04/08/2009

118


O patriarca fica a espera de alguma resposta do possuído, mas depois de alguns minutos escuta o barulho da porta do quarto se fechando e afunda a cabeça no ôfuro ficando por alguns segundos com a cabeça dentro da água.

#Querer ser amada é só um ciclo vicioso de esperança e desespero. Ontem, ao escutar aquelas palavras do Hatori senti uma grande esperança dentro de mim. Era como se ele também pudesse me amar, mas isso é impossível. Eu sou o kamisama dos possuído, sou o patriarca desse clã maldito. Sou uma mulher que é obrigada a agir como se fosse um homem. Eu nasci para ser temida e não amada.#

Akito tira a cabeça da água e escuta algumas vozes. Não conseguia entender o que falavam e nem de quem eram.

#O que está acontecendo?#

Akito sai do ôfuro, vesti um quimono branco, vai para o quarto que estava vazio, e escuta as vozes de Haru e Hatori vindo do outro lado da porta.

-... deve ter uma maneira de me curar logo....

-Calma Haru-kun, irei ajudá-lo.

-Eu não posso continuar a magoar o Yuki dessa maneira.

-Vamos até a minha casa.

-Eu quero ser capaz de desejar que o Kyo e a namoradinha dele sejam felizes....


Ao escutar o nome do possuído pelo espírito do gato, Akito sente um grande ódio dentro de si e abre a porta com grande violência.

-QUEM É A NAMORADA DAQUELE MONSTRO?

Hatori e Haru olham com pavor para Akito.

-É AQUELA TOHRU HONDA, NÃO É?? ME RESPONDA HATSUHARU!

Akito avança para cima do possuído pelo espírito do boi e o segura pela gola de sua blusa. Os olhos do garoto estavam preenchidos pelas lágrimas e pelo medo. Era como se estivesse de repente dentro de um pesadelo.

-A-Aki-to-san...

-É ELA, NÃO É?

-Por favor, Akito-san... Solte o Haru-kun....

Hatori se aproxima do patriarca, mas é empurrado para longe.

-NUNCA ME DÊ ORDENS! QUEM É VOCÊ PARA ME DÁ UMA ORDEM? VOCÊ ME TRAIU. VOCÊ SABIA DE TUDO E NÃO ME CONTOU NADA.

Akito crava as unhas no rosto do Haru e o impressa contra a parede.

-FALA HATSUHARU! É A HONDA?

-N-não... não é ela...

O patriarca crava ainda mais as suas unhas e um pouco de sangue começa a escorrer pelo rosto do garoto.

-É muito feio mentir para o seu kamisama, Hatsuharu....

-Eu... eu não estou mentindo... Eu juro. Não é a Tohru-kun.

Akito solta o seu rosto, e Haru completamente atordoado sentasse no chão. Não podia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo. Por sua culpa, o patriarca havia descoberto sobre o namoro do Kyo.

-Se não é a Honda, quem é a namorada daquele monstro?

-É... é uma garota da classe dele.

-AHAHAH...Uma garota da escola? AHAHAHAHAH...Aquele monstro se esqueceu de quem ele é?? AHAHAHAHAHA..... Pobre garotinha.... AHAHAHAHH....Gostaria de ver a cara de pavor dela quando ela abraçar aquela coisa.... AHAHAHAHAH.... Imaginam então se ela tirar a pulseira dele?.... AHAHAHAH.... A coitada vai cair durinha no chão.... AHAHAHAHAHA

O patriarca volta para dentro do seu quarto rindo bem alto. Hatori se abaixa para ver o ferimento do rosto do garoto.

-O que foi que eu fiz? O Kyo nunca irá me perdoar.

-Fica calmo Haru-kun.

-Hatsuharu, venha aqui me contar como é essa pobre infeliz.

Haru se levanta com a ajuda do Hatori, e o médico sente o quanto que o primo estava tremendo. Ele sabia melhor do que ninguém que era impossível contrariar aos pedidos de Akito. O patriarca estava sentado no tatame e ainda ria muito.

-AHAHAHAH... Acho que nem vou mais precisar daquela órfã na casa do Shigure.....AHAHAHAH..

Hatori e Haru se mantinham em pé e olhavam-se sem entender do que o patriarca estava falando.

