07/06/2009

92


Hatori caminhava ainda mais pensativo à medida que ia se aproximando da mansão de Akito. Quando chega diante do caminho que levava diretamente a porta principal da casa, o médico para de caminhar. Ainda estava sob o efeito da bebida, o que o deixava um pouco mais aliviado, porque essa era a sua desculpa de que não era nada daquilo que ele tinha imaginado. Ele olha todas as janelas da mansão, sabia que as janelas do quarto do patriarca ficavam no fundo da casa, mas sente um pequeno frio na espinha ao imaginar que Akito poderia surgir a qualquer instante por detrás daquelas janelas e ele poderia lhe ver um pouco.

O médico tira a longa franja da frente do olho quase cego e fica com a mão em cima dele. Ainda podia sentir o caco de vidro do fino jarro entrando em seu olho esquerdo. Aquela sensação sempre havia lhe doído muito mais em sua alma do que no olho ferido. Graças aquele ferimento ele tinha perdido a única mulher que tinha amado em toda a sua vida. A mulher que o amava, e que o tinha aceitado mesmo ele sendo a aberração que era. Porém naquele instante, não era esse sofrimento que lhe vinha à mente, mas sim a dor de Akito, aquela dor que ele nunca imaginou que tinha sentindo e que ele descobriu há algumas semanas atrás, quando o patriarca tinha acordado desesperada de um pesadelo, no qual tinha sonhado que o tinha ferido gravemente.

O possuído senta-se na beirada de cimento de um dos lindos canteiros de flores que enfeitavam a frente da mansão principal da sede. O médico acende um cigarro e repara que aquelas eram as flores de tsubaki que Akito tanto gostava. Hatori fecha com força a mão esquerda. Não queria aceitar que aquilo fosse verdade.

#Não é isso. Eu pensei naquilo por causa da bebida. Eu bebi muito mais do que deveria com o Shigure. Onde já se viu imaginar que Akito poderia ter me ferido naquele dia por ser uma mulher. Não isso nunca! Ela nunca teria me ferido por causa de ciúmes feminino. Se fosse assim, isso significaria que ela gostava de mim, o que é totalmente impossível.#

Hatori estava longe em seus pensamentos e nem viu na hora que a governanta da casa se aproximou dele.

-Boa noite Doutor Hatori. Ainda bem que está aqui.

-O que aconteceu com Akito-san?

O médico já estava de pé, pronto para correr até o quarto do patriarca.

-Não é nada com o senhor patriarca. É uma das empregadas que não está se sentindo bem.

O coração do médico batia mais aliviado, por saber que não era nada com Akito.

-Como o senhor patriarca tem uma certa simpatia pela empregada, é por isso que achei melhor ir atrás do senhor ao invés de a mandar até um hospital.

-Akito-san se simpatizando por uma empregada?

-Sim.... Após tantos anos.

-Eu irei examiná-la.

O médico apaga o cigarro e acompanha a governanta para dentro da mansão. Tudo era de um absoluto silêncio, e poucas luzes estavam acessas. Sua vontade era de perguntar de Akito, mas ele não acha conveniente. O caminho até os quartos das empregadas não passava próximo do quarto de Akito, por isso o médico sabia que era muito baixa a possibilidade de se encontrar com o patriarca.

A mulher de uns 29 anos estava deitada em sua cama. O médico ao ver o rosto da jovem compreende o porquê que o patriarca tinha se simpatizado com aquela pessoa.

#Ela se parece muito com a mãe do Kyo.#

A empregada estava ardendo de febre, e pouco conseguia conversar com o médico, só falava que estava com dor no estômago. O médico a examina e lhe receita algo para aliviar a sua dor.

-Não é nada grave, acredito que amanhã já estará se sentindo melhor.

O médico olha novamente para a jovem e antes que ele fale alguma coisa, a governanta faz o comentário.

-Sim, ela lembra muito a Eiko-san.

-É por isso então que Akito-san se simpatizou com ela?

-Acha mesmo que não posso me simpatizar por ninguém, Hatori?

by DonaKyon

06/06/2009

91


Tohru demora uns segundos para entender o porquê que o gato estava mentindo, mas depois ela se lembra da ameaça do Haru de contar tudo sobre o Kyo e a Hanajima para o senhor patriarca.

