27/01/2010

189


A elegante mulher desce e se aproxima dos três. Tohru ainda mantinha abraçada à menina devido ao medo que estava sentindo dela tentar abraçar o Momiji novamente.

-Mas mamãe, eu gosto do Momiji-kun como se fosse o meu irmão. A senhora não acha que ele se parece com a gente?

-A Momo-chan vive repetindo isso.

-Mas é verdade mamãe. Olha, ele tem até a cor dos nossos cabelos. Lá na escola ninguém tem um cabelo como o nosso.

-É porque a mãe do Momiji-kun também não é japonesa, por isso ele tem o cabelo claro. Não é mesmo, Momiji-kun?

O garoto apenas balança a cabeça confirmando. Tohru percebe pequenas lágrimas estavam surgindo nos olhos do garoto.

-Vamos entrar senhorita Momo? O Momiji-kun está muito ansioso para começar a aula.

A colegial ia caminhando em direção da casa, enquanto levava consigo a pequena menina pelas mãos, enquanto que a Momo caminhava olhando para trás, e Momiji podia ver o quanto que os olhos da menina estavam brilhando.

Elisa, que havia chegado primeiro do que eles, fica os esperando ao lado da porta de casa deixando que as duas meninas passem e depois quando o possuído passa ao seu lado ela sorri e coloca delicadamente a mão direito no ombro do garoto.
Aquela era a primeira vez que o possuído sentia o toque da sua mãe sob o seu corpo. Desde que Momiji tinha nascido Elisa sempre se recusou a tocar na criança porque tinha medo que ela se transforma-se numa criatura estranha. Momiji por alguns segundos não consegue nem caminhar e nem respirar. Queria guardar para sempre aquela sensação tão delicada e carinhosa da mãe.

Ao ver que o garoto havia parado de andar, Elisa olha para o garoto e lhe sorri.

-Pode entrar Momiji-kun. Fiquei muito feliz por você ser o professor de violino da Momo-chan, assim poderá estar sempre em minha casa.
Momiji ao escutar aquilo abaixa a cabeça e fecha os olhos.

-O-oobrigado....

Aquelas foram as únicas que o coelho conseguiu falar antes que silenciosas lágrimas saíssem de seus olhos. Momiji coloca o braço diante dos olhos para esconder o quanto que ele estava chorando naquele momento.

Elisa lhe olhava toda preocupada, não entendia o que havia dito para o menino chorar daquela forma. Tohru ao ver que o namorado estava chorando fica igualmente emocionada, por ela sabia a razão daquelas lágrimas. Momo estava tão assustada que não conseguia falar nada, e fica imaginando que os dois por serem namoradores deveriam estar sentindo a mesma dor.

-Por que está chorando Momiji-kun?

-Me... me desculpe... é que fiquei com saudades da minha mãe....

Elisa passa a mão delicadamente pelos cabelos do garoto e sente que algumas lágrimas também estavam saindo de seus olhos. Ela se ajoelha no chão e esconde os olhos atrás de suas duas mãos.

-Eu sei como é triste sentir saudades de alguém..... Mas no meu caso eu nem ao mesmo sei de quem é que sinto tanta saudade assim....

Momo solta da mão da Tohru e vai abraçar a sua mãe.

-Mamãe, onde é que está doendo? Não chora mamãe.

-O que dói é a alma da mamãe.... A mamãe sente que se arrepende muito de alguma coisa..... e eu não sei o que é....

Momiji e Tohru olham-se imediatamente, ambos estavam bem surpresos com aquela declaração. No olhar dos dois estava escrita a mesma frase.

#Ela se arrependeu da sua escolha#

-Me desculpem por chorar na frente de vocês, mas é um que sinto esse arrependimento desde que a Momo-chan nasceu.

Tohru se recorda da conversa que teve com a senhora Sohma no dia em que começou a trabalhar na casa.

