25/06/2008

286


“Uotani puxa ainda mais a mão do médico forçando ele a dar um passo em sua direção ficando ainda mais próximo, quando ela aproxima seu rosto do dele, Hatori puxa sua mão e dá um passo para trás ainda no chão, agora de frente completamente para ela.”

- Isso não é diversão pra sua idade, mocinha.

- NÃO ME TRATE COMO UMA CRIANÇA!

- E o que você acha que é? Uma adulta? Deveria se dar mais ao respeito senhorita, olhe para o exemplo da Tohru, ela sim, age condizendo com a idade dela, não uma...

- UMA O QUÊ? VAMOS, QUERO VER ATÉ AONDE VAI A SUA CORAGEM, DOUTORZINHO.

“ Hatori fecha ainda mais o rosto, estava ainda mais nervoso e com raiva, ter esse tipo de conversa com aquela jovem só poderia ser mais um castigo divino para fechar a noite com chave de ouro. Ele não poderia estar pensando mais em como era amaldiçoado por kamisama do que nesse momento.”

- UMA MENINA BARULHENTA, SEM MODOS, DESAVERGONHADA QUE NÃO SABE SE COLOCAR NO SEU LUGAR! MUITO DIFERENTE DE UMA MENINA BOA COMO A TOHRU.

“ Uotani se surpreende por um momento, até seu sangue ferver de verdade e ela perder completamente o controle. Se era isso o que ele achava dela, então ela mostraria pra ele exatamente o tipo de mulher barulhenta, sem modos, desavergonhada e que ela era. Ela colocou a mão espalmada sobre o peito de Hatori e o empurrou com força para trás até ele bater estrondosamente na parede. Ele estava completamente surpreso e a olhava com os olhos arregalados e a boca entre aberta.”

- NÃO ME COMPARE COM A TOHRU. VOCÊ NÃO SABE NADA A NOSSO RESPEITO. VOCÊ NEM SEQUER IMAGINA TUDO POR QUE PASSAMOS. NÃO FIQUE AÍ AGINDO COMO UM ADULTO SUPERIOR, ALTO CONFIANTE, SABITUDO, MADURO E RESPONSÁVEL. VOCÊ VEM QUERENDO POR BANCA PRA CIMA DE MIM, ME CHAMANDO DE CRIANÇA, DE BARULHENTA E FICA FAZENDO POSE DE IRREDUTÍVEL, SE ESCONDENDO ATRÁS DESSA CARA FECHADA. VOCÊ É A ÚNICA CRIANÇA NESSA SALA AGORA, DOUTORZINHO. UMA CRIANÇA EMBURRADA, EGOÍSTA E QUE FICA CHORANDO ESCONDIDA NO ESCURO.

“ Hatori arregala ainda mais os olhos quando ouvi ela dizer que ele estava chorando. Acreditou que ela não havia ouvido ou visto naquela escuridão a sua vergonhosa cena.”

