14/08/2009

122


Yuki enquanto corria começa a se lembrar da primeira vez que se encontrou com o Kyo. Tinha sido durante uma comemoração da festa dos doze, a qual o gato nunca pode participar.

-Eu não vou te perdoar. Nunca vou perdoá-lo...! A culpa é toda sua! Tudo culpa do rato idiota!! Tudo, tudo por sua causa...

#O Kyo devia me culpar da mesma forma que o Haru me culpava quando éramos crianças. Eles não odiavam a mim, mas sim, o rato. Foi por culpa do rato que o gato não pode entrar para o grupo dos doze signos, e por ele ter faltado à festa o gato foi punido com aquela forma. O Kyo deve ter me odiado ainda mais depois que soube da carta da sua mãe dizendo que se ao menos ele fosse o possuído do rato..... Se não fosse pelo rato, a mãe dele estaria viva ainda.#

Yuki para de correr e coloca as mãos diante dos seus olhos. Não queria que ninguém o visse chorando.

#Por que não percebi isso antes? O Haru quando me conheceu, disse que me odiava, e que era a culpa do rato o boi ser um motivo de piada para todos do clã, mas eu consegui conversar com ele e ficamos amigos. O Kyo apesar de não ter falado que me odiava como fez o Haru, ele me olhou cheio de ódio, e aquele olhar só me fez sentir vontade de chorar. Nunca consegui conversar com o Kyo como conversei com o Haru. Acreditei que o seu ódio por mim era irracional. Não era apenas isso, eu comecei a lhe odiar porque Akito lhe odiava. Diferentemente do Haru e da Kagura, que nunca ligaram para o clã, eu não consegui me aproximar dele porque sempre acreditei que o clã estava certo. Até hoje, eu não tinha visto que o Kyo tem um forte motivo para odiar o rato. Cabia a mim lhe mostrar que eu era muito diferente do rato, assim como eu fiz com o Haru.#

-Yyu-ki...

O garoto passa as mãos nos olhos, não tinha conseguido reconhecer de quem era aquela voz que lhe chamava. Quando tira as mãos dos olhos, vê o Haru, com o rosto ferido, e com os olhos vermelhos de tanto que havia chorado, parado na sua frente.
-Haru, o que aconteceu?

-Yuki.... por favor.... por favor, não me odeie.. por favor....

O possuído pelo boi começa a chorar novamente e se ajoelha com a cabeça baixa diante do primo. Yuki se abaixa, não sabia o que estava acontecendo, mas não queria ver o outro naquela situação tão humilhante. Ao olhar de perto o tipo de machucado que estava no rosto do Haru, Yuki sente que a sua alma estava sendo consumida pelo pavor.

-Haru.... você esteve com o Akito?

-Não me odeie, por favor, não me odeie.... Juro que eu não ia contar nada ao patriarca...

-Você contou ao Akito que a Hanajima-san sabe da maldição?

-Não.... Mas o patriarca sabe que o Kyo está namorando a Hanajima.

Yuki sente muita pena do primo ao ver o quanto que ele estava sofrendo com aquilo e lhe abraça bem forte.

-Akito mandou o Hatori apagar as memórias da Tohru-kun e da Hanajima.

Haru podia sentir o quanto que o Yuki estava tremendo naquele momento. O possuído estava tão apavorado que nem conseguia quase respirar.

-Ele mandou apagar as memórias da Honda-san e da Hanajima-san?

-Eles já foram lá para o colégio.

Ao escutar aquilo o garoto fica um pouco mais aliviado. Ele sabia que Akito não tinha se encontrado com a Honda.

-Akito não se encontrou com a Honda-san. Ela estava a pouco com o Momiji-kun lá do lado de fora da sede. Acho que o patriarca também não vai encontrar a Hanajima-san lá na escola, ela é sempre uma das primeiras a sair do colégio, mas a gente tem que avisá-las. Elas não podem se encontrar com Akito.
Hatsuharu começa a chorar abraçado com o Yuki.

O possuído pelo boi sabia que era apenas uma questão de tempo para que as duas garotas tivessem as suas memórias apagadas.

-Temos que ligar para a Hanajima-san. O Kyo está lá no Dojo, vamos até lá.

-O Kyo nunca irá me perdoar.

Yuki sabia que o garoto tinha muita chance de estar certo, mas naquele momento o mais importante era tentar falar com a garota. Ele se levanta e ajuda o Haru a se levantar também. Os dois começam a correr agora até o Dojo, e em pouco tempo eles estavam lá.

Kyo ainda estava treinando com o Kunimitsu sendo observado pelo seu pai adotivo. Estavam apenas os três no Dojo. Quando Kazuma vê os dois garotos, faz sinal para que eles entrassem e se sentassem ao seu lado, e começam a falar num tom baixo de voz.

-A quanto tempo Yuki-kun. Cresceu ainda mais.

-Professor, estamos com um sério problema.

Kazuma olha com mais atenção no rosto dos possuídos e vê o machucado no rosto do garoto.

-O que aconteceu lá dentro?

-Akito mandou o Hatori apagar as memórias da Honda-san e da Hanajima-san.

-O patriarca então já sabe que a outra jovem tem conhecimento da maldição.

