02/11/2009

156


Shigure chega à loja do Ayame e já começa a ficar um pouco irritado. Nos últimos tempos, ele sabia que ir até a casa do amante, significava também encontrar certa garota. Ele entra e os encontram trabalhando em mais uma das criações do possuído pela serpente.

-Bom dia Guretti! O que fez com que o mais jovem e promissor saísse da cama tão cedo assim? Não vai me dizer que já estava morrendo de saudades de euzinho?

-É claro que eu estava morrendo de saudades do meu amado Aaya-san.

-Ahahahahah, cada vez que a Mine vê esse teatrinho do Chefinho com o priminho, a Mine acha muito engraçado... ahahahahah

Mine para de costurar enquanto estava dando risadas, já o possuído volta a trabalhar no bordado que estava fazendo.

-Mas minha linda e formosa Mine, não é isso o que acontece com os apaixonados? Quando um coração está longe do outro coração amado, ele não é consumido pelo terrível fogo da saudade?

-Sim, mas é que o chefinho representa tão bem, que até parece que isso é verdade. A Mine quase acredita que vocês dois estão apaixonados um pelo outro.

-Minha belíssima donzela gótica tão delicada, isso não é uma representação!

Shigure vê o exato momento que eu a garota muda a expressão do seu rosto. Era claro que ela de fato acreditou que aquilo fosse apenas uma brincadeira dos dois, e que na verdade ela estava muito apaixonada por Ayame.

-Não é uma representação, Chefinho?

-Não, minha deusa das agulhas e das tesouras, o seu perfeito e grandioso chefinho e esse maravilhoso escritor de sucesso são namorados a muitos anos. Estamos juntos desde os nossos 16 aninhos, né mi amore?

-.... A Mine acha que está escutando o celular dela tocar. A Mine já volta!

Shigure apenas a acompanha com o olhar, enquanto que a serpente, que ainda bordava, nem tinha percebido o que havia acabado de acontecer ali.

#O Ayame nem se tocou que essa garota está apaixonada por ele.#

-Guretti, o horário da reunião mudou?

-Não. Apenas achei que deveríamos chegar mais cedo na sede. Aquilo lá deve estar uma confusão só.

-E como está a Akky-chan?

-Ahahahaha, estava muito engraçada com a camisola da Tohru-kun.... ahahahah

-Já separei várias das minhas mais lindas criações para lhe levar.

-Acho melhor não se animar muito num visual cheio de laços e babados. A Akito já sabe que nunca se vestiria desse jeito.

-Nhooo.... Isso não vale! Eu queria a vestir como se fosse uma boneca a meu bel-prazer.

-Podemos ir agora ou está muito ocupado?

-Podemos sim. Vou apenas tomar um banho e me arrumar. Afinal não posso aparecer diante do clã de qualquer jeito, principalmente na frente de nossas mamas e nossos papas.

-É mesmos, os nossos velhos estarão por lá também.

-Hohohoho.... Já vejo a cara de ódio de minha mãe quando anunciarem que o Professor Kazuma será o novo patriarca.

-“Isso é um ultraje! Graças ao status privilegiado que a minha família tem perante aos Sohmas, é claro que o novo patriarca deveria ser o meu marido”, tenho certeza que ela falará algo do tipo.

-AHAHAHAH, ficou igualzinho a ela, Guretti.

-Vá se arrumar então. Estarei te esperando aqui.

-Voltarei rapidinho para você!

Shigure vai se sentar em um dos sofás que decoravam a rica loja de aviamentos, e pouco tempo depois ele vê a ajudante do seu primo voltando para a loja.

-Foi um choque para a senhorita, não é mesmo?

-.... Nunca imaginei que o Chefinho fosse gay... Ele sempre foi tão gentil e meigo comigo... Sempre achei que ele estivesse gostando de mim.

-O perdoe por isso. O Ayame não tem muita noção de como pode machucar as outras pessoas com esse comportamento.

-O Chefinho não tem culpa de nada. A Mine é que deveria ter percebido.

-A Mine-san irá revelar os seus verdadeiros sentimentos para ele?

-Não. Acredito que isso o fará se sentir muito mal.

#Ela é uma boa moça, não é a toa que o Aaya tem todo esse carinho por ela.#

by Donakyon

31/10/2009

155


....desejarei vê-lo rindo.... não só sob o luar, mas sob o azul do céu... desejarei vê-lo não apenas conosco... mas também rodeado pelos humanos... e vislumbrar seu sorriso de felicidade.

Akito percebe que algumas lágrimas tinham saído de seus olhos, e uma forte mistura de vários sentimentos tomam conta de sua alma; sentia saudades, tristeza, dor, e de traição.

#Por quem estou chorando? Quem falou isso?#

-Aa-chan?!

Saki se senta ao lado da garota e o possuído pelo espírito do gato fica parado na frente delas. Akito abraça a colegial e começa a chorar em seu ombro. Sentia algo gritando dentro dela, mas não conseguia entender o que era aquele sentimento.

-Não tenha medo. Estamos aqui com você.

Kyo só a observava, na verdade, aquela era a primeira vez que fazia aquilo com mais atenção. Às poucas vezes que tinha estado com Akito, o seu olhar era sempre de raiva e ódio, pois era esse mesmo olhar que ele recebia do kamisama. Mas agora, aquela pessoa que chorava na sua frente não era mais o kamisama que lhe odiava e nem o patriarca dos Sohmas. O possuído pelo gato não diz nenhuma palavra, e simplesmente se senta ao lado de Akito.

-De repente eu comecei a chorar, quando me lembrei algo.

-O que lembrou Aa-chan?

-Agora não me lembro direito, mas era alguém que queria me encontrar sob um céu azul.

- Em breve se lembrará de tudo.

As duas garotas se afastam e Hanajima vê que o Kyo estava sentado ao lado da Akito.

-Kyo, fique aqui com a Aa-chan. Vou buscar um copo de água para ela.

A colegial se levanta deixando os dois sentados na varanda sem falarem nada, permanecendo apenas um ao lado do outro. O garoto enfia a mão no bolso e tira o seu lenço e coloca sob as pernas de Akito. O patriarca pega o lenço e começa a secar suas lágrimas.

-Obrigada.

Kyo os escutar aquele “obrigada” sente que seus olhos estavam a ponto de ficarem com algumas lágrimas. O garoto não entende o que estava acontecendo, mas aquela simples palavra fez a sua alma se recordar de algo e estava tentando despertar um sentimento que tinha existido dentro dele a muito tempo atrás.

-Eu sempre fui tão chorona assim?

-Não.

-Será que é uma conseqüência da perda de memória?

-Não sei.

Akito olha para o garoto, e ao ver que o Kyo olhava os pássaros que voam livremente pelo céu, a garota também começa a observá-los. O vôo tão desordenado dos pássaros dava aos dois a mesma sensação de liberdade e ao mesmo tempo de saudades.

-De repente me deu uma vontade de ficar girando....

Kyo olha espantado para Akito, que continuava a falar enquanto olhava para os pássaros.

-... de abrir bem os braços e ficar girando até ficar bem tonta. Acho que os pássaros devem ficar com essa sensação quando estão voando dessa maneira.

#A minha mãe que fazia isso. Lembro-me de que algumas vezes eu a vi olhando sozinha para o céu e quando ela olhava para os pássaros voando assim, ela abria os braços e ficava rodando até cair sentada no chão.#

Hanajima que tinha escutado a conversa, e ao ver a reação do Kyo quando o patriarca falou aquilo, logo deduz que aquilo deveria ser algo relacionado à mãe dele.

-E por que é que a Aa-chan não faz isso?

-Acho que seria muito estranho.

Saki, sem dizer mais nada, entrega o copo de água nas mãos de Akito, depois tira os sapatos e as meias e solta a longa trança ficando com os cabelos soltos. Caminha até o meio do jardim e começa a rodopiar. Os dois ficam a olhando, muito espantados. Hanajima rodava cada vez mais rápido, e como a sua saia batia um pouco abaixo do joelho, ela podia girar sem ficar com receio de que a sua calcinha estivesse aparecendo. Seus longos cabelos negros pareciam que estavam brincando com ela.

Aquela imagem da Hanajima rodando tão livre estava encantando os dois, Saki agora ria e balançava os braços enquanto girava. Akito não consegue mais ficar apenas olhando e vai girar ao lado da Saki. As duas agora riam mais alto e rodavam mais rápido, sendo que em alguns momentos quase que uma bate na outra, o que fazia com que elas rissem ainda mais.

