23/08/2008

363


-Acha mesmo? Você conseguiria namorar o Tori-nii?

Aquela pergunta a pega uma pouco de surpresa e a Arisa estica as duas pernas e coloca os braços atrás da cabeça para disfarçar. Na verdade, ela nunca tinha pensado em namorar ninguém, todo aquele mundo romântico sempre lhe pareceu que nunca faria parte de sua vida. E agora, ao escutar aquela pergunta, sentia que o seu coração estava mais acelerado.

-Acho que a Tohru-chan poderá lhe ajudar nesse ponto muito mais do que eu.

-A Tohru-chan porque?

-Porque o Shigure está apaixonado por ela.

-O Gure-nii?? E a Tohru-chan está gostando dele também?

-Isso ela ainda não descobriu. Acho que ela não sabe se gosta do Shigure ou do Hatori.

-Mas ela faz mais o tipo do Tori-nii.

-É... Pode ser...

Kagura percebe que o tom de voz da Arisa havia ficado um pouco desanimado, mas a garota não nota que a possuída estava olhando para ela. A jovem estava com o olhar fixo num ponto imaginário no teto.

#Acho que não deveria ter feito esse comentário# -Arisa.... O que você faria se tivesse no meu lugar?

-Eu contaria toda a verdade para ele. Não acredito que um relacionamento possa ir a diante quando se está mentindo. Isso é claro, se você ainda quiser namorar esse carinha aí. Se não, termina e nem precisa magoar ele com isso.

Kagura se mantém calada olhando para a Arisa, que tinha deixado de olhar para o teto para responder a garota.

-Mas antes pergunte a você mesma com quem quer ficar.

-Obrigada, Arisa-chan.

-E agora, vamos embora pra cozinha, estou morta de fome. E acho que você também. Afinal passamos a tarde fazendo algo que tira o fôlego e dá muita fome depois.... ahahahahhaha...

-Arisa-chan, você não se assustou quando descobriu a maldição do Tori-nii?

Kagura a perguntava enquanto que as duas caminhavam para a cozinha.

-Que nada. Morri de rir isso sim. E amanhã vou me divertir ainda mais com a cara dos seus outros priminhos.... Ahahahahahahah.... Vou chamá-los de TOM e JERRY.... AHAHAHHAHA.... Tenho que arrumar também apelidos para o Momiji-kun e o Haru-kun... ahahahhah....

#Será que o Nii-san também reagiria dessa maneira se descobrisse a verdade? Eu nem consigo imaginar como seria a reação dele.#

-Eih... E cê fica bonitinha também na outra forma? Por um acaso se transforma num javali cor-de-rosa?

-AHAHAHAHHAHAH..... De onde tirou essa idéia? “Era a primeira vez que a Kagura estava rindo por causa da sua maldição”.

-Ah sei lá!?. Depois que se vê um cavalo marinho de 8 cm como o representante do espírito do dragão, pode-se esperar de tudo.

Kagura fica lhe contando mais detalhes sobre os possuídos e também sobre a história de cada um, e num determinado momento ela começa a contar tudo o que havia acontecido com o Hatori e a Kana.

by Kyo

362


-Me desculpe por chorar assim na sua frente.

-Deixa disso. O que aconteceu?

Arisa a ajuda se levantar do chão, e elas vão para o quarto da possuída. Ela percebia que havia algo que estava deixando aquela garota apreensiva, e aquele convite para que dormisse em seu apartamento, só fizeram com que ela tivesse certeza de que havia algo de errado.

Kagura se deitou de lado na cama e continuou a chorar, Arisa ainda não se sentia a vontade para se sentar na cama da garota e fica sentada no chão olhando para ela sem falar nada, até que a garota se acalme.

-..... Arisa..... Você e o Tori-nii...... fizeram, né?

-Se está perguntando se eu transei com o seu primo, a resposta é sim.

