04/10/2009

144


Hatori se abaixa um pouco e lhe fala baixo para não atrapalhar as conversas paralelas da mesa.

-Akito, como ficará aqui, a gente precisa resolver uma coisa. Pode vir até a biblioteca?

A garota se levanta e segue o médico e o Kazuma até o escritório do escritor. Os outros ainda continuaram a mesa, conversando e rindo com as histórias dos dois amantes. O ambiente estava muito mais leve entre os possuídos agora.

-O que é, Hatori?

-Akito, você não se lembra, mas é a atual líder da nossa família. Está exercendo essas responsabilidades desde que o nosso antigo patriarca, o seu pai, faleceu.

A garota ao escutar aquilo precisa se sentar.

#Então eu não tenho pai. Eu não consigo nem me lembrar de seu nome ou rosto.#

-Como seu médico, lhe aconselho a se afastar dessa obrigação por um tempo. Acho que só deveria voltar à sede apenas depois que tivermos feitos todos os exames necessários, mas o clã não pode ficar sem alguém a sua frente.

-Eu tenho mãe?

-Tem, mas a sua mãe é muito doente.

-Tenho irmãos?

-Não.

-Se a Akito-san confiar em mim, eu fico como o patriarca dos Sohmas por esse tempo.

-O que preciso fazer?

-Por favor, escreva uma carta, dizendo que se afastará por alguns dias para tratamento médico e que eu serei a pessoa indicada por você para ser o patriarca durante a sua ausência.

Ela se levanta e vai até a mesa do escritor para escrever a carta. Kazuma sabia que as coisas no clã não seriam tão fáceis como tinha sido com ela, mas ele estava disposto a fazer tudo para ajudar aos possuídos, e o próprio kamisama. Akito escreve a carta e a entrega.

-Estou voltando para a sede agora Hatori. Marcarei uma reunião familiar amanhã pela tarde, e é muito importante que vocês três estejam lá.

-Estaremos. Eu avisarei na mansão assim que voltar para a sede.

Kazuma se despede dos dois e sai do escritório fechando a porta. Hatori se aproxima de Akito e lhe afaga os seus cabelos.

-Não se preocupe. Em breve se lembrará de tudo.

-E eu irei gostar de ter me lembrado?

-Algumas partes sim. Outras não.

A garota olha nos olhos do médico e lhe sorri.

-Eu ficarei muito feliz quando me lembrar de tudo o que o Shigure e o Ayame contaram.

Hatori sente um pouco de tristeza em seu peito. Era impossível ela se lembrar de algo que nunca tinha existido. Ao ver que o olhar do médico tinha ficado com um pouco de lágrimas, ela se levanta e segura a sua mão.

-De todos, o seu olhar foi o mais triste. Por que Hatori? Por que o seu olhar é o mais triste? Por que a sua mão tremia tanto? Naquela hora, eu senti vontade de chorar porque não conseguia me lembrar de você. Por quê? Por que só por você eu senti vontade de chorar quando não me lembrei quem era?

A garota abaixa a cabeça e fecha os olhos. Não conseguia entender o que estava acontecendo, mas naquele instante ela tinha começado a chorar.

-Por que é que está doendo tanto assim agora? Por que é que estou sofrendo por não me lembrar de você? Por que é que eu desejo tanto...tanto... tanto assim, me lembrar apenas de você e me esquecer de todo o resto?

#Ela sempre me amou...... A Akito sempre me amou....#

O médico segura em seu rosto e ela abre os olhos. O corpo de ambos estava tremendo muito naquele instante. Sem tirar os seus olhos dos olhos tão assustado de Akito, Hatori a abraça e vai aproximando os seus lábios dos dela, e apenas, quando suas bocas estavam separadas pela pequena linha vermelha do destino, é que ele fecha os seus olhos e lhe beija. Akito lentamente fecha os olhos, não sabia o que estava acontecendo, mas algo gritava dentro dela como se estivesse tentando lhe avisar que ela sempre tinha esperado por aquele beijo. Ela o abraça e lhe beija como se soubesse do quanto que o amava e de como havia sofrido por causa daquele amor.

by DonaKyon

03/10/2009

143


O patriarca estava tendo que fazer tudo por ela mesma, e não estava se saindo muito bem. Havia derramado muita coisa pela mesa antes de colocar no prato. Hatori dá um pequeno sorriso e vai se sentar no único lugar disponível e que ficava próximo da Hanajima e do irmão dela. Apesar de tudo, era divertido ver Akito naquela situação tão desastrada.