Kyo nunca tinha visto a Saki tão linda e feliz como naquele momento. Ele se levanta desabotoando a camisa escolar, deixando à mostra a camiseta preta que vestia por baixo, e começa a girar próximo das garotas. Inicia de maneira bem tímida e se sentindo um pouco bobo, mas depois estava indo mais rápido e ria também.

A colegial é a primeira que cai no chão, pouco tempo depois é a vez do Kyo cair sentado. Os dois ficam rindo enquanto olhavam a Akito que rodava ainda mais rápido, feliz por ter sido a última a cair no chão.

-Ahahahah, eu ganhei.... ahahahah

-Mas eu comecei muito antes.

-Não importa! O que vale é que eu fui a última a cair no chão.

Kyo deitasse no chão e abre os braços. O céu estava ainda mais azul agora e outro bando de pássaros estava voando.

#Finalmente descobri o porquê que a minha mãe fazia aquilo. Ela queria sentir a sensação de estar voando como os pássaros.#

-Cadê? Eles sumiram!!

Akito começa a procurar algo pelo chão.

-O que foi, Aa-chan?

-Eu perdi os bichinhos da Tohru. Me ajudem a procurá-los.

Saki se levanta e começa a procurar enquanto que o gato, que ainda estava deitado no chão apenas se limitava a olhá-las.

-Como eles são?

-São aquelas miniaturas de bisqui do gato laranja e do cavalo-marinho. Vamos Kyo, ajuda também!!

Kyo ao escutar as palavras “gato laranja” tinha se levantado de uma vez do chão e agora está em pé ao lado delas.

-E por que é cê tava com elas?

-Eu as coloquei no bolso. Achei que tinha escutado alguém e vim ver. Que droga! Espero não ter perdido.

Os três começam a procurar pelos dois animais, mas continuam conversando enquanto realizam a busca, sem perceberem que estavam sendo observados por alguém.

by DonaKyon

28/10/2009

154


O escritor percebe que Akito tinha se lembrado em algo muito bom, pois involuntariamente tinha começado a sorrir.

-Shigure... O Hatori me falou ontem que de todos, você era a pessoa que mais esteve próximo de mim, que era como um irmão mais velho para mim.

-Puxa, por que é que o Haa-san não fala essas coisas bonitas na minha frente?

-Você sabe se eu gostava de alguém?

-Sim. Você sempre foi apaixonada pelo Hatori.

#Então a minha intuição estava certa. Era isso que estava queimando dentro de mim naquele momento. Mesmo sem me lembrar de nada, eu não consegui esquecer o meu sentimento por ele.#

-Aproveite esse tempo para você, Akito. Em breve terá que voltar para a sede, se lembrando de tudo ou não, então, aproveite ao máximo essa “folga” que conseguiu. E é claro que eu estou falando para você aproveitar com o Haa-san... aahahahah

-Ele te falou o que aconteceu ontem?

-Não. Mas pela cara dos dois percebi que finalmente se acertaram.

Ao escutar aquilo o patriarca fica mais tranqüila, pois de fato, ele a conhecia muito bem. Shigure olha o relógio e se levanta da cama.

-Agora vamos tomar o café da manhã que a Tohru-kun deixou preparado. Depois irei para a sede e a madame ficará aqui em casa com os garotos e a Hanajima, depois que eles voltarem da escola.

Ao chegar à cozinha, Akito percebe que aquele ambiente era novo para ela, um café da manhã acompanhada em uma cozinha.

-Tem algumas coisas que eu sei que não fazem parte da minha vida. Não sei explicar o porquê, mas eu sinto.

-Sim, creio que terá várias situações assim nos próximos dias. Mas, permita-se a vivê-las também, quem sabe não começará a gostar?

O café da manhã dos dois ocorre de uma maneira bem sossegada. Akito evitava perguntar sobre o seu passado, a sua intuição lhe dizia que ela não ficaria feliz se o recorda-se.

Shigure, logo depois do café, foi para a loja do Ayame. Queria chegar mais cedo na casa do médico para se prepararem para a reunião do clã.

Akito estava sozinha no quarto da Tohru, e se aproxima novamente dos bichinhos de bisqui segurando o gato e o cavalo marinho.

#Mas por que será que ela colocou esses bichos com os outros onze animais do doze signos? E por que está faltando o dragão?#

A garota começa a caminhar em direção da cama com as pequenas figuras em suas mãos e se deita.

