31/07/2009

116


#É bom ver o Kyo querendo proteger alguém. Sempre imaginei que nenhuma seria capaz de alcançar o seu coração. Fiquei muito curioso para conhecer essa garota, como será que ela é? #

-Mestre, o pivete do irmão da Hanajima falou que vai pesquisar sobre a minha maldição também.

-Mas o que ele irá pesquisar?

-Ele acha que pode ter uma maneira de acabar com a maldição.

-Seria ótimo, nada me faria mais feliz no mundo se a maldição do meu filho acabasse.

-Eu não sei se ficaria tão feliz com isso. Se isso acontecesse, a minha mãe se matou por nada.

-Isso ainda te machuca muito. Mesmo depois de tantos anos ainda se sente culpado pela morte da Eiko-san.

-Apenas o senhor é quem nunca me culpou pela morte dela. Todo o resto do clã afirma que ela se matou por minha causa

-Eu não sei o que a levou a cometer tal ato. Mas lhe garanto que a Eiko-san não se matou por sua culpa. Você pode não acreditar, mas a sua mãe realmente lhe amou muito.

-Ela nunca me amou mestre. Ela nunca aceitou o que eu era, foi por isso que ela não suportou viver ao meu lado.

Kazuma sabia que não adiantava tentar provar ao filho que ele estava errado e que a sua mãe havia lhe amado muito, ele apenas coloca a mão sob seus cabelos laranja e lhe sorri docemente.

Kyo se levanta e caminha até a janela da sala e fica observando os alunos que estavam treinando no Dojo.

#Eu preciso convencer o Haru a não contar nada para o Akito. Mesmo sendo faixa preta eu nunca conseguiria proteger a Hanajima caso o Akito lhe fizesse algo. Eu me odeio por ter nascido assim, por ter nascido dentro desse clã tão maldito.#

Kazuma fica ainda sentado olhando para bracelete do possuído e se lembra do seu avô.

#O meu avô viveu aprisionado a sua vida toda, mas mesmo assim ele teve uma esposa e filhos. A minha avó sempre cuidou do meu avô só porque sentia pena dele, ela nunca o amou. O meu pobre avô nunca foi amado por ninguém, nem mesmo por mim. O Kyo não consegue ver que tem muito mais sorte do que teve o seu antecessor. A Eiko-san sempre lhe amou muito. Ele encontrou duas garotas “normais” que o aceitaram como ele é. E até mesmo o carinho de outros possuídos ele conseguiu ter.#

-Mestre, por que é que a gente deseja tanto proteger a alguém?

-Protegemos alguém por vários motivos.

Kyo se vira e olha para o seu mestre que ainda se mantinha serenamente sentado no tatame.

-Quais motivos?

-Os motivos dependem de qual pessoa estará protegendo. Por exemplo, eu lhe protejo porque você é o meu filho. Qualquer sofrimento que passa será o meu sofrimento também. Mas também protejo o Kunimitsu porque sinto por ele uma grande amizade.

O possuído volta a olhar pela janela, já estando satisfeito com aquela resposta. Kazuma dá um pequeno sorriso e se levanta, ficando ao lado do Kyo.

#Logo você irá descobrir que também podemos desejar proteger alguém porque essa é a pessoa mais importante da nossa vida. Porque a amamos.#

-Vendo o pessoal treinar está me dando uma tremenda vontade de lutar.

-Vá treinar um pouco então. O Kunimitsu gosta muito quando você participa das aulas dele.

Kyo lhe olha sorrindo e depois pula a janela correndo até o Dojo.

#Ele não faz idéia de como esse seu sorriso é importante para mim. É esse sorriso que me faz sentir menos culpado por ter ignorado o meu avô.#

by DonaKyon

29/07/2009

115


-E você gosta do Haru?

-Não. Eu até que achei que gostava, mas depois vi que não gosto como ele disse que gosta de mim e como que a ratazana gosta dele...

-O que está lhe preocupando tanto assim?

Kyo olha para o mestre. De fato aquele homem o conhecia muito bem, ele era como se fosse o seu verdadeiro pai. Era a única pessoa que se preocupava realmente com ele.

-Estou com medo do que o patriarca poderá fazer a Hanajima.

-Mas Akito-san não fez nada contra a Tohru.