-Kazuma-sensei..... O Akito sabe que a Hanajima é a namorada do Kyo.... Tudo isso foi minha culpa.

Kazuma se levanta do tatame aplaudindo aos dois lutadores que estavam treinando com tanto afinco e nem tinham percebido que os dois garotos estavam ali sentados.
-Vocês dois estão de parabéns, mas agora preciso conversar com o Kyo. Desculpe-me, Kunimitsu.

O gato então vê os outros dois possuídos. Hatsuharu não conseguia nem levantar a cabeça para olhar o Kyo. O assistente do Mestre pega as suas coisas deixando apenas os Sohmas no Dojo.

-O que foi, Mestre?

-Tente não perder a calma. O assunto é sério.

Kazuma volta a se sentar próximo dos garotos e o Kyo se aproxima deles, mas não se senta.

-Kyo, você tem o telefone da Hanajima-san?

-Por que é que a ratazana quer o telefone dela?

-AKITO FOI LÁ PARA O COLÉGIO COM O HATORI PARA APAGAR AS MEMÓRIAS DELA E DA TOHRU-KUN.

Haru gritava com toda a força que conseguia enquanto chorava. Agora que estava na frente do Kyo se sentia ainda pior do que antes. O gato arregala os seus olhos alaranjados e fica sem respirar por alguns segundos. Quando ele volta a respirar sente que as suas pernas não estavam conseguindo sustentar o peso do seu corpo e vai se ajoelhando lentamente enquanto fazia um grande esforço para não começar a chorar.

-Eu já sei que o Akito não encontrou a Honda-san lá na escola. Ela já está lá na casa dos pais do Momiji. Mas a gente tem que ter certeza que a Hanajima-san já não estava mais lá na escola quando Akito chegou.

-Garotos, por que é que Akito teve essa decisão agora?

-Na verdade o patriarca só tinha deixado a Tohru-kun morar com o Sensei para se vingar do Kyo. Ele acabou de nos contar tudo. Akito queria que a Tohru-kun visse a verdadeira forma do Kyo... Ele queria que você fosse rejeitado pela Tohru-kun.

Kyo sentia que todo o seu corpo estava tremendo, estava com tanta vontade de chorar, mas não podia fazer ali na frente do Yuki. O garoto abaixa a cabeça e segura o seu lábio inferior entre os dentes.

-Kyo, o Akito já sabe que a Hanajima-san é a sua namorada. Você sabe o telefone dela?

O possuído apenas responde que não balançando a cabeça.

-Então, eu irei até a casa dos pais do Momiji-kun. A Honda deve saber o número dela.

Yuki se levanta e corre para a casa dos pais do Momiji que ficava um pouco distante do Dojo. Kazuma estava sentindo muita pena do filho, sabia que ele estava completamente arrasado e com a alma destruída. Haru ainda estava chorando, não conseguia perdoar a si próprio pelo que tinha acontecido.

-Por que é que está chorando, Haru? Não era isso que você queria?

-Eu sei que você nunca irá me perdoar por isso. Mas eu não contei ao Akito. Ele acabou escutando parte da minha conversa com o Hatori.

-Você tem razão, Haru....

Kyo levanta a cabeça e olha para o Haru. Ao ver o olhar do gato naquele momento, o possuído pelo boi começa a chorar ainda mais. Não tinha encontrado o olhar de ódio e raiva que ele imaginou que receberia do gato, o seu olhar era o olhar de quem tinha acabado de perder a pessoa mais importante da sua vida. Um olhar cheio de dor, sofrimento, sem a menor vontade de viver, e carregado de várias lágrimas.

#.... Eu nunca serei capaz de lhe perdoar....... Acabei de perder a única amiga que eu tive e também a única garota que eu quis proteger..... a garota que foi a mais importante para mim... a garota que eu até daria a minha vida para lhe proteger... a única que eu fui capaz de amar...#

by DonaKyon

12/08/2009

121


Yuki corria desesperadamente em direção do portão dos fundos da sede. Já fazia seis meses que ele não entrava na sede. Nunca em toda a sua vida tinha ficado tanto tempo sem colocar os pés ali. O garoto olhava para aquelas casas, as pequenas ruas, os jardins, os rostos das empregadas e empregados, tudo estava absolutamente igual.

# Sempre senti que o ambiente de dentro da sede era diferente do resto, e agora eu sei qual é o nome desse sentimento que a gente respira com esse ar, é solidão.#

O possuído pelo espírito do rato começa a se recordar de tudo o que tinha lhe acontecido desde que tinha ido morar com o Shigure, e percebe o quanto que ele havia mudado naqueles seis meses. Ainda se sentia inseguro e com medo, mas aos poucos ele tinha começado a mudar o seu jeito. Agora, já era capaz de conversar com os outros colegas da escola, tinha amizade com garotas que não sabiam nada da maldição como a Uotani e a Hanajima, e até mesmo teve coragem de aceitar os seus sentimentos pelo Haru. Tudo isso ele devia a Honda, e era por ela que o garoto estava correndo naquele momento.