#Acho que deveria me preocupar com outras coisas agora. Como por exemplo, o que vestirei, pois nenhuma das roupas da Tohru me agrada.#

Ela deixa os dois animais sob a cama e começa a abrir as gavetas da garota a procura do que vestir. Após jogar quase tudo no chão ela encontra uma blusa preta e uma bermuda jeans um pouco surrada já. Ela veste as roupas e repara como a blusa tinha ficado bem larga em cima.

#Eu não tenho quase nada de seio. Olhando assim, eu até me pareço com um homem. O que será que o Hatori via em mim?#

Ao se lembrar do primo, ela se senta na cama e vê novamente aquelas duas figuras sob a cama, e as segura mais uma vez.

#Espero que essa tarde passe bem rápido. Quero muito vê-lo.#

Akito escuta uma voz vindo do jardim da casa, sem pensar no que estava fazendo, ela coloca os dois animais de bisqui dentro do bolso da bermuda e desce para ver quem havia chegado. Ela sai descalça e começa a caminhar em volta da casa para ver se encontrava alguém.

#Ué? Eu tinha certeza de que tinha escutado algo.#

Estava fazendo uma linda manhã naquela quarta-feira. Tudo estava brilhando, era o começo da primavera que estava se aproximando cada vez mais. Akito sente-se na varanda e fica olhando para aquele céu tão azul.

by DonaKyon

25/10/2009

153


Akito abre os olhos e tenta reconhecer onde estava. Sabia que havia algo de errado, mas era incapaz de dizer exatamente o que é que tava errado. O quarto era iluminado pela luz do sol que entrava pela janela, pois nem mesmo a fina cortina de tecido claro, era capaz de impedi-lo. A garota olha para o relógio e vê que eram 10 da manhã.

#Será que é essa hora que me levanto mesmo? Como será que é o meu quarto? Como será a minha vida?#

O patriarca se levanta e começa a descobrir o quarto da Tohru. Ela segura o porta-retrato com a foto da Dona Kyoko e logo deduz que aquela mulher era a falecida mãe da garota, ao seu lado havia um conjunto dos 12 signos do zodíaco que a garota mesma tinha feito, mas dois detalhes chamaram a atenção de Akito, no lugar do dragão tinha um pequeno cavalo marinho e no meio dos doze havia um gato.

#Por que será que a Tohru-chan fez esse conjunto assim?..... Tohru-chan..... Será que eu sempre a chamei assim? Eu acho isso tão estranho, me parece que nunca a tinha lhe chamado assim.#

Akito se olha no espelho e se vê de camisola de tecido de algodão na cor rosa com pequenas flores vermelhas desenhadas. A sua sensação era de que aquela pessoa refletida para os seus olhos não era ela. Ela rapidamente sai do quarto e corre para o quarto do Shigure, abrindo a porta sem ao menos ter batido e vê que o escritor ainda dormia. Ela começa a sacudi-lo e a chamá-lo para lhe acordar.

-Shigure... Eih Shigure.

Shigure abre os olhos e vê um pedaço de tecido rosa com flores vermelhas até a altura do joelho, quando olha para cima e vê que era o patriarca que estava com aquela roupa ele começa a ter um acesso de riso.

-AHAHAHAH AHAHAHAHHA

#Ele me respondeu o que eu queria saber. É claro que eu nunca usaria esse tipo de roupa na minha vida.#

-Me desculpe Akito, mas é que.... Ahahahahah..... é que..... ahahahah

-Eu já entendi. Nunca tinha me visto assim antes.

-Ahahahahah.... Exatamente isso.... Ahahahah

Akito se senta na cama e espera que o primo acabe de rir.

Após rir por mais alguns minutos, Shigure se senta na cama e olha para a garota.

-Pelo menos eu sei o que eu nunca usaria.

-A que pena... Já ia encomendar do Ayaa um monte de vestidos cheios de laçinhos para você.

-Isso é mais a cara da Tohru e não a minha..... Tohru?! Tohru-chan?!

-O que foi?

-Como eu a chamava antes?

Shigure já tinha entendido o que é que a Akito estava procurando, a garota queria saber quem ela era antes.

-Akito, desde que tinha oito anos, você é a líder de uma das famílias mais tradicionais do Japão. Acredita que a líder do clã Sohmas, um dos mais ricos desse país, a chamaria de Tohru-chan?

-Não.