- ACHA MESMO QUE EU NÃO IA PERCEBER, SEU IDIOTA? O QUE?
ACHA QUE CHORAR NO ESCURO VAI FAZER VOCÊ MAIS DURÃO?
QUANTO DE SUA VIDA VOCÊ PERDEU ATRÁS DESSA SUA MÁSCARA RIDÍCULA? E EU SOU A CRIANÇA?
QUEM É QUE NÃO SABE O SEU LUGAR? EU ESTOU VIVENDO. ESTOU APROVEITANDO CADA DIA, CADA MOMENTO. ESTOU FAZENDO MINHA VIDA VALER A PENA. DEPOIS QUE DONA KYOKO ME SALVOU, EU NÃO DISPERDIÇO MEUS DIAS ATRÁS DE MÁSCARAS FÚTEIS FUGINDO DOS MEUS PROBLEMAS E DO MUNDO.
IDIOTA! VOCÊ É UM COMPLETO IDIOTA! E DAÍ SE EU SOU BARULHENTA? PELO MENOS EU SEI RIR DAS COISAS BOAS E VOCÊ?
E DAÍ SE EU SOU SEM MODOS? PELO MENOS EU NÃO DEIXO DE FAZER NADA QUE QUERO POR VERGONHA E VOCÊ?
E DAÍ SE EU SOU DESAVERGONHADA? PELO MENOS EU SEI O QUE EU QUERO. VOCÊ OUVIU?
EU SEI O QUE EU QUERO E NÃO FICO ME MARTIRIZANDO SE ISSO FOR CONTRA O QUE OS OUTROS ACHAM CONVENIENTE.
EU VIVO A MINHA VIDA E NÃO A DOS OUTROS.
E VOCÊ? O QUE VOCÊ FAZ PRA PASSAR OS SEUS DIAS?
O QUE VOCÊ FAZ PRA VALER A PENA TÁ VIVO? ME DIZ?
O QUE FAZ DA SUA VIDA MELHOR DO QUE A MINHA PRA TENTAR ME DAR LIÇÃO DE MORAL E ME DIZER O QUE EU TENHO QUE FAZER OU COMO ME COMPORTAR?

“ Hatori mal podia respirar, estava entalado tentando engolir aquelas palavras daquela mulher com um pouco mais da metade da sua idade, gritando na sua cara sua vergonha, sua fraqueza, sua mediocridade. Seu coração doía ao bater rápido em seu peito, com raiva, muita raiva, vergonha, revolta. Aquela menina barulhenta estava expondo aos berros tudo o que ele tentava ignorar a vida inteira.”

by Leandra

285


“ Hatori apóia a mão direita na parede no primeiro degrau da escada, de cabeça baixa tentava respirar. Estava ofegante, vermelho, com o coração batendo rápido e dolorosamente. Levou a mão esquerda sobre a boca que ainda formigava.”

# O que eu fiz? O que... eu não posso acreditar que eu... eu... beijei a Tohru.. tão macio, tão calmo, tão... suave... Eu ainda posso sentir a macies da boca pequena dela, tão frágil, tão... gentil... O que eu to pensando? Eu sou um monstro! Ela é apenas uma criança... Céus ela nem deve saber o que aconteceu.. Espera!#

“ Hatori retirou a mão da boca e olhou para a parede a sua frente assustado e sentindo seu coração ainda mais disparado, colocando sua mão sobre o peito e lembrando da sensação da pele dela sobre seu peito, sentiu um arrepio por todo o seu corpo.”

# Aquele pode ter sido... o primeiro beijo dela. O que eu vou fazer agora? Como vou me responsabilizar por isso? O que eu fiz.... eu sou... um monstro... um monstro... #

Obrigada Akito, por ter me dado um marido.... que não é um monstro.

# Eu sou um monstro... a Kana estava certa... esse tempo todo... eu sempre fui um monstro contido... mas apenas um monstro... O que eu faço agora? O que eu vou fazer? Shigure me matará quando souber.... Akito!#

“ Hatori lembra-se de Akito, de tudo o que ela fez e de todas as vezes que ela não aceitou que um possuído possuísse uma namorada. Lembrou-se das palavras de agora a pouco, de como ela encontrava-se descontrolada e o quanto isso seria perigoso se ela cruzasse o caminho de algum deles, principalmente das meninas que não faziam parte do clã.”

# Tohru... #

“ Hatori virou-se em direção à porta com menção de ir atrás de Akito, mas deu de cara com Uotani que estava parada no primeiro degrau atrás dele o observando em silêncio. Precisou dar um passo para trás quando a viu para não esbarrá-la e se transformar. Estava ainda mais assustado do que antes, de todas as pessoas ela seria a última na face da Terra que gostaria de encontrar agora, descomposto, com os olhos vermelhos de chorar, trêmulo, nervoso, ansioso. Mas a penumbra que se encontrava o interior da casa naquele momento serviu como um singelo manto para esconder a sua vergonha.”

