24/03/2010

193


Kazuma estava retornando do Dojo, mantinha os braços cruzados diante do corpo e caminhava muito pensativo. Sentia-se muito aprisionado e sufocado. Por onde olhava sempre tinha alguém o seguindo ou lhe fazendo referências por ser o patriarca do clã.

#Pobre Akito. Ela sente esse peso desde o dia em que nasceu...... Não! O peso que ela sente é muito pior. Ela também é o Kamisama dos possuídos. Ela também é amaldiçoada.#

Ao chegar à mansão, o homem vai para a biblioteca, precisava terminar de examinar os livros restantes e ainda tinha que procurar informações sobre a árvore genealógica dos Sohmas. Ele para diante da mesa e observa as duas pilhas de livros que estavam sob a mesa e que tinha os separados antes da sua conversa com o Hatori.

#Por onde devo começar? Tenho pouco tempo e preciso encontrar as duas respostas. #

-Eu lhe aconselho a começar pela minha sugestão.

O Homem se vira em direção da porta um pouco assustado, não tinha escutado os passos da Ren se aproximando.

-Foi depois de quatro dias.

Ren lhe observa, sabia que ele estava falando sobre a morte da Eiko-san.

-Tem pouco tempo Kazuma-sama. Se não descobrir o maior dos segredos dos Sohmas agora, não terá outra oportunidade.

-Isso irá ajudar a terminar com a maldição dos possuídos?

-Pouco me importo com essa porcaria de maldição.

-Mas eu me importo!! É a vida do meu filho!!

Kazuma lhe respondia com um tom bem firme e seguro em sua voz, mas havia conseguido se controlar para não gritar com a mulher.

-Se importar-se com o seu filho, então procure pelo maior segredo dos Sohmas, talvez isso possa evitar o futuro que está reservado para o gato.

Ren ao falar aquilo volta a caminhar para o seu quarto, já tinha conseguido o que queria. Tudo o que precisava era que aquele homem descobrisse tudo e pronto, já teria a sua vingança contra a Yoko e a Akito.

Kazuma senta-se atrás da mesa e pega um dos livros sobre a árvore genealógica do clã.

#Ela me disse para começar com os mais recentes.#

O homem começa a olhar os registros dos últimos nascimentos do clã. Não tinha a menor idéia do que estava procurando, mas olhava tudo com muita atenção. Os Sohmas por ser uma das famílias mais importantes do Japão, escolhiam com muito cuidado com quais pessoas os seus membros iriam se casar. Kazuma percebe que não era permitido a nenhum de seus membros se casarem com pessoas de classe social abaixo deles.

#Por isso o casamento do Akira-sama com a Ren-sama foi tão criticado. Acho que o antigo patriarca foi o primeiro e o único a se casar com uma empregada.#

Kazuma analisa mais algumas páginas, mas em instantes ele se detém.

#Por que é que ninguém impediu o casamento do Higuchi-san com a Eiko-san? Por que a Yoko-san deixou o seu sobrinho se casar com uma empregada, mas nunca aceitou o casamento do antigo patriarca com a Ren?#

Kazuma se mantinha de cabeça baixa pensando naquele enigma que acabará de se formar em sua mente. Nunca tinha se interessado por saber detalhes do clã, na verdade ele sempre se manteve muito ausente, principalmente depois que adotou o possuído pelo espírito do gato.

Toc Toc

-Pode entrar!

Kazuma olha em direção da porta e vê os possuídos pelos espíritos do rato e do boi entrando.

-Boa noite Professor.

-Boa noite Yuki, Haru. Aconteceu alguma coisa lá na casa do Shigure?

Yuki fecha a porta e os garotos caminham até a mesa onde estava o homem e o rato lhe fala baixinho.

-O Shigure me pediu para vir lhe avisar que o pai do Kyo passou a tarde toda parado diante da nossa casa. Parece que a Yoko-san está desconfiada que a Akito esteja lá.

