11/07/2009

107


Momiji fazia aquela declaração de amor sem tirar os seus olhos dos olhos da Tohru. Suas mãos estavam um pouco trêmulas, mas ao mesmo tempo transmitiam uma paz que ia dominando o corpo e a alma da garota.

-Momiji-kun...

Tohru não conseguia desviar o seu olhar do dele. Aquele Momiji de repente deixou de ser aquela criancinha que ela conhecia, era agora um lindo garoto, decidido a ficar ao lado da pessoa que amava. Seu coração batia muito acelerado, e a sua alma estava alegre pela primeira vez depois que a sua mãe tinha morrido

-A Tohru-chan foi a primeira pessoa que me aceitou como eu realmente sou. Como eu poderia não me apaixonar por você? Na verdade, foi muito fácil começar a te amar.
Você literalmente caiu na minha frente, parecia até que um anjo tinha descido do céu como se fosse um presente para mim. Me olhou com aquele olhar cheio de vida e alegria e me disse “muito boa noite”... Como é que eu não iria me apaixonar?

O possuído aproxima o rosto do dela, e apenas fecha os olhos quando vê que a garota tinha fechado os olhos dela. Ele a beija, mas não era aquele beijo pequeno e inocente nos lábios, lhe beijava como muito amor e carinho. Aquele era o verdadeiro beijo de um namorado apaixonado. Enquanto se beijavam, Momiji entrelaça os seus dedos nos delas como se fosse uma promessa de nunca lhe deixar sozinha.

Hanajima e a Uotani estavam voltando com as bebidas quando vêm os dois se beijando.

-É melhor a gente ficar de guarda para quem ninguém os veja.

-Sim. #Eu sabia que ele era a alma gêmea dela. Eu sei que ele a fará muito feliz. O meu primeiro amor merece toda a felicidade que pode existir nesse mundo.#

Tohru o beijava se sentindo muito amada. Ela sabia que tinha o amor da Arisa e a Saki, mas aquele amor era diferente. Aquele era um amor cheio de cuidado, e não apenas cheio de proteção. Ela então compreende que não queria perder aquele amor que o possuído lhe devotava, e que queria o amar da mesma forma.

Momiji afasta delicadamente os seus lábios dos dela, abrindo os olhos e vê o quanto que a garota estava bonita, segura com um pouco mais de força as suas mãos e Tohru abre os olhos, com a sensação de que estava começando a viver um lindo sonho.

-A Tohru-chan já sabia que eu te amava, né?

-Eu.. eu nunca desconfiava...

-Hihihi... a Tohru-chan é bobinha...

Momiji encosta a sua testa na testa da garota e lhe falava sem deixar de olhar nos seus olhos.

-Mas agora a Tohru-chan já sabe que é a minha namorada. Não precisa mais ficar nervosa quando te perguntarem se é a namorada desse coelho barulhento.

-Sim...

Escutar aquele “sim” da garota faz com que o possuído se sinta ainda mais feliz. Pela primeira vez em sua vida, ele tinha conseguido realizar um sonho. Estava de mãos dadas com o seu primeiro amor, e sabia que seria tão amado como ele a amava.

As duas colegiais ainda estavam acompanhando tudo um pouco distante dos dois, e era impossível não ficarem felizes pela amiga.

-Pelo visto eles se acertaram.

-É. As ondas deles são as mesmas agora. Eles serão muito afortunados.

-Puxa, está na hora de eu arrumar um namorado também... Agora que as minhas duas amigas estão namorando, acho que posso encontrar alguém para mim.

-Mas eu não estou namorando mesmo. Daqui algumas semanas tudo voltará a ser como era antes.

-Hehehe... Tá... Sei... Acredito nisso... E aí? Vamos até lá ou deixamos os pombinhos as sós?

-É melhor voltarmos. O almoço está acabando e eu quero comer mais alguma coisa. Vamos até a cantina.

-Essa é a Hana-chan de sempre. Pelo visto o seu bom apetite está de volta.

Arisa passa o braço ao redor do pescoço da amiga e as duas saem levando consigo as caixinhas de suco que tinham comprado.

by DonaKyon

08/07/2009

106


-Eih, cê tem que ficar sentindo as ondas deles o tempo todo?

Arisa não consegue ficar indiferente aquele comentário do garoto e lhe fala em tom de deboche.

-Humm... Está com ciúmes, Kyon?