# Kamisama não permita que essa louca tenha visto o pecado que acabei de cometer. #

- Então era aqui que você tava se escondendo, Peter Zangado Pan?!

- Eu não tenho tempo para você agora, me dê licença?

- Ora, ora, aonde você pode querer ir com tanta pressa num lugar como esse?

- Não é da sua conta, agora com a sua licença...

“ Uotani segura a mão de Hatori quando ele desce o degrau para ir embora, ficando meio de lado um para o outro mas se encarando de frente.”

- Não com tanta pressa. Aonde está todo aquele cavalheirismo e pinta de maduro, largando uma mulher falando sozinha?

- Quem você pensa que é, pra querer me dar lição de moral?

- Eh... parece que o capitão zangado está mostrando as garrinhas de novo. Qual o seu problema heim, porque fica todo incomodadinho comigo?

“ Uotani puxa a mão do Hatori fazendo ele se aproximar dela ficando com os rostos próximos, o médico podia sentir a respiração da jovem percebendo o cheiro de saquê.”

- VOCÊ BEBEU? FICOU LOUCA, SUA IRRESPONSÁVEL.

- EI, NÃO VEM ME DANDO LIÇÃO DE MORAL NÃO. VOCÊ NÃO SABE NADA A MEU RESPEITO.

- E QUEM DISSE QUE EU PRETENDO SABER?

- Eh... então é assim? O Peter Zangado Pan não gosta de se divertir e nem de ver ninguém se divertindo?

by Leandra

21/06/2008

284


"Hiro e Kisa sentam-se no sofá para descansarem um pouco, estavam correndo pela pista de dança a quase uma hora."

-Arff.... Pelo visto.... arfff.... a festa vai..... arfff..... acabar daqui a pouco.... arfff... arfff.... O dragão, o rato e a aqu.... a Tohru.... arfff....já saíram da festa... arrfff

"Kisa estava com a boca aberta e ofegante, com a mão direita em cima do coração que estava se acalmando aos poucos, e olha para o Hiro que está com as mãos para trás do corpo apoiadas no sofá, e naquele instante quando olha nos olhos do pequeno possuído sente que o seu coração havia voltado a bater novamente acelerado"

#O Hiro-kun tem uns olhos tão lindos. Eles estão cheios de sentimentos#

"Hiro olha para a Kisa e percebe que ela estava com as bochechas um pouco mais rosadinhas e imaginou que seria por causa do calor que estava sentido devido ao fato de terem corrido tanto."

-Eu vou pegar um copo de suco de laranja para você.

"Assim que o garoto se levanta, a menina segura em sua mão, fazendo-o parar. O menino a olha sem entender o porque daquela ação, e nota que agora as suas bochechas estavam vermelhas"

-O-o que aconteceu? Está sentindo alguma coisa?

"Hiro volta a se sentar bem pertinho da menina que estava com o rosto abaixado. Estava sentindo tanta vergonha que não conseguia olhar para o primo, como ela tinha sido capaz de segurar na mão dele. Era claro que aquela não tinha sido a primeira vez que o segurava, mas o sentimento com o qual havia feito aquilo é que era diferente agora. Ela não queria que ele saísse do seu lado, queria que ficasse para sempre ali, juntinho dela."

-Não...

-Você tem certeza?

"O possuído coloca delicadamente a mãozinha no rosto da menina, e tal toque só a faz ficar ainda mais vermelha. Ele fica ainda mais preocupado, e volta a se levantar do sofá"

-Eu... eu vou atrás do Hatori....

"Novamente ele faz uma menção de começar a caminhar, mas é impedido pela menina"

-NÃO....EU NÃO QUERO QUE SAIA DE PERTO DE MIM.....

