24/04/2009

73


-NÃO ME TOQUE.

Akito lhe dá um grande tapa em sua mão lançando assim o lenço para longe e deixando a mão da garota bem vermelha.

-NÃO ME TOQUE SUA CRETINA! COMO OUSAR ME PEDIR PARA VOLTAR ATRÁS COM A MINHA PALAVRA DADA AOS HITACHINS?? VOCÊ IRÁ SE CASAR SIM COM O TAMAKI-KUN. IRÁ CASAR E IRÁ MORAR BEM LONGE DAQUI DA SEDE!!

-Akito-sama, por favor, eu lhe imploro. Eu lhe imploro. Eu não posso ser feliz ao lado do Tamaki-san. Eu só posso ser feliz ao lado do Dr Hatori.

-E VOCÊ ACHA QUE FARIA O HATORI FELIZ??? ACHA QUE UMA MULHER COMO VOCÊ O FARIA FELIZ???

O coração de Akito estava sangrando muito mais do que a sua boca tinha sangrado, porque ela sabia a resposta daquela pergunta. Ela sabia que a única possibilidade do Hatori ser feliz era ao lado da Kana, mas novamente ela não era capaz de abrir mão de seu próprio egoísmo. Ela sabia que não poderia viver sabendo que o Hatori era feliz ao lado de uma outra mulher. Ela preferia morrer ao ver aquilo, mas ela não poderia morrer, ela era o patriarca dos Sohmas, o kamisama dos possuídos. A ela era proibido morrer por amor.

Kana agora chorava sem parar na sua frente. E lhe olhava como se implorasse por sua própria vida.

-Por favor Akito-sama! Por favor!! Eu lhe imploro. Eu não posso me casar com o Tamaki-san... não posso...

Aquela imagem só fazia com que o ódio de Akito aumentasse ainda mais. Odiava aquela mulher porque ela ainda amava o Hatori, mesmo depois de tudo o que tinha acontecido, mesmo após dois anos, ela ainda o amava. E a odiava ainda mais por estar ali sentada no chão a poucos passos dela, chorando desesperada, implorando pela sua ajuda e lhe ofertando a oportunidade de se redimir de seus pecados do passado. Ela não poderia devolver a visão que tinha roubado do médico mais poderia lhe dar a sua felicidade.

-Eu sei que posso fazer o Dr Hatori feliz. Ontem quando o vi abraçado com aquela garota lá no aquário, percebi que o amo e que somente eu o posso fazer feliz.

-O QUE??? DO QUE ESTÁ FALANDO?

Kana olha bem nos olhos de Akito e fecha as duas mãos que estavam pousadas em suas coxas.

-Eu o encontrei ontem no aquário. O Doutor estava acompanhado por uma jovem. Quando eu os vi abraçados, percebi que não poderia me casar. Por isso estou aqui, lhe implorando para que me ajude.

#Essa desgraçada é tão egoísta como eu! Ela não está fazendo isso apenas motivada pelo amor que sente por ele, mas sim porque o viu comigo. #

Akito se levanta e vai até a janela para ver o seu próprio reflexo.

#Ela me viu como uma mulher, como a rival dela. Ela está aí me implorando porque acha que aquela mulher que estava com o Hatori pode fazê-lo feliz.#

O coração de Akito bate mais aliviado agora e ela dá um pequeno sorriso.

#Obrigada Kana por me fazer ver. Obrigada por me mostrar que eu também posso fazê-lo feliz. Eu sou tão egoísta quanto você e é por isso que não vou te dar essa oportunidade.#

O patriarca volta a caminhar e sentasse novamente em sua cadeira.

-Como patriarca do clã dos Sohmas eu não posso permitir isso. Não posso quebrar com esse compromisso. Um patriarca não pode voltar à palavra dada a outro patriarca.

-MAS...

-Kana-san, quem veio pedir a permissão para se casar foi você mesma. Agora assumirá essa responsabilidade. O casamento será daqui alguns dias como ficou decidido.