-É CLARO QUE NÃO!!! EU.. EU... EU... SÓ ACHO QUE ESSE LANCE DE SENTIR AS ONDAS DOS OUTROS DEVE SER UM PÉ! E QUER SABER?! TÓ CAINDO FORA. SE AQUELES MANÉS PODEM FALTAR EU TAMBÉM POSSO! Tohru, leve as minhas coisas para casa.

-Eih, ela não é sua empregada não.

Kyo nem dá atenção ao que a Arisa estava falando. Caminhava com as mãos nos bolsos até o fundo da escola, onde pularia o muro com muita facilidade saindo assim da escola.

-Aposto que o Kyo foi até a sede.

-Será que ele foi para lá mesmo, Momiji-kun?

-Bem... Na sede mesmo ele não pode ir. Mas até o Dojo sim.

#Será que ele está tão preocupado assim comigo? Será que o patriarca dos Sohmas pode realmente me fazer algum mal?#

-Momiji, por que é que o cabeça de mexerica não pode ir à sede?

-Ah, isso é uma longa história... Vamos dizer que o patriarca e o Kyo brigaram, e é por isso que ele não pode entrar na sede.

#Ele deve ser proibido de entrar na sede porque é o gato. É por isso que ele se sente como se fosse um verdadeiro monstro. #

-A Tohru-chan irá comigo hoje?

-Não vai dá Momiji-kun. Quero passar antes em casa para saber do Yuki-kun.

-Não tem problema. Eu peço para o motorista parar antes na casa do Shii-chan.

-Ser rico é outra coisa, né? Aposto que os Sohmas nem sabem o que deve ser um problema. A vida de vocês deve ser um verdadeiro mar de rosas.

Arisa não consegue entender a profundidade dos sentimentos que estava no olhar dos três naquele momento, mas sentia que a vida deles estava bem longe de ser aquilo que ela imaginava.

-Uo-chan, vamos buscar as bebidas? Daqui a pouco acabou o nosso almoço e nem comemos ainda.

-Ahahah, isso porque a Hana-chan já está no final do pacote de bolacha.

As duas garotas se levantam do chão deixando os dois sentados um ao lado do outro.

-Queria mesmo que as nossas vidas fossem um mar de rosa. Ninguém imagina o tormento que é ser um Sohma. Até mesmo aqueles que nem sabem sobre a maldição estão livres desse peso. O nosso clã é realmente muito maldito.

-Será que não teria um jeito de acabar com a maldição?

-Eu não tenho essa esperança. E mesmo se a maldição acabasse nada mudaria. O que eu perdi nunca voltará.

-Mas a sua mãe ainda está viva. Enquanto ela estiver viva sempre haverá uma chance. A Elisa-san sente que está se esquecendo de algo muito importante para ela. Eu sei que ela pensa que é um sobrinho apenas, mas mesmo assim ela tem carinho pelo senhor. Tente acreditar nisso, o Momiji-kun ainda pode ter a sua mãe de volta.

-Eu passei a minha vida toda tentando me convencer de que a minha mãe estava morta.

-NÃO!! NÃO!! ELA ESTÁ VIVA! A SUA MÃE NÃO MORREU! ELA ESTÁ VIVA!! VIVA!!

Momiji se assusta com aquele desespero da Tohru, que lhe olhava com os olhos cheios de lágrimas enquanto gritava com ele. Ao ver a expressão de seu rosto, a garota para de gritar, mas começa a chorar.

-O senhor não imagina como é grande a dor de não poder ver mais a pessoa que a amamos. A sua mãe escolheu te esquecer, mas ainda está viva. Vocês ainda podem ficar juntos. Vocês ainda podem se ver.... Quem sabe até o senhor não consiga o carinho e o amor dela... Mas eu não.... Eu nunca mais poderei ver a minha mãe.... Ela preferiu me deixar sozinha!

Aquela era a primeira vez que a garota falava em voz alta o que tentava esconder de si mesma. Ela abaixa a cabeça deixando que as lágrimas molhassem o chão. O garoto segura com as duas mãos as mãos da colegial.

