24/12/2008

25


Ayame fechava lentamente os olhos ainda com a respiração bem ofegante e o coração muito acelerado, sentia o arrepio gostoso no estômago, da expectativa do beijo que estava a cada segundo mais próximo de se concretizar. Shigure ainda conseguia lhe provocar aquela sensação que parecia como se tivesse levado um choque quando tocava simplesmente com as pontas dos dedos em seu pescoço. A mesma sensação que havia sentindo pela primeira vez quando eles tinham 17 anos e ainda eram estudantes do colegial.

Dentro do clã todos tinham a certeza que aqueles gestos e palavras entre os dois eram apenas uma encenação, um teatrinho, sendo que os mais velhos até consideravam aquilo como uma brincadeira de mal gosto, apenas Hatori é quem sabia de fato o que acontecia entre os dois possuídos.

O escritor afasta os seus lábios do possuído fechando a parte de cima do quimono e deitando-se ao seu lado no futton.

-Se continuar assim por muito tempo, logo acabará se transformando, sabe que o seu corpo não suporta essas mudanças de temperatura.

-Então, deixe-me esquentar em seu corpo.

Ayame se acomoda sob o braço esquerdo do primo e repousa sua cabeça em seu peito, espalhando os longos fios prateados sob o peito desnudo do escritor. Podia ainda sentir o coração que batia tão forte dentro do peito dele, o que o deixava ainda mais feliz.

-Como será que estão os garotos?

-Não se preocupe com eles, Gure. Devem estar se divertindo agora.

-Você acha que podemos confiar na amiga da Tohru-kun?

-Acho que sim. Sinto como se ela também carregasse o peso de uma maldição. Imagino que não deve ser uma sensação muito agradável poder escutar os pensamentos dos outros.

-Hummm, eu não me importaria se pudesse escutar os seus pensamentos.

-Você pode escuta-los, basta que encoste a sua cabeça em meu peito, assim como eu estou fazendo no seu que o escutará.

Shigure rapidamente se coloca na posição que o possuído estava e começa a escutar as batias de seu coração.

-O que? Foi isso mesmo que pensou? Que quer ter a honra de esfregar as minhas costas daqui a pouco quando formos tomar um banho lá na terma.

-Hohohoho…. Não perde nenhuma oportunidade mesmo. Hohohoho

-Sabe que faço essas brincadeiras apenas para lhe ver sorrindo assim.

-Eu sei. Apenas você consegue me fazer sorrir assim.

Shigure volta a se deitar na posição que estava antes, puxando o Ayame para que volte a se deitar da mesma maneira que estava antes.

-Gure, acha que o mesmo acontecerá com o meu irmãozinho e o Haa-kun?

-Só o tempo dirá.

-Imagino o que os meus pais dirão se isso acontecer. Mas pensando bem, talvez a minha mãe até se sinta feliz, por saber que nenhum de seus filhinhos irão lhe dar um netinho, ela é vaidosa demais para desejar se uma avó.

-É, a titia não é do tipo que quer ser chamada de vovó.

-Eu só desejo que o Yuki encontre a felicidade, não me importa se for nos braços de uma mulher ou de um homem, apenas quero que o meu irmãozinho conheça a felicidade de ser amado.

-E que continue sendo amado para sempre. Tenho pena daqueles que já conheceram tal felicidade e que agora não podem mais a viver. É muito pior viver sabendo o que é um amor perdido, do que nunca vive-lo.

Ayame desejou naquele instante no fundo de seu coração que aquilo nunca passaria com o seu irmão, queria que ele encontrasse a felicidade que lhe tinha sido escondida quando vivia em companhia do kamisama. Shigure sabia entender os silêncios do primo e namorado, imaginava que ele estava se remoendo por não ter dado atenção ao irmão quando era criança, e com a intenção de tirar aqueles pensamentos tristes de sua mente, o escritor segura em seu queixo e o aproxima de seu rosto, a procura de seus finos lábios para mais um beijo. Entretanto o som do celular do Ayame que tocava desesperadamente dentro da mala obriga-os a não concretizar tal gesto.

by DonaKyon

23/12/2008

24


Hatori acabava de fechar a porta do quarto do patriarca e se mantém por mais alguns instantes encostado nela.