Akito se levanta se sentindo um pouco diferente do que estava antes. Ela passa ao lado da Kana que estava ainda sentada com a cabeça baixa e chorando muito.

#Quem vai fazer o Hatori feliz será eu!#

O patriarca deixa a mulher chorando sozinha na biblioteca e volta para o quarto.

by DonaKyon

22/04/2009

72


-O que você quer? Já não tem a permissão para se casar?!

Akito falava enquanto caminhava para a cadeira que era reservada para se sentar num local de destaque da sala. Kana ainda sentada se inclina colocando a testa no chão enquanto falava mantendo aquela mesma posição.

-Mil desculpas Akito-sama. Sei que é uma pessoa muito ocupada e com alguns problemas de saúde, mas precisava muito conversar com o patriarca dos Sohmas. Poderia me receber por alguns minutos?

-Já não estou aqui?! Pergunto novamente, o que você quer?

Era difícil não ficar com medo diante daquela pessoa. Todos do clã já conheciam o humor do patriarca e suas atitudes que muitas vezes eram autoritárias.

-Eu... eu... eu não quero... não quero me casar mais com o Tamaki Hitachin! Por favor, senhor Patriarca, interceda por mim junto ao clã dos Hitachins.

Kana que ainda mantinha a testa grudada no chão não viu a cara de pavor que tomou conta do rosto de Akito.

-O QUE VOCÊ DISSE?? NÃO QUER MAIS SE CASAR COM O HITACHIN-SAN???

-Eu imploro senhor patriarca Akito-sama.

-Impossível. O casamento já foi confirmado pelos patriarcas dos dois clãs e eu não irei voltar atrás com a palavra dada pelos Sohmas.

-MAS... Mas...

-MAS NADA! QUER QUE O CLÃ DOS SOHMAS FIQUE MAL VISTO PELOS OUTROS CLÃS? COMO PODEMOS VOLTAR ATRÁS DE NOSSA PALAVRA DADA?? A SENHORITA IRÁ SE CASAR COM O HITACHIN-SAN SIM!

-...mas eu não o amo suficiente para isso, eu amo o doutor Hatori.....

Akito sente um imensa vontade de se levantar e de bater naquela mulher que nem tinha coragem de levantar a cabeça para falar que amava o Hatori.

-O QUE???? O QUE ESTÁ DIZENDO COM A CABEÇA METIDA NO CHÃO??? OLHE PARA MIM, KANA SOHMA. OLHE-ME E REPITA O QUE ACABOU DE FALAR!!

Kana levanta o tronco, mas permanece sentada sob os joelhos e Akito pode ver os olhos dela cheios de lágrimas.

O coração da Kana batia dolorido e com medo. Ainda não acreditava que tinha tido a coragem de estar ali na frente do patriarca implorando pela sua ajuda para não se casar mais com o seu noivo, mas ela sabia que não seria feliz se casasse com ele, não era ele quem ela amava. O seu único amor era o Hatori Sohma, o seu ex-chefe, aquele para quem ela nunca tinha tido a coragem suficiente de se declarar.

-Eu amo o Dr Hatori Sohma. Sempre o amei, mas nunca tive coragem de lhe contar.

#Ela não se lembrou de nada!#

Akito a olhava com o coração batendo muito acelerado. Nunca tinha imaginado que aquilo poderia acontecer. Estava diante da sua rival, da mulher que amava o mesmo homem que ela, e que também era a mulher que ele amava. Suas mãos estavam tremendo e Akito as fecha com grande força. Diante dela não estava apenas a Kana, era na realidade um passado que estava ali sentado na sua frente. Era como se lhe estivesse sendo dada uma segunda oportunidade. Novamente ela estava com a felicidade de Hatori em suas mãos.

-Você já contou para ele os seus sentimentos?

-Ainda não. Mas assim que sair daqui, irei correndo para o consultório dele. Por favor Akito-sama, me ajude. Ajude-me a terminar esse compromisso com o clã dos Hitachins.

Algumas lágrimas escorriam pelos olhos de Kana agora. Akito a olhava com grande pavor, e mordia o seu lábio inferior.