-Do que é que está falando Akito-san?

Akito para de rir e olha para o médico.

-Eu só deixei aquela garota morar na casa do Shigure para castigar aquele monstro. Eu queria que ela também descobrisse sobre a forma horrenda daquele monstro, mas agora que aquela coisa está namorando, será ainda mais divertido quando a sua “namorada” descobrir toda a verdade sobre ele.

-Foi por isso que deixou a Tohru-kun morar com o sensei?

-Foi. Quando o Shigure me contou que ela era fã do gato da lenda dos doze signos, eu logo percebi que a garota poderia começar a gostar do monstro, ou ele se aproximar dela. Mas, tenho certeza que mesmo a Honda não seria capaz de aceitar a sua verdadeira forma.

Akito se levanta do tatame e se aproxima do médico.

-Mais tarde irá até a casa do Shigure. Você já sabe o que tem que fazer.

-Akito-san... Você está mandando o Tori-san apagar a memória da Tohru-kun?

-Até que você não é tão burro como eu imaginava, Hatsuharu.

-MAS POR QUE?

-Porque eu não preciso mais daquela órfã. E como sou muito caridoso, você pode apagar a memória da namoradinha do monstro depois que ela descobrir tudo. A infeliz não merece viver o resto de sua vida com aquela imagem grotesca em sua mente.

Haru joga-se no chão diante de Akito e começa a lhe implorar.

-Por favor, Akito-san... Por favor, não apague as memórias da Tohru-kun e da Hanajima.

-Hanajima? Então é esse o nome da namoradinha do monstro.

-Akito-san, eu também lhe peço para não apagar as memórias dessas garotas.

Hatori estava com o tronco um pouco inclinado diante de Akito.

#Mas o que essas garotas tem em especial para provocar esse comportamento neles? Eu preciso vê-las com os meus próprios olhos, principalmente a tal da Hanajima.#

-Eu quero conhecer essas garotas. Hatori, me leve até o colégio deles.

-Oque? O patriarca quer ir até o nosso colégio agora?

Akito finge que não tinha escutado a pergunta do Haru e vai até o closet para vestir uma calça cinza escura e uma camisa de gola alta na cor negra. Quando ela volta para o quarto, Hatori vê novamente a imagem masculina de Akito.

#Aonde é que está aquela linda e solitária mulher?#

-Vamos Hatori.

O médico é incapaz de lhe dizer alguma coisa e segue Akito pelo longo corredor. Haru continuava ajoelhado no tatame, não conseguia encontrar forças para se levantar dali, e ainda podia sentir as unhas de Akito entrando em seu rosto.

by DonaKyon

02/08/2009

117


#O meu maior desejo era de desaparecer desse mundo. Gostaria de simplesmente deixar de existir. Que agora, ao abrir os meus olhos, eu estivesse num outro mundo, começando uma nova vida. Queria sumir sem deixar nenhum rastro de lembrança para trás. Que todos esquecem que um dia me conheceram, assim ninguém sentiria saudades de mim.#

Akito abria os olhos lentamente desejando realmente estar em outro mundo e não naquele quarto, entretanto ao firmar sua visão vê o mesmo teto branco de todos os dias.

#Hehe... como eu sou uma idiota mesmo, até parece que alguém sentiria saudades de mim..... Se eu desaparecesse desse mundo todos do clã ficariam satisfeitos e os possuídos aliviados. As únicas pessoas que poderiam sentir a minha falta já não estão mais nesse mundo.#

O patriarca escuta o bater na porta e volta a fingir que estava dormindo. A empregada entra com todo cuidado para não fazer barulho e coloca a bandeja com chá e alguns onigiris sob a pequena mesa no canto do quarto e retira a bandeja que tinha sido levada por ela duas horas antes. Ao ouvir o barulho da porta se fechando o Kamisama dos possuídos volta a abrir os seus olhos negros novamente.

#Como eu gostaria de voltar a viver aquela alegria que sentia quando o meu pai estava vivo e depois com a Eiko-chan, mas isso é impossível. Nunca mais viverei dias parecidos com aqueles. Desde que a Eiko-chan se matou, o meu mundo se transformou nesse mundo negro e solitário. Teria sido muito melhor se aquele monstro não tivesse nascido. Sem ele todos seriam felizes. A culpa é toda dele. Foi ele quem a matou.#

Uma pequena lágrima sai dos olhos de Akito molhando o travesseiro.

