17/08/2008

353


Kyo agora a olhava com raiva, já estava ficando cansado daquelas atitudes da garota. Ela nunca tinha sido de fugir tão covardemente como estava fazendo desde que tinha começado a namorar o Kunimitsu. Na hora que a garota ia passar ao seu lado para sair do quarto, ele a segura pelo braço e lhe pergunta sem lhe olhar.

-Quando foi que começou a ficar tão covarde?

-Eu não sou uma covarde.

O garoto a olha, mas sem soltar de seu braço.

-Então pára de fugir e vamos conversar.

Yuki naquele instante abre a porta do quarto e começa a escutar a conversa dos dois vindo do quarto ao lado.

-Não temos nada pra conversar agora.

-Não? Como não, Kagura? Depois do que aconteceu hoje, acha mesmo que não temos que conversar?

#O que será que aconteceu entre eles?#

-Eu... eu...

-Eu sei que aquilo foi tão importante para você como foi para mim. E enquanto fazíamos amor eu vi em seus olhos que você me ama ainda.

#O QUE? ELES FIZERAM AMOR??#

Yuki teve que levar a não até a boca para segurar o grito de espanto que ia dar.

-É claro que foi importante. Eu sempre sonhei com aquele momento.... Sempre imaginei que iria perder a minha virgindade com você.....

Ao escutar aquilo, o garoto solta o seu braço e a abraça.

-E porque está fugindo agora de mim?

-É porque eu já sei o que quer que eu te fale. Sei que quer escutar que irei terminar o meu namoro com o Kunimistu, mas eu não sei se posso te falar isso agora.

#Ahn? A Kagura está namorando aquele discípulo do professor Kazuma? Ela se cansou mesmo de correr atrás do bichano baka.#

Kyo a aperta ainda mais em seus braços, seu coração agora estava doendo por escutar aquelas palavras. Não conseguia entender como ela poderia estar em dúvida mesmo depois de tudo o que tinha acontecido entre eles. Mesmo depois de saber que ele também a amava.

-Kagura, nós somos iguais. Eu posso te fazer muito mais feliz do que ele.

Kagura lhe olhava espantada, mas não teve tempo para lhe falar o que estava pensando. O garoto inclina um pouco a cabeça e começa a lhe beijar.

#Hunf... Ela correu a vida toda atrás dele falando exatamente isso, e ele nunca se importou.#

Yuki inclina um pouco mais a cabeça para frente para tentar escutar o que estava acontecendo, e pelo barulho percebe que eles estavam se beijando.

#Seu maldito. Isso não é justo. Por sua culpa eu passei a noite dormindo ao lado do Akito-san . Eu vou fazer picadinho de você na primeira oportunidade baka neko#

Agora que o garoto conhecia um pouco mais do corpo dela, a beijava sentindo ainda mais desejos do que antes. Os seus sangues estavam novamente fervendo e Kagura apertava as pontas de seus dedos nas costas dele. Kyo desliza a mão pelas costas da garota e começava a colocar a mão por baixo da camiseta dela. Kagura assim que sente o toque da pele dele na dela, o afasta.

-.... não.... não posso fazer isso.....

Kyo a olhava um pouco frustrado e espantado.

-Kyo, eu preciso de um tempo para pensar.

-Mas não tem nada para pensar!

-É claro que tenho! Acha que é justo? Passei a minha vida toda atrás de você e recebendo apenas o seu desprezo, e agora que encontrei uma pessoa que me diz claramente que me ama, que quer ficar comigo, você descobre que está me amando.... É claro que tenho que pensar. E mesmo se o Kunimitsu não me perdoar, mesmo que ele termine tudo comigo, mesmo que me ache a mulher mais suja do mundo...... eu não sei ...... se poderei ficar com você..... E mesmo se ele me perdoar, mesmo se ele entender as minhas razões por ter feito o que fiz..... eu não sei se conseguiria ficar ao seu lado sabendo que estou magoando uma pessoa tão maravilhosa como ele.

