24/10/2009

152


Kyo volta a caminhar e entrelaça os seus dedos nos delas, aquela sensação ainda lhe dava uma forte emoção. Ele tinha a certeza de que, aquela garota que caminhava ao seu lado, era a única que poderia lhe provocar todo aquilo que ele estava sentindo.

#Falam que encontrar a pessoa certa é coisa do destino, mas no nosso caso não foi o destino. Foi as nossas maldições que nos uniu.#

Os dois começam a perceber que estavam chamando muito a atenção dos outros, estava na cara que os dois estavam cabulando as aulas para fazer algo que não devia. Os dois tem o mesmo pensamento e soltam as mãos.

-Você leu o meu pensamento, Kyo?

-Não, mas a gente pensou a mesma coisa.

-Será que não é melhor que pelo menos um de nós troque de roupa?

-A casa do Shigure é mais perto do que a sua, vamos até lá.

Saki percebe que aquela idéia poderia render bons frutos. Ela sabia que era uma questão de tempo, pois se lembrando ou não, Akito voltaria a tomar conhecimento dos possuídos e a garota queria que o gato e o kamisama se conhecessem melhor antes dela saber novamente. Como a garota não lhe respondeu de imediato, o gato começa a imaginar que ela poderia ter entendido mal os motivos deles irem para a casa do escritor.

-Heim.. Não se preocupa. Não vamos fazer nada. Não estou falando para irmos até a casa do Shigure só para ficarmos sozinhos lá e....

-Eu nem pensei nisso.

-Ufa, ainda bem. Não sou nenhum pervertido como aquele cão sarnento.

-Eu sei disso. Até porque não estaremos sozinhos, a Aa-chan estará por lá.

-Aa-chan?! De onde tirou esse apelido?

-Não acha que ficou tão bonitinho e que combinou tanto com ela?

-Você e Akito sendo amigas. Isso é tão fora do comum.

-Por que acha isso? Na verdade, tanto ela como eu sentimos as mesmas dores e culpas. Sempre soubemos que somos diferentes das outras pessoas, sempre tememos a nos mesmas. E por isso fomos muito rejeitadas. Para minha sorte, eu nasci numa família onde todos sempre me aceitaram e cuidaram de mim com carinho e depois encontrei amigas maravilhosas, mas a Akito nasceu como o patriarca de um grande clã e o kamisama de vocês, ela nunca teve uma família cuidando dela e nem a oportunidade de ter amigas. Não pode nem mesmo ser a mulher que ela é de fato.

-Então o que sente é pena?

-Não. Não sinto pena de ninguém. Todos temos a vida que escolhemos ter. Eu reconheço nela as mesmas fraquezas que tenho, por isso quero me tornar a sua amiga.

-E depois que ela se lembrar de tudo?

-Isso verei depois. Não dá para prever o que acontecerá, o futuro é constantemente modificado pelos nossos atos do presente. Mas a Dona Kyoko me ensinou que bons atos no presente sempre criarão bons atos no futuro.

Kyo ao ouvir o nome da mãe da Tohru se recorda de sua própria mãe e de tudo o que tinha descoberto sobre Akito. Saber que a mãe dele tinha amado e também que era amada pelo patriarca havia feito pensar melhor sobre os sentimentos que a sua mãe sentia por ele.

-“Mas é claro que você é humano.” “Estou muito orgulhosa de você” “Por você, eu daria tudo. Eu até morreria por você.” Essas são as frases que mais me recordo que a minha mãe me falava, mas sempre acreditei que eram apenas palavras vazias. Mas agora que descobri a ligação da minha mãe com o patriarca, acho que aquelas palavras eram cheias de sentimentos. A minha mãe deve ter sido uma mulher muito especial, pois ela conseguiu ser amada por Akito.

Saki lhe sorri. Tinha quase certeza de que seu plano poderia dar certo. Ela iria aproximar aqueles dois que amavam a mesma mulher quando eram crianças.