#Pobre Eiko-chan, apesar de ter dado à luz a um monstro horrendo, ela ainda assim conseguiu amá-lo.... Ela o criava com muito carinho.... Aquele mesmo carinho que um dia foi meu..... Como eu o odeio.... Aquele monstro maldito não derramou uma lágrima sequer por sua própria mãe. Aquele monstro não é capaz de amar ninguém.#

Akito passa a mão nos olhos secando as lágrimas e fica sentada na cama. Ela olha para o relógio que ficava ao lado de sua cama e vê que já estava no começo da tarde. Não tinha a menor vontade de se levantar daquela cama, mas sabia que tinha várias responsabilidades como o patriarca dos Sohmas.

#Por que é que eu não nasci como outra pessoa? Por que é que eu tinha que ser o kamisama e o patriarca? O meu pai não sentiu em seus ombros o peso de ser o kamisama dos possuídos, mas me lembro como ele falava com orgulho o fato de seu filho ser o kamisama.#

-É você Akito! A criança especial. A criança escolhida. A criança que nasceu para ser amada. Todos estávamos esperando por você. No seu futuro não haverá solidão ou medo.

Ao se lembrar das palavras de seu pai, a garota abaixa a cabeça e começa a chorar baixinho.

# Papai, o senhor estava errado..... Eu não sou amada por ninguém e só existe solidão em minha vida.#

-Todos nós podemos mudar o nosso destino....... Lute para não morrer na solidão.

#Será que o kamisama pode mesmo mudar o seu próprio destino? Não! Certamente que não pode. O Hatori também está errado. Nada posso fazer contra a solidão. Eu não posso nem contar os meus sentimentos para você.#

Akito ainda chorava baixinho quando sente que alguém sentou ao seu lado na beirada da grande cama de casal. Por alguns segundos ela ainda se mantem com a cabeça baixa e as mãos diante dos olhos, mas não chorava mais. Ela não sabia o que fazer naquele instante, não adiantava gritar e xingar uma vez que a pessoa já a tinha visto tão fragilizada. Seu desconforto fica ainda maior quando sente que uma suave mão afagava os seus curtos cabelos negros.

-Akito-san.

Ao escutar aquela voz, o patriarca abriu o máximo que conseguia os seus olhos e ao mesmo tempo a sua respiração ficou um pouco mais forte. Lentamente ela abaixa as mãos e vai erguendo o seu corpo para ficar sentada na cama, mas se mantem olhando para frente.

-Foi a Yoko quem te chamou?

-Não.

Hatori tira a sua mão que ainda afagava os cabelos da garota. Estava se sentindo um pouco envergonhado por ter a acariciado sem pensar. Mas quando entrou no quarto e a viu chorando tão dolorosamente, desejou fazer alguma coisa para que ela parasse de chorar. Na verdade, desejava que ela nunca mais tivesse motivos para chorar daquela maneira.

O patriarca se descobre e veste o seu quimono vinho que estava nos pés da cama e se levanta. Agora que ele estava ali no quarto era impossível não se lembrar de seu abraço e de suas palavras da noite anterior. Não querendo que o médico visse o quanto que ela tinha chorado, ela caminha para o banheiro sem lhe olhar, deixando a porta aberta.

-Por que está aqui tão cedo? Sempre vem me examinar no começo da noite.

Akito verifica a temperatura da água do ôfuro e começa a se despir para tomar um banho, achava que assim teria tempo para tirar qualquer evidencia de choro de seus olhos.

-Como estava passando ao lado da mansão quis vim ver como estava.

-Hunf...achei que era porque não queria me deixar sozinha.

Akito havia dito aquilo com um forte tom de deboche em sua voz, e entra no ôfuro com o coração batendo mais rápido. Estava muito irritada consigo mesma. O fato do médico a ver tão frágil nos últimos dias, agora a incomodava muito. Ela havia se esquecido que era a kamisama dele e a patriarca do clã.

Hatori fecha as mãos com um pouco de força e abaixa a cabeça, estava se sentindo ainda mais idiota agora.