#Não consigo ir embora. Não quero deixa-la sozinha.#

O médico entra novamente no quarto e a encontra ainda deitada na cama. Akito abre os olhos quando escuta o barulho da porta, e ao ver que era o possuído sente o seu coração bater mais acelerado.

-Faltou algum medicamento?

-Não. Apenas…. Eu acredito que lhe faria muito bem, se saísse um pouco desse quarto.

-Eu não quero.

O rapaz não sabia como se comportar naquele instante, ainda se permanecia em pé ao lado da cama do patriarca. Sentia uma vontade de se sentar na cama, mas ao mesmo tempo se sentia um pouco sem jeito para fazer isso. Akito limitava-se a olha-lo.

-Mas eu acho que lhe faria muito bem.

-Já estou cheia de sair sozinha.

-Eu irei com você

Akito ao escutar aquilo levanta apenas a parte do tronco se apoiando no braço direito e olhando para o médico.

-Que?

-Levanta-se, apesar de estar uma tarde de inverno está com um dia bem claro. Veja.

Hatori caminhava enquanto falava até a janela e abre as pesadas cortinas na cor de vinho deixando que a claridade voltasse a invadir o quarto. Akito não tinha se mexido nem um centímetro a mais, apenas o olhava sem acreditar no que estava acontecendo.

#Mas por que isso agora? Será que aquela velha intrometida falou alguma coisa para ele? Ele não deve estar fazendo isso por vontade própria.#

-Você ainda gosta de tomar sorvete no inverno?
Os olhos de Akito ficam ainda mais arregalados quando escuta aquela pergunta, quando era criança, ela e os três possuídos costumavam tomar sorvete em pela tarde de inverno mesmo se tivesse caindo neve.

-Você ainda se lembra disso?

-Claro. Conheço um ótimo local para te levar.

Hatori não entendia muito bem o que estava fazendo, nem se o patriarca ia aceitar aquele convite, mas tudo o que ele mais desejava naquele momento era tira-la daquele quarto, queria que ela voltasse a sentir a mesma alegria que sentia quando era criança e que brincava com ele, o shigure e o Ayame. O rapaz volta a caminhar até a cama do patriarca e se mantém de pé, mas dessa vez oferece a sua mão para a garota que apenas o olhava sem entender quais eram os sentimentos dele.

-O que aquela velha da Yoko lhe falou? Eu ainda vou mandar aquela lá para bem longe daqui.

-A sua governanta não me falou nada. Porque pensou isso?

Akito ainda se mantinha meio que deitada na cama, mas apoiada no braço direito, não queria acreditar que o possuído pudesse estar a convidando por sua simples vontade, era claro que ele não faria aquilo, que não a convidaria porque queria a sua companhia. Justamente ele entre todos os possuídos é o que tinha mais motivos para ficar longe dela. Hatori percebe que a garota estava bem insegura e senta-se na cama, ficando na sua frente, mas virando a cabeça para lhe olhar.

-Quer que eu diga que isso é uma recomendação médica? Será que assim você aceitaria sair um pouco desse quarto?

Akito volta a se deitar na cama, vira-se e fica de costas para o possuído.

-Então, pode se retirar Doutor Hatori, pois não pretendo seguir esse tratamento.

O coração do patriarca estava batendo muito acelerado, a sua vontade era de se levantar da cama e ir com ele, mas tinha certeza que o possuído estava fazendo aquilo somente por piedade. Não se sentia no direito de receber tal ato, ela não era digna, por sua culpa ele estava quase cego de um olho e mesmo que o tempo estivesse apagando aquele crime no coração do rapaz, ela fazia questão de se penitenciar todos os dias pelo seu pecado. Hatori não conseguia encontrar mais nenhum argumento para a convencer.

-Hatori, eu quero dormir mais um pouco agora.


Vendo que não adiantaria tentar falar mais nada naquele momento, o médico se levanta da cama e começa a caminhar em direção a porta, Akito apenas escutava o som dos passos do possuído, seu coração batia ainda aceleradamente, mas ao mesmo tempo estava um pouco dolorido por saber que em poucos segundos ela voltaria a ficar sozinha naquele quarto que agora estava sendo iluminado pela aquela tarde clara de Inverno.