#Se agora sei que solidão é o nome desse sentimento, é porque encontrei alguém que me mostrou que o mundo pode ser bem diferente deste. O Haru sempre esteve ao meu lado, mas foi graças ao fato de eu ter ido morar com o Shigure, e depois com a Honda, é que consegui aceitar o que sentimos um pelo outro. É por isso que não quero que ela sofra por causa daquele gato idiota.#

Um forte calafrio percorre o corpo do garoto quando ele passa ao lado da casa de Akito. Era impossível passar por ali sem se recordar de tudo o que ali tinha lhe acontecido, e Yuki se lembra da sua infância junto com Akito.

#Quando eu vim morar na mansão com Akito tudo era diferente. Akito sempre foi uma criança muito triste, mas mesmo assim, brincávamos juntos e passávamos vários dias naquele mesmo quarto como se aquele fosse o nosso próprio mundo. Até que um dia tudo mudou, de repente Akito ficou como ele é hoje e começou a me tratar daquela maneira tão cruel.#

Yuki começa a se lembrar de uma conversa que o patriarca teve com ele alguns dias depois do incidente que levou o Hatori a apagar as memórias dos seus amiguinhos de escola, e também da conversa que tinha acabado de ter com o Shigure e o seu irmão.

-Com o Kyo, as coisas não foram melhores. A mãe dele se suicidou. Disseram que foi só um acidente, mas todos sabem que foi suicídio. Ouvi dizer que ela até deixou uma carta dizendo que não suportava mais estar ao lado dele, que se ao menos ele fosse o possuído pelo rato, eles teriam sido felizes.... O Kyo odeia você. Ele gritou com o pai durante o funeral da própria mãe. Ele disse: “Eu irei matar o Yuki. E depois irei me matar”. Ele te odeia porque a mãe dele desejou ter dado a luz ao rato e não ao gato.... Sabe Yuki... você conseguiu a proeza de ser odiado por todos.

-Não Yuki. O Ódio de Akito-san pelo Kyo vai além do fato dele ser o possuído pelo gato. Na verdade a mãe do Kyo era muito querida pelo patriarca quando ele era mais novo. A Eiko-san trabalhava lá na sede, até o dia em que ela se casou com o pai do Kyo.

-Akito-san culpa o Kyo pela morte da Eiko-san, acha que ele é o assassino de sua própria mãe.


#Naquele dia, quando Akito me falou que eu tinha conseguido a proeza de ser odiado por todos, pela primeira vez, ele me olhou com o mesmo olhar que o Kyo sempre me olhava antes. Era o mesmo olhar de ódio. Ele me odiava por eu não ter nascido da Eiko-san, No fundo, Akito também me culpava pela morte dela, é por isso que ele começou a ser tão cruel como foi comigo.#

by DonaKyon

09/08/2009

120


Os três possuídos olham-se entre si. Estavam espantados com aquela novidade, de fato, nunca tinham imaginado que a garota fosse começar a gostar do representante do signo do coelho.

-Shii-chan, o que é que vocês estão fazendo aqui do lado de fora?

-Estamos esperando pelo Haa-kun.

-Ué? Ele não dormiu na sua casa?

-Sim. Mas depois ele veio para a sede.

-E pelo jeito o nosso boizinho deve ter se perdido pelo caminho. O tempo que estamos aqui plantados esperando por ele, já dava para ir e voltar umas três vezes da casa do Guretti.

-E se o Haru-kun entrou pelos portões do fundo?

-O Momicchi tem razão, não tínhamos pensado nisso. E aquele portão fica até mais próximo da casa do patriarca.

-Estou indo para lá.

Yuki sai correndo para dentro da sede.

-Hehehe.... Agora que não moram aqui já nem se lembram mais de como é a sede.

Os dois adultos estavam se sentindo como se fossem dois bobos. Não podiam acreditar que tinham se esquecido da outra entrada da sede.

-Mas eu creio que isso é normal. Afinal, a sede dos Sohmas é enorme, parece até que é um bairro inteiro.

-AHHHH, vou levar a Tohru-chan naquele parque que fica do lado de fora da sede. Até mais Shii-chan, Aya...

-Até mais tarde senhor Shigure.

Os dois possuídos acenam e Momiji começa a puxar a garota pela mão. Queria aproveitar que ela tinha um tempinho livre até a hora de ir para a casa dos seus pais.

-Momiji-kun, não achou que eles estavam um pouco preocupados?

-É que o Haru-kun se perde sempre. Da última vez ele ficou desaparecido por três dias.

-É verdade. Quando eu o conheci fazia três dias que ele estava procurando pela casa do senhor Shigure.

-O Haru-kun pode ser avoado e às vezes ser até um pouco grosso quando está na sua forma black, mas ele é de todos os possuídos o que mais se preocupa com os outros. Ele foi o primeiro a se tornar amigo do Kyo. Sempre acho errado o fato de o clã ignorar o possuído pelo espírito do gato.

Os dois namorados caminhavam até o parque de mãos dadas. Momiji estava pouca coisa menor que a Tohru, mas era evidente que ele ficaria bem alto. Por ser uma criança mestiça, a sua beleza era ainda mais destacada que a dos outros primos. Todos que passavam por eles viravam para admirar por mais um tempo a beleza do garoto. Honda lhe olha pelo canto dos olhos, e vê o quanto que ele estava sorridente.

