17/11/2009

163


-A senhora pode me solicitar um chaveiro?

-Certamente que sim. Providenciarei agora mesmo. Ah, Kazuma-san, eu tomei a liberdade para enviar uma jovem empregada para o Dojo. Akito-sama não queria que ela trabalhasse aqui dentro da sede, mas a jovem deseja ficar por perto de sua mãe. O senhor tem alguma objeção?

-Nenhuma. Muito obrigado.

A mulher sai da biblioteca sentindo ainda mais raiva do que antes.

#Aquela idiota da Akito precisa voltar. Acredito que ele só sairá dessa forma. Ainda não posso revelar que quem deveria ficar como patriarca é o possuído do rato. O meu sobrinho tem razão, se a Eiko-san tivesse parido o rato, tudo estaria resolvido. Akito-san perderia o direito como o patriarca por não ser homem, e por ter o meu sangue, já que seria o filho do meu sobrinho, a linhagem direita dos patriarcas continuaria, mesmo o rato, não sendo o filho do meu filho.#

O salão que estava reservado para a reunião já estava com tudo quase preparado. As duas longas fileiras de almofadas já estavam dispostas em seus devidos lugares. Na hora da reunião todos ficariam sentados um de frente para o outro em seus lugares já previamente determinados, na frente das duas fileiras ficavam a almofada de Akito e ao seu lado direito outra de menor tamanho, que era sempre ocupada pela velha governanta. Yoko olha para verificar se faltava alguma coisa.

-Tirem o local reservado ao patriarca.

-Mas o Kazuma-sama não é o patriarca?

-Não. Esse local pertence ao Akito-sama.

As duas empregadas retiram a pesada almofada onde o patriarca se sentava naquelas ocasiões.

#Eu me recuso a participar dessa palhaçada.#

A governanta ao sair do salão encontra com os três possuídos.

-É claro que vocês seriam os primeiros a chegarem. Aposto que estão adorando o fato do Kamisama estar longe da sede.

-Estamos tão preocupados com a saúde de Akito-san quanto o senhora.

Shigure responde a governanta colocando realmente um tom de preocupação em sua voz.

-Hatori-san, eu exijo saber onde é que Akito-sama está.

-Já falei para a senhora. Foi o próprio patriarca que me proibiu de dizer onde ele está.
#Se isso for verdade, eles nunca irão falar. Esses monstros são incapazes de contrariarem ao kamisama deles.#

A governanta passa por eles sem dizer mais nenhuma palavra.

-Nossa, ela está uma fera mesmo. – Shigure olha com certa desconfiança para a velha mulher.

Os possuídos vão até a biblioteca e encontram o Kazuma no meio de vários papeis antigos.

-O Kazuma-san encontrou algo?

-Ainda não. Mas já descobri que precisaremos de um tradutor de chinês antigo.

-O que é natural, afinal a lenda dos doze signos surgiu na China.

Shigure pega alguns dos papeis para ver, mesmo sem entender muito do que estava escrito a sua curiosidade falava mais alto.

-Shigure, como está Akito-san?

-Está bem.

-Eu gostaria que levasse algumas coisas para o Megumi-kun. Peça ao Kyo para entregar a Saki.

-Pode me entregar que levarei sim.

-O professor Kazuma acredita que a nossa maldição possa ser desfeita?

-Sinceramente acho muito difícil, mas acredito que devemos tentar.

-Vocês não estão achando a velha Yoko ainda mais estranha do que o normal?

-Mas isso não é normal já que ela está preocupada com Akito-san?

-Ayame, o Shigure tem razão. Ela não está apenas preocupada, me parece que ela está um pouco amedrontada também, e tenho quase certeza que esse medo está relacionado ao fato do Kazuma-san estar aqui na mansão.

-Também acredito nisso Haa-san. Como falei ontem, essa velha deve saber de muitos outros segredos dos Sohmas.

-Mas a Yoko-san não sabia da carta da Eiko-san, disse-me que o Higuchi-san lhe afirmou que a esposa não deixou nenhuma carta.

-Será que essa carta existiu mesmo? Afinal Akito-san poderia ter inventado isso para o Yuki, com o objetivo de lhe torturar.

-Algo me diz que não, Aaya. Essa carta existiu sim.

-Mas como ela pode ter existido sem que o pai do Kyo ou a Yoko-san soubessem dela?

by DonaKyon

15/11/2009

162


- Só ela percebeu a minha solidão. A Ren foi a única... A Ren chorou por mim..