#Como pude achar que ela queria me ver também? Akito-san é o nosso kamisama. É claro que ela nunca iria sentir algo especial por mim.... Ela pode até se sentir sozinha às vezes, mas a verdade é que ela não precisa de mim.#

by DonaKyon

31/07/2009

116


#É bom ver o Kyo querendo proteger alguém. Sempre imaginei que nenhuma seria capaz de alcançar o seu coração. Fiquei muito curioso para conhecer essa garota, como será que ela é? #

-Mestre, o pivete do irmão da Hanajima falou que vai pesquisar sobre a minha maldição também.

-Mas o que ele irá pesquisar?

-Ele acha que pode ter uma maneira de acabar com a maldição.

-Seria ótimo, nada me faria mais feliz no mundo se a maldição do meu filho acabasse.

-Eu não sei se ficaria tão feliz com isso. Se isso acontecesse, a minha mãe se matou por nada.

-Isso ainda te machuca muito. Mesmo depois de tantos anos ainda se sente culpado pela morte da Eiko-san.

-Apenas o senhor é quem nunca me culpou pela morte dela. Todo o resto do clã afirma que ela se matou por minha causa

-Eu não sei o que a levou a cometer tal ato. Mas lhe garanto que a Eiko-san não se matou por sua culpa. Você pode não acreditar, mas a sua mãe realmente lhe amou muito.

-Ela nunca me amou mestre. Ela nunca aceitou o que eu era, foi por isso que ela não suportou viver ao meu lado.

Kazuma sabia que não adiantava tentar provar ao filho que ele estava errado e que a sua mãe havia lhe amado muito, ele apenas coloca a mão sob seus cabelos laranja e lhe sorri docemente.

Kyo se levanta e caminha até a janela da sala e fica observando os alunos que estavam treinando no Dojo.

#Eu preciso convencer o Haru a não contar nada para o Akito. Mesmo sendo faixa preta eu nunca conseguiria proteger a Hanajima caso o Akito lhe fizesse algo. Eu me odeio por ter nascido assim, por ter nascido dentro desse clã tão maldito.#

Kazuma fica ainda sentado olhando para bracelete do possuído e se lembra do seu avô.

#O meu avô viveu aprisionado a sua vida toda, mas mesmo assim ele teve uma esposa e filhos. A minha avó sempre cuidou do meu avô só porque sentia pena dele, ela nunca o amou. O meu pobre avô nunca foi amado por ninguém, nem mesmo por mim. O Kyo não consegue ver que tem muito mais sorte do que teve o seu antecessor. A Eiko-san sempre lhe amou muito. Ele encontrou duas garotas “normais” que o aceitaram como ele é. E até mesmo o carinho de outros possuídos ele conseguiu ter.#

-Mestre, por que é que a gente deseja tanto proteger a alguém?

-Protegemos alguém por vários motivos.

Kyo se vira e olha para o seu mestre que ainda se mantinha serenamente sentado no tatame.

-Quais motivos?

-Os motivos dependem de qual pessoa estará protegendo. Por exemplo, eu lhe protejo porque você é o meu filho. Qualquer sofrimento que passa será o meu sofrimento também. Mas também protejo o Kunimitsu porque sinto por ele uma grande amizade.

O possuído volta a olhar pela janela, já estando satisfeito com aquela resposta. Kazuma dá um pequeno sorriso e se levanta, ficando ao lado do Kyo.

#Logo você irá descobrir que também podemos desejar proteger alguém porque essa é a pessoa mais importante da nossa vida. Porque a amamos.#

-Vendo o pessoal treinar está me dando uma tremenda vontade de lutar.

-Vá treinar um pouco então. O Kunimitsu gosta muito quando você participa das aulas dele.

Kyo lhe olha sorrindo e depois pula a janela correndo até o Dojo.

#Ele não faz idéia de como esse seu sorriso é importante para mim. É esse sorriso que me faz sentir menos culpado por ter ignorado o meu avô.#

by DonaKyon

29/07/2009

115


-E você gosta do Haru?

-Não. Eu até que achei que gostava, mas depois vi que não gosto como ele disse que gosta de mim e como que a ratazana gosta dele...

-O que está lhe preocupando tanto assim?