O caminho até a casa do Shigure, foi um pouco mais demorado do que imaginavam, já que Hanajima não abriu mão de passar por duas padarias que ficavam no caminho.

by DonaKyon

20/10/2009

151



Kyo esperava encostado em um banco que ficava de frente para a saída da estação de trem. Não tinha combinado nada no dia anterior que iria esperar por ela, mas lhe parecia que aquilo era um pouco óbvio, afinal agora eles estavam namorando. Já sabia, pelo horário que a garota tinha chegado naquele trem que acabará de parar na estação, pouco tempo depois a Hanajima passava pela catraca com os pensamentos bem longe, e ao ver que o garoto a esperava, faz a maior cara de espanto.

#Para ela não era óbvio que eu estaria aqui.#

Hanajima caminha até ele com a mesma calma de sempre.

-Bom dia. Aconteceu alguma coisa?

-Eih, não tava na cara que eu ia te esperar aqui?

-Sinceramente não.

O garoto dá um suspiro e depois olha nas mãos da colegial e vê que ela estava levando apenas a sua pasta escolar. Ele lhe bem sério e fala com um tom mais bravo em sua voz.

-Eih, cadê o meu bentô?

-Seuuu? Bentôôo?

-É! O meu bentô que você levantou às 5 da manhã pra preparar para mim?

-Você está lendo muito mangá ou assistindo muito anime?

Kyo ao escutar aquilo e ao ver a expressão de extrema calma que a garota mantinha em seu rosto, não consegue mais manter a representação, e começa a rir.

-Ahahahah.... Essa é a minha namorada...ahahahahha

Ele pega a pasta que a Hanajima levava, segura em sua mão direita e começam a caminhar pela tranquila rua. A garota lhe olha e percebe que ele, apesar de estar com o semblante mais leve, tinha em seu olhar algum tipo de preocupação.

-O que está te preocupando?

-Saki, tem certeza que não consegue ler os meus pensamentos?

Ele olha para a garota e nota que ela estava um pouco envergonhada. Ainda não tinha se acostumado com ele a chamando apenas pelo nome.

-É um pouco estranho, mas eu gosto.

-Se quiser eu volto a lhe chamar de Hanajima.

-Não, pode me chamar só pelo meu nome. O que te preocupa?

-Akito.

-Aconteceu alguma coisa?

-Ontem pela primeira vez ele falou..

-ELA falou...

-Sim, elAA falou comigo sem me ofender... Até falou que eu era “bonitinho e mal educado”.

-Ahahahah, aposto que deve ter caído de queixo no chão quando escutou isso.

-Saki, você é uma bruxa mesmo!

O garoto lhe olhava sorrindo e havia lhe falado aquilo com um tom doce em sua voz, a colegial volta a olhar para frente e lhe responde com o mesmo tom.

-Os gatos sempre estão com as bruxas.

Kyo abre um pouco mais o sorriso que já estava em seu rosto. Graças aquela garota, agora ele estava conseguindo sorrir de uma maneira mais natural. Os dois caminham em silêncio e de mãos dada por um tempo, como tinham tempo, caminhavam sem a menor pressa em direção do colégio.

#Por quanto tempo poderemos fazer isso? O meu maior desejo é que Akito nunca mais recupere a sua memória. Ficar com essa incerteza é algo que me deixa muito puto. E se a noite o Akito se lembrar de tudo? Amanhã não poderei estar assim com ela. Eu tenho que aproveitar o máximo que puder para ficar ao seu lado. Quero saber de tudo sobre a sua vida, suas dores, suas alegrias. Droga! Por que é que temos que ir para a escola agora? #

O possuído para de caminhar e a garota lhe olha a procura do motivo.

-Saki, eu sei que isso tem mais a cara daquela delinqüente do que da sua, mas o que acha da gente cabular a aula de hoje?

-Cabular a aula?

-É... A gente não sabe até quando isso irá durar.... Eu quero saber mais sobre você.... Só por hoje, vamos faltar e ficar esse tempo juntos.

-Hum... Mas o almoço de hoje lá da cantina é muito bom..... Por outro lado a gente poderia ir naquele restaurante de udon que abriu há pouco tempo, antes passaríamos por aquela sorveteria, depois, daria para comer aqueles takoyakis lá do parque....