-Até que demorou para a Yoko-san perceber isso. O Higuchi-san viu a Akito?

-Não. O Shigure conseguiu falar a tempo com o Hatori, e também....

Kazuma percebe que o garoto estava ficando com a face completamente vermelha.

by DonaKyon

28/02/2010

192


-Fala Shigure.

-O Ayame já lhe contou?

-Sim.

-Haa-san, o que faremos agora? Se o pai do Kyo ver a Akito aqui, a Yoko virá na mesma hora para buscá-la.

-Eu sei disso. Mas não consigo encontrar nenhum outro lugar para levar a Akito. Se formos para qualquer outra de nossas propriedades a Yoko-san ficará sabendo.

Kyo faz um sinal para o médico, e ele percebe que a Akito e a Saki estavam voltando do banheiro, e se afasta um pouco do grupo para conversar com o escritor.

-Ayame?! O que está fazendo aqui?

-Ora... ora.... A minha maravilhosa pessoa ficou com vontade de ver a mais linda e gentil dama do clã dos Sohmas.

O possuído se inclina, pega delicadamente na mão de Akito e lhe beija. Saki percebe que as ondas dos três estavam um pouco agitadas e ela olha para o Kyo e lhe pergunta baixinho.

-O que aconteceu?

-A Akito não pode voltar para casa do Shigure.

-E por que não?

-O meu pai biológico está vigiando a casa.

Saki se aproxima de Akito e do Ayame.

-Aa-chan, o que acha da gente fazer aquele clube da Luluzinha hoje?

Ayame olha pra Hanajima e percebe que aquele convite era para ajudá-los naquele momento.

#É claro que o pai do Kyo não ver a Akito chegando a casa, ele desistirá de procurá-la por lá, e amanhã, ela poderá voltar.#

-Mas não terá problemas? Acabou de me falar que os seus pais estão viajando.

-Não terei problema algum. Será muito divertido e assim continuaremos com aquela conversa lá do banheiro.

-Ahahahah.

Ayame e Kyo se olham sem acreditar na maneira que o patriarca estava rindo. Hatori se aproximava exatamente nesse instante e só de ver a Akito rindo ao lado da Hanajima, ele sente o seu coração mais aliviado.

-Do que está rindo, Akito.

A garota fica um pouco corada, uma vez que ele tinha sido o motivo principal da conversa entre as duas garotas.

-Conversas de garotas.

Akito fica ao lado do médico e ele segura em sua mão.

-Tori-san, as garotas irão fazer uma festa do pijama na casa da Hanajima-san essa noite.

O médico olha muito surpreso e ao mesmo tempo agradecido para a garota, novamente ela estava ajudando a todos eles.

-O que o médico falou da Aa-chan?

-Ele disse que fisicamente a Akito está bem.

-Viu?! Eu lhe disse que não precisava vir até o hospital para fazer todos aqueles exames.

-E o médico não falou quando é que a memória dela irá voltar?

-Não Kyo. Na verdade, o médico não encontrou nenhuma razão para essa perda de memória da Akito.

-Não precisam se preocupar comigo. Tenho a sensação de que nunca foi tão feliz como estou sendo agora.

Akito sente que o médico estava segurando a sua mão com um pouco mais de força, mas não era de uma maneira que machucava, mas sim de uma forma que queria proteger algo que lhe era muito querido.

by DonaKyon

06/02/2010

191


-O que está fazendo aqui? Cadê a Akito?

-Vim com a Saki. Elas foram até o banheiro.

-A Hanajima adivinhou que a Akito estava aqui?

Hatori havia feito aquela pergunta com um tom de riso e que foi respondido da mesma forma pelo gato.

-Não. Ela veio pegar uns remédios para a avó.

-É muito bom ver a Akito se dando bem com as garotas, não é?

-Ela nem parece com o patriarca que eu conhecia.

-Essa é a verdadeira Akito..... E essa é a personalidade do kamisama que a gente conheceu pela primeira vez.