Kyo olha para o mestre. De fato aquele homem o conhecia muito bem, ele era como se fosse o seu verdadeiro pai. Era a única pessoa que se preocupava realmente com ele.

-Estou com medo do que o patriarca poderá fazer a Hanajima.

-Mas Akito-san não fez nada contra a Tohru.

-Sim. Mas a Tohru não era a minha “namorada”. O senhor sabe o quanto que Akito me odeia.

-Mas essa garota não é a sua namorada. Basta vocês falarem que inventaram essa história.

-Fizemos um acordo de mentir por um mês. Não posso voltar com a minha palavra.... E também, eu quero ajudá-la.

Kazuma se espanta um pouco ao escutar aquilo, essa era a primeira vez que via o Kyo querendo ajudar alguém.

-Ajudá-la?

-Sim.... O senhor se lembra que lhe contei que ela tem um dom estranho?

-Me lembro.

-Então, esse dom é como uma maldição também. Desde pequena ela escuta os pensamentos dos outros e sente uns lances de ondas das pessoas. Acontece que agora ela não consegue mais ler os meus pensamentos e nem sentir as minhas ondas. Ela tem um irmão que está tentando entender o porquê que isso aconteceu para assim acabar com a maldição dela.

-Não é por causa da maldição do Jûnishi

-Não. Ela continua escutando os pensamentos dos outros possuídos, e os meus ela também escutava antes da gente se beijar.

-Ah, vocês se beijaram....

-Humm, se bem que pelo que ela falou isso até aconteceu antes da gente se beijar. Será que ela deixou de ouvir os meus pensamentos depois de ver a minha verdadeira forma?

-Ah, ela viu a sua verdadeira forma...

Kazuma não queria demonstrar o quanto que estava espantado por saber que o filho tinha beijado alguém, que estava preocupado com ela, que queria ajudá-la e que até tinha lhe mostrado a sua verdadeira forma. Mas era impossível controlar a agitação que estava sentindo por dentro.

-Eu deveria ter contado isso para o pivete. Pode ser que isso explique. Acho que aquela maluca nem se lembrou disso.

-O que essa garota falou quando viu a sua verdadeira forma?

-Ela disse que eu não era nenhum monstro, que era apenas alguém com uma maldição.

-Entendo.

-Amanhã vou falar isso para ela. Eu quero que a maldição dela acabe logo. Deve ser um saco ficar escutando os pensamentos dos outros. Lá na escola, o pessoal até a chama de bruxa.

-Hum.. Eu gostaria de conhecer essas jovens. Já faz alguns meses que a Tohru está morando na casa do Shigure e eu ainda não a conheci. Como se chama a outra jovem?

-Saki Hanajima.

O homem percebe que ao dizer o nome da garota tinha surgido um brilho especial no olhar do Kyo.

#Será que o Kyo está gostando dessa garota? Eu não posso perguntar isso para ele. Se ele perceber que está gostando dela poderia querer se afastar dela. Mas nunca o vi dessa maneira.#

-Mestre, o que será que Akito poderia fazer contra a Hanajima?

-É muito difícil saber quais serão as ações de Akito-san. Ele pode não fazer nada como fez com a Tohru ou até mesma a mandar apagar a memória da Hanajima como fez com os amiguinhos do Yuki-kun.

-Ou até mesmo a ferir como feriu o Hatori.

-Isso não. Acredito que ele não iria ferir a garota, mas você.....

-Não me importa o que Akito poderá fazer comigo. Nunca me importei com isso e não será agora que irei me importar. Só não quero que ela saia ferida por minha culpa.

-Você quer a proteger tanto assim?

-O pivete nunca iria me perdoar se algo acontecesse com a irmã dele.

-Então converse com o Haru-kun. Seria melhor o patriarca não saber disso por enquanto.

-É. Vou falar com ele.

by DonaKyon

26/07/2009

114


Kyo esperava o retorno do seu mestre e pai adotivo que tinha ido a seu pedido até a sede para saber sobre o paradeiro do Haru. O possuído estava sentado no tatame em sua antiga sala, na única casa que tinha sido de fato um lar para ele. Apesar de já estar acostumado com a casa do Shigure, ele não tinha a sensação de estar em sua casa, se sentia mais como um hóspede.