#Como eu vou a convencer para que fique aqui por alguns dias? Para ela, não posso dar a mesma desculpa que darei na sede.#

Hanajima olha para o médico e depois vira o rosto e olha para a Akito.

-Aa-chan, por que é que não fica aqui, na casa do Shigure-san, por alguns dias?

-Mas por quê? Eu não moro na sede?

-Sim, mas não acha que a sua memória poderia voltar mais rápido se ficasse mais tempo comigo e a Tohru-chan?

-E por que é que não vão para a sede comigo?

-É que a gente não se sente muito bem lá. A sua família é bem tradicional e cheia de etiquetas. A Aa-chan mesmo estava pensando em morar um tempo fora da sede. Nos últimos tempos, sempre falava que estava se sentindo muito presa e cheia de coisas para fazer, e que queria umas férias.

Akito coloca o hashi sob a mesa. Não adiantava duvidar da amiga, se ela estava falando aquilo é porque era a verdade. Mas, não saber nada do seu passado a estava deixando muito angustiada. Naquelas horas que tinha conversado com as garotas, pouco tinha perguntado sobre ela mesma, não sabia o que fazia antes, se ia a uma faculdade, quem eram os seus pais, não sabia nem que idade tinha. Ela olha para todos que estavam comendo e conversando naquela mesa, e já se sente um pouco mais familiarizada com eles.

#Talvez a Saki-chan tenha razão. Acho que vou me sentir pior na sede, lá haverá muito mais rostos estranhos. E eu estou me sentindo bem aqui com elas. #

Hatori se limitava a escutar a conversa das duas, mas sem demonstrar que ouvia tudo, continuava comendo de cabeça baixa e em silêncio.

-Tem razão Saki-chan.... Acho que ficaria melhor se ficasse aqui por um tempo.
Hanajima segura em sua mão e lhe sorri.

-Verá como isso te fará se sentir bem melhor.

#Muito obrigado, Hanajima!#

Saki apenas olha para o médico e depois chama a Tohru, que até então conversava com o Momiji, para falar a novidade.

-Ela disse “de nada”.

-O Hanajima-kun também consegue ouvir os pensamentos?

-Não. É que conheço muito bem a Saki-chan. Aquele olhar dela para você queria dizer isso.

-Como descobriu a nossa maldição?

-O Kyo me contou ontem. Por algum motivo, a Saki-chan não consegue ouvir os pensamentos dele e ele quer que eu descubra o porquê para que assim ela deixe de escutar os pensamentos dos outros também.

-Entendi.

-Portanto, se tiver que apagar as memórias das garotas, terá que apagar as minhas também.

O menino volta a comer, e o médico novamente observa a Akito.

#Será que ela se lembrará depois de tudo isso? ... Eu deveria ter me especializado em neurologia como o meu pai queria.#

O jantar ocorre de maneira muito descontraída. O Shigure e o Ayame começaram a inventar várias histórias divertida da infância da Akito com o trio amigos do peito, e faziam aquilo tão bem, que todos estavam começando a acreditar que tudo era verdade. Diziam que naqueles dias em que ela ficaria na casa, eles iriam contar muitas outras histórias do passado vergonhoso da garota. Ao final do jantar, Akito sentia que estava um pouco mais próxima dos primos. Hatsuharu estava sentado a sua frente e durante todo o jantar, ela ficou vendo o machucado em seu rosto, sem se lembrar que tinha sido feito por ela mesma.

-Hatsuharu, como foi que se machucou assim?

-Err... Foi numa briga que tive essa tarde.

-Tomará que não fique marca. Você parece ser bem vaidoso, acho que isso te deixaria um pouco chateado.

-É você tem razão..... Mas, talvez tenha valido a pena ganhar essa marca.

