24/07/2009

113


Shigure e Yuki chegam em casa e encontram o Ayame desligando o telefone.

-Quem que era Ayaa? Não vai me dizer que era a maluca da minha editora?

-Nan nani na não. Era apenas o Kyon Kitty. Ele está lá no Dojo. Ligou para saber se o Haru-kun tinha saído de casa. Como o gato não pode entrar na sede e nem o encontrou lá no Dojo, queria saber se a nossa vaquinha malhada tinha se perdido pelo caminho até a escola. Aí, eu, que sou todo generoso e prestativo, lhe fiz o enorme favor de lhe dizer que o Haa-kun estava aqui em casa, nos braços do meu lindo e adorado irmãozinho, aquele que era de fato o seu único príncipe encantado.

-Essa não! Ele tinha que ter ido para o Dojo justo agora?

-Uée, Guretti, o que tem de novidade nisso? O Kyon Kitty não treina há vários anos lá no Dojo com a triste ilusão de que algum dia conseguiria desmanchar o penteado do meu lindo irmãozinho numa luta? Sim, desmanchar o seu maravilhoso penteado, porque vencer o meu amado Yuki está muito longe das possibilidades daquele Kyon Kitty.

-É que o Haa-kun está pensando em contar ao patriarca sobre a Hanajima-chan e o Kyo. Ele foi lá para a sede.

-Não brinca!

Ayame se senta no sofá e Yuki percebe que o irmão também havia ficado muito preocupado, assim como o Shigure.

-Dá para a gente fazer alguma coisa Guretti?

-Eu acho que agora muito pouco. A não ser torcer para o Haa-kun mudar de idéia.

-Não imaginava que vocês se importassem tanto assim com aquele gato idiota.

-É que o meu amado irmãozinho não conhece a história. Akito-san odeia o Kyon Kitty.

-Mas isso eu já sei.

-Não Yuki. O Ódio de Akito-san pelo Kyo vai além do fato dele ser o possuído pelo gato. Na verdade a mãe do Kyo era muito querida pelo patriarca quando ele era mais novo. A Eiko-san trabalhava lá na sede, até o dia em que ela se casou com o pai do Kyo.

-Akito-san culpa o Kyo pela morte da Eiko-san. Ela acha que ele é o assassino de sua própria mãe.

-Eu já sabia que a mãe dele tinha se matado. Mas nunca imaginei que ela tivesse cuidado do patriarca.

-Yuki, imagina o que o patriarca poderá fazer se souber que o Kyo tem a sua frente à possibilidade de ser feliz? De que ele encontrou uma pessoa “normal” que é capaz de aceitá-lo mesmo com a maldição que tem.

-Se no caso do Tori-san, Akito-san perdeu o controle e acabou o ferindo, imagina o que poderá fazer com o Kyon Kitty.

-Pouco me importa o que o patriarca irá fazer com o gato...

Yuki havia feito aquele desabafo enquanto ia se sentando no outro sofá, ao lado de onde estava sentados o Ayame e o Shigure, e os dois possuídos ficam lhe olhando. Aquele não era o Yuki que eles sempre tinham visto.

-É impressão minha, ou o seu ódio pelo Kyo aumentou?

-É provável que tenha aumentado.

-Mas amado irmãozinho, não irá se importar mesmo se algo terrível acontecer ao Kyon Kitty? Mesmo que o patriarca lhe tire até a sua vida? Mesmo assim não irá se importar?

Ao escutar aquilo é que Yuki percebe o quanto que era grave aquela situação. Ele já conhecia as crueldades de Akito, mas nunca tinha imaginado que ele poderia chegar até a esse ponto, de tirar a vida de um dos possuídos.

-Yuki-kun, o kamisama é o dono das nossas vidas. Ele tem todo o direito de acabar não só com a vida do Kyo como a de qualquer um de nós.

-Mas Akito-san chegaria a esse ponto?

-Chegaria sim. Estamos falando do possuído pelo espírito do gato.
O rato percebe que o seu ódio pelo gato não era tão grande a ponto de desejar a sua morte.

#Eu não o odeio tanto assim. Não quero que aquele gato idiota morra. Se o Kyo morresse, a Honda-san ficaria muito triste, e o Haru se sentiria muito culpado.#

-Shigure, não podemos fazer nada mesmo? Deveríamos tentar falar com o Haru antes de ele chegar à sede. Tenho certeza que se ele souber disso, não irá contar nada ao patriarca.