-Há muito tempo venho observando-a. És uma pessoa misteriosa e incrível. Não pude evitar de me encantar por ti. Sou apenas um humilde gato sem dono. Mas, por favor, conceda-me a honra de ficar ao teu lado.

Por alguns segundos o possuído pelo espírito do gato viu a imagem de uma linda mulher com cabelos negros e compridos como os da Hanajima, que lhe estendia a mão enquanto estava ajoelhada a sua frente com um tímido sorriso em seus lábios. Kyo volta a se sentar colocando a sua mão direita na testa, e Hatori percebe que o garoto estava um pouco pálido.

-O que foi Kyo?

-... Nada...

O médico segura em seu pulso para tomar a sua pressão, mas o som de um sapato muito apressado o impedi de se concentrar.

#-Que pessoa mais inconveniente, vir com um sapato tão barulhento a um hospital. #

-Tori-san... Quem bom que ainda está aqui.

O barulho dos sapatos para exatamente ao lado do médico. Era o Ayame que chegava todo afobado e suado.

-Tinha que ser você.

-O Guretti está te ligando desesperadamente. Por que não atendeu?

O médico tira o celular do bolso do paletó e mostra ao possuído.

-Estou num hospital, eu o desliguei.

-Graças aos céus que te achei aqui. Por pouco não acontece uma desgraça.

-Me lembro muito bem, onde vocês dois me mentiam quando viam com esse papo de que uma desgraça ia acontecer.

Ayame coloca a sua mão no ombro do médico e lhe fala com um tom bem sério em sua voz.

-É sério Tori-san. O Pai do Kyo está espionando a casa do Shigure.

-OQUE?

Ao escutar aquilo o gato se levanta rapidamente da cadeira.

-Por sorte o Guretti teve que sair de casa e ao voltar o reconheceu dentro de um dos nossos carros que está parado diante da ladeira que leva até a casa.

-Mas o que o meu pai está fazendo lá? Será que ele veio me buscar?

Hatori coloca a mão no ombro do garoto e percebe o quanto que ele estava tremendo.

-Fique calmo Kyo. O Higuchi-san não está ali por sua causa.

-Exatamente. O Guretti está desesperado lá. Estávamos com medo de você chegar com a Akito e o Higuchi-san a ver.

-Mas porque o meu pai está preocupado com a Akito?

-Não é bem o seu pai, mas sim a tia dele, a Yoko-san.

-Que?? Aquela velha da mansão é tia do meu pai?

-O Kyon-kitty não sabia disso? A Yoko-san é sua tia-avó.

-Já falei pra não me chamar assim, seu traveco. Eu não sei de nada relacionado ao meu pai biológico.

-A velha Yoko está desconfiada que a Akito esteja na casa do Shigure.

-Mas como foi que ela relacionou as coisas, Tori-san?

-Essa é uma boa pergunta Aaya, mas aquela mulher não é nada boba. A Yoko-san deve estar desesperada para que Akito retorne. O Kazuma-san levou a Ren-san para morar na mansão.

-A Ren? Mas porque o professor fez isso.

-Parece que a Ren sabe de mais um segredo dos Sohmas.

-Outro segredo? Cruzes, nunca vi um clã que tenha tantos segredos como o nosso. E cadê a nossa linda patriarca?

-Está no banheiro com a Saki.

Ayame sente que o seu celular havia começado a vibrar dentro da pequena bolsa de mão que estava carregando e com uma enorme agilidade e delicadeza ele o atende.

-Guretti, já encontrei o Tori-san.

-Graças aos céus. Deixe-me falar com o Haa-san.


Ayame passa o aparelho para o médico.

by DonaKyon

30/01/2010

190


Hatori aguardava na sala de espera em frente ao local onde Akito estava realizando os exames. O médico estava muito ansioso, e o fato de não poder fumar, uma vez que estava dentro de um hospital, o deixava ainda mais tenso.

-Porque o dragão foi o último dos animais a sair do lado do kamisama.

