21/01/2010

187


Finalmente mais um dia de aula havia terminado. Kyo e Saki caminhavam de mãos dadas pelo pátio do colégio, e era impossível não sentir todos aqueles olhares pesados, cheios de inveja, ódio e fúria para a garota, mas a presença do Momiji que caminhava ao lado deles e da Tohru deixava a situação um pouco mais leve. O garoto conversava e pulava em quanto ia falando, realmente ele estava muito eufórico, afinal naquela tarde, começaria a sua primeira aula de violino para a sua irmãzinha.

Kyo não estava prestando a menor atenção no que o coelho estava dizendo, sua vontade era de mandar todos aqueles que estavam olhando daquela maneira para a sua namorada para o inferno. Já não lhe bastava a sua preocupação com o patriarca, agora tinha essa situação na escola.

#Droga! Como ficará a Saki sozinha aqui na escola, caso eu seja aprisionado? Ela não irá se defender com medo de ferir alguém. Eu não quero deixá-la sozinha... Droga!! Será que a Akito já recuperou a memória dela?#

O garoto sem perceber estava apertando com um pouco mais de força a mão da Saki. A colegial delicadamente puxa a sua mão, depois cruza o seu braço no dele, e volta a segurar em sua mão, mas desta vez entrelaçando os dedos. Ao mesmo tempo em que o coração do garoto dispara, ouvisse vários gritos de protesto e frases de insultos para a garota.

#Não se preocupa. Eu não ligo para elas. Já estou acostumada com isso.#

-Mas eu não acho isso certo! Como você ficará se eu for aprisionado hoje?

Momiji para de falar e tanto ele como a Tohru olham espantados para o Kyo que de repente cortou a conversa do menino e começou a conversar com a Saki. A colegial para de caminhar, mas sem soltar da mão do garoto lhe pergunta com o olhar cheio de incerteza.

-Por que está falando isso?

Momiji também tinha aquele mesmo olhar para a Tohru. A garota não conseguia olhar nem para a amiga e nem para o namorado e acaba abaixando a cabeça. Naquela manhã os três haviam acertado durante o café da manhã que não contariam para eles, que a Akito estava recuperando a sua memória, para dessa forma poupá-los daquela angustia que eles estavam sentindo.

-Deixa pra lá.

-“Deixa pra lá” o caramba, cabeça de mexerica. Não tá vendo que os dois estão aflitos?

Kyo olha com a cara um pouco mais fechada para a Arisa que se aproximava deles. A garota carregava a mochila atrás das costas com a mão direita e a esquerda enfiada no bolso da longa saia.

-U-uo-chan...

-Não quero nem saber o que é que está pegando. Mas acho que vcs devem contar para eles sim.

Arisa para de caminhar ao lado da Tohru e bagunça todo o seu cabelo, enquanto lhe acariciava ao mesmo tempo.

-Precisa perder essa mania de quer segurar tudo sozinha. Agora tem uma pessoa que te ama e que quer dividir todas as suas preocupações com você. Confia no baixinho aí. Já o senhor de cara feia, ficará com ela ainda mais feia se deixar a minha amiga preocupada. Tó indo nessa.

Uotani dá uma piscada de olho para a Hanajima e continua a caminha para sair da escola e ir para o trabalho.

-Tohru, conta tudo para o coelho. Eu falarei para a Saki.

Ele começa a caminhar levando consigo a namorada. Momiji e Tohru entram no carro que esperava pelo possuído e que estava estacionado na frente da escola. O possuído espera que o motorista saia com o carro para começar a conversar com a Honda.

-O que foi Tohru-chan?

-A senhorita Akito se lembrou do pai dela na noite passada.

Momiji lhe olha um pouco assustado, mas depois abre um lindo sorriso e segura em sua mão.

-Que bom, né Tohru-chan? Deve ser muito triste a gente não poder se lembrar daqueles que a gente ama.

-Sim, ela ficou tão feliz quando se lembrou do rosto do seu pai.

-Como será que Akito-san ficará depois que se lembrar de tudo?

by DonaKyon

15/01/2010

186


-O gato foi o primeiro dos animais a se aproximar do Kamisama.