-Simm... Ele te arrumou?

-Não. E cadê a nossa janta, sua lesada? Daqui a pouco não vai trabalhar? Vai me deixar sem comida, é?

-Não... É claro que não! O senhor se esqueceu de que eu mudei de trabalho?

-Eih Kyon-Kyon.... A Tohru-kun não é a nossa empregada para falar dessa maneira com ela. Olá Haru-kun.

-Boa noite Sensei.

Haru se levanta da cama e fica ao lado do Kyo, passando o braço ao redor do seu pescoço. O gato fica muito desconfortável com aquilo, ele não queria que a colegial visse aquelas atitudes entre eles, mas também não sabia muito bem a razão de querer tanto esconder aquilo.

#Por que tenho esse sentimento de que estou fazendo a coisa errada?#

-Eih Kyo, vai acabar ficando doente assim. Cuidado, por que acredito que o Haa-san não está em condições de dirigir até aqui essa noite.

O gato aproveita aquela desculpa e se afasta rapidamente de Haru pegando a primeira camiseta que vê na gaveta.

-Sensei, posso dormir aqui essa noite?

Kyo que estava vestindo a camiseta para com o objeto no pescoço e começa a suar um pouco frio.

#Por que ele quer dormir aqui essa noite?#

-Hummm..... Por mim pode sim. Mas irá dormir em qual quarto, no do Kyo ou no do Yuki?

Ao escutar aquela pergunta Kyo cai sentado no chão, e olha com os olhos arregalados para os três, seu coração estava muito acelerado, ele não sabia o que seria pior naquele momento, se era o Haru responder que queria dormir com o Yuki ou no seu quarto.

-Ah... sei lá.... não posso dormir no seu quarto, sensei?

-AHAHAHAHAHAHA..... Tinha que ser o Haa-kun mesmo.... AHAHAHAHAHAH..... Dependendo do motivo por que quer dormir no meu quarto, acho que o Ayaa-san não irá aprovar..... AHAHAHAH

-Eu irei preparar a janta para cinco agora mesmo.

A garota vai antes para o seu quarto para trocar de roupa e o Shigure caminha em direção do banheiro para tomar um banho no ôfuro. Haru caminha até o Kyo que ainda estava sentado no chão e se abaixa para falar em seu ouvido.

-Se prepare. Virei te visitar de madrugada!


O coração do garoto batia muito acelerado enquanto que o Hatsuharu calmamente caminhava para fora do quarto.

#Eu não posso acreditar. Ele não está pensando que eu irei deixar que ele entre no meu quarto.#

Kyo se levanta do chão e vai até a porta do seu quarto para espiar se o Haru tinha entrado no quarto do Yuki.

-Buuuu.... Sabia que ia fazer isso.

Haru estava escondido ao lado da porta e assim que o gato coloca a cara para fora para olhar o corredor ele aparece na sua frente. Kyo fica ao mesmo tempo um pouco envergonhado e muito nervoso, ele entra no quarto e fecha a porta com força.

#Hehehe... Ele tem ciúmes do Yuki. Isso quer dizer que eu posso estar errado. Tentarei mais uma vez essa madrugada.#

-O senhor está descendo?

-Não. Vou terminar a minha lição.

Haru entra no quarto do Yuki e o encontra ainda sentado na escrivaninha, aparentemente o garoto estava calmo, e parecia que tinha passado todo o tempo fazendo a sua tarefa escolar, mas na verdade, o possuído não tinha conseguiu fazer nenhuma conta, conjugar nenhum verbo, responder a nenhuma questão de história. Havia passado aqueles minutos com o coração na mão e morrendo de ciúmes do Haru com o Kyo.


by DonaKyon

04/06/2009

90


Haru dá um pequeno sorrisinho e praticamente gruda o seu corpo no do Kyo.

-Em um homem foi. Você terá que se responsabilizar por isso.

Kyo fica um pouco aflito com aquela aproximação do Haru e imediatamente ele se lembra que ele tinha roubado o primeiro beijo da Hanajima. Ele estica os braços, fazendo com que o primo se afaste um pouco.

