21/08/2008

360


O médico se aproxima ainda mais do primo e lhe fala com um tom baixo de voz.

-Poderia entrar? Eu gostaria de conversar com ela sozinho.

Shigure sente um frio na barriga, mas não tem como negar aquele pedido.

-Hei, crianças, não querem tomar um copo de leite? Venham que o titio Shigure vai preparar aquele super chocolate quente para vocês.

-Err, pode deixar que eu mesma faço....

Shigure continua caminhando e entra na casa enquanto ela fala, mas é segurada pelo médico. Hiro e Kisa entram na casa sem perceberem o gesto do primo.

-Eu gostaria de conversar com a senhorita.

Tohru fica imediatamente vermelha. Desde a noite anterior, essa era a primeira vez que eles iam conversar. Ele começa a caminhar em direção da varanda e se senta, e logo depois a garota se senta ao seu lado. O silêncio fica presente durante alguns segundos entre eles.

-Err....

-Me perdoe por ter lhe deixado sozinha, depois de haver lhe beijado.

-Não.. Não prec...

-Foi uma atitude lastimável da minha parte. Mas, é que fiquei muito assustado comigo mesmo quando vi o que tinha feito. Senti muita vergonha de mim mesmo por ter lhe beijado daquela maneira, por fazer algo assim para alguém tão pura, tão inocente, que tinha ido chorar por mim.

Tohru escutava a tudo, mas se sentindo um pouco mais triste a cada minuto.

#Então é assim que ele me vê mesmo? Uma pessoa pura e inocente. Só falta falar como se fosse uma criança.#

-Se a Tohru não me perdoar por ter lhe beijado ontem, eu não ficarei chateado..... Acho que nem mereço o seu perdão para ser sincero.

-.... Não tenho nada que lhe perdoar....

Hatori que até então falava olhando para o jardim, olha agora para a garota. Ela estava com a cabeça baixa, e com os cabelos caídos na frente de seu rosto. Ele levanta em direção de seus cabelos, mas fica com a mão suspensa no ar. Não tinha coragem o suficiente para lhe acariciar após tudo o que havia feito com a sua melhor amiga naquela tarde.

#Será que o Shigure iria ter resistido se tivesse ali no meu lugar? Não posso falar que eu não queria, afinal, bastava-se que eu abraçasse a Arisa e nada teria acontecido. Mas eu estava desejando aquela garota.#

Ele retorna com a mão e as apóiam na perna e volta a olhar para frente.

#O Shigure já sabe o que sente por ela. Ele me disse com todas as letras que a ama. Mas e eu? O que de fato sinto por ela?#

-Hatori....

Assim que escuta o seu nome, o coração do possuído bate muito acelerado. Ela conseguia provocar essa reação nele.

-....

A pergunta fica na boca da garota, queria perguntar o motivo dele não ter fugido da Uo-chan, mas não teve coragem. Ela levanta a cabeça e lhe sorri.

-... não gostaria de tomar um chá antes de voltar para a sede?

O possuído a olha um pouco espantado, não estava esperando por aquela pergunta. Mas a garota estava lhe sorrindo como sempre lhe sorriu.

#Será que para ela, aquele beijo não significou nada? Será que ela está gostando do Shigure também?#

Tohru estava um pouco nervosa, ela nem espera pela resposta do médico e se levanta sendo seguida por ele. Na sala não havia ninguém, Yuki e Kyo estavam em seus respectivos quartos, enquanto que os outros três estavam na cozinha. Quando a garota entra o Shigure dá um suspiro de alivio.

#Seja qual tenha sido a conversa, ela foi bem rápida.#

Hatori fica parado na porta, olhando para o Shigure.

#Será que ele a merece mais do que eu?#

-Ainda está aqui, Hatori?

O médico lhe olha sem entender a razão daquela pergunta feita de uma maneira tão repentina pelo Yuki que mal havia acabado de descer as escadas. Yuki percebe pelo olhar do médico que ele não deveria ter falado aquilo e fica um pouco envergonhado.

-Err... e o meu irmão?

-Já foi embora.

-Ahh... "Ele entra na cozinha e se senta. Não consegue pensar em mais nada para falar."