Conforme ia falando os olhos da garota ficavam a cada instante mais cheios de lágrimas. Kyo simplesmente abaixa a cabeça e fecha com força as mãos. Toda aquela preocupação pelo discípulo do mestre só poderia significar uma coisa, que ela havia começado a gostar dele.

by Kyo

352


-Quem iria imaginar isso?? Justo o Tori-nii o mais responsável dos três.

-Ahahah, essas coisas são assim mesmo, você está chocada exatamente por ter vindo de uma pessoa que não tem a personalidade para isso. Se fosse o priminho escritor acho que o seu choque não seria tão grande.

-Não seria mesmo.....

As duas agora podiam conversar abertamente sobre o que tinha acontecido. Kisa que tinha terminado de arrumar as suas coisas, preferiu esperar pelos outros na sala, principalmente pelo Hiro-kun. Queria aproveitar todos os minutos que tinham para ficarem juntos.

-Até que eles fazem um bonito casal. A responsabilidade e a rebeldia. Acho que daria o equilíbrio perfeito para os dois.

-Mas acho muito difícil que isso aconteça. O Tori-nii não escolheria uma garota como a Uo-chan.... A Tohru-chan tem mais o jeito do tipo que ele gosta. Pelo menos ela tem um jeito muito parecido com o da ex-namorada dele.

-Humm.... A nossa borboleta escarlate parece que teve um final de semana bem agitado. Hoje de manhã a achei um pouco triste e confusa.

-Não foi só o dela..... Eu acho que nunca deveria ter vindo para cá.....

Kagura estava sentada com as pernas cruzadas na cama que tinha sido ocupada pela Kisa, e enquanto falava ficava contornando as flores do desenho da colcha com o dedo. Mine a olhava por cima dos óculos, enquanto colocava as últimas peças de roupas na mala.

-Brigou com o priminho lutador?

Kagura pára de desenhar com o dedo, tinha exatamente acontecido o oposto pela primeira vez na vida deles. Ela que já estava tão acostumada com as brigas dele por causa das suas declarações amorosas para ele, agora não sabia o que deveria fazer. Como poderia encarar o namorado após o que tinha feito com o Kyo? Diante do silêncio da garota, Mine acha melhor não continuar com a conversa e termina de fazer as malas. Ela já tinha percebido que os dois se gostavam, mas não sabia de nem outro detalhe daquela história.

-Prontinho... Já estou com as minhas malas arrumadas também..... Bem... Agora irei até a cozinha para acertar o pagamento do Chef Pierre e já volto.

Mine a deixa sozinha no quarto e no momento em que está passando diante do quarto ocupado pelos garotos, Kyo abre a porta e por pouco não se esbarra nela.

-Olá priminho... Ah... Será que poderia me ajudar? Há uma caixa que está um pouco pesada lá no quarto, poderia descer com ela para mim? Pode deixar que eu levo a sua mochila.

A moça toma da mão dele a mochila e começa a descer as escadas sem esperar pela resposta do garoto.

#Afff.... Tinha que ser a assistente daquele traveco mesmo.#

Pensando que não havia ninguém no quarto o garoto entre sem bater na porta e encontra a Kagura sentada na cama toda pensativa.

-Kagura.

Assim que escuta o seu nome, ela olha em direção da porta e encontra o Kyo. Seu coração volta a bater aceleradamente, desde que tinham retornado da trilha ela estava fazendo tudo o que era possível para não ficar sozinha com ele. Não era porque estava sentindo vergonha, ou arrependimento pelo que tinha feito com ele, mas estava arrependida por ter traído o Kunimitsu, e era exatamente essa contradição que a estava torturando.

-Err.... Já acabou de arrumar as suas coisas? Pelo que me lembro, nunca levava muita roupa quando saia para viajar com o Professor Kazuma.

-Já arrumei sim... Aquela moça me pediu para vir pegar uma caixa aqui.