"Aquela era a primeira vez que via a pequena possuída levantar o tom de sua voz, e Kisa agora vê o espanto visivelmente presente no olhar do primo. Ela abaixa a cabeça envergonhada e segura firmemente com as duas mãos a barra de sua saia"

-Desculpe-me Hiro-kun.... Eu... Eu....

-Kii-chan? "O menino fica de joelhos na sua frente"

-Eu.... eu.... eu fui uma egoísta agora. Desculpe-me.

-Egoísta?

"Ela confirma com a cabeça e olha nos olhos do Hiro"

-Sim, apenas pensei nos meus sentimentos... eu....

"A pequena tigrezinha volta a abaixar o seu olhar, mas logo retorna a olhar nos olhos do primo quando sente o toque da mão dele em seu rostinho"

-Você não quer ficar longe de mim?

"Ela continua olhando naqueles grandes olhos cheios de sentimentos e balança a cabeça afirmando que não"

-Que bom Kii-chan.... Que bom que você é tão egoísta quanto eu....

"Hiro se enche de coragem e segura com a outra mão a mão esquerda da possuída, que estava segurando a barra de sua sai, entrelaçando os seus dedos"

-....eu também não quero que saia de perto de mim.

"Os corações daquelas duas crianças estavam batendo muito mais forte. O calor de seus dedos entrelaçados os enche de alegria, e o pequeno possuído sem solta da mão da menina volta a ficar sentadinho ao seu lado. E eles ficam ali, em silêncio, de mãos dadas e dedos entrelaçados durante umas três músicas."

"Aquele momento é vivido apenas por eles, nenhum dos outros participantes da festa havia prestado atenção no afeto e no carinho daquelas duas crianças. E para os dois, era como se apenas eles existissem naquele instante. O silêncio que havia entre eles, não era do tipo que afastava, que assusta quando se está ao lado da pessoa que a gente ama e essa não fala nada. Era um silêncio apenas de suas bocas, pois os seus corações estavam em uma harmoniosa comunicação, que apenas os puros de coração eram capazes de escutar."

by Kyo

283


- Dói... dói muito... mas... mesmo que o amor da mamãe fosse falso... mesmo que não fosse verdade... eu amei a mamãe... isso... isso eu tenho certeza... não é uma mentira. Eu amava a mamãe... não importa... não importa o resto, eu amava a mamãe... Então... então... pode... ela pode não ter amado você mas você a amou... não amou? Isso é verdade não é?

“ Hatori elevou os olhos encontrando os olhos dela, que o olhava tão sofrida e preocupada, um olhar que não merecia estar naquele rosto tão belo e tão jovem, um olhar de quem entendia o tamanho de sua ferida e aquilo não era justo. Ele desejou curar as feridas dela tanto quanto ela curava as deles, desejou que todo o sofrimento fosse banido daquele coração.”

- Pode... pode ter sido um amor errado... mas não foi um erro... você não fez nada de errado... não mentiu... não a machucou... desejou que ela fosse feliz mesmo sofrendo... então... então... chore o que tiver pra chorar na minha frente... e volto a sorrir... apenas lembre que... você foi verdadeiro... e... por favor... sorria...

“ Tohru não suportou, pensar em todos aqueles sentimentos, em todo aquele sofrimento, o dela, o dele, todas as questão, e chorou novamente. Ameaçou tirar a mão do peito dele para enxugar as lágrimas mas Hatori colocou sua mão esquerda sobre a dela levando a mão direita ao rosto de Tohru para enxugar suas lágrimas.

Ela permanecia de olhos fechados chorando. Sentiu todo o seu corpo formigar e esquentar ao contato das mãos do médico, mas não as repeliu. Aquele calor também a fazia se sentir bem.

Hatori elevou o corpo ficando sobre os joelhos e ergueu o rosto dela com a mão direita, olhou em seus olhos e se aproximou. Sentiu seu coração ainda mais acelerado dentro de seu peito ao ver que ela não rejeitava a aproximação. Sentiu-se confuso e pesado, apenas passou seu rosto bem perto do dela e apoiou a cabeça em seu ombro esquerdo ainda segurando a mão dela sobre seu peito.