Pouco tempo depois, após o chá da Tohru, o médico e o Hiro voltam para a sede.

by Kyo

359


-Lar doce lar....

Shigure está todo sorridente abrindo a porta da casa, como o Yuki logo atrás dele, mas como a cara ainda bem fechada. Assim que o possuído abre a porta, ele levando a mala dele para o seu quarto.

Kyo entra e joga a mochila dele num canto da sala e já vai ligar a TV, mas na realidade apenas queria um pretexto para se manter na sala.

A limusine deles havia chegado na frente e agora o Hiro e o Ayame esperando do lado de fora da casa, sendo que o menino estava bem longe do outro possuído, pela limusine das garotas.

Hatori também havia já entrado e estava ligando do escritório do escritor para a sede. Ayame e Shigure ainda na casa do lago tinham lhe contado o que estava acontecendo na sede, a fuga de Ren e a ida de Kana para o hospital.

-E a carruagem branca com as lindas e maravilhosas damas está chegando. Que cena digna de uma pessoa como eu. Nessa noite de lua cheia, sentindo essa suave brisa da noite, com esse lindo céu estrelado e vendo esse lindo e elegante veiculo que se aproxima como se estivesse vindo diretamente do céu trazendo esses lindos anjos.

#Blaaa..... Como um adulto pode ser capaz de falar tantas palavras sem dizer nada ao mesmo tempo?#

Hiro quando vi que o carro havia chegado se aproxima da entrada da casa para esperar a Kisa. Ao escutar o barulho do motor, Shigure também foi para perto deles, enquanto que o Kyo ficou sentado na varanda da casa olhando apenas.

-Agora sim o mundo ficou mais lindo. Esses seres tão celestiais chegaram para nos brindar com suas alegrias e belezas.

Tohru e Kisa saem do carro primeiro, e vão mostrar para o motorista quais eram as suas malas. Mine e a Uotani também saem do carro enquanto que a Kagura fica sentada no banco, mas com a porta aberta e com as pernas para fora do carro.

-Muito bem. Agora que as donzelas estão entregues em seu devido lar. Creio que podemos já ir...

-Ué? Não vai lá falar um tchau para o Yuki? Pra que essa pressa Aaya-san?

-Oras caro Guretti!! Acha que eu mantenho esse meu aspecto de deus grego como? Estou muito cansado com a viagem e amanhã terei que ir até a sede pela manhã. O meu amado irmãozinho certamente irá perdoar essa minha pequena grosseria com ele. HOHOHOHOHO..... Eu que vim num carro fedendo a cueca apenas, agora irei retornar para o meu palácio acompanhado por essas três flores.... Hohohoho... Pode morrer de inveja Guretti.

Shigure começa a coçar o pescoço enquanto falava bem próximo ao primo e de forma que só ele o escutou.

-Concordo que as três são de fato lindas flores, mas a flor que eu quero está no jardim daqui.

Ayame lhe sorri gentilmente enquanto olhava para ele e para a Tohru. Ver o Shigure daquela maneira o alegrava muito. Tohru e Kisa estavam se despedindo das outras garotas, e Arisa olha em sua volta e não vê que o médico estava do lado de fora da casa.

-Já ficamos combinadas. Em breve vocês irão me visitar em casa. Temos que fazer essas reuniões outras vezes.

-Sim... Iremos sim, e pode deixar que levarei aquele bolo de chocolate que a senhorita tanto gosta.

-Bem, a Tohru-chan verei amanhã na escola. Falou ae pra vocês.

Ela faz um tchau com a mão e entra no carro, e logo após a limusine parte levando os quatros. Hatori aparece justamente no momento em que o carro estava pegando a rua, e vê que a garota conversava toda sorridente dentro dele com os outros.

#Não consegui me despedir daquela garota barulhenta#

-Como estão as coisas na sede, Haa-san?

-Muito agitadas. Até agora nenhum sinal da Ren. Imagina como o Akito-san está. Vou agora mesmo para lá.

-E a....?

-Vai ter alta amanhã. Não foi nada demais.

Shigure nota que o tom da voz do primo ao falar da Kana havia realmente mudado. Era mais frio e distante agora.

