17/10/2009

148


Haru e Momiji descem do carro e percebem que eles eram os primeiros a chegarem à escola. O pátio ainda estava vazio e silencioso.

-Nhooo... A Tohru-chan ainda não chegou.

-Daqui a pouco eles estão por aqui.

Haru caminha até o banco que ficava logo na entrada da escola e se senta. Momiji estava tão ansioso que sabia que não conseguiria ficar sentado enquanto esperava e fica olhando para a entrada da escola.

-Fica calmo. Daqui a pouco a Tohru-kun estará aqui.

-Até parece que o Haru-kun não quer ver o Yuki-kun?

-É claro que quero. #Se bem que apenas vê-lo é pouco para mim.#

Os dois garotos estavam ansiosos porque não tinham tido a oportunidade de conversarem calmamente com os eles. O desejo dos dois era de ter dormido na casa do Shigure, mas o médico não achou prudente. Eles tinham que agir na sede como se nada de errado estivesse acontecendo.

Aos poucos os alunos vão chegando para a aula e o pátio vai adquirindo som e vida.

-Com licença.

Os dois possuídos olham para as duas garotas que estavam na frente deles, e era difícil dizer qual das duas era a mais bonita. Uma era a aluna do 3 ano e presidente do Prince Yuki, Motoko Minagawa e a outra era a Asai Okada, a presidente do Prince Kyo e aluna do 2 ano.

-Vocês são primos dos Sohmas, não é mesmo?

-Sim... sim... Eu sou o Momiji Sohma e ele é o Hatsuharu Sohma.

-Não falei Minagawa-san. Eu sabia que eram primos deles. Os senhores sabem se eles virão as aulas hoje?

-E quem são vocês? – Haru pergunta num tom de desconfiança.

-Ah, me desculpe. Eu sou Asai Okada.

-E eu sou Motoko Minagawa.

-Eles virão sim. Vocês são amigas deles? – Momiji é quem responde.

-Somos as presidentes dos fãs-clubes deles
.
-NOSSAAA.... Eih Haru, será que a gente também vai ter um fã-clube?

-Se eu tiver, quero que elas adotem o estilo punk.

-Humm... O meu teria que ser do tipo mais meigo.

As duas garotas ficam olhando para os garotos, e a julgar pela beleza deles sabiam que em breve eles poderiam também ter os seus fã-clubes.

-Ah, no meu só poderia ter garotas bem bonitas.

-Ahh, e a Tohru-chan poderia ser a presidente do meu.

-Vocês já conhecem a brux... digo a Honda-san?

-É claro que sim, Minagawa-san. Ela é a minha namorada.

-OQUE???

As duas garotas gritavam espantadas na frente do possuído. Elas tinham certeza que a Honda estava tentando enfeitiçar o Yuki da mesma forma que a Hanajima tinha feito com o Kyo.

-Sim. A Tohru-chan e eu começamos a namorar ontem.

Motoko abre um sorriso no nível máximo ao escutar aquilo. Ela não tinha que se preocupar com mais nada, afinal a sua arqui-rival tinha percebido que nunca poderia ter nada com o Yuki e finalmente o garoto estava livre de sua influência nefasta.

-Até mais ver, Okada-san.

Haru tem que se segurar para não começar a rir, e a garota sai caminhando toda saltitante em direção de um grupo de garotas que a esperavam.

-Aposto que ela é a presidente do grupo do Yuki.

-Ah, se é assim, eu acho melhor que a Osaka-san deixe de ser a presidente do clube do Kyo.

-E por que eu deveria deixar de ser?

-Ah, já que a Tohru-chan é a minha namorada e será a presidente do meu clube, a Hana-chan tem que ser a presidente do clube do Kyo.

A garota engole a seco quando escuta aquilo, e começa a sentir que a sua pressão estava subindo. Não queria que a sua dedução estivesse correta e tenta falar o mais normal possível.

-E por que é que a Hanajima-san deveria ser a presidente do Prince Kyo?

-Uée... Porque ela é a namorada do Kyo.

Ao escutar aquilo, a garota fecha as duas mãos com o máximo de força que conseguia. Sentia que o seu sangue estava fervendo por dentro.