Kagura depois daquela resposta tão direta e clara, fica mais a vontade para conversar e se senta na cama com as pernas dobradas e abraçando uma das almofadas. Arisa se mantém ainda mesma posição, estava com a perna direita esticada e a esquerda dobrada onde apoiava o cotovelo esquerdo e segurava o franja.

-.... E porque você quis fazer isso, com um homem que tinha acabado de conhecer?

-Porque fiquei com vontade. Um homem como aquele nu na minha frente e você queria o que?

Ao escutar aquilo, Kagura arregala os olhos e fica com a boca aberta antes de começar a gaguejar.

-Ahnn?? Nu?... Nu?? Pelado???

-Eu acabei descobrindo sem querer o lance das transformações de vocês.

-O QUEEEE????

-Já sei que você também é a possuída pelo espírito do porco.

-Err.... Eu me transformo em um javali.....

-Que seja! Já sei que não podem ser abraçados por alguém do sexo oposto. “Arisa a olha agora como se tivesse descoberto o X da questão” –Ahhhh, então é isso?! Quer dicas por causa do seu namorado. Não quer que ele saiba, né? Foi por isso que me convidou para dormir aqui. Mas não precisa fazer esse drama todo, só porque está com vontade de transar com o seu namorado.

Kagura abaixa a cabeça se sentindo um pouco envergonhada.

-Eu queria conversar sobre outra coisa na verdade...... Eu e o Kyo..... Bem..... A gente..... Nós tivemos a nossa primeira vez juntos.....

-Ahhh.... Já entendi!! Você não sabe como vai contar para o seu namorado que não é mais uma virgenzinha?!! Mas nem esquenta... Você não foi a primeira e nem será a última que dormiu com um primo. Tenho certeza que o carinha aí não vai ficar bolado com uma coisa que aconteceu há tanto tempo atrás.

Kagura agora fica roxa de vergonha e abaixa ainda mais a cabeça.

-Na verdade.... Foi há algumas horas atrás!

Arisa que até então estava passando a mão entre os cabelos pára na hora com o movimento e fica olhando espantada para a garota sentada na cama.

-Que?

-O Kyo e eu fizemos isso hoje à tarde, na hora que estávamos indo para o templo.

# hehehe...Quer dizer que o Kyon-Kyon era virgem ainda!# -Tá! Acho que finalmente peguei o lance por causa desse chororó todo. Está com medo de ter ficado grávida?!

-Não foi por isso também.... A gente tomou os devidos cuidados....

-Que merda... Não acerto uma?! Então porque está com essa cara? Vai me dizer que ficou arrependida?

-Não. Eu sempre sonhei que a minha primeira vez fosse com o Kyo.

-Mas não imaginou se seria com você namorando um outro cara.

Kagura volta a ficar com os olhos cheios de lágrimas e confirma que sim com a cabeça.

-Puxa, finalmente acertei o problema.

-Eu sempre fui apaixonada pelo Kyo, desde criança, e ele nunca demonstrou que gostava de mim. Na verdade, acho que começou a gostar só quando eu comecei a namorar o Kunimitsu.... E hoje foi a primeira vez que ficamos juntos. E ele me disse que me ama.

-E agora não sabe mais o que fazer?

-Eu sei que existe mais chance dos relacionamentos entre os possuídos darem certo do que se tivermos com uma pessoa normal....

-Isso é papo furado. Vi muito bem como dá para se relacionar com um de vocês e mesmo assim ter muita diversão.

by Kyo

361


Kunimitsu havia passado o domingo todo muito ansioso. Sabia que aquela era a primeira vez que a Kagura e o Kyo estariam juntos e longe dele, após o garoto haver tomado conhecimento do namoro dele. Mantinha-se em silêncio para poder escutar o barulho da porta do apartamento da frente quando a garota chegasse. Havia preparado um jantar a luz de vela, e queria ter uma noite bem romântica com a garota quando essa chegasse.

Eles já tinham feito planos para aquele final de semana, Kunimitsu ia a levar para conhecer todos os seus lugares favoritos na cidade e saber quais eram os dela, mas a Kagura acabou cancelando os passeios do domingo para ir até a casa dos lagos dos Sohmas. Não havia conseguido falar para a Kisa que ela não poderia ir.

O discípulo tinha a inteira consciência de que ele era a parte apaixonada naquele romance, e não era segredo algum o fato da Kagura ter sido durante a sua vida toda apaixonada pelo Kyo. Ele sabia que aquele relacionamento era ainda muito frágil, tão sensível quanto uma pequena plantinha que está começando a crescer em pelo inverno.

Assim que escuta o barulho da chave na porta, ele correu para abrir a porta de seu apartamento.

-KAA-CHAN, QUE BOM Que chegou.....

-Olá Nii-san. Essa é a Arisa Uotani, uma nova amiga minha. Arisa, esse é o Kunimitsu.... o meu namorado.

#Ufa... ela ainda me considera como sendo o seu namorado.# -Muito prazer senhorita.

-Prazer.

-Você fez uma boa viagem Kaa-chan?

-Sim. A Arisa também estava lá na casa. Ela é amiga da Tohru, e estuda na mesma classe do Kyo e do Yuki.

-Ahh...

A Kagura entra em casa, sendo seguida pela Arisa e o rapaz que fica em dúvida se entrava ou não e se mantinha ainda na porta.

-Pô, é bem bacana o seu apartamento.

-Obrigada Arisa-chan.

Kagura percebe que o namorado estava um pouco receoso e ela segura em sua mão para que ele entre, e fecha a porta.

-A Arisa-san, passará essa noite aqui em casa.

-É?!... Que legal! Finalmente vai poder fazer a festa do pijama que tanto fala.

-AHAHAHAHAH.... Uma festa do pijama só com duas.....

-Mas a Tohru-chan, a Kii-chan e a Mine-san já falaram que virão em breve para a gente fazer a festa do pijama.

Kunimitsu fica observando as duas garotas conversando na cozinha, ainda se mantinha em pé próximo da porta.

#E lá se foi o meu jantar a luz de vela com ela..... Mas parece que nada mudou. Acho que me preocupei à toa, pelo visto elas devem ter passado o tempo todo juntas.#

-O que você sugere para comermos, Nii-san?

-Qualquer coisa que a Kaa-chan fizer ficará ótimo. “Ele se aproxima da Kagura e segurando a sua mão caminham até a porta.” -Mas vou deixar que a festa do pijama de vocês duas comece mais cedo. Foi um prazer lhe conhecer.

-O meu também.

-Não quer ficar mesmo, para jantar com a gente?

-Não. Vocês ficarão mais à vontade se eu não estiver aqui. É bom ver que a Kaa-chan está fazendo novas amizades. Até amanhã.

Kunimitsu se aproxima para se despedir com um beijo da possuída e nota que ela se manteve por alguns segundos um pouco em dúvida se o beijava ou não, mas que por fim acabou lhe beijando.

#Acho que ela está envergonhada por causa da garota.#

Assim que fecha a porta, Kagura encosta-se na porta e vai se sentando lentamente no chão e começa a chorar. Arisa lhe olha sem entender absolutamente nada, se aproxima dela, ajoelhando-se ao seu lado.

-O que aconteceu, Kagura?

Kagura apenas chorava baixinho e muito sentida. Estava muito confusa, e pareceu que aquela garota, que ela tinha acabado de conhecer poderia ser uma ótima pessoa para se abrir. Não é que ela não confiasse na Tohru, mas a Arisa a iria entender como mulher, e era isso que a Kagura era agora.

by Kyo

21/08/2008

360


O médico se aproxima ainda mais do primo e lhe fala com um tom baixo de voz.

-Poderia entrar? Eu gostaria de conversar com ela sozinho.

Shigure sente um frio na barriga, mas não tem como negar aquele pedido.

-Hei, crianças, não querem tomar um copo de leite? Venham que o titio Shigure vai preparar aquele super chocolate quente para vocês.

-Err, pode deixar que eu mesma faço....

Shigure continua caminhando e entra na casa enquanto ela fala, mas é segurada pelo médico. Hiro e Kisa entram na casa sem perceberem o gesto do primo.

-Eu gostaria de conversar com a senhorita.

Tohru fica imediatamente vermelha. Desde a noite anterior, essa era a primeira vez que eles iam conversar. Ele começa a caminhar em direção da varanda e se senta, e logo depois a garota se senta ao seu lado. O silêncio fica presente durante alguns segundos entre eles.

-Err....

-Me perdoe por ter lhe deixado sozinha, depois de haver lhe beijado.

-Não.. Não prec...

-Foi uma atitude lastimável da minha parte. Mas, é que fiquei muito assustado comigo mesmo quando vi o que tinha feito. Senti muita vergonha de mim mesmo por ter lhe beijado daquela maneira, por fazer algo assim para alguém tão pura, tão inocente, que tinha ido chorar por mim.

Tohru escutava a tudo, mas se sentindo um pouco mais triste a cada minuto.

#Então é assim que ele me vê mesmo? Uma pessoa pura e inocente. Só falta falar como se fosse uma criança.#

-Se a Tohru não me perdoar por ter lhe beijado ontem, eu não ficarei chateado..... Acho que nem mereço o seu perdão para ser sincero.

-.... Não tenho nada que lhe perdoar....

Hatori que até então falava olhando para o jardim, olha agora para a garota. Ela estava com a cabeça baixa, e com os cabelos caídos na frente de seu rosto. Ele levanta em direção de seus cabelos, mas fica com a mão suspensa no ar. Não tinha coragem o suficiente para lhe acariciar após tudo o que havia feito com a sua melhor amiga naquela tarde.

#Será que o Shigure iria ter resistido se tivesse ali no meu lugar? Não posso falar que eu não queria, afinal, bastava-se que eu abraçasse a Arisa e nada teria acontecido. Mas eu estava desejando aquela garota.#

Ele retorna com a mão e as apóiam na perna e volta a olhar para frente.

#O Shigure já sabe o que sente por ela. Ele me disse com todas as letras que a ama. Mas e eu? O que de fato sinto por ela?#

-Hatori....

Assim que escuta o seu nome, o coração do possuído bate muito acelerado. Ela conseguia provocar essa reação nele.

-....

A pergunta fica na boca da garota, queria perguntar o motivo dele não ter fugido da Uo-chan, mas não teve coragem. Ela levanta a cabeça e lhe sorri.

-... não gostaria de tomar um chá antes de voltar para a sede?

O possuído a olha um pouco espantado, não estava esperando por aquela pergunta. Mas a garota estava lhe sorrindo como sempre lhe sorriu.

#Será que para ela, aquele beijo não significou nada? Será que ela está gostando do Shigure também?#

Tohru estava um pouco nervosa, ela nem espera pela resposta do médico e se levanta sendo seguida por ele. Na sala não havia ninguém, Yuki e Kyo estavam em seus respectivos quartos, enquanto que os outros três estavam na cozinha. Quando a garota entra o Shigure dá um suspiro de alivio.

#Seja qual tenha sido a conversa, ela foi bem rápida.#

Hatori fica parado na porta, olhando para o Shigure.

#Será que ele a merece mais do que eu?#

-Ainda está aqui, Hatori?

O médico lhe olha sem entender a razão daquela pergunta feita de uma maneira tão repentina pelo Yuki que mal havia acabado de descer as escadas. Yuki percebe pelo olhar do médico que ele não deveria ter falado aquilo e fica um pouco envergonhado.

-Err... e o meu irmão?

-Já foi embora.

-Ahh... "Ele entra na cozinha e se senta. Não consegue pensar em mais nada para falar."

Pouco tempo depois, após o chá da Tohru, o médico e o Hiro voltam para a sede.

by Kyo

359


-Lar doce lar....

Shigure está todo sorridente abrindo a porta da casa, como o Yuki logo atrás dele, mas como a cara ainda bem fechada. Assim que o possuído abre a porta, ele levando a mala dele para o seu quarto.

Kyo entra e joga a mochila dele num canto da sala e já vai ligar a TV, mas na realidade apenas queria um pretexto para se manter na sala.

A limusine deles havia chegado na frente e agora o Hiro e o Ayame esperando do lado de fora da casa, sendo que o menino estava bem longe do outro possuído, pela limusine das garotas.

Hatori também havia já entrado e estava ligando do escritório do escritor para a sede. Ayame e Shigure ainda na casa do lago tinham lhe contado o que estava acontecendo na sede, a fuga de Ren e a ida de Kana para o hospital.

-E a carruagem branca com as lindas e maravilhosas damas está chegando. Que cena digna de uma pessoa como eu. Nessa noite de lua cheia, sentindo essa suave brisa da noite, com esse lindo céu estrelado e vendo esse lindo e elegante veiculo que se aproxima como se estivesse vindo diretamente do céu trazendo esses lindos anjos.

#Blaaa..... Como um adulto pode ser capaz de falar tantas palavras sem dizer nada ao mesmo tempo?#

Hiro quando vi que o carro havia chegado se aproxima da entrada da casa para esperar a Kisa. Ao escutar o barulho do motor, Shigure também foi para perto deles, enquanto que o Kyo ficou sentado na varanda da casa olhando apenas.

-Agora sim o mundo ficou mais lindo. Esses seres tão celestiais chegaram para nos brindar com suas alegrias e belezas.

Tohru e Kisa saem do carro primeiro, e vão mostrar para o motorista quais eram as suas malas. Mine e a Uotani também saem do carro enquanto que a Kagura fica sentada no banco, mas com a porta aberta e com as pernas para fora do carro.

-Muito bem. Agora que as donzelas estão entregues em seu devido lar. Creio que podemos já ir...

-Ué? Não vai lá falar um tchau para o Yuki? Pra que essa pressa Aaya-san?

-Oras caro Guretti!! Acha que eu mantenho esse meu aspecto de deus grego como? Estou muito cansado com a viagem e amanhã terei que ir até a sede pela manhã. O meu amado irmãozinho certamente irá perdoar essa minha pequena grosseria com ele. HOHOHOHOHO..... Eu que vim num carro fedendo a cueca apenas, agora irei retornar para o meu palácio acompanhado por essas três flores.... Hohohoho... Pode morrer de inveja Guretti.

Shigure começa a coçar o pescoço enquanto falava bem próximo ao primo e de forma que só ele o escutou.

-Concordo que as três são de fato lindas flores, mas a flor que eu quero está no jardim daqui.

Ayame lhe sorri gentilmente enquanto olhava para ele e para a Tohru. Ver o Shigure daquela maneira o alegrava muito. Tohru e Kisa estavam se despedindo das outras garotas, e Arisa olha em sua volta e não vê que o médico estava do lado de fora da casa.

-Já ficamos combinadas. Em breve vocês irão me visitar em casa. Temos que fazer essas reuniões outras vezes.

-Sim... Iremos sim, e pode deixar que levarei aquele bolo de chocolate que a senhorita tanto gosta.

-Bem, a Tohru-chan verei amanhã na escola. Falou ae pra vocês.

Ela faz um tchau com a mão e entra no carro, e logo após a limusine parte levando os quatros. Hatori aparece justamente no momento em que o carro estava pegando a rua, e vê que a garota conversava toda sorridente dentro dele com os outros.

#Não consegui me despedir daquela garota barulhenta#

-Como estão as coisas na sede, Haa-san?

-Muito agitadas. Até agora nenhum sinal da Ren. Imagina como o Akito-san está. Vou agora mesmo para lá.

-E a....?