#Ele pode ter esquecido o que eu fiz, mas eu nunca irei esquecer. Não quero me aproximar dele novamente, sei que posso machuca-lo. E se aquele sonho foi um presságio? Eu sei que posso mata-lo num acesso de raiva, não aguentaria ser desprezada por ele.#

Hatori caminhava se sentindo um pouco frustrado, tinha voltado para aquele quarto determinado a fazer alguma coisa pelo patriarca. Não conseguia entender a irritação que estava sentindo consigo mesmo, pensava que estava irritado por ter falhado como um médico. Ele coloca a mão na maçaneta da porta e se vira mais uma vez para olhar o patriarca que ainda se mantinha de costas. O médico respira fundo abre apenas metade da porta saindo do quarto, deixando a Akito chorando sozinha em seu quarto.

by DonaKyon

22/12/2008

23


Momiji ainda continuava a rir com a atrapalhada do possuído pelo gato. Kyo entra na piscina mas se mantém um pouco distante dos três.

#Que raiva! Paguei o maior mico agora. Que droga, se eu soubesse que ela não estava lendo os meus pensamentos, não tinha aberto a minha grande boca. E por que diabos eu a achei bonita? Eu nunca me interessei por esses tipos de coisas, não sou um velho tarado e nem pervertido.#

Saki apenas fica observando o Kyo, tinha vontade de ler a mente do garoto naquele instante, mas se segura para não fazer isso.
#Eu prometi para a Dona Kyoko que não iria fazer isso. Não posso faltar com a minha palavra. Mas eu bem que gostaria de saber o que ele está pensando agora.

Kyo olha na direção da garota e a pega olhando para ele, e instantaneamente olha para o outro lado.

#Ela deve estar achando que eu sou um daqueles garotos sem vergonhas que ficam no quarto vendo revista de mulheres peladas.#

#O Kyo-kun fica tão lindo quando fica todo sem graça.#

Sem perceber Hanajima havia deixado que mais um de seus pensamentos saíssem e todos os demais o escutaram. Os dois garotos olham sem entender o que havia acontecido, tinham certeza de que a garota havia falado aquela frase em alto e bom tom, apenas a Tohru é que sabia que se tratava de um pensamento da amiga, ao ver o quanto que ela estava sem jeito olhando para eles. Kyo fica mais sem graça do que já estava, e imagina que ela tinha falado aquilo apenas para o deixar um pouco mais descontraído.

Hanajima não sabia o que falar naquele momento e afunda a cabeça na piscina, tudo o que queria na verdade era que alguma coisa acontecesse, poderia ser qualquer coisa para mudar o clima que estava ali.

#O que está acontecendo comigo? É a segunda vez que eu penso que acho bonito, e o pior é que agora todos eles escutaram o meu pensamento. O que vou falar quando voltar para cima? Bem que a Uo-chan poderia estar aqui agora, certamente ela estaria fazendo uma piadinha qualquer com ele, e o assunto acabaria de uma vez.#

-Eih Tohru-chan, vamos brincar disso também? Vamos ver quem é que aguenta ficar mais tempo com a cabeça dentro da água?

-Vamos Momiji-kun. #mas eu nem tinha percebido que a Saki-chan estava brincando disso#

Momiji segura nas mãos da Tohru ficando uma na frente do outro e os dois afundam suas cabeças ao mesmo tempo.

Kyo apenas fica observando os três que estavam com as suas cabeças submersas, mas poucos segundos depois, como era de se esperar, a Hanajima volta a procurar por oxigénio.

-Valeu por ter contado aquela mentira. Mas não precisava colocar o kun. Eu não gosto disso.

#Ele não consegue acreditar que eu o acho lindo? Ele realmente pensa que falei aquilo só por que ele tinha falado que me achou bonita?#

Nesse instante a Tohru volta para a superfície e poucos segundos depois é o Momiji.

-Viva… Eu ganhei… ganhei… Deveria ter apostado um outro beijo com a Tohru-chan…

Assim que se lembra do beijo a garota fica um pouco corada.

-Nhaa Momiji-kun…. A gente só deve beijar as pessoas que a gente gosta…

-Mas eu gosto da Tohru-chan.

Hanajima entende perfeitamente com qual sentido o garoto estava falando aquela frase, ela já havia captado que a frequência das ondas dos dois eram idênticas, sabia que mais cedo ou mais tarde algo iria acontecer entre eles.

