26/08/2008

370


“ Tohru ficou vermelha, seu coração falhou de tão rápido que batia. Sentiu desejo de beijá-lo novamente. De abraçá-lo e colocá-lo no colo para afastar dele aquela tristeza. Queria poder tocar sua alma e curar aquela dor em seus olhos. Mas a cima de tudo, queria sentir o beijo dele outra vez.”

- Si-sim...

“ Shigure também desejava beijá-la novamente, mas antes precisava contar-lhe a verdade. Tirou a mão do rosto dela e endireitou o corpo olhando para o jardim, ela sentada ao seu lado de frente pra ele apenas observou e escutou em silêncio.
Shigure contou como havia conhecido Kana e como tinha se apaixonado pela primeira vez.
Contou como sentia-se feliz por estar ao lado dela apesar de não poder assumir o relacionamento por causa do patriarca.
Contou como indicou a namorada para trabalhar com o primo Hatori e como nunca suspeitaria que ele se apaixonaria por ela também.”

- Eu não sabia de nada. Me encontrava com ela normalmente como sempre fazíamos. Algumas vezes ela disse que me amava e sempre esperava ouvir isso de volta. Mas eu nunca disse! Várias vezes pensei em dizer, mas nunca fui capaz. Eu realmente acreditava naquela época que a amava, com o tempo percebi que não era amor.

# Então foi por isso que ela disse que ele era incapaz de amar... mas... só porque ele não dizia eu te amo não significava que não gostasse dela... e ela... dizia que o amava e... na verdade... #

- Pouco tempo depois que ela começou a trabalhar com o Haa-san tivemos uma discussão. As palavras daquele dia e do dia depois daquele jamais vou esquecer. Ela me chamou de covarde, disse que eu apenas fugia e me escondia. Que eu não era quem sou de verdade.

... -Porque? Porque você é tão covarde? Porque não se mostra por completo? Porque não se deixa ser amado por completo e amar por completo? Pára de fugir, Shigure! Acha mesmo que vai esconder sua alma para sempre?

“Shigure parou de falar e fitou o céu. Tohru teve a impressão que ele revivia em sua mente um fato muito mais doloroso do que ele falava, mas não se moveu.”

- No dia seguinte, Haa-san veio me contar que eles estavam namorando, com o sorriso mais feliz do mundo. Em toda nossa infância e adolescência nunca havia visto aquele sorriso. O mais sério, o mais certo, o mais traumatizado pela maldição, o mais pressionado pela família por ter que aprender a apagar memórias. O que eu poderia fazer? Contar-lhe a verdade? Destruir aquele sorriso? Acabar com aquela paixão que mal havia começado? Ao contrário de mim e do Aaya que nunca nos importamos, Hatori era direito e sempre evitava relacionamentos. Eu não poderia destruir tudo, não quando o Haa-san finalmente havia se apaixonado, mesmo que fosse pela pessoa errada.

“ Shigure voltou a tomar o chá calmamente. Parecia tomar coragem junto com o líquido para continuar a história.”

- No mesmo dia ela veio me procurar. Cobre-a sobre aquilo. Desde quando ela enganava a nós dois? Desde quando ele era o oficial e eu o amante? Ela riu. Zombou de mim. No final me sugeriu continuarmos juntos traindo o Hatori. Eu me recusei. Disse que aquilo não era certo. Perguntei a ela onde estava o amor que ela tanto dizia nos “ eu te amos”. Ela sorriu para mim com seu sorriso mais doce e me disse para não me apegar a ilusões, que os sentimentos e as pessoas avançavam e somente eu permanecia pra trás.

...De que adianta apegar-se a ilusões inúteis? O tempo irá avançar tanto as pessoas quanto os sentimentos deixarão você para trás. Não seja tão infantil, Shigure. Para alguém que nunca disse eu te amo, você não pode se importar tanto...

by Leandra

369


“ Antes que Shigure respondesse, Tohru segurou em sua mão fechada, que logo se abriu para entrelaçar os dedos com os dela, e pouco a pouco ao ver o taxi se afastar, parava de tremer. Shigure levou a outra mão sobre o rosto e começou a chorar. Era a segunda fez que chorava na frente de Tohru por causa daquela mulher.”

