente o gelado toque da mão do Yuki em seu rosto e o frio de seus lábios quando Yuki o beija. Os dois garotos fecham os olhos, mas dessa vez beijam-se apenas com o encostar dos lábios. Porém, Haru vai abrindo lentamente o quimono de Yuki e começa a acariciar o seu tórax. Yuki sente um arrepio pelo corpo e abre os olhos afastando os seus lábios dos de Haru.

-Sua pele é tão branca e linda. Não tem um único defeito.

Yuki volta a olhar novamente para o chão, desviando assim o seu olhar do Haru.

-Isso não é o tipo de coisa que faz um homem se sentir orgulhoso.

Haru sorri levemente com os lábios e depois procura os lábios do primo para mais um beijo, mas dessa vez o beijando com mais desejo. Suas línguas agora já não eram mais estranhas uma para a outra. As duas eram macias, mas a do Yuki era mais fina da que a do Haru. Enquanto estavam se beijando, Haru vai levando o corpo do Yuki para o futton, deitando-se por cima dele, e começa a beijar e ao mesmo tempo suga um pouco o seu pescoço descendo os lábios até o mamilo do Yuki, onde o morde com um pouco mais de força, deixando-o não só apenas um pouco machucado devido a mordida, mas também uma trilha vermelha em sua pele.

-Pronto, agora não está mais tão branca, mas continua linda, e ainda mais perfeita, porque agora tem a minha marca em você.

Yuki estava muito feliz, mas ao mesmo tempo sentia-se muito envergonhado. Sabia o que iria acontecer entre os dois, mas não queria parar. Não queria ser derrotado por mais ninguém.

-Haru..... você sabe?..... você sabe o que temos que fazer?

-Humm.... não deve ser muito diferente do que fiz com a Rin... Quer dizer..... tá tem uma diferença.... mas acho que não deve ser muito diferente...


by DonaKyon

01/04/2009

64


Akito se aproxima sem falar nada e fica parada na frente do médico, que ao ver aqueles pequenos sapatos vermelhos que acompanhavam a barra do vestido, já sabia que era o patriarca que estava parada na sua frente e ele levanta a cabeça.

-Ela te falou sobre o casamento?

-Eu já sabia. Na semana do ano novo a vi com uma amigas no centro da cidade, e escutei a conversa delas.

A garota senta ao lado do médico, mas não muito próxima dele.

-E mesmo assim me disse que não me culpa por nada? E mesmo assim está aqui ao meu lado?

-Eu não quero viver do passado. Apenas do presente.

#Ele diz isso, mas está aí sofrendo por algo que está no passado.#

-Hatori. Quero voltar....

O médico se levanta e começa a caminhar em silêncio na direção oposta a que havia tomado Kana e o seu noivo e que também levava a saída. Akito o olha cheia de tristeza.

#Eu ia dizer que queria voltar no tempo.... É tão ruim assim para ele ficar ao meu lado? Por que? Por que então ele está fazendo tudo isso por mim? Por que não me deixou continuar naquele mundo escuro e solitário que eu tinha criado para mim mesma depois daquele dia?#

Akito abaixa a cabeça para evitar que algumas lágrimas caíssem fechando os olhos. Sentia que os seus joelhos estavam começando a tremerem um pouco e sente que o seu coração estava sangrando. Não. Era mais do que isso, sentia que a sua alma estava completamente ferida, que estava a ponto de morrer de tristeza.

#Eu só queria ser amada por você....#

Hatori que já tinha andado alguns metros, para de caminhar quando percebe que não escutava o som dos sapatos da Akito atrás dele e olha para trás a encontra ainda sentada e de cabeça baixa.

#Isso a deixou novamente deprimida.#

O médico fica parado esperando que a garota se levante. Percebendo que a garota não ia se levantar o possuído caminha até lá com as mãos dentro dos bolsos do terno.

-Aki.... Tsubaki-san...

-Por que me deu esse nome naquela hora?

-Porque me pareceu um bonito nome para você, já que você se parece com as flores de Tsubaki.

-Você realmente acha que me conhece?

Akito tinha colocado um pouco mais de raiva em sua voz ao perguntar aquilo e abre os olhos, mas não o olha mantendo a cabeça ainda baixa. Hatori que já conhecia o mal-humor do patriarca volta a se sentar ao seu lado.

-Nenhum de nós tem o direito de realmente conhecer o nosso kamisana.

Ao escutar aquilo, Akito se levanta e segura o médico pelo terno olhando-o bem nos olhos e chamando a atenção de todos que estavam passando.

-Você realmente quer me deixar louca? Pois saiba que já conseguiu. Pode colocar em seu prontuário que eu estou louca. Pode providenciar o melhor tratamento para a minha loucura. Pode me mandar internar de uma vez.

O médico calmamente coloca as suas mãos sobre as delas e se levanta, quando está de pé, ele a abraça, deixando-a bem próxima do seu corpo. Akito sente a sua respiração falhar, mas depois empurra o possuído e se solta de seus braços, e apesar de não estar chorando, Hatori podia perceber o desespero no qual ela estava naquele momento.

-Como acha que eu estou me sentindo vestida desse jeito? Acha que eu me reconheço nessas roupas? Eu não sei quem eu sou. Essa não sou eu. Mas eu mesma não sei o que sou. Não sei se sou o patriarca, se sou o kamisama, se sou um homem ou se sou uma mulher, já nem mais sei se ainda sou um ser humano. Eu gostaria de saber quem sou eu..... Gostaria que alguém me disse-se quem realmente eu sou....

Hatori fica olhando nos olhos de Akito enquanto ela estava falando e percebe que os seus olhos estavam se enchendo de lágrimas.

- Eu realmente gostaria que aparecesse alguém que acabasse com a maldição. Com a maldição de vocês possuídos e com a minha maldição de kamisama. Quem sabe assim eu saberia quem eu sou.....

O médico lembra-se que algumas daquelas mesmas palavras tinham sido ditas por Akito no dia em que ele foi pedir a sua permissão para se casar com a Kana

#No fundo ela deve sofrer muito mais do que todos nós por causa dessa maldição. Acho que ela deseja muito mais do que qualquer um de nos poder ser livre.#

Hatori novamente a abraça e Akito apenas encosta a sua testa em seu peito. Sentia uma enorme vontade de chorar, mas não queria. Não podia mostrar toda aquela fragilidade naquele momento. Sabia que se o fizesse, se chorasse naquele instante, ela acabaria contando ao primo sobre os seus sentimentos por ele. Revelaria que o amava desde que era uma adolescente, que ela sempre o tinha amado não apenas como um possuído, mas como um homem.

Kana, ao vê o médico abraçado a uma delicada jovem, para de caminhar e coloca a mão no peito. Ela havia voltado para trás para ir ao banheiro, e ver aquela cena a machucou um pouco. A garota volta pelo caminho que estava vindo sem ser vista pelo Hatori.

by DonaKyon