-Nós poderíamos tentar, né Guretti? Yuki, o Haa-kun foi como para a sede?

-Ele foi a pé.

-Ele ainda não teve tempo de chegar até a sede. O meu motorista está aí fora. Vamos de carro e o esperamos no portão principal da sede. Assim, lhe contamos tudo e ele desistirá dessa idéia.

-Vamos tentar.

Shigure e os dois irmãos se levantam do sofá e vão para a sede para tentar evitar que algo terrível pudesse acontecer.


by DonaKyon

22/07/2009

112


-Quer dizer que você pode ser egoísta, mas eu não posso? Você não quer dividir o gato idiota com a Hanajima, mas eu tenho que aceitar te dividir com o Kyo.

Haru tinha plena consciência de que estava magoando o Yuki ao lhe falar aquilo, mas aquele desejo era mais forte que ele. O possuído pelo boi, que até então mantinha os braços ao lado do corpo, abraça o rato e encosta o rosto em seu ombro podendo assim sentir o seu suave perfume.

-Me desculpe Yuki. Mas eu não consigo evitar. Isso é muito mais forte do que eu.... Passei a noite toda acordado pensando numa maneira de me livrar desse sentimento pelo Kyo, mas não consegui nada. Eu preciso de vocês dois.

Yuki podia sentir a tristeza de Haru. Diferentemente do que ele tinha imaginado o possuído pelo boi também estava sofrendo com aquela situação.

-Haru...

-Esse meu desejo de ter vocês dois até parece que é uma doença.

Haru fala com um tom bem baixo em sua voz, mas que foi escutado pelo Yuki. O boi se afasta um pouco do primo e lhe olha nos olhos.

-Me desculpe Yuki.... Preciso voltar para a sede.

-Por favor, Haru. Por favor, não conte nada ao patriarca. Não só pelas garotas, mas porque todos do clã ficaram ainda mais agitados do que quando a Honda-san descobriu. E também de que adiantaria apagar a memória da Hanajima-san? Ela irá descobrir tudo novamente quando ler os nossos pensamentos...

Os dois garotos escutam passos de alguém que estava se aproximando de onde estavam e olham na direção de onde vinham os sons e vêem que o Shigure se aproximava deles.

-Hei garotos. O almoço está pronto.

-Eu estou voltando para a sede Sensei.

Haru coloca as mãos nos bolso e pega a trilha que levava até a rua. Yuki fica ainda mais ansioso do que antes, tinha medo do Haru contar ao patriarca sobre a Hanajima.

-Shigure... Será que o patriarca aceitaria que mais uma pessoa soubesse da nossa maldição?

-Está perguntando com relação à Hanajima-san?

-Exatamente.

-O Haru está com tanto ciúmes assim da garota?

Yuki apenas confirma que sim com a cabeça.

Shigure começa a caminhar em direção da casa sendo seguido pelo Yuki. O escritor estava um pouco pensativo e o possuído percebe que algo o incomodava muito.

-Yuki.... acho que teremos sérios problemas pela frente....

-Mas não vai adiantar apagar a memória da Hanajima-san. Ela descobrirá tudo novamente depois... E também, não acho que ela irá aceitar tranquilamente essa decisão. Todos da escola tem medo dela. Há boatos de que ela até matou um garoto na sua escola anterior.

-Aquela menina tão bonitinha fez isso?

-A Honda-san nunca falou que isso era verdade, provavelmente é apenas uma história inventada. Mas, é fato que ela tem um dom muito forte.

-Que tipo de dom?

-Eu não sei ao certo. Parece ser algo relacionado com ondas...

-Ondas? Hum.. Preciso perguntar isso para a Tohru-kun.

-Acha que o patriarca pode mandar apagar a memória da Honda-san também?

-Akito-san é muito imprevisível sempre. Devemos nos preparar para tudo.

-O Hatori não pode fazer isso... Não podemos punir a Honda-san dessa maneira.

-Você será capaz de ir contra uma decisão do patriarca?

Yuki apenas abaixa a cabeça. Era obvio que ele nunca conseguiria contrariar ao Kamisama.

-Tampouco eu seria capaz de contrariar Akito-san.