-Ok. Qualquer coisa me ligue.

Hatori olha para a Tohru e sente um certo desconforto por saber que ela ficaria ali, ao lado do Shigure.

by Kyo

358


Enquanto o clima da limusine das garotas era uma verdadeira festa do caqui, na dos homens estava um clima de velório.

O pequeno Hiro ficou o tempo todo ouvindo música e sem se mexer. Não queria que o Ayame se lembrasse que ele estava sentado ali ao seu lado. Para sua sorte, o possuído ficou o tempo todo olhando a passagem pela janela, quando não estava olhando pela janela traseira para ver a outra limusine que estava atrás deles.

Yuki foi outro que apenas ficou olhando a paisagem. Ainda não conseguia acreditar que realmente ele tinha se declarado para o Akito. Só de lembrar do que tinha acontecido no lago, ele sentia o seu corpo tremer. Seu desejo era o de chegar e correr para a sede para saber como o patriarca estava, mas não era apenas para isso, queria poder abraça-lo e fazer como que ele se sentisse um pouco melhor, mesmo tendo que enfrentar alguns problemas relacionados ao clã.

Hatori fez praticamente toda a viagem com os olhos fechados, mas não estava dormindo. Pensava em tudo no que tinha acontecido em apenas três dias longe da sede, e justamente no final de semana no qual a Kana havia se casado. Aliás, todo o seu mundo havia começado a se modificar exatamente a partir da chegada de Akito com aquelas malditas fotos e aquela trágica revelação. Em seu coração havia um turbilhão de sentimentos. Uma grande raiva pela ex-namorada. Um grande carinho e admiração pela a Tohru. E pela garota barulhenta..... Sempre que começava a tentar ordenar os seus pensamentos sobre a garota ele ficava ainda mais confuso...... Mas de tudo o que havia acontecido entre eles, a imagem mais forte que lhe vinha era a dela chorando na sua frente com medo de ter magoado a Tohru.

Shigure as vezes olhava para o médico. Percebia que aquele final de semana havia modificado muito a vida do primo, e isso o deixava ainda mais ansioso, pois não sabia o que de fato o Hatori estava sentindo pela Tohru.

#Ele já sabe que eu a amo. Diferentemente daquela outra vez..... Se eu não tivesse tomado a atitude que tive, hoje o Haa-san não estaria se sentindo tão mal como está por causa da Kana. Eu deveria ter lhe contado que ela era a minha namorada quando a apresentei para que trabalhasse com ele.... Deveria ter contado depois que ela me queria como amante dela.#

Shigure sente uma dor no peito, uma grande angustia lhe invade e ele inclina a cabeça para trás apoiando no banco e olhando para o teto.

#Me sinto ainda hoje muito culpado com relação ao Haa-san. Eu poderia ter evitado que ele sofresse tanto como sofreu. Quando vi a Akito lhe ferindo naquele dia parecia que era eu mesmo quem o estava ferindo. Porque Kana? O que o Hatori lhe fez para falar aquelas coisas horríveis para Akito? Porque ainda hoje quer ferir esse homem que te amou muito?#

Ao lado do Shigure estava o possuído pelo espírito do gato, que estava dormindo com a cabeça encostada na janela.

Na limusine das garotas, o assunto Uo-chan e Hatori tinha sido evitado por causa da pequena Kisa, apesar da imensa curiosidade que a Mine e a Kagura estavam sentindo. Mas estavam todas se divertindo com as histórias da época em que a garota estava na ativa. Tohru participava um pouco alheia a conversa, não só porque já conhecia todas aquelas histórias, mas porque estava sentindo uma ansiedade dentro de si. Como estava sentada ao lado da janela, as vezes se perdia nas passagens que passavam. Tudo ainda lhe parecia como se fosse um sonho. Havia sido beijada na mesma noite pelo Hatori e depois pelo Shigure, e depois aquela declaração de amor do escritor. Ao se lembrar das palavras dele e de seu olhar naquele momento, ela sorri não apenas com os lábios, mas também com o coração.