-É claro que não. Você sempre chamou as pessoas pelos seus nomes. Então não precisa começar a fazer isso agora. Mas, as meninas sempre te chamaram daquela maneira.

- Então, o meu pai morreu quando eu tinha oito anos?

-Não. O Akira-sama morreu quando tinha sete anos.

-E que doença a minha mãe tem?

-A Ren é louca!

Ao escutar aquilo Akito não sente vontade de lhe perguntar mais nada.

-Akito, acha que alguém que é líder a tantos anos de uma família como a nossa, teve tempo para viver a sua própria vida? Acha que teve oportunidade para descobrir quem realmente é? Você sempre teve muita pressão e responsabilidades nas suas costas. Teve que crescer muito rápido e nem teve tempo de se descobrir. Foi por isso que o Haa-san achou melhor que ficasse longe da sede por esse tempo.

Shigure segura nas mãos de Akito. Ele também desejava que ela encontrasse a verdadeira Akito Sohma, não queria que ela começasse a fingir quem ela não era novamente.

-Pense sempre como a líder dos Sohmas, pois essa é você.

-Pensar como a líder dos Sohmas.

-Isso e também acredite em seus instintos ou na sua intuição.

Akito se lembra do que tinha acontecido entre ela e o médico na noite anterior.

by DonaKyon

24/10/2009

152


Kyo volta a caminhar e entrelaça os seus dedos nos delas, aquela sensação ainda lhe dava uma forte emoção. Ele tinha a certeza de que, aquela garota que caminhava ao seu lado, era a única que poderia lhe provocar todo aquilo que ele estava sentindo.

#Falam que encontrar a pessoa certa é coisa do destino, mas no nosso caso não foi o destino. Foi as nossas maldições que nos uniu.#

Os dois começam a perceber que estavam chamando muito a atenção dos outros, estava na cara que os dois estavam cabulando as aulas para fazer algo que não devia. Os dois tem o mesmo pensamento e soltam as mãos.

-Você leu o meu pensamento, Kyo?

-Não, mas a gente pensou a mesma coisa.

-Será que não é melhor que pelo menos um de nós troque de roupa?

-A casa do Shigure é mais perto do que a sua, vamos até lá.

Saki percebe que aquela idéia poderia render bons frutos. Ela sabia que era uma questão de tempo, pois se lembrando ou não, Akito voltaria a tomar conhecimento dos possuídos e a garota queria que o gato e o kamisama se conhecessem melhor antes dela saber novamente. Como a garota não lhe respondeu de imediato, o gato começa a imaginar que ela poderia ter entendido mal os motivos deles irem para a casa do escritor.

-Heim.. Não se preocupa. Não vamos fazer nada. Não estou falando para irmos até a casa do Shigure só para ficarmos sozinhos lá e....

-Eu nem pensei nisso.

-Ufa, ainda bem. Não sou nenhum pervertido como aquele cão sarnento.

-Eu sei disso. Até porque não estaremos sozinhos, a Aa-chan estará por lá.

-Aa-chan?! De onde tirou esse apelido?

-Não acha que ficou tão bonitinho e que combinou tanto com ela?

-Você e Akito sendo amigas. Isso é tão fora do comum.

-Por que acha isso? Na verdade, tanto ela como eu sentimos as mesmas dores e culpas. Sempre soubemos que somos diferentes das outras pessoas, sempre tememos a nos mesmas. E por isso fomos muito rejeitadas. Para minha sorte, eu nasci numa família onde todos sempre me aceitaram e cuidaram de mim com carinho e depois encontrei amigas maravilhosas, mas a Akito nasceu como o patriarca de um grande clã e o kamisama de vocês, ela nunca teve uma família cuidando dela e nem a oportunidade de ter amigas. Não pode nem mesmo ser a mulher que ela é de fato.

-Então o que sente é pena?

-Não. Não sinto pena de ninguém. Todos temos a vida que escolhemos ter. Eu reconheço nela as mesmas fraquezas que tenho, por isso quero me tornar a sua amiga.

-E depois que ela se lembrar de tudo?

-Isso verei depois. Não dá para prever o que acontecerá, o futuro é constantemente modificado pelos nossos atos do presente. Mas a Dona Kyoko me ensinou que bons atos no presente sempre criarão bons atos no futuro.