-Se..senhor Akira.... Não se deixe iludir por essa.... Não a deixe enganá-lo, senhor.... Akira-sama!


#Eu também chorava por você, Akira-sama. Eu ainda choro por você, meu filho. #

A velha governanta entrava com lentos passos na mansão, aquele lugar que era o seu lar a mais de sessenta anos. Yoko não conhecia o mundo de fora, para ela simplesmente não existia um mundo fora da sede dos Sohmas. Ela conhecia cada canto daquela mansão, e sabia de todos os segredos do clã dos Sohmas.

#A maldita Ren não sabia qual era o seu lugar. Se Akira-sama a desejava, bastasse que se deitasse com ele. Essa era a nossa função, foi assim comigo também. Mas eu sabia que não estava altura de ser a esposa do patriarca. Mesmo eu sendo a mãe do seu único filho, eu sabia que nunca poderia desejar o posto de esposa do patriarca.#

A mulher entra em seu quarto e fecha a porta. O ambiente era tão luxuoso como as partes principais da casa. Ela caminha até o armário e tira uma caixa com vários objetos dos dois antigos patriarcas dos Sohmas, do pai e do avô de Akito.

#A Ren não aceitou ser apenas a sombra do meu Akira-sama, para ela isso era muito pouco. Aquela mulher suja desejou ser a sua esposa. Ela se casou com ele, mas ela não foi capaz de lhe gerar um filho homem como eu fiz. Eu gerei a continuidade para o meu amado patriarca. Eu fui a única que lhe gerou um filho homem, nem mesmo a sua esposa legítima conseguiu isso. Mesmo tendo parido um filho com uma saúde tão fraca, o meu Akira-sama era tão belo, como o amor que eu sentia pelo seu pai. Já aquela desgraçada pariu uma mulher. Não lhe bastava ter desonrado a vida do meu Akira-sama ao se casar com ele, ela ainda conseguiu acabar com longa linhagem de descendentes diretos dos patriarcas. Eu odeio aquelas duas. Odeio a mãe e a filha. Eu só morrerei depois que enlouquecer as duas.#

Yoko retira da caixa a única foto que tinha dos três juntos, tirada no dia em que Akira tinha completado 4 anos e alguns dias antes de seu amado Akio-sama morrer.

#Eu imaginei um futuro tão bonito para o meu filho. Eu sabia que ele ia morrer cedo, mas queria que ele tivesse se casado com uma mulher a sua altura, que tivesse um filho homem para ser o próximo patriarca e que eu cuidaria do meu neto como não consegui cuidar do meu filho.#

-Yoko-san, o Kazuma-sama está lhe chamando lá na biblioteca

#Tenho que tirá-lo daqui logo. Se continuar aqui na mansão ele saberá de tudo. Ninguém pode saber que o Akira-sama era filho de uma empregada como eu. Esse segredo será levado ao túmulo comigo, assim como foi com o meu amado e com a sua esposa.#

A governanta guarda a caixa e vai até a biblioteca.

-O que deseja, Kazuma-san?

-A senhora tem a chave dessa parte do armário?

-É o Akito-sama quem as guarda.

-Então terei que chamar a um chaveiro....

-O senhor não acha que isso seria um pouco abusivo?

-Quando o Akito-san retornar, tenho certeza que o patriarca irá aprovar todas as minhas ações.

A mulher olha em sua volta e vê que tudo estava revirado.

#Não deve estar apenas atrás da carta da Eiko-san.#

-O possuído pelo gato irá entrar na sede?

-Não. Vou poupar o meu filho desse ar tão pesado.

-Quem lhe vê falando assim, até pensa que realmente é o seu pai.

-Ainda bem que poucos se recordam que ele é filho do Higuchi-san.

-De fato! Essa foi a maior desgraça que aconteceu a minha família. O senhor que é da família do antigo possuído pelo gato, sabe muito bem o que isso significa dentro do clã.

-Será que o seu sobrinho não sabe de nada da carta da Eiko-san?

-Não! Estive a pouco em sua casa para lhe perguntar isso. O Higuchi-kun me afirmou que a sua falecida esposa não deixou carta alguma.

by DonaKyon

13/11/2009

161


Kyo segura em uma de suas longas mechas de cabelo, e lhe fala com um tom mais baixo em sua voz, e com o rosto um pouco corado. Ainda não estava acostumado a essas situações tão normais entre namorados.