# Shigure... será que... daquela fez....#

“ Tohru olhou o taxi sumir de vista e voltou seu olhar para o homem ao seu lado. Sem dizer nada, puxou o pela mão para dentro de casa levando-o até a varanda que dava para o jardim, sentando-o no chão.”

- Fique aqui, volto logo.

“ Shigure apertou a mão dela não deixando-a se afastar. Ela olhou o gesto e sorriu triste.”

- Não se preocupe! Eu vou voltar para o seu lado e ficar aqui o tempo que for preciso.

“ Shigure a soltou e apoiou o rosto sobre o braço direito que estava sobre o joelho direito dobrado junto ao corpo.”

# Haa-san... algum dia me perdoará por deixar que ela ficasse ao seu lado?! Haa-as... #

“ Tohru voltou com um chá doce de alfazema, colocando-o na mão do escritor.”

- Isso vai acalmá-lo um pouco!

“ Tentou sorrir como sempre na esperança de acalmá-lo, mas o sorriso era forçado. Estava preocupada, triste e muito confusa. Não conseguia nem imaginar o tipo de relação Shigure tinha com aquela mulher para ter visto o que viu. E tinha medo de saber. Entender aquelas palavras de Kana “ Desde quando Shigure Sohma sabe amar alguém?”. Queria perguntar e ao mesmo tempo não queria saber. No final sabia que não poderia tocar no assunto naquele momento. Mas nem precisou.”

- Tohru...

“ Shigure ainda de cabeça baixa segurando o chá com as duas mãos e olhando-o, começou a falar.”

- Aquela mulher... você sabe quem é não é mesmo?

- Sim...

“ Shigure tomou um gole do chá e pareceu refletir sobre o que ia dizer. Ficou algum tempo em silêncio. Sabia que Tohru viu mais do que deveria e que Kana fez mais do que era direito. Precisa esclarecer tudo de uma vez, não suportaria mais mentiras, mais omissões, mas desconfiança. Se não fosse verdadeiro com Tohru, se não permitisse que ela tocasse sua alma livremente, não seria digno de ser amado de volta.”

- Aquela mulher... é minha ex-namorada. Eu e ela namorávamos escondido quando ela conheceu o Hatori...

“ Tohru prendeu a respiração por um instante. Shigure notou, mas precisava continuar.”

- Preciso contar isso... preciso sempre dizer a verdade para você, ou não serei digno de algum dia poder ser amado em troca... mesmo que isso seja apenas um sonho. Já está na hora dessa história acabar, pra isso, preciso dizer a verdade... para o Haa-san também...

“ Shigure respirou fundo levantando a cabeça e olhando o céu azul sem nuvens, com algumas lágrimas nos olhos.”

- Foi minha culpa o Haa-san ter sofrido tudo aquilo. Eu poderia ter evitado tudo se tivesse contado toda a verdade para ele... mas não pude. Eu nunca tinha visto o Haa-san sorrir daquele jeito antes... mesmo que fosse por alguém como ela... Eu acreditei que se fosse o Haa-san estaria tudo bem, ele com aquele jeito certinho, acabaria ensinando-a a andar na linha. Eu quis acreditar nisso! Eu acreditei no sorriso dela para ele. No final... eu simplesmente havia condenado o meu primo a um sofrimento pra vida toda...

- E-eu... não entendo...

“ Shigure olhou-a por um momento. A garota estava olhando para as mãos tentando organizar as informações que acabara de ouvir. Estava evidentemente confusa. Shigure colocou a xícara de chá ao seu lado e levou a mão sobre o rosto da jovem fazendo-a olhá-lo nos olhos aproximando-se dela.”

- Tohru... o que você disse naquela hora... é o que você realmente acredita? Preciso ouvir de você. Você acredita no meu amor?

by Leandra

368


- Mulher? Que você ama? Conte outra piada Gure, essa não teve graça. Mulher, você diz Mulher? ELA É UMA CRIANÇA. Deve feder a leite ainda, pelo amor de deus, Gure, está tão decadente assim pra precisar de uma criança dessas pra te consolar?