-Hehehe... Acho que todos devem estar pensando que somos duas meninas de mão dadas.

-Ahahah, é porque o senhor está com a parte superior do uniforme feminino.

-Então, usarei o uniforme masculino.

-Mas o senhor fica muito bem nesse uniforme também.

-É que quero ser um namorado ideal para a Tohru-chan. Sabe aqueles namorados que a gente só vê nos livros? Então, é esse tipo de namorado que quero ser.

Tohru apenas lhe sorri, sabia que aquelas palavras não eram somente da boca pra fora e que o garoto não precisaria se esforçar muito para ser esse tipo de namorado. O parque era realmente lindo. Não era muito grande, mas tinha diversas árvores de cerejeiras e um playground para as crianças dos Sohmas que moravam na parte externa da sede. Momiji limpa um dos bancos que ficavam ao lado do playground e eles se sentam.

-Daqui um tempo estas árvores estarão todas floridas. A Momo-chan, adora brincar aqui quando as pétalas das flores estão caindo.

-O senhor vinha sempre aqui para vê-la?

-Sim. Mas nunca me sentei nesse banco. Tinha muito medo da mamãe me vê. Eu sempre ficava ali atrás daquela árvore.

#O que eu posso fazer para aproximar o Momiji-kun de sua família? Preciso pensar em alguma coisa.#

Tohru estava um pouco distraída olhando para a árvore apontada pelo namorado, e só volta à realidade quando sente o leve toque da mão do coelho em seu rosto. Ela fecha os olhos e quando o garoto estava aproximando os seus lábios dos dela, eles escutam o som típico de quando se está andando de salto alto. Os dois se afastam rapidamente como se não estivessem prestes a se beijarem.

-Boa tarde Honda-chan, Momiji-kun.

-Boa tarde.

Os dois respondem ao mesmo tempo em que estavam se levantando do banco.

-Que coincidência encontrá-lo aqui Momiji-kun. Estava indo até a sede para pedir uma reunião com o patriarca Akito-sama.

-Reunião com o patriarca?

-Sim. O Shirou-san quer pedir permissão para que o Momiji-kun possa ensinar a Momo-chan a tocar violino.

-VERDADE?

-O meu marido ligou para o mesmo professor que lhe ensina violino, e ele sugeriu que as primeiras noções fossem dadas por você. Disse que você é o seu melhor aluno e que poderá ser um dos maiores violinistas do mundo.

Tohru olha para o garoto e vê que a felicidade estava ainda mais radiante em seu olhar.

-Mas o Shirou-san acha melhor conversar com o Akito-sama antes. Ele acha que os seus pais podem não gostar da idéia porque isso poderia lhe atrapalhar.

-Que bom, né Momiji-kun?!

-Sim. Eu ficarei muito feliz se puder ensinar a Momo-chan.

-Bem.... vou deixar vocês namorarem em paz agora. Até daqui a pouco Honda-chan.

Os dois ficam imediatamente vermelhos de vergonha, e a mulher começa a caminhar, em direção da sede, se lembrando da época em que ela e o marido começaram a namorar.

by DonaKyon

07/08/2009

119


As três amigas caminhavam pelo pátio da escola, uma ao lado da outra sendo que a Tohru estava no meio delas. Assim que voltaram para a sala de aula depois do almoço, a garota contou as amigas à linda declaração que o Momiji havia lhe feito, queria dividir a alegria que estava sentindo com elas. E agora, caminhavam em direção da saída do colégio.

-Lá está o príncipe encantado da Tohru-chan.

-Vocês não querem realmente uma carona?

-Nem... Vou caminhando até o trampo.... O dia está bom pra bater perna.

-.... Eu ficarei mais um pouco aqui na escola.

As duas amigas olham espantadas para Hanajima, aquela era a primeira que a colegial não fazia questão de sair correndo do colégio. A garota era do tipo que quando estava faltando três minutos para tocar o sinal já estava com todo material guardado na mochila.

-O que? A Hana-chan quer ficar mais tempo na escola? O que está acontecendo? Por um acaso alguma daquelas loucas do Prince Kyo te chamou pra uma briga depois da aula?

-É isso Hana-chan? Eu.. Eu não sou boa de briga, mas se for isso eu fico pra te ajudar... A minha tia fala que eu tenho o sangue de delinqüente da mamãe dentro de mim.

-Não se preocupem.... Apenas senti vontade de ficar mais um pouco por aqui.

-Tohru-chan, vamos?

Momiji se aproximava das garotas e sem fazer a menor cerimônia segura à mão da Honda. A garota fica um pouco corada, mas não consegue evitar um pequeno sorriso.

-Eih... Cê é um garotinho bem ousado heim....

-A Tohru-chan é a minha namorada. Então não tem nada demais, né Tohru-chan?

-Ahahah, cê tem razão. Pra que complicar o que é simples?

-Até amanhã Uo-chan, Hana-chan..

A garota começa a caminhar em direção do luxuoso carro que esperava por eles e pela janela vê a Arisa caminhando pela calçada e a Saki voltando para dentro do colégio.

