04/12/2009

170


Kazuma havia chegado todo ofegante na casa, e esperava em pé no meio da sala, por sua ilustre moradora.

-A que devo a honra de sua visita, Kazuma-san

-Como está Ren-san?

O homem se inclina de maneira bem respeitosa a sua frente.

-Veio me avisar que finalmente aconteceu ao Akito o mesmo que a mim? O trancaram em algum lugar alegando que ele ficou louco?

-Vim avisar a esposa do nosso antigo patriarca que nesse atual momento sou eu a pessoa quem ocupa as funções de seu falecido esposo.

-Você? E Akito? O que aconteceu com ele?

-Devido a um problema de saúde Akito-sama teve que se afastar por alguns dias da sede.

Ren se senta no tatame e Kazuma se senta a sua frente.

-Agradeço a consideração que o Kazuma-san teve ao vir me avisar disso. A minha prisão domiciliar continuará sendo essa mesma, ou irá me transferir para outro lugar? Não me diga que irá me mandar para o retiro? Não foi lá que os Sohmas deixaram o seu avô preso por vários anos?

Ren odiava todos os Sohmas e não perdia a oportunidade de ferir a qualquer um deles. Kazuma já imaginava que aquela conversa não seria fácil, mas estava disposto a conversar com aquela mulher, afinal, ela tinha sido a esposa do patriarca anterior.

-Se eu pudesse derrubaria aquele lugar.

-O Kazuma-kun sempre foi um Sohma que me intrigou muito. Sempre teve um posicionamento diferente dos demais do clã, principalmente com relação aos possuídos. Foi até mesmo capaz de adotar aquele garoto quando ele ficou órfão de mãe.

-Creio que com relação aos possuídos pensamos a mesma coisa.

-Que são pobres coitados? Que Akito os faz de brinquedos com essa história estúpida de enlace? Se pensar assim, então de fato pensamos a mesma coisa.

-Por que a Ren-san sempre pensou isso?

-Porque essa é a única verdade.

-Gostaria de entender as razões dos pais odiarem os seus próprios filhos.

-Sim, nesse ponto eu sou igual ao sobrinho daquela velha nojenta. Ambos odiamos os nossos filhos.

-Você deveria dizer que odeia a sua FILHA.

Ao escutar aquilo, Ren fecha com forças as suas mãos.

-Então já descobriu esse segredo?

-Descobri ontem. Mas não poderei contar os detalhes.

-Hunf!! Certamente foi aquela velha asquerosa da Yoko. Ela sempre jogou na minha cara o fato de eu não ter gerado um filho homem para o meu amado Akira. Que se o meu amor fosse realmente tão grande por ele, que eu teria lhe parido um filho macho.

-Pelo visto, a Ren-san odeia ainda mais a Yoko-san do que o Akito-sama.

-É, pode ser que tenha razão.

-Curioso, isso até parece ser aquelas relações de amor e ódio entre nora e sogra.

-AAHAHAHAHHAHAHAHAHAH

Ren ria sem parar e Kazuma a olhava espantado.

-O Kazuma-san de fato é um Sohma bem diferente dos outros, o senhor consegue pensar.... ahahahahhahaha Aquela pobre infeliz da Eiko-chan deve estar tranqüila vendo que o filho é criado por alguém como o senhor... ahahahah

- É claro!!! A Ren-san conheceu a mãe do Kyo!

-AHAHAHAHHA.... Não estou falando!! O Kazuma-san é o único de todo o clã que deve ter uns 3 ou 4 neurônios. Ahahahahha... Esse clã maldito que é formado de burros e cegos....... ahahahah.... Não é a toa que ficou como o novo patriarca.... ahahahah

Kazuma percebe que aquela era a oportunidade que ele estava esperando para lhe perguntar o que queria de fato saber.

-Por um acaso a Ren-san sabe de outros segredos dos Sohmas e é por isso que nos chama de burros e cegos?

Ren para de rir e olha atentamente para o Kazuma.