#Aquela bruxa enfeitiçou ele mesmo.... Mas não se preocupe, meu adorado príncipe de cabelos laranja, eu irei te libertar desse feitiço.#

A garota nem se despede dos garotos, passa reto por suas amigas e entra na escola sendo seguida por elas.

by DonaKyon

147


Yuki desce para a cozinha e ao escutar o som da voz da colegial conversando com o Kyo faz com que o garoto dê um sorriso de alegria.

#Ela continuará sendo a nossa amiga.#

-Bom dia Honda-san... bom dia.... K-kyo.

O gato o olha um pouco desconfiado, pois durante aqueles cinco meses que estavam morando juntos o rato nunca tinha lhe dado um “bom dia”.

-Muitíssimo bom dia Yuki-kun. Hoje o senhor não perdeu o horário.

-Sim. Mas a senhorita não parece que dormiu muito bem.

-Errr.... Acho que a senhorita Akito não está acostumada a dormir acompanhada na cama.

-Será que ele ficará muito tempo por aqui.

-Eu espero que sim. Assim a Honda-san e a Hanajima-san não terão as suas memórias apagadas.

-É muito estranho ver o patriarca assim. E saber que ele é uma mulher foi um grande choque.

-É pelo visto os Sohmas tem muito mais segredos do que a gente imaginava.

-Nunca poderia imaginar que a minha mãe foi babá do Akito.

-Ainda não entendi os motivos de isso ter sido escondido de todos.

Tohru apenas acompanhava aquele pequeno diálogo entre os dois virando a cabeça na direção de quem estava falando. Ao ver a expressão de espanto no rosto da garota, Kyo se dá conta do que estava acontecendo.

-Tó indo na frente. Vou esperar a Saki na saída da estação de trem.

O possuído acaba de tomar o copo de leite e saí.

-Ele percebeu que estava conversando comigo.

-Me desculpe Yuki-kun, mas fiquei realmente muito espantada.

-Creio que não será tão fácil ficar amigo dele, mas farei de tudo para cumprir a minha promessa.

-Tenho certeza de que conseguirá.

Tohru dá um lindo sorriso de apoio ao Yuki, e ele também lhe retribui com um sorriso.

-Fiquei muito feliz ao saber que a senhorita está namorando o Momiji-kun.

Certamente ele é a pessoa perfeita para a Honda-san.

O garoto percebe que a garota apesar de ainda estar lhe sorrindo, tinha agora em seu olhar um aspecto mais triste.

#Eu preciso conversar com a Hana-chan....#

-Honda-san?!

-Ah... É melhor eu acabar de me arrumar. Não podemos nos atrasar.

A menina se levanta e o garoto percebe que alguma coisa estava a preocupando.

#Acho que ela ainda está se sentindo muito insegura.#

Yuki começa a se lembrar de tudo o que eles haviam passado no dia anterior. Ainda era difícil de acreditar que aquilo não tinha sido um pesadelo.

#Como será a nossa vida sem o kamisama?#

A colegial volta para a cozinha já com a sua maleta escolar e vê que o garoto estava com os pensamentos bem longe dali.

-Yuki-kun, assim irá se atrasar novamente.

-Eu só vou pegar o meu material.

O possuído corre para o quarto e a garota vai colocando os sapatos e o espera na frente de casa. Em pouco tempo os dois caminhavam para a escola.

-Acho que de tudo o que aconteceu ontem, o que me surpreendeu mais foi ver o Akito elogiando o Kyo.

-A senhorita Akito se esqueceu do ódio que ela sempre sentiu pelo Kyo.

-Sim. Ela o vê como se fosse apenas o seu primo.

-Yuki-kun... O senhor acha possível a gente se esquecer também daqueles que amamos?

-Eu acho que sim.

-Eu gostaria muito que isso não fosse verdade. Gostaria que os nossos bons sentimentos jamais fossem esquecidos. Que ele ficasse apenas adormecido num cantinho do nosso coração, mas que pudesse ser acordado quando fosse estimulado para isso.

-A senhorita está pensando na mãe do Momiji-kun, não é?

-Sim.... Teve uma época que a minha mãe também se esqueceu de mim.... Foi logo depois que o meu pai morreu.... A mamãe simplesmente deixou de se lembrar que eu existia, que ela me tinha ao seu lado... Era como se eu nunca tivesse nascido para ela.... Até que um dia, algo aconteceu e ela voltou para casa chorando e me pedindo desculpa..... Ela tinha se lembrado que eu existia. Eu acho que isso poderia acontecer com a Elisa-san também.

O garoto nada lhe responde, mas sabia que o caso da mãe do Momiji era bem diferente.

by DonaKyon

08/10/2009

146


-Ai... ai.... casa cheia é casa vazia.... que dia tivemos hoje....

O escritor praticamente se joga no sofá ao lado do local onde Akito estava sentada. Tohru voltava da cozinha trazendo algumas xícaras de chá para eles tomarem antes de dormirem. Kyo estava sentado no chão, encostando-se à parede e Yuki estava numa das cadeiras. Para todos que ali estavam aquela tarde tinha sido um pesadelo, mas agora estavam se sentindo um pouco mais tranqüilos. Akito olha para o rosto deles e percebe que cada um tinha uma alegria diferente em seu olhar.

Shigure olha para a Akito e também percebe que ela estava diferente depois que tinha ido até a biblioteca com o Hatori.

-Estou com um pouco de ciúmes, mas fazer o quê? Boa noite crianças. E Yuki, tente não perder a hora do colégio amanhã....

#Mas eu não posso reclamar, até que demorou muitos anos para ela encontrar alguém que deixasse aquele brilho em seu olhar.#

O escritor pega a sua xícara e sobe para o seu quarto.

-Aki-san, eu lhe emprestarei uma camisola e algumas peças de roupa para amanhã. O Ayame-san disse que a noite lhe trará um guarda-roupa novo.

-Tohru-chan, por que é que mora aqui com eles?

Kyo e Yuki ao ouvirem aquela pergunta olham para Akito. Era realmente espantoso ver que o patriarca não se lembra nem de suas próprias ações.

-Isso foi graças a você, Aki-chan. Eu fiquei órfã em maio, depois de um tempo morando com o meu avô tive que me mudar e não tinha onde morar. Quando você ficou sabendo do que estava acontecendo comigo, me permitiu morar aqui.

#Mal sabe a lesada das reais intenções que ele tinha.#

Kyo se levanta do chão e começa a subir as escadas sem ao menos falar “boa noite” para os outros que ficavam.

-Você pode até ser bem bonitinho, mas é muito mal educado.

ZA-ZAASHHH TUUMMMM

-KYOOO! O SENHOR SE MACHUCOU??

O garoto, ao escutar Akito o chamando de “bonitinho”, tinha caído de testa no meio do degrau da escada.

-É CLARO QUE NÃO ME MACHUQUEI. E BOA NOITE PRA VOCÊS!!!

O gato volta a subir a escada pisando bem mais firme dessa vez.

-Ele não deve considerar uma testa com um galo daquele tamanho como machucado.

Akito havia falado aquilo mais para ela mesma do que para os outros dois.

-hihihi....hihihi.... HIHIHIHI....... AHAHAHAHAHAH

Yuki não tinha conseguido se segurar, agora estava rindo bem alto.

-PARA DE RIR SEU RA... SEU CRETINO!!


O gato gritava do corredor dos quartos, e o Yuki começa a rir ainda mais, aquela era a primeira vez que tanto Akito como o Kyo ouviam os sons das risadas do possuído. Aquela cena parecia ser tão irreal que era impossível não rir.

As duas garotas olham para o possuído que estava chorando de tanto rir.

-É curioso, as duas são lágrimas.....

Akito olha para a Honda para entender sobre o que ela estava falando.

-Tanto as lágrimas de tristeza, como as lágrimas de alegria, são lágrimas, mas elas estão bem longe uma da outra.

-Sim... Mas em alguns casos, as duas são preciosos tesouros. Tudo vai depender dos sentimentos contidos nessas lágrimas.

-A senhorita tem razão.

Yuki apenas escutava aquela conversa, tentado controlar ao máximo o seu espanto ao escutar aquelas palavras do patriarca.

by DonaKyon

145



Hatori afasta os seus lábios dos dela, mas ficam ainda abraçados.

-Akito, você sabia que há algo nesse mundo que ninguém viu antes? É suave e doce. Talvez, se pudesse ser vista, todos lutariam por ela, por isso, ninguém nunca a viu.
Acho que foi por isso, que o Kamisama a escondeu de uma forma que ninguém pudesse facilmente colocar suas mãos nela. Aquele que a merecesse deveria definitivamente achá-la, e para encontrá-la, teria que sofrer muito antes, pois somente assim, é que iria conseguir enxergar o local onde ela estava escondida. Mas, o destino sabia que de algum jeito, algum dia, alguém a iria achar. Mesmo se essa pessoa ficasse quase cega, se ele realmente a merece-se, ele iria encontrá-la.

Hatori segura no queixo de Akito e levanta o seu rosto para ela lhe olhar. O seu coração batia muito acelerado. Depois de tantos anos, ele finalmente tinha percebido que a Akito sempre tinha lhe amado, que sempre tinha sofrido em silêncio por lhe amar. Ele não era amado pelo patriarca e nem pelo kamisama, era amado pela verdadeira Akito Sohma. Aquela suave e doce mulher que o kamisama tinha escondido numa pequena parte do coração do patriarca.

-Me perdoe, Akito. Me perdoe por ter te encontrado apenas agora. Eu precisei ficar quase cego; você precisou se esquecer de todo o seu passado, se esquecer de quem é, para que assim eu pudesse enxergar que o meu amor por você era correspondido. Eu sempre te amei, mas sempre quis fingir que não era o Hatori quem lhe amava, porque sempre acreditei que você nunca iria aceitar o meu amor, mas você sempre me amou. A Akito Sohma também sempre amou o Hatori Sohma.

Mesmo sem se recordar de seu passado, a garota já sabia que sentia algo diferente por aquele homem. Sentia em seu peito uma força que lhe lembrava que ela sempre esteve esperando por aquelas palavras.

-Hatori, obrigada.... De verdade, muito obrigada por não ter me falado tudo isso antes. Mesmo que eu tenha sofrido muito, ainda bem que não falou antes. Acredito que eu poderia até morrer se tivesse me esquecido dessa linda declaração que me fez agora.

-Não precisa se preocupar. Eu prometo, que se algum dia, você se esquecer de tudo novamente, eu prometo que lhe falarei tudo, palavra por palavra. E se novamente, o kamisama te esconder, eu juro que irei te procurar e te encontrarei.

-Me prometa outra coisa?

-O que é?

-Que me encontrará bem rápido.

-Eu prometo!

O médico primeiro lhe sorri e depois volta a lhe beijar delicadamente.

#Finalmente eu encontrei! E nunca mais quero me separar de você, Akito Sohma. Minha doce e suave, Akito.#

Toc toc

O som da batida da porta faz com que aquele beijo fique pela metade. Os dois se afastam um pouco e o médico manda a pessoa entrar.

-Harry, você vai voltar para a sede agora?

-Vou sim, Momiji. Pode deixar que levo você e o Haru-kun.

-Akito-san, a Hana-chan quer se despedir de você.

O patriarca volta para a sala. E assim que Hanajima a vê, percebe que as suas ondas estavam suaves e a áurea estava rosada, ela olha o médico entende o que havia acontecido.

#Então ele finalmente lhe falou os seus sentimentos.#

-Aa-chan, eu estarei aqui amanhã depois da escola. E aí a gente conversa mais sobre o seu passado e também sobre o seu presente.

É claro que a garota, ao falar sobre o “presente”, tinha olhado para o médico e lhe dado um sorrisinho. Os irmãos Hanajima se despedem de todos e vão embora pegando uma carona com o Ayame. Hatori se despede de todos da casa, deixando a Akito por último.

-Tente descansar bem essa noite. Como teremos a reunião na sede, virei à noite. Amanhã conversaremos sobre tudo.

-Sobre tudo o quê, Haa-san?

-Shigure, amanhã a gente se vê na reunião. Tente não se atrasar.

O médico e os dois possuídos voltam para a sede com o mesmo sentimento de que queriam passar a noite na casa do Shigure.

by DonaKyon

04/10/2009

144


Hatori se abaixa um pouco e lhe fala baixo para não atrapalhar as conversas paralelas da mesa.

-Akito, como ficará aqui, a gente precisa resolver uma coisa. Pode vir até a biblioteca?

A garota se levanta e segue o médico e o Kazuma até o escritório do escritor. Os outros ainda continuaram a mesa, conversando e rindo com as histórias dos dois amantes. O ambiente estava muito mais leve entre os possuídos agora.

-O que é, Hatori?

-Akito, você não se lembra, mas é a atual líder da nossa família. Está exercendo essas responsabilidades desde que o nosso antigo patriarca, o seu pai, faleceu.

A garota ao escutar aquilo precisa se sentar.

#Então eu não tenho pai. Eu não consigo nem me lembrar de seu nome ou rosto.#

-Como seu médico, lhe aconselho a se afastar dessa obrigação por um tempo. Acho que só deveria voltar à sede apenas depois que tivermos feitos todos os exames necessários, mas o clã não pode ficar sem alguém a sua frente.

-Eu tenho mãe?

-Tem, mas a sua mãe é muito doente.

-Tenho irmãos?

-Não.

-Se a Akito-san confiar em mim, eu fico como o patriarca dos Sohmas por esse tempo.

-O que preciso fazer?

-Por favor, escreva uma carta, dizendo que se afastará por alguns dias para tratamento médico e que eu serei a pessoa indicada por você para ser o patriarca durante a sua ausência.

Ela se levanta e vai até a mesa do escritor para escrever a carta. Kazuma sabia que as coisas no clã não seriam tão fáceis como tinha sido com ela, mas ele estava disposto a fazer tudo para ajudar aos possuídos, e o próprio kamisama. Akito escreve a carta e a entrega.

-Estou voltando para a sede agora Hatori. Marcarei uma reunião familiar amanhã pela tarde, e é muito importante que vocês três estejam lá.

-Estaremos. Eu avisarei na mansão assim que voltar para a sede.

Kazuma se despede dos dois e sai do escritório fechando a porta. Hatori se aproxima de Akito e lhe afaga os seus cabelos.

-Não se preocupe. Em breve se lembrará de tudo.

-E eu irei gostar de ter me lembrado?

-Algumas partes sim. Outras não.

A garota olha nos olhos do médico e lhe sorri.

-Eu ficarei muito feliz quando me lembrar de tudo o que o Shigure e o Ayame contaram.

Hatori sente um pouco de tristeza em seu peito. Era impossível ela se lembrar de algo que nunca tinha existido. Ao ver que o olhar do médico tinha ficado com um pouco de lágrimas, ela se levanta e segura a sua mão.

-De todos, o seu olhar foi o mais triste. Por que Hatori? Por que o seu olhar é o mais triste? Por que a sua mão tremia tanto? Naquela hora, eu senti vontade de chorar porque não conseguia me lembrar de você. Por quê? Por que só por você eu senti vontade de chorar quando não me lembrei quem era?

A garota abaixa a cabeça e fecha os olhos. Não conseguia entender o que estava acontecendo, mas naquele instante ela tinha começado a chorar.

-Por que é que está doendo tanto assim agora? Por que é que estou sofrendo por não me lembrar de você? Por que é que eu desejo tanto...tanto... tanto assim, me lembrar apenas de você e me esquecer de todo o resto?

#Ela sempre me amou...... A Akito sempre me amou....#

O médico segura em seu rosto e ela abre os olhos. O corpo de ambos estava tremendo muito naquele instante. Sem tirar os seus olhos dos olhos tão assustado de Akito, Hatori a abraça e vai aproximando os seus lábios dos dela, e apenas, quando suas bocas estavam separadas pela pequena linha vermelha do destino, é que ele fecha os seus olhos e lhe beija. Akito lentamente fecha os olhos, não sabia o que estava acontecendo, mas algo gritava dentro dela como se estivesse tentando lhe avisar que ela sempre tinha esperado por aquele beijo. Ela o abraça e lhe beija como se soubesse do quanto que o amava e de como havia sofrido por causa daquele amor.

by DonaKyon

03/10/2009

143


O patriarca estava tendo que fazer tudo por ela mesma, e não estava se saindo muito bem. Havia derramado muita coisa pela mesa antes de colocar no prato. Hatori dá um pequeno sorriso e vai se sentar no único lugar disponível e que ficava próximo da Hanajima e do irmão dela. Apesar de tudo, era divertido ver Akito naquela situação tão desastrada.

#Como eu vou a convencer para que fique aqui por alguns dias? Para ela, não posso dar a mesma desculpa que darei na sede.#

Hanajima olha para o médico e depois vira o rosto e olha para a Akito.

-Aa-chan, por que é que não fica aqui, na casa do Shigure-san, por alguns dias?

-Mas por quê? Eu não moro na sede?

-Sim, mas não acha que a sua memória poderia voltar mais rápido se ficasse mais tempo comigo e a Tohru-chan?

-E por que é que não vão para a sede comigo?

-É que a gente não se sente muito bem lá. A sua família é bem tradicional e cheia de etiquetas. A Aa-chan mesmo estava pensando em morar um tempo fora da sede. Nos últimos tempos, sempre falava que estava se sentindo muito presa e cheia de coisas para fazer, e que queria umas férias.

Akito coloca o hashi sob a mesa. Não adiantava duvidar da amiga, se ela estava falando aquilo é porque era a verdade. Mas, não saber nada do seu passado a estava deixando muito angustiada. Naquelas horas que tinha conversado com as garotas, pouco tinha perguntado sobre ela mesma, não sabia o que fazia antes, se ia a uma faculdade, quem eram os seus pais, não sabia nem que idade tinha. Ela olha para todos que estavam comendo e conversando naquela mesa, e já se sente um pouco mais familiarizada com eles.

#Talvez a Saki-chan tenha razão. Acho que vou me sentir pior na sede, lá haverá muito mais rostos estranhos. E eu estou me sentindo bem aqui com elas. #

Hatori se limitava a escutar a conversa das duas, mas sem demonstrar que ouvia tudo, continuava comendo de cabeça baixa e em silêncio.

-Tem razão Saki-chan.... Acho que ficaria melhor se ficasse aqui por um tempo.
Hanajima segura em sua mão e lhe sorri.

-Verá como isso te fará se sentir bem melhor.

#Muito obrigado, Hanajima!#

Saki apenas olha para o médico e depois chama a Tohru, que até então conversava com o Momiji, para falar a novidade.

-Ela disse “de nada”.

-O Hanajima-kun também consegue ouvir os pensamentos?

-Não. É que conheço muito bem a Saki-chan. Aquele olhar dela para você queria dizer isso.

-Como descobriu a nossa maldição?

-O Kyo me contou ontem. Por algum motivo, a Saki-chan não consegue ouvir os pensamentos dele e ele quer que eu descubra o porquê para que assim ela deixe de escutar os pensamentos dos outros também.

-Entendi.

-Portanto, se tiver que apagar as memórias das garotas, terá que apagar as minhas também.

O menino volta a comer, e o médico novamente observa a Akito.

#Será que ela se lembrará depois de tudo isso? ... Eu deveria ter me especializado em neurologia como o meu pai queria.#

O jantar ocorre de maneira muito descontraída. O Shigure e o Ayame começaram a inventar várias histórias divertida da infância da Akito com o trio amigos do peito, e faziam aquilo tão bem, que todos estavam começando a acreditar que tudo era verdade. Diziam que naqueles dias em que ela ficaria na casa, eles iriam contar muitas outras histórias do passado vergonhoso da garota. Ao final do jantar, Akito sentia que estava um pouco mais próxima dos primos. Hatsuharu estava sentado a sua frente e durante todo o jantar, ela ficou vendo o machucado em seu rosto, sem se lembrar que tinha sido feito por ela mesma.

-Hatsuharu, como foi que se machucou assim?

-Err... Foi numa briga que tive essa tarde.

-Tomará que não fique marca. Você parece ser bem vaidoso, acho que isso te deixaria um pouco chateado.

-É você tem razão..... Mas, talvez tenha valido a pena ganhar essa marca.