#Será que a Saki-chan ficará bem, mesmo?#

-Tohru-chan, eu liguei na casa do Shii-chan e ninguém atende.

-Será que aconteceu algo grave com o Yuki-kun? A essa hora o senhor Shigure sempre está em casa.

-Se algo aconteceu com o Yuki-kun, eu ficarei sabendo quando chegarmos à sede. Mas tenho certeza de que nada de grave aconteceu ao Yuki-kun, afinal, hoje é o dia mais lindo da minha vida e nada poderá dar errado.

O largo sorriso de felicidade do Momiji tranqüiliza o coração da Tohru.

-Tem razão Momiji-kun. Tudo será perfeito hoje.

-O papai ficará feliz quando eu lhe contar que estou namorando a Tohru-chan.

-O senhor irá contar para o senhor Sohma?

-Claro. Não tenho motivos para esconder do papai. Apenas não contarei para o patriarca, mas para todos os outros possuídos irei contar sim. Assim nenhum deles irá começar a gostar da Tohru-chan também.

Ao ouvir o nome do patriarca, Honda se recorda da história do Hatori e da Kana.

-Momiji-kun, o senhor acha que o senhor patriarca ficaria bravo se descobrisse que estamos namorando?

-Humm... Eu não sei, mas acho que não, porque ele te deu autorização para morar com o Shii-chan, mesmo sabendo que a Tohru-chan sabe da nossa maldição.

-Eu sou muito grata ao senhor patriarca por isso. Graças a sua bondade, eu tenho um lar novamente.

-E eu tenho uma linda e gentil namorada.

Momiji encosta bochecha na bochecha da garota e esfrega gentilmente. Tudo aquilo parecia um sonho, finalmente podia ter os seus dedos entrelaçados aos dedos dela e a chamar de namorada.

#Não, isso é melhor do que um sonho, porque quando eu acordar eu ainda continuarei vivendo isso. #

Tohru mesmo se sentindo muito envergonhada encosta sua cabeça no ombro do garoto. Sempre tinha visto aquela cena nos mangás shoujo que lia, mas imaginava que aquela felicidade nunca seria lhe dada, entretanto agora estava ao lado de um belo garoto que tinha lhe feito uma declaração de amor tão linda. Ao sentir a aproximação de Tohru, o coração do Momiji bate ainda mais calmo do que já estava, e ele vai acariciando os seus cabelos até chegarem à sede.

Como a entrada da garota era proibida dentro da sede, o carro para diante da entrada principal e os dois descem de mãos dadas e vêem que outros três possuídos estavam em pé ao lado do portão.

-Olá Momicchi, Tohru-kun.

-Boa tarde Shii-chan. Aya. Yuki-kun.

-Muitíssimo boa tarde. Yuki-kun, o senhor está bem?

-Sim. Apenas perdi o horário do colégio.

-Que bom... Fiquei tão preocupada achando que o senhor tinha tido algum problema mais grave.

-Me desculpe por ter lhe preocupado tanto. Momiji-kun, não deveria ficar segurando na mão da Honda-san.

-Ahahahah... Eu posso sim segurar a mão da Tohru-chan.

-Momiji-kun, não vê o quanto que a Honda-san fica envergonhada com esse seu comportamento?

-O meu amado irmãozinho tem toda a razão. A jovem donzela está vermelha como essas flores de tsubaki.

-É??? Ahahahah, é verdade. A Tohru-chan está vermelhinha... ahahahah.... Mas não preocupe Tohru-chan, logo ficará acostumada em ser a minha namorada.
-Não deveria ficar inventando essas coisas, Momiji-kun.

-Mas eu não estou inventando nada. A Tohru-chan é a minha namorada sim. Né, Tohru-chan?

Momiji olha todo sorridente para a garota. E os três possuídos já esperavam por uma resposta dada por uma Tohru toda desajeita, aflita, e com medo de magoar os sentimentos de um pobre menininho.

-Sim.

-Viu? Viu? A Tohru-chan e eu estamos namorando.

-Isso é verdade, Tohru-kun?

-É sim, senhor Shigure.

A garota lhe respondia toda segura de si e com um sorriso nos lábios.

by DonaKyon

04/08/2009

118


O patriarca fica a espera de alguma resposta do possuído, mas depois de alguns minutos escuta o barulho da porta do quarto se fechando e afunda a cabeça no ôfuro ficando por alguns segundos com a cabeça dentro da água.

#Querer ser amada é só um ciclo vicioso de esperança e desespero. Ontem, ao escutar aquelas palavras do Hatori senti uma grande esperança dentro de mim. Era como se ele também pudesse me amar, mas isso é impossível. Eu sou o kamisama dos possuído, sou o patriarca desse clã maldito. Sou uma mulher que é obrigada a agir como se fosse um homem. Eu nasci para ser temida e não amada.#

Akito tira a cabeça da água e escuta algumas vozes. Não conseguia entender o que falavam e nem de quem eram.

#O que está acontecendo?#

Akito sai do ôfuro, vesti um quimono branco, vai para o quarto que estava vazio, e escuta as vozes de Haru e Hatori vindo do outro lado da porta.

-... deve ter uma maneira de me curar logo....

-Calma Haru-kun, irei ajudá-lo.