Aquela frase não saia de sua mente. Hatori deseja mais do que nunca permanecer ao lado de Akito, mas agora, não o queria apenas porque ele era um dos possuídos e ela era o kamisama, ele queria porque ela era a mulher que ele estava amando.
O médico apóia as mãos atrás de sua cabeça e inclina o corpo para frente, estava se sentindo muito sufocado e inseguro.

#Como a Akito irá reagir quando se lembrar de tudo? O que lhe fiz não tem perdão ..... E o que será de mim? Como vou conseguir viver se ela não me aceitar mais como o seu namorado?#

Hatori sente um leve toque em seus cabelos e depois o perfume suave de Akito ao lhe abraçar, e por alguns segundos o médico teve a certeza de que iria chorar. Ele a abraça com toda a sua força e desespero.

#Eu não conseguirei viver se não a tiver em meus braços. #

Akito inclina um pouco o corpo e lhe sussurra ao ouvido um pouco envergonhada.

-Hatori, todo muito está olhando.

O médico se recorda de onde estavam e a solta e depois se levanta, mas nem olha para os lados. Seu olhar era apenas da Akito, e ela percebe que o namorado estava à ponto de chorar. Ela delicadamente passa a mão em seu rosto e lhe sorri.

-O médico quer conversar com você.

-Você vem comigo?

-Prefiro ficar aqui.

O dragão percebe que a garota estava com um olhar um pouco assustado.

-Ele já lhe falou alguma coisa?

-Não.... Mas algo me diz que eu não serei feliz se me lembrar do meu passado.

-Não se preocupe, eu estarei ao seu lado.... #mesmo que você venha a me odiar, eu sempre estarei ao seu lado#.

O médico a deixa esperando no mesmo local onde antes ele estava sentado. Akito estava sentindo uma forte inquietação dentro de si desde aquela manhã. Era como se algo estivesse lhe gritando para que ela fugisse.

#Eu não deveria estar assim. Deveria estar feliz depois de tudo o que aconteceu ontem à noite. Mas sinto algo a me consumir por dentro. Como se uma terrível tempestade estivesse se aproximando.#

-Aa-chan.

Akito nem precisava olhar para descobrir quem é que estava a chamando. Ela olha em direção da voz, com um sorriso nos lábios. Ouvir aquele “Aa-chan” a fez esquecer toda a angustia que estava sentindo.

#Eu tenho o Hatori que eu amo, tenho amigas queridas e tenho vários primos maravilhosos, todos estão ao meu lado. Nada poderá dar errado.#

-O que vocês dois estão fazendo por aqui?

-Viemos buscar alguns remédios para a minha avó.

-E você? O que está fazendo sozinha aqui?

-Não estou sozinha. O Hatori está ali dentro conversando com o médico.

-O Kyo me contou que se lembrou do seu pai, Aa-chan.

-Sim. Graças a uma conversa que eu estava tendo com o Kyo, acabei me lembrando um pouco do meu pai. Mas foi só isso.

-Aos poucos irá se lembrar de mais coisas.

-Gostaria de me lembrar apenas das coisas que me fizeram feliz, o resto não me importo de esquecer.

-O médico te falou quando irá se lembrar de tudo?

-Não, Kyo. Ele está falando com o Hatori. Ah, Hana-chan, vamos até o banheiro? Kyo espere a gente aqui.

O garoto nem tem tempo para lhe responder, e as duas garotas já estavam indo para o banheiro.

#Hunf. Essa mania de mandar ela não perde mesmo. #

O gato se senta na cadeira onde a Akito estava, mas logo se levanta quando vê que o primo estava saindo de dentro da sala.

by DonaKyon

27/01/2010

189


A elegante mulher desce e se aproxima dos três. Tohru ainda mantinha abraçada à menina devido ao medo que estava sentindo dela tentar abraçar o Momiji novamente.

-Mas mamãe, eu gosto do Momiji-kun como se fosse o meu irmão. A senhora não acha que ele se parece com a gente?