Os dois olham pelo quarto e não encontram nenhuma caixa, ficando claro que a Mine tinha feito aquilo de propósito. Os dois se olham, mas sem falar nada. Kyo ainda se mantinha próximo da porta que estava aberta e a possuída sentada na cama. Aquele silêncio já estava começando a deixar o lugar estranho e ela se levanta enquanto se despreguiçava.

-Err.... Acho que vou descer para comer alguma coisa, estou ficando com um pouco de fome.

by Kyo

351


#Mas porque o meu coração está batendo desse jeito? Parece até que é um outro Hatori que está me beijando.#

-Creio que chegaremos no meio da noite.

-Sim, Guretti. O trânsito agora deve estar mais tranqüilo


A conversa dos dois possuídos vindo detrás da porta faz com que eles deixem de se beijar, afastando-se também um pouco da porta para que os dois entrem. Ao entrarem, eles olham um pouco desconfiados para os dois. Era evidente que havia agora um clima muito diferente entre eles. Arisa passa por eles saindo do quarto sem falar nada enquanto que o médico a acompanhava com o olhar.

-O que aconteceu, Tori-san?

-Nada.

Ele começa a colocar na mala as suas coisas que estavam em cima da cama, mas com o coração ainda batendo muito forte, e em sua mente a imagem da garota chorando.

Arisa novamente está parada diante da porta do seu quarto, a abre sem fazer o menor barulho. Tohru ainda estava deitada com a cabeça afundada no travesseiro e só pelo jeito de sua respiração, Uotani já sabia que a garota tinha chorado até a pouco minutos atrás. Ela fecha a porta sem fazer barulho e caminha nas pontas dos pés até o espaço entre as duas camas.

#Como poderei me desculpar com ela? Como eu nunca percebi que o meu comportamento poderia estar a ferindo? Quantas vezes será que eu a magoei sem saber?.... Eu sou uma péssima amiga mesmo.#

A garota sentasse na cama, mas dessa vez não consegue evitar o ranger da madeira, o que faz com que a Tohru vire a cabeça para ver quem estava no quarto. Arisa não consegue lhe olhar nos seus olhos e abaixa a cabeça, aquele gesto foi o suficiente para que a Tohru se levantasse rapidamente da cama a abraçando enquanto voltava a chorar em seu ombro.

-Me desculpe Uo-chan.... Me desculpe....

Arisa a abraça com força, a amiga era realmente uma pessoa muito especial.

-Me desculpe por sentir inveja de você......

-Que? Mas do que está falando?

-Eu..... eu queria ser como você!

-Queria ser como eu?

-Sim... Eu queria ter essa coragem que a Uo-chan tem..... Ao te ver beijando o Hatori.... Eu vi o quanto que sou uma criança ainda...... Eu..... Eu sou muito medrosa para ver o Shigure pelado..... A mamãe sempre falou que é errado a gente sentir inveja das outras pessoas, mas.... mas eu estou sentindo inveja de você..... Me desculpe, Uo-chan....

-Então era isso!... Foi por isso que falou que não era como eu?

O tom choroso que estava saindo da voz da amiga faz com que a Tohru deixe de abraça-la, sentando-se ao seu lado da cama. Realmente ela não estava entendendo o porque que ela estava chorando.

-Uo-chan??!

-Ahahahah..... Como eu sou uma baka mesmo..... “ela começa a limpar as suas lágrimas com as mãos enquanto ria” –Como pode pensar??.... Ahah.... É claro que a Tohru-chan.... ahah.....

Ao ver a amiga rindo daquele jeito, Tohru também começa a secar as suas lágrimas. O som daquelas risadas tinham acalmado o seu coração.

-Ahahahha.... Tudo não passou de um mal entendido.... Chorei a toa..ahah

-Ahn?? Eu fiz a Uo-chan chorar??

-Eu achei que cê tinha falado aqui por causa de outra coisa..... ahahahh.... Sou uma baka mesmo..... Mas o que importa é que tudo ficou claro agora, e a Tohru-chan não tem que se desculpar por nada.

Arisa agora lhe olhava toda sorridente e recebia um lindo sorriso da amiga também, após um período de silêncio entre as duas, a Tohru lhe pergunta um pouco ruborizada.