A garota não entendeu o que ele estava falando, mas não teve a oportunidade de continuar a conversa, porque o médico estava ao seu lado e lhe chamava.

by DonaKyon

01/10/2009

142


Yuki que estava em pé, assim como os demais, abaixa a cabeça e continua falando a respeito da carta.

-Ele falou de uma carta que ela tinha deixado dizendo que não suportava mais estar ao lado dele, e que se ao menos ele fosse o possuído pelo rato, eles teriam sido felizes.... E que o Kyo me odiava por causa daquilo. Por que a mãe dele tinha desejado ser a mãe do rato.

Mesmo não se sentindo mais culpado pela morte de sua mãe, era difícil para o garoto escutar tudo aquilo.

-Mas o que me chamou a atenção hoje é que, no final, quando Akito me disse que eu tinha conseguido a proeza de ter sido odiado por todos, ele naquele momento me olhou da mesma maneira que o Kyo sempre me olhava, estava cheio de ódio por mim. Eu acredito que Akito também me culpava pela morte da Eiko-san, e foi por isso que ele começou a me torturar.

Shigure para um pouco para pensar.

-Sim... Isso faz sentindo. Creio que o descontrole emocional da Akito começou após a morte da Eiko-san.

-A Saki me falou que o patriarca achava que a minha mãe só deu a luz ao possuído do gato como sendo uma punição ao fato dela ter gostado dele.

-Akito me falou isso ontem também. Ela mencionou que a maldição do kamisama era perder todos aqueles que gostassem dela.- Hatori fala olhando para os demais.

-Acho que nem o pai do Kyo sabe da existência dessa tal carta. Ele nunca me contou nada a respeito disso.

-Provavelmente isso ficou apenas entre o pessoal da mansão. Nem mesmo eu sabia de tal carta.

#Pelo visto irei descobrir muitos outros segredos depois que estiver na mansão do patriarca.#

-Talvez a Yoko-san seja a única pessoa que saiba de todos os segredos do clã.

-Talvez, Tori-san? Eu tenho certeza! Aquela velha está há muitos séculos como a governanta da mansão, acho até que ela está ali o mesmo tempo que existe a maldição nos Sohmas.

-Sim, a Yoko-san já estava na sede quando eu nasci.

-Foi isso mesmo Megumi-kun... A Tohru-chan tomou um banho com a água do tofu e tudo ficou no chão.... A Uo-chan depois falou que o tofu fez muita falta no missoshiro.

-A Arisa-chan acredita que a Tohru-chan, naquele dia, correu tão rápido que era possível que ela ganhasse até uma medalha de ouro numa competição.

-E depois, quando já estávamos dentro da minha casa, levei a maior bronca da Uo-chan. Falou que sabia se virar sozinha.


Hanajima tinha falado um pouco mais alto que o normal para chamar a atenção dos demais que elas estavam voltando para a sala e o Shigure faz sinal para eles voltarem para lá. Ainda custava muito para todos verem aquela pessoa na frente deles. Akito estava ajudando as garotas a colocar os pratos na mesa, justamente ela, que nunca tinha precisado ir até a cozinha para conseguir um copo de água, agora estava arrumando a mesa para o jantar.

Akito escutava mais do que falava. Ainda estava se sentindo muito confusa e estranha. Mas, escutar a história de quando a Tohru-chan tinha conhecido a outra amiga de escola delas, estava sendo muito divertido para ela. E ela sorria de uma maneira muito tranqüila.

Hatori é o último a voltar para a sala. Todos os outros já tinham escolhido um lugar e estavam sentados. Akito estava sentada quase na ponta da mesa, no meio das duas garotas. Era evidente que ela só estava conseguindo se sentir um pouco mais a vontade com elas. Ele fica por algum tempo apenas olhando para Akito. Para ele, aquela garota não era tão estranha assim, sentia como se a tivesse olhado de relance naqueles últimos dias. Parecia que a tinha visto correndo pela sua frente, mas que depois ela tinha ido se esconder num lugar muito escuro e de difícil acesso, dentro do coração do patriarca.

#A primeira vez que a encontrei foi quando ela acordou daquele pesadelo e começou a chorar imaginando que tinha me ferido novamente. Após tantos anos, eu descobri o quanto que ela sofria por ter quase me cegado.#

by DonaKyon

27/09/2009

141


-Quer dizer que o Haru só gosta de mim por que ele é doente?