# -É que a Momo-chan é a minha vida. Acho que morreria se ela não existisse. Sinto que ela curou uma grande dor que sentia na alma, mas nunca descobri o que era. Às vezes sinto como se tivesse me esquecido de algo que foi muito importante em minha vida.#

#A Elisa-san sente a falta do filho que ela esqueceu.#

by DonaKyon

23/01/2010

188


Tohru tenta disfarçar a insegurança que estava sentindo, mas depois se recorda do que Arisa lhe tinha acabado de falar, ela abaixa os olhos e lhe responde com a voz um pouco trêmula.

-Eu não sei.

-Seria tão bom se ela mantivesse esse sorriso que tem em seu rosto agora, e também a sua amizade e a da Hana-chan.

-Eu não conhecia o patriarca antes dela perder a memória. Mas ficaria muito feliz se ela continuasse a ser a nossa amiga.

Momiji olha para frente e percebe que o motorista estava prestando atenção na conversa, mas assim que ele percebe que o garoto estava olhando para ele, através do retrovisor, o homem olha para frente.

#Será que ele escutou o que a gente tava falando?#

-Momiji-kun... o que foi?

-Hum hum nada não. Né né Tohru-chan... será que a Momo-chan irá gostar de ter aulas comigo?

-É claro que sim, Momiji-kun. Vou adorar lhe ver tocando violino.

Momiji encosta a sua testa na testa da Tohru e apenas fica olhando o brilho do seu olhar. Com medo de o motorista escutar a conversa deles sobre Akito, o garoto havia mudado de assunto e agora se mantinha em silêncio.

#Por que estou com essa sensação de que conheço esse senhor de outro lugar. Nunca prestei atenção nos nossos motoristas, mas tenho quase certeza de que esse homem nunca tinha vindo me buscar antes.#

Tohru fecha os seus olhos e segura nas mãos do garoto, e percebe que essas estavam agora um pouco mais frias que o normal, a garota abre os olhos e vê que o garoto olhava com desconfiança para o motorista. Ela se aproxima de seu ouvido e lhe pergunta baixinho.

-O que foi Momiji-kun.

O garoto se arrepia todo, parecia que tinha levado um forte choque por todo o seu corpo. Nunca antes tinha sentido aquilo. Ele olha fixamente e tem a certeza de que não importava o que iria acontecer no dia de amanhã, o que lhe era mais precioso era aquele instante que estava vivendo com ela.

O casal de namorados fica durante o resto do trajeto apenas se olhando. Seus corações batiam um pouco mais dolorido, pois a incerteza havia aumentado na noite anterior quando a Akito começou a se lembrar da sua infância.

O carro para diante da ampla alameda que levava para as casas dos Sohmas que ficavam ao lado de fora da sede. O motorista sai do carro para abrir a porta, se mantendo de cabeça baixa e assim, não deixa que o possuído veja o seu rosto.

Momiji e Tohru o agradecem e começam a caminhar de mãos dadas até a casa. A ansiedade do menino aumentava a cada passo que dava. Estava para realizar um sonho, iria ficar algumas horas do seu dia perto de sua mãe e irmã. Assim que se aproximam da luxuosa casa em estilo ocidental, ele vê que a Momo-chan estava sentadinha na escada que levava a entrada principal da casa. A menina assim que os vêem se levanta e corre com os braços abertos em direção do coelho.

-MOMIJI-KUN...

Um sentimento de alegria e tristeza invade a alma do Momiji. Tudo o que ele mais desejava era correr para abraçar a irmã, mas o pânico o impedem de dar um passo à frente, e ele fica parado e com a mão gelada. Tohru rapidamente solta da mão do namorado e corre para abraçar a menina.

-Muitíssimo boa tarde, Momo-chan.

-Ahh... Tohru-chan, eu ia abraçar o Momiji-kun.

-Quer dizer que a Momo-chan não gosta de mim?

-Eu gosto, mas gosto muito mais do Momiji-kun.

-Momo-chan, a Honda-chan poderá ficar triste com você, não se esqueça que o Momiji-kun é o namorado dela.