-E então?

-Então o que? Se eu tenho que me responsabilizar porque te beijei, imagina o que aquela ratazana maldita terá que fazer então. Eu vi vocês pelados debaixo daquela mesa. Eu sei que vocês fizeram aquilo.

-Ahh. Isso é ciúmes, Kyo? Não precisa ficar assim. O Yuki já sabe que eu gosto de você?

-OQUE?

-Sim, eu gosto de você. Sempre gostei de você....

-E a ratazana?

-Eu sempre gostei de você e sempre amei o Yuki. Eu quero ficar com vocês dois!

-Que?

Haru volta a se aproximar do Kyo e o abraça. O garoto fica imediatamente com o rosto corado e com os olhos arregalados, sentia que o coração do primo estava batendo mais forte, mas não consegue erguer os seus braços para abraçá-lo também.

-O que há de errado em querer ficar com vocês dois? Eu sempre precisei de vocês dois. Eu só posso ser completo com vocês dois.

Aquela declaração havia pegado o gato desprevenido. Ele não sabia o que falar. Ele sempre tinha gostado do Haru, mas nunca tinha imaginado que ele também sentia o mesmo. O boi leva a mão até a nuca do garoto e segura a sua cabeça e o beija. Kyo sentia a língua do Haru dentro de sua boca, mas não entendia o que estava acontecendo. Ele fecha os olhos, e começa a beijá-lo também, mas a imagem da Hanajima ainda estava em sua cabeça. Ele tenta mais uma vez se concentrar naquele beijo, afinal ele sempre tinha gostado do Haru, e agora sabia que o primo também gostava dele. O garoto se esforça para sentir aquela sensação que sentia quando beijava a colegial, mas era em vão. Ele não conseguia sentir nada.

Haru percebe que o beijo do Kyo não era como os beijos do Yuki. Na verdade ele já tinha percebido isso, mas achava que era pelo fato do garoto estar nervoso quando o tinha beijado pela primeira vez. Ele tenta beijá-lo com mais desejo, mas não é retribuído da mesma maneira pelo primo. O boi acaba desistindo e afasta os seus lábios dos deles, mas ainda se mantém abraçado.

-Você não gosta de mim?

-.......

-Então?

-.......

Kyo o afasta e caminha até a cama onde se senta, mas se mantem de cabeça baixa e segurando suas mãos. Seu coração estava batendo um pouco acelerado e ao mesmo tempo muito doído. Ele não conseguia olhar para o Haru que também tinha se sentado ao seu lado.

Yuki se segurava para não entrar no quarto, estava escondido atrás da porta, e o seu coração estava muito machucado por ter visto o beijo dos dois. Os três garotos ficam em silêncio por alguns instantes, e conseguem escutar o barulho da porta se abrindo quando o Shigure e a Tohru chegam. Yuki corre para o seu quarto, fechando a porta do quarto e sentando-se na escrivaninha, Kyo imediatamente se levanta da cama, e Haru o olha muito espantado. No rosto do gato estava visível que ele tinha feito aquilo para a colegial não o visse sentado na cama ao lado do primo.

-Muitíssimo boa noite Kyo. Muitíssimo boa noite Hatsuharu-kun. Kyo, como foi a conversa do senhor com o Megumi-kun?

Tohru estava tão ansiosa para saber se o irmão da Hanajima tinha descoberto alguma coisa sobre o porquê que a amiga não conseguia sentir as ondas do Kyo e nem de ler os seus pensamentos que assim que o vê, depois das formalidades dos cumprimentos, já faz a pergunta sem se importar pelo fato do Haru estar no quarto. O possuído pelo espírito do boi percebe que o gato estava com os olhos arregalados para cima da garota e com uma enorme vontade de lhe mandar calar a boca.

-Quem é o Megumi-kun?

-É o irmão da Ha....

-É o irmão de uma colega nossa que ficou de me arrumar um bico.