#Falam que existe uma fita vermelha que liga o dedo mindinho de duas pessoas que estão pré-destinadas a ficarem juntas. Certamente deve existir essa tal fita entre esses dois.#

Ela olha para os dois que estavam voltando a brincar novamente para ver quem ficava mais tempo com a cabeça dentro da água.

-Não dá para saber qual é a desse coelho. Ele fala umas coisas completamente sem sentindo.

-Vocês não são unidos não é mesmo?

-Eles são. Eu é que não sou.

-Não entendi.

-Peça para a Tohru te contar isso qualquer dia.

-E por que é que não fala você?

Kyo a olha um pouco surpreso, nunca imaginou que qualquer outra pessoa, além da Honda poderia deseja escutar os problemas dele.

-Ah já estão todos aqui.

Hatsuharu chega juntamente com o Yuki atrás. Como estava um vento frio de inverno, os dois retiram rapidamente o quimono e se enfiam dentro da piscina se juntando ao Momiji e a Tohru que ainda estavam brincando. Hanajima olha para o lado onde estava o Kyo e nota o quanto que as ondas dele haviam voltado a ficar triste.

-Hanajima… eu queria te perguntar uma coisa….. mas não gostaria de falar na frente dos outros….. Será? Será que poderia me encontrar depois do jantar?

-Não quer conversar agora? Vá na frente e me espera no jardim que fica no caminho para os nossos quartos.

Kyo fica um pouco receoso, olha para os outros quatro que estavam agora em uma outra brincadeira entre eles, e se sente ainda mais excluído.

-É. Ninguém irá sentir a minha falta mesmo.

Ele sai da piscina sem falar nada e veste um dos quimonos disponíveis para os hóspedes e sai. Hanajima fica olhando o grupo que brincava animadamente e que realmente nem tinha se dado conta de que o garoto já não estava mais ali.

#Acho que agora estou entendendo um pouco mais a solidão que o Kyo sente quando está no colégio. Pelo visto temos outra coisa em comum. Ambos sentimos a mesma solidão.#

by DonaKyon

20/12/2008

22


Kyo chega todo ofegante na parte dos fundos da terma, onde ficava a piscina natural mista abrindo a porta de uma vez e com muita força, mas não encontra ninguém por lá.

#Será que estão em outra piscina? Mas tenho certeza que a mista é essa, as outras são separadas. Aquele coelho não deve ter entrado na parte reservada apenas para as meninas.#

-Viva… o Kyo já está aqui.

O som da voz do garoto vem do corredor que levava para a terma mista, e possuído olha para trás e vê que ele estava chegando junto com a Tohru e a Hanajima. Kyo olha diretamente para a colega de classe, mas essa nem percebe, continuando a conversar com a Tohru e o Momiji.

#Como é que eu irei perguntar isso para ela? Eu sei que ela já sabe, mas não tenho coragem de tocar no assunto… Que droga!!!!! O que eu faço agora?#

Os três passam pelo garoto que ainda estava parado na porta, sendo que a que passa mais perto dele é justamente a Hanajima. Apesar de estar conversando tranquilamente com a amiga, Tohru ainda estava um pouco confusa devido ao beijo que tinha recebido a pouco do Momiji, e não havia nem tocado nesse assunto com a Hanajima. Na verdade, elas haviam tido pouco tempo livre para conversarem. Foi o tempo de chegar no quarto, tirar as roupas das malas, coloca-las no armário, sentarem nos futtons e o Momiji já estava na porta do quarto as chamando para irem tomar um banho ao ar livre com ele e os outros garotos.

Hanajima sentia que a amiga estava um pouco aflita, mas em momento algum chegou a ler a mente da garota. Desde que tinha aprendido a controlar o seu dom, a colegial evitava ao máximo ler o pensamento dos outros, chegando a contar nos dedos das duas mãos as vezes que tinha usado aquele poder, sendo que a última vez tinha sido justamente naquela manhã quando sem querer tinha lido a mente do Kyo e descoberto a sua verdadeira forma.

As garotas se aproximam da piscina e tiram o quimono de algodão branco que estavam vestindo e o Momiji que apenas estava vestido com a bermuda pula de uma vez na piscina de água quente.

-Entra logo Kyo, vai pegar um resfriado se ficar parado aí sem roupa. Aqui está muito quentinho.