Elisa estava conversando com eles no alto da escada de cinco degraus, saiu da casa assim que escutou o grito da filha. A mulher estava tão ansiosa como a menina esperando pela chegada dos dois.

by DonaKyon

21/01/2010

187


Finalmente mais um dia de aula havia terminado. Kyo e Saki caminhavam de mãos dadas pelo pátio do colégio, e era impossível não sentir todos aqueles olhares pesados, cheios de inveja, ódio e fúria para a garota, mas a presença do Momiji que caminhava ao lado deles e da Tohru deixava a situação um pouco mais leve. O garoto conversava e pulava em quanto ia falando, realmente ele estava muito eufórico, afinal naquela tarde, começaria a sua primeira aula de violino para a sua irmãzinha.

Kyo não estava prestando a menor atenção no que o coelho estava dizendo, sua vontade era de mandar todos aqueles que estavam olhando daquela maneira para a sua namorada para o inferno. Já não lhe bastava a sua preocupação com o patriarca, agora tinha essa situação na escola.

#Droga! Como ficará a Saki sozinha aqui na escola, caso eu seja aprisionado? Ela não irá se defender com medo de ferir alguém. Eu não quero deixá-la sozinha... Droga!! Será que a Akito já recuperou a memória dela?#

O garoto sem perceber estava apertando com um pouco mais de força a mão da Saki. A colegial delicadamente puxa a sua mão, depois cruza o seu braço no dele, e volta a segurar em sua mão, mas desta vez entrelaçando os dedos. Ao mesmo tempo em que o coração do garoto dispara, ouvisse vários gritos de protesto e frases de insultos para a garota.

#Não se preocupa. Eu não ligo para elas. Já estou acostumada com isso.#

-Mas eu não acho isso certo! Como você ficará se eu for aprisionado hoje?

Momiji para de falar e tanto ele como a Tohru olham espantados para o Kyo que de repente cortou a conversa do menino e começou a conversar com a Saki. A colegial para de caminhar, mas sem soltar da mão do garoto lhe pergunta com o olhar cheio de incerteza.

-Por que está falando isso?

Momiji também tinha aquele mesmo olhar para a Tohru. A garota não conseguia olhar nem para a amiga e nem para o namorado e acaba abaixando a cabeça. Naquela manhã os três haviam acertado durante o café da manhã que não contariam para eles, que a Akito estava recuperando a sua memória, para dessa forma poupá-los daquela angustia que eles estavam sentindo.

-Deixa pra lá.

-“Deixa pra lá” o caramba, cabeça de mexerica. Não tá vendo que os dois estão aflitos?

Kyo olha com a cara um pouco mais fechada para a Arisa que se aproximava deles. A garota carregava a mochila atrás das costas com a mão direita e a esquerda enfiada no bolso da longa saia.

-U-uo-chan...

-Não quero nem saber o que é que está pegando. Mas acho que vcs devem contar para eles sim.

Arisa para de caminhar ao lado da Tohru e bagunça todo o seu cabelo, enquanto lhe acariciava ao mesmo tempo.

-Precisa perder essa mania de quer segurar tudo sozinha. Agora tem uma pessoa que te ama e que quer dividir todas as suas preocupações com você. Confia no baixinho aí. Já o senhor de cara feia, ficará com ela ainda mais feia se deixar a minha amiga preocupada. Tó indo nessa.

Uotani dá uma piscada de olho para a Hanajima e continua a caminha para sair da escola e ir para o trabalho.

-Tohru, conta tudo para o coelho. Eu falarei para a Saki.

Ele começa a caminhar levando consigo a namorada. Momiji e Tohru entram no carro que esperava pelo possuído e que estava estacionado na frente da escola. O possuído espera que o motorista saia com o carro para começar a conversar com a Honda.

-O que foi Tohru-chan?

-A senhorita Akito se lembrou do pai dela na noite passada.

Momiji lhe olha um pouco assustado, mas depois abre um lindo sorriso e segura em sua mão.

-Que bom, né Tohru-chan? Deve ser muito triste a gente não poder se lembrar daqueles que a gente ama.

-Sim, ela ficou tão feliz quando se lembrou do rosto do seu pai.

-Como será que Akito-san ficará depois que se lembrar de tudo?

by DonaKyon

15/01/2010

186


-O gato foi o primeiro dos animais a se aproximar do Kamisama.