-Quer trabalhar por quê? A sua mesada não está dando?

by DonaKyon

01/06/2009

89


#Por que será que as luzes de casa estão todas apagadas?#

Kyo estava chegando em casa e estranha o fato de que não havia uma única luz acesa na casa. A essa hora, normalmente, a Tohru estava cuidando do jantar antes de ir trabalhar como faxineira num prédio do centro da cidade. Se durante a tarde toda tinha se esquecido da raiva que estava sentindo do Yuki foi só chegar em casa para se lembrar dela, e ao ver que as luzes estavam apagadas o faz crer que não precisaria ver a cara da ratazana naquela noite. Ele iria comer algo e ficar o resto da noite em seu quarto ou no telhado da casa. O possuído abre e vê que os sapatos do Yuki estavam ali e havia mais um sapato que ele conhecia. Kyo arranca os seus com pressa, largando-os de qualquer jeito e sobe correndo as escadas.

#Ratazana maldita....#

O gato chega até o corredor dos quartos e vê uma pequena quantidade de luz saindo de baixo da porta do quarto do Yuki.

#Não acredito que o Haru seja tão sem-vergonha assim. Eles estão fazendo aquilo aqui em casa, sem se importarem com a Tohru e o cão.#

Kyo caminha até a porta e fica parado diante dela. Não sabia se abria a porta ou não. Sua vontade era de abri-la e de lutar com o Yuki. Estava com tanto ódio, que tinha quase certeza de que dessa vez o venceria. Porém, não queria abri-la e vê os dois numa cena de amor.

O garoto fecha com forças as duas mãos e abaixa a cabeça. Queria pensar no que tinha que fazer.

#Ele só está fazendo isso para me provocar. Ele nunca gostou do Haru. Sempre desprezou os sentimentos do Haru. E agora, só porque eu o beijei, ele começou a fazer essas coisas com o Haru.#

Kyo se recorda do dia que beijou o Haru nas termas. Ele estava evitando pensar no que tinha feito, mas agora não conseguia mais. Na sua mente estava a imagem do Haru com a boca machucada devido ao soco que tinha levado dele, porque ele tinha ofendido a Hanajima.

Ao se lembrar da colegial, vêem a sua mente a imagem dela soltando os cabelos e depois do beijo que tinha acabado de lhe dar. O seu corpo treme todo ao se lembrar dos dois beijos que tinha dado na garota.

#Por que será que na hora que eu beijei o Haru eu só consegui pensar que estava beijando a Hanajima? Por que não senti nada quando o beijei, mas quando beijo a Hanajima parece que há um vulcão dentro de mim.#

Por mais que tentasse não conseguia encontrar uma resposta.

-Sabia que era você, Kyo.

Kyo levanta a cabeça e encontra Haru parado na sua frente com o mesmo jeito lesado de sempre, ele olha para dentro do quarto e vê que o Yuki estava sentado na escrivaninha, e que pelo jeito os dois estavam estudando.

-Hunf...

O possuído pelo espírito do gato começa a caminha até o seu quarto sendo seguido pelo primo, o que deixo o Yuki um pouco aflito.

-Kyo, onde estava até agora?

-Não te interessa!

-Estava com aquelaz....

Haru ia falar “aquelazinha”, mas ao ver o olhar fulminante do Kyo para cima dele, ele muda a frase.

-.... garota amiga da Tohru?

Kyo acha melhor não responder aquela pergunta, já estava com muita coisa para pensar e não queria ter que enfrentar o Haru na sua forma Black. Ele começa a tirar o uniforme escolar sem se importar do primo estar no quarto com ele.

-Por que me beijou no sábado?

O garoto não estava esperando aquela pergunta tão direta. Sabia que um dia teria que conversar com o Haru sobre aquele beijo, mas nunca tinha imaginando que o primo iria direto ao assunto. Ele tira uma bermuda da gaveta e a veste em silêncio. Haru conhecia muito bem ao Kyo e sabia que ele só respondia as coisas que o incomodavam quando era confrontado. O boi caminha até o garoto o encostando contra a parede.

-Está querendo fugir da sua responsabilidade agora?

-DO QUE É QUE ESTÁ FALANDO?

Haru segura no queixo do Kyo, se aproximando um pouco mais dele e fica lhe olhando fixamente.

-Você roubou um beijo.

-Hehe, vai me falar que aquele tinha sido o seu primeiro beijo?


by DonaKyon

29/05/2009

88


#Os Sohmas são realmente muito curiosos. Existe uma coisa neles que o afastam dos outros. Mesmo eu que sou uma Sohma por causa do meu marido, não sei nada deles, e eles parecem que fazem questão de me ignorarem. Será que é porque eu não sou uma japonesa?#

Elisa percebe que o Hatori a olha mais uma vez, só que dessa vez percebe também uma certa hostilidade em seu olhar.

#Isso não é uma impressão minha. Parece que ele me odiar. Mas por quê? Eu nunca lhe fiz nada...#

Momo solta da mão da mãe e a mulher olha para ver onde a menina tinha ido.

-Eu vou falar com o papai, Momi-kun. Quem sabe o papai não me deixa ter aulas de violino junto com você?

Momiji lhe sorri um pouco nervoso, imaginando que o pai fosse brigar com ele, mas ao mesmo tempo estava feliz por poder sonhar um pouco que poderia passar algumas horas do dia com a sua irmã. A menina vai até a Tohru para se despedir e depois atravessa a rua de mão dada a mãe e voltam para casa.

-A Honda-san quer conversar comigo agora?

-O que é que a Tohru-chan quer falar com o Harry?

-Ahahahahah.... Ela vai se declarar para o nosso charmoso médico, Momicchi....

Ao escutar aquilo, Momiji se aproxima da Tohru com um olhar cheio de piedade.

-É isso mesmo, Tohru-chan?? Você gosta do Harry?

-NÃO... NÃO... NÃO É VERDADE! Eu... Eu só quero lhe perguntar algo sobre a Elisa-san...

-Sobre a minha mãe?

-Sim. É possível o efeito da hipnose passar com o tempo?

-Não. Isso nunca aconteceu antes. Por que está perguntando isso?

-É que a Elisa-san me contou que às vezes ela tem a sensação de que se esqueceu de algo muito importante.

-Talvez ela estivesse se referindo a outra coisa. É impossível que ela se lembre do Momiji.

-Mas ela fala no Momiji-kun com muito carinho.

-É por que ela pensa que sou apenas um sobrinho qualquer.

Tohru percebe que aquele era um assunto que machucava muito o garoto e acha melhor não continuar. Não queria dar falsas esperanças para o possuído, e se o médico tinha falado que era impossível que a mulher lembrasse o que aconteceu, não adiantava continuar com aquela conversa.

-Tenha muito cuidado Momicchi. A sua irmã não pode descobrir a verdade sobre a maldição.

-Eu sei Shii-chan.

-Momiji-kun, o senhor aceitaria almoçar comigo e as minhas amigas?

-Sim... sim...

-Ah, Honda-san. O Shigure me contou que uma amiga sua descobriu o segredo da maldição.

-Não se preocupe senhor Hatori. A Hana-chan nunca irá contar para ninguém.

-A minha maior preocupação não é essa. Mas sim o fato dela estar namorando o Kyo. Se Akito-san descobrir isso, temo que algo muito ruim poderá lhe acontecer.

Tohru já sabia que o namoro era uma farsa entre os dois, mas não se acha no direito de contar tudo para eles.

-Será que Akito-san nunca nos deixará ter uma vida um pouco normal?

Diferentemente de todas as outras vezes que o médico escutava alguém falando mal de Akito, dessa vez ele sente um pouco de irritação.

-Momichi, dentre todos nós, Akito-san é a pessoa que tem a sua vida bem mais longe de ser normal.

-E é por isso que o patriarca faz o que faz?

Hatori faz uma menção de responder ao coelho, mas percebe que não poderia lhe falar nada, uma vez que não poderia fazer com que ele entende-se a dor de Akito sem revelar o maior segredo dos Sohmas.

#Não posso falar que ela é uma mulher......#

Os possuídos e a colegial que estavam prestando atenção na conversa do médico e do coelho se assustam com a expressão que o médico estava fazendo agora. Sua face era ao mesmo tempo de perplexidade e de choque.

-Eih, Haa-san?! O que houve?

O médico olha para o escritor e coloca as mãos em seus ombros.

-É isso! Shigure, é isso!

-Isso o que??