-Tudo isso é culpa daquele gato idiota. Por que ele tinha que começar a namorar a Hanajima-san?

#Pobre do Kyo... Agora que encontrou alguém que o aceitou, corre o risco de ficar sem essa pessoa. Akito-san não tomará a mesma atitude que teve com relação à Tohru-kun.#

by DonaKyon

20/07/2009

111


Yuki estava cuidando da sua base secreta, precisava daquilo para tentar se acalmar um pouco. Mexer com as plantas era algo que sempre lhe fazia muito bem. Tinha ido até o supermercado com o Haru, mas durante todo o caminho os dois garotos não chegaram a conversar nada. Cada um ficou preso aos seus medos e pensamentos.


-Foi o Haa-kun que veio me procurar pedindo para que viesse morar comigo. Ele sempre se preocupou muito com você. Sempre fez de tudo para aliviar seu sofrimento.


#Nunca imaginei que a idéia de eu morar com o Shigure tinha sido do Haru. Eu sempre o tratei com certa distancia. Quantas vezes quando ele me dizia que me amava eu o desprezei. Foi por isso que ele começou a gostar do Kyo. Mesmo sendo grosso, aquele gato estúpido sempre o tratou melhor do que eu. Ele até mesmo teve coragem para beijar o Haru antes de mim..... Na verdade, eu só beijei o Haru porque não queria perder para aquele idiota. Senti-me desafiado. Mas agora..... agora quero o Haru só para mim. Porém, para isso, tenho que fazer com que ele me ame de corpo e alma.#

Haru chegava até a base e se encosta-se a uma das árvores. Coloca as mãos nos bolsos da calça e fica admirando o primo. Ele queria muito se desculpar com o Yuki, mas não sabia como iria fazer aquilo. Sabia que tinha magoado o possuído quando o deixou sozinho sob o telhado e desceu atrás do Kyo.

#Tudo seria mais fácil agora. Já tenho o Yuki para mim, por que quero também o Kyo?#

Ao se lembrar do Kyo, ele se recorda da briga dos dois durante a madrugada e fecha um pouco o semblante. Não conseguia digerir o beijo do Kyo em Hanajima.

#Tá certo que ela é bem gostosinha, mas não acho que ela saiba beijar melhor do que eu. Definitivamente não irei perder o Kyo para aquelazinha.#

Yuki percebe que tinha alguém por perto e levanta a cabeça olhando para os lados, encontrando o Haru encostado na árvore. Era impossível o coração não bater um pouco mais rápido, mas ele continua a cuidar de suas plantas sem falar nada. O possuído caminha até onde o garoto estava abaixado e se senta ao seu lado.

-Sua plantação está bem maneira...

-Sim.

-Não fique ao bravo comigo.

-Não estou bravo com você, mas sim comigo mesmo.

-Uhmm, por que? Só porque cabulou a aula de hoje?

-É CLARO QUE NÃO É POR ISSO! #Como ele consegue ser tão tapado? #

-Não consigo entender então. O que fez de errado?

-Ah, deixa para lá...

-Então tá...Vou indo nessa...

Haru se levanta e começa a tirar o pó de terra de suas calças.

-Não vai almoçar aqui?

-Não! Tenho que ir para a sede. Está na hora de eu ter uma conversinha com o patriarca.

-OQUE?

Yuki imediatamente se levanta e fica parado na frente do Haru.

-Vou contar ao patriarca que aquela garota descobriu a nossa maldição.

-VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! VOCÊ MESMO QUE NÃO PRECISAVAMOS FALAR NADA AO PATRIARCA.

-Isso foi antes...

-...ANTES DE ELA BEIJAR O KYO. É ISSO, NÃO É? QUER FAZER ISSO POR QUE ESTÁ COM CIÚMES.

-É exatamente isso. Estou cheio de ciúmes e vou acabar com a brincadeira dela.

-Por que Haru? Não está vendo que isso irá magoar a Tohru, a Hanajima, e até mesmo o idiota do gato.

-Eu não ligo para as garotas, e com relação ao Kyo, estou fazendo isso para o bem dele.

- Não Haru. Está fazendo isso por puro egoísmo.

-Sim! Estou mesmo, mas amar é ser egoísta.

Yuki ao escutar aquilo o abraça bem forte.

-Eu também sou egoísta! Eu quero você inteiro só para mim. Não quero ter que te dividir com mais ninguém, nem com o Kyo, nem com a Rin, como mais ninguém.