-Você não está sozinha. A Tohru-chan tem o carinho do Shii-chan, do Yuki-kun e do Kyo. E também tem o meu amor. Eu nunca deixarei que a Tohru-chan fique sozinha. Eu te amo muito Tohru-chan. Te amo desde a primeira vez que te vi lá no prédio do meu papá.

by DonaKyon

06/07/2009

105


A ausência de Yuki havia deixando a classe com um clima muito mais agitado que o normal. Era difícil acreditar que o senhor perfeição número um da sala tivesse faltado. Como ninguém sabia que a Honda morava na casa do colegial, todas as perguntas eram feitas para o seu primo, que dava sempre a mesma resposta. Simplesmente fuzilava a pessoa com um olhar e a mandava para um lugar não muito agradável.

Honda estava igualmente agitada e preocupada. Ela tinha visto o garoto entrando no banheiro um pouco antes dela sair de casa. Como estava com um pouco de pressa em se encontrar com a Uo-chan e a Hana-chan, tinha saído de casa antes dele, mas não havia lhe parecida que ele estava mal de saúde.

#Será que ele esbarrou em alguém no meio do caminho? Será que por algum motivo ele ficou fraco e se transformou na rua? Nhooo... E se alguém o matou imaginando que era um rato? Yuki-kun, onde está? Por que não veio para a escola?#

Hanajima vira-se para trás para pedir o livro de matemática emprestado e percebe o quanto que a amiga estava preocupa.

-Tohru-chan.... ele está bem. Não se preocupe!

-A Hana-chan pode sentir as ondas dele?

-Sim. As sinto um pouco fraca, isso quer dizer que ele está um pouco longe da escola, mas consigo sentir as pequenas ondas do Sohma-kun. Não se preocupe, elas estão bem mais calmas hoje.

Kyo que se sentava atrás da carteira da Tohru ao escutar aquilo sente como se o seu coração estivesse sendo espremido pelas mãos de alguém. Não queria que a Hanajima sentisse as ondas de ninguém, ainda mais as do Yuki.

As aulas da manhã estavam chegando ao seu final, com um aproveitamento quase nulo. Quando toca o sinal do almoço, a maioria dos alunos corre para a sede do Prince Yuki atrás de alguma informação sobre o garoto.

-Uaaaauuu.... Sua alteza tem uma tremenda popularidade mesmo. Se essa galera conseguir o endereço dele, é capaz de abaixarem em peso por lá. Deve ter um bando de meninas querendo bancar a enfermeira dele.

-São todas umas idiotas.

-Ahahahah, não se preocupe não Kyon. Você também tem várias “idiotas” que gostariam de ser a sua enfermeira.

Arisa havia dito aquilo apenas para provocar o garoto, ela já sabia que o namoro entre os dois era de mentira, mas já tinha notado que os dois estavam se olhando de uma maneira diferente.

-Tohru-chan....

Os quatros alunos encontram o Momiji a espera deles na saída para o pátio da escola. E vão até o canto que a Arisa tinha “reservado” para elas almoçarem. Assim que elas ficaram amigas, a ex-delinquente tinha começado a expulsar qualquer um que estivesse sentado em baixo da árvore de cerejeira que ficava numa parte bem tranqüila da escola, e agora ninguém mais se atrevia a se aproximar daquele lugar quanto mais a se sentar ali. Apesar de ser uma manhã de inverno, estava fazendo um lindo dia.

-Uééé... cadê o Yuki-kun? Ele também não veio hoje?

-Momiji-kun, o Hatsuharu-kun também faltou hoje?

-Sim, Tohru-chan. E ele nem dormiu em casa ontem. Quando fui lhe chamar para virmos ao colégio, a tia me contou que ele não estava e que nem tinha avisado nada. Será que ele se perdeu novamente?

-Aquele boi lesado se esqueceu de avisar na sede que ele ia dormir lá na casa do Shigure.

-Boi? Por que boi?

Kyo olha espantado para a Arisa. Tinha se esquecido que ela não sabia de nada da maldição dos Sohmas.

-É apenas um apelido de infância.

-Tá #que apelido mais estranho# .... Mas então já sabemos o motivo da ausência do Yuki-kun. No mínimo os dois resolveram ficar em casa hoje.

-Eih, cê viu o Haru essa manhã?

-Não o vi não. Mas, antes de eu sair, vi que o Yuki-kun estava se arrumando para vir à escola.