Kyo pensa em uma resposta mal criada para dar ao garoto, mas acaba reparando no corpo das duas garota que entravam na piscina e acaba ficando sem palavras. Aquela era a primeira vez que olhava para o corpo de uma mulher, ele não conseguia tirar os seus olhos do corpo delas. Tohru estava vestindo o velho maio escolar azul escuro do ginásio e a Hanajima um biquini completamente preto. Ele estava surpreso ao ver que as duas tinham corpos bonitos, mas o que mais lhe chamado a atenção era o colo da Hanajima, não que ela tivesse seios enormes, pelo contrario, parecia até mesmo que a Honda tinha mais seio que a amiga, mas o biquini sem duvida alguma tinha lhe caído muito bem.

#Mas quem diria que a garota psíquica era tão bonita assim.#

Logo que se dá conta no que havia acabado de pensar Kyo entra em desespero. Ele se aproxima com três passos largos e se curva na beirada da piscina e na frente da garota.

-Mil desculpas. Não me jogue nenhuma praga por haver pensando que você é bonita.

Hanajima fica imediatamente vermelha, enquanto que a Tohru e o Momiji ficam olhando para o Kyo que ainda estava inclinado.

-Errr…Eu não tinha lido o seu pensamento. Para falar a verdade, eu não fico lendo o pensamento dos outros mais.

-AHAHAHHAHAHAH…. O KYO PENSOU BOBAGENS COM A HANAJIMA-CHAN E AGORA ESTÁ COM MEDO DELA…. AHAHAHAHHA…

O garoto vai se levantando aos poucos, mas a sua vontade era exatamente a de fazer o oposto. Queria abrir um buraco no chão e enfiar a sua cabeça dentro dele, nunca tinha passado tanta vergonha na sua vida. Ele olha para a Hanajima e vê como ela ainda estava corada, mas na verdade ele estava ainda mais corado do que ela.

by DonaKyon

19/12/2008

21


Yuki estava colocando um curativo no dedo ferido quando o Haru entra no quarto, o garoto resolve se aproximar um pouco sem jeito do primo ficando ao seu lado.

-Quer que ligue para o Hatori-san?

-Não seja ridículo. Chamar o Hatori por causa de uma besteira dessas.

Yuki se vira de costas para o Haru para catar os papéis da embalagem do curativo, mas o possuído se aproxima e lhe fala baixinho perto do ouvido.

-Por que está tão bravo?

-Eu… eu não estou bravo.

O garoto tenta controlar o arrepio provocado pela voz do Haru em seu ouvido mas não obtém muito sucesso.

-Eu sei que está.

-Se sabe então tente adivinhar o porque.

-Humm… Você queria dormir sozinho aqui no quarto?

#Eu não acredito que ele não percebeu o motivo real de eu estar assim.#

Yuki se afasta do garoto sem dizer uma palavra caminhando em direção da sua mala fingindo que estava a procura de alguma coisa. Hatsuharu fica o observando enquanto coçava a cabeça tentando entender o porquê daquele silêncio.

#Mas porque estou tão irritado assim? Só por que ele falou que quer ver a Honda e a Hanajima peladas? Isso é o normal. Somos homens, é natural que queiramos ver mulheres peladas….. Tudo bem que eu não tinha pensado nisso antes, mas… mas isso é o natural. É assim que tem que ser. Eu também quero ver as duas…..#

Yuki nem tem tempo para terminar o pensamento, pois logo fica super vermelho de vergonha e o Haru coloca a mão em sua testa para verificar a sua temperatura.

-O que está fazendo?

-Vendo se está com febre, está vermelho como um pimentão.

-Eu… eu não estou não.

-É, sua temperatura parece estar normal. Então vamos tomar um banho com as meninas, o Momiji e o Kyo já devem estar lá.

-OQUEEEE???? ELAS TOPARAM FICAR PELADAS???

-Humm… Será que se a gente pedir elas ficam?

-MAS POR QUE QUER VER TANTO ASSIM AS DUAS PELADAS?

-Curiosidade. Gosto de ver o corpo humano.

Yuki não sabia se com aquela resposta ele estava sendo sincero ou sarcástico o que só faz com que a sua raiva fique ainda maior.

-Quer dizer que tanto faz? Você quer ver qualquer um pelado, não se importa se for homem ou mulher.

-Se for um corpo bonito, tanto faz.

#Tanto faz? Como assim tanto faz?? Eu não quero ver as garotas peladas.#

O possuído pelo rato vai se sentando lentamente no futton quando percebe no que havia acabado se pensar.