Aquele clima de festa, faz com que a viagem para elas seja bem mais rápida do que as dos homens, e no meio da noite as duas limusines param na frente da casa do escritor.

by Kyo

357


“ Shigure corou levemente, endireitou-se abaixando as mãos juntas por dentro do quimono na altura de seu abdômen e sorriu gentilmente.”

# Não importa mesmo o que os outros pensem. Enquanto ela sorrir desse modo para mim o resto do mundo não vai importar. A única coisa que desejo que ela sorria somente para mim desse jeito, sem deixar os amigos de lado, mas somente para mim. Ah, Tohru... me escolha. #

“ Shigure fez um leve movimento pegando a mão da jovem e beijando-a em olhá-la nos olhos.”

- Esperarei ansioso.

“ Sorriu olhando-a e voltou sorridente para pegar a mala que deixara no chão ao lado de Hatori que não o encarou.”

- Então qual é o carro dos homens? Quanto mais rápido sairmos mais rápido chegaremos em casa.

“ Uotani olhou para Hatori que parecia imparcial como sempre. Sentiu uma leve dor no peito. Era assim tão horrível ficar mais alguns minutos naquele mesmo lugar que ela? Acabou esbarrando o olhar com o do médico que também lhe olhou de relance, ficaram alguns segundos assim, até que Uotani que estava com o rosto fechado se virasse com um lindo sorriso para Tohru.”

# Hum... O que foi isso agora? #

“Pensou Hatori, mas foi enterrompido com a chegada escandalosa como sempre de Ayame e Mine.”

- Mine-chan, aqui!!!! Vamos fazer o clube da Luluzinha até em casa! Venha!!!! Vamos fazer uma festa aqui dentro! Hahahahaha

“ Gritava do teto solar do carro, Uotani, acenando os braços. Mine olhou para Aayame que olhou-a no mesmo instante. Não estavam entendendo nada. Te que Yuki lhe sorriu dizendo no exato momento que Kyo surgia atrás dele.”

- As senhoritas voltarão todas no mesmo carro!

“ Kyo fechou a cara quando olhou para o segundo carro e viu que Kagura já estava lá dentro, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa foi abraçado por Shigure que o carregou até o primeiro carro aos berros. Hiro que olhava distraído para o outro lado com fone de ouvido mal percebeu a movimentação, quando resolveu olhar pela janela para saber porque a demora Shigure já empurrava um Kyo mau humorado para dentro do carro.”

- O que está acontecendo?

“ Hatori entrou e sentou-se na janela ao lado de Hiro que ficou no meio do banco olhando para o médico e para Shigure que estava a sua frente. Yuki entrou e sentou-se na janela ao lado de Shigure, Hiro voltou a perguntar com o coração acelerado e morrendo de medo de que suas suspeitas estivessem certas.”

- O-o qu-que est-está acon-tecendo?!

“ Hiro gelou quando viu Ayame entrar no carro e abrir um largo sorriso sentando-se ao seu lado no carro.”

- Não está acontecendo nada, cara criança. Apenas as belas flores resolveram fazer um jardim particular no outro carro e nós meras abelhas teremos que permanecer aqui apenas com a lembrança de seus aromas!

“ Hiro não havia entendido nada. Estava em pânico com aquele homem assustador ao seu lado. Yuki sentiu pena do jovenzinho mas não para evitar querer matar o gato dentro do carro, não se sentaria em um lugar que pudesse vê-lo de frente, então olhou pela janela ignorando o desespero do pobre. Hatori colocou a mão sobre a cabeça do menino.”

- Elas resolveram voltar juntas para conversar. Chegaremos logo, agüente firme até lá.

by Leandra

356


“Yuki e Hiro levam as malas para frente da casa encontrando já as duas limusines a espera. Yuki pede para que o motorista coloque suas malas e a do menino na limusine da frente.”

- Hiro-kun, por favor espere já dentro da limusine para adiantar. Partiremos logo.

“Hiro fez menção de discutir, queria ficar mas tempo com a Kisa, mas o olhar mortal estilo Akito que Yuki lhe dirigiu fez com que o garoto entra-se o mais rápido que pode no carro ficando emburrado perto da janela.”