-Você estava tão linda rodando daquele jeito.

Saki lhe sorri igualmente envergonhada. E ainda mais desacostumada que o possuído, a garota não sabia o que lhe responde e acaba mudando de assunto.

-A Aa-chan se lembrou de algo relacionado com a Eiko-san?

-Sim. A minha mãe é que tinha aquele lance de ficar girando. Acho que as duas faziam aquilo juntas.

-Acho que aos poucos ela voltará a se lembrar.

-Seria bom se ela não se lembrar. Ela parecia ser outra pessoa do seu lado.... Me fez sentir até mesmo uma vontade de ficar perto dela.

Saki segura na mão do garoto.

-Então vamos mudar os nossos planos. Ficaremos aqui com ela..... Assim poderei ver se você sabe cozinhar bem ou não.

-Hei, cê só pensa em comida, né?

-Não! #Eu também penso muito em você.#

Kyo ao escutar o pensamento da garota, ele segura em seu queixo e lhe beija, a cada beijo os sentimentos dos dois ficava mais forte.

-Obrigado por querer me proteger também.

-De nada..... E o que irá cozinhar para a gente?

-Que tal alguns onigiris?

-Isso é muito pouco.

-Humm... Posso fazer legumes também.

-Eu quero carne!

-Carne?! Eu prefiro peixe.

-Mas eu quero carne!

Os dois entram na casa discutindo qual seria o cardápio daquele dia.

Akito ainda estava no quarto quando os dois entraram na casa. Estava se sentindo um pouco inquieta após ter visto o comportamento da outra colegial.

#Será que aquela garota me lembrou a minha mãe? Aquele comportamento parecia ser o comportamento de uma pessoa descontrolada emocionalmente. Acho que apenas uma pessoa com alguns problemas mentais é que teria esse tipo de comportamento.#

O patriarca vai até a cama e se senta.

#Aquela garota além de louca, como o Kyo falou, era também bem arrogante. Agia como se todos no mundo tivessem a obrigação de lhe amar.#

-Aa-chan?!

Hanajima surgia na porta do quarto e Akito se levanta da cama.

-O que foi Saki?

-É que o Kyo está lá na cozinha preparando o nosso almoço. Vim saber se tem algo que gostaria de comer.

-Humm, eu não me lembro se gostava de algum prato em especial.... Qual era o meu prato favorito, Saki?

A colegial consegue controlar a sua reação de espanto ao escutar aquela pergunta e lhe responde toda segura.

-Era omelete com nirá e batatas ao misô.

-Sério?? Esses pratos tão simples e pobres eram os meus favoritos?

-Sim. Apesar de sua posição, a Aa-chan sempre gostou das coisas simples da vida.

Na verdade, o patriarca nunca tinha nem ao mesmo chegado a sentir o aroma que esses pratos exalavam. Desde que tinha nascido, estava acostumada a comer as mais finas e refinadas refeições.

As duas garotas descem e vão para a cozinha, onde o Kyo estava temperando a carne que a Tohru havia comprado para o almoço do próximo final de semana deles.

-Eih, Kyo. Eu não vou querer carne. Quero omelete com nirá e batatas ao misô.

-OQUEEE??

O gato automaticamente tem aquela reação ao escutar as duas coisas que ele odiava comer, nirá e misô. Saki mais uma vez tem que se segurar para não rir.

-Que foi? A Saki falou que esses são os meus pratos favoritos. Eu quero comer isso.

O garoto olha para a namorada que imediatamente desvia o olhar e lhe pergunta com um tom de deboche em sua voz.

-Quer que eu vá buscar um pouco de nirá na base secreta do Yuki-kun ou você mesmo irá pegar?

-Eu vou!

O garoto ao passar do lado da namorada lhe fala bem baixinho.

-Saki, eu vou queimar o seu bife!

-AHAHAHAHHAHAHA

Kyo continua andando enquanto que a Hanajima gargalhava na cozinha e Akito lhe olhava toda curiosa. Era incontestável que aquela relação estava deixando os dois jovens muito mais soltos e alegres.

by DonaKyon

12/11/2009

160


A garota estava com a mão sob a região que tinha sido agredida, sentia que a sua bochecha estava queimando como se fosse uma brasa.