- Eu também...

“ A voz novamente como um sussurro no ouvido dela.”

- Eu também... quero que volte a sorrir...

“ Hatori respirou fundo, sentia-se tonto, inebriado pelo cheiro que ela tinha, pela pele macia que sentia, pelo som acelerado e descompassado do coração dela. A mão quente e trêmula sobre seu peito, o calor calmo que espalhava pelo seu corpo deixando-o dormente e livre da dor. O gosto salgado das lágrimas que podia sentir ao beijar o rosto dela quando erguer novamente a cabeça. A respiração afoita em sua orelha. Desejou tê-la, desejou protegê-la, abraçá-la, guardá-la em um lugar ensolarado aonde aquelas lágrimas secariam para sempre.

Antes que pudesse pensar, antes que pudesse reagir a si mesmo, antes que pudesse culpar-se ou sentir remorso, levou seus lábios aos dela, segurando a mão sobre seu peito e apoiando o rosto com a outra mão.

Tohru sentiu-se tonta, quente, confusa, alegre e triste ao mesmo tempo. Um sentimento confuso e carregado, melancólico e solitário. Um sentimento quente e calmo. Tudo ao mesmo tempo misturado com o gosto das lágrimas dele.

Não entendia porque daquilo, porque ela ou tudo que estava por trás daquilo. Não sabia se era certo ou errado, se o amava ou não. Sempre o achou bonito e atraente, mas nunca realmente havia pensado numa possibilidade real. E agora via seus lábios sobre a pressão dos dele assim como aconteceu com Shigure."

“Sentiu a língua de Hatori pressionar seus lábios, como um choque que arrepia o corpo todo sentiu-se tão tonta e dormente que estava quase inconsciente. Naquele momento, com aqueles sentimentos, no calor daquelas lágrimas, ela não conseguiu pensar nos atos ou conseqüências, não podia julgar o que acontecia. Então, entreabriu os lábios e deu passagem aquela língua firme e macia que vasculhava cada canto de sua boca. Era uma sensação que nunca havia sentido, nunca havia experimentado, suas pernas tremeram, suas mãos suaram, todo o seu corpo parecia estranho, reagia de uma forma estranha aquele contato. A única coisa que ela tinha certeza era que não queria que acabasse. Hatori segurou mais forte a mão dela sobre seu peito, arrastando-a um pouco para o lado encontrando a sua própria pele. Aquele contato levou a ambos uma sensação tão quente que a respiração falhou.

Nesse momento, Hatori se afasta para respirar e se dá conta do que havia feito. Solta a mão da jovem sobre seu peito e afasta seu rosto do dela tirando a mão de seu rosto. Ele a olhava quase incrédulo de si próprio, assustado e aflito. Ela porém o olha confusa, mas sem desespero ou susto.”

- Eu... eu... eu... não... eu...

“ Ele levanta-se, estava realmente desorientado. Sentia vergonha de si mesmo por fazer algo assim para alguém tão pura, tão inocente, que veio chorar por ele e não dele. E ele faz isso.”

- Eu... eu realmente... eu... não... desculpe-me...

“Hatori se vira e caminha quase correndo pelo caminho de volta a entrada da casa. Tohru apenas o observa, estava tão extasiada que não havia se dado conta ainda do acontecimento. Tão inebriada pelas sensações ainda presentes em sua mão e sua boca que ainda não havia entendido o que era tudo aquilo. Ficou ali parada sentindo as sensações ainda presentes, por um tempo.”

by Leandra

282


“Viu claramente Kana sorrindo feliz vestida de noiva ao lado de um homem de fraque. Olhou para Hatori que tinha agora a mão direta sobre os olhos. Chorava copiosamente como uma criança, estava muito distante da imagem madura, imune, séria e firme que transmitia todos os dias. Parecia tão frágil, tão pequeno, tão machucado. Tohru queria abraçá-lo o mais forte que pudesse para que seu choro parasse, mas ela não poderia. Sentiu-se tão inútil e tão miserável por não poder fazer nada que chorou como o médico.