O médico olha para o homem com um olhar ao mesmo tempo de espanto e tristeza, queria que o dragão tivesse sido o primeiro. Ele abaixa a cabeça e pergunta com um tom mais baixo em sua voz.

-E porque me disse que principalmente eu terei que ficar ao lado da Akito?

-Porque o dragão foi o último dos animais a sair do lado do kamisama.

Era impossível não sentir certa nostalgia ao escutar aquilo, e sem entender os motivos, Hatori agora estava chorando. Ele esconde o rosto atrás das mãos e chora baixinho.

-Parece que eu já vivi isso.... Estão vindo cenas como se fossem de um filme muito antigo... Vejo uma pessoa tão linda, de cabelos negros bem longos, e sentada na minha frente. O gato está todo sorridente ao meu lado. Estamos sentados em círculo com os outros 11 animais. Ela está tão feliz e sorridente.....

O Médico agora começa a chora ainda mais, e apóia os cotovelos nas pernas e cruza as mãos atrás da cabeça. Não conseguia dizer nada naquele instante, chorava e sentia a mesma dor que havia sentido há muitos anos atrás.

-....Era isso que ele queria....... Ele não queria que ela fosse feliz apenas com a gente.... Queria vê-la sorrindo e feliz, ao lado das pessoas que eram iguais a ela também.... O gato não nos traiu.....

Kazuma ao escutar aquelas palavras sobre o gato fica emocionado. Pelas lembranças do possuído, aqueles relatos que explicavam o surgimento da maldição eram realmente verdadeiros.

-A verdadeira forma do gato ficou sendo aquela, devido aos sentimentos que os dozes animais e o Kamisama sentiram por ele, por acreditarem que ele não desejava a eternidade porque não queria ficar ao lado de vocês.

-Eu vi cada um deles morrerem depois, mas não havia tristeza em seus olhares, porque sabíamos que nos encontraríamos novamente, e que a nossa festa iria continuar na próxima lua cheia. Eu não queira ter a deixado sozinha novamente.... Fiz de tudo para que ela não perdesse aquele lindo sorriso de seu rosto, mas não consegui..... Eu a deixei sozinha e abandonada...

Hatori agora mordia o lábio inferior e depois aperta com mais força os seus braços, fazendo uma grande pressão sob sua cabeça.

-AAHHHH, Quando foi que começamos a desejar não está mais ao lado dela?..... Como foi que o Kamisama ficou assim? Será que ela ficou ainda mais solitária e triste por nossa culpa? O gato tinha razão, ela tinha que encontrar a felicidade entre os dela, e não isoladamente conosco.... Agora entendo o porquê que ela e o Kyo se aproximaram nesses dias. Na verdade era um antigo sentimento muito adormecido nos dois, e que finalmente teve uma oportunidade de surgir novamente.

Ao escutar aquilo, Kazuma arregala os olhos e sente um frio em sua espinha, lentamente ele vai se sentando no mesmo lugar que estava antes.

-Foram uns quatro dias antes.

Hatori levanta a cabeça e vê que o professor estava um pouco pálido, ele rapidamente passa a mão no rosto para limpar as suas lágrimas e se levanta para medir a pressão do homem.

-O que é que o senhor está sentindo?

-A Eiko-san se matou depois de quatro dias que a Akito retirou o bracelete do Kyo.

-Que?

-Lembro-me de ter encontrado o Kyo chorando alguns dias antes da sua mãe morrer. Vi aquela criança abaixada por entre as árvores perto do Dojo, estava nua e chorava baixinho. Eu já sabia que aquele menino era o possuído do gato. Quando comecei a caminhar para ver o que tinha lhe acontecido, vi a Eiko-san se aproximando dele. Ela chorava muito também enquanto colocava o bracelete no seu bracinho. Depois de cinco dias, eu falei com o Kyo pela primeira vez, no dia do funeral da sua mãe.

by DonaKyon

11/01/2010

185



-Eu não sei que poderei ficar ao seu lado. Ontem eu percebi o quanto que fui cruel com a Akito. Nunca deveria ter mentido dessa maneira para ela.

-O que aconteceu Hatori?

-Parece que ela está recuperando a memória. Ontem ela estava com o Kyo e se lembrou do Akira-sama.

-Com o Kyo?

