27/11/2009

167


Hanajima e a Tohru estavam sentadas na grama entre as enormes árvores que rodeavam a casa do escritor, e a órfã reconhece aquele local, era exatamente onde ela tinha montado a sua pequena barraca e ficou morando por uma semana, sem ao menos imaginar que ali era o quintal do príncipe do seu colégio.

-Foi aqui que tudo começou.

Hanajima segurava na mão da amiga e olha a sua volta.

-Então foi aqui que a Tohru-chan morou quando saiu da casa do seu avô? De fato, é um lugar um pouco perigoso.

-Hana-chan.... Não acha que devemos nos afastar deles?

-Ainda está muito assustada por causa de ontem?

A garota apenas confirma que sim com a cabeça.

-Acho que eles sofreram ainda mais se nós nos afastarmos deles agora do que se for por esquecimento.

-Mas isso não é justo Hana-chan! Se Akito-san mandar apagar as nossas memórias nós não iremos sofrer, mas eles sim. Eles é que ficarão lembrando até o resto das suas vidas tudo o que aconteceu.

-Eu sei.

-E não acha que estamos sendo muito egoístas só pensando na nossa felicidade de agora sem nós importarmos com o que acontecerá depois?

-“O amor é o começo de um milagre”

Ao escutar aquela frase que a sua mãe tinha lhe falado tantas vezes, Tohru abraça os joelhos e começa a chorar com a cabeça encostada neles.

-A Dona Kyoko sempre acreditou nisso. Ela sempre falava que se não fosse o amor do seu pai por ela, certamente teria se perdido de vez nas trevas daquele mundo onde ela estava. Eu também acredito nisso, Tohru-chan. É por isso que mesmo me sentindo tão insegura, com tanto medo como estou, eu quero ficar ao lado do Kyo. Quero acreditar que o amor trará o milagre que precisamos.

Tohru ainda chorando olha para a amiga que estava ao seu lado lhe sorrindo, e reconhece que a Saki sentia exatamente o mesmo que ela estava sentindo naquele momento, mas que tinha decidido a ficar ao lado do garoto e a acreditar que o amor iria fazer o milagre de transformar aquele triste destino.

Hanajima segura nas duas mãos da amiga e lhe pergunta com um sorriso cheio de esperança.

-E a Tohru-chan?! Também acreditará que o amor pode fazer milagres?

-Tem razão Hana-chan. Vamos acreditar!

As duas se levantam do chão e começam a caminhar em direção da casa.

-Vamos falar para a Aa-chan que você entrou chorando porque tirou uma nota baixa, assim ela não ficará preocupada.

-Tá! E por que não foi para o colégio?

-O Kyo queria passar esse tempo comigo.

-E a senhorita Akito? Ela não demonstrou se lembrar de nada?

-Se lembrou de algo apenas relacionado a mãe do Kyo. Acredito que ela própria está evitando a se lembrar de seu passado, pois em momento algum, ela me perguntou sobre o seu passado, apenas o que gostava de comer.

-Mas a gente não sabe essas coisas delas.

-Sim, mas eu inventei. Acho que a Tohru-chan deveria fazer o mesmo também.

As garotas passam próximas da base secreta do Yuki e vêem que ele e o Haru estavam se beijando escondidos por entre as árvores, passando diretamente por eles sem serem vistas.

-Nhaa... Fico tão feliz por ver que o Yuki-kun e o Hatsuharu-kun se entenderam.

-Se as garotas do fã-clube do Prince-Yuki ficarem sabendo disso, acredito que teremos um grande número de suicídios no colégio.

-Cruzes, Hana-chan. Elas não fariam algo tão drástico assim.

-A presidente do fã-clube do Kyo esteve aqui hoje.

-OQUE? Como ela sabe onde o Kyo mora?

-Não sei. Mas por pouco que ela não o abraçou.

-Nossa?! Não quero nem imaginar o que aconteceria se algumas dessas garotas descobrissem o segredo deles.

-Essa é a nossa função Tohru-chan, proteger o segredo dos nossos namorados e do Yuki-kun e do Hatsuharu-kun.

-Sim. Vamos protegê-los a todo custo.

-Pelo visto tem alguém que está muito preocupado.

Hanajima olhava para o Momiji que estava sentado na varanda da casa, com a cabeça baixa, os olhos fechados e segurando as duas mãos como se estivesse fazendo uma prece.

by DonaKyon

24/11/2009

166


Enquanto terminava a reunião na mansão dos patriarcas do clã Sohma, Tohru, Momiji, Yuki e Haru voltavam para a casa do Shigure caminhando. Os três possuídos já tinham notado que a garota tinha passado o dia todo muito distante.

Momiji segurava em sua mão, mas não conversavam nada. Ambos andavam um pouco atrás de Yuki e Haru que caminhavam conversando sobre o dia no colégio.
Assim que entram em casa, Tohru reconhece os sapatos da amiga. Ela tira os seus rapidamente e corre para dentro da casa. Os três ficam lhe olhando sem entenderem nada.

-Hana-chan... Hana-chan....

-Estamos aqui na cozinha, Tohru-chan.

A colegial corre para lá e os encontram sentados a mesa. Kyo e Hanajima estavam sentados um ao lado do outro e a Akito do outro lado da mesa de frente para a colegial. Tohru rapidamente anda para o lado da amiga e a abraça bem forte e chorando baixinho em seu ombro.

-Tohru-chan?! O que foi??

Momiji fica parado na porta da cozinha com o coração na mão. Sofria tanto quanto que a Tohru estava sofrendo. Hanajima se levanta e leva a amiga para fora da casa. Ela não precisava ler os pensamentos da jovem para saber que ela precisava desabafar algo.

Akito se levanta para ir junto com as garotas, mas o Kyo a impede de ir segurando em sua mão. Os quatros sabiam que Akito não poderia escutar a conversa das duas, uma vez que na realidade não era uma amiga delas.

-Eih, onde pensa que vai?

-Vou com a Tohru e a Saki. Não viu que a Tohru entrou chorando?

-E a louça?

-Louça?! Que Louça?

-A que você vai lavar.

Kyo a puxa pela mão e a deixa diante da pia com um monte de panelas, pratos e copos.

-QUEEE?

-Eu cozinhei e agora é a sua vez.

-Mas e a Saki? Ela também comeu.

-Sim, mas ela é visita. E visitas não lavam a louça.

Kyo continuava segurando Akito pelas costas o que a mantinha em frente da pia. Os três primos recém chegados do colégio olhavam aquela cena espantados, não sabiam qual dos fatos era o mais surpreendente, se era o patriarca recebendo ordens do possuído pelo gato, ou se era o contato físico entre os dois, uma vez que Akito sempre tinha sentido um enorme nojo do garoto, ou se era a Akito vestindo um avental para lavar a louça.

Haru tira o celular do bolso e começa a fotografar a cena.

-O que está fazendo Haru? – Yuki lhe perguntava bem baixinho.

-É melhor registrar. Quando a gente contar isso para o Shigure-sensei e o Tori-san eles não irão acreditar.

Kyo deixa a Akito toda desajeitada na frente da pia e se vira encontrando os outros três com cara de espanto. Ele passa por eles sem falar nada e subindo para o seu quarto.

#Não precisam fazer essa cara. Até mesmo EU não acredito no que acabou de acontecer.#

Akito colocava quase meio frasco de detergente na esponja e agora tentava começar a lavar a louça, segurando a panela cheia de gordura e a esfregando lentamente e de uma maneira não muito firme o que fazia com que ela caísse toda hora na pia fazendo um grande barulho.

-Yuki-kun... Haru-kun... Será que a gente não deveria ajudá-la?

Momiji olha em sua volta mais já não encontrava a nenhum dos possuído. Ele caminha até a entrada da casa e se senta na varanda.

#Eu sei como a Tohru-chan está se sentindo. Eu também estou vivendo com esse medo agora, mas mesmo assim quero muito ficar ao lado dela. Mesmo sabendo que amanhã isso tudo pode acabar, eu prefiro viver esses momentos. Porque não existe dor pior do que a dor de sofrer por aquilo que não foi vivido. Por favor, Tohru-chan, entenda isso e continue ao meu lado. Mesmo que seja por somente mais meia-hora, eu prefiro passar esses minutos ao seu lado do que longe de você. Por favor, Tohru-chan, entenda que eu sofrerei ainda mais se te ver sofrendo longe de mim.#

by DonaKyon

22/11/2009

165


-AHHH... Eu não acredito que tive que ficar todo esse tempo com a minha cabeça abaixada justamente para o Kazuma.

Shinsen se levantava sentindo-se extremamente ofendida por aquela situação.

-Hatori-kun, certamente o problema de Akito-sama deve ser neurológico, o patriarca deve ter desenvolvido a doença de sua mãe e ficou louco de vez. Onde já se viu, não deixar a minha família a frente do clã durante a sua ausência? O posto de patriarca deveria ficar para o meu marido, e eu seria a primeira dama do patriarca. Entre todos os Sohmas, a nossa família é a mais importante e nobre, acima de nós só está à família do patriarca. Essa tão alta posição está a minha altura.

-A senhora tem toda razão minha mãe.

Ayame havia falado de uma forma ponderada e ao mesmo tempo muito segura. Todos os presentes lhe olharam espantados ao ver que o jovem estilista não estava falando com da sua maneira tradicional, sendo que a sua mãe foi até mesmo obrigada a se sentar ao escutar aquilo. Nunca em toda a sua vida o filho tinha concordado com ela.

-Certamente a senhora está a altura de ser a esposa do patriarca do clã dos Sohmas. Um dos clãs mais importantes do Japão. E eu sei o que a senhora tem que fazer para ocupar essa posição tão alta no nosso clã.

Como os presentes conheciam a personalidade megalomaníaca do jovem, que não se cansava de falar desde criança que ele era da nobreza, um príncipe, uma alteza, entre outras coisas, todos estavam seguros que o rapaz havia encontrado finalmente a oportunidade para concretizar as suas fantasias. Ayame olha para a sua mãe e lhe fala como se aquilo fosse a coisa mais lógica do mundo.

-O que a minha adorável e honorável mãe deve fazer para ocupar essa tão alta posição é muito simples. Basta se separar do meu pai e se casar com o professor Kazuma. A senhora se esqueceu que o professor é um patriarca SOLTEIRO?

Todos se seguraram para não rirem, a mãe da Rin que estava ao lado da Shinsen chegava a ficar vermelha. A mãe dos dois possuídos olhava sem acreditar no que o SEU filho tinha acabado de lhe falar. Ela olha toda indignada para o marido que estava sentado a sua frente, e ao ver que ele não ia repreender o filho ela lhe grita.

-QUERIDO, VAI SIMPLESMENTE FICAR CALADO? ESCUTOU O QUE O IDIOTA DO SEU FILHO FALOU?

O homem ajeita os óculos e lança a pergunta para todos os presentes.

-Se a Shinsen-san se separar de mim e se casar com o patriarca a minha pensão será de quanto?

Após aquela pergunta era impossível para o Shigure continuar se segurando e ele é o primeiro a soltar uma tremenda gargalhada, a mãe da Rin foi a segunda, e depois foi impossível ver a ordem de quem tinha começado a rir, pois todos os presentes já estavam rindo.

-AH....AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!

Após dar aquele estrondoso grito a mulher se levanta e sai da sala deixando todos rindo ainda mais.

#Maldita família Sohma. Mil vezes maldita!! Todos nesse clã são amaldiçoados.#

-A reunião já acabou Shinsen-san?!

A mãe do Yuki e do Ayame passa ao lado da Yoko deixando bem claro que tinha escutado a pergunta e que a tinha ignorado mesmo.

#Essa sim tem a pose da esposa que sonhei para o meu filho. #

A velha governanta volta a caminhar lentamente pelo longo corredor e vai para o seu quarto.

by DonaKyon

20/11/2009

164


Hatori e Kazuma olham para o Ayame, realmente era quase impossível que pelo menos um deles não soubesse de tal carta.

-Alguém está mentindo!

A voz de Shigure era repleta de acusação e todos olham espantados para o escritor.
-Mas por que mentiriam sobre isso, Guretti?

-Porque tem alguma coisa por trás dessa carta. Kazuma-san, o senhor contou a Yoko-san como ficou sabendo da carta?

-Não, Shigure. Apenas lhe perguntei se ela sabia onde estava a carta.

-Então não lhe faça mais nenhuma pergunta sobre isso. E vamos ver como ela irá reagir.

-Guretti, você acha que a Yoko-san está mentindo?

-Tenho quase certeza que sim.

-E agora nem poderemos perguntar a Akito sobre isso.

Shigure olha para o Hatori com um pequeno sorriso nos lábios, sem perceber o médico tinha falado o nome do patriarca de uma maneira muito mais leve.
Uma das empregadas bate na porta para visar ao novo patriarca que todos já estavam o esperando no local da reunião.

-Boa sorte, Kazuma-san. E nos desculpe por deixar essa ingrata missão em suas mãos.

-Não se preocupe Hatori.

Kazuma sai na frente sendo seguido pelos três possuídos.

Apenas um grupo é que faziam parte das reuniões dos Sohmas, e nelas participavam as famílias de todos os possuídos e mais algumas de “fora” que nada sabiam sobre a maldição, portanto, nem uma palavra sobre aquele assunto era dada durante essas reuniões.

Assim que Kazuma entra na sala todos ficam em silêncio, e o professor recebe olhares de raiva e ódio de boa parte das famílias dos possuídos. Os três amaldiçoados se sentam no local reservados para eles, bem como Kazuma, que se senta no local que sempre tinha sido ocupado pela Yoko.

-Muito obrigado por terem vindo. Serei bem breve para não ocupar o tempo dos senhores. Devido a um problema de saúde o nosso patriarca precisará se afastar por alguns dias de suas funções e me deixou responsável pelo clã até o seu retorno.

Imediatamente vários múrmuros tomam conta da sala.

-Mas por que foi o senhor a pessoa escolhida para ficar no lugar de Akito-sama? A minha família é a que tem um status mais privilegiado dentro do clã. O meu marido é quem deveria ser o indicado.

Ayame e Shigure precisam se segurar para não rirem, Shinsen, a mãe do Ayame e do Yuki, havia falado exatamente o que eles imaginaram.

-Infelizmente eu também não sei os motivos do Akito-sama. Apenas recebi uma carta do patriarca com a sua decisão. Aqueles que não acreditarem em minhas palavras poderão ler a carta que está aqui em minhas mãos.

-Creio que não será necessário. Se essa foi a decisão de Akito-sama temos que acatá-la.

O pai do Momiji é o primeiro a manifestar o seu apoio e respeito pelo novo patriarca, inclinando a sua cabeça, logo esse gesto vai sendo copiado pelos demais, mas os pais do Ayame e da Rin foram os últimos a fazerem.

Era visível que aquelas duas famílias foram as que menos haviam gostado daquela decisão. Não conseguiam aceitar que justamente o neto do antigo possuído pelo gato e o pai adotivo do atual gato fosse a pessoa escolhida pelo kamisama para ficar em seu lugar.

-E onde está o Akito-sama, Hatori-kun?

O pai do Shigure finalmente faz a pergunta que todos queriam fazer.

-Está em repouso numa das nossas propriedades. O patriarca me proibido de revelar onde ele está.

Os familiares dos possuídos sabiam que não adiantava perguntar mais nada ao médico.

-Se não tiverem mais nenhuma pergunta a nossa reunião acabou.

-Kazuma-sama, eu gostaria de lhe pedir a sua autorização para que o Momiji-kun possa ensinar violino a minha filha Momo.

Os pais dos amaldiçoados olham diretamente para Elisa, o que a deixa bem constrangida. Era impossível para a mulher decifrar o que aqueles olhares queriam lhe dizer.

-Tem a minha permissão, Shirou-san.

Os pais do possuído pelo coelho se inclinam em agradecimento.

-Essa daí é que se deu bem. Nem se lembra que pariu uma aberração, mas tem o direito de receber a mesma quantia que você.

Shinsen fala baixinho para a mãe de Rin que estava sentada ao seu lado.

-Ás vezes, tenho vontade de fazer o mesmo que a Elisa-san fez. Eu imagino o sofrimento que a Shinsen-san sente por ter parido duas aberrações.

-Pelo menos um deles é o possuído do rato, o que me rende uma “mesada” muito maior que a de vocês.

A mãe do Yuki e de Ayame olha para a mulher cheia de superioridade, e a mãe da Rin vira o rosto e volta a olhar para frente.

-Será que o Kazuma-sama poderia conceder uma parte do seu tempo a algumas das famílias que estão aqui?

O pai do Shigure é novamente o porta-voz dos demais, e era evidente que aquelas “algumas famílias” eram os pais dos possuídos.

-Creio que isso poderá ser feito outro dia, meu querido papai. O Kazuma-sama não poderá tratar sobre esse assunto agora.

Shigure sente que está sendo fuzilado pelos olhares dos seus pais naquele momento.

-Garanto aos senhores que essa situação será por pouco tempo. Em breve o nosso patriarca estará de volta.

Kazuma se levanta e todos os presentes inclinam a cabeça em sinal de respeito à função que ele está ocupando, o professor saí da sala, deixando todos os Sohmas com suas cabeças abaixadas, uma vez que só poderiam a levantar quando o patriarca não estivesse mais na sala.

#Ufa, foi mais difícil do que a final de uma competição. Ainda estou tremendo por dentro. Pobre daquela garota que vive essa pressão há tantos anos. Ninguém faz idéia do peso que esse cargo tem. Acredito que agora entendo um pouco mais as razões do patriarca ter aquela personalidade.#

Kazuma retornava a biblioteca para separar os documentos que seriam enviados ao Megumi-kun.

by DonaKyon

17/11/2009

163


-A senhora pode me solicitar um chaveiro?

-Certamente que sim. Providenciarei agora mesmo. Ah, Kazuma-san, eu tomei a liberdade para enviar uma jovem empregada para o Dojo. Akito-sama não queria que ela trabalhasse aqui dentro da sede, mas a jovem deseja ficar por perto de sua mãe. O senhor tem alguma objeção?

-Nenhuma. Muito obrigado.

A mulher sai da biblioteca sentindo ainda mais raiva do que antes.

#Aquela idiota da Akito precisa voltar. Acredito que ele só sairá dessa forma. Ainda não posso revelar que quem deveria ficar como patriarca é o possuído do rato. O meu sobrinho tem razão, se a Eiko-san tivesse parido o rato, tudo estaria resolvido. Akito-san perderia o direito como o patriarca por não ser homem, e por ter o meu sangue, já que seria o filho do meu sobrinho, a linhagem direita dos patriarcas continuaria, mesmo o rato, não sendo o filho do meu filho.#

O salão que estava reservado para a reunião já estava com tudo quase preparado. As duas longas fileiras de almofadas já estavam dispostas em seus devidos lugares. Na hora da reunião todos ficariam sentados um de frente para o outro em seus lugares já previamente determinados, na frente das duas fileiras ficavam a almofada de Akito e ao seu lado direito outra de menor tamanho, que era sempre ocupada pela velha governanta. Yoko olha para verificar se faltava alguma coisa.

-Tirem o local reservado ao patriarca.

-Mas o Kazuma-sama não é o patriarca?

-Não. Esse local pertence ao Akito-sama.

As duas empregadas retiram a pesada almofada onde o patriarca se sentava naquelas ocasiões.

#Eu me recuso a participar dessa palhaçada.#

A governanta ao sair do salão encontra com os três possuídos.

-É claro que vocês seriam os primeiros a chegarem. Aposto que estão adorando o fato do Kamisama estar longe da sede.

-Estamos tão preocupados com a saúde de Akito-san quanto o senhora.

Shigure responde a governanta colocando realmente um tom de preocupação em sua voz.

-Hatori-san, eu exijo saber onde é que Akito-sama está.

-Já falei para a senhora. Foi o próprio patriarca que me proibiu de dizer onde ele está.
#Se isso for verdade, eles nunca irão falar. Esses monstros são incapazes de contrariarem ao kamisama deles.#

A governanta passa por eles sem dizer mais nenhuma palavra.

-Nossa, ela está uma fera mesmo. – Shigure olha com certa desconfiança para a velha mulher.

Os possuídos vão até a biblioteca e encontram o Kazuma no meio de vários papeis antigos.

-O Kazuma-san encontrou algo?

-Ainda não. Mas já descobri que precisaremos de um tradutor de chinês antigo.

-O que é natural, afinal a lenda dos doze signos surgiu na China.

Shigure pega alguns dos papeis para ver, mesmo sem entender muito do que estava escrito a sua curiosidade falava mais alto.

-Shigure, como está Akito-san?

-Está bem.

-Eu gostaria que levasse algumas coisas para o Megumi-kun. Peça ao Kyo para entregar a Saki.

-Pode me entregar que levarei sim.

-O professor Kazuma acredita que a nossa maldição possa ser desfeita?

-Sinceramente acho muito difícil, mas acredito que devemos tentar.

-Vocês não estão achando a velha Yoko ainda mais estranha do que o normal?

-Mas isso não é normal já que ela está preocupada com Akito-san?

-Ayame, o Shigure tem razão. Ela não está apenas preocupada, me parece que ela está um pouco amedrontada também, e tenho quase certeza que esse medo está relacionado ao fato do Kazuma-san estar aqui na mansão.

-Também acredito nisso Haa-san. Como falei ontem, essa velha deve saber de muitos outros segredos dos Sohmas.

-Mas a Yoko-san não sabia da carta da Eiko-san, disse-me que o Higuchi-san lhe afirmou que a esposa não deixou nenhuma carta.

-Será que essa carta existiu mesmo? Afinal Akito-san poderia ter inventado isso para o Yuki, com o objetivo de lhe torturar.

-Algo me diz que não, Aaya. Essa carta existiu sim.

-Mas como ela pode ter existido sem que o pai do Kyo ou a Yoko-san soubessem dela?

by DonaKyon

15/11/2009

162


- Só ela percebeu a minha solidão. A Ren foi a única... A Ren chorou por mim..

-Se..senhor Akira.... Não se deixe iludir por essa.... Não a deixe enganá-lo, senhor.... Akira-sama!


#Eu também chorava por você, Akira-sama. Eu ainda choro por você, meu filho. #

A velha governanta entrava com lentos passos na mansão, aquele lugar que era o seu lar a mais de sessenta anos. Yoko não conhecia o mundo de fora, para ela simplesmente não existia um mundo fora da sede dos Sohmas. Ela conhecia cada canto daquela mansão, e sabia de todos os segredos do clã dos Sohmas.

#A maldita Ren não sabia qual era o seu lugar. Se Akira-sama a desejava, bastasse que se deitasse com ele. Essa era a nossa função, foi assim comigo também. Mas eu sabia que não estava altura de ser a esposa do patriarca. Mesmo eu sendo a mãe do seu único filho, eu sabia que nunca poderia desejar o posto de esposa do patriarca.#

A mulher entra em seu quarto e fecha a porta. O ambiente era tão luxuoso como as partes principais da casa. Ela caminha até o armário e tira uma caixa com vários objetos dos dois antigos patriarcas dos Sohmas, do pai e do avô de Akito.

#A Ren não aceitou ser apenas a sombra do meu Akira-sama, para ela isso era muito pouco. Aquela mulher suja desejou ser a sua esposa. Ela se casou com ele, mas ela não foi capaz de lhe gerar um filho homem como eu fiz. Eu gerei a continuidade para o meu amado patriarca. Eu fui a única que lhe gerou um filho homem, nem mesmo a sua esposa legítima conseguiu isso. Mesmo tendo parido um filho com uma saúde tão fraca, o meu Akira-sama era tão belo, como o amor que eu sentia pelo seu pai. Já aquela desgraçada pariu uma mulher. Não lhe bastava ter desonrado a vida do meu Akira-sama ao se casar com ele, ela ainda conseguiu acabar com longa linhagem de descendentes diretos dos patriarcas. Eu odeio aquelas duas. Odeio a mãe e a filha. Eu só morrerei depois que enlouquecer as duas.#

Yoko retira da caixa a única foto que tinha dos três juntos, tirada no dia em que Akira tinha completado 4 anos e alguns dias antes de seu amado Akio-sama morrer.

#Eu imaginei um futuro tão bonito para o meu filho. Eu sabia que ele ia morrer cedo, mas queria que ele tivesse se casado com uma mulher a sua altura, que tivesse um filho homem para ser o próximo patriarca e que eu cuidaria do meu neto como não consegui cuidar do meu filho.#

-Yoko-san, o Kazuma-sama está lhe chamando lá na biblioteca

#Tenho que tirá-lo daqui logo. Se continuar aqui na mansão ele saberá de tudo. Ninguém pode saber que o Akira-sama era filho de uma empregada como eu. Esse segredo será levado ao túmulo comigo, assim como foi com o meu amado e com a sua esposa.#

A governanta guarda a caixa e vai até a biblioteca.

-O que deseja, Kazuma-san?

-A senhora tem a chave dessa parte do armário?

-É o Akito-sama quem as guarda.

-Então terei que chamar a um chaveiro....

-O senhor não acha que isso seria um pouco abusivo?

-Quando o Akito-san retornar, tenho certeza que o patriarca irá aprovar todas as minhas ações.

A mulher olha em sua volta e vê que tudo estava revirado.

#Não deve estar apenas atrás da carta da Eiko-san.#

-O possuído pelo gato irá entrar na sede?

-Não. Vou poupar o meu filho desse ar tão pesado.

-Quem lhe vê falando assim, até pensa que realmente é o seu pai.

-Ainda bem que poucos se recordam que ele é filho do Higuchi-san.

-De fato! Essa foi a maior desgraça que aconteceu a minha família. O senhor que é da família do antigo possuído pelo gato, sabe muito bem o que isso significa dentro do clã.

-Será que o seu sobrinho não sabe de nada da carta da Eiko-san?

-Não! Estive a pouco em sua casa para lhe perguntar isso. O Higuchi-kun me afirmou que a sua falecida esposa não deixou carta alguma.

by DonaKyon

13/11/2009

161


Kyo segura em uma de suas longas mechas de cabelo, e lhe fala com um tom mais baixo em sua voz, e com o rosto um pouco corado. Ainda não estava acostumado a essas situações tão normais entre namorados.

-Você estava tão linda rodando daquele jeito.

Saki lhe sorri igualmente envergonhada. E ainda mais desacostumada que o possuído, a garota não sabia o que lhe responde e acaba mudando de assunto.

-A Aa-chan se lembrou de algo relacionado com a Eiko-san?

-Sim. A minha mãe é que tinha aquele lance de ficar girando. Acho que as duas faziam aquilo juntas.

-Acho que aos poucos ela voltará a se lembrar.

-Seria bom se ela não se lembrar. Ela parecia ser outra pessoa do seu lado.... Me fez sentir até mesmo uma vontade de ficar perto dela.

Saki segura na mão do garoto.

-Então vamos mudar os nossos planos. Ficaremos aqui com ela..... Assim poderei ver se você sabe cozinhar bem ou não.

-Hei, cê só pensa em comida, né?

-Não! #Eu também penso muito em você.#

Kyo ao escutar o pensamento da garota, ele segura em seu queixo e lhe beija, a cada beijo os sentimentos dos dois ficava mais forte.

-Obrigado por querer me proteger também.

-De nada..... E o que irá cozinhar para a gente?

-Que tal alguns onigiris?

-Isso é muito pouco.

-Humm... Posso fazer legumes também.

-Eu quero carne!

-Carne?! Eu prefiro peixe.

-Mas eu quero carne!

Os dois entram na casa discutindo qual seria o cardápio daquele dia.

Akito ainda estava no quarto quando os dois entraram na casa. Estava se sentindo um pouco inquieta após ter visto o comportamento da outra colegial.

#Será que aquela garota me lembrou a minha mãe? Aquele comportamento parecia ser o comportamento de uma pessoa descontrolada emocionalmente. Acho que apenas uma pessoa com alguns problemas mentais é que teria esse tipo de comportamento.#

O patriarca vai até a cama e se senta.

#Aquela garota além de louca, como o Kyo falou, era também bem arrogante. Agia como se todos no mundo tivessem a obrigação de lhe amar.#

-Aa-chan?!

Hanajima surgia na porta do quarto e Akito se levanta da cama.

-O que foi Saki?

-É que o Kyo está lá na cozinha preparando o nosso almoço. Vim saber se tem algo que gostaria de comer.

-Humm, eu não me lembro se gostava de algum prato em especial.... Qual era o meu prato favorito, Saki?

A colegial consegue controlar a sua reação de espanto ao escutar aquela pergunta e lhe responde toda segura.

-Era omelete com nirá e batatas ao misô.

-Sério?? Esses pratos tão simples e pobres eram os meus favoritos?

-Sim. Apesar de sua posição, a Aa-chan sempre gostou das coisas simples da vida.

Na verdade, o patriarca nunca tinha nem ao mesmo chegado a sentir o aroma que esses pratos exalavam. Desde que tinha nascido, estava acostumada a comer as mais finas e refinadas refeições.

As duas garotas descem e vão para a cozinha, onde o Kyo estava temperando a carne que a Tohru havia comprado para o almoço do próximo final de semana deles.

-Eih, Kyo. Eu não vou querer carne. Quero omelete com nirá e batatas ao misô.

-OQUEEE??

O gato automaticamente tem aquela reação ao escutar as duas coisas que ele odiava comer, nirá e misô. Saki mais uma vez tem que se segurar para não rir.

-Que foi? A Saki falou que esses são os meus pratos favoritos. Eu quero comer isso.

O garoto olha para a namorada que imediatamente desvia o olhar e lhe pergunta com um tom de deboche em sua voz.

-Quer que eu vá buscar um pouco de nirá na base secreta do Yuki-kun ou você mesmo irá pegar?

-Eu vou!

O garoto ao passar do lado da namorada lhe fala bem baixinho.

-Saki, eu vou queimar o seu bife!

-AHAHAHAHHAHAHA

Kyo continua andando enquanto que a Hanajima gargalhava na cozinha e Akito lhe olhava toda curiosa. Era incontestável que aquela relação estava deixando os dois jovens muito mais soltos e alegres.

by DonaKyon