#Será que ele conseguiria realizar o meu desejo? Não perderei nada se tentar, e ganharei a minha vingança se ele descobrir.#

-Quem dentro desse clã não guarda uns dois ou três segredos? Acredito que deveria aproveitar que está com um tempo livre, agora que é patriarca, e estudar melhor a árvore genealógica da sua família. Se olhar com atenção verá que tem certas coisas que não batem.

O homem a olhava atentamente e sabia que apesar de não ter entendido o que ela havia falado, certamente aquela era alguma dica para ele encontrar a resposta de sua pergunta.

A Mulher se levanta e lhe sorri de forma muito sarcástica.

-Depois venha me contar o que encontrou, Kazuma-SAMA.

A mulher se inclina em sinal de respeito e o professor vai embora.

#Eu prometi a Tsukiko-sama que nunca contaria esse segredo para ninguém, mas nunca lhe prometi que iria protegê-lo.#

Kazuma voltava para a mansão com passos bem apressados, queria analisar todos os documentos antigos sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

by DonaKyon

02/12/2009

169


Kazuma fica um pouco sem ação ao escutar aquilo. Shigure e Ayame apenas o olhavam sem entenderem o que estava acontecendo.

-.... Por favor, Hatori, diga ao meu filho para não vir ao Dojo por esses dias. E muito obrigado, por me avisar.

O homem desliga o celular e o entrega ao seu dono.

-O que foi Kazuma-san?

-Shigure, acho que você tinha razão.

-O que o Haa-san descobriu?

-A Yoko-san acabou de mandar para trabalhar no Dojo uma empregada que se parece com a Eiko-san.

-Mas Akito a tinha mandado trabalhar bem longe da sede.

-Parece que a Yoko-san fez questão de não cumprir justamente essa ordem.

-Eu sabia. Aquela velha está escondendo alguma coisa.

-Do que estão falando?

-Não se preocupe, Aaya. Lhe contarei tudo no caminho. Kazuma-san, tome muito cuidado.

Os dois possuídos saem da biblioteca deixando o professor todo pensativo.

#Com qual objetivo a Yoko-san mandou para o Dojo uma empregada que é parecida com a Eiko-san? Será que ela só queria perturbar o Kyo com isso? Mas por quê?#

Yoko da janela do seu quarto tinha uma visão que lhe favorecia ver quem chegava e quem saia da mansão, e depois de ver que o Shigure e o Ayame tinham saindo da casa, ela vai até a biblioteca. A governanta bate na porta e ao escutar a ordem para entrar ela a abre.

O homem tinha voltado a revirar a ampla biblioteca atrás de alguma informação para terminar com a maldição, e agora estava sentado no tatame com duas pilhas enormes de livros a sua frente.

-Kazuma-san, o que desejará comer agora à noite?

-Pode ser qualquer coisa.

-Que bom que todos do clã o aceitaram como patriarca.

-Será por poucos dias.

-É por isso que está tão desesperado para encontrar o que procura?

O professor fecha o livro que lia colocando-o no chão e olha para a mulher que estava a pé ao lado da porta.

-E isso lhe preocupa?

-Claro. Como governanta da mansão dos patriarcas dos Sohmas, e quem viu o nascimento nessa casa dos dois últimos patriarcas, eu tenho a obrigação de me preocupar com o bem estar e os desejos dos patriarcas.

-A Yoko-san está aqui na mansão desde quando?

-Cheguei alguns anos antes morte do avô de Akito-sama.

-Akio-sama, lembro-me um pouco dele. O Akira-sama era o seu filho mais novo, e foi o seu único filho homem também. Eu cheguei a brincar algumas vezes com o antigo patriarca, creio que ele teria uns dois ou três anos mais do que eu se estivesse vivo.

-Ele seria quatro anos mais velho que o senhor.

-Sem dúvida a senhora tem uma ótima memória.

-Não está mais tão boa como era antes.

-A última vez que estive com Akira-sama, foi um pouco antes do seu casamento com a Ren-san.