-Mas... que falta de romantismo, heim..?

-Não se preocupe, não pedirei nada que tenha nira, assim poderemos comer tudo juntos.

#Retiro o que disse antes.#

by DonaKyon

18/10/2009

150


O coração do Yuki batia ainda mais forte agora que acompanhava o Haru até o banheiro. Assim que entram, ao ver que não tinha ninguém lavando as mãos, o boi rapidamente puxa o rato para dentro de um dos reservados e fecha a porta. Yuki, que fica exprimido entre o vaso sanitário e o possuído, nem tem tempo para falar que aquilo era perigoso, pois assim que fecha a porta, o Haru lhe beija.

Aquele beijo não era apenas um pedido de desculpa, era também um beijo de profunda gratidão ao Yuki. O garoto em nenhum momento o tinha culpado, e nem lhe abandonou. Ficou ao seu lado e quando mais ele precisou de um abraço, ele o abraçou. O sentimento que um sentia pelo outro tinha aumentado de uma maneira que nem mesmo eles próprios conseguiam acreditar que aquilo era possível. Durante uns cinco minutos os garotos se beijaram sem se importarem com o que estava acontecendo do lado de fora daquele reservado, e nem escutaram o sinal batendo.
Quando os garotos separam os seus lábios, o possuído pelo rato encosta sua cabeça no ombro do Haru e lhe sussurra em seu ouvido.

-Você sempre esteve me amando, a partir de agora é a sua vez de ser amado por mim.

Ao escutar aquilo, o coração do garoto parecia que ia explodir, ele segura na mão direita do Yuki e a coloca sob o seu peito. O primo lhe olha um pouco impressionado ao sentir o quanto que batia o coração do Haru naquele momento.

-Você sempre foi o único que fez o meu coração bater assim. Sempre me sinto mais vivo quando estou do seu lado. É por isso que eu sempre te amei.

Os olhos de cor ametista do possuído ficam ainda mais brilhantes naquele momento, ele dá um pequeno sorriso com os lábios e abaixa o seu olhar em direção da sua mão que ainda estava sob o coração do Haru.

-Isso não foi justo. A sua declaração foi mais bonita do que a minha.

-Então está um a zero pra mim, mas você pode tentar empatar o jogo.

Quando os lábios dos dois tinham acabado de se encontrarem mais uma vez, eles escutam que alguém estava batendo na porta do banheiro.

-Eih Haru-kun, está aqui?

-Fala Momiji-kun.

-É que a aula já começou... A sensei me mandou vir ver se estava tudo bem com você.

-Estou bem. Já estou indo pra sala.

-Tá... Eih Yuki-kun, a sua aula já começou também.... hihihihihi....

O coelho sai do banheiro dando risadas e o Yuki fica roxo de vergonha. Haru abre a porta do reservado rindo também.

-Ahahahahah... esse coelho é bem esperto pra idade dele.

-Ele tem a sua idade, Haru.

-É mesmo!

Os dois possuídos saem do banheiro como se nada tivesse acontecido, mas com os seus corações batendo muito mais tranqüilo agora. A sala de aula deles ficava em andar diferente e com um sorriso nos lábios o Yuki se despede e sobe as escadas. Ao entrar na sala, a Mayuko-sensei tem que parar a aula, pois era impossível falar com todo aquele barulho.

-Chega! Chega! O Sohma-kun pode se sentar. Espero que na hora que o Kyo-kun chegar, esse barulho não se repita.

O possuído vai se sentar no seu lugar e vê que as carteiras do Kyo e da Hanajima ainda estavam vagas.

by DonaKyon

17/10/2009

149


-Se a outra foi embora sorrindo, essa foi embora chorando.

-E por que é que o Haru-kun não falou que era o namorado do Yuki?

-Porque ainda não o pedi em namoro.

-Então depois terá que pedir a presidência do clube dele para a Minagawa-san.

-Acho que ela iria se matar se eu fizesse isso.

-AHH, eles chegaram! Tohru-chan, aqui! Aqui!