Ajoelhou ao lado quase de frente para ele, não era capaz de dizer nada. Nenhuma palavra parecia suficiente ou apropriada. Em sua garganta um nó tão grande se formou que sentia dificuldade de respirar. Hatori não a olhou, não falou mais nada, continuou imóvel com os olhos tampados chorando como uma criança ferida.

Tohru levou a mão ao rosto dele levantando a franja sobre o olho esquerdo que ele mal enxergava. Hatori destampou o outro olho e somente nesse momento ele reparou que a jovem chorava como ele. Ela tentou sorrir gentilmente enquanto as lágrimas escorriam ininterruptas.”

- Tudo bem... está tudo bem... você pode chorar... o quanto quiser... não precisa esconder... não de mim...

“ Tohru falava soluçando entre o choro, havia soltado a franja dele e tentava enxugar o choro. Hatori a olhava espantado com a boca entre aberta.”

# Ela... ela está chorando... por que? Por que ela choraria? É tão deprimente me ver assim, Tohru? É tão vergonhoso um homem como eu chorar por uma... não quero ver essas lágrimas em seu rosto, Tohru... de todas as pessoas não você, a única que não merece chorar, depois de tudo o que sofreu esteve sempre sorrindo então por que? Por que Tohru está chorando agora? Eu sou tão digno de pena?#

- Por que...

“A voz do médico sai como um sussurro mas pode ser ouvido claramente por ela apesar de toda a música e conversa da festa ao lado. Hatori não a encarava, não conseguia suportar o peso da própria vergonha, já não chorava desesperadamente, tentava conter mas sua dor era sentida no tom de suas palavras.”

- Por que... por que... depois de tudo o que você sofreu... eu nunca a vi chorar... mesmo por sua mãe... mesmo com sua perda... está sempre, sempre sorrindo... então por quê, Tohru? Por que você está chorando agora? Eu sou tão digno de pena assim?

“ Tohru prendeu a respiração por um segundo e chegou a erguer o corpo ficando apoiada sobre os joelhos.”

- NÃO, NÃO É ISSO! EU... eu...

“ Ela voltou a se sentar sobre as pernas, abaixou o rosto fechando os olhos e levando as duas mãos sobre o peito.”

- Dói... dói muito... aqui... perder a pessoa amada, a pessoa mais importante... eu não sei o que é amar alguém como você amou... eu só amei a mamãe até hoje... mas... isso não importa não é? Eu amava a mamãe... no final, é tudo amor, não é?... Não poder vê-la mais, nunca mais... dói... dói muito. E eu... eu pensei por um momento... e se o amor de mamãe não fosse verdade... então... então eu vi que a dor por eu tê-la perdido não era suficiente... eu... eu... eu não... eu não pude suportar nem a idéia... então eu sei...

“ Tohru levou sua mão direita ao lado esquerdo do peito dele e ficou olhando para ela. Hatori sentiu o calor que emanava da mão da jovem, sentiu como se aquilo espalhasse daquele ponto para todo o seu corpo, aquilo o acalmava pouco a pouco, aquele calor ameno que parecia curar a dor. Sentiu seu estomago formigar, suas mãos suarem, ficou nervoso, mas não com vergonha. Baixou os olhos e ficou ali contemplando a cor alva daquela pele macia.”

by Leandra

281


“ Mas o médico não a escutava mais, deixou-a lá na entrada da casa falando sozinha. Deu a volta na residência caminhando para um outro jardim que havia na lateral, um pouco mais afastado da casa na direção da mata, aonde os participantes da festa não pudesse vê-lo. Akito levou novamente as mãos aos cabelos e os puxou, caminhou na direção oposta de Hatori, pegando uma pequena trilha no meio da mata que dava direto ao lago na margem mais afastada da casa em que se encontravam. Tohru que assistia a tudo de boca aberta e com a mão sobre ela, assim que vê Hatori e Akito tomando direções opostas, volta correndo para dentro de casa quase batendo de frente com Yuki, que sentindo-se infeliz na festa havia decidido voltar para o quarto.”