#Maldita mulher! Por que está fazendo isso comigo? Por que está esfregando na minha cara essa oportunidade de eu pagar pelo meu pecado? Se ela não se casar com o Hitachin, ela irá atrás do homem que eu amo. Ela irá falar que o ama, e o Hatori ainda a ama. Eles iriam ficar juntos. Ela pode fazer o Hatori feliz. Como poderei impedir o casamento deles dessa vez? Eu não poderia!#

-SENHOR PATRIARCA, SUA BOCA ESTÁ SANGRANDO.

Akito nem percebia que estava se ferindo e só acorda de seus pensamentos quando vê que a Kana estava na sua frente com um lenço para limpar o sangue que saia de sua boca.

by DonaKyon

19/04/2009

71


Akito voltava para o quarto. Tinha se levantado há uma hora mais ou menos e havia permanecido esse tempo todo no ofurô. Seus pensamentos não podiam ser outros que não os acontecimentos do dia anterior. A garota fica parada segurando a toalha e olhando para cima da cama. O terno do Hatori estava ali. Era uma sensação um pouco triste, a roupa da pessoa amada vazia em cima daquela cama, como se fosse apenas alguns pedaços de tecido, mas o seu coração sabia que não era isso. Aquela era um pedaço do médico, o seu cheiro estava ali.

O patriarca caminha até a cama, se senta e começa a passar delicadamente a mão na roupa como se estivesse acariciando o seu próprio dono, quando escuta o barulho da porta se abrindo e imediatamente as joga no chão bem distante dela.

-Ainda bem que o senhor patriarca já está acordado. Tem visita.

-YOKO SUA IDIOTA!! QUANTAS VEZES JÁ FALEI PARA BATER NA PORTA ANTES DE ENTRAR???

O coração de Akito batia acelerado, por medo da governanta ter visto aquela cena ridícula dela alisando um pedaço de tecido, e ao mesmo tempo batia desapontado por ver que não era o médico que estava entrando para mais um exame de rotina.

-Me desculpe. Acabei me esquecendo de suas ordens.

-EU AINDA VOU TE MANDAR EMBORA DA SEDE!! QUEM É A TAL VISITA?? É ALGUM DOS POSSUÍDOS??? EU NÃO QUERO OS VER AGORA!!!

-Não. É a senhorita Kana Sohma.

Aquele nome faz com que Akito se sinta completamente perdida. Justamente a Kana era a última pessoa que ela queria ver naquele dia. Desde o acontecido, nunca mais as duas tinham estado juntas. Nem mesmo quando a Kana foi pedir uma audiência para falar sobre os preparativos do casamento.

#Mas o que ela quer? Eu já mandei a Yoko acertar todos os detalhes do casamento com ela.#

-Fala que não estou me sentindo bem.

-Ela insiste em conversar com o senhor patriarca. Disse que é muito importante.

#Será que ela se lembrou de algo?? Não! Isso é impossível!#

Akito joga a toalha que estava em seu colo no chão e se levanta.

Sabia de suas obrigações como o patriarca dos Sohmas, sendo que essa era ainda mais pesada do que como kamisama dos possuídos, uma vez que não podia todas as vezes que desejava mandar todos os Sohmas para o inferno como era a sua vontade. Ser patriarca era uma posição quase que política, e ela sabia que muitos outros Sohmas, muitos dos quais mais velhos do que ela, queriam muito aquele posto. Um posto que era dela, apenas pelo fato de fingir que era um homem, seguindo a vontade de seu pai e avôs. Se a infeliz da Ren tinha tido alguma boa idéia, sem duvida tinha sido aquela, porque graças a isso, o clã tinha permanecido para o filho de Akiro Sohma, o filho mais velho do antigo patriarca.

-Fale para ela me esperar na biblioteca.

-Sim, senhor patriarca.

Yoko sai do quarto e Akito corre até a mesa para atirar o vaso contra a parede. Uma atitude que sempre fazia quando era obrigada a fazer algo contra a sua vontade.