-O que foi, Yuki??

Haru sentasse ao lado do Yuki e o garoto lhe olha como se tivesse visto um fantasma, estava branco e com os olhos arregalados. Haru fica apenas o observando por uns segundos mas depois continua a conversa.

-Vai me dizer que já viu a Tohru-kun pelada e que ela nem é grande coisa assim? Ela parecia ter um corpo bem legal.

-É CLARO QUE NUNCA A VI PELADA, E NEM…..

Yuki coloca a mão na boca quando percebe o que estava a ponto de dizer.

-E nem???

-E nem nada!! E duvido que elas topem tomar banho com vocês.

-Mas vamos para a piscina mista, então não haverá problema, elas estarão de maios e a gente de bermuda.

-Hunf, pelo visto está querendo mesmo ficar junto com as garotas.

Haru olha para o lado e vê que o primo tinha dito aquilo olhando para a parede que estava a sua frente, e segura o queixo do garoto forçando-o delicadamente a lhe olhar.

-Isso por um acaso é ciúmes?

Yuki fica completamente roxo de vergonha, não só por causa da pergunta, mas também devido a aproximação do rosto do primo com o dele. Ele segura na mão do Haru e a tira dali do seu queixo. Apesar do contato ser por poucos segundos ele sente o quanto que a mão do garoto estava quente e a dele fria e volta a olhar para a parede.

-Não seja ridículo, Haru. É claro que não tenho ciúmes da Honda-san e nem da Hanajima-san.

-Estou lhe perguntado se está com ciúmes de mim.

Yuki já havia entendido que era essa a pergunta, mas não queria nem imaginar aquela possibilidade.

-Ahahahhah…. Estou começando a concordar com o Shigure, você deveria ser um comediante… Isso foi uma piada, não é mesmo?

-Eu não tenho vergonha de admitir que tenho ciúmes de você.

-Pára com isso Haru! Pára! Se tivesse ciúmes de mim, não iria querer ver as garotas peladas.

-Então é por isso que está bravo. Só por que falei que queria ver as garotas peladas?

-É… É claro que não é por isso! E Eu… eu não estou bravo.

Hatsuharu segura na mão do Yuki e entrelaça os dedos. Yuki sente no mesmo instante que o calor da mão do primo invade e domina o frio de sua própria mão, ele lhe olha e o Haru se aproxima ainda mais de seu rosto.

-Eu já te disse. Você é a pessoa mais especial para mim. Se me pedir, não verei a mais ninguém pelado, os meus olhos só irão enxergar a você.

O coração do Yuki dispara e por um instante tem a certeza de que o Hatsuharu iria lhe beijar como o Momiji havia feito com a Tohru, mas o Haru apenas encosta a sua cabeça em seu ombro e aperta um pouco mais a sua mão na dele.

-Se quiser, a gente pode ficar apenas aqui. Eu vim por sua causa, e quero fazer apenas aquilo que quiser fazer.

O perfume do cabelo branco de Haru invadem as narinas de Yuki e ele sente que o seu corpo estava todo arrepiado, mas ao mesmo tempo sentia uma pontinha de decepção pelo fato do Haru não ter imitado o gesto do Momiji com a Tohru.

by DonaKyon

18/12/2008

20


Yuki se abaixa rapidamente para começar a catar os cacos de vidros.

-Apenas escorregou da minha mão.

O garoto cata os cacos, sem olhar para os outros e tentando ajuntar os cacos com rapidez ao ver que o Haru estava se abaixando para ajuda-lo, ele acaba se cortando.

-AIII…

-Você se machucou Yuki.

Haru segura a mão do primo levando até a sua boca o dedo que estava sangrando e chupando a ferida, mas o Yuki logo puxa a mão e fica a segurando, mas não olha para o Haru que estava ajoelhado na sua frente, mas o possuído pelo boi percebe que o primo estava com um aspecto um pouco bravo.

# A minha vontade é de mandar ele chupar o dedo da Hanajima e da Honda. O que acabei de pensar? Elas não têm culpa de nada. A culpa é desse aí. Eu não entendo o Haru, ele fala que gosta de mim, mas se interessa por garotas.#
-Yuki-kun?!

-Ahn?

O garoto volta a realidade quando escuta o seu nome e vê que o Momiji, que ainda permanecia nu, estava parado na sua frente.