- Kana eu estou avisando, vá embora! Fique longe dela ou não vou me responsabilizar.

- Ora, ameaçando uma mulher grávida, Gure?

- Eu já falei! Se tentar fazer qualquer mal para a mulher que eu amo eu não vou me importar com nada.

“ Tohru estava confusa, seu coração batia tão acelerado em seu peito que doía. Ouvir Shigure chamando-a de mulher e defendendo-a, a deixava tonta. Era possível? Ele não a via como criança? Ele realmente a via como mulher?!”

- Ama?! AMA? DESDE QUANDO SHIGURE SOHMA SABE O QUE É AMOR? DESDE QUANDO SHIGURE SOHMA SABE AMAR ALGUÉM? ALGUÉM INCAPAZ DE DEIXAR AS PESSOAS SE APROXIMAREM, INCAPAZ DE SE MOSTRAR COMO É, INCAPAZ DE SER AMADO. ALGUÉM COMO VOCÊ NÃO SABE AMAR ALGUÉM. VOCÊ SEMPRE FOI UM MONSTRO FRIO SEM CORÇÃ....

Plaft

“ Kana levou a mão no rosto que ardia com o tapa que havia acabado de levar. Shigure soltou o punho dela que ainda segurava, boquiaberto e sem reação com o que acabara de acontecer. Tohru havia saído de trás de Shigure e dado um tapa forte e certeiro no rosto de Kana e agora parada em sua frente bufafa de raiva de cabeça baixa tentando se acalmar.”

- Co-como... como po-pode...

“ Tohru respirou fundo e olhou para ela vermelha de raiva.”

- O ÚNICO MONSTRO AQUI É A SENHORITA!

“ Shigure perdeu a respiração. Diante dele uma Tohru diferente. A menina meiga que sempre sorria para tudo, que tentava de tudo para não haver brigas sempre encontrando um jeito diplomático de resolver tudo. Sempre tímida, sempre meiga, sempre frágil, sempre gentil. Estava agora emanando uma força espiritual sem precedentes. Com um olhar decidido e firme, a raiva e a revolta estampada em seu rosto, e mesmo assim era impossível não achá-la singela.”

# Então é essa a força que sustenta seu coração, minha pequena? Sim... no final das contas, parece que será você quem sempre me salvará ao invés de ser eu a salvá-la. Como pode ser tão meiga com tanta raiva no rosto? Pode ser egoísmo meu, mesmo que não me ame, ver você me defender tão violentamente... estou feliz Tohru! Como nunca tive. Sim, eu te amo. Para você e somente você, minha alma estará aberta. #

- Ora suazinha...

- Eu não sei que relação você tinha com o Shigure. Não sei há quantos anos vocês se conhecem. Mas você não sabe nada... NADA... sobre o Shigure... Ele é uma pessoa maravilhosa, gentil e carinhosa. Que se importa muito com os outros... muitas vezes mais do que com ele mesmo... Alguém igual você que fez o que fez com o Hatori... alguém como você... não deveria ser mãe... a única pessoa que não sabe o que é amar alguém é VOCÊ! Por favor... por favor vá embora!

- SUA...

“ Kana fez menção de bater em Tohru, mas foi agarrada pelo pulso novamente pelo Shigure ainda com mais força. Ela olhou para Shigure pedindo que soltasse que estava machucando, mas ele a olhou com desprezo e tristeza. Tohru colocou de leve sua mão sobre a mão dele que segurava Kana.”

- Vá embora Kana, jamais volte aqui. Fique longe de mim e do Hatori. Tohru está certa. Você é a única de nós que nunca soube o que é amar alguém. Vá embora antes que eu deixe de ouvir a Tohru e resolva dar a você o que merece. Tenho pena do filho que você carrega.

“ Tohru havia tirado a mão de cima da de Shigure, que empurrou o braço de Kana fazendo-a dar alguns passos para trás para não cair. O escritor tremia de raiva, remorso e medo. Tohru ficou olhando para a mão dele que estava do lado do corpo de punho fechado e tremendo, levantou os olhos e viu Kana se afastando em direção ao taxi que esperava mais na frente.”