Kyo ao ouvir o nome da mãe da Tohru se recorda de sua própria mãe e de tudo o que tinha descoberto sobre Akito. Saber que a mãe dele tinha amado e também que era amada pelo patriarca havia feito pensar melhor sobre os sentimentos que a sua mãe sentia por ele.

-“Mas é claro que você é humano.” “Estou muito orgulhosa de você” “Por você, eu daria tudo. Eu até morreria por você.” Essas são as frases que mais me recordo que a minha mãe me falava, mas sempre acreditei que eram apenas palavras vazias. Mas agora que descobri a ligação da minha mãe com o patriarca, acho que aquelas palavras eram cheias de sentimentos. A minha mãe deve ter sido uma mulher muito especial, pois ela conseguiu ser amada por Akito.

Saki lhe sorri. Tinha quase certeza de que seu plano poderia dar certo. Ela iria aproximar aqueles dois que amavam a mesma mulher quando eram crianças.

O caminho até a casa do Shigure, foi um pouco mais demorado do que imaginavam, já que Hanajima não abriu mão de passar por duas padarias que ficavam no caminho.

by DonaKyon

20/10/2009

151



Kyo esperava encostado em um banco que ficava de frente para a saída da estação de trem. Não tinha combinado nada no dia anterior que iria esperar por ela, mas lhe parecia que aquilo era um pouco óbvio, afinal agora eles estavam namorando. Já sabia, pelo horário que a garota tinha chegado naquele trem que acabará de parar na estação, pouco tempo depois a Hanajima passava pela catraca com os pensamentos bem longe, e ao ver que o garoto a esperava, faz a maior cara de espanto.

#Para ela não era óbvio que eu estaria aqui.#

Hanajima caminha até ele com a mesma calma de sempre.

-Bom dia. Aconteceu alguma coisa?

-Eih, não tava na cara que eu ia te esperar aqui?

-Sinceramente não.

O garoto dá um suspiro e depois olha nas mãos da colegial e vê que ela estava levando apenas a sua pasta escolar. Ele lhe bem sério e fala com um tom mais bravo em sua voz.

-Eih, cadê o meu bentô?

-Seuuu? Bentôôo?

-É! O meu bentô que você levantou às 5 da manhã pra preparar para mim?

-Você está lendo muito mangá ou assistindo muito anime?

Kyo ao escutar aquilo e ao ver a expressão de extrema calma que a garota mantinha em seu rosto, não consegue mais manter a representação, e começa a rir.

-Ahahahah.... Essa é a minha namorada...ahahahahha

Ele pega a pasta que a Hanajima levava, segura em sua mão direita e começam a caminhar pela tranquila rua. A garota lhe olha e percebe que ele, apesar de estar com o semblante mais leve, tinha em seu olhar algum tipo de preocupação.

-O que está te preocupando?

-Saki, tem certeza que não consegue ler os meus pensamentos?

Ele olha para a garota e nota que ela estava um pouco envergonhada. Ainda não tinha se acostumado com ele a chamando apenas pelo nome.

-É um pouco estranho, mas eu gosto.

-Se quiser eu volto a lhe chamar de Hanajima.

-Não, pode me chamar só pelo meu nome. O que te preocupa?

-Akito.

-Aconteceu alguma coisa?

-Ontem pela primeira vez ele falou..

-ELA falou...

-Sim, elAA falou comigo sem me ofender... Até falou que eu era “bonitinho e mal educado”.

-Ahahahah, aposto que deve ter caído de queixo no chão quando escutou isso.

-Saki, você é uma bruxa mesmo!

O garoto lhe olhava sorrindo e havia lhe falado aquilo com um tom doce em sua voz, a colegial volta a olhar para frente e lhe responde com o mesmo tom.

-Os gatos sempre estão com as bruxas.

Kyo abre um pouco mais o sorriso que já estava em seu rosto. Graças aquela garota, agora ele estava conseguindo sorrir de uma maneira mais natural. Os dois caminham em silêncio e de mãos dada por um tempo, como tinham tempo, caminhavam sem a menor pressa em direção do colégio.

#Por quanto tempo poderemos fazer isso? O meu maior desejo é que Akito nunca mais recupere a sua memória. Ficar com essa incerteza é algo que me deixa muito puto. E se a noite o Akito se lembrar de tudo? Amanhã não poderei estar assim com ela. Eu tenho que aproveitar o máximo que puder para ficar ao seu lado. Quero saber de tudo sobre a sua vida, suas dores, suas alegrias. Droga! Por que é que temos que ir para a escola agora? #

O possuído para de caminhar e a garota lhe olha a procura do motivo.