#Não consigo nem imaginar como teria sido a minha vida se o Mestre não tivesse me adotado naquele dia..... no dia do funeral da minha mãe....#

O garoto se estica no chão e fica olhando para o teto. Queria se livrar daquelas dolorosas lembranças, mas não estava conseguindo.

#Será que o crime da Hanajima é tão grave quanto o meu? Qual seria a cara dela se soubesse do meu crime? Certamente ela pensaria que eu de fato sou um monstro...... Ou será que ela seria como o Mestre? Será que ela também acharia que eu não tenho culpa na morte da minha mãe?#

O garoto escuta passos e volta a ficar sentado. Kazuma entra na sala com um leve sorriso nos lábios e se senta na frente do filho.

-O Haru-kun não está na sede.

-Ele está lá na casa do Shigure. Liguei para lá agora a pouco.

-Irá me contar a razão do seu desespero para encontrar o Haru-kun?

-Mestre... Mais uma garota da minha classe sabe sobre a maldição dos Sohmas.

Kazuma o olha espantado, agora eram duas as pessoas de fora que sabiam da maldição do Jûnishi.

-Como foi que ela descobriu?

-Ela já sabe faz muito tempo da maldição. Essa garota tem um dom estranho. Ela consegue escutar os pensamentos das pessoas, e ela escutou os pensamentos da ratazana nojenta no primeiro dia de aula.

-E essa garota guardou esse segredo até agora?

-Sim. Ela nos contou que já sabia nesse final de semana quando foi para as termas com a gente. Ela é amiga da Tohru.

-E o patriarca já sabe disso?

-Não.

-É difícil imaginar o que o Akito-san fará quando souber, mas como ele confiou na Tohru, quem sabe ele não confiará nessa garota também?

Kyo abaixa a cabeça e fecha as duas mãos.

Kazuma que já conhecia tão bem o filho sabia que o garoto fazia aquela expressão que tinha em seu rosto apenas quando estava muito preocupado com alguma coisa.

-O que te preocupa, Kyo?

-Mestre.... Essa garota.... A Hanajima.... Bem.... O Haru.... Aquele idiota do Haru quer contar tudo ao patriarca porque está com ciúmes dela.

-O Haru-kun gosta dessa garota?

Kyo engole a seco, não sabia como iria explicar tudo o que tinha acontecido para o seu pai adotivo.

-Não... Ele não gosta da Hanajima.... É que... A Hanajima e eu... A gente.... A gente não, na verdade foi aquela maluca. Aquela doida inventou que a gente tá namorando.
-E por que ela inventou isso?

Kyo fecha os olhos não queria ver a expressão que o mestre faria ao escutar o que iria lhe contar.

-É que o Haru começou a implicar com a Hanajima, começou até a lhe ofender quando a gente tava lá nas termas. Eu não sei o porquê, mas fiquei com raiva dele por causa disso. Acabei o socando, mas depois disso eu o beijei. Mas eu não sinto nada pelo Haru. Quer dizer, eu gosto dele, mas não é assim dessa maneira. Eu nem sei o que me deu naquele dia. Aí, no outro dia o idiota daquele coelho barulhento contou para os outros o que tinha acontecido, e aí a Hanajima inventou uma história de que aquilo tinha sido uma aposta que ela tinha feito comigo. Que se eu tivesse coragem de beijar um homem ela aceitaria o meu pedido de namoro. O Haru está com raiva dela por que ele acha que a gente está realmente namorando.

-Então o Haru-kun quer contar porque está com raiva, e não por ciúmes.

Kyo abre os olhos, mas ainda fica olhando para o chão.

-O Haru descobriu que gosta de mim.

-Mas ele sempre disse que gostava do Yuki-kun.

-O lesado disse que gosta de nós dois.

O homem percebe o quanto que o filho estava constrangido por lhe contar tudo aquilo e também o quanto que estava preocupado.

by DonaKyon

24/07/2009

113


Shigure e Yuki chegam em casa e encontram o Ayame desligando o telefone.

-Quem que era Ayaa? Não vai me dizer que era a maluca da minha editora?