#Odeio ser o patriarca dos Sohmas! Odeio ser o Kamisama dos possuídos! Odeio ser quem eu sou!#

Esse último pensamento a garota tem quando olha o seu reflexo refletido na janela do quarto. Ela odiava ser aquela pessoa desde que era adolescente, desde que descobriu que não era um menino de verdade. Só ela sabia qual era aquela dor. Os sentimentos de amar como uma mulher e ter que agir como um homem. Os sentimentos de amar um dos possuídos, quando não deveria ter amor por nenhum deles em especial.

O patriarca veste o seu tradicional quimono e vai até a biblioteca. Durante o caminho até o local, seu coração era o coração de uma mulher que iria encontrar com a antiga namorada do seu grande amor. Akito abre a porta de uma vez e com um pouco de violência e encontra Kana sentada de maneira toda formal no meio da ampla sala. Aquela era a imagem que Akito odiava, por ser exatamente a imagem que nunca veriam dela, uma mulher toda delicada, toda meiga e toda feminina, sentada esperando por uma pessoa superior a ela.


by DonaKyon

17/04/2009

70


A colegial caminhava ainda olhando para as mãos dadas deles e depois olha no rosto do colega de classe.

-Eih, cabeça de laranja, isso não é cara de um namorado feliz. Quer melhorar essa cara! Cê está de mão dada com a minha amiga aqui.

-Essa é a única cara que tenho.

-Credo Hana-chan, o que te deu para ficar com essa mexirica ambulante? Ele mais parece um limão azedo.

-Arff..... Muitissimo bom dia Uo-chan.... Hana-chan... arfff.

Tohru chegava correndo atrás deles com o seu tradicional sorriso. E logo atrás dela chegava o Yuki. Kyo o olha como se o fosse fuzilar e depois vira a cara.

-Tohruzinho... não vai me disser que é a namorada do Príncipe aí.

-QUEEE???? NÃO. NÃO... É CLARO QUE NÃO. SOMOS APENAS AMIGOS. SÓ ISSO...

-Sim... sim... A Tohru-chan é apenas a amiga do Yuki-kun. Mas ela é a minha namorada, né... né.... Tohru-chan?!

-AHNNN??? Momi... Momiji-kun, bom dia.. O senhor já está aqui?

-Sim acabamos de chegar. Uauuu.... que colégio bonito. É a primeira vez que estou num colégio misto, mas a Tohru-chan pode ficar tranqüila que eu sou um coelhinho muito fiel.
Arisa fica curiosa sobre os dois garotos que estavam agora junto a eles. Hatsuharu para ao lado do Yuki, mas fica olhando para as mãos dadas do Kyo e da Hanajima.

-Uo-chan, esses são primos do Kyo e do Yuki-kun. Eles vão estudar em nosso colégio a partir de hoje. Momiji Sohma e Hatsuharu Sohma. Essa é a minha amiga Arisa Uotani.

Arisa percebe que o outro garoto olhava com um olhar um pouco de raiva para a Saki, mas logo se lembra que ele era o tal que gostava do Yuki, e que a Tohru tinha comentado.

-Prazer. Então temos mais Sohmas estudando em nossa escola?

-Se você é amiga da Tohru-chan, então será a minha amiga também, né né?

-E que história é essa do cê ser o namorado dela?? Bastou um final de semana para tudo isso acontecer? A Hana-chan de namoro com o ruivinho e agora a Tohru-chan com esse garotinho aí? Eih, vossa alteza, o que tinha na água daquelas termas, heim??

-Vamos embora Hanajima.

Kyo a puxa pela mão e começa a caminhar com ela ao seu lado.

-Então eles estão juntos mesmo!

Haru faz o comentário sem tirar os olhos de cima dos dois que entravam agora no colégio. Ainda não estava totalmente na sua forma black, mas uma palavrinha a mais sobre aquele assunto certamente o transformaria.

-É realmente de se espantar isso. Nunca imaginei o cabeça de mexirica e a Saki juntos. Mas até que fica um casal bem bacana. Ahhh, maneira essa sua tintura aí!!

-É o cabelo dele mesmo, Uotani-san.