-Saki, eu sei que isso tem mais a cara daquela delinqüente do que da sua, mas o que acha da gente cabular a aula de hoje?

-Cabular a aula?

-É... A gente não sabe até quando isso irá durar.... Eu quero saber mais sobre você.... Só por hoje, vamos faltar e ficar esse tempo juntos.

-Hum... Mas o almoço de hoje lá da cantina é muito bom..... Por outro lado a gente poderia ir naquele restaurante de udon que abriu há pouco tempo, antes passaríamos por aquela sorveteria, depois, daria para comer aqueles takoyakis lá do parque....

-Mas... que falta de romantismo, heim..?

-Não se preocupe, não pedirei nada que tenha nira, assim poderemos comer tudo juntos.

#Retiro o que disse antes.#

by DonaKyon

18/10/2009

150


O coração do Yuki batia ainda mais forte agora que acompanhava o Haru até o banheiro. Assim que entram, ao ver que não tinha ninguém lavando as mãos, o boi rapidamente puxa o rato para dentro de um dos reservados e fecha a porta. Yuki, que fica exprimido entre o vaso sanitário e o possuído, nem tem tempo para falar que aquilo era perigoso, pois assim que fecha a porta, o Haru lhe beija.

Aquele beijo não era apenas um pedido de desculpa, era também um beijo de profunda gratidão ao Yuki. O garoto em nenhum momento o tinha culpado, e nem lhe abandonou. Ficou ao seu lado e quando mais ele precisou de um abraço, ele o abraçou. O sentimento que um sentia pelo outro tinha aumentado de uma maneira que nem mesmo eles próprios conseguiam acreditar que aquilo era possível. Durante uns cinco minutos os garotos se beijaram sem se importarem com o que estava acontecendo do lado de fora daquele reservado, e nem escutaram o sinal batendo.
Quando os garotos separam os seus lábios, o possuído pelo rato encosta sua cabeça no ombro do Haru e lhe sussurra em seu ouvido.

-Você sempre esteve me amando, a partir de agora é a sua vez de ser amado por mim.

Ao escutar aquilo, o coração do garoto parecia que ia explodir, ele segura na mão direita do Yuki e a coloca sob o seu peito. O primo lhe olha um pouco impressionado ao sentir o quanto que batia o coração do Haru naquele momento.

-Você sempre foi o único que fez o meu coração bater assim. Sempre me sinto mais vivo quando estou do seu lado. É por isso que eu sempre te amei.

Os olhos de cor ametista do possuído ficam ainda mais brilhantes naquele momento, ele dá um pequeno sorriso com os lábios e abaixa o seu olhar em direção da sua mão que ainda estava sob o coração do Haru.

-Isso não foi justo. A sua declaração foi mais bonita do que a minha.

-Então está um a zero pra mim, mas você pode tentar empatar o jogo.

Quando os lábios dos dois tinham acabado de se encontrarem mais uma vez, eles escutam que alguém estava batendo na porta do banheiro.

-Eih Haru-kun, está aqui?

-Fala Momiji-kun.

-É que a aula já começou... A sensei me mandou vir ver se estava tudo bem com você.

-Estou bem. Já estou indo pra sala.

-Tá... Eih Yuki-kun, a sua aula já começou também.... hihihihihi....

O coelho sai do banheiro dando risadas e o Yuki fica roxo de vergonha. Haru abre a porta do reservado rindo também.

-Ahahahahah... esse coelho é bem esperto pra idade dele.

-Ele tem a sua idade, Haru.

-É mesmo!

Os dois possuídos saem do banheiro como se nada tivesse acontecido, mas com os seus corações batendo muito mais tranqüilo agora. A sala de aula deles ficava em andar diferente e com um sorriso nos lábios o Yuki se despede e sobe as escadas. Ao entrar na sala, a Mayuko-sensei tem que parar a aula, pois era impossível falar com todo aquele barulho.

-Chega! Chega! O Sohma-kun pode se sentar. Espero que na hora que o Kyo-kun chegar, esse barulho não se repita.

O possuído vai se sentar no seu lugar e vê que as carteiras do Kyo e da Hanajima ainda estavam vagas.

by DonaKyon