-Aquela mulher o roubou para ela. Depois que se casaram ninguém mais chegava perto do Akira-sama. É por isso que ela odiou tanto o Akito-sama quando ele nasceu. Ele foi o único que conseguia afastar o patriarca dela.

O homem se levanta e cruzas os braços.

-Yoko-san, me lembrei de que tenho um compromisso agora. Voltarei antes da hora do jantar.

#Como não me lembrei dela antes#

Kazuma passa pela mulher a deixando sozinha na biblioteca. O que lhe dá a oportunidade de ir ver quais tipos de livros ele estava lendo.

#Esse livros são de histórias antigas a respeito da maldição dos doze signos do zodíaco. Será que ele acha que existe alguma maneira de acabar com a maldição deles? É isso que ele está procurando? Esse homem ama tanto assim aquele monstro? Logo ele que desprezava o avô quando era criança, agora está aqui, desesperado a procura de uma maneira de acabar com a maldição do filho adotivo.#

Yoko pega um dos livros mais antigos e que era escrito a mão e o esconde na manga de seu quimono.

#Pode ser que o Higuchi-kun tenha razão. Talvez possamos nos livrar do Kazuma-san da mesma forma que nos livramos da Eiko-san.#

by DonaKyon

29/11/2009

168


Shigure abria a porta da biblioteca ainda chorando de tanto que estava rindo, e ao seu lado estavam os dois primos.

-Kazuma-san, o senhor infelizmente perdeu a melhor parte da reunião do clã.

- O que aconteceu, Shigure?

-A minha querida ”sogrinha” começou a protestar novamente pelo fato do marido dela não ser o patriarca, e aí o Aaya lhe fala que se ela queria tanto assim ser a esposa do patriarca bastava que ela separa-se do marido e se casa-se com o senhor.... ahahahhahaha

-Acredito que o Kyo não irá aceitar isso.

-AHAHAHAHHAHAHAH, É VERDADE A SHINSEN-SAN FICARIA SENDO A MÃE DE TRÊSPOSSUÍDOS.... AHAHAHHAHAHAHA

-É verdade Guretti. Até euzinho me esqueci disso... ahahahahhaha

Hatori deixa os possuídos se matando de tanto rir e pergunta ao novo patriarca.

-O senhor já tem separado os documentos para enviarmos ao Hanajima-kun?

-Sim, Hatori. São esses daqui.

-Ora, ora.... Vejam só a pressa que o nosso médico está!

Hatori apenas olha furioso para o Shigure, mas esse nem se intimida com o seu olhar. O médico pega a pilha de documentos, tudo o que ele queria agora era ir para perto da Akito.

-Ficará parado aí ou irá comigo?

-Pode deixar Tori-san. Eu mesmo levarei o Guretti para casa.

-Por que vocês não aproveitam para fazer uma lua-de-mel?

Ayame e Shigure olham-se entre si e começam a rir.

-Ahahahahha, escutou essa Aaya? Ele já a quer só para ele.

-Ahahahhah, o nosso Tori-san finalmente está agindo como um homem apaixonado.


BLAMMM


-AHAHAHAHHAHAHAHAH

#São dois idiotas mesmo.#

O médico deixa os dois possuídos rindo dentro da biblioteca e começa a caminhar com passos bem largos pelo corredor da casa quando escuta o Kazuma a lhe chamar.

-Hatori... Poderia me fazer um favor?


-Certamente que sim, Kazuma-san.

-Deixe esses papéis lá no Dojo.

-Se tiver qualquer problema, por favor, me ligue, Kazuma-san.

-Mande lembranças ao meu filho.

O médico volta a caminhar pelo corredor.

#De fato, estou agindo como um homem apaixonado, mas aqueles dois não precisam fazer piadas disso.#

Hatori entra no carro, e coloca os documentos no banco de trás.

#Em pensar que ontem ela estava aqui atrás. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe de mim. Não vejo a hora de tê-la nos meus braços. #

O médico por pouco não se esquece que tinha que passar no Dojo, ele para o carro e buzina. Uma jovem empregada sai de dentro da casa.