-Sim. Mas a Tohru não era a minha “namorada”. O senhor sabe o quanto que Akito me odeia.

-Mas essa garota não é a sua namorada. Basta vocês falarem que inventaram essa história.

-Fizemos um acordo de mentir por um mês. Não posso voltar com a minha palavra.... E também, eu quero ajudá-la.

Kazuma se espanta um pouco ao escutar aquilo, essa era a primeira vez que via o Kyo querendo ajudar alguém.

-Ajudá-la?

-Sim.... O senhor se lembra que lhe contei que ela tem um dom estranho?

-Me lembro.

-Então, esse dom é como uma maldição também. Desde pequena ela escuta os pensamentos dos outros e sente uns lances de ondas das pessoas. Acontece que agora ela não consegue mais ler os meus pensamentos e nem sentir as minhas ondas. Ela tem um irmão que está tentando entender o porquê que isso aconteceu para assim acabar com a maldição dela.

-Não é por causa da maldição do Jûnishi

-Não. Ela continua escutando os pensamentos dos outros possuídos, e os meus ela também escutava antes da gente se beijar.

-Ah, vocês se beijaram....

-Humm, se bem que pelo que ela falou isso até aconteceu antes da gente se beijar. Será que ela deixou de ouvir os meus pensamentos depois de ver a minha verdadeira forma?

-Ah, ela viu a sua verdadeira forma...

Kazuma não queria demonstrar o quanto que estava espantado por saber que o filho tinha beijado alguém, que estava preocupado com ela, que queria ajudá-la e que até tinha lhe mostrado a sua verdadeira forma. Mas era impossível controlar a agitação que estava sentindo por dentro.

-Eu deveria ter contado isso para o pivete. Pode ser que isso explique. Acho que aquela maluca nem se lembrou disso.

-O que essa garota falou quando viu a sua verdadeira forma?

-Ela disse que eu não era nenhum monstro, que era apenas alguém com uma maldição.

-Entendo.

-Amanhã vou falar isso para ela. Eu quero que a maldição dela acabe logo. Deve ser um saco ficar escutando os pensamentos dos outros. Lá na escola, o pessoal até a chama de bruxa.

-Hum.. Eu gostaria de conhecer essas jovens. Já faz alguns meses que a Tohru está morando na casa do Shigure e eu ainda não a conheci. Como se chama a outra jovem?

-Saki Hanajima.

O homem percebe que ao dizer o nome da garota tinha surgido um brilho especial no olhar do Kyo.

#Será que o Kyo está gostando dessa garota? Eu não posso perguntar isso para ele. Se ele perceber que está gostando dela poderia querer se afastar dela. Mas nunca o vi dessa maneira.#

-Mestre, o que será que Akito poderia fazer contra a Hanajima?

-É muito difícil saber quais serão as ações de Akito-san. Ele pode não fazer nada como fez com a Tohru ou até mesma a mandar apagar a memória da Hanajima como fez com os amiguinhos do Yuki-kun.

-Ou até mesmo a ferir como feriu o Hatori.

-Isso não. Acredito que ele não iria ferir a garota, mas você.....

-Não me importa o que Akito poderá fazer comigo. Nunca me importei com isso e não será agora que irei me importar. Só não quero que ela saia ferida por minha culpa.

-Você quer a proteger tanto assim?

-O pivete nunca iria me perdoar se algo acontecesse com a irmã dele.

-Então converse com o Haru-kun. Seria melhor o patriarca não saber disso por enquanto.

-É. Vou falar com ele.

by DonaKyon

26/07/2009

114


Kyo esperava o retorno do seu mestre e pai adotivo que tinha ido a seu pedido até a sede para saber sobre o paradeiro do Haru. O possuído estava sentado no tatame em sua antiga sala, na única casa que tinha sido de fato um lar para ele. Apesar de já estar acostumado com a casa do Shigure, ele não tinha a sensação de estar em sua casa, se sentia mais como um hóspede.

#Não consigo nem imaginar como teria sido a minha vida se o Mestre não tivesse me adotado naquele dia..... no dia do funeral da minha mãe....#

O garoto se estica no chão e fica olhando para o teto. Queria se livrar daquelas dolorosas lembranças, mas não estava conseguindo.