# Droga! Queria mais tempo com a Kisa-chan. O Yuki tinha que atrapalhar logo na melhor hora? Está cada vez mais parecido com Akito-san. #

“ Quando passou novamente pela porta avistou as malas do gato na entrada. Teve vontade de jogá-las na piscina de tanta raiva, mas nesse momento ouviu a voz de Kagura que havia acabado de descer com Tohru e Arisa. Sorriu maliciosamente com sua incrível idéia.”

# Se aquele baka acha que pode ter tudo o que quer enquanto atrapalha minha vida com Akito-san, ele está muito enganado! #

- Motorista! Coloque isso que aquele idiota chama de mala no mesmo carro, por favor. Mas tome cuidado para não encostar na minha, não quero ter que jogar minhas roupas fora ao serem contaminadas por qualquer pertence dele.

“ Sorriu com o sorriso mais dócil e falso possível. Quando as meninas chegaram a entrada, Yuki as recebeu com o mesmo sorriso dócil e amigável que usava para o motorista, com uma disfarçada sombra maligna sobre ele.”

- Senhoritas, vocês irão todas juntas no segundo carro. Com toda aquela tempestade, vocês não devem ter tido muito tempo para conversar não é mesmo. E como será mais difícil reuni-las todas novamente, acredito que queiram aproveitar a volta para isso, não é mesmo?

“Uotani analisou por um momento o sorriso de sua alteza e sua boa intenção em ajudar as fofocas das meninas. Teve certeza que havia algo por trás disso e exatamente por isso, decidiu que iria colaborar. Tinha a ligeira impressão que seria pior discutir, afinal tinha culpa no cartório também. E quando ela dava sua resposta, Hatori e Shigure se aproximavam e escutavam tudo, sendo percebidos apenas por ela.”

- Ótima idéia, sua alteza! Vamos fofocar muito, né meninas?! Hahahahahah E já tô cansada de olhar pra cara zangada daquele médico! – agarra a Tohru – Além do mais, aconteceram tantas coisas que nem pude aproveitar a Tohru-chan!

- Ótima idéia mesmo Yun-chan! Faz tempo que não converso com a Tohru-chan também, e nem tive tempo de fazer isso. Vamos então meninas logo de uma vez?

“ Kagura puxava as meninas para o segundo carro, antes que Kyo aparecesse e discutisse aquela decisão. Para ela a última coisa que queria era voltar no mesmo carro que o possuído pelo gato, e agradeceu mentalmente ao primo por salvá-la.”
- Como assim?! As meninas irão juntas?!

“ Shigure perguntava com cara de choro. Enquanto Hatori com sua costumeira feição séria e concentrada, apenas olhou de canto para a Uotani sorridente abraçada a amiga”

# Hunf. Então elas já fizeram as pazes? Me preocupei à toa. Bem, ótimo! Assim não me sinto culpado. #

“ Hatori forçava um pensamento a respeito, apesar do incômodo que sentia por ter percebido que dificilmente a veria de novo. Shigure havia sido completamente ignorado, até que caminhou até a Tohru meio encurvado com as mãos juntas na frente da boca com cara e voz ainda mais de choro.”

- A Tohru-chan não quer vir no mesmo carro?

“ Tohru corou ainda abraçada a amiga. Ainda não sabia o que sentia pelo escritor e pelo médico, mas saber o quanto o escritor a queria bem e a queria ao seu lado lhe dava um calor gostoso no peito. Sorriu para ele um sorriso sincero.”

- Não se preocupe, Shigure. Quando chegarmos eu preparo um chá pra você!

by Leandra

355


#Affff.... Ela vai ficar até quando aqui? Uma adulta como ela não tem nada melhor para fazer em vez de ficar vendo o anime com a gente?..... E precisa ficar abraçada com a Kii-chan? Porque não vai abraçar aquele gato fedorento?#

Desde que a Kagura chegou na sala para assistir o DVD com eles, Hiro estava sentado no sofá com os braços cruzados enquanto que as duas possuídas estavam sentadas no chão. Kisa estava sentada entre as pernas da Kagura e era abraçada pela garota.

Os pensamentos de Kagura de fato estavam bem longe dali. Não estava prestando nenhuma atenção naquelas centenas de imagens coloridas que se alternavam em frações de segundos. As imagens de sua mente eram alternadas ora entre o Kunimitsu, ora entre o Kyo.