-A obsessão doentia que ele desenvolveu por você nesses últimos dias, isso sim, era uma doença. Na verdade, o Haru e a Kagura, em algum momento de suas infâncias criaram uma outra pessoa dentro deles. A Kagura aceitou fazer o tratamento um tempo atrás, e foi através dela, que eu descobri o real motivo deles terem criando essa dupla personalidade. Tanto a Kagura, como o Haru, queriam ser amigos do possuído do gato. Os dois a criaram para poderem sobreviver dentro do clã. Eles desenvolveram a dupla personalidade para assim terem coragem de enfrentar os demais e até mesmo a eles próprios, que se sentiam mal por desafiarem o kamisama, e dessa forma poderem ser seus amigos.

-Tudo isso por causa da mente distorcida de alguns do clã, que ainda insistem em isolar o possuído do gato. Eu ficarei muito feliz, se nesse período em que serei o patriarca, se conseguir consertar um pouco as coisas para os possuídos. Para todos vocês e não apenas para o Kyo.

Ao ouvir aquilo, Kyo se recorda da conversa que tinha acabado de ter com a Saki.

-Mestre, por que nunca me contou que a minha mãe tinha sido a babá do patriarca?

-A Eiko-san? Eu não sabia disso também.

Kazuma olha para os três possuídos mais velhos. Tinha acabado de descobrir outra informação que apenas alguns sabiam. Shigure olha em direção da cozinha e depois aponta para o seu escritório. Depois do que tinha acabado de saber sobre o ocorrido daquela tarde, ele acha melhor levar todos para lá e assim evitar qualquer tipo de problema.

O trio amigos do peito olham-se entre si. Nenhum deles queria falar sobre aquilo.

-É melhor você contar tudo Guretti. Afinal você foi o único que ficou mais próximo da Akky e que sabe de todos os detalhes.

-Tudo bem. Sim, a mãe do Kyo foi a babá da Akito quando ela era criança. Pode-se até dizer que a Eiko-san era a mulher que mais estava próxima da figura de mãe para a Akito. Após a morte do Akira-sama, a Eiko-san era a única pessoa que a Akito deixava chegar perto dela. Ela trabalhou na mansão até o dia em que se casou com o pai do Kyo, e a Akito se sentiu abandonada, ou melhor, se sentiu trocada. Depois de um tempo a Eiko-san ficou grávida e o Kyo nasceu. Após o nascimento do gato, Akito nunca mais viu a Eiko-san. Sempre se recusou a falar com ela.

-É por que esconderam isso de todos?

-Isso eu não sei ao certo, Kazuma-san. Só sei que alguns dias depois do casamento da Eiko-san, a velha da Yoko veio e nos proibiu de tocar naquele assunto para não deixar a Akito ainda mais triste. E com o tempo a gente até acabou se esquecendo que a Eiko-san tinha sido a babá da Akito.

-Hoje eu me lembrei de algo que o Akito me falou quando eu era criança. Foi um pouco depois que o Hatori apagou as memórias dos meus amigos. Ele contou sobre uma carta que a Eiko-san tinha deixado quando ela morreu.

-Carta? A minha mãe deixou uma carta?

-Disso nem mesmo eu estava sabendo Yuki-kun. E o que dizia essa carta?

Yuki olha para o possuído do gato. Não queria falar na frente dele o conteúdo da carta, pois sabia que o garoto iria odiá-lo ainda mais depois daquilo.

-Errr... Eu não me lembro bem... Era uma criança...

- A Ratazana pode falar o que tinha na carta. Tá na cara que você se lembra.

-Eu só me lembrei disso, depois que o Shigure me contou a história da Eiko-san. Um dia durante mais uma das sessões de tortura psicológica de Akito. O patriarca mencionou sobre o suicídio da mãe do Kyo. Acho que aquela foi a primeira vez que ele me contou sobre a morte da mãe dele.

by DonaKyon

26/09/2009

140


Megumi não ficou muito tempo dentro da cozinha.

-Saki-chan, as garotas estão te chamando.