- NÃO PENSE QUE FICARÁ ASSIM, SHIGURE SOHMA. NÃO VOU DEIXAR QUE CONSIGA AQUILO QUE EU NÃO CONSEGUI. VOU FAZER DA SUA VIDA UM INFERNO. DA SUA E DE TODOS VOCÊS MISERÁVEIS.

by Leandra

367


“ Depois que Kyo saiu, Shigure tomou o café da manhã junto com Tohru, Kisa e Yuki e esperou que os três saíssem para finalmente poder dormir. Mas mal pegou no sono ouviu a campanhia tocar.”

Ding dong

# Droga! O que foi agora? Será que algum dos meninos esqueceu alguma coisa? ... além da chave de casa? #

“Reclamando baixinho por ter sido tirado da cama logo quando finalmente conseguia pegar no sono, Shigure desceu as escadas com as mãos dentro do quimono, até olhar para o kotatsu na sala e ver o bentô de Tohru. Na mesma hora abriu um largo sorriso.”

# Então é a minha Tohru quem volta para casa? #

“ Shigure pegou o embrulho e abriu a porta todo sorridente, mas seu sorriso foi morrendo ao ver a pessoa que lhe esperava na porta com um cínico sorriso.”

- Não pensei que ficaria tão feliz em me ver, Gure!

“ Shigure deixou o embrulho cair no chão. Não sabia o que fazer. Kana estava parada com as mãos acariciando a barriga enquanto sorria pra ele quase diabolicamente.”

- Então... vai deixar uma mulher grávida em pé na sua porta o dia inteiro ou vai me convidar para entrar?

“ Shigure olhou do rosto para a barriga dela.”

... Não fosse um monstro...

“ Shigure estremeceu. Fechou o punho e disse sério, de uma maneira que Kana jamais havia visto.”

- Só não digo para criar raízes aí fora, porque você não é bem vinda nem no meu quintal. Não há nada para você aqui, Kana. Vá embora logo.

- Ora, ora, Gure. Você costumava ser mais gentil quando não havia nada para atrapalhar nosso divertimento...

- Sempre houve algo para atrapalhar. Afinal... EU SOU UM MONSTRO tanto quanto o Hatori!

“ Kana arregalou os olhos por um momento, mas voltou a calma. Não era surpresa que Akito tenha corrido para contar para todos a sua conversinha. Kanã fingiu sentir uma pontada na barriga e encurvou-se fingindo dor. Shigure relutou, mas não poderia simplesmente não prestar socorro, mas quando abaixou para socorrê-la, ela segurou-o pelos ombros tentando beijá-lo. Ele segurou-a pelos punhos afastando-a e andando para trás até encostar na parede ao lado da porta e olhar de relance para frente.”

# Tohru! #

“ Tohru estava parada próxima entrada da casa assistindo a cena de boca aberta bem de perto. Kana percebe imediatamente pela feição de Shigure de quem se tratava.”

# Há! É essa pirralha aí, fedendo a leite que mora com eles? É essa daí que Akito se referiu?! Hahahhaha só pode ser piada. #

“ Kana se solta de Shigure e vira-se para Tohru sorrindo e caminhando até ela.”

- Ora, ora, Gure. Você nunca teve vocação pra ser pai e agora resolveu pegar essa criança para criar? Você sempre foi dado às mulheres mais experientes. Se queria tanto trocar fraldas poderia ter dito, eu posso contratá-lo como babá do meu filho.

“ Kanã chega bem perto de Tohru levando a mão para passar no rosto dela, mas antes que ela pudesse tocá-la, Shigure segura forte o pulso dela afastando-a da jovem, colocando-se em parte, em frente da Tohru.”

- NÃO PENSE QUE ME IMPORTAREI COM A SUA BARRIGA SE TENTAR FAZER MAL COM A MULHER QUE EU AMO!

# Mulher... que você ama.... você disse que a ama? #

by Leandra

25/08/2008

366


Shigure não havia conseguido dormir nada naquela noite. Sem inspiração alguma para escrever, já sabia que teria mais uma semana com a Mi-chan acampada na porta de sua casa, lhe cobrando pela entrega dos capítulos atrasados. Depois tentou procurar algo para ler, e apesar de estar diante da enorme estante cheia de livros, não conseguiu encontrar nenhum que desejasse ler. Restou-lhe procurar alguma coisa para assistir na TV, mas naquela hora da madrugada, não estava passando nada que prestasse.