-Verdade?? Puxa, jurava que era tintura. Mas o que tem nessa família para ter pessoas com os cabelos tão estranhos assim??

-Errr, não tem nada não, Uo-chan. Vamos entrar. Logo vai tocar o sinal. Até mais tarde, Momiji-kun, Hatsuharu-kun...

Tohru pega a amiga pelo braço e sai a puxando para dentro da escola deixando os três possuídos no meio do pátio.

-Ahahah, legal essa amiga da Tohru-chan...

-Cuidado Momiji. Não vá se transformar. As únicas que sabem da nossa maldição e a Tohru-chan e a Hanajima-san.

-Essa por enquanto!

Yuki olha espantado para o Haru. Escutar aquilo fez com que o seu coração ficasse um pouco dolorido.

#Então ele ainda pensa em entregá-la para o patriarca? Mesmo depois de tudo o que aconteceu entre a gente ontem, ele ainda está com raiva da Hanajima.#

-Não faz isso não, Haru-kun. Se o fizer a Tohru-chan ficará muito triste.

-E???

-Eu não quero que a minha namorada fique triste.

-Azar o seu.

-Momiji-kun, não adianta falar com ele agora. Falta muito pouco para ele virá o Black Haru.

-bleeee.....

Momiji mostra a língua para o Haru e caminha sozinho pelo resto do pátio e entra para procurar a sua nova sala. Os dois possuídos continuam parados no meio do pátio chamando a atenção de todos os outros alunos que estavam passando, era impossível não reparar naqueles dois garotos lindos.

-Quer dizer que aquilo não significou muito para você?

Haru olha para o Yuki. Seu olhar estava muito diferente do que tinha na tarde anterior, não olhava com raiva do Yuki, mas era evidente que ele estava muito irritado com aquele comentário.

-Significou muito sim, Yuki. Mas você sabe que eu gosto do Kyo também. Não vou mentir para você. Eu quero ficar com vocês dois para mim. Você porque eu amo, e ele porque eu gosto.

Haru joga a mochila em suas costas e começa a caminhar com as mãos nos bolsos deixando o Yuki completamente perdido e inseguro com os seus sentimentos.

by DonaKyon

16/04/2009

69


Kyo estava encostado na parede ao lado do portão principal do colégio. Sua fisionomia está inda mais enfezada do que a de costume. Tinha as duas sobrancelhas erguidas e a testa franzida. Havia saído de casa sem ao menos responder ao bom dia da Tohru. Sabia exatamente o que tinha acontecido entre o Yuki e o Haru, e aquilo o tinha deixado com muito mais ódio do rato. E para evitar uma briga na frente da garota ele saiu antes que o possuído acordasse.

Hanajima caminhava com a cabeça um pouco baixa. Estava pensativa por causa da conversa que tinha tido com a Tohru no dia anterior.

-Eih, garota psíquica.

A voz do Kyo ao mesmo tempo lhe traz de volta a realidade e faz com que o seu coração bata mais rápido. Kyo ainda com a cara fechada se afasta da parede e caminha até ela.

-Bom dia, Kyo...digo Kyon.

-Me dá.

Hanajima fica olhando para aquela mão estendida a sua frente esperando pela confirmação se ele realmente estava pedindo a mochila dela para carregar.

-Não me diga....

-Eu carrego! Não é isso que um namorado faz?

O garoto sem a menor paciência puxa a mochila de sua mão e a segura em suas costas juntamente com a dele.

-Sim. Mas não precisa fingir tão bem assim.

Kyo que já estava caminhando finge que não tinha escutado o comentário da garota. Não estava de bom humor aquela manhã para conversar. Hanajima começa a caminhar ficando bem próxima a ele, mas um pouco atrás.

-Ande do meu lado. Odeio que andem atrás de mim.

Saki dá um passo largo e fica ao seu lado.

-O que aconteceu?

-Voltou a sentir as minhas ondas?

-Não.

A colegial respondia um sem jeito aquela pergunta. Mesmo sem sentir as ondas do Kyo e sem ler os seus pensamentos havia percebido que ele estava muito irritado naquela manhã.

O possuído caminhava sem olhar para o lado e com passos pesados.

-Mas cê sacou o clima entre aqueles dois, não foi?

Hana sabia a quem ele estava se referindo. Era impossível não perceber que o Yuki tinha voltado mais feliz para casa e que ele e o Haru estavam muito mais próximos e com as ondas numa freqüência muito parecida.

-Sim. Algo aconteceu entre eles.

-Aquela ratazana maldita. Ele deve ter feito aquilo de propósito. Como eu o odeio.

-Não acha melhor esquecemos essa mentira e falar logo o que sente pelo Hatsuharu-kun?

-Não! Não, vou fazer como aquela ratazana maldita que ficou com ele só para me provocar. Ele quis me mostrar que pode ficar na minha frente. Aquele Yuki é um desgraçado mesmo, nem deve se preocupar com os sentimentos do Haru.

Os dois agora já caminhavam pelo amplo pátio que levava até a escola, onde já tinha alguns alunos que olhavam para os dois um pouco espantados.

-Quando foi que eles começaram a namorar?

-Não imaginava que ela tinha um gosto tão ruim assim.

-Aposto que ela fez alguma bruxaria para ficar com ele.

-Como?? Mas era para eu ser a namorada dele.

Aqueles eram apenas alguns dos comentários que eles estavam escutando de seus colegas.

-Tem certeza que quer continuar com isso? Você está escutando o que estão dizendo?

-Cê se importa com isso?

-Não, mas....

Kyo nem espera que a garota termine de falar e segura em sua mão, criando um pequeno alvoroço no pátio da escola.

#Eu não sabia que ele era tão popular assim. Sinto que essas garotas querem me matar agora.#

-MAS O QUE É ISSO??? HANA-CHAN E O CABEÇA DE LARANJA DE MÃOS DADAS?!?! DESDE QUANDO???

-Bom dia Uo-chan.

-Bom dia nada. Me explique o que perdi nesse final de semana. Não vai me dizer que a Tohru-chan é a namorada do Príncipe?

-Na hora do almoço te explicarei melhor o que está acontecendo.

Arisa caminhava ao lado da Saki que estava entre ela e o Kyo, que ainda caminhava de mão dada com ela, de cara enfezada e sem falar nada.

by DonaKyon

12/04/2009

68


Hanajima olha muito espantada para a amiga sentada ao seu lado direito.

-Como assim não sabe?

-A senhora Sohma não conseguiu aceitar que teve um filho possuído..... Para evitar que ela ficasse ainda mais doente, o senhor Sohma pediu para o Hatori-san apagar a memória dela, é por isso que ela não se lembra que teve o Momiji-kun. Ela pensa que é a tia dele.

Saki fica pensando como ela ficaria se a sua mãe não a aceitasse como ela é.

-Acho que eu morreria de tristeza se os meus pais me rejeitassem. Se já com todo o amor que sempre recebi deles sempre foi muito difícil viver, imagino como seria a minha vida sem o amor deles e sem o seu amor e o da Uo-chan.

Tohru encosta a cabeça no ombro da amiga e segura em sua mão. Aquele simples gesto faz com que a Hanajima sinta o seu coração um pouco mais leve.

#Isso também é amor. A amizade é uma outra forma de amor.#

-Como será que é a relação dos outros pais com os possuído? Eu nunca vi os pais do Yuki-kun, do Kyo ou os do Shigure-san lá em casa. Nunca nem vi eles falando pelo telefone com os pais deles.

-Será que aconteceu a mesma coisa com os outros?

-Eu não sei. Depois dessa viagem, vi que realmente sei muito pouco sobre a dor que cada um carrega. Mas eu gostaria de ajudá-los. Queria ser aquela pessoa que poderia dar um pouco de alegria para as suas vidas. Mas acho que estou desejando demais. Como eu poderia ser tão importante assim para eles?

-Acredite em mim. Seja sempre você que isso já será o suficiente. A Tohru-chan é o tipo de pessoa que consegue deixar o mundo mais bonito. Basta ver apenas um sorriso seu que tudo fica mais feliz. Foi assim que a Tohru-chan ajudou a Uo-chan e também a mim.

-Mas agora, pelo menos o Kyo, terá a sua ajuda também. Fico realmente feliz por ver que ficaram mais amigos depois dessa viagem.

-Acho que o Kyo e eu temos alguns sentimentos em comum. Mas eu não sei se continuarei amiga dele por muito tempo.

-Por que Hana-chan?? Por que não quer ser amiga do Kyo?

A colegial volta a colocar as roupas que ainda estavam no chão ao seu lado para terminar de arrumar as malas, mas continua falando com a sua voz calma de sempre.

-Vamos mentir que somos namorados por um mês. Ele não quer dizer para todos agora que aquilo era uma mentira. Mas acho que daqui um mês voltaremos a ser novamente apenas colegas de classe como sempre fomos.

Tohru se lembra de como ficou a relação dela como os dois possuídos depois que ela voltou por poucos dias para a casa do avô, e se recorda que de fato o Kyo naquele dia tinha se afastado muito dela, era como se eles tivessem sido sempre apenas colega de classe.

#Eu ficarei muito triste se o Kyo tratar a Hana-chan da mesma forma. Não quero que eles voltem apenas a ser colegas de classe depois desse um mês. Acho que não é isso o que a Hana-chan quer.#

-Humm, Hana-chan... o que sente pelo Kyo?

A garota para de ajeitar as roupas na mala e olha para a amiga. Seu olhar não chegava a ser de espanto, mas tinha uma grande dose de duvida e incerteza nele.

-Eu não sei o que sinto por ele. Mas acho que esse final de semana aqui me fez ficar amiga dele. Entretanto, não espero que essa amizade se mantenha.

Hanajima estava pensando no fato de não poder escutar os pensamentos dele e principalmente dele poder escutar os dela como estava acontecendo.

#Acho que será até mesmo melhor se não continuamos amigos. Quem sabe assim eu não volto a controlar o meu dom? Depois que me aproximei dele, perdi o controle que tinha sob mim mesma.#

-Mas Hana-chan gostaria que essa amizade continuasse?

Saki olha para a Tohru, seu coração dizia que gostaria que essa amizade continuasse, mas a sua razão dizia que era melhor se afastar dele.

-Sinceramente eu não sei Tohru-chan. Acho que diferentemente de você, eu posso fazer muito pouco por ele.

-Sinto que você pode ajudar ao Kyo muito mais do que eu. Nesses poucos dias que ficamos aqui, eu percebi que ele se aproximou muito mais de você do que todos esses meses que estou morando na casa do Shigure.

Tohru sorri para a amiga e começa a lhe ajudar com as malas.

Aquele final de semana estava chegando ao seu final. Foram apenas dois dias, mas que tinham modificado a vida de todos eles. As mudanças foram mais profundas em alguns do que nos outros, mas de alguma forma, aqueles dias tinham começado a mudar a vida de todos eles, seja a vida dos possuídos, seja a vida daquelas garotas, e também a vida do patriarca.

Akito tinha voltado para a sede naquele final de tarde fria completamente absorvida por uma tristeza sem fim. Graças ao médico, que tinha lhe emprestado um dos seus ternos, ela tinha conseguido entrar na mansão sem aquele vestido que agora estava escondido no fundo do armário. O patriarca adormece vestida com aquela roupa, não queria dormir sem sentir o perfume que o médico sempre usava e que fazia parte de suas roupas por mais que lavasse.

No final da noite todos já estavam em casa. E o sentimento que os levou para a cama naquele noite tinha sido diferente em cada um deles.

by DonaKyon

11/04/2009

67


Tohru voltava toda saltitante para o quarto. Estava radiante de felicidade. Havia passado a manhã toda brincando com o Momiji e a Momo-chan e depois a convite dos pais deles haviam almoçado os cinco juntos. Apesar de não ter conversado a sós com o coelho a garota sabia o quanto que ele estava feliz. Seus olhos brilhavam a todo o momento e o seu sorriso era tão largo que quase saltava de seu rosto. Pela primeira vez na vida ele tinha tido uma refeição em família.

#O Momiji-kun não se cabia de tanta felicidade. Foi tão lindo ver os quatro juntos. A senhora Sohma foi tão carinhosa com ele. Parecia uma tia que não via o seu sobrinho querido a muito tempo. NHAAAAA...... Ele brincando com a Momo-chan foi muito fofo. Ele certamente seria aquele tipo de irmão super carinho e companheiro. Graças aos céus que eu poderei ficar perto da Momo-chan todos os dias. Vou fazer de tudo para que essa amizade entre deles continue, mas tomando todo o cuidado para que a senhorita Momo e a senhora Sohma não descubram a verdade sobre a transformação do Momiji-kun.#

A colegial entra no quarto e encontra a sua amiga sentada no chão arrumando as malas delas. Tohru abre um enorme sorriso e corre para abraçar a amiga.

-Nhaaaaaa Hana-chan.

-Vejo que está muito feliz.

-Simmm.... Muito mesmo..... É muito boa a sensação que a gente fica quando podemos levar felicidade para os outros, não é mesmo?

Hanajima a abraça. Aquela era a Tohru que ela sempre amou e admirou. Uma garota que só ficava feliz quando era capaz de levar um pouco de felicidade para os outros. Tohru se lembra que a amiga também deveria estar muito feliz e se afasta um pouco para ver o seu semblante de alegria. Mas encontra um ar de preocupação em seu rosto e fica sentada ao seu lado.

-Hana-chan, por que não está feliz? Você e o Kyo brigaram?

-Tohru-chan, eu não posso mentir para você. Aquela história de eu ser namorada do Kyo é uma mentira.

-Nhooo..... É mesmo??? Que pena, acho que vocês fariam um lindo casal.

Saki fica um pouco corada ao escutar aquilo, nunca tinha imaginado que poderia formar um lindo par com alguém, mas ao mesmo tempo se sentiu um pouco triste ao escutar aquilo e se perceber que nunca faria um lindo casal com o possuído do gato.

- Eu disse aquilo só para ajudá-lo naquele momento. Achei que ele ia ficar morrendo de vergonha por todos vocês saberem que ele beijou o Hatsuharu-kun.

-Mas então por que o Kyo beijou o Hatsuharu-kun?

-Errr, acho que pode ter sido por curiosidade. Ele também me beijou ontem.

-OQUE??? O KYO TE BEIJOU ONTEM???

Tohru estava agora sentada sobre os joelhos e com a parte do corpo inclinada para frente, com o rosto bem próximo ao da Hanajima.

#Será que eu sentiria o mesmo sentimento que senti com o Kyo se eu a beija-se?#

Saki fica por alguns segundos olhando nos lábios da Tohru, mas depois olha nos seus olhos e não tem mais coragem de fazer aquilo.

#Ela é muito importante para mim. Não posso perder a amizade dela por causa disso, tenho certeza que se a Tohru soubesse dos meus sentimentos por ela, acabaria se afastando de mim, só para não me machucar por não poder retribuir da mesma maneira os meus sentimentos. Ela sofreria muito por saber que eu a amo e que ela não pode me amar da mesma maneira.#

-Ele apenas me beijou, isso não quer dizer nada.

-Mas Hana-chan.... Um beijo é sempre um beijo. Se ele te beijou é por que ele sente algo por você.

-O Momiji-kun também te beijou ontem.

-Nhaaa.... Mas com o Momiji-kun é diferente. Ele é apenas um garotinho. Me beijou como se beijam as criancinhas pequenas tentando imitar os adultos. AHHH!! Hana-chan, eu vou trabalhar na casa dos pais do Momiji-kun agora. Ajudarei a cuidar da senhorita Momo-chan, a irmãzinha do Momiji-kun.

-Não sabia que ele tinha uma irmã.

-Hummm.... Na verdade.... ela não sabe que é a irmã dele, e nem a senhora Sohma sabe que é a mamãe do Momiji-kun.

by DonaKyon