-Nan nani na não. Era apenas o Kyon Kitty. Ele está lá no Dojo. Ligou para saber se o Haru-kun tinha saído de casa. Como o gato não pode entrar na sede e nem o encontrou lá no Dojo, queria saber se a nossa vaquinha malhada tinha se perdido pelo caminho até a escola. Aí, eu, que sou todo generoso e prestativo, lhe fiz o enorme favor de lhe dizer que o Haa-kun estava aqui em casa, nos braços do meu lindo e adorado irmãozinho, aquele que era de fato o seu único príncipe encantado.

-Essa não! Ele tinha que ter ido para o Dojo justo agora?

-Uée, Guretti, o que tem de novidade nisso? O Kyon Kitty não treina há vários anos lá no Dojo com a triste ilusão de que algum dia conseguiria desmanchar o penteado do meu lindo irmãozinho numa luta? Sim, desmanchar o seu maravilhoso penteado, porque vencer o meu amado Yuki está muito longe das possibilidades daquele Kyon Kitty.

-É que o Haa-kun está pensando em contar ao patriarca sobre a Hanajima-chan e o Kyo. Ele foi lá para a sede.

-Não brinca!

Ayame se senta no sofá e Yuki percebe que o irmão também havia ficado muito preocupado, assim como o Shigure.

-Dá para a gente fazer alguma coisa Guretti?

-Eu acho que agora muito pouco. A não ser torcer para o Haa-kun mudar de idéia.

-Não imaginava que vocês se importassem tanto assim com aquele gato idiota.

-É que o meu amado irmãozinho não conhece a história. Akito-san odeia o Kyon Kitty.

-Mas isso eu já sei.

-Não Yuki. O Ódio de Akito-san pelo Kyo vai além do fato dele ser o possuído pelo gato. Na verdade a mãe do Kyo era muito querida pelo patriarca quando ele era mais novo. A Eiko-san trabalhava lá na sede, até o dia em que ela se casou com o pai do Kyo.

-Akito-san culpa o Kyo pela morte da Eiko-san. Ela acha que ele é o assassino de sua própria mãe.

-Eu já sabia que a mãe dele tinha se matado. Mas nunca imaginei que ela tivesse cuidado do patriarca.

-Yuki, imagina o que o patriarca poderá fazer se souber que o Kyo tem a sua frente à possibilidade de ser feliz? De que ele encontrou uma pessoa “normal” que é capaz de aceitá-lo mesmo com a maldição que tem.

-Se no caso do Tori-san, Akito-san perdeu o controle e acabou o ferindo, imagina o que poderá fazer com o Kyon Kitty.

-Pouco me importa o que o patriarca irá fazer com o gato...

Yuki havia feito aquele desabafo enquanto ia se sentando no outro sofá, ao lado de onde estava sentados o Ayame e o Shigure, e os dois possuídos ficam lhe olhando. Aquele não era o Yuki que eles sempre tinham visto.

-É impressão minha, ou o seu ódio pelo Kyo aumentou?

-É provável que tenha aumentado.

-Mas amado irmãozinho, não irá se importar mesmo se algo terrível acontecer ao Kyon Kitty? Mesmo que o patriarca lhe tire até a sua vida? Mesmo assim não irá se importar?

Ao escutar aquilo é que Yuki percebe o quanto que era grave aquela situação. Ele já conhecia as crueldades de Akito, mas nunca tinha imaginado que ele poderia chegar até a esse ponto, de tirar a vida de um dos possuídos.

-Yuki-kun, o kamisama é o dono das nossas vidas. Ele tem todo o direito de acabar não só com a vida do Kyo como a de qualquer um de nós.

-Mas Akito-san chegaria a esse ponto?

-Chegaria sim. Estamos falando do possuído pelo espírito do gato.
O rato percebe que o seu ódio pelo gato não era tão grande a ponto de desejar a sua morte.

#Eu não o odeio tanto assim. Não quero que aquele gato idiota morra. Se o Kyo morresse, a Honda-san ficaria muito triste, e o Haru se sentiria muito culpado.#

-Shigure, não podemos fazer nada mesmo? Deveríamos tentar falar com o Haru antes de ele chegar à sede. Tenho certeza que se ele souber disso, não irá contar nada ao patriarca.

-Nós poderíamos tentar, né Guretti? Yuki, o Haa-kun foi como para a sede?

-Ele foi a pé.

-Ele ainda não teve tempo de chegar até a sede. O meu motorista está aí fora. Vamos de carro e o esperamos no portão principal da sede. Assim, lhe contamos tudo e ele desistirá dessa idéia.