-Depois a gente conversa melhor. Boa noite, Honda-san. E trate de ir para casa logo, Momichi, senão ficará doente.

O médico começa a caminhar rumo de casa, mas muito pensativo.

by DonaKyon

27/05/2009

87


Hatori acompanhava Shigure até o portão principal da sede. Aquela visita ao final não tinha se tornando o grande suplicio que o médico imaginou que seria, pois foi sido graças a ela, que ele agora podia entender um pouco mais do sofrimento de Akito. Os dois tinham bebido um pouco mais do que deveriam e caminhavam lentamente enquanto iam conversando.

-Hihihi.... O Harry e o Shii-chan estão vermelhos....

-Ahh, se não é o pequeno Momicchi, o que está fazendo aí?

Momiji dá um salto e desce de cima do muro ficando ao lado dos possuídos.

-Estou esperando a Tohru-chan. Ela já deve estar saindo da casa dos meus pais.

-Mas deveria está com pelo mesmo um cachecol, assim poderá pegar um resfriado.

-Sem problemas, Harry. O calor do meu coração aquece o meu corpo todo.

Hatori dá um sorriso para o Momiji. O possuído pelo espírito do coelho era o único que estava acostumado a ver aqueles breves momentos de afetividade do médico. O dragão tinha um carinho muito grande pelo coelho, se sentia responsável pela grande solidão que o garoto sentia, e desde de que havia apagado as memórias de sua mãe, o tinha adotado como se fosse um irmão mais novo.

Os três possuídos caminham até a calçada e ficam esperando pela colegial, que poucos minutos depois surgia do outro lado da calçada acompanhada pela Elisa e a Momo.

-Olha Mamãe... Olha... Lá está o Momi-kun... MOMI-KUN... MOMI-KUN...

A pequena criança solta da mão de sua mãe e atravessa a rua correndo para ir falar com o Momiji. Tohru corre atrás da menina temendo que ela fosse abraçar o possuído.

-Oi Momo-chan. Gostou de ficar com a Tohru-chan?

-Sim, mas eu queria que você também fosse. Eu gosto muito de brincar com você também.

-Muitíssima boa noite, senhor Hatori, senhor Shigure.

#Ah, então esses são o médico que cuida do Momiji e o escritor com quem a Honda-chan mora.#

Elisa atravessava a pequena rua arborizada que separava os dois mundos dos Sohmas e se inclina para os cumprimentarem. Ato repedido pelos três possuídos de uma maneira bem formal.

-Como está Momiji-kun.

-Eu estou bem senhora Sohma.

-Momiji-kun, você pode ir brincar comigo amanhã?

-Errr.... eu não posso Momo-chan....

Hatori que até então estava olhando a conversa entre os dois irmãos, percebe que alguém estava o observando fixamente e ele levanta a cabeça e encontra os olhos de Elisa em cima dele. O médico desvia rapidamente o olhar. Só havia duas mulheres no mundo que ele não gostava; a Ren Sohma e a Elisa Sohma.

-Me desculpe. Mas tenho a impressão de já lhe conhecer, Hatori-san.

-Eu estive auxiliando no dia do parto da senhora.

-Ah... Muito obrigada! Mas tenho a sensação de que conheço de algum outro lugar também....

Os outros dois possuídos e a colegial olham um pouco aflitos para eles.

-Provavelmente do almoço do primeiro dia do ano.

-É... Pode ser isso...

-Mamãe, posso começar a ter aulas de violino também?

Elisa se abaixa para falar com a filha e Tohru se aproxima do médico e do escritor, ela queria conversar com o médico, mas sabia que não podia lhe perguntar nada na frente da mulher e da menina.

-Não é melhor a gente entrar, Haa-san?

-Vamos ficar só mais um pouco.

O médico não tinha coragem de interromper aqueles poucos segundos de alegria do Momiji. Ele conversava com a irmã com um brilho nos olhos que era capaz de cativar qualquer coração.

-Err, senhor Hatori, eu gostaria de conversar depois com o senhor, posso?

-Não vai se declarar para o Haa-san, né Tohru-kun?

-NÃOOO.... É CLARO QUE NÃOOO...