A colegial vai até lá, e o garoto se aproxima do grupo de adultos. Todos estavam o olhando, e ele não falava nada, mas era evidente que algo o estava incomodando muito.

-E aí pivete?

-A maldição da Saki-chan é melhor do que as minhas. Me pergunto como foi que ela conseguiu ficar tão boa assim. E olha que essa foi a sua primeira vez.

-Então não conseguiu desfazer a maldição?

Megumi olha para o Hatori.

-Ainda não.... Mas achei a Aa-chan muito bonita!

#Sim... Coragem é um dos nomes da família Hanajima. Será que a nossa maldição também não foi lançada por uma simples criancinha como essa?#

O médico vai se sentar no sofá, agora só lhe restava à medicina para reverter àquela situação.

-Pesquisarei mais sobre isso também. Deve ter uma maneira de desfazer sim. Não existe nenhuma maldição no mundo que não possa ser desfeita, ou controlada!

Todos os possuídos olham para o garoto, mas nenhum chegou acreditar que a sua própria maldição poderia ser desfeita.

-Eu também acredito nisso! E irei ajudá-lo. Tentarei encontrar o máximo de informações possíveis sobre a maldição do Jûnishi lá na mansão, acredito que como sendo o patriarca, terei acesso a muitas coisas.

-Que? O Mestre vai ficar como o patriarca?

-Sim, mas será apenas por um tempo.

O som das risadas das garotas na cozinha chama a atenção de todos.

-É difícil acreditar que ela esteja rindo dessa maneira também.

Megumi olha para o Shigure e dá um pequeno sorriso com o canto dos lábios.

#Acredito que o meu gesto egoísta será favorável para eles também.#

O garoto, ao ver o quanto que todos estavam curiosos sobre o que as garotas estavam conversando, resolve se aproveitar de sua posição como criança e vai até a cozinha, deixando todos os outros com inveja dele.

-Puxa... eu também queria ir lá.... Queria ficar com a Tohru-chan.

-Como é bom ser criança nessa hora. A gente também fazia muito isso, né Aaya?

-Vocês dois faziam isso e coisas muito piores também. Mas foi bom que o Hanajima-kun foi para a cozinha. Preciso esclarecer uma coisa. O Haru-kun, não foi para a sede para conversar com Akito. Ele foi para se consultar comigo.

-Eu passei na casa do Hatori e a empregada falou que ele tava lá na mansão. Na verdade eu fui até a mansão atrás do Hatori e não do Akito.

-Mas você tinha me falado antes que ia até a sede para contar ao patriarca sobre a Hanajima e o Kyo porque estava com ciúmes deles.

-Yuki, você me fez ver que eu estava errado. Eu percebi que se contasse a verdade para Akito não estaria apenas prejudicando as garotas e o Kyo. Estaria prejudicando principalmente a pessoa que mais amo. Aquela por quem eu tinha feito de tudo para salvar, para tirá-la da sede, e assim, ficar longe das torturas de Akito. Se a Tohru-kun se esquecesse de tudo, era você a pessoa que mais iria sofrer. Eu sempre disse que eu gosto do Kyo, mas é você quem eu amo, e eu não queria te magoar mais com isso. Não queria que você sofresse por causa da minha obsessão pelo Kyo. Por causa da minha doença.

-O que o Haru-kun tem é chamado em inglês de Dissociate Type. É a teoria que explica os casos de dupla personalidade. Normalmente, se alguém não é capaz de ultrapassar uma barreira psicológica durante o período da sua infância, outra personalidade pode nascer dentro dela, para proteger e confortar esta criança. Não importa a personalidade, ela existe, porque a pessoa deseja isso. Eu descobri isso alguns anos atrás, mas ele sempre tinha se recusado a começar um tratamento até hoje. O que aconteceu, é que a Akito acabou ouvindo o final da nossa conversa, justamente a parte que o Haru-kun estava dizendo que queria ser capaz de desejar felicidade para o Kyo e a sua namorada.

Todos olham para o Haru como se lhe pedissem desculpas.

by DonaKyon

23/09/2009

139


Akito já não estava suportando ficar ali na sala com aqueles olhares tão espantados para ela, tudo o que ela queria era sair um pouco dali.

