09/01/2010

184


O Kazuma e a Ren foram os únicos que perceberam a visível alteração na mulher, já o médico estava tão alterado por ver a Ren falando da Akito que não consegue mais se segurar.

-Akito era uma criança quando fez aquilo.

-Continua o mesmo estúpido de sempre, não é mesmo Hatori? Vocês e o maldito enlace com o Akito.

-Ren-sama, por que está perguntando sobre esse fato agora?

-Kazuma-san, o que a Ren está fazendo aqui na mansão?

Yoko percebe que aquele era o momento perfeito para mudar de assunto e assim conseguir um pouco mais de tempo para colocar o seu plano em prática.

-Ela mesma acabou de me falar. Quer voltar a morar na mansão como esposa do patriarca.

Hatori ao escutar aquilo olha espantado para o professor Kazuma. Era impossível não perceber a beleza da Ren, assim como não dava para evitar de perceber a sua loucura também.

-Hatori, vamos conversar lá no Dojo. Creio que as senhoras precisam esfriar um pouco os seus ânimos.

Os dois saem da biblioteca deixando as duas mulheres sozinhas e que se olhavam cheias de ódio.

-É impressão minha ou não quer mesmo que eu fale com o Kazuma-sama sobre esse assunto?

-É realmente uma mulher louca e desequilibrada. Mas os seus dias serão curtos nessa mansão. Até o final de semana Akito-sama estará de volta.

Ren sabia que aquilo iria acontecer, mas não queria que fosse tão rápido. Tinha que antes se vingar daquela mulher, todos no clã precisam saber que o antigo patriarca era o filho de uma empregada. Assim ela se vingaria não apenas da Yoko, mas de todos os Sohmas que sempre a humilharam por ela ter sido uma empregada. E também da própria Akito que sempre sentiu vergonha por causa disso.

-Mas muita coisa pode acontecer antes disso.

Ren com a mão direita joga seus longos cabelos negros para trás e passa pela velha governanta.

#Maldita louca. