18/10/2009

150


O coração do Yuki batia ainda mais forte agora que acompanhava o Haru até o banheiro. Assim que entram, ao ver que não tinha ninguém lavando as mãos, o boi rapidamente puxa o rato para dentro de um dos reservados e fecha a porta. Yuki, que fica exprimido entre o vaso sanitário e o possuído, nem tem tempo para falar que aquilo era perigoso, pois assim que fecha a porta, o Haru lhe beija.

Aquele beijo não era apenas um pedido de desculpa, era também um beijo de profunda gratidão ao Yuki. O garoto em nenhum momento o tinha culpado, e nem lhe abandonou. Ficou ao seu lado e quando mais ele precisou de um abraço, ele o abraçou. O sentimento que um sentia pelo outro tinha aumentado de uma maneira que nem mesmo eles próprios conseguiam acreditar que aquilo era possível. Durante uns cinco minutos os garotos se beijaram sem se importarem com o que estava acontecendo do lado de fora daquele reservado, e nem escutaram o sinal batendo.
Quando os garotos separam os seus lábios, o possuído pelo rato encosta sua cabeça no ombro do Haru e lhe sussurra em seu ouvido.

-Você sempre esteve me amando, a partir de agora é a sua vez de ser amado por mim.

Ao escutar aquilo, o coração do garoto parecia que ia explodir, ele segura na mão direita do Yuki e a coloca sob o seu peito. O primo lhe olha um pouco impressionado ao sentir o quanto que batia o coração do Haru naquele momento.

-Você sempre foi o único que fez o meu coração bater assim. Sempre me sinto mais vivo quando estou do seu lado. É por isso que eu sempre te amei.

Os olhos de cor ametista do possuído ficam ainda mais brilhantes naquele momento, ele dá um pequeno sorriso com os lábios e abaixa o seu olhar em direção da sua mão que ainda estava sob o coração do Haru.

-Isso não foi justo. A sua declaração foi mais bonita do que a minha.

-Então está um a zero pra mim, mas você pode tentar empatar o jogo.

Quando os lábios dos dois tinham acabado de se encontrarem mais uma vez, eles escutam que alguém estava batendo na porta do banheiro.

-Eih Haru-kun, está aqui?

-Fala Momiji-kun.

-É que a aula já começou... A sensei me mandou vir ver se estava tudo bem com você.

-Estou bem. Já estou indo pra sala.

-Tá... Eih Yuki-kun, a sua aula já começou também.... hihihihihi....

O coelho sai do banheiro dando risadas e o Yuki fica roxo de vergonha. Haru abre a porta do reservado rindo também.

-Ahahahahah... esse coelho é bem esperto pra idade dele.

-Ele tem a sua idade, Haru.

-É mesmo!

Os dois possuídos saem do banheiro como se nada tivesse acontecido, mas com os seus corações batendo muito mais tranqüilo agora. A sala de aula deles ficava em andar diferente e com um sorriso nos lábios o Yuki se despede e sobe as escadas. Ao entrar na sala, a Mayuko-sensei tem que parar a aula, pois era impossível falar com todo aquele barulho.

-Chega! Chega! O Sohma-kun pode se sentar. Espero que na hora que o Kyo-kun chegar, esse barulho não se repita.

O possuído vai se sentar no seu lugar e vê que as carteiras do Kyo e da Hanajima ainda estavam vagas.

by DonaKyon

17/10/2009

149


-Se a outra foi embora sorrindo, essa foi embora chorando.

-E por que é que o Haru-kun não falou que era o namorado do Yuki?

-Porque ainda não o pedi em namoro.

-Então depois terá que pedir a presidência do clube dele para a Minagawa-san.

-Acho que ela iria se matar se eu fizesse isso.

-AHH, eles chegaram! Tohru-chan, aqui! Aqui!

Tohru ao ver o garoto não consegue evitar de sorrir e corre para perto dele. Yuki ao ver que o Haru sente que o seu coração estava batendo mais forte. O possuído pelo boi se levanta do banco e lhe sorri quando ele finalmente chega ao seu lado.

-Bom dia, Haru.

-Bom dia, Yuki.

A vontade dos dois era a mesma naquele momento, queriam poder estar a sós para conversarem sobre tudo o que tinha acontecido no dia anterior para finalmente se acertarem, mas sabiam que aquela conversa teria que ser adiada por algumas horas.
Os dois possuídos começam a caminhar um pouco atrás do Momiji e da Tohru, que estavam de caminhando de mãos dadas como eles sempre tinham feito antes. Apesar de estar vestido com o uniforme masculino, o garoto ainda tinha um jeito todo fofo e meigo.

-Como estão as coisas na sede?

-Nem sei. Ontem mesmo o Hatori-san foi até a mansão, mas eu não o vi nessa manhã. E o patriarca?

-Estava dormindo quando sai de casa.

-É estranho saber que Akito é mulher.

-Mas teremos que nos acostumar, pelo menos enquanto Akito não se lembrar de nada.

-Será que tudo voltará a ser como era antes, se ele se lembrar de tudo?

-Acho que nem a Hanajima-san é capaz de responder isso.

-É...

-Ficou com ciúmes?

-O meu tratamento ainda não começou, mas vou me segurar muito mais agora.

-Agora é a minha vez de te ajudar.

Yuki olha sorrindo para o Haru que caminhava ao seu lado com as mãos nos bolso e a mochila no ombro, e o possuído pelo boi também lhe sorri.

-O que acha da gente andar de mãos dadas como eles?

-Além de ter dupla personalidade é louco também?

-Hehehe... Tem razão. Se aquelas garotas vissem a gente de mãos dadas, era capaz de ter um suicídio coletivo na hora do almoço.

-De quem está falando?

-Das garotas do seu clube. A presidente dele acabou de falar com a gente. É aquela garota ali.

Haru aponta para a Minagawa que estava parada próxima da entrada e olhava toda derretida para o garoto. Yuki olha para o grupo e imediatamente são dados vários gritinhos eufóricos pelas garotas. Apesar de ter ficado um pouco sem jeito com aquilo, o garoto resolve provocar o primo.

-Não ficou com ciúmes de mim?

-Fiquei! Mas eu aprendi a minha lição ontem. Nunca mais irei lhe magoar por culpa do meu ciúmes ou egoísmo.

Yuki ao escutar aquilo fica um pouco envergonhado, mas ao mesmo tempo se sente muito feliz.

-Haru....

-Humm

-Vamos ir embora juntos?

-Vamos!

O coração do possuído pelo rato começa a bater mais rápido e sua pele fica toda arrepiada, quando se lembra do que tinha acontecido entre eles lá nas termas. Desejava sentir aqueles beijos, aqueles toques, o Haru e ele se tornando um só. Yuki olha um pouco sem jeito para o primo, queria lhe falar que ele esperava viver novamente aquela experiência, mas não sabia como dizer.

-Haru....

-Humm...

-Nada, depois eu falo.

Hatsuharu lhe olha e percebe que ele estava um pouco corado.

-Sei... É algo que só pode ser dito entre quatro paredes.

Yuki fica ainda mais vermelho ao escutar aquilo, parecia até que estava escrito em sua testa o que ele queria fazer. Ver o primo tão envergonhado como estava faz com que o boi sinta ainda mais vontade de lhe beijar.

-Momiji-kun, te vejo na sala. Tenho que ir ao banheiro.

Haru se aproxima um pouco mais, mas ainda ficando ao seu lado, e lhe fala olhando em seus lábios.

- Não precisa ir também, Yuki?

-.... ahn? Ah sim. Já vou para a sala, Honda-san.

by DonaKyon

148


Haru e Momiji descem do carro e percebem que eles eram os primeiros a chegarem à escola. O pátio ainda estava vazio e silencioso.

-Nhooo... A Tohru-chan ainda não chegou.

-Daqui a pouco eles estão por aqui.

Haru caminha até o banco que ficava logo na entrada da escola e se senta. Momiji estava tão ansioso que sabia que não conseguiria ficar sentado enquanto esperava e fica olhando para a entrada da escola.