#Mas aquela é.... O que ela está fazendo aqui?#

-Pois não, Hatori-san?

-Você não é a empregada da casa do patriarca que eu cuidei a duas noites?

-Muito obrigada pelos seus cuidados. Não tive a oportunidade de lhe agradecer antes.

-Achei que o Patriarca a tivesse mandando trabalhar em outra de nossas propriedades.

-A Yoko-san, me pediu para cuidar do Dojo do novo patriarca, durante a ausência de Akito-sama.

#Por que a Yoko-san não obedeceu a uma ordem tão direta de Akito?#

-Por favor, o patriarca mandou esses documentos para o seu assistente.

A mulher pega os papéis e volta para dentro da casa enquanto que o médico saia com o carro e procurava pelo celular dentro do bolso do paletó.

#Isso é muito estranho!#

Com um pouco de dificuldade, por estar dirigindo, ele liga para o celular do Ayame.

-Alôo...

-AHAHAHHAHAHAHAHHA

#Que vontade de desligar!# -Ayame, é sério! Ainda estão com o Kazuma-san?

Ao perceber que a voz do médico estava bem séria, a serpente fica apreensiva e para com a brincadeira.

-Estamos sim, Tori-san

-Me passe para ele.

- O que foi Hatori?

-O senhor está com uma nova empregada, não é mesmo?

-Sim. A Yoko-san a mandou para o Dojo hoje.

-O senhor já a viu?

-Não. Por quê?

-Essa moça que está trabalhando no Dojo se parece com a Eiko-san.

Kazuma fica um pouco sem ação ao escutar aquilo. Shigure e Ayame apenas o olhavam sem entenderem o que estava acontecendo.

by DonaKyon

27/11/2009

167


Hanajima e a Tohru estavam sentadas na grama entre as enormes árvores que rodeavam a casa do escritor, e a órfã reconhece aquele local, era exatamente onde ela tinha montado a sua pequena barraca e ficou morando por uma semana, sem ao menos imaginar que ali era o quintal do príncipe do seu colégio.

-Foi aqui que tudo começou.

Hanajima segurava na mão da amiga e olha a sua volta.

-Então foi aqui que a Tohru-chan morou quando saiu da casa do seu avô? De fato, é um lugar um pouco perigoso.

-Hana-chan.... Não acha que devemos nos afastar deles?

-Ainda está muito assustada por causa de ontem?

A garota apenas confirma que sim com a cabeça.

-Acho que eles sofreram ainda mais se nós nos afastarmos deles agora do que se for por esquecimento.

-Mas isso não é justo Hana-chan! Se Akito-san mandar apagar as nossas memórias nós não iremos sofrer, mas eles sim. Eles é que ficarão lembrando até o resto das suas vidas tudo o que aconteceu.

-Eu sei.

-E não acha que estamos sendo muito egoístas só pensando na nossa felicidade de agora sem nós importarmos com o que acontecerá depois?

-“O amor é o começo de um milagre”

Ao escutar aquela frase que a sua mãe tinha lhe falado tantas vezes, Tohru abraça os joelhos e começa a chorar com a cabeça encostada neles.

-A Dona Kyoko sempre acreditou nisso. Ela sempre falava que se não fosse o amor do seu pai por ela, certamente teria se perdido de vez nas trevas daquele mundo onde ela estava. Eu também acredito nisso, Tohru-chan. É por isso que mesmo me sentindo tão insegura, com tanto medo como estou, eu quero ficar ao lado do Kyo. Quero acreditar que o amor trará o milagre que precisamos.

Tohru ainda chorando olha para a amiga que estava ao seu lado lhe sorrindo, e reconhece que a Saki sentia exatamente o mesmo que ela estava sentindo naquele momento, mas que tinha decidido a ficar ao lado do garoto e a acreditar que o amor iria fazer o milagre de transformar aquele triste destino.

Hanajima segura nas duas mãos da amiga e lhe pergunta com um sorriso cheio de esperança.

-E a Tohru-chan?! Também acreditará que o amor pode fazer milagres?

-Tem razão Hana-chan. Vamos acreditar!

As duas se levantam do chão e começam a caminhar em direção da casa.

-Vamos falar para a Aa-chan que você entrou chorando porque tirou uma nota baixa, assim ela não ficará preocupada.

-Tá! E por que não foi para o colégio?

-O Kyo queria passar esse tempo comigo.

-E a senhorita Akito? Ela não demonstrou se lembrar de nada?

-Se lembrou de algo apenas relacionado a mãe do Kyo. Acredito que ela própria está evitando a se lembrar de seu passado, pois em momento algum, ela me perguntou sobre o seu passado, apenas o que gostava de comer.

-Mas a gente não sabe essas coisas delas.

-Sim, mas eu inventei. Acho que a Tohru-chan deveria fazer o mesmo também.

As garotas passam próximas da base secreta do Yuki e vêem que ele e o Haru estavam se beijando escondidos por entre as árvores, passando diretamente por eles sem serem vistas.

-Nhaa... Fico tão feliz por ver que o Yuki-kun e o Hatsuharu-kun se entenderam.

-Se as garotas do fã-clube do Prince-Yuki ficarem sabendo disso, acredito que teremos um grande número de suicídios no colégio.

-Cruzes, Hana-chan. Elas não fariam algo tão drástico assim.

-A presidente do fã-clube do Kyo esteve aqui hoje.

-OQUE? Como ela sabe onde o Kyo mora?

-Não sei. Mas por pouco que ela não o abraçou.

-Nossa?! Não quero nem imaginar o que aconteceria se algumas dessas garotas descobrissem o segredo deles.

-Essa é a nossa função Tohru-chan, proteger o segredo dos nossos namorados e do Yuki-kun e do Hatsuharu-kun.

-Sim. Vamos protegê-los a todo custo.

-Pelo visto tem alguém que está muito preocupado.

Hanajima olhava para o Momiji que estava sentado na varanda da casa, com a cabeça baixa, os olhos fechados e segurando as duas mãos como se estivesse fazendo uma prece.

by DonaKyon

24/11/2009

166


Enquanto terminava a reunião na mansão dos patriarcas do clã Sohma, Tohru, Momiji, Yuki e Haru voltavam para a casa do Shigure caminhando. Os três possuídos já tinham notado que a garota tinha passado o dia todo muito distante.

Momiji segurava em sua mão, mas não conversavam nada. Ambos andavam um pouco atrás de Yuki e Haru que caminhavam conversando sobre o dia no colégio.
Assim que entram em casa, Tohru reconhece os sapatos da amiga. Ela tira os seus rapidamente e corre para dentro da casa. Os três ficam lhe olhando sem entenderem nada.

-Hana-chan... Hana-chan....

-Estamos aqui na cozinha, Tohru-chan.

A colegial corre para lá e os encontram sentados a mesa. Kyo e Hanajima estavam sentados um ao lado do outro e a Akito do outro lado da mesa de frente para a colegial. Tohru rapidamente anda para o lado da amiga e a abraça bem forte e chorando baixinho em seu ombro.

-Tohru-chan?! O que foi??

Momiji fica parado na porta da cozinha com o coração na mão. Sofria tanto quanto que a Tohru estava sofrendo. Hanajima se levanta e leva a amiga para fora da casa. Ela não precisava ler os pensamentos da jovem para saber que ela precisava desabafar algo.

Akito se levanta para ir junto com as garotas, mas o Kyo a impede de ir segurando em sua mão. Os quatros sabiam que Akito não poderia escutar a conversa das duas, uma vez que na realidade não era uma amiga delas.

-Eih, onde pensa que vai?

-Vou com a Tohru e a Saki. Não viu que a Tohru entrou chorando?

-E a louça?

-Louça?! Que Louça?

-A que você vai lavar.

Kyo a puxa pela mão e a deixa diante da pia com um monte de panelas, pratos e copos.