-SUA MALDITA! COMO OUSA ENCOSTAR ESSA MÃO IMUNDA EM MIM? VOCÊ SABE QUEM EU SOU? EU SOU A PRESIDENTE DO FÃ-CLUBE KYO SOHMA. TENHO VÁRIAS GAROTAS QUE FARÃO AQUILO QUE EU MANDAR QUE ELAS FAÇAM COM VOCÊ. ESSE TAPA TE CUSTARÁ MUITO CARO!!

-Já falei que podem fazer o que quiserem comigo. Mas não permitirei que se aproximem do Kyo. Nenhuma de vocês encostarão um dedo nele. #Eu protegerei o segredo dele.#

Kyo olhava espantado para a namorada. Ela estava disposta a tudo para lhe proteger também.

#Por que será que o comportamento daquela garota me parece tão familiar? Quem é que ela me lembra?#

Akito ainda estava parada um pouco afastada deles, mas podia escutar perfeitamente até mesmo a Saki que falava com um tom normal em sua voz.

-EU AINDA DESCUBRIREI O QUE FEZ PARA ENFEITIÇA-LO.

-Cê liga garota! Cê acha mesmo que eu sou do tipo que cairia nessas coisas? Se acredita nisso, tá na cara que não sabe nada sobre mim.

Asai Okada fecha as duas mãos com força e sente que o seu corpo estava todo tremendo de ódio por dentro. Era evidente que ela sabia que o garoto não seria manipulado daquela maneira, mas ela não queria admitir para si mesma, que ele estava amando por sua livre escolha aquela garota tão estranha.

-POR QUE ELA? POR QUE ELA E NÃO EU??

-Porque a Saki é única!

Kyo havia dito aquilo com um olhar cheio de amor e admiração para a Saki. Era impossível que aquele sentimento fosse conseqüência de uma magia qualquer. Os olhos de Asai começam a ficar cheios de lágrimas, os escondem com as mãos e sai correndo para ir embora, não agüentava ficar ver aquele olhar de amor para outra que não para ela.

#A Saki e o Kyo são muito apaixonados um pelo outro.#

O casal de namorados volta para perto do patriarca.

-Eu bem que tinha escutado algo. Quem era essa garota?

-Apenas uma colega de escola que é apaixonada pelo Kyo.

-Para mim, ela é apenas uma louca.

-Achou o outro bichinho Aa-chan?

-Achei sim. Estava próximo de onde estava o gato. Vou colocá-los no lugar, parece que aquela coleção é muito importante para a Tohru.

Akito caminha para dentro da casa deixando os dois sozinhos no jardim.

-Não faça mais isso. Se alguém te ameaçar me fale. Eu te disse que não quero que sofra nenhuma agressão por minha culpa.

-Essa foi a primeira vez que bati em alguém. Nunca reagi a nenhuma das agressões que sofri, porque quando eu estava no prézinho, os meninos da minha classe me fizeram comer uma lagartixa viva e eu quase matei um deles. Ele ficou vários dias no hospital por minha culpa. Eu vi que se me defendesse das agressões eu poderia matar alguém. Por isso nunca reagia, mas quando vi que ela ia te abraça, eu não pensei em mais nada.

-Viu?! Ela não morreu! Pode reagir assim sempre. Não precisa mais agüentar torturas porque tem medo de ferir os outros. Se alguém te agredir, basta virar um tapa na cara da garota, mas se for um homem pode deixar que eu cuidarei dele.

Saki olha sorrindo para o Kyo e recebe o mesmo sorriso de volta.

-Então esse será o nosso trato. Um irá proteger sempre ao outro.

-Hehe... Adorei te ver com ciúmes.

-Não fiquei com ciúmes, apenas bati nela porque ela ia te abraçar.

-Ahahah, só faltou falar assim: “Ele é meu e ninguém colocará as suas mãos nele!” Ahahahhaha

-Não seja tão bobo. Já imaginou o que aconteceria se ela te abraçasse?

-Não sou tão descuidado como a Ratazana.

-Não?? Como foi mesmo que a Tohru-chan descobriu o segredo dos Sohmas?

-Ah, aquilo não conta.

-Sei.

O “sei” respondido pela Hanajima tinha saído cheio de sarcasmos.

by DonaKyon

10/11/2009

159


Os três começam a procurar pelos dois animais, mas continuam conversando enquanto realizam a busca.

-O que vocês dois estão fazendo aqui? Não deveriam estar no colégio?

-O Kyo quis matar a aula.

-Vocês são namorados, não são?