#Como eu vou falar para ele? Ele não merece escutar isso. Mas eu não posso ser falsa a esse ponto. Não posso fingir que nada aconteceu..... Até porque um dia ele iria saber da verdade.#

#Ainda bem que no final de semana que vêm seremos apenas nos três nas termas.... Nhaaa.... A Kii-chan fica ainda mais linda quando está fazendo algo que a diverte.... Os olhos delas estão brilhando ainda mais....#

Hiro agora descruza os braços, apoiando os cotovelos nas pernas e a cabeça em suas mãos, olhando todo sorridente para a menina. Nesse mesmo instante ela olha para trás e vê que o pequeno a estava olhando daquela maneira sentado no sofá. Suas bochechas ficam avermelhadas, mas ela sorri para o primo quando ele percebe que havia sido flagrado, o que o deixa ainda mais vermelho do que ela.

-Por que não vem se sentar aqui, Hiro-kun?

-Err...

Kagura olha para a menina e depois para o pequeno primo, e já entende a situação.

-Ahhh..... Eu vou ver se as garotas já estão prontas......

Ela se levanta do chão dando uma piscada de olho para a prima, a deixando agora na cor que estava o Hiro que estava se sentando ao seu lado e não percebeu o que havia acontecido com as duas.

#Nhooo.... A Nee-chan já percebeu que eu estou gostando do Hiro-kun....#

Kisa sente um forte arrepio pelo corpo, quando sente que o Hiro estava segurando em sua mão e entrelaçando os dedos.

-Olha Kii-chan, agora vai começar aquele episodio que você mais gosta.

Hiro tentava agir como um pequeno homenzinho, falava normalmente e como se segurar na mão dela fosse a coisa mais normal a ser feita já que estava ao seu lado. O coração da pequena possuída estava batendo muito forte. Ele olha para as mãos deles e depois para o menino que estava olhando para a televisão. A imagem dele ao seu lado daquela maneira, e ao se lembrar do olhar que ele estava lhe olhando a poucos segundos atrás a faz com que dê rapidamente um beijo na bochecha do menino.

Hiro fica com os olhos arregalados, por um segundo ele pensa que havia sonhado com aquele beijo em sua bochecha, mas ao olhar para a prima e a ver com a cabeça baixa, com o rostinho muito vermelho e com um sorriso em seus lábios ele percebe que tinha de fato acontecido.

-Kii.....

-Acho que a gente já pode começar a colocar as bagagens lá fora.

Os passos e a voz do Yuki vindo da escada faz com que as duas crianças soltem as mãos e voltem a olhar para a TV, mas com uma carinha de quem tinham aprontado.

-Errr..... tá.... tá bom, Yuki-kun....

-Hiro-kun, me ajude a colocar essas malas aqui na frente.

Hiro estava com o coração na boca, e olhou com cara de poucos amigos para o primo, mas na hora que viu a cara de morte que o Yuki estava fazendo, ele rapidamente se levantou e começou a fazer sem falar um A.

#O que será que aconteceu com o Yuki-kun? Está até parecendo o Akito-san quando está de mau humor.#

#Aquele maldito gato idiota vai me pagar. Espero que aquele discipulo do professor Kazuma acabe com ele. NÃOO... Eu mesmo vou acabar com aquele idiota.#

by Kyo

17/08/2008

354


Yuki ainda escutava a tudo parado pelo vão da porta, mas quando percebe que a porta do quarto da frente tinha feito um barulho, ele trata de se esconder atrás da porta. Era justamente o Ayame quem estava saindo do quarto, ele vê que o Kyo está parado na porta do quarto das garotas.

-Kyon-kitty, aquele maravilhoso anjo que atende pelo nome de Mine está aí?

-Não!

Kyo lhe responde sem tirar os olhos da Kagura que estava dentro do quarto, mas que não era vista pelo Ayame. Aquilo chama a atenção do possuído que se aproxima sem ser notado pelo garoto e ficando grudado nas costas dele.

-Ahh... É a linda Kagura que está aqui.

-DESGRUDA SEU TRAVECO!!