-Onde fica a cozinha? Tem coisas que precisam ir para a geladeira aqui!

-Ah, pode me dá Aki-chan. A cozinha é ali naquela porta.

As duas garotas vão para a cozinha e todos os outros que estavam na sala olham imediatamente para o Hatori, que estava encostado na parede com os braços cruzados.

-Eu avisei.

-Talvez tenha tido uma grande idéia quando a trouxe para cá. Acredito que lhe fará muito bem respirar ares mais leves do que os da sede.

-Eu me lembrei do que o senhor fez pelo Kyo. E eu queria que ela ficasse próxima da Honda-san e da Hanajima, e isso seria impossível se ficasse dentro da sede. Eu quero que ela finalmente descubra quem ela é.

-Mas agora, precisamos comunicar a sede. Provavelmente nem todos do clã irão aceitar que eu seja o patriarca por esse tempo.

-Akito terá que assinar algum documento para podermos provar que essa foi uma decisão do próprio patriarca.

-O Shigure tem razão. Com esse documento em mãos, todos terão que aceitar que o Kazuma-san é no novo patriarca.

Os possuídos mais novos, apenas se limitavam a escutar. Tudo aquilo estava parecendo muito complicado para os três. Estavam sentados no sofá e em silêncio, e assim ficaram por alguns minutos. Só se levantaram quando escutaram o barulho da porta se abrindo.

Hanajima e o Kyo haviam entrado de mãos dadas na sala, mas agora a garota a solta e se ajoelha na frente dos possuídos.

-Me perdoem pelo que fiz!

Kazuma vai até a garota e a faz com que se levante do chão.

-Não precisa pedir perdão. Somos nós que temos que nos desculpar por tudo o que a senhorita passou. Podemos imaginar um pouco do que aconteceu. Eu sou o Kazuma Sohma, sou o pai do Kyo. Muito prazer em lhe conhecer.

A garota se inclina para lhe cumprimentar.

-O Haa-san nos contou como foi. Não precisa se preocupar.

-Ah, Hana-chan, muito obrigado por já ter contado que eu sou o namorado da Tohru-chan.

-Como é que é?

-É verdade. Me esqueci de te contar isso. Eles começaram a namorar na hora do almoço.

-E vocês dois na hora da janta! Muito prazer, sou o Megumi Hanajima.

-Agora eu entendi o motivo da sua vinda aqui. O Kyo me contou essa tarde que você ia pesquisar sobre a maldição do Jûnishi.

-Sim.. Eu já comecei a pesquisar, mas ainda não encontrei nada, apenas vários relatos da lenda. A Saki-chan me chamou para ver se eu consigo reverter a maldição que ela lançou, se bem que lançar maldições é a minha especialidade e não a dela.

-Um garotinho tão novinho como você sabe lançar maldições?

-Sim.. Basta eu saber o nome da pessoa que posso lhe lançar qualquer maldição que eu queira.

-Eu sou o Hatori Sohma.

-Então era o senhor quem ia apagar as memórias da minha irmã?

-Sim. Eu apagarei as memórias dela, se assim o nosso kamisama decidir. Mas, por hora, isso não será necessário.

-Entendo! E onde estão a Tohru-chan e a Aa-chan?

-Elas estão ali na cozinha.

O médico aponta na direção e o garoto vai sozinho até lá.

-Pelo visto a coragem é uma característica da família Hanajima.

-O Megumi-kun aprendeu tudo o que sabe por causa da minha maldição. Tudo para me proteger. Mas, não se preocupe Hatori-san, ele não lhe lançará maldição alguma se tiver que apagar a minha memória e da Tohru-chan.

-Mas isso ainda pode acontecer Hatori?

-Se o Hanajima-kun conseguir que a Akito recupere a memória dela. Isso poderá acontecer sim.

Depois daquela frase era impossível falar qualquer coisa.

by DonaKyon

20/09/2009

138


Akito abria a porta da casa se sentindo um pouco assustada. Todos os que ali estavam a conheciam muito bem e há muitos anos, mas para ela, aquela seria a primeira vez que se encontraria com eles.