-Vai ter alta amanhã. Não foi nada demais.

Shigure nota que o tom da voz do primo ao falar da Kana havia realmente mudado. Era mais frio e distante agora.

-Ok. Qualquer coisa me ligue.

Hatori olha para a Tohru e sente um certo desconforto por saber que ela ficaria ali, ao lado do Shigure.

by Kyo

358


Enquanto o clima da limusine das garotas era uma verdadeira festa do caqui, na dos homens estava um clima de velório.

O pequeno Hiro ficou o tempo todo ouvindo música e sem se mexer. Não queria que o Ayame se lembrasse que ele estava sentado ali ao seu lado. Para sua sorte, o possuído ficou o tempo todo olhando a passagem pela janela, quando não estava olhando pela janela traseira para ver a outra limusine que estava atrás deles.

Yuki foi outro que apenas ficou olhando a paisagem. Ainda não conseguia acreditar que realmente ele tinha se declarado para o Akito. Só de lembrar do que tinha acontecido no lago, ele sentia o seu corpo tremer. Seu desejo era o de chegar e correr para a sede para saber como o patriarca estava, mas não era apenas para isso, queria poder abraça-lo e fazer como que ele se sentisse um pouco melhor, mesmo tendo que enfrentar alguns problemas relacionados ao clã.

Hatori fez praticamente toda a viagem com os olhos fechados, mas não estava dormindo. Pensava em tudo no que tinha acontecido em apenas três dias longe da sede, e justamente no final de semana no qual a Kana havia se casado. Aliás, todo o seu mundo havia começado a se modificar exatamente a partir da chegada de Akito com aquelas malditas fotos e aquela trágica revelação. Em seu coração havia um turbilhão de sentimentos. Uma grande raiva pela ex-namorada. Um grande carinho e admiração pela a Tohru. E pela garota barulhenta..... Sempre que começava a tentar ordenar os seus pensamentos sobre a garota ele ficava ainda mais confuso...... Mas de tudo o que havia acontecido entre eles, a imagem mais forte que lhe vinha era a dela chorando na sua frente com medo de ter magoado a Tohru.

Shigure as vezes olhava para o médico. Percebia que aquele final de semana havia modificado muito a vida do primo, e isso o deixava ainda mais ansioso, pois não sabia o que de fato o Hatori estava sentindo pela Tohru.

#Ele já sabe que eu a amo. Diferentemente daquela outra vez..... Se eu não tivesse tomado a atitude que tive, hoje o Haa-san não estaria se sentindo tão mal como está por causa da Kana. Eu deveria ter lhe contado que ela era a minha namorada quando a apresentei para que trabalhasse com ele.... Deveria ter contado depois que ela me queria como amante dela.#

Shigure sente uma dor no peito, uma grande angustia lhe invade e ele inclina a cabeça para trás apoiando no banco e olhando para o teto.

#Me sinto ainda hoje muito culpado com relação ao Haa-san. Eu poderia ter evitado que ele sofresse tanto como sofreu. Quando vi a Akito lhe ferindo naquele dia parecia que era eu mesmo quem o estava ferindo. Porque Kana? O que o Hatori lhe fez para falar aquelas coisas horríveis para Akito? Porque ainda hoje quer ferir esse homem que te amou muito?#

Ao lado do Shigure estava o possuído pelo espírito do gato, que estava dormindo com a cabeça encostada na janela.

Na limusine das garotas, o assunto Uo-chan e Hatori tinha sido evitado por causa da pequena Kisa, apesar da imensa curiosidade que a Mine e a Kagura estavam sentindo. Mas estavam todas se divertindo com as histórias da época em que a garota estava na ativa. Tohru participava um pouco alheia a conversa, não só porque já conhecia todas aquelas histórias, mas porque estava sentindo uma ansiedade dentro de si. Como estava sentada ao lado da janela, as vezes se perdia nas passagens que passavam. Tudo ainda lhe parecia como se fosse um sonho. Havia sido beijada na mesma noite pelo Hatori e depois pelo Shigure, e depois aquela declaração de amor do escritor. Ao se lembrar das palavras dele e de seu olhar naquele momento, ela sorri não apenas com os lábios, mas também com o coração.