-A Momo-chan vive repetindo isso.

-Mas é verdade mamãe. Olha, ele tem até a cor dos nossos cabelos. Lá na escola ninguém tem um cabelo como o nosso.

-É porque a mãe do Momiji-kun também não é japonesa, por isso ele tem o cabelo claro. Não é mesmo, Momiji-kun?

O garoto apenas balança a cabeça confirmando. Tohru percebe pequenas lágrimas estavam surgindo nos olhos do garoto.

-Vamos entrar senhorita Momo? O Momiji-kun está muito ansioso para começar a aula.

A colegial ia caminhando em direção da casa, enquanto levava consigo a pequena menina pelas mãos, enquanto que a Momo caminhava olhando para trás, e Momiji podia ver o quanto que os olhos da menina estavam brilhando.

Elisa, que havia chegado primeiro do que eles, fica os esperando ao lado da porta de casa deixando que as duas meninas passem e depois quando o possuído passa ao seu lado ela sorri e coloca delicadamente a mão direito no ombro do garoto.
Aquela era a primeira vez que o possuído sentia o toque da sua mãe sob o seu corpo. Desde que Momiji tinha nascido Elisa sempre se recusou a tocar na criança porque tinha medo que ela se transforma-se numa criatura estranha. Momiji por alguns segundos não consegue nem caminhar e nem respirar. Queria guardar para sempre aquela sensação tão delicada e carinhosa da mãe.

Ao ver que o garoto havia parado de andar, Elisa olha para o garoto e lhe sorri.

-Pode entrar Momiji-kun. Fiquei muito feliz por você ser o professor de violino da Momo-chan, assim poderá estar sempre em minha casa.
Momiji ao escutar aquilo abaixa a cabeça e fecha os olhos.

-O-oobrigado....

Aquelas foram as únicas que o coelho conseguiu falar antes que silenciosas lágrimas saíssem de seus olhos. Momiji coloca o braço diante dos olhos para esconder o quanto que ele estava chorando naquele momento.

Elisa lhe olhava toda preocupada, não entendia o que havia dito para o menino chorar daquela forma. Tohru ao ver que o namorado estava chorando fica igualmente emocionada, por ela sabia a razão daquelas lágrimas. Momo estava tão assustada que não conseguia falar nada, e fica imaginando que os dois por serem namoradores deveriam estar sentindo a mesma dor.

-Por que está chorando Momiji-kun?

-Me... me desculpe... é que fiquei com saudades da minha mãe....

Elisa passa a mão delicadamente pelos cabelos do garoto e sente que algumas lágrimas também estavam saindo de seus olhos. Ela se ajoelha no chão e esconde os olhos atrás de suas duas mãos.

-Eu sei como é triste sentir saudades de alguém..... Mas no meu caso eu nem ao mesmo sei de quem é que sinto tanta saudade assim....

Momo solta da mão da Tohru e vai abraçar a sua mãe.

-Mamãe, onde é que está doendo? Não chora mamãe.

-O que dói é a alma da mamãe.... A mamãe sente que se arrepende muito de alguma coisa..... e eu não sei o que é....

Momiji e Tohru olham-se imediatamente, ambos estavam bem surpresos com aquela declaração. No olhar dos dois estava escrita a mesma frase.

#Ela se arrependeu da sua escolha#

-Me desculpem por chorar na frente de vocês, mas é um que sinto esse arrependimento desde que a Momo-chan nasceu.

Tohru se recorda da conversa que teve com a senhora Sohma no dia em que começou a trabalhar na casa.

# -É que a Momo-chan é a minha vida. Acho que morreria se ela não existisse. Sinto que ela curou uma grande dor que sentia na alma, mas nunca descobri o que era. Às vezes sinto como se tivesse me esquecido de algo que foi muito importante em minha vida.#

#A Elisa-san sente a falta do filho que ela esqueceu.#

by DonaKyon

23/01/2010

188


Tohru tenta disfarçar a insegurança que estava sentindo, mas depois se recorda do que Arisa lhe tinha acabado de falar, ela abaixa os olhos e lhe responde com a voz um pouco trêmula.