-QUEEE?

-Eu cozinhei e agora é a sua vez.

-Mas e a Saki? Ela também comeu.

-Sim, mas ela é visita. E visitas não lavam a louça.

Kyo continuava segurando Akito pelas costas o que a mantinha em frente da pia. Os três primos recém chegados do colégio olhavam aquela cena espantados, não sabiam qual dos fatos era o mais surpreendente, se era o patriarca recebendo ordens do possuído pelo gato, ou se era o contato físico entre os dois, uma vez que Akito sempre tinha sentido um enorme nojo do garoto, ou se era a Akito vestindo um avental para lavar a louça.

Haru tira o celular do bolso e começa a fotografar a cena.

-O que está fazendo Haru? – Yuki lhe perguntava bem baixinho.

-É melhor registrar. Quando a gente contar isso para o Shigure-sensei e o Tori-san eles não irão acreditar.

Kyo deixa a Akito toda desajeitada na frente da pia e se vira encontrando os outros três com cara de espanto. Ele passa por eles sem falar nada e subindo para o seu quarto.

#Não precisam fazer essa cara. Até mesmo EU não acredito no que acabou de acontecer.#

Akito colocava quase meio frasco de detergente na esponja e agora tentava começar a lavar a louça, segurando a panela cheia de gordura e a esfregando lentamente e de uma maneira não muito firme o que fazia com que ela caísse toda hora na pia fazendo um grande barulho.

-Yuki-kun... Haru-kun... Será que a gente não deveria ajudá-la?

Momiji olha em sua volta mais já não encontrava a nenhum dos possuído. Ele caminha até a entrada da casa e se senta na varanda.

#Eu sei como a Tohru-chan está se sentindo. Eu também estou vivendo com esse medo agora, mas mesmo assim quero muito ficar ao lado dela. Mesmo sabendo que amanhã isso tudo pode acabar, eu prefiro viver esses momentos. Porque não existe dor pior do que a dor de sofrer por aquilo que não foi vivido. Por favor, Tohru-chan, entenda isso e continue ao meu lado. Mesmo que seja por somente mais meia-hora, eu prefiro passar esses minutos ao seu lado do que longe de você. Por favor, Tohru-chan, entenda que eu sofrerei ainda mais se te ver sofrendo longe de mim.#

by DonaKyon

22/11/2009

165


-AHHH... Eu não acredito que tive que ficar todo esse tempo com a minha cabeça abaixada justamente para o Kazuma.

Shinsen se levantava sentindo-se extremamente ofendida por aquela situação.

-Hatori-kun, certamente o problema de Akito-sama deve ser neurológico, o patriarca deve ter desenvolvido a doença de sua mãe e ficou louco de vez. Onde já se viu, não deixar a minha família a frente do clã durante a sua ausência? O posto de patriarca deveria ficar para o meu marido, e eu seria a primeira dama do patriarca. Entre todos os Sohmas, a nossa família é a mais importante e nobre, acima de nós só está à família do patriarca. Essa tão alta posição está a minha altura.

-A senhora tem toda razão minha mãe.

Ayame havia falado de uma forma ponderada e ao mesmo tempo muito segura. Todos os presentes lhe olharam espantados ao ver que o jovem estilista não estava falando com da sua maneira tradicional, sendo que a sua mãe foi até mesmo obrigada a se sentar ao escutar aquilo. Nunca em toda a sua vida o filho tinha concordado com ela.

-Certamente a senhora está a altura de ser a esposa do patriarca do clã dos Sohmas. Um dos clãs mais importantes do Japão. E eu sei o que a senhora tem que fazer para ocupar essa posição tão alta no nosso clã.

Como os presentes conheciam a personalidade megalomaníaca do jovem, que não se cansava de falar desde criança que ele era da nobreza, um príncipe, uma alteza, entre outras coisas, todos estavam seguros que o rapaz havia encontrado finalmente a oportunidade para concretizar as suas fantasias. Ayame olha para a sua mãe e lhe fala como se aquilo fosse a coisa mais lógica do mundo.