-Fica calmo. Daqui a pouco a Tohru-kun estará aqui.

-Até parece que o Haru-kun não quer ver o Yuki-kun?

-É claro que quero. #Se bem que apenas vê-lo é pouco para mim.#

Os dois garotos estavam ansiosos porque não tinham tido a oportunidade de conversarem calmamente com os eles. O desejo dos dois era de ter dormido na casa do Shigure, mas o médico não achou prudente. Eles tinham que agir na sede como se nada de errado estivesse acontecendo.

Aos poucos os alunos vão chegando para a aula e o pátio vai adquirindo som e vida.

-Com licença.

Os dois possuídos olham para as duas garotas que estavam na frente deles, e era difícil dizer qual das duas era a mais bonita. Uma era a aluna do 3 ano e presidente do Prince Yuki, Motoko Minagawa e a outra era a Asai Okada, a presidente do Prince Kyo e aluna do 2 ano.

-Vocês são primos dos Sohmas, não é mesmo?

-Sim... sim... Eu sou o Momiji Sohma e ele é o Hatsuharu Sohma.

-Não falei Minagawa-san. Eu sabia que eram primos deles. Os senhores sabem se eles virão as aulas hoje?

-E quem são vocês? – Haru pergunta num tom de desconfiança.

-Ah, me desculpe. Eu sou Asai Okada.

-E eu sou Motoko Minagawa.

-Eles virão sim. Vocês são amigas deles? – Momiji é quem responde.

-Somos as presidentes dos fãs-clubes deles
.
-NOSSAAA.... Eih Haru, será que a gente também vai ter um fã-clube?

-Se eu tiver, quero que elas adotem o estilo punk.

-Humm... O meu teria que ser do tipo mais meigo.

As duas garotas ficam olhando para os garotos, e a julgar pela beleza deles sabiam que em breve eles poderiam também ter os seus fã-clubes.

-Ah, no meu só poderia ter garotas bem bonitas.

-Ahh, e a Tohru-chan poderia ser a presidente do meu.

-Vocês já conhecem a brux... digo a Honda-san?

-É claro que sim, Minagawa-san. Ela é a minha namorada.

-OQUE???

As duas garotas gritavam espantadas na frente do possuído. Elas tinham certeza que a Honda estava tentando enfeitiçar o Yuki da mesma forma que a Hanajima tinha feito com o Kyo.

-Sim. A Tohru-chan e eu começamos a namorar ontem.

Motoko abre um sorriso no nível máximo ao escutar aquilo. Ela não tinha que se preocupar com mais nada, afinal a sua arqui-rival tinha percebido que nunca poderia ter nada com o Yuki e finalmente o garoto estava livre de sua influência nefasta.

-Até mais ver, Okada-san.

Haru tem que se segurar para não começar a rir, e a garota sai caminhando toda saltitante em direção de um grupo de garotas que a esperavam.

-Aposto que ela é a presidente do grupo do Yuki.

-Ah, se é assim, eu acho melhor que a Osaka-san deixe de ser a presidente do clube do Kyo.

-E por que eu deveria deixar de ser?

-Ah, já que a Tohru-chan é a minha namorada e será a presidente do meu clube, a Hana-chan tem que ser a presidente do clube do Kyo.

A garota engole a seco quando escuta aquilo, e começa a sentir que a sua pressão estava subindo. Não queria que a sua dedução estivesse correta e tenta falar o mais normal possível.

-E por que é que a Hanajima-san deveria ser a presidente do Prince Kyo?

-Uée... Porque ela é a namorada do Kyo.

Ao escutar aquilo, a garota fecha as duas mãos com o máximo de força que conseguia. Sentia que o seu sangue estava fervendo por dentro.

#Aquela bruxa enfeitiçou ele mesmo.... Mas não se preocupe, meu adorado príncipe de cabelos laranja, eu irei te libertar desse feitiço.#

A garota nem se despede dos garotos, passa reto por suas amigas e entra na escola sendo seguida por elas.

by DonaKyon

147


Yuki desce para a cozinha e ao escutar o som da voz da colegial conversando com o Kyo faz com que o garoto dê um sorriso de alegria.