-Eu não posso continuar a magoar o Yuki dessa maneira.

-Vamos até a minha casa.

-Eu quero ser capaz de desejar que o Kyo e a namoradinha dele sejam felizes....


Ao escutar o nome do possuído pelo espírito do gato, Akito sente um grande ódio dentro de si e abre a porta com grande violência.

-QUEM É A NAMORADA DAQUELE MONSTRO?

Hatori e Haru olham com pavor para Akito.

-É AQUELA TOHRU HONDA, NÃO É?? ME RESPONDA HATSUHARU!

Akito avança para cima do possuído pelo espírito do boi e o segura pela gola de sua blusa. Os olhos do garoto estavam preenchidos pelas lágrimas e pelo medo. Era como se estivesse de repente dentro de um pesadelo.

-A-Aki-to-san...

-É ELA, NÃO É?

-Por favor, Akito-san... Solte o Haru-kun....

Hatori se aproxima do patriarca, mas é empurrado para longe.

-NUNCA ME DÊ ORDENS! QUEM É VOCÊ PARA ME DÁ UMA ORDEM? VOCÊ ME TRAIU. VOCÊ SABIA DE TUDO E NÃO ME CONTOU NADA.

Akito crava as unhas no rosto do Haru e o impressa contra a parede.

-FALA HATSUHARU! É A HONDA?

-N-não... não é ela...

O patriarca crava ainda mais as suas unhas e um pouco de sangue começa a escorrer pelo rosto do garoto.

-É muito feio mentir para o seu kamisama, Hatsuharu....

-Eu... eu não estou mentindo... Eu juro. Não é a Tohru-kun.

Akito solta o seu rosto, e Haru completamente atordoado sentasse no chão. Não podia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo. Por sua culpa, o patriarca havia descoberto sobre o namoro do Kyo.

-Se não é a Honda, quem é a namorada daquele monstro?

-É... é uma garota da classe dele.

-AHAHAH...Uma garota da escola? AHAHAHAHAH...Aquele monstro se esqueceu de quem ele é?? AHAHAHAHAHA..... Pobre garotinha.... AHAHAHAHH....Gostaria de ver a cara de pavor dela quando ela abraçar aquela coisa.... AHAHAHAHAH.... Imaginam então se ela tirar a pulseira dele?.... AHAHAHAH.... A coitada vai cair durinha no chão.... AHAHAHAHAHA

O patriarca volta para dentro do seu quarto rindo bem alto. Hatori se abaixa para ver o ferimento do rosto do garoto.

-O que foi que eu fiz? O Kyo nunca irá me perdoar.

-Fica calmo Haru-kun.

-Hatsuharu, venha aqui me contar como é essa pobre infeliz.

Haru se levanta com a ajuda do Hatori, e o médico sente o quanto que o primo estava tremendo. Ele sabia melhor do que ninguém que era impossível contrariar aos pedidos de Akito. O patriarca estava sentado no tatame e ainda ria muito.

-AHAHAHAH... Acho que nem vou mais precisar daquela órfã na casa do Shigure.....AHAHAHAH..

Hatori e Haru se mantinham em pé e olhavam-se sem entender do que o patriarca estava falando.

-Do que é que está falando Akito-san?

Akito para de rir e olha para o médico.

-Eu só deixei aquela garota morar na casa do Shigure para castigar aquele monstro. Eu queria que ela também descobrisse sobre a forma horrenda daquele monstro, mas agora que aquela coisa está namorando, será ainda mais divertido quando a sua “namorada” descobrir toda a verdade sobre ele.

-Foi por isso que deixou a Tohru-kun morar com o sensei?

-Foi. Quando o Shigure me contou que ela era fã do gato da lenda dos doze signos, eu logo percebi que a garota poderia começar a gostar do monstro, ou ele se aproximar dela. Mas, tenho certeza que mesmo a Honda não seria capaz de aceitar a sua verdadeira forma.

Akito se levanta do tatame e se aproxima do médico.

-Mais tarde irá até a casa do Shigure. Você já sabe o que tem que fazer.

-Akito-san... Você está mandando o Tori-san apagar a memória da Tohru-kun?

-Até que você não é tão burro como eu imaginava, Hatsuharu.

-MAS POR QUE?

-Porque eu não preciso mais daquela órfã. E como sou muito caridoso, você pode apagar a memória da namoradinha do monstro depois que ela descobrir tudo. A infeliz não merece viver o resto de sua vida com aquela imagem grotesca em sua mente.

Haru joga-se no chão diante de Akito e começa a lhe implorar.

-Por favor, Akito-san... Por favor, não apague as memórias da Tohru-kun e da Hanajima.

-Hanajima? Então é esse o nome da namoradinha do monstro.

-Akito-san, eu também lhe peço para não apagar as memórias dessas garotas.

Hatori estava com o tronco um pouco inclinado diante de Akito.

#Mas o que essas garotas tem em especial para provocar esse comportamento neles? Eu preciso vê-las com os meus próprios olhos, principalmente a tal da Hanajima.#

-Eu quero conhecer essas garotas. Hatori, me leve até o colégio deles.

-Oque? O patriarca quer ir até o nosso colégio agora?