#Será que ele foi para o quarto do Yuki depois daquilo? Não, acho que não! O rato estava se arrumando para vir pra cá. Será que o Haru foi até a sede para contar sobre a Hanajima ao patriarca? Não! Ele não iria tão longe assim.#

-As ondas do Hatsuharu não estão agitadas não. E ele também não está aqui no colégio.

by DonaKyon

03/07/2009

103


-Humm... pelo que vi ontem no quarto acho que nem será tão difícil assim o tirar do Kyon-Kyon. O clima entre os dois não era de romance não. Acho que o gato está gostando mesmo da amiga da Tohru-kun. Eles já se beijaram até.

-OQUE? O baka neko já beijou a Hanajima?

-Aí aí... se o patriarca ficar sabendo disso, ele será capaz de matar os dois...

-Isso não Ayaa.. Akito-san pode mandar apagar a memória da garota, mas não a matar.

-Não sei não. Estamos falando justamente do Kyon-Kitty.

Yuki não estava entendendo nada sobre aquela parte da conversa, mas tampouco queria perguntar sobre aquilo. Seus pensamentos estavam em Haru, e se era possível realmente ele ter o possuído só para ele.

#Será que eu conseguiria o fazer feliz por completo? Será que apenas o meu amor lhe bastaria? Mas eu sou tão diferente do Kyo. Eu não tenho a mesma confiança que ele. Maldito gato! Você é exatamente o que eu gostaria de ser. #

Ayame sente que o Yuki segurava a sua mão com mais força enquanto estava pensando em algo. Parecia até que ele estava elaborando uma estratégia de luta.

-Vamos amado irmãozinho. O mais lindo de todos os possuídos, precisa de comer alguma coisa. Saco vazio não para em pé.

Ayame começa a servi o seu irmão, e Shigure podia ver o quanto que ele estava feliz por fazer aquilo.

#Eu não agüentaria vê-lo nos braços de outra pessoa, seja homem ou mulher. Até mesmo do Yuki eu sinto um pouco de ciúmes.#

-Yuki, não se preocupe. O que sente pelo Hatsuharu é um lindo sentimento. Lute para conquistá-lo por inteiro. Eu sei que tem todas as qualidades para isso.

Yuki olha para o irmão. Nunca antes tinha conversado daquela maneira com ele. Parecia que era outra pessoa que estava ao seu lado, e isso não só por causa da roupa que estava vestindo, o jeito de falar do irmão estava completamente diferente do que sempre falava.

-Por que está falando assim?

-Ahahahahah... É mesmo Ayaa. Você está tão preocupado com o seu irmão que até se esqueceu de representar como sempre faz. Yuki-kun, lhe apresento o verdadeiro Ayame Sohma.

#Até que ele não é tão idiota como sempre imaginei. E, ele está preocupado comigo.#

-Ora Ora Guretti.... Não deveria ter feito isso. Agora o meu amado, lindo, maravilhoso e apaixonado irmãozinho conhece esse lado tão sem graça de minha grandiosa e magnífica pessoa. Por causa disso será punido. Não irei te servir nessa linda manhã de inverno. Terá que se virá sozinho. Hoje irei cuidar apenas do meu amado irmãozinho, que deixou de ir à escola apenas porque está com dor de cotovelo.

#Voltou a ser o idiota de sempre!#

-Não seja tão malvado assim, Ayaa. Coloca um pedaço dessa torta de damasco com chocolate na minha boquinha.. ahhhhhh...

-Não vou mesmo. Só vou dar comidinha na boquinha do meu amado irmãozinho. Abre a boquinha, abre Yun-Yun...

Ayame segurava o garfo com um pequeno pedaço de torta diante da boca do Yuki que se recusava a abrir a boca quando eles escutam o barulho da porta se abrindo e os sons de alguns passos pela sala. O coração do Yuki começa a bater bem forte, imaginando que poderia ser o Haru a pessoa quem estava chegando.

-O Yuki está passando mal?

-Bom dia Haa-san.

-Tori-san bom dia, o meu amado irmãozinho apenas cabulou a aula de hoje. Ele está bem sim. Mas o que o nosso lindo médico está fazendo aqui na casa do meu cãozinho de estimação, tão cedo assim? Aconteceu alguma coisa na sede?

-Nada. Esqueci-me que hoje é terça.

-Já sabia disso, Hatori?

-Sim, desde que o Shigure se mudou para cá. Mas você está um pouco pálido, Yuki.

Hatori se senta ao lado do Shigure. O escritor percebe que algo estava deixando o médico um pouco impaciente, afinal, ele não era do tipo que esquecia qual dia da semana estava. Yuki sem entrar nos detalhes lhe diz que estava pálido por que não tinha dormido naquela noite.

#O que será que aconteceu com o Haa-san? Ele está bem diferente essa manhã.#

by DonaKyon

02/07/2009

102



-Venha Yuki, sente- se ao lado do seu irmão. Mas antes, pegue uma xícara para você.

O colegial ainda estava um pouco espantado com tudo aquilo. Como os dois conseguiam transformar aquela situação em algo tão normal? Era essa a principal pergunta que estava na mente dele. Yuki pega a xícara e vai se sentar ao lado do irmão.


-Por que o meu amado irmãozinho não dormiu essa noite?

-O Haa-kun passou a noite aqui em casa.

-Verdade?! Então vocês...?

-Não. Ele passou a noite no quarto do Kyon-Kyon.

-Mas o Kyon-Kitty não está com aquela garota?

-Acho que ele está com os dois.

-Puxa! Não esperava isso do Kyon-Kitty.

-Como vocês podem achar isso tão normal assim?

Os dois olham para o Yuki um pouco espantado e sem entender sobre o que ele estava perguntando.

-O Yuki-kun está falando do café da manhã no estilo ocidental?

-Acho que essa é a primeira vez que o meu amado irmãozinho vê uma mesa como essa.

-Estou falando de vocês dois..... De mim e o Haru..... Do Baka Neko com a Hanajima e o Haru.... Como isso pode ser tão normal assim para vocês?

-Simples! Porque isso é normal.

-NÃO! VOCÊ ESTÁ ERRADO SHIGURE! ISSO NÃO É NORMAL!

-Quer dizer então que você se acha um anormal Yuki-kun?

-Agora eu me acho mais anormal do que já era.

Yuki tentava mais não consegue evitar que uma pequena lágrima saia de seus olhos. Ayame segura na mão do irmão, aquela era a primeira vez que lhe tocava. Yuki lhe olha e imediatamente a segunda lágrima que estava prestes a sair, fica presa em seus olhos. Com a mão esquerda, Ayame a seca delicadamente.

-Por que quer se achar mais estranho do que já somos? Não lhe basta a nossa maldição? A nossa maldição sim não é uma coisa normal. Mas amar sim é normal....

-Mas não esse tipo de amor!

-O Yuki-kun acha mesmo que apenas existe o amor entre um homem e uma mulher?

-Eu sei que existem outros tipos de amor. Mas esses não são normais.

-Quem te falou que não são? O que há de diferente no meu amor pelo seu irmão e no amor entre um homem e uma mulher?

Yuki apenas abaixa a cabeça. Estava muito cansado para pensar em uma resposta naquele momento. Sua mente estava muito bagunçada, e tudo o que queria era evitar qualquer tipo de pensamentos naquele instante.

-Por que ao invés de se preocupar com essas idiotices, não se preocupa em conquistar o amor do Haa-kun só para você.

-Guretti!

-Oras Ayaa. Está na hora do seu amado irmãozinho fazer alguma coisa por ele mesmo. Durante toda a sua vida, ele aceitou tudo que lhe aconteceu ser lutar. E agora? Vai aceitar que o Kyo fique com o Haa-kun também? Não foi você quem gritou ontem a noite que gostava do Hatsuharu? Vai deixar o garoto que ama, assim de bandeja para o Kyo?

Involuntariamente Yuki segura à mão do irmão, era como se ele estivesse procurando algum tipo de apoio. Era obvio que ele não queria que o Haru ficasse com o Kyo, mas não sabia o que fazer para evitar isso.

-Mas ele gosta do Kyo também.... Eu não posso fazer nada....

-Então prefere ficar noites sem dormir pensando no que os dois estão fazendo trancados dentro do quarto, exatamente como fez essa noite?

-Irmãozinho, você não se importa mesmo de ver o garoto que gosta nos braços de outro?

-É claro que me importo, ainda mais nos braços do Kyo, mas o Haru disse que gosta de nós dois, que ele precisa dos dois...

-Então é simples! Conquiste o outro lado que gosta do Kyon-kitty.

-Como assim, Ayaa?

-Guretti, o Haa-kun tem dupla personalidade. É por isso que ele diz que precisa dos dois. Provavelmente um lado dele ama o Yuki e o outro ama o Kyon-kitty.

-O Haru me falou exatamente isso lá nas termas. Por isso achei que não poderia fazer nada.