#Ela continuará sendo a nossa amiga.#

-Bom dia Honda-san... bom dia.... K-kyo.

O gato o olha um pouco desconfiado, pois durante aqueles cinco meses que estavam morando juntos o rato nunca tinha lhe dado um “bom dia”.

-Muitíssimo bom dia Yuki-kun. Hoje o senhor não perdeu o horário.

-Sim. Mas a senhorita não parece que dormiu muito bem.

-Errr.... Acho que a senhorita Akito não está acostumada a dormir acompanhada na cama.

-Será que ele ficará muito tempo por aqui.

-Eu espero que sim. Assim a Honda-san e a Hanajima-san não terão as suas memórias apagadas.

-É muito estranho ver o patriarca assim. E saber que ele é uma mulher foi um grande choque.

-É pelo visto os Sohmas tem muito mais segredos do que a gente imaginava.

-Nunca poderia imaginar que a minha mãe foi babá do Akito.

-Ainda não entendi os motivos de isso ter sido escondido de todos.

Tohru apenas acompanhava aquele pequeno diálogo entre os dois virando a cabeça na direção de quem estava falando. Ao ver a expressão de espanto no rosto da garota, Kyo se dá conta do que estava acontecendo.

-Tó indo na frente. Vou esperar a Saki na saída da estação de trem.

O possuído acaba de tomar o copo de leite e saí.

-Ele percebeu que estava conversando comigo.

-Me desculpe Yuki-kun, mas fiquei realmente muito espantada.

-Creio que não será tão fácil ficar amigo dele, mas farei de tudo para cumprir a minha promessa.

-Tenho certeza de que conseguirá.

Tohru dá um lindo sorriso de apoio ao Yuki, e ele também lhe retribui com um sorriso.

-Fiquei muito feliz ao saber que a senhorita está namorando o Momiji-kun.

Certamente ele é a pessoa perfeita para a Honda-san.

O garoto percebe que a garota apesar de ainda estar lhe sorrindo, tinha agora em seu olhar um aspecto mais triste.

#Eu preciso conversar com a Hana-chan....#

-Honda-san?!

-Ah... É melhor eu acabar de me arrumar. Não podemos nos atrasar.

A menina se levanta e o garoto percebe que alguma coisa estava a preocupando.

#Acho que ela ainda está se sentindo muito insegura.#

Yuki começa a se lembrar de tudo o que eles haviam passado no dia anterior. Ainda era difícil de acreditar que aquilo não tinha sido um pesadelo.

#Como será a nossa vida sem o kamisama?#

A colegial volta para a cozinha já com a sua maleta escolar e vê que o garoto estava com os pensamentos bem longe dali.

-Yuki-kun, assim irá se atrasar novamente.

-Eu só vou pegar o meu material.

O possuído corre para o quarto e a garota vai colocando os sapatos e o espera na frente de casa. Em pouco tempo os dois caminhavam para a escola.

-Acho que de tudo o que aconteceu ontem, o que me surpreendeu mais foi ver o Akito elogiando o Kyo.

-A senhorita Akito se esqueceu do ódio que ela sempre sentiu pelo Kyo.

-Sim. Ela o vê como se fosse apenas o seu primo.

-Yuki-kun... O senhor acha possível a gente se esquecer também daqueles que amamos?

-Eu acho que sim.

-Eu gostaria muito que isso não fosse verdade. Gostaria que os nossos bons sentimentos jamais fossem esquecidos. Que ele ficasse apenas adormecido num cantinho do nosso coração, mas que pudesse ser acordado quando fosse estimulado para isso.

-A senhorita está pensando na mãe do Momiji-kun, não é?

-Sim.... Teve uma época que a minha mãe também se esqueceu de mim.... Foi logo depois que o meu pai morreu.... A mamãe simplesmente deixou de se lembrar que eu existia, que ela me tinha ao seu lado... Era como se eu nunca tivesse nascido para ela.... Até que um dia, algo aconteceu e ela voltou para casa chorando e me pedindo desculpa..... Ela tinha se lembrado que eu existia. Eu acho que isso poderia acontecer com a Elisa-san também.

O garoto nada lhe responde, mas sabia que o caso da mãe do Momiji era bem diferente.

by DonaKyon

08/10/2009

146


-Ai... ai.... casa cheia é casa vazia.... que dia tivemos hoje....

O escritor praticamente se joga no sofá ao lado do local onde Akito estava sentada. Tohru voltava da cozinha trazendo algumas xícaras de chá para eles tomarem antes de dormirem. Kyo estava sentado no chão, encostando-se à parede e Yuki estava numa das cadeiras. Para todos que ali estavam aquela tarde tinha sido um pesadelo, mas agora estavam se sentindo um pouco mais tranqüilos. Akito olha para o rosto deles e percebe que cada um tinha uma alegria diferente em seu olhar.

Shigure olha para a Akito e também percebe que ela estava diferente depois que tinha ido até a biblioteca com o Hatori.

-Estou com um pouco de ciúmes, mas fazer o quê? Boa noite crianças. E Yuki, tente não perder a hora do colégio amanhã....

#Mas eu não posso reclamar, até que demorou muitos anos para ela encontrar alguém que deixasse aquele brilho em seu olhar.#

O escritor pega a sua xícara e sobe para o seu quarto.

-Aki-san, eu lhe emprestarei uma camisola e algumas peças de roupa para amanhã. O Ayame-san disse que a noite lhe trará um guarda-roupa novo.

-Tohru-chan, por que é que mora aqui com eles?

Kyo e Yuki ao ouvirem aquela pergunta olham para Akito. Era realmente espantoso ver que o patriarca não se lembra nem de suas próprias ações.

-Isso foi graças a você, Aki-chan. Eu fiquei órfã em maio, depois de um tempo morando com o meu avô tive que me mudar e não tinha onde morar. Quando você ficou sabendo do que estava acontecendo comigo, me permitiu morar aqui.

#Mal sabe a lesada das reais intenções que ele tinha.#

Kyo se levanta do chão e começa a subir as escadas sem ao menos falar “boa noite” para os outros que ficavam.

-Você pode até ser bem bonitinho, mas é muito mal educado.

ZA-ZAASHHH TUUMMMM

-KYOOO! O SENHOR SE MACHUCOU??

O garoto, ao escutar Akito o chamando de “bonitinho”, tinha caído de testa no meio do degrau da escada.

-É CLARO QUE NÃO ME MACHUQUEI. E BOA NOITE PRA VOCÊS!!!

O gato volta a subir a escada pisando bem mais firme dessa vez.

-Ele não deve considerar uma testa com um galo daquele tamanho como machucado.

Akito havia falado aquilo mais para ela mesma do que para os outros dois.

-hihihi....hihihi.... HIHIHIHI....... AHAHAHAHAHAH

Yuki não tinha conseguido se segurar, agora estava rindo bem alto.

-PARA DE RIR SEU RA... SEU CRETINO!!


O gato gritava do corredor dos quartos, e o Yuki começa a rir ainda mais, aquela era a primeira vez que tanto Akito como o Kyo ouviam os sons das risadas do possuído. Aquela cena parecia ser tão irreal que era impossível não rir.

As duas garotas olham para o possuído que estava chorando de tanto rir.

-É curioso, as duas são lágrimas.....

Akito olha para a Honda para entender sobre o que ela estava falando.

-Tanto as lágrimas de tristeza, como as lágrimas de alegria, são lágrimas, mas elas estão bem longe uma da outra.

-Sim... Mas em alguns casos, as duas são preciosos tesouros. Tudo vai depender dos sentimentos contidos nessas lágrimas.

-A senhorita tem razão.

Yuki apenas escutava aquela conversa, tentado controlar ao máximo o seu espanto ao escutar aquelas palavras do patriarca.

by DonaKyon

145



Hatori afasta os seus lábios dos dela, mas ficam ainda abraçados.