Tohru ao ver o garoto não consegue evitar de sorrir e corre para perto dele. Yuki ao ver que o Haru sente que o seu coração estava batendo mais forte. O possuído pelo boi se levanta do banco e lhe sorri quando ele finalmente chega ao seu lado.

-Bom dia, Haru.

-Bom dia, Yuki.

A vontade dos dois era a mesma naquele momento, queriam poder estar a sós para conversarem sobre tudo o que tinha acontecido no dia anterior para finalmente se acertarem, mas sabiam que aquela conversa teria que ser adiada por algumas horas.
Os dois possuídos começam a caminhar um pouco atrás do Momiji e da Tohru, que estavam de caminhando de mãos dadas como eles sempre tinham feito antes. Apesar de estar vestido com o uniforme masculino, o garoto ainda tinha um jeito todo fofo e meigo.

-Como estão as coisas na sede?

-Nem sei. Ontem mesmo o Hatori-san foi até a mansão, mas eu não o vi nessa manhã. E o patriarca?

-Estava dormindo quando sai de casa.

-É estranho saber que Akito é mulher.

-Mas teremos que nos acostumar, pelo menos enquanto Akito não se lembrar de nada.

-Será que tudo voltará a ser como era antes, se ele se lembrar de tudo?

-Acho que nem a Hanajima-san é capaz de responder isso.

-É...

-Ficou com ciúmes?

-O meu tratamento ainda não começou, mas vou me segurar muito mais agora.

-Agora é a minha vez de te ajudar.

Yuki olha sorrindo para o Haru que caminhava ao seu lado com as mãos nos bolso e a mochila no ombro, e o possuído pelo boi também lhe sorri.

-O que acha da gente andar de mãos dadas como eles?

-Além de ter dupla personalidade é louco também?

-Hehehe... Tem razão. Se aquelas garotas vissem a gente de mãos dadas, era capaz de ter um suicídio coletivo na hora do almoço.

-De quem está falando?

-Das garotas do seu clube. A presidente dele acabou de falar com a gente. É aquela garota ali.

Haru aponta para a Minagawa que estava parada próxima da entrada e olhava toda derretida para o garoto. Yuki olha para o grupo e imediatamente são dados vários gritinhos eufóricos pelas garotas. Apesar de ter ficado um pouco sem jeito com aquilo, o garoto resolve provocar o primo.

-Não ficou com ciúmes de mim?

-Fiquei! Mas eu aprendi a minha lição ontem. Nunca mais irei lhe magoar por culpa do meu ciúmes ou egoísmo.

Yuki ao escutar aquilo fica um pouco envergonhado, mas ao mesmo tempo se sente muito feliz.

-Haru....

-Humm

-Vamos ir embora juntos?

-Vamos!

O coração do possuído pelo rato começa a bater mais rápido e sua pele fica toda arrepiada, quando se lembra do que tinha acontecido entre eles lá nas termas. Desejava sentir aqueles beijos, aqueles toques, o Haru e ele se tornando um só. Yuki olha um pouco sem jeito para o primo, queria lhe falar que ele esperava viver novamente aquela experiência, mas não sabia como dizer.

-Haru....

-Humm...

-Nada, depois eu falo.

Hatsuharu lhe olha e percebe que ele estava um pouco corado.

-Sei... É algo que só pode ser dito entre quatro paredes.

Yuki fica ainda mais vermelho ao escutar aquilo, parecia até que estava escrito em sua testa o que ele queria fazer. Ver o primo tão envergonhado como estava faz com que o boi sinta ainda mais vontade de lhe beijar.

-Momiji-kun, te vejo na sala. Tenho que ir ao banheiro.

Haru se aproxima um pouco mais, mas ainda ficando ao seu lado, e lhe fala olhando em seus lábios.

- Não precisa ir também, Yuki?

-.... ahn? Ah sim. Já vou para a sala, Honda-san.

by DonaKyon

148


Haru e Momiji descem do carro e percebem que eles eram os primeiros a chegarem à escola. O pátio ainda estava vazio e silencioso.

-Nhooo... A Tohru-chan ainda não chegou.