Quase às 5 da manhã, o possuído havia resolvido ir tentar dormir, entretanto após estar rolando de um lado para o outro no futun ele escuta alguns barulhos vindo da cozinha e já até sabia quem é que estava ali. Após alguns minutos pensando se deveria ou não ir até lá, o possuído se levanta, ajeita o quimono e desce.

-Muito bom dia Shigure.

-Bom dia Tohru. #Pelo visto isso tudo não tirou nem o seu sono e nem seu sorriso logo pela manhã.#

- Pelas suas olheiras deve ter passado a noite escrevendo. Já vou lhe preparar um chá de camomila para que possa ir se deitar um pouco.

Shigure se senta e apóia a cabeça em cima dos braços cruzados sob a mesa, ver que ela estava ainda com o seu mesmo jeitinho de sempre o havia tranqüilizado muito, na realidade, toda aquela inquietude que havia sentindo durante a madrugada era por causa disso. Ficou o tempo todo com uma dúvida em mente, e se a sua declaração acabasse mudando o jeito alegre e espontâneo da garota?

A garota realiza o mesmo ritual de todas as manhãs, preparar o café da manhã deles. Na casa, apenas Kisa já estava de pé também, e agora deveria estar acabando de se arrumar. Tohru não conseguia entender as razões e nem os motivos, mas o fato é que depois daquela breve conversa com o Hatori, ela havia começado a se sentir um pouco mais tranqüila.

-Aqui está.... #o chá....#

O possuído estava dormindo encostado na mesa. Tohru ainda segurando a xícara de chá fica o observando.

#Parece até um menino dormindo desse jeito.#

Ela coloca a xícara na mesa e sentasse ao seu lado, apoiando a sua cabeça na mesa e fica lhe olhando.

#Ele realmente é um homem muito bonito mesmo. Acho que qualquer mulher ficaria feliz de escutar uma declaração como a que ele me fez. O que será que eu fiz para conquistar o coração dele? Como um homem como ele pode amar uma garota tão boba como eu?#

Ao se lembrar do beijo que o possuído havia lhe dado, sente que seu coração estava mais acelerado, e passa a fixar o seu olhar na boca dele.

#Ainda não consigo acreditar que ele me beijou daquele jeito.# “ela coloca os dedos sob os seus próprios lábios” #Será que ele gostou de me beijar?#

Tohru agora toca delicadamente com o dedo nos lábios do possuído e aquele toque a faz com que fique arrepiada e ao mesmo tempo desejando dar mais um beijo nele, tal desejo a faz com que se levante e fique sentada ao lado do possuído.

#O que acabei de pensar? Porque senti essa vontade de beijar o Shigure novamente?#

Ela olha novamente para o rapaz e seu coração bate de uma maneira bem mais inquieta agora.

-Tohru

-AHH. KYO!?

O grito da garota faz com que o rapaz acorde e a encontre sentada ao seu lado.

-Eih, porque se assustou agora, sua lesada?

-Vai ver que ela se assustou com essa sua cara feia logo pela manhã.

-NÃOO?! Eu... Eu.. O que o senhor deseja?

-Avisa aquela professora delinqüente que não estava passando muito bem e por isso eu faltei.

-VAI MATAR AULA?

-E onde o Kyon-kitty irá tão cedo?

-Isso não é da sua conta, seu cão sarnento.

O garoto pega uma torrada da mesa e sai comendo de casa. Tohru ainda estava sentada ao lado do possuído, que agora também estava sentado e passando as mãos nos cabelos.

-Viu como esse ingrato me trata? Ainda bem que eu tenho você e a Kisa-chan para alegrarem o meu dia e que me tratam com tanto carinho e amor.