Aquele clima de festa, faz com que a viagem para elas seja bem mais rápida do que as dos homens, e no meio da noite as duas limusines param na frente da casa do escritor.

by Kyo

357


“ Shigure corou levemente, endireitou-se abaixando as mãos juntas por dentro do quimono na altura de seu abdômen e sorriu gentilmente.”

# Não importa mesmo o que os outros pensem. Enquanto ela sorrir desse modo para mim o resto do mundo não vai importar. A única coisa que desejo que ela sorria somente para mim desse jeito, sem deixar os amigos de lado, mas somente para mim. Ah, Tohru... me escolha. #

“ Shigure fez um leve movimento pegando a mão da jovem e beijando-a em olhá-la nos olhos.”

- Esperarei ansioso.

“ Sorriu olhando-a e voltou sorridente para pegar a mala que deixara no chão ao lado de Hatori que não o encarou.”

- Então qual é o carro dos homens? Quanto mais rápido sairmos mais rápido chegaremos em casa.

“ Uotani olhou para Hatori que parecia imparcial como sempre. Sentiu uma leve dor no peito. Era assim tão horrível ficar mais alguns minutos naquele mesmo lugar que ela? Acabou esbarrando o olhar com o do médico que também lhe olhou de relance, ficaram alguns segundos assim, até que Uotani que estava com o rosto fechado se virasse com um lindo sorriso para Tohru.”

# Hum... O que foi isso agora? #

“Pensou Hatori, mas foi enterrompido com a chegada escandalosa como sempre de Ayame e Mine.”

- Mine-chan, aqui!!!! Vamos fazer o clube da Luluzinha até em casa! Venha!!!! Vamos fazer uma festa aqui dentro! Hahahahaha

“ Gritava do teto solar do carro, Uotani, acenando os braços. Mine olhou para Aayame que olhou-a no mesmo instante. Não estavam entendendo nada. Te que Yuki lhe sorriu dizendo no exato momento que Kyo surgia atrás dele.”

- As senhoritas voltarão todas no mesmo carro!

“ Kyo fechou a cara quando olhou para o segundo carro e viu que Kagura já estava lá dentro, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa foi abraçado por Shigure que o carregou até o primeiro carro aos berros. Hiro que olhava distraído para o outro lado com fone de ouvido mal percebeu a movimentação, quando resolveu olhar pela janela para saber porque a demora Shigure já empurrava um Kyo mau humorado para dentro do carro.”

- O que está acontecendo?

“ Hatori entrou e sentou-se na janela ao lado de Hiro que ficou no meio do banco olhando para o médico e para Shigure que estava a sua frente. Yuki entrou e sentou-se na janela ao lado de Shigure, Hiro voltou a perguntar com o coração acelerado e morrendo de medo de que suas suspeitas estivessem certas.”

- O-o qu-que est-está acon-tecendo?!

“ Hiro gelou quando viu Ayame entrar no carro e abrir um largo sorriso sentando-se ao seu lado no carro.”

- Não está acontecendo nada, cara criança. Apenas as belas flores resolveram fazer um jardim particular no outro carro e nós meras abelhas teremos que permanecer aqui apenas com a lembrança de seus aromas!

“ Hiro não havia entendido nada. Estava em pânico com aquele homem assustador ao seu lado. Yuki sentiu pena do jovenzinho mas não para evitar querer matar o gato dentro do carro, não se sentaria em um lugar que pudesse vê-lo de frente, então olhou pela janela ignorando o desespero do pobre. Hatori colocou a mão sobre a cabeça do menino.”

- Elas resolveram voltar juntas para conversar. Chegaremos logo, agüente firme até lá.

by Leandra