-Você tem que lutar, meu amado irmãzinho. Lute pelo amor completo do Haa-kun. Descubra qual dos lados dele ama o Kyon-kitty e o conquiste. Roube-o do seu maior inimigo.

by Donakyon

28/06/2009

101


Yuki, após passar duas horas diante do espelho do banheiro, ainda tentava fazer o nó da gravata. Era nítido o quanto que o rapaz estava irritado naquela manhã, e também que não havia dormido nada na noite anterior. Suas olheiras eram piores que as da Hanajima, e estava ainda mais pálido.

Shigure, que tinha acabado de se levantar, se assusta quando encontra o garoto no banheiro.

-Ué?! O Yuki-kun ainda está por aqui?

O garoto simplesmente não tinha escutado a voz do Shigure e leva um grande susto quando vê a imagem do Shigure sendo refletida no espelho.

-Já está acordado, Shigure?

-Yuki-kun, essa é a hora que sempre me levanto...

O possuído pelo espírito do rato sai correndo do banheiro a procura do relógio mais próximo, e dá um grande grito quando vê que horas eram. Aquela era a primeira vez que tinha perdido o horário de ir para o colégio. Shigure escovava os dentes como se nada de anormal estivesse acontecendo naquela casa, mas ele sabia muito bem o que estava acontecendo entre os três garotos.

#O destino sabe o que faz mesmo. Não poderia ter tido um dia melhor do que esse para o Yuki-kun ficar em casa.#

Shigure lava o rosto e penteia os cabelos, com um largo sorriso nos lábios. Quando sai do banheiro encontra o possuído, ainda em estado de choque, sentado no chão do corredor.

-Vamos Yuki-kun! Não é para tanto. Um dia de folga não fará mal a ninguém.

Yuki lhe fuzila com o olhar. Era claro que não poderia esperar outra resposta do escritor que nunca entregava os seus manuscritos na data certa.

#Ele poderia ao menos fingir ser um tutor responsável. #

-Você tomará um ótimo café da manhã. Venha.

-Você cozinhando?

-Hehe... claro que não!

Os dois descem a escada e começam a ouvir sons vindo da cozinha.

-Pontual como sempre, muito diferente do amado irmãozinho.

-Não vai me dizer que.....

Os dois possuídos chegam à porta e encontram o Ayame fantasiado de dona-de-casa. Todas as terças, os dois possuídos tomavam o café da manhã juntos. Aquele era um ritual que tinha começado no dia que o cão foi morar sozinho fora da sede. A mesa estava impecável, cheia de frutas e vários tipos de pães, era um refinado café da manhã ao estilo ocidental, tendo até ovos com bacon.

Ayame estava colocando as geléias na mesa quando escuta o barulho dos passos e olha em direção da porta.

-Yuki-kun?!

-Ele tirou um dia de folga.

-Eu perdi a hora!

Ayame estava um pouco sem jeito pelo fato do irmão lhe vê com aquela roupa. Estava vestindo um conjunto de saia godê preta com uma blusa cheia de babados e muito delicada, na cor lilás bem clara e para não se sujar estava vestindo um avental de organdi branco, também com babados.

-A mesa está linda como sempre Ayaa.

Shigure se aproxima do possuído e lhe beija delicadamente nos lábios, sem se importar de fazer aquilo na frente do Yuki. O rato arregala os olhos quando vê tal cena. Ele já imaginava que algo poderia existir entre eles, mas ter a confirmação diante dos seus olhos o deixava um pouco atordoado. Ayame tinha recebido o beijo sem fechar os olhos e estava um pouco corado de vergonha. Shigure vai para de trás do possuído, desamarrando o laço do avental lhe tirando delicadamente, enquanto lhe beijava na nuca.

Yuki não conseguia acreditar no que estava vendo. Aquele não era o escritor sem-vergonha que via todos os dias. Era um perfeito cavalheiro com a sua bela dama, que no caso era o seu irmão mais velho.

-Guretti...

-Não se preocupa Ayaa. O Yuki é um dos nossos.

-Como?

Shigure conduzia o possuído pela serpente até o local que sempre se sentava a mesa, segurando em sua mão e senta-se depois a sua frente.

by DonaKyon

26/06/2009

100


Os falsos namorados continuam caminhando, mas seguram um pouco mais os passos. Nenhum dos dois estava com pressa de chegar ao colégio.

-Hanajima...

-Hum?!

-Ontem o Haru dormiu lá na em casa...