-Sim, o Shigure acabou de me contar pelo telefone, que os dois ficaram muito próximos nesses dias em que ela está lá na casa.

Ao pensar nos sentimentos do filho, Kazuma consegue finalmente entender o pavor que o médico estava sentindo naquele instante. Aquela Akito que estava morando na casa do Shigure iria desaparecer, assim que voltasse a morar na sede dos Sohmas, retornando a sua memória ou não. Ela não teria a mesma liberdade que estava tendo. Uma vez que Akito colocasse os pés na sede, todos os demais não deixariam que ela e o Kyo continuassem com a amizade deles.

-Você já falou o que sente para a Akito?

-Estamos namorando. E ontem a noite.....

O médico para de falar e Kazuma dá um longo suspiro, ele não precisava continuar a frase, estava no brilho do olhar do médico, na expressão estampada em seu rosto que eles haviam tido a primeira noite deles juntos.

-Fizemos uma enorme crueldade com todos vocês.

-Mas quem irá sofrer mais será ela. Ela irá perder aquilo que nunca pode ter aqui dentro. Certamente, o clã a obrigará continuar com se fosse um homem, para não acabar com a honra dos Sohmas perante as outras famílias.

-Akito precisará mais do que nunca de todos os possuídos do lado dela. Pelo menos os que estão sabendo de tudo devem ficar ao seu lado e protegê-la. Principalmente você, Hatori.

Kazuma agora estava de pé ao lado do médico e com a mão direita em seu ombro esquerdo. Hatori lhe olha certo de que aquele “principalmente você” era pelo fato dele ser o seu namorado, mas o professor continua a falar.

-Durante a pesquisa que estou realizando sobre a maldição de vocês, nos antigos livros da biblioteca, encontrei várias histórias que explicariam o surgimento do enlace de vocês com o kamisama. Mas, existe uma, que já a encontrei em vários relatos de diferentes épocas, acredito que essa seria a provável explicação da maldição dos treze animais e a da verdadeira forma do possuído do Gato.

Ao escutar aquilo o coração do médico bate mais forte. Mais do que nunca ele queria saber sobre a maldição para encontrar dessa forma uma maneira de salvar a Akito.

- Qual seria a explicação, Kazuma-san? Existe uma maneira de quebrar essa maldição?

O professor retira a sua mão do ombro do médico, mas continua a lhe olhar.
-Só encontrei relatos de como tudo começou, mas não há nem um fragmento a respeito de como terminar com a maldição.

-E como começou a nossa maldição.

-O primeiro Kamisama era uma pessoa muito solitária, por que ela temia as pessoas normais, uma vez que ela possuía vários poderes que as outras pessoas não tinham. Ela temia a rejeição dessas pessoas, e por esse motivo preferia viver isolado e num local muito distante de todos. O kamisama nunca conseguiu aceitar que tinha aqueles poderes, nunca se aceitou por ter uma vida tão diferente das outras pessoas que eram iguais a ela fisicamente. Ela sentia uma enorme solidão em seu coração.

Hatori se recorda da conversa que havia tido com a Hanajima no dia em que a Akito perdeu as suas memórias. Se aproveitando de alguns minutos que o patriarca tinha voltado para o carro para descansar, ele conversou com a garota tentando entender as suas razões para mentir daquela maneira para a Akito.

#É por isso que as duas ficaram tão próximas. A Hanajima se sentia exatamente dessa maneira até encontrar a Tohru Honda e a outra amiga delas. As duas se sentiam solitárias por terem poderes diferentes das outras pessoas#

by DonaKyon

09/01/2010

184


O Kazuma e a Ren foram os únicos que perceberam a visível alteração na mulher, já o médico estava tão alterado por ver a Ren falando da Akito que não consegue mais se segurar.

-Akito era uma criança quando fez aquilo.

-Continua o mesmo estúpido de sempre, não é mesmo Hatori? Vocês e o maldito enlace com o Akito.

-Ren-sama, por que está perguntando sobre esse fato agora?

-Kazuma-san, o que a Ren está fazendo aqui na mansão?

Yoko percebe que aquele era o momento perfeito para mudar de assunto e assim conseguir um pouco mais de tempo para colocar o seu plano em prática.