#Será que o crime da Hanajima é tão grave quanto o meu? Qual seria a cara dela se soubesse do meu crime? Certamente ela pensaria que eu de fato sou um monstro...... Ou será que ela seria como o Mestre? Será que ela também acharia que eu não tenho culpa na morte da minha mãe?#

O garoto escuta passos e volta a ficar sentado. Kazuma entra na sala com um leve sorriso nos lábios e se senta na frente do filho.

-O Haru-kun não está na sede.

-Ele está lá na casa do Shigure. Liguei para lá agora a pouco.

-Irá me contar a razão do seu desespero para encontrar o Haru-kun?

-Mestre... Mais uma garota da minha classe sabe sobre a maldição dos Sohmas.

Kazuma o olha espantado, agora eram duas as pessoas de fora que sabiam da maldição do Jûnishi.

-Como foi que ela descobriu?

-Ela já sabe faz muito tempo da maldição. Essa garota tem um dom estranho. Ela consegue escutar os pensamentos das pessoas, e ela escutou os pensamentos da ratazana nojenta no primeiro dia de aula.

-E essa garota guardou esse segredo até agora?

-Sim. Ela nos contou que já sabia nesse final de semana quando foi para as termas com a gente. Ela é amiga da Tohru.

-E o patriarca já sabe disso?

-Não.

-É difícil imaginar o que o Akito-san fará quando souber, mas como ele confiou na Tohru, quem sabe ele não confiará nessa garota também?

Kyo abaixa a cabeça e fecha as duas mãos.

Kazuma que já conhecia tão bem o filho sabia que o garoto fazia aquela expressão que tinha em seu rosto apenas quando estava muito preocupado com alguma coisa.

-O que te preocupa, Kyo?

-Mestre.... Essa garota.... A Hanajima.... Bem.... O Haru.... Aquele idiota do Haru quer contar tudo ao patriarca porque está com ciúmes dela.

-O Haru-kun gosta dessa garota?

Kyo engole a seco, não sabia como iria explicar tudo o que tinha acontecido para o seu pai adotivo.

-Não... Ele não gosta da Hanajima.... É que... A Hanajima e eu... A gente.... A gente não, na verdade foi aquela maluca. Aquela doida inventou que a gente tá namorando.
-E por que ela inventou isso?

Kyo fecha os olhos não queria ver a expressão que o mestre faria ao escutar o que iria lhe contar.

-É que o Haru começou a implicar com a Hanajima, começou até a lhe ofender quando a gente tava lá nas termas. Eu não sei o porquê, mas fiquei com raiva dele por causa disso. Acabei o socando, mas depois disso eu o beijei. Mas eu não sinto nada pelo Haru. Quer dizer, eu gosto dele, mas não é assim dessa maneira. Eu nem sei o que me deu naquele dia. Aí, no outro dia o idiota daquele coelho barulhento contou para os outros o que tinha acontecido, e aí a Hanajima inventou uma história de que aquilo tinha sido uma aposta que ela tinha feito comigo. Que se eu tivesse coragem de beijar um homem ela aceitaria o meu pedido de namoro. O Haru está com raiva dela por que ele acha que a gente está realmente namorando.

-Então o Haru-kun quer contar porque está com raiva, e não por ciúmes.

Kyo abre os olhos, mas ainda fica olhando para o chão.

-O Haru descobriu que gosta de mim.

-Mas ele sempre disse que gostava do Yuki-kun.

-O lesado disse que gosta de nós dois.

O homem percebe o quanto que o filho estava constrangido por lhe contar tudo aquilo e também o quanto que estava preocupado.

by DonaKyon

24/07/2009

113


Shigure e Yuki chegam em casa e encontram o Ayame desligando o telefone.

-Quem que era Ayaa? Não vai me dizer que era a maluca da minha editora?

-Nan nani na não. Era apenas o Kyon Kitty. Ele está lá no Dojo. Ligou para saber se o Haru-kun tinha saído de casa. Como o gato não pode entrar na sede e nem o encontrou lá no Dojo, queria saber se a nossa vaquinha malhada tinha se perdido pelo caminho até a escola. Aí, eu, que sou todo generoso e prestativo, lhe fiz o enorme favor de lhe dizer que o Haa-kun estava aqui em casa, nos braços do meu lindo e adorado irmãozinho, aquele que era de fato o seu único príncipe encantado.