-Akito, você sabia que há algo nesse mundo que ninguém viu antes? É suave e doce. Talvez, se pudesse ser vista, todos lutariam por ela, por isso, ninguém nunca a viu.
Acho que foi por isso, que o Kamisama a escondeu de uma forma que ninguém pudesse facilmente colocar suas mãos nela. Aquele que a merecesse deveria definitivamente achá-la, e para encontrá-la, teria que sofrer muito antes, pois somente assim, é que iria conseguir enxergar o local onde ela estava escondida. Mas, o destino sabia que de algum jeito, algum dia, alguém a iria achar. Mesmo se essa pessoa ficasse quase cega, se ele realmente a merece-se, ele iria encontrá-la.

Hatori segura no queixo de Akito e levanta o seu rosto para ela lhe olhar. O seu coração batia muito acelerado. Depois de tantos anos, ele finalmente tinha percebido que a Akito sempre tinha lhe amado, que sempre tinha sofrido em silêncio por lhe amar. Ele não era amado pelo patriarca e nem pelo kamisama, era amado pela verdadeira Akito Sohma. Aquela suave e doce mulher que o kamisama tinha escondido numa pequena parte do coração do patriarca.

-Me perdoe, Akito. Me perdoe por ter te encontrado apenas agora. Eu precisei ficar quase cego; você precisou se esquecer de todo o seu passado, se esquecer de quem é, para que assim eu pudesse enxergar que o meu amor por você era correspondido. Eu sempre te amei, mas sempre quis fingir que não era o Hatori quem lhe amava, porque sempre acreditei que você nunca iria aceitar o meu amor, mas você sempre me amou. A Akito Sohma também sempre amou o Hatori Sohma.

Mesmo sem se recordar de seu passado, a garota já sabia que sentia algo diferente por aquele homem. Sentia em seu peito uma força que lhe lembrava que ela sempre esteve esperando por aquelas palavras.

-Hatori, obrigada.... De verdade, muito obrigada por não ter me falado tudo isso antes. Mesmo que eu tenha sofrido muito, ainda bem que não falou antes. Acredito que eu poderia até morrer se tivesse me esquecido dessa linda declaração que me fez agora.

-Não precisa se preocupar. Eu prometo, que se algum dia, você se esquecer de tudo novamente, eu prometo que lhe falarei tudo, palavra por palavra. E se novamente, o kamisama te esconder, eu juro que irei te procurar e te encontrarei.

-Me prometa outra coisa?

-O que é?

-Que me encontrará bem rápido.

-Eu prometo!

O médico primeiro lhe sorri e depois volta a lhe beijar delicadamente.

#Finalmente eu encontrei! E nunca mais quero me separar de você, Akito Sohma. Minha doce e suave, Akito.#

Toc toc

O som da batida da porta faz com que aquele beijo fique pela metade. Os dois se afastam um pouco e o médico manda a pessoa entrar.

-Harry, você vai voltar para a sede agora?

-Vou sim, Momiji. Pode deixar que levo você e o Haru-kun.

-Akito-san, a Hana-chan quer se despedir de você.

O patriarca volta para a sala. E assim que Hanajima a vê, percebe que as suas ondas estavam suaves e a áurea estava rosada, ela olha o médico entende o que havia acontecido.

#Então ele finalmente lhe falou os seus sentimentos.#

-Aa-chan, eu estarei aqui amanhã depois da escola. E aí a gente conversa mais sobre o seu passado e também sobre o seu presente.

É claro que a garota, ao falar sobre o “presente”, tinha olhado para o médico e lhe dado um sorrisinho. Os irmãos Hanajima se despedem de todos e vão embora pegando uma carona com o Ayame. Hatori se despede de todos da casa, deixando a Akito por último.

-Tente descansar bem essa noite. Como teremos a reunião na sede, virei à noite. Amanhã conversaremos sobre tudo.

-Sobre tudo o quê, Haa-san?

-Shigure, amanhã a gente se vê na reunião. Tente não se atrasar.

O médico e os dois possuídos voltam para a sede com o mesmo sentimento de que queriam passar a noite na casa do Shigure.

by DonaKyon

04/10/2009

144


Hatori se abaixa um pouco e lhe fala baixo para não atrapalhar as conversas paralelas da mesa.