-Ela mesma acabou de me falar. Quer voltar a morar na mansão como esposa do patriarca.

Hatori ao escutar aquilo olha espantado para o professor Kazuma. Era impossível não perceber a beleza da Ren, assim como não dava para evitar de perceber a sua loucura também.

-Hatori, vamos conversar lá no Dojo. Creio que as senhoras precisam esfriar um pouco os seus ânimos.

Os dois saem da biblioteca deixando as duas mulheres sozinhas e que se olhavam cheias de ódio.

-É impressão minha ou não quer mesmo que eu fale com o Kazuma-sama sobre esse assunto?

-É realmente uma mulher louca e desequilibrada. Mas os seus dias serão curtos nessa mansão. Até o final de semana Akito-sama estará de volta.

Ren sabia que aquilo iria acontecer, mas não queria que fosse tão rápido. Tinha que antes se vingar daquela mulher, todos no clã precisam saber que o antigo patriarca era o filho de uma empregada. Assim ela se vingaria não apenas da Yoko, mas de todos os Sohmas que sempre a humilharam por ela ter sido uma empregada. E também da própria Akito que sempre sentiu vergonha por causa disso.

-Mas muita coisa pode acontecer antes disso.

Ren com a mão direita joga seus longos cabelos negros para trás e passa pela velha governanta.

#Maldita louca. Somente uma coisa irá acontecer aqui.#

Yoko caminha até a mesa e coloca o antigo livro no meio dos livros que estavam sendo pesquisados pelo Kazuma.

#Preciso conversar com o idiota do meu sobrinho.#

Kazuma e Hatori caminhavam em silêncio para o Dojo e ao notar que o médico estava um pouco nervoso, Kazuma coloca a mão em seu ombro e lhe sorri.

-Está muito apaixonado por ela, não é mesmo?

O médico lhe olha espantado. O Shigure e o Ayame fazerem aquele comentário era algo bem esperado, mas já o professor, que não sabia do que estava acontecendo entre Akito e ele, falar aquilo, o faz perceber qual foi a verdadeira razão para o Kazuma sair da biblioteca com ele.

-Podemos conversar na minha casa?

Kazuma apenas confirma que sim com a cabeça e os dois caminham em silêncio até a casa do médico, ao chegarem lá, Kazuma se senta no sofá e tira o maço de cigarros do bolso do paletó, e antes de se sentar na poltrona a frente do professor, ele acende o cigarro.

-Já realizou os exames que precisava na Akito-san?

-Ainda não. Vou levá-la hoje à tarde.

-E mesmo assim ela poderá voltar no final de semana?

-Por mim ela não voltaria nunca mais. Foi esse clã que a transformou naquela pessoa. A Akito verdadeira não é daquele jeito.

-Mas ele tem que voltar. Ela é a líder desse clã.

Hatori dá uma longa tragada e depois apaga o cigarro.

-Ela precisa voltar mesmo?

-Akito-san pode não se lembrar de nada, mas ainda é o patriarca dos Sohmas e a kamisama dos possuídos. E ela precisará assumir a essas funções, mesmo sem se lembrar de nada.

-Como iremos explicar para a Akito que ela sempre foi criada como se fosse um homem e sobre a nossa maldição?

Kazuma percebe o quanto que o médico estava angustiado.

-Você conseguirá protegê-la aqui também.

O médico apóia a cabeça nas mãos e os cotovelos em suas pernas. Sentia uma angustia que o amedrontava todo por dentro.

by DonaKyon

07/01/2010

183


Ren retira a sua mão do braço da velha governanta.

-O que tinha na carta da Eiko-chan?

-É por isso que está aqui? Pois, pode ir embora. Eu não sei de carta alguma.
Yoko volta a caminhar em direção da porta.

-Acabei de me recordar que a Eiko-chan se matou poucos dias depois que Akito retirou o bracelete do gato.

A governanta ao escutar aquilo para de andar, mas ainda se mantém de costas para a Ren, que agora estava parada em pé no meio do quarto, olhando atentamente para descobrir qual seria a reação da mulher.

-Não foi isso? Creio que ela se matou depois de três ou quatro dias.

-Não me lembro.

-É mesmo?! Creio que o possuído do gato deverá se lembrar. Afinal, aquela experiência deve ter lhe marcado.