-Como? Como que a Uo-chan fez para que o Hatori não saísse correndo? Vocês.... vocês dois.... fizeram?

-Sim. A gente fez.

-...

-Tohru-chan, você gosta do Hatori?

Aquela era a mesma pergunta que o Shigure tinha lhe feito na noite anterior. A garota abaixa a cabeça, sabia que aquilo estava a deixando um pouco inquieta por dentro, mas não sabia se a causa era porque ela gostava do médico.

-Não se preocupe, o que aconteceu não foi nada para ele. E se você gosta dele, nunca mais voltará a acontecer. O mais importante pra mim é a sua amizade.

by Kyo

350



Ayame olha pra a garota sentada no chão e se abaixa e começa a acariciar seus cabelos loiros. Toda aquela alegria e euforia que estavam radiando a pouco dela haviam desaparecido.

-Não fique aqui, minha rebelde e maravilhosa amiga....

Arisa nada lhe responde. Já não estava chorando mais, porém se mantinha ainda na mesma posição. Ela reconhecia que até poderia ter passado um pouquinho só do limite, mas não achava que aquilo tinha sido o suficiente para causar aquela reação na amiga.

Shigure que agora estava sentado em uma poltrona no canto do ambiente, e tinha o cotovelo apoiado no braço da poltrona e o queixo apoiado na mão. Estava apenas observando os dois, não sentia a menor vontade de falar nada. Por mais que pensasse não conseguia encontrar uma outra explicação para aquele comportamento da Tohru, que não fosse o seu ciúmes pelo Hatori. Ayame dá um suave beijo na cabeça da garota e se levanta.

-Guretti, é melhor a gente arrumar as coisas para retornarmos. Estamos com problemas na sede.

-Problemas?

-Sim. A Kana está hospitalizada e a Ren fugiu da sede.

Assim que escuta o nome da Kana, a Arisa levanta o seu rosto, mas não fala nada.

-O que? Ela já vai ganhar a criança? E como assim que a Ren fugiu?

-Akito-san já voltou para sede. E ele tão pouco sabia dos detalhes, mas acho melhor que o Tori-san esteja por perto dele, caso seja necessário.

Uotani se levanta. Não sabia como iria olhar para a Tohru agora, mas sabia que precisava ir arrumar as suas coisas.

-Tó indo catar as minhas coisas.

A garota sobe as escadas e caminha pelo corredor dos quartos em silêncio até chegar na frente da porta do quarto que estava dividindo com a Tohru. Ela respira fundo, mas antes de entrar sente que alguém a puxa pelo braço, e lhe tampa a boca, a levando para o quarto ao lado e fechando a porta.

-Eih, qual é a sua, heim?

-Ficou feliz com o que fez?

Arisa se encosta na porta e olha diretamente na mancha arroxeada que estava em seu pescoço e lhe responde com um tom mais ríspido na voz.

-Digamos que fiquei satisfeita sim, apesar de você ser bem normalzinho nesse sentido.

Hatori fecha ainda mais a cara e se aproxima da garota, apoiando a mão na porta, ao lado da cabeçada garota e mantendo o braço bem esticado.

-Não precisava ter me beijado na frente da Tohru.

-Hunf... só fiz o que me deu vontade.

-E escutou o que não queria.

A garota levanta a sobrancelha direita olhando ainda mais brava para o médico.

-Juro que estou morrendo de vontade de socar a sua cara agora.

-Hehee... Realmente ela não é em nada como você.

Hatori já estava esperando por alguma explosão de fúria por parte da garota, não sabia o porque estava sentindo tanta raiva dela naquele momento, havia falado aquilo unicamente para lhe ferir, mas ficou completamente sem reação quando a viu chorando. Arisa estava com a cabeça baixa e chorava silenciosamente. A garota agora não tinha se escondido atrás de suas pernas enquanto as abraçava para chorar, chorava ali, parada na sua frente. Suas lágrimas eram muito sentidas, estava claro que aquela garota amava muito a Tohru, mas era claramente algo entre um amor fraternal e maternal. Chorava não porque tinha se sentindo ofendida pelo que a amiga tinha lhe falado, mas sim por temer que em alguma vez o seu comportamento tivesse lhe magoado. Ela era realmente uma pessoa que se preocupava com aqueles que amava. Ele segura em seu queixo e levanta a sua cabeça.