Kyo para de procurar e engole a seco, mas Hanajima responde no mesmo tom de despreocupação que estava antes.

-Somos sim.

-Logo percebi que tinha algo entre vocês. Ontem quando se encontraram os seus olhos brilharam.

Tanto o Kyo como a Saki ficaram um pouco vermelhos quando escutaram aquilo.

#Então é verdade! Ela é namorada dele.#

Hanajima começa a olhar como se procurasse por alguém em direção da mata que cercava a casa do escritor. Kyo percebe que a namorada estava preocupada com alguma coisa.

-O que foi Saki?

-Nada.

A presidente do fã-clube do Kyo quase que nem respira enquanto se escondia atrás de uma grande árvore. Asai não havia conseguido ficar mais na escola após saber pelo Momiji que a Hanajima era a namorada do garoto. Contrariando a primeira regra do fã-clube, a colegial tinha ido até a casa do possuído com o objetivo de conversar com os pais do garoto, e assim os alertar a respeito do grande perigo que o seu filho estava correndo ao se envolver com a Hanajima.

Entretanto, assim que chegou próximo da casa do escritor, a garota acabou tropeçando e caindo de cara no chão, e com medo de que a mãe do garoto a visse naquela situação tão embaraçosa, ela correu para se esconder por entre as árvores.

Ao ver Akito saindo da casa, a garota imagina que ela era a irmã mais velha do Kyo, e justamente no momento em que tinha se enchido de coragem para se aproximar de Akito, e assim lhe contar a terrível desgraça que estava acontecendo ao seu querido irmãozinho, Asai vê que o Kyo e a Hanajima estavam chegando à casa de mãos dadas, e volta a ficar escondida para observá-los.

-ACHEI O GATO!!

Akito segurava em sua mão levantada a pequena figura do gato laranja.

#Justamente Akito tinha que me encontrar? Queria que tivesse sido a Saki...#

Asai volta a espiar mais uma vez para o grupo.

#Amanhã você receberá a sua devida punição, sua bruxa!#

Saki para de procurar, e se lembra de todas as crueldades que tinha sofrido por ter aquele dom, por ser tão diferente dos outros.

#-Mas por ele valerá a pena sofrer. Elas poderão fazer o que quiserem comigo amanhã.#

Kyo que tinha escutado os pensamentos da Saki, usa o seu instinto felino e percebe que tinha uma garota escondida entre as árvores. O gato se levanta, caminha até a Saki, pega em sua mão e a puxa para que ela o acompanhe. Akito se levanta e fica apenas os observando.

-Hei! O que quer aqui?

-KYO-SAMA!!

-Já te falei para parar com essa merda de Kyo-sama!

-Então era ela quem estava aqui.

-Se sabia que tinha gente aqui por que não me falou? Eu não te disse ontem que vou te proteger!!

-E POR QUE É QUE TEM QUE A PROTEGER? KYO-SAMA, NÃO VÊ QUE ELA O ENFEITIÇOU? ELA É UMA BRUXA!!

Kyo olha com um olhar frio e cheio de raiva para a garota.

-Eu a protejo porque eu a amo. E vê se para com essa merda de fã-clube. Eu odeio tipos de garotas como vocês!

-NÃO! NÃO! NÃO! VOCÊ ESTÁ FALANDO ISSO APENAS PORQUE ESSA BRUXA ESTÁ MANDANDO QUE FALE. ESSA NÃO É A SUA VONTADE. VOCÊ NÃO PODE AMAR ESSA BRUXA! #ele precisa acordar desse feitiço#

Saki escuta os pensamentos da garota e percebe que ela estava indo para cima do Kyo para abraçá-lo. Rapidamente a colegial se coloca na frente dela e lhe dá um tapa na cara.

-Eu sempre suportei tudo o que me fizeram. Não me importo se amanhã vocês me queimarem com um isqueiro, me fizerem engolir agulhas, ou tentarem me jogar do telhado da escola, mas contra ele, não permitirei que façam nada.

by DonaKyon

07/11/2009

158


Ao ouvir aquele nome, o homem que tinha acabado de colocar o cigarro na boca fica todo engasgado.

-COF... COF... COF... O QUE DISSE?

-Sim. O pai adotivo do seu filho é o novo patriarca do clã!

-COMO? COMO QUE PODE ISSO?

-EU TAMBÉM NÃO SEI!! O KAZUMA-KUN JÁ ESTÁ ATÉ MESMO MORANDO NA MANSÃO. DISSE QUE TODOS OS DETALHES SERÃO DADOS NA REUNIÃO QUE MARCOU PARA DAQUI A POUCO!

-Eu não estou entendendo mais nada.

-VOCÊ NUNCA ENTENDEU NADA MESMO! SEMPRE FOI UM BURRO! SÓ SABE BEBER E FICAR ATRÁS DE MULHERES.

-Não é bem assim minha tia... É que ontem teve uma festa...

-EU NÃO QUERO SABER DE NADA. SÓ QUERO QUE SE LEMBRE QUE SE HOJE TEM ESSA VIDA TÃO FÁCIL É GRAÇAS A MIM!

O homem abaixa a cabeça e se senta no futon onde até a poucos minutos atrás dormia tranquilamente. A imagem de sua tia tão fora de controle o deixava amedrontado. Na verdade, ele sempre a tinha temido muito.

-O que podemos fazer, minha tia?

-Eu não sei! Mas temos que tira-lo de lá. Ele não pode ficar como patriarca. Será que o Higuchi-kun é capaz de imaginar qual foi a primeira coisa que ele me perguntou?

-hum... Se teria como aumentar ainda mais o que ele recebe por criar um possuído?

-É CLARO QUE NÃO! O KAZUMA-KUN ME PERGUNTOU SOBRE A CARTA DE SUÍCIDO DA EIKO-SAN!

O homem fica pálido ao escutar aquilo.

-Como ele ficou sabendo disso?

-ELE NÃO ME DEU NENHUM DETALHE, APENAS PERGUNTOU SE EU SABIA ONDE ESTAVA A TAL CARTA?

-E o que lhe respondeu, minha tia?

-DISSE NEM SABIA DISSO!

O homem dá um forte soco no tatame.

-QUE MERDA!! POR QUE É QUE AQUELA MALDITA TEM QUE VIR ME ATRAPALHAR NOVAMENTE?

-Acho que finalmente o meu sobrinho percebeu o que está acontecendo! Se o Kazuma-kun descobrir alguma coisa será o seu fim?

-MEU FIM?? SERÁ SOMENTE O MEU FIM, MINHA TIA? NÃO SERIA O NOSSO FIM?

-Eu já sou uma mulher velha, mas o meu sobrinho ainda tem muitos anos pela frente.

-MALTIDA EIKO! MIL VEZES MALDITA!!! ESPERO QUE A SUA ALMA NUNCA ENCONTRE PAZ! SE A DESGRAÇADA TIVESSE PARIDO O RATO TUDO SERIA DIFERENTE!

-Não adianta ficar falando isso agora. Temos que tirar o Kazuma-kun de lá.

-E se a gente falar a mesma coisa para ele?

-Acha que o Kazuma-kun é tão idiota como era a sua mulher?

A velha governanta finalmente se senta no tatame. Ela precisava pensar em alguma coisa e tinha que ser muito rápido.

#Não posso permitir isso. Tudo o que fiz não pode dar em nada. Elas ainda não estão destruídas por completo. Eu quero levar as duas à loucura. Quero ter o prazer de ver aquelas duas cretinas sendo levadas para o mesmo hospício. Só morrerei depois disso.#

-Onde está a Naomi-chan?

-Ela está no hotel como a senhora mandou.

-A traga de volta para cá. Quem sabe ela não consiga se aproximar do Kazuma-kun ou do seu filho e assim a gente descubra alguma coisa. Ela vai ficar trabalhando lá no Dojo.

-Vou buscá-la agora mesmo.

O homem se levanta e começa a se arrumar para sair.

#Ele nunca deveria ter se casado com aquela mulher. Aquela vadia o seduziu e o roubou de mim. Não foi isso que eu sonhei para ele. Eu sempre sonhei que ele se casaria com uma mulher educada e elegante, alguém que estivesse à altura de ser a esposa do patriarca dos Sohmas. Mas a maldita Ren acabou com esse sonho. Como uma simples empregada poderia se casar com o patriarca dos Sohmas? Eles sempre estiveram muito distantes de nós... Empregadas como nós, deveríamos apenas servi-los e amá-los à distância... Eu não desejei que o meu filho se casasse com uma empregada suja como a mãe.#

by DonaKyon

05/11/2009

157


Mine ajeita os óculos e depois olha bem séria e firme para o escritor.

-Mas se um dia o Chefinho resolver deixar de ser gay, o priminho pode ter certeza de que a Mine será a primeira da fila.