#Maldita Ren. O que o Kazuma-kun está pretendendo com essa mulher aqui?#

Yoko volta a caminhar deixando a Ren sozinha em seu antigo quarto.

#Por que nunca me lembrei disso? Sempre achei estranho o fato de aquela menina ter se matado, a Eiko-chan não era o tipo de pessoa que faria isso. E se ela realmente o fez, certamente teve um forte motivo para isso. Mas qual seria?#

Yoko volta para o seu quarto e retira de dentro do armário o antigo livro que havia retirado da biblioteca na noite anterior.

#Malditos! Malditos! Mil vezes malditos!#

Yoko, devido a sua idade, não conseguia andar tão rápido como ela gostaria. As empregadas que a encontram entre o percurso realizado entre o quarto da Ren e o da velha governanta, mal se atreviam a olhar em seu rosto, sabiam que a mulher estava morrendo de ódio por alguém.

#Onde a idiota da Akito se meteu? Ela tem que voltar. Tem que tirar essa mulher daqui. O Kazuma-kun não pode ficar nem mais um dia aqui na mansão#

Ela entra e se tranca no quarto. Caminha até uma gaveta de sua cômoda retiramdo o antigo livro, que havia pegado da biblioteca na noite anterior.

#De uma maneira ou de outra, o Kazuma-kun irá sair daqui. #

A mulher esconde o livro dentro da manga de seu quimono e caminha até a biblioteca. Ela bate na porta e espera o professor responder e entra.

-Kazuma-sama, por favor, me diga onde Akito-sama está?

-Infelizmente não poderei lhe dizer.

-Entenda que sou uma mulher velha. Sempre cuidei do patriarca, ele deve estar sentindo a minha falta também. Preciso saber como está a saúde do patriarca.

-Akito nunca se sentiu tão bem como está agora.

Kazuma e Yoko olham em direção da porta e encontram o médico que entrava.
-Se o patriarca está bem de saúde, por que é que não está aqui?

Hatori fica um pouco desconcertado por ter cometido aquela gafe .

-Que ótima notícia Hatori. Acredita que Akito voltará dentre de quantos dias?

-Creio que até no próximo final de semana.

-É uma grande notícia mesmo. Mas não posso falar com Akito-sama, nem por telefone?

Hatori olha para Kazuma, a espera de mais uma ajuda, mas agora, tão pouco o professor, sabia o que falar.

-Já vai correr para falar ao Akito que estou aqui e ver se assim ele volta antes?

-Era exatamente isso. Não acho certo que você fique nessa casa. Akito-sama ainda é o patriarca oficial do clã dos Sohmas, e sabe o que ele sente por você!

-Ele me odeia, tanto quanto eu o odeio!

Hatori estava um pouco chocado ao ver que a Ren estava dentro da mansão, mas ao escutar aquilo, ele precisa se controlar para não lhe responder, afinal ela estava falando à respeito da mulher que ele amava.

-Se sabe disso, o que faz aqui? Essa casa é o local onde nunca deveria ter entrado.

-Por favor, senhoras...

-Kazuma-sama, pergunte ao filho da Eiko-chan, qual foi o dia em que o Akito tirou o seu bracelete e viu a sua forma monstruosa pela primeira vez.

Ao escutar aquilo, Yoko fica completamente branca e olha para o Kazuma com os olhos bem arregalados. Era impossível se controlar naquele instante. Sentia que a qualquer momento tudo poderia ser revelado.

by DonaKyon

30/12/2009

182


Ren continua a folhear os livros, mas sem prestar muita atenção no que estava contido neles. Kazuma apenas a observava, estava ansioso para descobrir o segredo que aquela mulher sabia.

-Quando é que o Akito voltará?

-Creio que daqui alguns dias.

-E por que foi que justamente o senhor ficou como patriarca?

-Essa foi a decisão de Akito-san.

A mulher olha um pouco desconfiada para o professor, achava muito estranho o fato de a Akito ter escolhido precisamente o pai adotivo do possuído que ela mais odiava.

toc toc

-Entre.

Yoko abre a porta mais não entra.

-O quarto já está pronto.

-A senhora pode acompanhar a Ren-sama?