Arisa lhe olha um pouco espantada, não esperava aquele gesto dele, as lágrimas que estavam em seus olhos, faziam com que o seu olhar brilhasse ainda mais. Hatori passa os dedos sobre as lágrimas, depois fica segurando o seu rosto e se aproxima para beijar a garota. Ela fecha os olhos, e mais algumas lágrimas saem pelos cantos, sentia que o seu coração estava batendo de uma maneira bem diferente agora.

by Kyo

16/08/2008

349


Shigure pensou em fazer uma de suas piadinhas, mas conseguiu se manter com a boca fechada, percebia que algo estava fazendo a garota sofrer, mas tinha medo de saber que o motivo daquele sofrimento era o seu primo.

Bounnff

Assim que os dois voltam ao normal, Tohru corre para cobrir os olhos com as mãos e a Uo-chan fica rindo de costas para os dois que estão vestindo rapidamente as suas roupas.

-Ahahahahah... Não faço questão de ver cês pelados. Deixo isso para a Mine-chan e a Tohru-chan....

-Eu..... eu..... eu.... EU NÃO SOU COMO VOCÊ!!!!

A própria Tohru estava tão surpresa como os outros 4 que a olhavam. Não sabia como tinha sido capaz de gritar daquele jeito. Ela sente que algumas lágrimas estão a ponto de saírem e sai correndo da biblioteca indo para o quarto. Os três rapazes olham para a Arisa, que tinha o seu olhar fixo no chão e as duas mãos muito fechadas ao lado do corpo.

A frase gritada pela Tohru ainda ecoava no ouvido de todos. Ayame se aproxima da garota colocando a mão direita sob a sua cabeça.

-Uo-chan...

-Ela.... ela falou isso mesmo?! Disse que não era como eu?!

Arisa tentava com todas as suas forças não chorar.

-Ela falou exatamente isso.

A voz do médico havia saído muito fria, mas com um gostinho de satisfação no seu final. Seu coração estava batendo agora muito mais acelerado, e em seu pensamento a seguinte dúvida: será que aquela explosão da Tohru era devido ao ciúmes que havia sentido por causa do beijo da amiga nela? Arisa ao escutar aquilo do possuído, acaba não conseguindo mais segurar a sua emoção. Ela se abaixa no chão, segurando as duas pernas, aonde esconde o seu rosto e começa a chorar.

#A Tohru-chan nunca tinha..... ela nunca tinha me falado que não aprovava o meu jeito..... Ela sempre soube de tudo o que eu fiz..... Ela deve achar que no fundo eu sempre fui uma vagabunda.... #

Shigure olha para a garota sentada no chão e depois para o primo que estava saindo da biblioteca.

-Aonde você vai Haa-san?

O médico lhe responde sem parar de andar e sem lhe olhar.

-Vou arrumar as minhas coisas.

Shigure acompanhava com o olhar o primo que agora começava a subir as escadas. Sentia um grande desconforto no estomago. Parecia até que havia tomado algum ácido que agora o estava corroendo por dentro. Em sua garganta havia algo que parecia um nó.

Ayame estava acabando de abotoar a sua tradicional roupa, inspirando na moda chinesa.

#Mas o que deu na Tohru-chan? Será que aquilo era ciúmes do Tori-san?#

Arisa chorava bem baixinho como o rosto escondido em suas pernas, e as abraçavam com força. Ouvir aquela frase da amiga era como se o seu mundo tivesse chegado ao fim. Sempre tinha acreditado que a Tohru, a Saki e a Dona Kyoko eram as únicas que nunca a haviam julgado.