-Essa não! Ele tinha que ter ido para o Dojo justo agora?

-Uée, Guretti, o que tem de novidade nisso? O Kyon Kitty não treina há vários anos lá no Dojo com a triste ilusão de que algum dia conseguiria desmanchar o penteado do meu lindo irmãozinho numa luta? Sim, desmanchar o seu maravilhoso penteado, porque vencer o meu amado Yuki está muito longe das possibilidades daquele Kyon Kitty.

-É que o Haa-kun está pensando em contar ao patriarca sobre a Hanajima-chan e o Kyo. Ele foi lá para a sede.

-Não brinca!

Ayame se senta no sofá e Yuki percebe que o irmão também havia ficado muito preocupado, assim como o Shigure.

-Dá para a gente fazer alguma coisa Guretti?

-Eu acho que agora muito pouco. A não ser torcer para o Haa-kun mudar de idéia.

-Não imaginava que vocês se importassem tanto assim com aquele gato idiota.

-É que o meu amado irmãozinho não conhece a história. Akito-san odeia o Kyon Kitty.

-Mas isso eu já sei.

-Não Yuki. O Ódio de Akito-san pelo Kyo vai além do fato dele ser o possuído pelo gato. Na verdade a mãe do Kyo era muito querida pelo patriarca quando ele era mais novo. A Eiko-san trabalhava lá na sede, até o dia em que ela se casou com o pai do Kyo.

-Akito-san culpa o Kyo pela morte da Eiko-san. Ela acha que ele é o assassino de sua própria mãe.

-Eu já sabia que a mãe dele tinha se matado. Mas nunca imaginei que ela tivesse cuidado do patriarca.

-Yuki, imagina o que o patriarca poderá fazer se souber que o Kyo tem a sua frente à possibilidade de ser feliz? De que ele encontrou uma pessoa “normal” que é capaz de aceitá-lo mesmo com a maldição que tem.

-Se no caso do Tori-san, Akito-san perdeu o controle e acabou o ferindo, imagina o que poderá fazer com o Kyon Kitty.

-Pouco me importa o que o patriarca irá fazer com o gato...

Yuki havia feito aquele desabafo enquanto ia se sentando no outro sofá, ao lado de onde estava sentados o Ayame e o Shigure, e os dois possuídos ficam lhe olhando. Aquele não era o Yuki que eles sempre tinham visto.

-É impressão minha, ou o seu ódio pelo Kyo aumentou?

-É provável que tenha aumentado.

-Mas amado irmãozinho, não irá se importar mesmo se algo terrível acontecer ao Kyon Kitty? Mesmo que o patriarca lhe tire até a sua vida? Mesmo assim não irá se importar?

Ao escutar aquilo é que Yuki percebe o quanto que era grave aquela situação. Ele já conhecia as crueldades de Akito, mas nunca tinha imaginado que ele poderia chegar até a esse ponto, de tirar a vida de um dos possuídos.

-Yuki-kun, o kamisama é o dono das nossas vidas. Ele tem todo o direito de acabar não só com a vida do Kyo como a de qualquer um de nós.

-Mas Akito-san chegaria a esse ponto?

-Chegaria sim. Estamos falando do possuído pelo espírito do gato.
O rato percebe que o seu ódio pelo gato não era tão grande a ponto de desejar a sua morte.

#Eu não o odeio tanto assim. Não quero que aquele gato idiota morra. Se o Kyo morresse, a Honda-san ficaria muito triste, e o Haru se sentiria muito culpado.#

-Shigure, não podemos fazer nada mesmo? Deveríamos tentar falar com o Haru antes de ele chegar à sede. Tenho certeza que se ele souber disso, não irá contar nada ao patriarca.

-Nós poderíamos tentar, né Guretti? Yuki, o Haa-kun foi como para a sede?

-Ele foi a pé.

-Ele ainda não teve tempo de chegar até a sede. O meu motorista está aí fora. Vamos de carro e o esperamos no portão principal da sede. Assim, lhe contamos tudo e ele desistirá dessa idéia.

-Vamos tentar.

Shigure e os dois irmãos se levantam do sofá e vão para a sede para tentar evitar que algo terrível pudesse acontecer.


by DonaKyon

22/07/2009

112


-Quer dizer que você pode ser egoísta, mas eu não posso? Você não quer dividir o gato idiota com a Hanajima, mas eu tenho que aceitar te dividir com o Kyo.

Haru tinha plena consciência de que estava magoando o Yuki ao lhe falar aquilo, mas aquele desejo era mais forte que ele. O possuído pelo boi, que até então mantinha os braços ao lado do corpo, abraça o rato e encosta o rosto em seu ombro podendo assim sentir o seu suave perfume.

-Me desculpe Yuki. Mas eu não consigo evitar. Isso é muito mais forte do que eu.... Passei a noite toda acordado pensando numa maneira de me livrar desse sentimento pelo Kyo, mas não consegui nada. Eu preciso de vocês dois.

Yuki podia sentir a tristeza de Haru. Diferentemente do que ele tinha imaginado o possuído pelo boi também estava sofrendo com aquela situação.

-Haru...

-Esse meu desejo de ter vocês dois até parece que é uma doença.

Haru fala com um tom bem baixo em sua voz, mas que foi escutado pelo Yuki. O boi se afasta um pouco do primo e lhe olha nos olhos.

-Me desculpe Yuki.... Preciso voltar para a sede.

-Por favor, Haru. Por favor, não conte nada ao patriarca. Não só pelas garotas, mas porque todos do clã ficaram ainda mais agitados do que quando a Honda-san descobriu. E também de que adiantaria apagar a memória da Hanajima-san? Ela irá descobrir tudo novamente quando ler os nossos pensamentos...

Os dois garotos escutam passos de alguém que estava se aproximando de onde estavam e olham na direção de onde vinham os sons e vêem que o Shigure se aproximava deles.

-Hei garotos. O almoço está pronto.

-Eu estou voltando para a sede Sensei.

Haru coloca as mãos nos bolso e pega a trilha que levava até a rua. Yuki fica ainda mais ansioso do que antes, tinha medo do Haru contar ao patriarca sobre a Hanajima.

-Shigure... Será que o patriarca aceitaria que mais uma pessoa soubesse da nossa maldição?

-Está perguntando com relação à Hanajima-san?

-Exatamente.

-O Haru está com tanto ciúmes assim da garota?

Yuki apenas confirma que sim com a cabeça.

Shigure começa a caminhar em direção da casa sendo seguido pelo Yuki. O escritor estava um pouco pensativo e o possuído percebe que algo o incomodava muito.

-Yuki.... acho que teremos sérios problemas pela frente....

-Mas não vai adiantar apagar a memória da Hanajima-san. Ela descobrirá tudo novamente depois... E também, não acho que ela irá aceitar tranquilamente essa decisão. Todos da escola tem medo dela. Há boatos de que ela até matou um garoto na sua escola anterior.

-Aquela menina tão bonitinha fez isso?

-A Honda-san nunca falou que isso era verdade, provavelmente é apenas uma história inventada. Mas, é fato que ela tem um dom muito forte.

-Que tipo de dom?

-Eu não sei ao certo. Parece ser algo relacionado com ondas...

-Ondas? Hum.. Preciso perguntar isso para a Tohru-kun.

-Acha que o patriarca pode mandar apagar a memória da Honda-san também?

-Akito-san é muito imprevisível sempre. Devemos nos preparar para tudo.

-O Hatori não pode fazer isso... Não podemos punir a Honda-san dessa maneira.

-Você será capaz de ir contra uma decisão do patriarca?

Yuki apenas abaixa a cabeça. Era obvio que ele nunca conseguiria contrariar ao Kamisama.

-Tampouco eu seria capaz de contrariar Akito-san.

-Tudo isso é culpa daquele gato idiota. Por que ele tinha que começar a namorar a Hanajima-san?

#Pobre do Kyo... Agora que encontrou alguém que o aceitou, corre o risco de ficar sem essa pessoa. Akito-san não tomará a mesma atitude que teve com relação à Tohru-kun.#

by DonaKyon

20/07/2009

111


Yuki estava cuidando da sua base secreta, precisava daquilo para tentar se acalmar um pouco. Mexer com as plantas era algo que sempre lhe fazia muito bem. Tinha ido até o supermercado com o Haru, mas durante todo o caminho os dois garotos não chegaram a conversar nada. Cada um ficou preso aos seus medos e pensamentos.


-Foi o Haa-kun que veio me procurar pedindo para que viesse morar comigo. Ele sempre se preocupou muito com você. Sempre fez de tudo para aliviar seu sofrimento.


#Nunca imaginei que a idéia de eu morar com o Shigure tinha sido do Haru. Eu sempre o tratei com certa distancia. Quantas vezes quando ele me dizia que me amava eu o desprezei. Foi por isso que ele começou a gostar do Kyo. Mesmo sendo grosso, aquele gato estúpido sempre o tratou melhor do que eu. Ele até mesmo teve coragem para beijar o Haru antes de mim..... Na verdade, eu só beijei o Haru porque não queria perder para aquele idiota. Senti-me desafiado. Mas agora..... agora quero o Haru só para mim. Porém, para isso, tenho que fazer com que ele me ame de corpo e alma.#

Haru chegava até a base e se encosta-se a uma das árvores. Coloca as mãos nos bolsos da calça e fica admirando o primo. Ele queria muito se desculpar com o Yuki, mas não sabia como iria fazer aquilo. Sabia que tinha magoado o possuído quando o deixou sozinho sob o telhado e desceu atrás do Kyo.

#Tudo seria mais fácil agora. Já tenho o Yuki para mim, por que quero também o Kyo?#

Ao se lembrar do Kyo, ele se recorda da briga dos dois durante a madrugada e fecha um pouco o semblante. Não conseguia digerir o beijo do Kyo em Hanajima.

#Tá certo que ela é bem gostosinha, mas não acho que ela saiba beijar melhor do que eu. Definitivamente não irei perder o Kyo para aquelazinha.#

Yuki percebe que tinha alguém por perto e levanta a cabeça olhando para os lados, encontrando o Haru encostado na árvore. Era impossível o coração não bater um pouco mais rápido, mas ele continua a cuidar de suas plantas sem falar nada. O possuído caminha até onde o garoto estava abaixado e se senta ao seu lado.

-Sua plantação está bem maneira...

-Sim.

-Não fique ao bravo comigo.

-Não estou bravo com você, mas sim comigo mesmo.

-Uhmm, por que? Só porque cabulou a aula de hoje?

-É CLARO QUE NÃO É POR ISSO! #Como ele consegue ser tão tapado? #

-Não consigo entender então. O que fez de errado?

-Ah, deixa para lá...

-Então tá...Vou indo nessa...

Haru se levanta e começa a tirar o pó de terra de suas calças.

-Não vai almoçar aqui?

-Não! Tenho que ir para a sede. Está na hora de eu ter uma conversinha com o patriarca.

-OQUE?

Yuki imediatamente se levanta e fica parado na frente do Haru.

-Vou contar ao patriarca que aquela garota descobriu a nossa maldição.

-VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! VOCÊ MESMO QUE NÃO PRECISAVAMOS FALAR NADA AO PATRIARCA.

-Isso foi antes...

-...ANTES DE ELA BEIJAR O KYO. É ISSO, NÃO É? QUER FAZER ISSO POR QUE ESTÁ COM CIÚMES.

-É exatamente isso. Estou cheio de ciúmes e vou acabar com a brincadeira dela.

-Por que Haru? Não está vendo que isso irá magoar a Tohru, a Hanajima, e até mesmo o idiota do gato.

-Eu não ligo para as garotas, e com relação ao Kyo, estou fazendo isso para o bem dele.

- Não Haru. Está fazendo isso por puro egoísmo.

-Sim! Estou mesmo, mas amar é ser egoísta.

Yuki ao escutar aquilo o abraça bem forte.

-Eu também sou egoísta! Eu quero você inteiro só para mim. Não quero ter que te dividir com mais ninguém, nem com o Kyo, nem com a Rin, como mais ninguém.

-Lamento Yuki... Eu não posso abrir mão do Kyo....

O coração do rato parecia que estava sangrando.


by DonaKyon

18/07/2009

110


-Até mesmo nós, os possuídos, nos afastamos dele. Ignoramos-lhe por muitos anos. Se o senhor Kazuma não tivesse me pedido, ou melhor, me implorado para que ele viesse morar comigo longe da sede, acho que nunca teria tido a oportunidade de lhe conhecer melhor.