-Daqui a pouco eles estão por aqui.

Haru caminha até o banco que ficava logo na entrada da escola e se senta. Momiji estava tão ansioso que sabia que não conseguiria ficar sentado enquanto esperava e fica olhando para a entrada da escola.

-Fica calmo. Daqui a pouco a Tohru-kun estará aqui.

-Até parece que o Haru-kun não quer ver o Yuki-kun?

-É claro que quero. #Se bem que apenas vê-lo é pouco para mim.#

Os dois garotos estavam ansiosos porque não tinham tido a oportunidade de conversarem calmamente com os eles. O desejo dos dois era de ter dormido na casa do Shigure, mas o médico não achou prudente. Eles tinham que agir na sede como se nada de errado estivesse acontecendo.

Aos poucos os alunos vão chegando para a aula e o pátio vai adquirindo som e vida.

-Com licença.

Os dois possuídos olham para as duas garotas que estavam na frente deles, e era difícil dizer qual das duas era a mais bonita. Uma era a aluna do 3 ano e presidente do Prince Yuki, Motoko Minagawa e a outra era a Asai Okada, a presidente do Prince Kyo e aluna do 2 ano.

-Vocês são primos dos Sohmas, não é mesmo?

-Sim... sim... Eu sou o Momiji Sohma e ele é o Hatsuharu Sohma.

-Não falei Minagawa-san. Eu sabia que eram primos deles. Os senhores sabem se eles virão as aulas hoje?

-E quem são vocês? – Haru pergunta num tom de desconfiança.

-Ah, me desculpe. Eu sou Asai Okada.

-E eu sou Motoko Minagawa.

-Eles virão sim. Vocês são amigas deles? – Momiji é quem responde.

-Somos as presidentes dos fãs-clubes deles
.
-NOSSAAA.... Eih Haru, será que a gente também vai ter um fã-clube?

-Se eu tiver, quero que elas adotem o estilo punk.

-Humm... O meu teria que ser do tipo mais meigo.

As duas garotas ficam olhando para os garotos, e a julgar pela beleza deles sabiam que em breve eles poderiam também ter os seus fã-clubes.

-Ah, no meu só poderia ter garotas bem bonitas.

-Ahh, e a Tohru-chan poderia ser a presidente do meu.

-Vocês já conhecem a brux... digo a Honda-san?

-É claro que sim, Minagawa-san. Ela é a minha namorada.

-OQUE???

As duas garotas gritavam espantadas na frente do possuído. Elas tinham certeza que a Honda estava tentando enfeitiçar o Yuki da mesma forma que a Hanajima tinha feito com o Kyo.

-Sim. A Tohru-chan e eu começamos a namorar ontem.

Motoko abre um sorriso no nível máximo ao escutar aquilo. Ela não tinha que se preocupar com mais nada, afinal a sua arqui-rival tinha percebido que nunca poderia ter nada com o Yuki e finalmente o garoto estava livre de sua influência nefasta.

-Até mais ver, Okada-san.

Haru tem que se segurar para não começar a rir, e a garota sai caminhando toda saltitante em direção de um grupo de garotas que a esperavam.

-Aposto que ela é a presidente do grupo do Yuki.

-Ah, se é assim, eu acho melhor que a Osaka-san deixe de ser a presidente do clube do Kyo.

-E por que eu deveria deixar de ser?

-Ah, já que a Tohru-chan é a minha namorada e será a presidente do meu clube, a Hana-chan tem que ser a presidente do clube do Kyo.

A garota engole a seco quando escuta aquilo, e começa a sentir que a sua pressão estava subindo. Não queria que a sua dedução estivesse correta e tenta falar o mais normal possível.

-E por que é que a Hanajima-san deveria ser a presidente do Prince Kyo?

-Uée... Porque ela é a namorada do Kyo.

Ao escutar aquilo, a garota fecha as duas mãos com o máximo de força que conseguia. Sentia que o seu sangue estava fervendo por dentro.