Tohru assim que entro no quarto começou chorar. Ela corre até a cama, se deitando com a barriga para baixo, afundando o rosto no travesseiro, queria abafar aqueles soluços. Seu corpo todo tremia por dentro.

#Eu não sou como a Uo-chan..... Eu não sou tão corajosa como ela, e a mamãe era...... Sou ainda uma criança. Foi por isso que o Hatori saiu correndo ontem...... Ele deve ter se sentido como se tivesse beijado a Kisa-chan.#

Sentia uma grande dor em seu peito, que aumentava ainda mais quando se lembrava do beijo dos dois.

#Eu não queria ser assim..... Queria ter a coragem da Uo-chan, ela faz tudo sem se importar com nada. Ela não tem medo de viver...... Eu queria tanto ser como ela! Como o Shigure pode amar uma criança como eu? Eu... eu que nunca tive coragem de nem ao menos espiar um pouquinho quando eles voltam ao normal. Eu nunca vi um homem sem roupa.... #

Seus soluços estavam um pouco mais alto agora e afunda ainda mais o rosto no travesseiro.

#Me perdoe mamãe. A senhora sempre falou que era errado a gente sentir inveja de outra pessoa, mas eu agora.... eu estou sentindo muita inveja da Uo-chan....#

by Kyo

348


Tohru caminhou com as pernas um pouco trêmulas até a cozinha. Não sabia o que estava sentindo, mas ver os dois chegando juntos, os comentários dos outros e o sorriso de satisfação de Arisa, tudo isso haviam a atingido. Sentia como se uma coisa a estivesse sufocando por dentro, era como se lhe faltasse o ar. Foi até a geladeira para pegar um pouco de água gelada, queria apagar aquilo que estava lhe queimando por dentro, precisamente no interior do seu peito.

#O Hatori e a Uo-chan?! Será que eles?#

A garota começa a balançar a cabeça com tanta força chamando até a atenção das empregadas que estão na cozinha.

#Não! Não! Não posso pensar nisso. Certamente eles não.... eles não fizeram.... AQUILO!#

Ao ver que a garota agora estava muito vermelha uma das ajudantes se aproxima dela.

-A senhorita está bem?

-Ahnn?! Sim. Obrigada.

Tohru lhe dá o seu tradicional sorriso colocando o copo em suas mãos para depois voltar a pegar o corredor que levava até a sala. Seus passos eram tão pesados que ela caminhava ainda mais lentamente, mas segurando firmemente as duas mãos próximas do seu peito. Quando chegou até a sala encontrou apenas o Yuki que estava no começo dos primeiros degraus da escada.

-Yuki-kun? Onde estão todos?

-Subiram para arrumar as malas.

-Tahh... “A garota continuava segurando as duas mãos encostadas em seu peito”. A Uo-chan também subiu?

-Não. Ela está na biblioteca com o Hatori, o Shigure e o meu irmão.

Ela olha em direção a porta que estava fechada, mas sem sair do lugar e nem soltar as mãos. O som dos passos do garoto vão ficando cada vez mais distantes e logo ela fica sozinha na sala, e com o silêncio do ambiente, começa a escutar algumas risadas da amiga. O som daquelas risadas fizeram com que seu corpo todo ficasse arrepiado, parecia que tinha levado um choque elétrico, e ela corre até a porta e a abre bruscamente.

BLAMM

Todos olham em direção da porta e vêem que a Tohru está parada com a boca aberta e os olhos arregalados, olhando para a Uo-chan com o Ayame enrolado em seu pescoço, o Shigure na forma de cachorro e o Hatori na forma humana encostado na janela.

-Uo-chan?! Você..... Você descobriu o segredo...?

-HAHAHAHAHHAHA.... Pode ficar tranqüila Tohru-chan... Já sei de tudo.

-Ela descobriu lá no templo com o Haa-san...

Shigure agora estava sentado sob as duas patas traseiras ao seu lado e olhava também para o médico, que como não tinha coragem de lhe olhar nos olhos, estava olhando o primo, mas com a mão em cima da mancha de se pescoço. Tal fato só serviu para confirmar as suspeitas da garota.