Apesar do rumo da conversa entre o escritor e o médico ter mudado um pouco, internamente nada havia mudado em Hatori. Ele volta a acender mais um cigarro e senta-se no sofá ao lado do Shigure.

-Vamos torcer para que não tenha que apagar as memórias da Hanajima-san.

-Se o kamisama me ordenar, nada poderei fazer.

-Sim, essa seria uma decisão do nosso kamisama. É ele quem protege o segredo de nossa maldição.

-Exatamente! Naquele dia não foi para o kamisama que você pediu para se casar, mas sim para o patriarca dos Sohmas.

-Mas ela me respondeu como sendo o Kamisama dos possuídos. Por isso não me deu permissão para me casar com a Kana.

Hatori se lembra da conversa anterior que teve com o escritor, e novamente a dúvida que lhe ocupava a mente, tinha se tornado ainda maior.

-Shigure....

-O que foi Haa-san?

-Depois da nossa conversa de ontem..... Não, esquece! Eu acho que estou ficando louco!

O médico se levanta do sofá e vai apagar o cigarro que ainda estava pela metade no cinzeiro que estava em cima da mesa de trabalho do escritor.

-Se o próprio médico está dando o laudo, eu não serei contra.

-Shigure..... Akito-san não me deu autorização para me casar com a Kana por ser uma mulher?

O cão apenas olhava ao primo que estava voltando para se sentar no sofá ao seu lado.

-Será que Akito-san sentia alguma coisa por mim?

#Finalmente ele percebeu!#

-Estou com esse pensamento desde ontem, mas acho que é loucura. Nunca que o kamisama poderia se apaixonar por um de seus possuídos.

-Ela se apaixonar por mim quando era criança.

-Mas era diferente. Ela nem sabia ao certo o que era ser o kamisama.

Shigure sente um pouco de pena do possuído ao ver o quanto que ele estava apavorado com a idéia de que poderia ser amado de uma maneira especial pelo kamisama e era por isso que tentava desesperadamente encontrar explicações e a comprovação de que estava errado.

-Você conversou sobre isso com Akito-san?

-É claro que não! Nunca que iria comentar isso com ela.

-Sei.

-Esquece. Isso foi apenas uma imaginação minha. Acho que estava bem próximo de ser uma alucinação até.

O médico se levanta do sofá ainda mais agitado do que estava. Verbalizar o que estava sentindo só tinha feito que tudo parecesse ainda mais impossível de ser verdade.

#Como eu pude ter essa idéia? É claro que Akito-san não permitiu o meu casamento por conta da nossa maldição, e não porque ela nutria algum tipo de sentimento por mim. Quanta pretensão a minha de imaginar que Kamisama pudesse sentir algo por mim.#

O escritor volta a senta-se de uma maneira tão relaxa no sofá e apenas fica o observando. Ele não se achava no direito de contar ao Hatori sobre os sentimentos da Akito. Aquilo tinha que ser resolvido entre os dois apenas.
-Estou voltando para a sede.

-Vá com cuidado, Haa-san. Passarei por lá ainda essa semana.

O médico e o Shigure vão até a cozinha para ele se despedir dos demais, mas apenas encontra o Ayame que estava sentado a mesa, criando alguns novos figurinos.

-Ayaa, onde estão os garotos?

-O meu amado, lindo, maravilhoso, fantástico, perfumado, inteligente e adorado irmãozinho e o Haru-kun foram dá uma voltinha. A meu pedido, que estou desejando fazer um maravilhoso almoço hoje, para comemorarmos o dia em que o meu amado irmão tomou o seu primeiro café da manhã com a minha ilustríssima pessoa, eles foram até o supermercado buscar alguns ingredientes que estavam faltando. O nosso maravilhoso e talentoso médico ficará para almoçar conosco?

-Não. Tenho que voltar para a sede agora. Até mais, Ayame.

Hatori é acompanhado pelo dono da casa até a porta. Shigure podia perceber que o médico estava pior do que havia chegado. Entretanto, mesmo sentindo pena do primo, ele não consegue deixar de se divertir com aquela situação. Ao ver o Hatori, o que sempre tinha sido o senhor todo certinho, sangue frio e racional durante toda a sua vida naquele estado era algo que alegrava o escritor. Seu estado era de pânico, mas ao mesmo tempo continha uma certa gentileza.

by DonaKyon