O médico olha para o homem com um olhar ao mesmo tempo de espanto e tristeza, queria que o dragão tivesse sido o primeiro. Ele abaixa a cabeça e pergunta com um tom mais baixo em sua voz.

-E porque me disse que principalmente eu terei que ficar ao lado da Akito?

-Porque o dragão foi o último dos animais a sair do lado do kamisama.

Era impossível não sentir certa nostalgia ao escutar aquilo, e sem entender os motivos, Hatori agora estava chorando. Ele esconde o rosto atrás das mãos e chora baixinho.

-Parece que eu já vivi isso.... Estão vindo cenas como se fossem de um filme muito antigo... Vejo uma pessoa tão linda, de cabelos negros bem longos, e sentada na minha frente. O gato está todo sorridente ao meu lado. Estamos sentados em círculo com os outros 11 animais. Ela está tão feliz e sorridente.....

O Médico agora começa a chora ainda mais, e apóia os cotovelos nas pernas e cruza as mãos atrás da cabeça. Não conseguia dizer nada naquele instante, chorava e sentia a mesma dor que havia sentido há muitos anos atrás.

-....Era isso que ele queria....... Ele não queria que ela fosse feliz apenas com a gente.... Queria vê-la sorrindo e feliz, ao lado das pessoas que eram iguais a ela também.... O gato não nos traiu.....

Kazuma ao escutar aquelas palavras sobre o gato fica emocionado. Pelas lembranças do possuído, aqueles relatos que explicavam o surgimento da maldição eram realmente verdadeiros.

-A verdadeira forma do gato ficou sendo aquela, devido aos sentimentos que os dozes animais e o Kamisama sentiram por ele, por acreditarem que ele não desejava a eternidade porque não queria ficar ao lado de vocês.

-Eu vi cada um deles morrerem depois, mas não havia tristeza em seus olhares, porque sabíamos que nos encontraríamos novamente, e que a nossa festa iria continuar na próxima lua cheia. Eu não queira ter a deixado sozinha novamente.... Fiz de tudo para que ela não perdesse aquele lindo sorriso de seu rosto, mas não consegui..... Eu a deixei sozinha e abandonada...

Hatori agora mordia o lábio inferior e depois aperta com mais força os seus braços, fazendo uma grande pressão sob sua cabeça.

-AAHHHH, Quando foi que começamos a desejar não está mais ao lado dela?..... Como foi que o Kamisama ficou assim? Será que ela ficou ainda mais solitária e triste por nossa culpa? O gato tinha razão, ela tinha que encontrar a felicidade entre os dela, e não isoladamente conosco.... Agora entendo o porquê que ela e o Kyo se aproximaram nesses dias. Na verdade era um antigo sentimento muito adormecido nos dois, e que finalmente teve uma oportunidade de surgir novamente.

Ao escutar aquilo, Kazuma arregala os olhos e sente um frio em sua espinha, lentamente ele vai se sentando no mesmo lugar que estava antes.

-Foram uns quatro dias antes.

Hatori levanta a cabeça e vê que o professor estava um pouco pálido, ele rapidamente passa a mão no rosto para limpar as suas lágrimas e se levanta para medir a pressão do homem.

-O que é que o senhor está sentindo?

-A Eiko-san se matou depois de quatro dias que a Akito retirou o bracelete do Kyo.

-Que?

-Lembro-me de ter encontrado o Kyo chorando alguns dias antes da sua mãe morrer. Vi aquela criança abaixada por entre as árvores perto do Dojo, estava nua e chorava baixinho. Eu já sabia que aquele menino era o possuído do gato. Quando comecei a caminhar para ver o que tinha lhe acontecido, vi a Eiko-san se aproximando dele. Ela chorava muito também enquanto colocava o bracelete no seu bracinho. Depois de cinco dias, eu falei com o Kyo pela primeira vez, no dia do funeral da sua mãe.

by DonaKyon

11/01/2010

185



-Eu não sei que poderei ficar ao seu lado. Ontem eu percebi o quanto que fui cruel com a Akito. Nunca deveria ter mentido dessa maneira para ela.