-Perguntei se está doendo…..

-Não. Já estou bem.

O garoto se levanta do chão e entra no seu lado do quarto fechando rapidamente a divisão que separava os quartos enquanto que o Kyo se mantém do seu lado sem falar uma única palavra apenas olhando para os outros dois que ficaram no mesmo lado que ele.

-O que será que aconteceu com o Yuki-kun? Não achou que ele estava estranho Haru-kun?

-Hummm… Pelo visto ficou bravo com alguma coisa…

-Eih Kyo… O que fez para o Yuki-kun ficar bravo, heim??

-EU NÃO FIZ NADA. ELE NÃO FALOU QUE CAIU O COPO DA MÃO DELE?

-Vamos tomar um banho juntos com as meninas Haru-kun?

Kyo ao perceber que o Momiji já nem estava ligando para o que ele estava falando e ainda estava fazendo uma proposta daquela para o outro possuído.

-Hummm…. Até que é uma ideia legal.

#Chega! Cansei! Não vou falar mais nada. Vou deixar que a Hanajima use as tais ondas nesses dois aí.#

O garoto se senta no futton e não prestando mais para a conversa dos dois começa a se lembrar da colega de classe.

#O que ela quis dizer com aquele “Eu entendo o que sente?” E que história de ondas era aquela?? Eu vou perguntar para aquela maluca o que ela quis dizer com isso.#

-No que está pensando agora?

Kyo sente o peso do corpo do Haru nas suas costas.

-Não te interessa. Vai lá para a sua princesa. Aposto que ele está chorando atrás da divisão.

-O Yuki não iria chorar por causa de um simples corte.

-Você conhece muito bem o rato, não é mesmo?

-O conheço tanto quanto te conheço. E vamos lá… Vamos tomar um banho com as garotas.

Haru se leva e puxa o Kyo pelo braço para que ele fique de pé também.

-Vocês são retardados ou o que? Acham mesmo que poderão tomar banho na mesma piscina que as garotas?

-Podemos sim seu bobinho. Basta que a gente fique vestido com um shorts e elas com um biquini e tudo bem. Veja Kyo, eu já estou até vestido com o meu.

Kyo olha para o shorts branco cheio de coelhos amarelos desenhados que o Momiji já estava vestido.

#Quando foi que esse daí voltou ao normal?#

-Toma vista esse daqui.

O possuído pelo boi joga na cara do Kyo uma das bermudas que estava na mochila do garoto.

-Quem foi que te deu permissão para mexer nas minhas coisas?

-Humm… Sei lá… Vão indo para a terma mista, que eu vou trocar de roupa e chamar o Yuki.

Haru achou mais sensato sair pela porta dessa vez, sabia que o Yuki iria ficar bravo com ele, caso ele fosse pela divisão.

-Anda logo Kyo… Eu já vou avisar as meninas para irem para lá.

Momiji sai correndo do quarto deixando o possuído sozinho.

#Porque será que esses dois decidem tudo pelos outros? Que droga!!! É claro que aquele boi lesado não me conhece…. Ele nem imagina o que passa por dentro de mim…. #

-Eu entendo o que sente

Kyo sente um forte arrepio nas costas e se senta no futton segurando firmemente a bermuda com as duas mão.

#A Hanajima leu os meus pensamentos… Ela sabe de tudo….#

Kyo rapidamente começa a tirar a camiseta preta e a calça caqui vestindo a bermuda e saindo correndo do quarto.

by DonaKyon

17/12/2008

19


Kyo assim que entra no quarto quase que ao mesmo tempo joga o coelho sob o futton que estava a sua esquerda e joga as mochilas no chão a sua direita, e se senta no futton ao lado de onde o pequeno possuído estava.

-VOCÊ É MUITO MALVADO, KYO….

-Fica quieto coelho. Onde já se viu querer dormir no mesmo quarto que uma garota? Você está ficando tão sem-vergonha como aquele cão safado e o boi lesado.

-Aposto que você está apaixonado pela Tohru-chan. É por isso que não quer me deixar dormir com ela. Mas saiba que eu gosto dela também.

-EU NÃO GOSTO DAQUELA LESADA!!! APENAS NÃO É CERTO VOCÊ DORMIR COM ELA.

BOUNFF

-Não gosta dela mesmo?