- O que aconteceu, Tohru? Parece que viu um fantasma?

- Akito-san... Ele estava lá fora discutindo com o Hatori e parecia tão, tão... descontrolado.

- E pra que direção ele foi?

- Ele foi na direção do jardim do lado.

- Akito?

- Não, não o senhor Akito. Hatori!

- E pra onde foi o Akito-san?

- Ele... ele pegou a outra estradazinha.

- A que dá no lago perto da outra casa?

- Não sei... acho que é essa mesma... mas eu não tenho certeza.

- Vá ver o Hatori, chame Shigure ou meu irmão. Eu irei ver Akito.

“ Torhu não pensou duas vezes e saiu da casa junto com Yuki, tomou o caminho que viu o medico ir e correu em seu encalço. Não pensou realmente em chamar Ayame ou Shigure, na verdade seu coração estava tão apertado e angustiado por ter ouvido toda a conversa e visto claramente as lágrimas nos olhos de Hatori, que nem ouviu a última frase do Yuki. Ela iria atrás dele de qualquer forma.”

# Eu quero... eu quero fazer isso por mim mesma. Quero ser capaz de secar aquelas lágrimas, não quero ver o Hatori sofrendo. Depois de tudo o que aconteceu... depois de tudo o que ele sofreu... eu não... eu não consigo imaginar... a dor que ele está sentindo depois de ter ouvido aquilo tudo. Eu... eu só amei a mamãe até hoje... eu sei que dói... eu sei que dói perder quem a gente ama...então... eu não posso imaginar... que dor é saber que... todaa dor, toda lágrima, todo amor... que aquele eu te amo que tanto alegrava fosse falso... eu não sei... mas dói... eu não quero que o Hatori chore mais por ela... não quero que ele lamente por ela. Eu quero secar as lágrimas dele... nunca mais quero ver suas lágrimas.#

“ Tohru encontrou Hatori ajoelhado de frente para uma mesa de ferro trabalhado, a mão esquerda apoiada no chão à frente de seu joelho, a outra sobre a mesa onde várias fotos estava espalhadas, algumas caídas sobre a cadeira ao lado e no chão.

Tohru escutou os soluços do medico, a claridade da lua cheia fazia as lágrimas dele brilharem como cristais se despedaçando no chão. A jovem levou as mãos a boca, ela tentou mas foi inevitável, seus olhos encheram-se de lágrimas também. Ela caminhou lentamente dessa forma até ele.

Hatori apenas olhou de cabeça baixa pelo canto quem se aproximava, não se moveu, não fez menção de que ela não poderia se aproximar, ele apenas permaneceu exatamente do mesmo modo.”

- Hatôri?

- NÃO ME CHAME ASSIM!!!

“ Hatori empurrou todas as fotos para o chão a sua frente com a mão que estava sobre elas em cima da mesa. Tohru soltou um pequeno grito logo abafado por suas mãos, seu coração disparou, não por prazer, mas por medo e angústia. Sentia que iria perdê-lo para sempre naquele momento. Olhou para as fotos no chão, a claridade da lua era suficiente para identificar bem do que se tratava."

by Leandra

280


“ Hatori sai correndo em direção a porta da frente sem reparar na jovem que observava tudo. Ao chegar lá fora encontra Akito de pé sozinho, com os braços cruzados andando de um lado para o outro, com a testa franzida e um sorriso quase maligno. Ao ver o médico se aproximar, Akito olha-o de cima em baixo e abre o seu sorriso mais sarcástico e frio.”