-Certamente que sim.

A mulher responde sem olhar na direção deles e começa a caminhar sendo seguida de perto pela Ren.

#Agora a Yoko-san irá sentir a perturbação que ela queria que o Kyo sentisse ao enviar aquela empregada lá para o Dojo#

O professor fecha a porta e volta rapidamente a procurar os livros mais recentes sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

#Começarei com a geração de agora e depois irei vendo as outras mais antigas.#

Yoko caminhava sem falar nada, quando chega no quarto, ela abre a porta e a Ren entra.

-De volta ao meu antigo quarto.

-Esse nunca deveria ter sido o seu quarto.

-A Tsukiko-sama ficou muito feliz quando eu passei a ficar em seu antigo quarto.

-A falecida esposa do Akio-sama era uma alma muito generosa, por isso nunca viu a víbora que tinha ao seu lado.

-Cuidado Yoko, eu posso voltar a ser a esposa do patriarca, afinal o Kazuma-sama é um homem solteiro.

Yoko fecha as mãos com a pouca força que ainda tinha em seus braços.

-Você é uma mulher baixa o suficiente para fazer isso. Sempre tive certeza de que se casou com o Akira-sama por esse motivo e não por amor.

-Ahahahah, e a senhora morreria feliz se isso acontecesse, não é mesmo? Mas nunca lhe darei essa alegria. Eu sempre amei e só amarei o Akira.

#Maldita!#

A governanta se virá, mas não consegue andar muito, pois Ren a segura pelo braço.

-O que sabe da carta de suicídio da Eiko-chan?

A governanta olha para a mão da Ren em seu braço e a mulher imediatamente se lembra da outra vez que tinha visto aquele olhar em alguém. Ele era o olhar que a Akito direcionou ao Kyo, na única vez em que ele lhe tocou.

Flash-back

-Por favor, não tire o meu bracelete.

O menino chorava enquanto segurava a pequena mão que tentava arrancar o seu bracelete.

-Aki-chan, o deixa ir embora.

Shigure estava parado a poucos passos das duas crianças, mas não ousava se aproximar e impedir a Akito de arrancar o bracelete do possuído pelo gato.

-MAMÃE.... ME AJUDA MAMÃE...

#Ela nunca deveria ter sido a sua mãe seu monstro. A Eiko-chan não deveria ter sido a sua mãe.#

Akito olha cheia de ódio, magoa e nojo para aquela mão que estava sob a sua. E ao empurrar a criança para trás, ela acaba tirando o seu bracelete. E poucos segundos depois a verdadeira forma do possuído se revela a sua frente.

- Que nojo! Que coisa nojenta. Agora sei porque sempre senti muito nojo de você.

O cheio de coisa podre toma conta de toda a sala, e a Ren que estava acompanhando tudo atrás da porta começa a sentir fortes ânsias e sai correndo para fora da mansão.

-Cof cof cof..

-Ren-sama - A mulher se abaixa para ajudá-la a se levantar – cadê o Kyo-kun?

-Me desculpe Eiko-chan, mas quando cheguei já era tarde demais. O patriarca tirou o bracelete do seu filho.

-E onde ele está agora?

-Eu não sei. Sai de lá porque não agüentei o fedo do seu filho.

-Era por isso que o cheiro desagradável começou antes do Akito-san retirar o bracelete. Então, o cheiro de algo apodrecendo era o seu, Ren?

-Yoko-sama, onde está o meu filhinho?

-Ele saiu correndo. Tome, isso é daquele monstro.


A governanta joga nos pés da mulher o bracelete e logo lhe virá às costas.

-A senhora é a tia-avô desse menino. Por que não impediu a Akito-chan?

Yoko se vira rapidamente e esbofeteia a face da mãe que chorava desesperada.

-Já falei para não chamar o patriarca dessa maneira. E não me lembre que aquele monstro é da minha família.

-ELE NÃO É UM MONSTRO! O MEU FILHINHO NÃO É UM MONTRO! O ÚNICO MONSTRO QUE EXISTE NESSE CLÃ É A SENHORA!

A mulher sai correndo em direção do portão que levava para fora da sede, onde ficava a sua casa.