A garota não entendeu o que ele estava falando, mas não teve a oportunidade de continuar a conversa, porque o médico estava ao seu lado e lhe chamava.

by DonaKyon

01/10/2009

142


Yuki que estava em pé, assim como os demais, abaixa a cabeça e continua falando a respeito da carta.

-Ele falou de uma carta que ela tinha deixado dizendo que não suportava mais estar ao lado dele, e que se ao menos ele fosse o possuído pelo rato, eles teriam sido felizes.... E que o Kyo me odiava por causa daquilo. Por que a mãe dele tinha desejado ser a mãe do rato.

Mesmo não se sentindo mais culpado pela morte de sua mãe, era difícil para o garoto escutar tudo aquilo.

-Mas o que me chamou a atenção hoje é que, no final, quando Akito me disse que eu tinha conseguido a proeza de ter sido odiado por todos, ele naquele momento me olhou da mesma maneira que o Kyo sempre me olhava, estava cheio de ódio por mim. Eu acredito que Akito também me culpava pela morte da Eiko-san, e foi por isso que ele começou a me torturar.

Shigure para um pouco para pensar.

-Sim... Isso faz sentindo. Creio que o descontrole emocional da Akito começou após a morte da Eiko-san.

-A Saki me falou que o patriarca achava que a minha mãe só deu a luz ao possuído do gato como sendo uma punição ao fato dela ter gostado dele.

-Akito me falou isso ontem também. Ela mencionou que a maldição do kamisama era perder todos aqueles que gostassem dela.- Hatori fala olhando para os demais.

-Acho que nem o pai do Kyo sabe da existência dessa tal carta. Ele nunca me contou nada a respeito disso.

-Provavelmente isso ficou apenas entre o pessoal da mansão. Nem mesmo eu sabia de tal carta.

#Pelo visto irei descobrir muitos outros segredos depois que estiver na mansão do patriarca.#

-Talvez a Yoko-san seja a única pessoa que saiba de todos os segredos do clã.

-Talvez, Tori-san? Eu tenho certeza! Aquela velha está há muitos séculos como a governanta da mansão, acho até que ela está ali o mesmo tempo que existe a maldição nos Sohmas.

-Sim, a Yoko-san já estava na sede quando eu nasci.

-Foi isso mesmo Megumi-kun... A Tohru-chan tomou um banho com a água do tofu e tudo ficou no chão.... A Uo-chan depois falou que o tofu fez muita falta no missoshiro.

-A Arisa-chan acredita que a Tohru-chan, naquele dia, correu tão rápido que era possível que ela ganhasse até uma medalha de ouro numa competição.

-E depois, quando já estávamos dentro da minha casa, levei a maior bronca da Uo-chan. Falou que sabia se virar sozinha.


Hanajima tinha falado um pouco mais alto que o normal para chamar a atenção dos demais que elas estavam voltando para a sala e o Shigure faz sinal para eles voltarem para lá. Ainda custava muito para todos verem aquela pessoa na frente deles. Akito estava ajudando as garotas a colocar os pratos na mesa, justamente ela, que nunca tinha precisado ir até a cozinha para conseguir um copo de água, agora estava arrumando a mesa para o jantar.

Akito escutava mais do que falava. Ainda estava se sentindo muito confusa e estranha. Mas, escutar a história de quando a Tohru-chan tinha conhecido a outra amiga de escola delas, estava sendo muito divertido para ela. E ela sorria de uma maneira muito tranqüila.

Hatori é o último a voltar para a sala. Todos os outros já tinham escolhido um lugar e estavam sentados. Akito estava sentada quase na ponta da mesa, no meio das duas garotas. Era evidente que ela só estava conseguindo se sentir um pouco mais a vontade com elas. Ele fica por algum tempo apenas olhando para Akito. Para ele, aquela garota não era tão estranha assim, sentia como se a tivesse olhado de relance naqueles últimos dias. Parecia que a tinha visto correndo pela sua frente, mas que depois ela tinha ido se esconder num lugar muito escuro e de difícil acesso, dentro do coração do patriarca.

#A primeira vez que a encontrei foi quando ela acordou daquele pesadelo e começou a chorar imaginando que tinha me ferido novamente. Após tantos anos, eu descobri o quanto que ela sofria por ter quase me cegado.#

by DonaKyon