-Ahahah, pode deixar. Eu mesmo tratarei de ligar para a senhorita para lhe avisar disso.

A jovem costureira lhe sorri e volta a trabalhar no vestido que estava antes. O escritor fica apenas observando o movimento da loja e da tranqüila rua onde ficava. O rapidinho do Ayame durou quase uma hora. E ao retornar para a loja, encontra o primo cochilando no sofá.

-Hohohoho.... O Guretti está parecendo um velhinho, basta encostar-se a um lugar e já começa a dormir.

Shigure abre apenas o olho esquerdo e olha para a serpente que estava parada ao seu lado.

-É que certa pessoa não me deixou dormir nada neste final de semana.

-Então vamos logo, trate de se levantar! Já estamos ficando atrasados por sua causa. Não quero nem ver o quanto que o Tori-san ficará bravo se a gente se atrasar.... Minha doce Mine, poderia colocar todas as roupas que separei nas malas, mandarei um dos motoristas vir buscá-las depois.

-Pode deixar, Chefinho! A Mine já irá guardá-las.

Os dois possuídos entram no carro com um dos motoristas da sede, e que já os esperavam a quase quarenta e cinco minutos. Quando chegam à sede, o clima que encontram era ainda pior do que imaginavam.

-Acho que uma bomba caiu por aqui.

-Pelo visto, já sabem quem é o novo patriarca.

-Vamos até a casa do Haa-san.

Os dois começam a caminhar em direção da casa do médico e encontram com a velha governanta pelo caminho, mas ela nem olha na cara deles. A mulher estava tão furiosa que poderia matar a qualquer um.

-A Velha Yoko está muito pior hoje.

-Ela deve estar muito preocupada com o Patriarca. O que é compreensível, afinal há tantos anos que ela cuida dele.

-E que o azucrina também. Eu nunca gostei dessa velha.

-Eu me lembro de como o Guretti queria aprontar alguma travessura com ela, mas Akito-san nunca nos deixou.

Os dois chegam à casa do médico e o Shigure vai entrando sem ao menos bater na porta.

-Haa-san, já estamos aqui.

O médico estava sentado no sofá, e era visível que ele estava muito cansado.

-Cruzes Tori-san? O que aconteceu? Está com uma cútis horrível hoje.

-A Yoko-san acabou de sair daqui. Veio exigir que eu falasse onde é que estava o patriarca. Ela até mesmo falou que a gente a tinha seqüestrado, que o “pai” do gato tinha envenenado a todos nós.

-Isso explicar o porquê daquela cara.

-O Professor Kazuma já está lá na mansão?

-Sim. Foi hoje cedo para lá. E já começou a pesquisar na biblioteca dos patriarcas.

-O Kazuma-san ficou muito incomodado com tantos segredos que descobriu ontem. Era evidente que ele começaria a pesquisar o quanto antes.

-Não me espantaria nada se o Professor Kazuma não acabar encontrando até mesmo uma forma de acabar com a nossa maldição.

-Nem eu mesmo duvido disso, Aaya-san. Depois de descobrir sobre a tal carta da mãe do Kyo, tenho certeza que escondem coisas até mesmo da gente.

-Vou me arrumar para irmos. O Kazuma-san deve precisar muito mais do nosso apoio agora. Não imaginava que a Yoko-san teria essa reação que teve.

Os dois possuídos se sentam para esperar o médico.

As famílias dos possuídos eram as pessoas que mais estavam alteradas. Ninguém queria acreditar que o pai adotivo do gato era o novo patriarca do clã.

-CADÊ O HIGUCHI-KUN?

-E-ele ainda está dormindo, Yoko-sama.

-Vá procurar o que fazer bem longe daqui!

A velha governanta empurra a jovem empregada da sua frente indo para o quarto.

-É REALMENTE UM IMPRESTÁVEL! O MUNDO CAINDO LÁ FORA E VOCÊ AQUI DORMINDO!

-O que foi minha tia?

O homem vai se levantando com um pouco de dificuldade, era evidente que ele tinha bebido a noite toda, e cheirava a perfume de mulher.

-Será que o meu sobrinho sabe quem é o patriarca dos Sohmas?

-É claro que sei. É o Akito-sama!

-NÃO! NÃO É MAIS AQUELE IDIOTA! AGORA QUEM É O PATRIARCA DOS SOHMAS É O KAZUMA-KUN!

by Donakyon