Ver o mesmo Shigure de sempre na sua frente faz com que o sue coração bate ainda mais acelerado e ela lhe sorri.

by Kyo

24/08/2008

365


O possuído a segura pelos ombros e lhe beija, era um beijo cheio de sentimentos, excitação, amor, desejo, medo, felicidade, ansiedade, paixão, tristeza, e raiva. Estava sentindo muita raiva de si próprio por ser um amaldiçoado naquele momento.

#Por que os milagres não existem? Eu não poderia deixar de ser um possuído pelo menos nesse momento? Como é horrível essa dor. A dor de saber que nunca poderei sentir um abraço da mulher que eu amo.#

Mine quando abre os olhos e vê que o Ayame ainda estava com os dele fechados e que uma pequena lágrima estava saindo do seu olho esquerdo, ela se virá ficando de frente para ele e seca aquela lágrima com o toque de seu dedo.

-Aya-san, a Mine te ama muito.

O possuído abre os olhos, mas agora com muito mais lágrimas, aquela era a primeira vez que alguém lhe dizia que o amava.

-Eu também te amo muito. E juro que irei lhe compensar por tudo.... Desse dia em diante, sempre se lembre que só vivo para lhe fazer feliz.

O possuído se levanta e a puxa junto consigo, a beijando em pé dentro do ofurô. Mine sentia que poderia explodir de tanta felicidade que estava sentindo. Ayame sentia naquele momento tanto desejo quanto ela. Sabia que aquela mulher não o iria rejeitar por ele ser um possuído, mas não achava justo com ela, que a verdade fosse revelada ali, daquela maneira. Queria conversar abertamente com ela, explicar a história toda com calma. Quando não é mais possível ficarem sem respirarem os dois se afastam olhando ofegantes um para o outro.

-Agora a Mine-san será uma boa garota. Termine o seu banho e venha até o meu quarto, tenho uma surpresa para você.

-A Mine sempre fará tudo o que o chefinho quiser.

Ayame lhe beija novamente e depois saí do ofurô indo para o quarto apenas enrolado com a toalha na cintura. Ao ver o que a garota havia lhe preparado ele tem ainda mais certeza de que ela era a pessoa certa para ele.

#Tenho certeza de que um dia ainda iremos rir muito por causa do dia de hoje. Pena que não será uma história que poderemos contar aos nossos filhos.#

O rapaz da um suspiro e fecha a porta. Caminha até uma das gavetas e pega uma tesoura, e depois retorna até a porta e começa a desparafusar a maçaneta da porta do lado de fora do quarto, mas a deixando ainda na porta, depois volta a fechar a porta, trancando-a com a chave do lado de dentro do quarto.

#Espero que a Mine caia nesse truque.#

Ele veste um quimono e se deita na cama.

#Juro que faremos a nossa lua-de-mel no Hawaii e prometo que terá ainda mais velas e flores no nosso quarto.#

Mine acaba de tomar o banho e seca o corpo com uma toalha, passando o creme que ele tanto gostava e volta a vestir o seu quimono. No momento em que ela coloca a mão na maçaneta da porta, a mesma sai em sua mão, e ao empurrar a porta vê que essa está emperrada.

-Aya-san... a maçaneta quebrou...

-Como? Isso não é possível?! Não agora!!.

-E agora o que vamos fazer?

-Temos que chamar um chaveiro

-Mas há essa hora não haverá nenhum aberto.

-E infelizmente esses seres não são dotados de nenhum romantismo, pois eu não possuo nenhum cliente com essa profissão em minha lista.

Mine sente como se um balde de água fria tivesse lhe caído sob a cabeça.

-Então quer dizer que teremos que esperar até amanhã para encontrarmos um chaveiro e vir abrir essa porta.

-Lamentavelmente sim, minha doce e amada dama.

-Nhoo.... E a nossa noite romantica acabará dessa forma.

-Não fique triste. Haverão inumeras noites como essas em nossas vidas, mas essa será a única com uma porta a nos separar.

-Nhoo... Então boa noite, chefinho...

-Boa noite, estarei sonhando contigo

Ayame volta a se deitar na cama, mas não sabia se ria ou se chorava por causa do que havia acabado de fazer.

by Kyo

364


Mine chega em casa com a sensação de uma noiva que acaba de chegar no hotel onde passará a sua lua-de-mel. Seguindo a sua sugestão o Ayame havia ido tomar o banho primeiro e como sabia que o chefinho demorava horas e mais horas dentro do ofurô, teria todo o tempo para arrumar tudo como ela queria.