Momiji não se importa nem um pouco pelo fato de está nu e conforme ia perguntando vai se aproximando do Kyo que a cada passo dado pelo primo dava dois para trás até que fica encostado na parede com o Momiji bem perto dele.

-NÃO GOSTO NÃO! E SAI DE PERTO DE MIM….

-Eih Kyo… Você sabe se a Tohru-chan tem algum namorado no colégio?

-NÃO!! E JÁ FALEI PARA SAIR DE PERTO, SEU COELHO SEM-VERGONHA.

Momiji se afasta um pouco mas se sentando nu no futton onde o Kyo iria dormir cruzando as perna e os braços e fazendo uma cara muito pensativa.

-Mas será que ela gosta de alguém?

-COMO É QUE EU VOU SABER?! E TRATE DE IR SE SENTAR PELADO NO SEU FUTTON E NÃO NO MEU!!!

-Hummm….

-VOCÊ ESTÁ ME ESCUTANDO?? VÁ SE SENTAR EM OUTRO LUGAR!!!!

-Eih Kyo, você acha que a Tohru-chan se apaixonaria por qual tipo de garoto?
-COMO É QUE EU VOU SABER DISSO???? E JÁ CHEGA!!!!

Kyo em poucos segundos se levanta e puxa o futton de baixo do garoto, mandando-o para o outro lado do quarto, fazendo com que o garoto caia com o bumbum para cima e o queixo no chão.

-BUAAAAAA….. BUAAAAA….. CERTAMENTE ELA NÃO SE APAIXONARIA POR ALGUEM COMO VOCÊ…. BUAAAAA…

-E MUITO MENOS POR UM BEBÊ CHORÃO COMO VOCÊ!!!!

-Acha mesmo?!

Momiji em segundos estava em pé e novamente em cima do Kyo sem se importar de estar pelado ainda e lhe olhando sem nenhuma lágrima nos olhos.

Uma pequena veia do lado da testa esquerda do Kyo se enche de sangue ficando visivelmente nítida para qualquer um que o visse.

-GRUUUUUUUAAA. JÁ FALEI PARA NÃO SE APROXIMAR DE MIM DESSE JEITO SEU COELHO MALDITO.

-E eu?? Posso me aproximar assim de você?

A voz do Haru vem da divisão que estava justamente ao lado da cama do Kyo e que estava sendo aberta lentamente enquanto o garoto ia falando. No quarto ao lado ficava o dele e do Yuki. Kyo foi olhando meio que em câmera lenta em direção da voz e arregalando os olhos conforme fazia o movimento.

-VIVA…. SOMOS VIZINHOS DE QUARTO……. CADÊ O YUKI-KUN????

-Ele foi até a cozinha pegar um pouco de água e não quis a minha companhia.

-O que ele falou quando lhe disse que vamos estudar todos juntos agora?

-Hummm…. Eu ainda não contei para ele isso… Ou será que contei???

-OQUUUUEEEE????? VOCÊS DOIS VÃO ESTUDAR COM A GENTE??? E TRATE DE IR COLOCAR UMA ROUPA LOGO, SEU COELHO SEM VERGONHA.

Kyo faz uma menção de correr atrás do Momiji para lhe bater novamente, mas é detido pelo Haru que em instante se coloca na sua frente já sem a camiseta que vestia antes.

-Será que prefere me ver nu ao invés dele?

Haru tenta segurar no queixo do Kyo mas o garoto é mais rápido e se afasta dele, sem que o primo perceba que ele estava um pouco envergonhado com aquela pergunta e com aquela aproximação dele.

-GRUUUUUAAA SEU BOI LESADO E SAFADO. VOLTA PARA O SEU QUARTO E ME DEIXA EM PAZ.

-Acho que o Kyo prefere ver aquela amiga da Tohru-chan pelada.

-O QUEEEE???…… É ÉÉÉ É CLARO QUE NÃO É ISSO. EU EU NÃO QUERO VER NINGUÉM PELADO. ENTENDERAM?

-Hummm… Por que não? Eu não me importaria de ver aquela amiga e a Tohru-kun peladas.

CRASCHH

Os três garotos olham em direção da porta do quarto onde estavam hospedados o Haru e o Yuki, e encontram o possuído pelo espírito do rato um pouco pálido e com um copo quebrado aos seus pés.

by DonaKyon