Akito finge que não tinha escutado a pergunta do Haru e vai até o closet para vestir uma calça cinza escura e uma camisa de gola alta na cor negra. Quando ela volta para o quarto, Hatori vê novamente a imagem masculina de Akito.

#Aonde é que está aquela linda e solitária mulher?#

-Vamos Hatori.

O médico é incapaz de lhe dizer alguma coisa e segue Akito pelo longo corredor. Haru continuava ajoelhado no tatame, não conseguia encontrar forças para se levantar dali, e ainda podia sentir as unhas de Akito entrando em seu rosto.

by DonaKyon

02/08/2009

117


#O meu maior desejo era de desaparecer desse mundo. Gostaria de simplesmente deixar de existir. Que agora, ao abrir os meus olhos, eu estivesse num outro mundo, começando uma nova vida. Queria sumir sem deixar nenhum rastro de lembrança para trás. Que todos esquecem que um dia me conheceram, assim ninguém sentiria saudades de mim.#

Akito abria os olhos lentamente desejando realmente estar em outro mundo e não naquele quarto, entretanto ao firmar sua visão vê o mesmo teto branco de todos os dias.

#Hehe... como eu sou uma idiota mesmo, até parece que alguém sentiria saudades de mim..... Se eu desaparecesse desse mundo todos do clã ficariam satisfeitos e os possuídos aliviados. As únicas pessoas que poderiam sentir a minha falta já não estão mais nesse mundo.#

O patriarca escuta o bater na porta e volta a fingir que estava dormindo. A empregada entra com todo cuidado para não fazer barulho e coloca a bandeja com chá e alguns onigiris sob a pequena mesa no canto do quarto e retira a bandeja que tinha sido levada por ela duas horas antes. Ao ouvir o barulho da porta se fechando o Kamisama dos possuídos volta a abrir os seus olhos negros novamente.

#Como eu gostaria de voltar a viver aquela alegria que sentia quando o meu pai estava vivo e depois com a Eiko-chan, mas isso é impossível. Nunca mais viverei dias parecidos com aqueles. Desde que a Eiko-chan se matou, o meu mundo se transformou nesse mundo negro e solitário. Teria sido muito melhor se aquele monstro não tivesse nascido. Sem ele todos seriam felizes. A culpa é toda dele. Foi ele quem a matou.#

Uma pequena lágrima sai dos olhos de Akito molhando o travesseiro.

#Pobre Eiko-chan, apesar de ter dado à luz a um monstro horrendo, ela ainda assim conseguiu amá-lo.... Ela o criava com muito carinho.... Aquele mesmo carinho que um dia foi meu..... Como eu o odeio.... Aquele monstro maldito não derramou uma lágrima sequer por sua própria mãe. Aquele monstro não é capaz de amar ninguém.#

Akito passa a mão nos olhos secando as lágrimas e fica sentada na cama. Ela olha para o relógio que ficava ao lado de sua cama e vê que já estava no começo da tarde. Não tinha a menor vontade de se levantar daquela cama, mas sabia que tinha várias responsabilidades como o patriarca dos Sohmas.

#Por que é que eu não nasci como outra pessoa? Por que é que eu tinha que ser o kamisama e o patriarca? O meu pai não sentiu em seus ombros o peso de ser o kamisama dos possuídos, mas me lembro como ele falava com orgulho o fato de seu filho ser o kamisama.#

-É você Akito! A criança especial. A criança escolhida. A criança que nasceu para ser amada. Todos estávamos esperando por você. No seu futuro não haverá solidão ou medo.

Ao se lembrar das palavras de seu pai, a garota abaixa a cabeça e começa a chorar baixinho.

# Papai, o senhor estava errado..... Eu não sou amada por ninguém e só existe solidão em minha vida.#

-Todos nós podemos mudar o nosso destino....... Lute para não morrer na solidão.

#Será que o kamisama pode mesmo mudar o seu próprio destino? Não! Certamente que não pode. O Hatori também está errado. Nada posso fazer contra a solidão. Eu não posso nem contar os meus sentimentos para você.#

Akito ainda chorava baixinho quando sente que alguém sentou ao seu lado na beirada da grande cama de casal. Por alguns segundos ela ainda se mantem com a cabeça baixa e as mãos diante dos olhos, mas não chorava mais. Ela não sabia o que fazer naquele instante, não adiantava gritar e xingar uma vez que a pessoa já a tinha visto tão fragilizada. Seu desconforto fica ainda maior quando sente que uma suave mão afagava os seus curtos cabelos negros.

-Akito-san.

Ao escutar aquela voz, o patriarca abriu o máximo que conseguia os seus olhos e ao mesmo tempo a sua respiração ficou um pouco mais forte. Lentamente ela abaixa as mãos e vai erguendo o seu corpo para ficar sentada na cama, mas se mantem olhando para frente.

-Foi a Yoko quem te chamou?

-Não.

Hatori tira a sua mão que ainda afagava os cabelos da garota. Estava se sentindo um pouco envergonhado por ter a acariciado sem pensar. Mas quando entrou no quarto e a viu chorando tão dolorosamente, desejou fazer alguma coisa para que ela parasse de chorar. Na verdade, desejava que ela nunca mais tivesse motivos para chorar daquela maneira.