Primeiro tratou de providenciar centenas de velas, as quais espalhou por todo o quarto do possuído e acendeu uma a uma, deixando que apenas aquelas pequenas luzes iluminassem o ambiente. Seu coração batia muito rápido. Sempre tinha sonhado com um momento como aquele. Na cama espalhou algumas pétalas de rosas vermelhas e foi espalhando entre o caminho da cama até a saída do banheiro.

Para sua sorte, a loja possuía um grande arsenal de todos esses itens para realizar as fantasias românticas de seus clientes.

Após preparar o ambiente, a garota corre para o seu quarto e tira a roupa que estava vestindo, solta os cabelos e trajando apenas um quimono de seda branco com pequenas flores do campo bordadas nas cores, vermelhas, azuis e amarelas. Com o coração batendo ainda mais rápido, ela caminha em direção do banheiro.

#Nhaa.... Se a Uo-chan foi capaz de fazer o que fez com aquele priminho. A Mine também é! Vamos lá Mine... Aposto que o chefinho sempre deve ter tido essa fantasia também.#

Durante alguns minutos a garota fica parada diante da porta do banheiro pensando se deveria realmente fazer aquilo ou não.

#O chefinho também ama a Mine.#

Ela entra sem bater na porta. Ayame estava dentro do ofurô, que cabia tranqüilamente umas seis pessoas, com a cabeça inclinada para trás e com os olhos fechados, mas em seus lábios havia um lindo sorriso.

-Posso esfregar as suas costas, Aya-san...

-MINE....

Ayame trata de colocar as mãos nas jóias da família como ele sempre disse. A garota fica um pouco surpresa, não espera por aquela reação tão tímida dele. E tentando criar um clima ela se aproxima, mas se mantendo do lado de fora do ofurô e começa a esfregar as suas costas.

#O que faço agora? Eu ainda não a preparei para contar a verdade sobre a maldição. Não posso chegar no mesmo dia que lhe disse que a amou também falar que sou um possuído.#

Ayame sente a respiração quente da garota em seu pescoço e o toque de suas mãos cheias de espumas fazendo movimentos circulares em suas costas. E apesar daquela não ser a primeira vez que o possuído estava com uma mulher ele estava muito mais nervoso do que na primeira vez.

#Credo, estou pior do que quando tinha os meus quinze aninhos.... O que a Mine deve estar pensando desse meu comportamento?#

#Nunca imaginei que o chefinho fosse tão tímido assim.#

#Preciso pensar em algo e rápido. Se ela entrar dentro desse ofurô será difícil que não tente me abraçar.#

#Porque o chefinho não fala para eu entrar também? Será que está esperando que eu tome essa atitude?#

-Mine-chan...

-Sim, chefinho, eu entro...

Ayame não tem nem tempo de pensar, em segundos a garota estava abrindo lentamente o seu quimono revelando assim aquele corpo que ele sempre desejou conhecer. Ela era ainda mais perfeita do que tinha imaginado. Por mais envergonhada que estava, ela tentava não demonstrar, imaginando que isso o deixaria ainda mais tímido.

#Eu deveria ter pedido para o meu amado irmãozinho vir dormir aqui essa noite.#

-Aya-san, será que poderia esfregar as minhas costas agora?

-Ahn?? Ah... Sim... Claro... Deixe esse podre homem que está completamente sem reação e perdido diante de um ser tão divino como você, esfregar as costas desse ser tão perfeito.

Ela fica feliz com aquelas palavras, parecia que o clima estava crescendo entre eles. Ela fica de costas e puxa as pontas dos cabelos que já estavam molhadas para frente revelando assim a sua nuca. Ayame fica ainda mais excitado com aquela imagem, sendo impossível não se aproximar para lhe beijar suavemente. Mine solta um pequeno gemido de prazer, ao sentir os lábios do rapaz em sua nuca, e virá a cabeça para procurar pelos seus lábios.

by Kyo