-A Tohru-chan me contou.

-A gente conversou...

-E vocês se acertaram?

-Eu descobrir que a gente não tem o mesmo tipo de sentimento um pelo outro.

Hanajima olha para o Kyo, ela sentia em seu coração que algo importante tinha acontecido com ele. O garoto lhe olha encontrando aquele olhar que lhe pareceu tão meigo e carinhoso. Era impossível não se sentir ainda mais leve e tranqüilo diante daquele olhar.

-Você está muito mais bonito hoje. Fico feliz por ver que tudo terminou bem.

Agora era a vez de o garoto ficar vermelho de vergonha, não esperava receber aquele elogio e demonstração de afeto. Hanajima tenta segurar o pequeno sorriso que estava prestes a sair e volta a olhar para frente, tentando manter a mesma pose de sempre.

-Você ia escutar os meus pensamentos mesmo... Então é melhor falar.

-O pivete descobriu alguma coisa?

-Passou a noite procurando mais ainda não encontrou nada. Mas ele disse que quer primeiro resolver a sua maldição.

-O pirralho é teimoso mesmo. A minha maldição só acabará quando eu morrer.

-Ele acha que deve ter alguma maneira de acabar com a maldição dos possuídos.

-É perda de tempo. Essa maldição nunca acabará. Ela é a maldição dos Sohmas.

-O Megumi-kun acha muito mais triste a sua maldição do que a minha.

Kyo apenas abaixa a cabeça e continua caminhando. Nunca tinha imaginado que alguém algum dia poderia estar próximo de entender a dor de ser um possuído pelo espírito dos animais do zodíaco.

#Eu sou o mais amaldiçoado dos treze possuídos. Somente eu me transformo naquela forma horrenda... E apenas a minha mãe não suportou a dor de ser a mãe de uma aberração. Perder a memória era pouco para ela. A minha mãe preferiu perder a vida. Eu a matei!#

Hanajima apenas o observava. Não precisava ler a mente do garoto para perceber que ele tinha se lembrado de algo muito dolorido para ele.

#Espero mesmo que o Megumi-kun consiga ajudá-lo. Eu nunca mais gostaria de ver esse olhar tão triste em seu rosto. Eu mesmo gostaria de poder tirar de sua vida essas dolorosas recordações.#

-Se esqueceu que posso ouvir seus pensamentos.

-Não! Fiquei com preguiça de falar mesmo.

Hanajima lhe respondia com um pequeno sorriso no olhar, o que a deixava ainda mais encantadora para o possuído.

-Por que quer me ajudar tanto assim?

-Eu te fiz essa mesma pergunta ontem.

Kyo nada lhe responde. Ainda não sabia as razões de querer ajudar e proteger tanto aquela garota como ele estava desejando fazer. Os dois finalmente chegam até o portão principal da escola aonde a Tohru e o Momiji os aguardava.

-Eih Kyo. Irá almoçar conosco também, né? Afinal um ótimo namorado tem que ficar todo o tempo com a sua namorada. Assim como eu fico com a Tohru-chan.

-Oh sua lesada! Está mesmo namorando esse coelho barulhento?

-Eu não sou um coelho barulhento. E a Tohru-chan é a minha namorada sim. Né, né, Tohru-chan?!

A garota não sabia o que lhe falar. Queria falar que não, mas sentia como se fosse ferir os sentimentos de uma pobre criancinha.

-Err... Momiji-kun... eu... eu...

-Vamos entrar Tohru-chan, o sinal já vai tocar.

O garoto pega na mão da Tohru, e lhe puxa para dentro da escola. Kyo percebe os olhares das garotas que estavam no pátio em direção a Hanajima e seguindo o exemplo do coelho, ele também entra no pátio da escola segurando a mão da garota novamente. Ao sentir o toque da mão do garoto na dela, faz com que a sua alma fique mais leve. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo, mas era fato que desde que tinha se aproximado do garoto a sua vida tinha adquirido vários sentimentos diferentes.

Ao ver a garota, que tinha acabado de lhe provocar na rua, e que lhe olhava cheia de raiva, a colegial entrelaça os seus dedos nos do garoto. Porém, nem consegue imaginar que aquele simples ato tinha feito com que o colegial deixasse de respirar por alguns segundos. Kyo experimentava pela primeira vez em sua vida qual era a sensação de está tão próximo de uma pessoa.

by DonaKyon