O patriarca se descobre e veste o seu quimono vinho que estava nos pés da cama e se levanta. Agora que ele estava ali no quarto era impossível não se lembrar de seu abraço e de suas palavras da noite anterior. Não querendo que o médico visse o quanto que ela tinha chorado, ela caminha para o banheiro sem lhe olhar, deixando a porta aberta.

-Por que está aqui tão cedo? Sempre vem me examinar no começo da noite.

Akito verifica a temperatura da água do ôfuro e começa a se despir para tomar um banho, achava que assim teria tempo para tirar qualquer evidencia de choro de seus olhos.

-Como estava passando ao lado da mansão quis vim ver como estava.

-Hunf...achei que era porque não queria me deixar sozinha.

Akito havia dito aquilo com um forte tom de deboche em sua voz, e entra no ôfuro com o coração batendo mais rápido. Estava muito irritada consigo mesma. O fato do médico a ver tão frágil nos últimos dias, agora a incomodava muito. Ela havia se esquecido que era a kamisama dele e a patriarca do clã.

Hatori fecha as mãos com um pouco de força e abaixa a cabeça, estava se sentindo ainda mais idiota agora.

#Como pude achar que ela queria me ver também? Akito-san é o nosso kamisama. É claro que ela nunca iria sentir algo especial por mim.... Ela pode até se sentir sozinha às vezes, mas a verdade é que ela não precisa de mim.#

by DonaKyon

31/07/2009

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#É bom ver o Kyo querendo proteger alguém. Sempre imaginei que nenhuma seria capaz de alcançar o seu coração. Fiquei muito curioso para conhecer essa garota, como será que ela é? #

-Mestre, o pivete do irmão da Hanajima falou que vai pesquisar sobre a minha maldição também.

-Mas o que ele irá pesquisar?

-Ele acha que pode ter uma maneira de acabar com a maldição.

-Seria ótimo, nada me faria mais feliz no mundo se a maldição do meu filho acabasse.

-Eu não sei se ficaria tão feliz com isso. Se isso acontecesse, a minha mãe se matou por nada.

-Isso ainda te machuca muito. Mesmo depois de tantos anos ainda se sente culpado pela morte da Eiko-san.

-Apenas o senhor é quem nunca me culpou pela morte dela. Todo o resto do clã afirma que ela se matou por minha causa

-Eu não sei o que a levou a cometer tal ato. Mas lhe garanto que a Eiko-san não se matou por sua culpa. Você pode não acreditar, mas a sua mãe realmente lhe amou muito.

-Ela nunca me amou mestre. Ela nunca aceitou o que eu era, foi por isso que ela não suportou viver ao meu lado.

Kazuma sabia que não adiantava tentar provar ao filho que ele estava errado e que a sua mãe havia lhe amado muito, ele apenas coloca a mão sob seus cabelos laranja e lhe sorri docemente.

Kyo se levanta e caminha até a janela da sala e fica observando os alunos que estavam treinando no Dojo.

#Eu preciso convencer o Haru a não contar nada para o Akito. Mesmo sendo faixa preta eu nunca conseguiria proteger a Hanajima caso o Akito lhe fizesse algo. Eu me odeio por ter nascido assim, por ter nascido dentro desse clã tão maldito.#

Kazuma fica ainda sentado olhando para bracelete do possuído e se lembra do seu avô.

#O meu avô viveu aprisionado a sua vida toda, mas mesmo assim ele teve uma esposa e filhos. A minha avó sempre cuidou do meu avô só porque sentia pena dele, ela nunca o amou. O meu pobre avô nunca foi amado por ninguém, nem mesmo por mim. O Kyo não consegue ver que tem muito mais sorte do que teve o seu antecessor. A Eiko-san sempre lhe amou muito. Ele encontrou duas garotas “normais” que o aceitaram como ele é. E até mesmo o carinho de outros possuídos ele conseguiu ter.#

-Mestre, por que é que a gente deseja tanto proteger a alguém?

-Protegemos alguém por vários motivos.

Kyo se vira e olha para o seu mestre que ainda se mantinha serenamente sentado no tatame.

-Quais motivos?

-Os motivos dependem de qual pessoa estará protegendo. Por exemplo, eu lhe protejo porque você é o meu filho. Qualquer sofrimento que passa será o meu sofrimento também. Mas também protejo o Kunimitsu porque sinto por ele uma grande amizade.

O possuído volta a olhar pela janela, já estando satisfeito com aquela resposta. Kazuma dá um pequeno sorriso e se levanta, ficando ao lado do Kyo.

#Logo você irá descobrir que também podemos desejar proteger alguém porque essa é a pessoa mais importante da nossa vida. Porque a amamos.#

-Vendo o pessoal treinar está me dando uma tremenda vontade de lutar.

-Vá treinar um pouco então. O Kunimitsu gosta muito quando você participa das aulas dele.

Kyo lhe olha sorrindo e depois pula a janela correndo até o Dojo.

#Ele não faz idéia de como esse seu sorriso é importante para mim. É esse sorriso que me faz sentir menos culpado por ter ignorado o meu avô.#

by DonaKyon