-Akito, como ficará aqui, a gente precisa resolver uma coisa. Pode vir até a biblioteca?

A garota se levanta e segue o médico e o Kazuma até o escritório do escritor. Os outros ainda continuaram a mesa, conversando e rindo com as histórias dos dois amantes. O ambiente estava muito mais leve entre os possuídos agora.

-O que é, Hatori?

-Akito, você não se lembra, mas é a atual líder da nossa família. Está exercendo essas responsabilidades desde que o nosso antigo patriarca, o seu pai, faleceu.

A garota ao escutar aquilo precisa se sentar.

#Então eu não tenho pai. Eu não consigo nem me lembrar de seu nome ou rosto.#

-Como seu médico, lhe aconselho a se afastar dessa obrigação por um tempo. Acho que só deveria voltar à sede apenas depois que tivermos feitos todos os exames necessários, mas o clã não pode ficar sem alguém a sua frente.

-Eu tenho mãe?

-Tem, mas a sua mãe é muito doente.

-Tenho irmãos?

-Não.

-Se a Akito-san confiar em mim, eu fico como o patriarca dos Sohmas por esse tempo.

-O que preciso fazer?

-Por favor, escreva uma carta, dizendo que se afastará por alguns dias para tratamento médico e que eu serei a pessoa indicada por você para ser o patriarca durante a sua ausência.

Ela se levanta e vai até a mesa do escritor para escrever a carta. Kazuma sabia que as coisas no clã não seriam tão fáceis como tinha sido com ela, mas ele estava disposto a fazer tudo para ajudar aos possuídos, e o próprio kamisama. Akito escreve a carta e a entrega.

-Estou voltando para a sede agora Hatori. Marcarei uma reunião familiar amanhã pela tarde, e é muito importante que vocês três estejam lá.

-Estaremos. Eu avisarei na mansão assim que voltar para a sede.

Kazuma se despede dos dois e sai do escritório fechando a porta. Hatori se aproxima de Akito e lhe afaga os seus cabelos.

-Não se preocupe. Em breve se lembrará de tudo.

-E eu irei gostar de ter me lembrado?

-Algumas partes sim. Outras não.

A garota olha nos olhos do médico e lhe sorri.

-Eu ficarei muito feliz quando me lembrar de tudo o que o Shigure e o Ayame contaram.

Hatori sente um pouco de tristeza em seu peito. Era impossível ela se lembrar de algo que nunca tinha existido. Ao ver que o olhar do médico tinha ficado com um pouco de lágrimas, ela se levanta e segura a sua mão.

-De todos, o seu olhar foi o mais triste. Por que Hatori? Por que o seu olhar é o mais triste? Por que a sua mão tremia tanto? Naquela hora, eu senti vontade de chorar porque não conseguia me lembrar de você. Por quê? Por que só por você eu senti vontade de chorar quando não me lembrei quem era?

A garota abaixa a cabeça e fecha os olhos. Não conseguia entender o que estava acontecendo, mas naquele instante ela tinha começado a chorar.

-Por que é que está doendo tanto assim agora? Por que é que estou sofrendo por não me lembrar de você? Por que é que eu desejo tanto...tanto... tanto assim, me lembrar apenas de você e me esquecer de todo o resto?

#Ela sempre me amou...... A Akito sempre me amou....#

O médico segura em seu rosto e ela abre os olhos. O corpo de ambos estava tremendo muito naquele instante. Sem tirar os seus olhos dos olhos tão assustado de Akito, Hatori a abraça e vai aproximando os seus lábios dos dela, e apenas, quando suas bocas estavam separadas pela pequena linha vermelha do destino, é que ele fecha os seus olhos e lhe beija. Akito lentamente fecha os olhos, não sabia o que estava acontecendo, mas algo gritava dentro dela como se estivesse tentando lhe avisar que ela sempre tinha esperado por aquele beijo. Ela o abraça e lhe beija como se soubesse do quanto que o amava e de como havia sofrido por causa daquele amor.

by DonaKyon