Shigure começa a rir, ele se divertia muito quando deixava a menina sem graça com alguma de suas brincadeiras. Elisa ao ver o escritor rindo se levanta e olha para o grupo.

by DonaKyon

24/05/2009

86


A garota se abaixa e fica lhe olhando sem entender o motivo daquelas risadas, certamente ele não estava rindo apenas da sua frase e ela não se lembrava do que estava pensando naquele instante em que tinha falado.

-AHAHAHAHAHAHAH..... Tá explicado...... AHAHAHAHAHAH..... É por isso.....AHAHAHAH.... por isso que a gente se deu tão bem assim..... AHAHAHAH

#Entendi agora. Mas é bom vê-lo tão leve e feliz assim. Nunca tinha visto essa expressão em seu rosto. Ele está ainda mais lindo. O meu maior desejo agora era de lhe beijar novamente.#

Kyo escuta os pensamentos da garota e se lembra da imagem dela soltando os cabelos e seu coração volta a bater mais forte. O possuído para de rir e aproxima o seu rosto do dela, tocando suavemente em seus lábios. O coração dos dois batia muito mais forte e ao mesmo tempo eles fecham os olhos e se beijam abaixados no meio da calçada sem se importarem com as pessoas que estavam passando pela rua.

#-Ele.... Ele.... ele a beijou..... Eu te odeio, sua bruxa maldita#

A jovem colegial que estava se escondendo atrás de uma árvore ao ver a cena, começa a caminhar com os olhos cheios de lágrimas. Não conseguia ficar ali vendo aquela cena por mais tempo. O beijo era cheio de sentimentos de ambas as partes, mas sentimentos que nenhum dos dois podia descrevê-los. Kyo é o primeiro que abre os olhos. E vê que aquela imagem da garota com alguns fios de cabelo soltos em seu rosto e de olhos fechados a deixavam ainda mais linda.

-.....realizei o seu desejo.....

A garota abre os olhos e se vê dentro do olhar do Kyo. Parecia que se coração ia explodir de tanta felicidade. Aquele sentimento que estava em seu peito era totalmente diferente do que tinha vivido antes.

-Uhuuuu..... É o amorrrrr......

Um grupo de estudante passa ao lado deles e começam a fazer algumas gracinhas obrigando os dois a se levantarem cheios de vergonhas. Só agora tinham se dado conta de onde estavam. Hanajima volta a caminhar, mas com a cabeça baixa, e o Kyo que caminhava ao seu lado se manteve com a cabeça erguida e um pequeno sorriso nos lábios.

#Por que ele me beijou? Ele não precisa ser tão realista nesse falso namoro.#

Kyo ao escutar aquilo para de caminhar e a fica olhando.

-Foi mal tá. Eu apenas fiz aquilo que queria que eu fizesse.

A colegial se lembra do que estava pensando antes e percebe que o garoto havia lido os seus pensamentos.

-Desde quando você estava lendo os meus pensamentos?

Kyo nada lhe responde e volta a caminhar, deixando a garota um pouco irritada.

-Isso é horrível! Eu não vou conseguir ficar assim por muito tempo. Me irrita vê-lo tão tranqüilo, parecendo que está lendo os meus pensamentos.

-Não parece. Eu estou ouvindo.

#Será que ele sabe do meu crime?#

-Se não quer que eu saiba de tal crime, então não pense nele, e continue falando qualquer coisa que lhe venha à mente. Por mais que fique irritada, agora é tarde. Eu continuarei com esse falso namoro e também quero saber o porquê que não consegue ler a minha mente.

-E por quê? Por que quer me ajudar tanto assim?

Kyo abre a boca, mas não consegue lhe dar uma resposta. Ele mesmo não sabia as razões de desejar ajudar aquela garota.

-Eu já sei o caminho daqui. Pode voltar para a sua casa. Amanhã eu te espero na porta da escola.

Ele se vira e começa a caminhar em direção da estação. Hanajima tentava não pensar em nada. Sentia-se muito insegura, não só por não poder controlar os seus pensamentos, como também por sentir que seu coração estava um pouco machucado, devido a ausência de uma resposta pelo garoto a sua pergunta. Ela realmente queria saber o porquê que ele estava querendo a ajudar tanto.


by DonaKyon