#Aquela bruxa enfeitiçou ele mesmo.... Mas não se preocupe, meu adorado príncipe de cabelos laranja, eu irei te libertar desse feitiço.#

A garota nem se despede dos garotos, passa reto por suas amigas e entra na escola sendo seguida por elas.

by DonaKyon

147


Yuki desce para a cozinha e ao escutar o som da voz da colegial conversando com o Kyo faz com que o garoto dê um sorriso de alegria.

#Ela continuará sendo a nossa amiga.#

-Bom dia Honda-san... bom dia.... K-kyo.

O gato o olha um pouco desconfiado, pois durante aqueles cinco meses que estavam morando juntos o rato nunca tinha lhe dado um “bom dia”.

-Muitíssimo bom dia Yuki-kun. Hoje o senhor não perdeu o horário.

-Sim. Mas a senhorita não parece que dormiu muito bem.

-Errr.... Acho que a senhorita Akito não está acostumada a dormir acompanhada na cama.

-Será que ele ficará muito tempo por aqui.

-Eu espero que sim. Assim a Honda-san e a Hanajima-san não terão as suas memórias apagadas.

-É muito estranho ver o patriarca assim. E saber que ele é uma mulher foi um grande choque.

-É pelo visto os Sohmas tem muito mais segredos do que a gente imaginava.

-Nunca poderia imaginar que a minha mãe foi babá do Akito.

-Ainda não entendi os motivos de isso ter sido escondido de todos.

Tohru apenas acompanhava aquele pequeno diálogo entre os dois virando a cabeça na direção de quem estava falando. Ao ver a expressão de espanto no rosto da garota, Kyo se dá conta do que estava acontecendo.

-Tó indo na frente. Vou esperar a Saki na saída da estação de trem.

O possuído acaba de tomar o copo de leite e saí.

-Ele percebeu que estava conversando comigo.

-Me desculpe Yuki-kun, mas fiquei realmente muito espantada.

-Creio que não será tão fácil ficar amigo dele, mas farei de tudo para cumprir a minha promessa.

-Tenho certeza de que conseguirá.

Tohru dá um lindo sorriso de apoio ao Yuki, e ele também lhe retribui com um sorriso.

-Fiquei muito feliz ao saber que a senhorita está namorando o Momiji-kun.

Certamente ele é a pessoa perfeita para a Honda-san.

O garoto percebe que a garota apesar de ainda estar lhe sorrindo, tinha agora em seu olhar um aspecto mais triste.

#Eu preciso conversar com a Hana-chan....#

-Honda-san?!

-Ah... É melhor eu acabar de me arrumar. Não podemos nos atrasar.

A menina se levanta e o garoto percebe que alguma coisa estava a preocupando.

#Acho que ela ainda está se sentindo muito insegura.#

Yuki começa a se lembrar de tudo o que eles haviam passado no dia anterior. Ainda era difícil de acreditar que aquilo não tinha sido um pesadelo.

#Como será a nossa vida sem o kamisama?#

A colegial volta para a cozinha já com a sua maleta escolar e vê que o garoto estava com os pensamentos bem longe dali.

-Yuki-kun, assim irá se atrasar novamente.

-Eu só vou pegar o meu material.

O possuído corre para o quarto e a garota vai colocando os sapatos e o espera na frente de casa. Em pouco tempo os dois caminhavam para a escola.

-Acho que de tudo o que aconteceu ontem, o que me surpreendeu mais foi ver o Akito elogiando o Kyo.

-A senhorita Akito se esqueceu do ódio que ela sempre sentiu pelo Kyo.

-Sim. Ela o vê como se fosse apenas o seu primo.

-Yuki-kun... O senhor acha possível a gente se esquecer também daqueles que amamos?

-Eu acho que sim.

-Eu gostaria muito que isso não fosse verdade. Gostaria que os nossos bons sentimentos jamais fossem esquecidos. Que ele ficasse apenas adormecido num cantinho do nosso coração, mas que pudesse ser acordado quando fosse estimulado para isso.

-A senhorita está pensando na mãe do Momiji-kun, não é?