-Lamento Yuki... Eu não posso abrir mão do Kyo....

O coração do rato parecia que estava sangrando.


by DonaKyon

18/07/2009

110


-Até mesmo nós, os possuídos, nos afastamos dele. Ignoramos-lhe por muitos anos. Se o senhor Kazuma não tivesse me pedido, ou melhor, me implorado para que ele viesse morar comigo longe da sede, acho que nunca teria tido a oportunidade de lhe conhecer melhor.

Apesar do rumo da conversa entre o escritor e o médico ter mudado um pouco, internamente nada havia mudado em Hatori. Ele volta a acender mais um cigarro e senta-se no sofá ao lado do Shigure.

-Vamos torcer para que não tenha que apagar as memórias da Hanajima-san.

-Se o kamisama me ordenar, nada poderei fazer.

-Sim, essa seria uma decisão do nosso kamisama. É ele quem protege o segredo de nossa maldição.

-Exatamente! Naquele dia não foi para o kamisama que você pediu para se casar, mas sim para o patriarca dos Sohmas.

-Mas ela me respondeu como sendo o Kamisama dos possuídos. Por isso não me deu permissão para me casar com a Kana.

Hatori se lembra da conversa anterior que teve com o escritor, e novamente a dúvida que lhe ocupava a mente, tinha se tornado ainda maior.

-Shigure....

-O que foi Haa-san?

-Depois da nossa conversa de ontem..... Não, esquece! Eu acho que estou ficando louco!

O médico se levanta do sofá e vai apagar o cigarro que ainda estava pela metade no cinzeiro que estava em cima da mesa de trabalho do escritor.

-Se o próprio médico está dando o laudo, eu não serei contra.

-Shigure..... Akito-san não me deu autorização para me casar com a Kana por ser uma mulher?

O cão apenas olhava ao primo que estava voltando para se sentar no sofá ao seu lado.

-Será que Akito-san sentia alguma coisa por mim?

#Finalmente ele percebeu!#

-Estou com esse pensamento desde ontem, mas acho que é loucura. Nunca que o kamisama poderia se apaixonar por um de seus possuídos.

-Ela se apaixonar por mim quando era criança.

-Mas era diferente. Ela nem sabia ao certo o que era ser o kamisama.

Shigure sente um pouco de pena do possuído ao ver o quanto que ele estava apavorado com a idéia de que poderia ser amado de uma maneira especial pelo kamisama e era por isso que tentava desesperadamente encontrar explicações e a comprovação de que estava errado.

-Você conversou sobre isso com Akito-san?

-É claro que não! Nunca que iria comentar isso com ela.

-Sei.

-Esquece. Isso foi apenas uma imaginação minha. Acho que estava bem próximo de ser uma alucinação até.

O médico se levanta do sofá ainda mais agitado do que estava. Verbalizar o que estava sentindo só tinha feito que tudo parecesse ainda mais impossível de ser verdade.

#Como eu pude ter essa idéia? É claro que Akito-san não permitiu o meu casamento por conta da nossa maldição, e não porque ela nutria algum tipo de sentimento por mim. Quanta pretensão a minha de imaginar que Kamisama pudesse sentir algo por mim.#

O escritor volta a senta-se de uma maneira tão relaxa no sofá e apenas fica o observando. Ele não se achava no direito de contar ao Hatori sobre os sentimentos da Akito. Aquilo tinha que ser resolvido entre os dois apenas.
-Estou voltando para a sede.

-Vá com cuidado, Haa-san. Passarei por lá ainda essa semana.

O médico e o Shigure vão até a cozinha para ele se despedir dos demais, mas apenas encontra o Ayame que estava sentado a mesa, criando alguns novos figurinos.

-Ayaa, onde estão os garotos?

-O meu amado, lindo, maravilhoso, fantástico, perfumado, inteligente e adorado irmãozinho e o Haru-kun foram dá uma voltinha. A meu pedido, que estou desejando fazer um maravilhoso almoço hoje, para comemorarmos o dia em que o meu amado irmão tomou o seu primeiro café da manhã com a minha ilustríssima pessoa, eles foram até o supermercado buscar alguns ingredientes que estavam faltando. O nosso maravilhoso e talentoso médico ficará para almoçar conosco?

-Não. Tenho que voltar para a sede agora. Até mais, Ayame.

Hatori é acompanhado pelo dono da casa até a porta. Shigure podia perceber que o médico estava pior do que havia chegado. Entretanto, mesmo sentindo pena do primo, ele não consegue deixar de se divertir com aquela situação. Ao ver o Hatori, o que sempre tinha sido o senhor todo certinho, sangue frio e racional durante toda a sua vida naquele estado era algo que alegrava o escritor. Seu estado era de pânico, mas ao mesmo tempo continha uma certa gentileza.

by DonaKyon

15/07/2009

109


Hatori apaga o cigarro no cinzeiro que segurava com a mão esquerda e olha para o escritor que ainda estava sentado de maneira tão relaxada no sofá.

-E o que aconteceu para mudar o tipo de amor que sentia por ela.

-Eu comecei a desejar outra pessoa. Basicamente sentia a mesma vontade de estar com ela, de lhe proteger, mas não a desejava... Eu nunca beijei a Akito... Nunca quis ter esse tipo de envolvimento com ela. Quando percebi isso, descobri que a amava como irmã.

-Então é possível amar sem desejar uma pessoa.....

-Podemos amar a várias pessoas ao mesmo tempo. O amor é como as nuvens do céu, pode ter vários tamanhos e formatos. Ao mesmo tempo em que podemos desejar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Porém, acredito que apenas faremos de tudo para nunca magoar apenas uma pessoa de cada vez. Para mim fidelidade é isso. É o esforço que faço diariamente para nunca magoar o Ayaa.

Hatori se levanta da poltrona e começa a caminhar pela biblioteca. Estava muito agitado, angustiado, amedrontado. O possuído pelo espírito do dragão se consumia internamente com uma dúvida que não o tinha deixado dormir naquela noite. Tinha vontade de encarar o problema de frente, mas o medo de confirmar as suas suspeitas era tão grande que o impedia. Shigure apenas acompanhava o passeio do médico com o olhar.

-É melhor eu voltar para sede....

-Tem alguém doente por lá?

-Apenas uma das empregadas de Akito-san.

Hatori então se lembra da Akito tão frágil na noite anterior e o seu coração acelera um pouco. Ainda podia sentir o calor do corpo de Akito em seus braços.

#Será que ela acordou melhor essa manhã? Ontem à noite a deixei dormindo, mas não sei se ela conseguiu dormir a noite toda.#

-Ué, o Doutor Hatori Sohma agora está atendendo aos serviçais do patriarca?

-Esse foi um caso especial, porque a Akito-san se simpatizava com ela.

-Como? O patriarca se simpatizando por uma de suas empregadas? Que fato mais surpreendente. O que tem essa pessoa em especial para conseguir tal afeto do patriarca dos Sohmas?

-A garota lembra a Eiko-san.

-A Eiko-san?? Eu vou com você até a sede.

Shigure já estava de pé ao lado do médico assim que escutou tal nome.
-Não precisa se preocupar com Akito-san. Ela ficou muito abalada, mas eu consegui a deixar um pouco mais tranqüila.

-Mas é grave o que a empregada tem?

-Não. Mas Akito-san já ordenou para que ela vá trabalhar longe da sede.

-Justamente agora o fantasma da Eiko-san tinha que voltar?

Shigure volta a se sentar, mas não da forma tão relaxada que estava antes. Mantinha agora o tronco para frente e segurava as mãos, era visível que o escritor estava preocupado.

-Por que ficou tão preocupado assim?

-Por causa do Kyo. Não quero que o ódio de Akito por ele volte a crescer. Desde que ele veio morar aqui eu estava conseguindo amenizar um pouco as coisas com o patriarca. E precisamente agora começou a namorar uma pessoa normal. Droga! Estou com um péssimo pressentimento com relação a isso. Acho que o seu caso com a Kana pode acontecer novamente.

-Se não for ainda pior.

-O Ayaa também acha isso.

-Sabemos pelos antigos relatos que os Kamisamas sempre odiaram os possuídos pelos espíritos dos gatos. Não se sabe a razão do ódio, mas todos foram odiados.
-Mas no caso do Kyo tem um agravante a mais. O fato da mãe dele. Akito transferiu para ele toda a culpa do que aconteceu com a Eiko-san. Dizia que por culpa dele nunca mais poderia ter a Eiko-san de volta.

-Todos do clã fizeram o mesmo que Akito-san, dizendo que ela se matou porque não suportou o filho que teve. Quem é de fora, falava até que o Kyo era filho de uma traição e que foi por isso que ela teria se matado.

by DonaKyon

12/07/2009

108


Ao final, o romântico café da manhã para dois acabou virando um divertido café para quatro. Yuki estava um pouco mais aliviado após a conversa com o Shigure e o Ayame, e ver os dois juntos fez o garoto ter certeza que não havia nada de errado no fato de ele gostar e desejar outro homem.

-Vamos até a biblioteca Haa-san.

-Que?

-Você não veio pegar aquele livro emprestado?

Shigure não conseguia mais segurar a curiosidade que estava sentindo. Sabia que algo tinha acontecido com o médico, pois, apesar de estar de estar com um aspecto de tranquilidade, o possuído podia sentir o quanto ele estava agitado por dentro. E a sua intuição lhe dizia que era algo relacionado ao patriarca. Shigure se levanta da mesa e o médico vai atrás dele, deixando os dois irmãos na cozinha.

-Agora irá me contar o que está acontecendo.

-Nada está acontecendo.

Os dois chegam à biblioteca e encontram um hospede dormindo no chão com um livro sob o rosto.

-Haa-kun?!

O possuído ao escutar o seu nome tira um pequeno pedaço do livro sob o olho direito para ver quem é que estava lhe chamando e vê os dois primos parados na porta.

-Bom dia Sensei. Bom dia Tori-san.

-Mais um que faltou a aula hoje. Shigure, você como tutor está sendo péssimo.

-Eu não tenho culpa de nada. A culpa é dos hormônios deles.

-Quem foi que faltou também?

-O Yuki-kun. Ele acabou perdendo a hora.

-Sei...

O escritor e o médico percebem que a fisionomia do garoto tinha ficado um pouco triste.

-Haa-kun se levante e vá até a cozinha tomar café da manhã.

O boi faz o que o escritor havia mandado deixando os dois adultos à porta fechada dentro da biblioteca.

-Parece que já vi esse filme antes.

-Hehehe.... Mas o assunto não é esse agora. O que aconteceu?

-Já te respondi que nada.

-Haa-san, é muito feio mentir.... Olha que o seu nariz pode crescer... ahahahahah

O médico já sabia que o escritor fazia aquelas piadinhas infame para deixá-lo mais a vontade.

Hatori senta-se na confortável poltrona que ficava abaixo da janela e tira o maço de cigarros do paletó do terno, enquanto que o Shigure se sentava no sofá de dois lugares que ficava bem de frente para a poltrona. Os dois permanecem em silêncio por alguns instantes. O médico podia sentir o quanto que a sua freqüência cardíaca estava acelerada. Ele queria conversar com o escritor, mas não sabia como iria começar aquele assunto.

Shigure observa a mão do médico que estava segurando o cigarro na boca e nota que ela estava um pouco trêmula.

-Nunca tinha visto a sua mão tremendo. Achava que as mãos dos médicos nunca tremiam.

-....

-Por que está tão ansioso assim? Você veio até aqui para me contar. Vamos, comece a falar de uma vez.

-....

Shigure dá um suspiro e se encosta-se ao sofá. Ele tinha uma forte intuição a respeito do que estava deixando o médico naquele estado, pois ele mesmo já tinha passado por aquela mesma situação quando era mais novo. O escritor passa a mãos nos cabelos e dá mais um suspiro antes de continuar a falar.

-Você descobriu!

-Estou com medo de ter descoberto coisas que nunca deveria saber.

-O que exatamente não queria descobrir?

-Que Akito-san é uma mulher.

-Mas, a gente sabia que ela era mulher desde que Akito nasceu.

-Mas até ontem eu sempre a vi como se fosse um homem. Mais do que isso, como se fosse apenas o nosso kamisama. Nunca a tinha visto com uma linda e solitária mulher.

-E descobriu apenas isso?

O coração do médico começa a bater ainda mais forte. Ele dá uma tragada no cigarro enquanto olhava o lindo céu azul pela janela. Shigure não consegue segurar o pequeno sorriso que surge em seus lábios, estava achando fascinante presenciar o medo, que ele já tinha sentido, em outra pessoa.