-O que aconteceu Hatori?

-Parece que ela está recuperando a memória. Ontem ela estava com o Kyo e se lembrou do Akira-sama.

-Com o Kyo?

-Sim, o Shigure acabou de me contar pelo telefone, que os dois ficaram muito próximos nesses dias em que ela está lá na casa.

Ao pensar nos sentimentos do filho, Kazuma consegue finalmente entender o pavor que o médico estava sentindo naquele instante. Aquela Akito que estava morando na casa do Shigure iria desaparecer, assim que voltasse a morar na sede dos Sohmas, retornando a sua memória ou não. Ela não teria a mesma liberdade que estava tendo. Uma vez que Akito colocasse os pés na sede, todos os demais não deixariam que ela e o Kyo continuassem com a amizade deles.

-Você já falou o que sente para a Akito?

-Estamos namorando. E ontem a noite.....

O médico para de falar e Kazuma dá um longo suspiro, ele não precisava continuar a frase, estava no brilho do olhar do médico, na expressão estampada em seu rosto que eles haviam tido a primeira noite deles juntos.

-Fizemos uma enorme crueldade com todos vocês.

-Mas quem irá sofrer mais será ela. Ela irá perder aquilo que nunca pode ter aqui dentro. Certamente, o clã a obrigará continuar com se fosse um homem, para não acabar com a honra dos Sohmas perante as outras famílias.

-Akito precisará mais do que nunca de todos os possuídos do lado dela. Pelo menos os que estão sabendo de tudo devem ficar ao seu lado e protegê-la. Principalmente você, Hatori.

Kazuma agora estava de pé ao lado do médico e com a mão direita em seu ombro esquerdo. Hatori lhe olha certo de que aquele “principalmente você” era pelo fato dele ser o seu namorado, mas o professor continua a falar.

-Durante a pesquisa que estou realizando sobre a maldição de vocês, nos antigos livros da biblioteca, encontrei várias histórias que explicariam o surgimento do enlace de vocês com o kamisama. Mas, existe uma, que já a encontrei em vários relatos de diferentes épocas, acredito que essa seria a provável explicação da maldição dos treze animais e a da verdadeira forma do possuído do Gato.

Ao escutar aquilo o coração do médico bate mais forte. Mais do que nunca ele queria saber sobre a maldição para encontrar dessa forma uma maneira de salvar a Akito.

- Qual seria a explicação, Kazuma-san? Existe uma maneira de quebrar essa maldição?

O professor retira a sua mão do ombro do médico, mas continua a lhe olhar.
-Só encontrei relatos de como tudo começou, mas não há nem um fragmento a respeito de como terminar com a maldição.

-E como começou a nossa maldição.

-O primeiro Kamisama era uma pessoa muito solitária, por que ela temia as pessoas normais, uma vez que ela possuía vários poderes que as outras pessoas não tinham. Ela temia a rejeição dessas pessoas, e por esse motivo preferia viver isolado e num local muito distante de todos. O kamisama nunca conseguiu aceitar que tinha aqueles poderes, nunca se aceitou por ter uma vida tão diferente das outras pessoas que eram iguais a ela fisicamente. Ela sentia uma enorme solidão em seu coração.

Hatori se recorda da conversa que havia tido com a Hanajima no dia em que a Akito perdeu as suas memórias. Se aproveitando de alguns minutos que o patriarca tinha voltado para o carro para descansar, ele conversou com a garota tentando entender as suas razões para mentir daquela maneira para a Akito.

#É por isso que as duas ficaram tão próximas. A Hanajima se sentia exatamente dessa maneira até encontrar a Tohru Honda e a outra amiga delas. As duas se sentiam solitárias por terem poderes diferentes das outras pessoas#

by DonaKyon

09/01/2010

184


O Kazuma e a Ren foram os únicos que perceberam a visível alteração na mulher, já o médico estava tão alterado por ver a Ren falando da Akito que não consegue mais se segurar.

-Akito era uma criança quando fez aquilo.