-Eu não sei.

-Seria tão bom se ela mantivesse esse sorriso que tem em seu rosto agora, e também a sua amizade e a da Hana-chan.

-Eu não conhecia o patriarca antes dela perder a memória. Mas ficaria muito feliz se ela continuasse a ser a nossa amiga.

Momiji olha para frente e percebe que o motorista estava prestando atenção na conversa, mas assim que ele percebe que o garoto estava olhando para ele, através do retrovisor, o homem olha para frente.

#Será que ele escutou o que a gente tava falando?#

-Momiji-kun... o que foi?

-Hum hum nada não. Né né Tohru-chan... será que a Momo-chan irá gostar de ter aulas comigo?

-É claro que sim, Momiji-kun. Vou adorar lhe ver tocando violino.

Momiji encosta a sua testa na testa da Tohru e apenas fica olhando o brilho do seu olhar. Com medo de o motorista escutar a conversa deles sobre Akito, o garoto havia mudado de assunto e agora se mantinha em silêncio.

#Por que estou com essa sensação de que conheço esse senhor de outro lugar. Nunca prestei atenção nos nossos motoristas, mas tenho quase certeza de que esse homem nunca tinha vindo me buscar antes.#

Tohru fecha os seus olhos e segura nas mãos do garoto, e percebe que essas estavam agora um pouco mais frias que o normal, a garota abre os olhos e vê que o garoto olhava com desconfiança para o motorista. Ela se aproxima de seu ouvido e lhe pergunta baixinho.

-O que foi Momiji-kun.

O garoto se arrepia todo, parecia que tinha levado um forte choque por todo o seu corpo. Nunca antes tinha sentido aquilo. Ele olha fixamente e tem a certeza de que não importava o que iria acontecer no dia de amanhã, o que lhe era mais precioso era aquele instante que estava vivendo com ela.

O casal de namorados fica durante o resto do trajeto apenas se olhando. Seus corações batiam um pouco mais dolorido, pois a incerteza havia aumentado na noite anterior quando a Akito começou a se lembrar da sua infância.

O carro para diante da ampla alameda que levava para as casas dos Sohmas que ficavam ao lado de fora da sede. O motorista sai do carro para abrir a porta, se mantendo de cabeça baixa e assim, não deixa que o possuído veja o seu rosto.

Momiji e Tohru o agradecem e começam a caminhar de mãos dadas até a casa. A ansiedade do menino aumentava a cada passo que dava. Estava para realizar um sonho, iria ficar algumas horas do seu dia perto de sua mãe e irmã. Assim que se aproximam da luxuosa casa em estilo ocidental, ele vê que a Momo-chan estava sentadinha na escada que levava a entrada principal da casa. A menina assim que os vêem se levanta e corre com os braços abertos em direção do coelho.

-MOMIJI-KUN...

Um sentimento de alegria e tristeza invade a alma do Momiji. Tudo o que ele mais desejava era correr para abraçar a irmã, mas o pânico o impedem de dar um passo à frente, e ele fica parado e com a mão gelada. Tohru rapidamente solta da mão do namorado e corre para abraçar a menina.

-Muitíssimo boa tarde, Momo-chan.

-Ahh... Tohru-chan, eu ia abraçar o Momiji-kun.

-Quer dizer que a Momo-chan não gosta de mim?

-Eu gosto, mas gosto muito mais do Momiji-kun.

-Momo-chan, a Honda-chan poderá ficar triste com você, não se esqueça que o Momiji-kun é o namorado dela.