-Vamos tentar.

Shigure e os dois irmãos se levantam do sofá e vão para a sede para tentar evitar que algo terrível pudesse acontecer.


by DonaKyon

22/07/2009

112


-Quer dizer que você pode ser egoísta, mas eu não posso? Você não quer dividir o gato idiota com a Hanajima, mas eu tenho que aceitar te dividir com o Kyo.

Haru tinha plena consciência de que estava magoando o Yuki ao lhe falar aquilo, mas aquele desejo era mais forte que ele. O possuído pelo boi, que até então mantinha os braços ao lado do corpo, abraça o rato e encosta o rosto em seu ombro podendo assim sentir o seu suave perfume.

-Me desculpe Yuki. Mas eu não consigo evitar. Isso é muito mais forte do que eu.... Passei a noite toda acordado pensando numa maneira de me livrar desse sentimento pelo Kyo, mas não consegui nada. Eu preciso de vocês dois.

Yuki podia sentir a tristeza de Haru. Diferentemente do que ele tinha imaginado o possuído pelo boi também estava sofrendo com aquela situação.

-Haru...

-Esse meu desejo de ter vocês dois até parece que é uma doença.

Haru fala com um tom bem baixo em sua voz, mas que foi escutado pelo Yuki. O boi se afasta um pouco do primo e lhe olha nos olhos.

-Me desculpe Yuki.... Preciso voltar para a sede.

-Por favor, Haru. Por favor, não conte nada ao patriarca. Não só pelas garotas, mas porque todos do clã ficaram ainda mais agitados do que quando a Honda-san descobriu. E também de que adiantaria apagar a memória da Hanajima-san? Ela irá descobrir tudo novamente quando ler os nossos pensamentos...

Os dois garotos escutam passos de alguém que estava se aproximando de onde estavam e olham na direção de onde vinham os sons e vêem que o Shigure se aproximava deles.

-Hei garotos. O almoço está pronto.

-Eu estou voltando para a sede Sensei.

Haru coloca as mãos nos bolso e pega a trilha que levava até a rua. Yuki fica ainda mais ansioso do que antes, tinha medo do Haru contar ao patriarca sobre a Hanajima.

-Shigure... Será que o patriarca aceitaria que mais uma pessoa soubesse da nossa maldição?

-Está perguntando com relação à Hanajima-san?

-Exatamente.

-O Haru está com tanto ciúmes assim da garota?

Yuki apenas confirma que sim com a cabeça.

Shigure começa a caminhar em direção da casa sendo seguido pelo Yuki. O escritor estava um pouco pensativo e o possuído percebe que algo o incomodava muito.

-Yuki.... acho que teremos sérios problemas pela frente....

-Mas não vai adiantar apagar a memória da Hanajima-san. Ela descobrirá tudo novamente depois... E também, não acho que ela irá aceitar tranquilamente essa decisão. Todos da escola tem medo dela. Há boatos de que ela até matou um garoto na sua escola anterior.

-Aquela menina tão bonitinha fez isso?

-A Honda-san nunca falou que isso era verdade, provavelmente é apenas uma história inventada. Mas, é fato que ela tem um dom muito forte.

-Que tipo de dom?

-Eu não sei ao certo. Parece ser algo relacionado com ondas...

-Ondas? Hum.. Preciso perguntar isso para a Tohru-kun.

-Acha que o patriarca pode mandar apagar a memória da Honda-san também?

-Akito-san é muito imprevisível sempre. Devemos nos preparar para tudo.

-O Hatori não pode fazer isso... Não podemos punir a Honda-san dessa maneira.

-Você será capaz de ir contra uma decisão do patriarca?

Yuki apenas abaixa a cabeça. Era obvio que ele nunca conseguiria contrariar ao Kamisama.

-Tampouco eu seria capaz de contrariar Akito-san.

-Tudo isso é culpa daquele gato idiota. Por que ele tinha que começar a namorar a Hanajima-san?

#Pobre do Kyo... Agora que encontrou alguém que o aceitou, corre o risco de ficar sem essa pessoa. Akito-san não tomará a mesma atitude que teve com relação à Tohru-kun.#

by DonaKyon