-Sim.... Teve uma época que a minha mãe também se esqueceu de mim.... Foi logo depois que o meu pai morreu.... A mamãe simplesmente deixou de se lembrar que eu existia, que ela me tinha ao seu lado... Era como se eu nunca tivesse nascido para ela.... Até que um dia, algo aconteceu e ela voltou para casa chorando e me pedindo desculpa..... Ela tinha se lembrado que eu existia. Eu acho que isso poderia acontecer com a Elisa-san também.

O garoto nada lhe responde, mas sabia que o caso da mãe do Momiji era bem diferente.

by DonaKyon

08/10/2009

146


-Ai... ai.... casa cheia é casa vazia.... que dia tivemos hoje....

O escritor praticamente se joga no sofá ao lado do local onde Akito estava sentada. Tohru voltava da cozinha trazendo algumas xícaras de chá para eles tomarem antes de dormirem. Kyo estava sentado no chão, encostando-se à parede e Yuki estava numa das cadeiras. Para todos que ali estavam aquela tarde tinha sido um pesadelo, mas agora estavam se sentindo um pouco mais tranqüilos. Akito olha para o rosto deles e percebe que cada um tinha uma alegria diferente em seu olhar.

Shigure olha para a Akito e também percebe que ela estava diferente depois que tinha ido até a biblioteca com o Hatori.

-Estou com um pouco de ciúmes, mas fazer o quê? Boa noite crianças. E Yuki, tente não perder a hora do colégio amanhã....

#Mas eu não posso reclamar, até que demorou muitos anos para ela encontrar alguém que deixasse aquele brilho em seu olhar.#

O escritor pega a sua xícara e sobe para o seu quarto.

-Aki-san, eu lhe emprestarei uma camisola e algumas peças de roupa para amanhã. O Ayame-san disse que a noite lhe trará um guarda-roupa novo.

-Tohru-chan, por que é que mora aqui com eles?

Kyo e Yuki ao ouvirem aquela pergunta olham para Akito. Era realmente espantoso ver que o patriarca não se lembra nem de suas próprias ações.

-Isso foi graças a você, Aki-chan. Eu fiquei órfã em maio, depois de um tempo morando com o meu avô tive que me mudar e não tinha onde morar. Quando você ficou sabendo do que estava acontecendo comigo, me permitiu morar aqui.

#Mal sabe a lesada das reais intenções que ele tinha.#

Kyo se levanta do chão e começa a subir as escadas sem ao menos falar “boa noite” para os outros que ficavam.

-Você pode até ser bem bonitinho, mas é muito mal educado.

ZA-ZAASHHH TUUMMMM

-KYOOO! O SENHOR SE MACHUCOU??

O garoto, ao escutar Akito o chamando de “bonitinho”, tinha caído de testa no meio do degrau da escada.

-É CLARO QUE NÃO ME MACHUQUEI. E BOA NOITE PRA VOCÊS!!!

O gato volta a subir a escada pisando bem mais firme dessa vez.

-Ele não deve considerar uma testa com um galo daquele tamanho como machucado.

Akito havia falado aquilo mais para ela mesma do que para os outros dois.

-hihihi....hihihi.... HIHIHIHI....... AHAHAHAHAHAH

Yuki não tinha conseguido se segurar, agora estava rindo bem alto.

-PARA DE RIR SEU RA... SEU CRETINO!!


O gato gritava do corredor dos quartos, e o Yuki começa a rir ainda mais, aquela era a primeira vez que tanto Akito como o Kyo ouviam os sons das risadas do possuído. Aquela cena parecia ser tão irreal que era impossível não rir.

As duas garotas olham para o possuído que estava chorando de tanto rir.

-É curioso, as duas são lágrimas.....

Akito olha para a Honda para entender sobre o que ela estava falando.

-Tanto as lágrimas de tristeza, como as lágrimas de alegria, são lágrimas, mas elas estão bem longe uma da outra.

-Sim... Mas em alguns casos, as duas são preciosos tesouros. Tudo vai depender dos sentimentos contidos nessas lágrimas.

-A senhorita tem razão.

Yuki apenas escutava aquela conversa, tentado controlar ao máximo o seu espanto ao escutar aquelas palavras do patriarca.

by DonaKyon