#Está tudo bem... Ficará tudo bem... Em breve irei me lembrar de tudo.... A Saki-chan falou que eles são as pessoas em quem eu mais confiava e que eram os meus amigos.... Então, está tudo bem......#

O patriarca começa a recordar da mão da garota lhe acariciando quando ela tinha acordado do desmaio.

#Não tenho motivos para não acreditar nela. Ela estava sendo tão gentil e carinhosa comigo naquele momento.... Aquela só poderia ser a atitude de uma amiga.#

Ela tira os sapatos e entra na sala, onde todos aqueles rostos estranhos a estavam esperando.

-Akito, como você está? Está sentindo alguma dor? Já se lembrou de alguma coisa?

A garota recebia aquele abraço tão afetuoso, daquele jovem rapaz que vestia um quimono cinza, se sentindo um pouco sem jeito.

-Shigure, a deixe se familiarizar um pouco.

O jovem a solta, e lhe olha cheio de afeto e com um pouco de tristeza em seu olhar. Estava sendo muito difícil para o possuído, ver o seu kamisama sem se lembrar de nada do que tinha acontecido.

Todos os possuídos estavam sentindo a mesma sensação de abandono. Desde que nasceram, sabiam que tinham que obedecer, amar e temer aquela pessoa que estava parada na entrada da casa. Mas, agora, tudo estava diferente, o kamisama não se lembrava que era o kamisama deles, não se lembrava de seus possuídos. Akito estava ali, parada na frente deles, mas não era o kamisama, era apenas uma pessoa que eles, também, tinham acabado de conhecer. E para aquela Akito Sohma, eles não eram obrigados a sentir nenhum tipo de sentimento. Não eram mais obrigados a lhe obedecer, a lhe amar e nem a lhe temer. Ela era somente uma garota que tinha acabado de chegar a suas vidas, e que era impossível saber até quando ela existiria.

Aquela garota que estava um pouco assustada, sem saber de nada sobre o que tinha vivido, e que olhava perdida para cada um daqueles rostos, podia deixar de existir a qualquer momento ou ficar para sempre em suas vidas. Tudo agora era muito incerto, é era por isso que eles estavam se sentindo tão abandonados.

- Hatori, está tudo bem... Shigure, ainda não me lembro de nada e estou bem... Desculpem-me por deixá-los tão preocupados.

#Definitivamente essa pessoa não é Akito Sohma!#

Esse foi o pensamento que passou na cabeça de todos os Sohmas que estavam na sala. Nunca antes tinham visto aquele leve sorriso de sinceridade em seu rosto e nem escutado aquelas palavras com aquele tom de voz e atenção.

-Mas você não se lembrou do meu nome?

-Não. A Saki-chan me descreveu um pouco de cada um de vocês. Acho que ela não queria que vocês passassem pelo sofrimento que o Hatori e ela passaram. De me verem diante de vocês, sem que ao menos, eu soubesse os seus nomes.

-Então a Akky sabe o meu nomezinho?

-Você deve ser o Ayame, e aquele garoto é o seu irmão, o Yuki. Você é o Hatsuharu, e você, com os cabelos loiros, é o Momiji, o namorado da Tohru-chan. Como é a única garota que está aqui, certamente é a Tohru-chan.... Mas, do senhor, acredito que a Saki-chan não me falou nada....

-Sou o Kazuma Sohma. Você é a minha prima de terceiro grau, e também sou o pai do Kyo.

-Ah, daquele garoto bonito de cabelo laranja?!

Todos tiveram que se segurarem para não caírem no chão naquele instante. Não estavam acreditando que Akito Sohma tinha se referido ao possuído do gato como sendo um “garoto bonito” e não um monstro como ele sempre fazia.

-Exatamente dele... Onde ele está?

- O seu filho está lá fora com a Saki-chan. Estão esperando pelo irmãozinho da Saki-chan.... Como é mesmo o nome dele?

-MEGUMI-KUN.... É Megumi Hanajima...

-Isso, o Megumi-kun está vindo pra cá.

Akito já não estava suportando ficar ali na sala com aqueles olhares tão espantados para ela, tudo o que ela queria era sair um pouco dali.

by DonaKyon