#Então o Hatori não quis fugir da Uo-chan?!#

Tohru sente que seus olhos estão começando a arder um pouco, sentia um pouco de vontade de chorar mais não sabia o porquê.

-HAHAHAHAHAH.... Agora eu também sei ao que a Saki-chan se referia quando dizia que as ondas dos Sohmas não eram normais. HAHAHAHAHAHAH..... Só quero ver a cara do Kyon-Kitty e de sua alteza quando eu for abraça-los.... ahahahahah

Ainda com o Ayame enrolado em seu pescoço a garota caminha até o médico com o mesmo sorriso de vitória que tinha antes.

-Mas o melhor de tudo foi ter descoberto a forma do Dragãozinho.

Hatori não tem tempo para falar nem um A, novamente é surpreendido com mais um beijo da garota. Tohru arregalou os olhos ainda mais quando viu que a amiga o beijava, não apenas encostando delicadamente os seus lábios, mas o beijava da mesma maneira que ele havia a beijado na noite anterior. O médico recebia o beijo, mas sem fechar os olhos e quando o seu olhar cruzou com o da garota, ele empurra a garota para trás.

-O que foi? Só porque está na frente dos outros ficou com vergonha? Até a pouco tempo atrás cê tava bem a vontade .... HAHAHAHHAHAH

Tohru agora olhava para o chão. Não sentia mais nenhuma vontade de chorar, mas alguma coisa a estava consumindo por dentro.

by Kyo

12/08/2008

347


“ Olhou para os três possuídos e o sorriso maligno ficou com uma pontada de ressentimento e ameaça.”

- Qual o desse clima de enterro?! Oh dragãozinho, nem pense em se arrepender do que fez ou a próxima surra que eu te der não vai ser nada prazerosa pra você. E quanto a você...

“ Uotani olhou para Shigure com o sorriso ainda mais maligno e assustador, fazendo-o engolir em seco e se afastar devagar encostando-se contra a estante enquanto ela caminhava de braços cruzados em sua direção. Estava certo que iria levar bronca por alguma coisa que não fez com a Tohru, mas quando a jovem chegou bem perto dele fazendo sinal para falar em seu ouvido o escritor se enclinou para ouvir, seria melhor do que se os outros ouvissem. Mas ao invés de dizer qualquer coisa, Uotani grudou no pescoço dele o abraçando fazendo-o se transformar em um cachorro.”

- HHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA Então você é mesmo um cachorro! HHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

“ Uotani abraçava e apertava Shigure enquanto coçava suas orelhas e ria descaradamente. Ayame imediatamente fechou a porta da biblioteca e ficou encostada nela para não deixar ninguém entrar, estava tão perplexo quanto Shigure.”

- Vira-lata, vira-lata, vira-lata! Hauahuhauh Não haveria animal mais perfeito do que um cachorro sarnento pra você. Ahuhauhauhauahuha O escritorzinho é um cachorro! Kakakakakkkakakka Vira-lata! Hauhuahuahauhuahuahauha

- Hatori?!

- Eu não tenho nada a ver com isso. Ela já sabia da maldição, eu só fiz responder as perguntas dela. Agora se ela vai querer fazer de você o animal de estimação dela o problema é seu!

- Hauahuahuhaua Liga não vira-lata, animal de estimação ainda é melhor do que chaveirinho! Ahuahauhauhua

“ Hatori fechou a cara, havia sido realmente ofendido. E por alguma razão não foi exatamente por se transformar em cavalo marinho ao invés de dragão. Mas jamais admitiria que também estava com ciúmes dela com seu primo, que havia acabado de confessar seu amor por Tohru.”

- Qual é dragãozinho? Vai ficar enfezadinho de novo?

“ Hatori não respondeu começando a caminhar em direção a porta que estava sendo bloqueada por Ayame.”

- Qual o problema, Haa-san? Foi só uma piada. Ou está com ciúmes dela também?