- Isso é uma festa a fantasia ou um baile gay? Qual o seu problema Hatori? Ser médico dessa família não é suficiente para o seu sustento para procurar emprego de gogoboy ou isso é por hobbie?

- Acalme-se Akito!

- Me acalmar? Me acalmar, você diz? Eu vou lhe dizer, que não, EU NÃO VOU ME ACALMAR.

- Akito, por favor!

- NÃO! EU JÁ LHE DISSE! TOMA! É UM PRESENTINHO PRA VOCÊ!

“Akito lhe entrega um envelope.”

- O que é isso Akito-san?

- Ora, você nem imagina? Não imagina mesmo, Hatori? São as fotos daquele casamento. Daquela vigaristazinha que você diz tanto amar.

- Akito-san vou lhe pedir que não se refira á Kana dessa maneira, ela não teve culpa de...

- NÃO TEVE CULPA? NÃO TEVE CULPA, HÁ-TO-RI? AQUELA DESGRAÇADA SE LEMBROU DE TUDO! DE TUDO!

- Ela o que?! Ela se lembrou de tudo, de nós, de...

- DE TUDO HATORI! TUDO! Ela veio me procurar depois do casamento e..

“ Akito parou de andar colocando as duas mãos ao lado de sua cabeça inclinando levemente o tronco.”

- ENTÃO ELA SE LEMBROU DURANTE A CERIMÔNIA? ELA... ELA SE LEMBROU DE MIM, DE NÓS? ELA FOI PEDIR A ANULAÇÃO DO CASAMENTO?

- HATORI! ELA SE LEMBROU MUITO ANTES DE ENGRAVIDAR! ELA NÃO VEIO PEDIR PARA ANULAR PORCARIA DE CASAMENTO NENHUM! ELA VEIO ME AGRADECER POR EU TER DADO À ELA A OPORTUNIDADE DE SE CASAR COM UM HOMEM QUE NÃO SEJA AMALDIÇOADO.

- Eu não... eu não estou entendendo, Akito.

“ Akito segura os cabelos com força, andando em círculos no próprio eixo. Estava descontrolada, triste e muito revoltada. Ela empurra o dragão e segura firmemente em sua fantasia. Hatori dá alguns passos para trás ainda preso a Akito, a olhando apavorado, confuso e machucado.”

- VOCÊ É SURDO? É BURRO? EU ESTOU FALANDO HATORI QUE PARA AQUELA VIGARISTA TANTO FAZIA SE FOSSE VOCÊ OU QUALQUER OUTRO. DESDE QUE FOSSE UM SOHMA RICO! ELA SE LEMBROU DE TUDO E ENGRAVIDOU DE PROPÓSITO PARA TER CERTEZA DE QUE EU NÃO A IMPEDIRIA DESSA VEZ! E AINDA POR CIMA....

“ Akito se calou, pareceu se acalmar, seus olhos tomaram um preto tão escuro quanto a noite que lhe rodeava. Ela levou a mão sobre o olho esquerdo do médico que mal enxergava e algumas lágrimas pareceram surgir em seus olhos. Ela parou de gritar e falava quase em um sussurro, repleto de culpa, remorso, melancolia e uma revolta contida.”

- Ela agradeceu pelo... pelo seu acidente... agradeceu por eu ter obrigado você a... pra ela, tudo o que eu fiz para machucá-lo, foi um favor para ela. Ela disse, Obrigada Akito, por ter me dado um marido.... que não é um monstro.

“ Hatori retirou a mão de Akito de seu rosto, calmamente. Sem dizer uma única palavra. Ele não estava chorando, não parecia desesperado. Na verdade, sua expressão era como se um imenso vazio o tivesse consumido, como se dentro de seu peito, como se dentro de sua mente, apenas o nada existisse.”

- Hatori! Você não vê? Hatori... ela... ela nunca mereceria alguém como você. Foi por isso que eu a rejeitei, que eu a mandei embora, que eu... Hatori.

by Leandra