-Onde está a angelical Mine?

Ayame agora colocava ainda mais o peso do seu corpo nas costas do garoto só para provoca-lo mais.

-JÁ FALEI PARA SAIR.

-Ela foi até a cozinha.

-Sim??! Muito obrigado pela valiosa informação. Virá comigo ou continuará aqui vendo a cara feia do Kyon-kitty?

-O FEIO DAQUI É VOCÊ, SEU TRAVECO MALUCO!!

Kagura não consegue segurar uma pequena risadinha, o Kyo ainda continuava sendo o mesmo de sempre, mesmo depois daquela tarde.

-Eu irei descer também Aaya-nii.

Ayame segura em sua mão como se fosse o seu cavalheiro e eles descem as escadas, quando chegam na sala, Kagura vê que as duas crianças estavam sentadas assistindo a TV.

-Vou ficar um pouco com os meninos, Aaya-nii.

O possuído lhe beija suavemente a sua mão enquanto fazia uma reverência, para depois sair todo saltitante pelo corredor. Quando ele chega na cozinha é informado que a sua assistente estava dando uma volta na área da piscina. Ayame caminha agora normalmente até a piscina, onde Mine estava parada observando aquele lugar onde na noite anterior tinha acontecido a festa. O rapaz se aproxima ficando parado atrás dela e lhe fala bem baixinho em seu ouvido.

-Eu também sempre me lembrarei da noite de ontem.

-Chefinho...

-Afinal, foi na festa de ontem que eu lhe beijei pela primeira vez.

-Sim. Foi aqui que a gente deu o nosso primeiro beijo.

Ela se virá olhando nos olhos do rapaz, enquanto estende as suas mãos para segurar as deles com os dedos entrelaçados.

-Sim, mas esse foi apenas o primeiro de vários minha doce Mine.

A garota lhe sorri e ele inclina um pouco a cabeça para lhe dar mais um beijo. A beijava cheio de amor. Para ele aquela garota era como se fosse uma jóia muito preciosa, e quando a necessidade de respirar fala mais alto, ele se afasta dela com um lindo sorriso e encosta a sua testa na dela. Aquele final de semana havia sido um verdadeiro sonho para ele. Finalmente tinha conseguido a confiança do seu irmão, os seus primos tinham começado a se libertarem de um passado cheio de sofrimento para eles, havia feito uma nova amizade, e a mulher que ele estava amando tinha aceitado o seu amor. Tudo estava sendo tão perfeito que ele começou a sentir um pouco de medo.

#Será que realmente a Mine-san irá me aceitar mesmo depois que descobrir que eu sou um possuído?#

-Chefés.... espero que todos estejam levando, lembranças tão valiosas quanto as minhas.

-Eu também assim desejo, Mine-san.

Ayame lhe beija suavemente na testa e fica com o corpo ereto enquanto olhava para frente. Mine o olha e nota que algo o estava lhe deixando um pouco preocupado.

-O que foi chefinho?

Ele lhe olha e sorri.

-Apenas fiquei com medo de que essa felicidade que estou sentindo um dia se acabe.

-Não chefinho... A Mine não vai deixar que nada acabe com a felicidade do Chefinho.

#Só agora sinto a dor que o Shigure e o Hatori sempre sentiram. Como é horrível a gente sentir vontade de abraçar a pessoa que a gente ama e não poder.#

-Se for preciso eu até vou ter algumas aulas com o priminho lutador, assim poderei defender melhor a felicidade do meu amado chefinho.

-Hohohoho... Gostaria de ver o Kyon-kitty dando aulas para a minha linda namorada..... hohohho....

Assim que escuta a palavra namorada Mine fica toda vermelha de vergonha. Ainda não estava acostumada com aquela palavra. Mas ao ouvi-la senti uma alegria ainda maior. Ayame solta de sua mão esquerda.

-Vamos entrar?! Temos que retornar para o nosso maravilhoso palácio minha linda rainha.

-Sim Aya-san.

Aquela era a primeira vez que a garota o chamava daquele jeito, e o possuído teve que voltar a caminhar todo saltitante enquanto segurava a sua mão para não ficar emocionado.

by Kyo