Elisa estava conversando com eles no alto da escada de cinco degraus, saiu da casa assim que escutou o grito da filha. A mulher estava tão ansiosa como a menina esperando pela chegada dos dois.

by DonaKyon

21/01/2010

187


Finalmente mais um dia de aula havia terminado. Kyo e Saki caminhavam de mãos dadas pelo pátio do colégio, e era impossível não sentir todos aqueles olhares pesados, cheios de inveja, ódio e fúria para a garota, mas a presença do Momiji que caminhava ao lado deles e da Tohru deixava a situação um pouco mais leve. O garoto conversava e pulava em quanto ia falando, realmente ele estava muito eufórico, afinal naquela tarde, começaria a sua primeira aula de violino para a sua irmãzinha.

Kyo não estava prestando a menor atenção no que o coelho estava dizendo, sua vontade era de mandar todos aqueles que estavam olhando daquela maneira para a sua namorada para o inferno. Já não lhe bastava a sua preocupação com o patriarca, agora tinha essa situação na escola.

#Droga! Como ficará a Saki sozinha aqui na escola, caso eu seja aprisionado? Ela não irá se defender com medo de ferir alguém. Eu não quero deixá-la sozinha... Droga!! Será que a Akito já recuperou a memória dela?#

O garoto sem perceber estava apertando com um pouco mais de força a mão da Saki. A colegial delicadamente puxa a sua mão, depois cruza o seu braço no dele, e volta a segurar em sua mão, mas desta vez entrelaçando os dedos. Ao mesmo tempo em que o coração do garoto dispara, ouvisse vários gritos de protesto e frases de insultos para a garota.

#Não se preocupa. Eu não ligo para elas. Já estou acostumada com isso.#

-Mas eu não acho isso certo! Como você ficará se eu for aprisionado hoje?

Momiji para de falar e tanto ele como a Tohru olham espantados para o Kyo que de repente cortou a conversa do menino e começou a conversar com a Saki. A colegial para de caminhar, mas sem soltar da mão do garoto lhe pergunta com o olhar cheio de incerteza.

-Por que está falando isso?

Momiji também tinha aquele mesmo olhar para a Tohru. A garota não conseguia olhar nem para a amiga e nem para o namorado e acaba abaixando a cabeça. Naquela manhã os três haviam acertado durante o café da manhã que não contariam para eles, que a Akito estava recuperando a sua memória, para dessa forma poupá-los daquela angustia que eles estavam sentindo.

-Deixa pra lá.

-“Deixa pra lá” o caramba, cabeça de mexerica. Não tá vendo que os dois estão aflitos?

Kyo olha com a cara um pouco mais fechada para a Arisa que se aproximava deles. A garota carregava a mochila atrás das costas com a mão direita e a esquerda enfiada no bolso da longa saia.

-U-uo-chan...

-Não quero nem saber o que é que está pegando. Mas acho que vcs devem contar para eles sim.

Arisa para de caminhar ao lado da Tohru e bagunça todo o seu cabelo, enquanto lhe acariciava ao mesmo tempo.

-Precisa perder essa mania de quer segurar tudo sozinha. Agora tem uma pessoa que te ama e que quer dividir todas as suas preocupações com você. Confia no baixinho aí. Já o senhor de cara feia, ficará com ela ainda mais feia se deixar a minha amiga preocupada. Tó indo nessa.

Uotani dá uma piscada de olho para a Hanajima e continua a caminha para sair da escola e ir para o trabalho.

-Tohru, conta tudo para o coelho. Eu falarei para a Saki.

Ele começa a caminhar levando consigo a namorada. Momiji e Tohru entram no carro que esperava pelo possuído e que estava estacionado na frente da escola. O possuído espera que o motorista saia com o carro para começar a conversar com a Honda.

-O que foi Tohru-chan?

-A senhorita Akito se lembrou do pai dela na noite passada.

Momiji lhe olha um pouco assustado, mas depois abre um lindo sorriso e segura em sua mão.

-Que bom, né Tohru-chan? Deve ser muito triste a gente não poder se lembrar daqueles que a gente ama.

-Sim, ela ficou tão feliz quando se lembrou do rosto do seu pai.

-Como será que Akito-san ficará depois que se lembrar de tudo?

by DonaKyon