-O que a minha adorável e honorável mãe deve fazer para ocupar essa tão alta posição é muito simples. Basta se separar do meu pai e se casar com o professor Kazuma. A senhora se esqueceu que o professor é um patriarca SOLTEIRO?

Todos se seguraram para não rirem, a mãe da Rin que estava ao lado da Shinsen chegava a ficar vermelha. A mãe dos dois possuídos olhava sem acreditar no que o SEU filho tinha acabado de lhe falar. Ela olha toda indignada para o marido que estava sentado a sua frente, e ao ver que ele não ia repreender o filho ela lhe grita.

-QUERIDO, VAI SIMPLESMENTE FICAR CALADO? ESCUTOU O QUE O IDIOTA DO SEU FILHO FALOU?

O homem ajeita os óculos e lança a pergunta para todos os presentes.

-Se a Shinsen-san se separar de mim e se casar com o patriarca a minha pensão será de quanto?

Após aquela pergunta era impossível para o Shigure continuar se segurando e ele é o primeiro a soltar uma tremenda gargalhada, a mãe da Rin foi a segunda, e depois foi impossível ver a ordem de quem tinha começado a rir, pois todos os presentes já estavam rindo.

-AH....AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!

Após dar aquele estrondoso grito a mulher se levanta e sai da sala deixando todos rindo ainda mais.

#Maldita família Sohma. Mil vezes maldita!! Todos nesse clã são amaldiçoados.#

-A reunião já acabou Shinsen-san?!

A mãe do Yuki e do Ayame passa ao lado da Yoko deixando bem claro que tinha escutado a pergunta e que a tinha ignorado mesmo.

#Essa sim tem a pose da esposa que sonhei para o meu filho. #

A velha governanta volta a caminhar lentamente pelo longo corredor e vai para o seu quarto.

by DonaKyon

20/11/2009

164


Hatori e Kazuma olham para o Ayame, realmente era quase impossível que pelo menos um deles não soubesse de tal carta.

-Alguém está mentindo!

A voz de Shigure era repleta de acusação e todos olham espantados para o escritor.
-Mas por que mentiriam sobre isso, Guretti?

-Porque tem alguma coisa por trás dessa carta. Kazuma-san, o senhor contou a Yoko-san como ficou sabendo da carta?

-Não, Shigure. Apenas lhe perguntei se ela sabia onde estava a carta.

-Então não lhe faça mais nenhuma pergunta sobre isso. E vamos ver como ela irá reagir.

-Guretti, você acha que a Yoko-san está mentindo?

-Tenho quase certeza que sim.

-E agora nem poderemos perguntar a Akito sobre isso.

Shigure olha para o Hatori com um pequeno sorriso nos lábios, sem perceber o médico tinha falado o nome do patriarca de uma maneira muito mais leve.
Uma das empregadas bate na porta para visar ao novo patriarca que todos já estavam o esperando no local da reunião.

-Boa sorte, Kazuma-san. E nos desculpe por deixar essa ingrata missão em suas mãos.

-Não se preocupe Hatori.

Kazuma sai na frente sendo seguido pelos três possuídos.

Apenas um grupo é que faziam parte das reuniões dos Sohmas, e nelas participavam as famílias de todos os possuídos e mais algumas de “fora” que nada sabiam sobre a maldição, portanto, nem uma palavra sobre aquele assunto era dada durante essas reuniões.

Assim que Kazuma entra na sala todos ficam em silêncio, e o professor recebe olhares de raiva e ódio de boa parte das famílias dos possuídos. Os três amaldiçoados se sentam no local reservados para eles, bem como Kazuma, que se senta no local que sempre tinha sido ocupado pela Yoko.

-Muito obrigado por terem vindo. Serei bem breve para não ocupar o tempo dos senhores. Devido a um problema de saúde o nosso patriarca precisará se afastar por alguns dias de suas funções e me deixou responsável pelo clã até o seu retorno.

Imediatamente vários múrmuros tomam conta da sala.