- Para alguém que acabou de confessar seu amor pela Tohru, você está bastante á vontade sendo acariciado como um bichinho por outra mulher.

“ Uotani e Shigure ficaram surpresos pela resposta ríspida e direta dada pelo médico. A garota sorriu e sussurrou na orelha do cachorro.”

- Então você já sabe o que sente e já assumiu isso? Gostei de ver vira-lata, talvez você de alguma força ainda tenha alguma raça. RS

“ Acariciou mais uma vez as orelhas do cachorro e se levantou sorrindo indo em direção do médico que tentava tirar Ayame do caminho para sair. Claro que a serpente não iria fazer isso, precisava de todos os meios de fazer com que os dois primos que tanto amava fossem felizes da melhor forma possível e estava convencido que para Hatori não haveria pessoa melhor do que Uotani. Uma mulher que exalava juventude, vida, força de vontade e desejo de aproveitar cada momento.”

- Dragãozinho!

“ O médico hesitou para virar e encará-la, mas ela puxou-o delicadamente pelo braço. Mas apesar de Hatori achar que ela lhe daria mais um sorriso cínico e uma de suas irritantes piadinhas, foi surpreendido pelos lábios dela que tocaram delicadamente os seus.”

- Eu já disse. Eu sei o que eu quero e já te provei isso.

“ Hatori arregalou os olhos diante do sorriso e olhar meigo que ela lhe dirigiu enquanto ainda segurava seu braço. Como não obteve nenhuma reação do médico, o soltou e se aproximou de Ayame. Ficou com as duas mãos na cintura e o trompo inclinado de modo que o rosto dela ficasse próximo do dele, encarando-o meio de baixo.”

- Hum.... Você não me parece nada traiçoeiro! Apesar de que tem cara de quem escorrega facilmente das pessoas e das coisas que não quer responder. Eu só quero saber uma coisa de você.

“ Ayame engoliu em seco diante das palavras dela. Ela era realmente assustadora no quesito de conhecer as pessoas. E fez sinal para que ela dissesse.”

- To afim de que sejamos amigos de verdade por muito tempo. E aí? Ta afim?

“ Ayame sentiu um calor no peito. Estava realmente feliz em ouvir esse convite. Por mais que sempre estivesse alegre e espalhafatoso. Não sentia que tinha amigos. Havia seus primos que amava Shigure e Hatori, sua família e amigos de infância que conheciam-no desde pequeno. E havia Mine a mulher que amava e que parecia tanto com ele. E apesar de todo o carinho e consideração que tinha com a Tohru, sabia que não poderiam ser realmente amigos, conversar sobre tudo, desabafar sobre tudo e combinar juntos tantas armações. Eram situações diferentes. Eram pessoas que amava e admirava, mas que não compreendiam o jeito dele de ajudar os outros. Mas Uotani não. Ela tinha o mesmo pensamento que ás vezes se divertir é ir contra o normal e as regras, e que ás vezes para ajudar os outros é preciso complicar as coisas. De alguma forma, sentia que aquela garota poderia ter sido sua amiga de infância e que já aprontavam juntos desde pequenos. Ayame sorriu! Sorriu de verdade, estava realmente feliz. Pouco a pouco ele estava conquistando tudo o que sempre sonhou. Akito estava pensando em se assumir como mulher. Yuki estava confiando à ele seus segredos. Seus primos estavam caminhando para a felicidade. Mine confessou e aceitou seu amor. E agora, conquistava mais uma pessoa de confiança. Sem responder a pergunta de Uotani, Ayame simplesmente a abraça, transformando-se em cobra e enrolando-se no pescoço da garota, que começou a rir de cócegas.”

- HAHAHAHAHAAHAHAHAHA Agora eu sei porque seu cabelo é branco! HAUHUAHUAHAUHUHAUAH Não se mexa tanto, faz cócegas HAHAHAAHAHAH

- Desculpa minha linda e magnífica amiga que conseguiu arrancar meu amado primo da lama imunda da velhice e decadência como homem!!! Hohohohoho

by Leandra