-Shigure..... Por que deixou de amar a Akito-san?

-Eu nunca deixei de amá-la. Continuo a amando até hoje, mas não como uma mulher e sim como uma irmã.

by DonaKyon

11/07/2009

107


Momiji fazia aquela declaração de amor sem tirar os seus olhos dos olhos da Tohru. Suas mãos estavam um pouco trêmulas, mas ao mesmo tempo transmitiam uma paz que ia dominando o corpo e a alma da garota.

-Momiji-kun...

Tohru não conseguia desviar o seu olhar do dele. Aquele Momiji de repente deixou de ser aquela criancinha que ela conhecia, era agora um lindo garoto, decidido a ficar ao lado da pessoa que amava. Seu coração batia muito acelerado, e a sua alma estava alegre pela primeira vez depois que a sua mãe tinha morrido

-A Tohru-chan foi a primeira pessoa que me aceitou como eu realmente sou. Como eu poderia não me apaixonar por você? Na verdade, foi muito fácil começar a te amar.
Você literalmente caiu na minha frente, parecia até que um anjo tinha descido do céu como se fosse um presente para mim. Me olhou com aquele olhar cheio de vida e alegria e me disse “muito boa noite”... Como é que eu não iria me apaixonar?

O possuído aproxima o rosto do dela, e apenas fecha os olhos quando vê que a garota tinha fechado os olhos dela. Ele a beija, mas não era aquele beijo pequeno e inocente nos lábios, lhe beijava como muito amor e carinho. Aquele era o verdadeiro beijo de um namorado apaixonado. Enquanto se beijavam, Momiji entrelaça os seus dedos nos delas como se fosse uma promessa de nunca lhe deixar sozinha.

Hanajima e a Uotani estavam voltando com as bebidas quando vêm os dois se beijando.

-É melhor a gente ficar de guarda para quem ninguém os veja.

-Sim. #Eu sabia que ele era a alma gêmea dela. Eu sei que ele a fará muito feliz. O meu primeiro amor merece toda a felicidade que pode existir nesse mundo.#

Tohru o beijava se sentindo muito amada. Ela sabia que tinha o amor da Arisa e a Saki, mas aquele amor era diferente. Aquele era um amor cheio de cuidado, e não apenas cheio de proteção. Ela então compreende que não queria perder aquele amor que o possuído lhe devotava, e que queria o amar da mesma forma.

Momiji afasta delicadamente os seus lábios dos dela, abrindo os olhos e vê o quanto que a garota estava bonita, segura com um pouco mais de força as suas mãos e Tohru abre os olhos, com a sensação de que estava começando a viver um lindo sonho.

-A Tohru-chan já sabia que eu te amava, né?

-Eu.. eu nunca desconfiava...

-Hihihi... a Tohru-chan é bobinha...

Momiji encosta a sua testa na testa da garota e lhe falava sem deixar de olhar nos seus olhos.

-Mas agora a Tohru-chan já sabe que é a minha namorada. Não precisa mais ficar nervosa quando te perguntarem se é a namorada desse coelho barulhento.

-Sim...

Escutar aquele “sim” da garota faz com que o possuído se sinta ainda mais feliz. Pela primeira vez em sua vida, ele tinha conseguido realizar um sonho. Estava de mãos dadas com o seu primeiro amor, e sabia que seria tão amado como ele a amava.

As duas colegiais ainda estavam acompanhando tudo um pouco distante dos dois, e era impossível não ficarem felizes pela amiga.

-Pelo visto eles se acertaram.

-É. As ondas deles são as mesmas agora. Eles serão muito afortunados.

-Puxa, está na hora de eu arrumar um namorado também... Agora que as minhas duas amigas estão namorando, acho que posso encontrar alguém para mim.

-Mas eu não estou namorando mesmo. Daqui algumas semanas tudo voltará a ser como era antes.

-Hehehe... Tá... Sei... Acredito nisso... E aí? Vamos até lá ou deixamos os pombinhos as sós?

-É melhor voltarmos. O almoço está acabando e eu quero comer mais alguma coisa. Vamos até a cantina.

-Essa é a Hana-chan de sempre. Pelo visto o seu bom apetite está de volta.

Arisa passa o braço ao redor do pescoço da amiga e as duas saem levando consigo as caixinhas de suco que tinham comprado.

by DonaKyon