-Continua o mesmo estúpido de sempre, não é mesmo Hatori? Vocês e o maldito enlace com o Akito.

-Ren-sama, por que está perguntando sobre esse fato agora?

-Kazuma-san, o que a Ren está fazendo aqui na mansão?

Yoko percebe que aquele era o momento perfeito para mudar de assunto e assim conseguir um pouco mais de tempo para colocar o seu plano em prática.

-Ela mesma acabou de me falar. Quer voltar a morar na mansão como esposa do patriarca.

Hatori ao escutar aquilo olha espantado para o professor Kazuma. Era impossível não perceber a beleza da Ren, assim como não dava para evitar de perceber a sua loucura também.

-Hatori, vamos conversar lá no Dojo. Creio que as senhoras precisam esfriar um pouco os seus ânimos.

Os dois saem da biblioteca deixando as duas mulheres sozinhas e que se olhavam cheias de ódio.

-É impressão minha ou não quer mesmo que eu fale com o Kazuma-sama sobre esse assunto?

-É realmente uma mulher louca e desequilibrada. Mas os seus dias serão curtos nessa mansão. Até o final de semana Akito-sama estará de volta.

Ren sabia que aquilo iria acontecer, mas não queria que fosse tão rápido. Tinha que antes se vingar daquela mulher, todos no clã precisam saber que o antigo patriarca era o filho de uma empregada. Assim ela se vingaria não apenas da Yoko, mas de todos os Sohmas que sempre a humilharam por ela ter sido uma empregada. E também da própria Akito que sempre sentiu vergonha por causa disso.

-Mas muita coisa pode acontecer antes disso.

Ren com a mão direita joga seus longos cabelos negros para trás e passa pela velha governanta.

#Maldita louca. Somente uma coisa irá acontecer aqui.#

Yoko caminha até a mesa e coloca o antigo livro no meio dos livros que estavam sendo pesquisados pelo Kazuma.

#Preciso conversar com o idiota do meu sobrinho.#

Kazuma e Hatori caminhavam em silêncio para o Dojo e ao notar que o médico estava um pouco nervoso, Kazuma coloca a mão em seu ombro e lhe sorri.

-Está muito apaixonado por ela, não é mesmo?

O médico lhe olha espantado. O Shigure e o Ayame fazerem aquele comentário era algo bem esperado, mas já o professor, que não sabia do que estava acontecendo entre Akito e ele, falar aquilo, o faz perceber qual foi a verdadeira razão para o Kazuma sair da biblioteca com ele.

-Podemos conversar na minha casa?

Kazuma apenas confirma que sim com a cabeça e os dois caminham em silêncio até a casa do médico, ao chegarem lá, Kazuma se senta no sofá e tira o maço de cigarros do bolso do paletó, e antes de se sentar na poltrona a frente do professor, ele acende o cigarro.

-Já realizou os exames que precisava na Akito-san?

-Ainda não. Vou levá-la hoje à tarde.

-E mesmo assim ela poderá voltar no final de semana?

-Por mim ela não voltaria nunca mais. Foi esse clã que a transformou naquela pessoa. A Akito verdadeira não é daquele jeito.

-Mas ele tem que voltar. Ela é a líder desse clã.

Hatori dá uma longa tragada e depois apaga o cigarro.

-Ela precisa voltar mesmo?

-Akito-san pode não se lembrar de nada, mas ainda é o patriarca dos Sohmas e a kamisama dos possuídos. E ela precisará assumir a essas funções, mesmo sem se lembrar de nada.

-Como iremos explicar para a Akito que ela sempre foi criada como se fosse um homem e sobre a nossa maldição?

Kazuma percebe o quanto que o médico estava angustiado.

-Você conseguirá protegê-la aqui também.

O médico apóia a cabeça nas mãos e os cotovelos em suas pernas. Sentia uma angustia que o amedrontava todo por dentro.

by DonaKyon

07/01/2010

183


Ren retira a sua mão do braço da velha governanta.

-O que tinha na carta da Eiko-chan?