-Mas por que foi o senhor a pessoa escolhida para ficar no lugar de Akito-sama? A minha família é a que tem um status mais privilegiado dentro do clã. O meu marido é quem deveria ser o indicado.

Ayame e Shigure precisam se segurar para não rirem, Shinsen, a mãe do Ayame e do Yuki, havia falado exatamente o que eles imaginaram.

-Infelizmente eu também não sei os motivos do Akito-sama. Apenas recebi uma carta do patriarca com a sua decisão. Aqueles que não acreditarem em minhas palavras poderão ler a carta que está aqui em minhas mãos.

-Creio que não será necessário. Se essa foi a decisão de Akito-sama temos que acatá-la.

O pai do Momiji é o primeiro a manifestar o seu apoio e respeito pelo novo patriarca, inclinando a sua cabeça, logo esse gesto vai sendo copiado pelos demais, mas os pais do Ayame e da Rin foram os últimos a fazerem.

Era visível que aquelas duas famílias foram as que menos haviam gostado daquela decisão. Não conseguiam aceitar que justamente o neto do antigo possuído pelo gato e o pai adotivo do atual gato fosse a pessoa escolhida pelo kamisama para ficar em seu lugar.

-E onde está o Akito-sama, Hatori-kun?

O pai do Shigure finalmente faz a pergunta que todos queriam fazer.

-Está em repouso numa das nossas propriedades. O patriarca me proibido de revelar onde ele está.

Os familiares dos possuídos sabiam que não adiantava perguntar mais nada ao médico.

-Se não tiverem mais nenhuma pergunta a nossa reunião acabou.

-Kazuma-sama, eu gostaria de lhe pedir a sua autorização para que o Momiji-kun possa ensinar violino a minha filha Momo.

Os pais dos amaldiçoados olham diretamente para Elisa, o que a deixa bem constrangida. Era impossível para a mulher decifrar o que aqueles olhares queriam lhe dizer.

-Tem a minha permissão, Shirou-san.

Os pais do possuído pelo coelho se inclinam em agradecimento.

-Essa daí é que se deu bem. Nem se lembra que pariu uma aberração, mas tem o direito de receber a mesma quantia que você.

Shinsen fala baixinho para a mãe de Rin que estava sentada ao seu lado.

-Ás vezes, tenho vontade de fazer o mesmo que a Elisa-san fez. Eu imagino o sofrimento que a Shinsen-san sente por ter parido duas aberrações.

-Pelo menos um deles é o possuído do rato, o que me rende uma “mesada” muito maior que a de vocês.

A mãe do Yuki e de Ayame olha para a mulher cheia de superioridade, e a mãe da Rin vira o rosto e volta a olhar para frente.

-Será que o Kazuma-sama poderia conceder uma parte do seu tempo a algumas das famílias que estão aqui?

O pai do Shigure é novamente o porta-voz dos demais, e era evidente que aquelas “algumas famílias” eram os pais dos possuídos.

-Creio que isso poderá ser feito outro dia, meu querido papai. O Kazuma-sama não poderá tratar sobre esse assunto agora.

Shigure sente que está sendo fuzilado pelos olhares dos seus pais naquele momento.

-Garanto aos senhores que essa situação será por pouco tempo. Em breve o nosso patriarca estará de volta.

Kazuma se levanta e todos os presentes inclinam a cabeça em sinal de respeito à função que ele está ocupando, o professor saí da sala, deixando todos os Sohmas com suas cabeças abaixadas, uma vez que só poderiam a levantar quando o patriarca não estivesse mais na sala.

#Ufa, foi mais difícil do que a final de uma competição. Ainda estou tremendo por dentro. Pobre daquela garota que vive essa pressão há tantos anos. Ninguém faz idéia do peso que esse cargo tem. Acredito que agora entendo um pouco mais as razões do patriarca ter aquela personalidade.#

Kazuma retornava a biblioteca para separar os documentos que seriam enviados ao Megumi-kun.

by DonaKyon