#Desgraçada. Irei falar com o Higuchi-kun, essa idiota ainda irá revelar que o patriarca é uma mulher. A gente já devia ter se livrado dela, assim que o possuído do rato nasceu.#


by DonaKyon

181


Ren se aproximava da porta principal da mansão do patriarca, com seus longos cabelos negros soltos balançando ao sabor do vento, que estava bem forte e gelado naquela manhã. Vestia o último presente que havia ganhado de seu falecido esposo, um belo quimono de seda preto com diversas flores bordadas. Certamente, aquele quimono era um dos mais ricos e delicados, e que poucos no mundo seriam capazes de fazê-lo. Aquele quimono era apenas usado pelas esposas dos patriarcas, e era passado de uma geração para outra.

A mulher mantém a sua cabeça erguida e olhava cheia de raiva e ódio em direção da mansão.

-R-ren-sama... A a se-senhora não pode...

A ex-mulher do antigo patriarca passa direto pela pobre empregada que estava na porta da casa, e a sua fiel empregada, que a acompanhava, também entra sem dizer nada. Ren entra na sala e olha para todos os lados. Finalmente ela colocava os seus pés na mansão, o local onde ela mais sentia a presença do seu amado esposo, e que estava proibida de entrar desde que o Akira tinha morrido.

-Onde está o Kazuma-sama?

-E-ele está na bibl...

-Não precisa responder nada a essa louca.

Yoko se aproximava com passos tranqüilos e seguros, seu olhar para Ren era igualmente cheio de ódio, não apenas por ela estar novamente dentro daquela casa, mas principalmente por estar vestindo exatamente aquele quimono. Ren a olha cheia de superioridade e percebe que a roupa havia chamado a sua atenção assim como ela queria.

-Bom dia Yoko. Vejo que ainda se lembra do quimono de minha sogra.

-Saia daqui imediatamente Ren.

-Bom dia Ren-sama.

As quatro mulheres olham para o Kazuma que chegava a sala.

-Bom dia Kazuma-sama. Estou aqui conforme me pediu.

-Yoko-san, peça as empregadas para deixarem o antigo quarto da Ren-sama arrumado. Ela irá voltar a morar aqui na mansão.

-O quee?

A velha mulher precisa se controlar ao máximo quando escuta aquilo, suas pernas começam a tremer e a sua respiração fica mais acelerada. Ren a princípio fica tão surpresa quanto a Yoko, mas depois de olhar um pouco mais atentamente para o Kazuma, ela percebe o que estava acontecendo.

#Será que ele já descobriu?#

-Ren-sama, vamos até a biblioteca enquanto o seu aposento não está pronto.

-Até quando ela ficará aqui, Kazuma-SAMA?

-Até o Akito-san retornar.

O homem percebe o quanto que aquela notícia havia desestabilizado a velha governanta. Ele começa a caminhar pelo longo corredor seguido pela Ren. Assim que entram na biblioteca, a mulher vê os vários livros que estavam espalhados pelo tatame.

-O Kazuma-sama já encontrou?

-Ainda não.

-Então, por que quer que eu fique aqui na mansão?

-Me desculpe, Ren-sama, os meus motivos são pessoais. Se importaria de ficar esse tempo aqui?

-De forma alguma.

Ren se aproxima da mesa e vê um livro muito antigo sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

-O senhor deveria começar dos mais recentes.

Aquela informação deixa o professor muito surpreso.

#O que é que ela quer que eu encontre?#

A mulher começa a olhar os outros livros e percebe que o homem buscava informações sobre a maldição dos possuídos.

-Realmente deve amar muito o filho da Eiko-chan.

-A Ren-sama sabe algo sobre a carta de suicídio da Eiko-san?

-Carta de suicídio?! A Eiko-chan deixou uma carta? Por que é que ela se matou?

-Não encontramos a carta ainda.

-Nunca entendi o que levou aquela menina a se matar.

-Eu não sabia que a Eiko-san tinha tomado conta da Akito-san quando criança.

-A Yoko fez isso para me atingir. Ela sabia que eu gostava muito da Eiko-chan. Foi por isso que a chamou para ser bába do Akito, e também a fez se casar com o idiota do sobrinho dela.

#Gostaria de entender a razão do ódio dessas duas.#

By DonaKyon