-É por isso que está aqui? Pois, pode ir embora. Eu não sei de carta alguma.
Yoko volta a caminhar em direção da porta.

-Acabei de me recordar que a Eiko-chan se matou poucos dias depois que Akito retirou o bracelete do gato.

A governanta ao escutar aquilo para de andar, mas ainda se mantém de costas para a Ren, que agora estava parada em pé no meio do quarto, olhando atentamente para descobrir qual seria a reação da mulher.

-Não foi isso? Creio que ela se matou depois de três ou quatro dias.

-Não me lembro.

-É mesmo?! Creio que o possuído do gato deverá se lembrar. Afinal, aquela experiência deve ter lhe marcado.

#Maldita Ren. O que o Kazuma-kun está pretendendo com essa mulher aqui?#

Yoko volta a caminhar deixando a Ren sozinha em seu antigo quarto.

#Por que nunca me lembrei disso? Sempre achei estranho o fato de aquela menina ter se matado, a Eiko-chan não era o tipo de pessoa que faria isso. E se ela realmente o fez, certamente teve um forte motivo para isso. Mas qual seria?#

Yoko volta para o seu quarto e retira de dentro do armário o antigo livro que havia retirado da biblioteca na noite anterior.

#Malditos! Malditos! Mil vezes malditos!#

Yoko, devido a sua idade, não conseguia andar tão rápido como ela gostaria. As empregadas que a encontram entre o percurso realizado entre o quarto da Ren e o da velha governanta, mal se atreviam a olhar em seu rosto, sabiam que a mulher estava morrendo de ódio por alguém.

#Onde a idiota da Akito se meteu? Ela tem que voltar. Tem que tirar essa mulher daqui. O Kazuma-kun não pode ficar nem mais um dia aqui na mansão#

Ela entra e se tranca no quarto. Caminha até uma gaveta de sua cômoda retiramdo o antigo livro, que havia pegado da biblioteca na noite anterior.

#De uma maneira ou de outra, o Kazuma-kun irá sair daqui. #

A mulher esconde o livro dentro da manga de seu quimono e caminha até a biblioteca. Ela bate na porta e espera o professor responder e entra.

-Kazuma-sama, por favor, me diga onde Akito-sama está?

-Infelizmente não poderei lhe dizer.

-Entenda que sou uma mulher velha. Sempre cuidei do patriarca, ele deve estar sentindo a minha falta também. Preciso saber como está a saúde do patriarca.

-Akito nunca se sentiu tão bem como está agora.

Kazuma e Yoko olham em direção da porta e encontram o médico que entrava.
-Se o patriarca está bem de saúde, por que é que não está aqui?

Hatori fica um pouco desconcertado por ter cometido aquela gafe .

-Que ótima notícia Hatori. Acredita que Akito voltará dentre de quantos dias?

-Creio que até no próximo final de semana.

-É uma grande notícia mesmo. Mas não posso falar com Akito-sama, nem por telefone?

Hatori olha para Kazuma, a espera de mais uma ajuda, mas agora, tão pouco o professor, sabia o que falar.

-Já vai correr para falar ao Akito que estou aqui e ver se assim ele volta antes?

-Era exatamente isso. Não acho certo que você fique nessa casa. Akito-sama ainda é o patriarca oficial do clã dos Sohmas, e sabe o que ele sente por você!

-Ele me odeia, tanto quanto eu o odeio!

Hatori estava um pouco chocado ao ver que a Ren estava dentro da mansão, mas ao escutar aquilo, ele precisa se controlar para não lhe responder, afinal ela estava falando à respeito da mulher que ele amava.

-Se sabe disso, o que faz aqui? Essa casa é o local onde nunca deveria ter entrado.

-Por favor, senhoras...

-Kazuma-sama, pergunte ao filho da Eiko-chan, qual foi o dia em que o Akito tirou o seu bracelete e viu a sua forma monstruosa pela primeira vez.

Ao escutar aquilo, Yoko fica completamente branca e olha para o Kazuma com os olhos bem arregalados. Era impossível se controlar naquele instante. Sentia que a qualquer momento tudo poderia ser revelado.

by DonaKyon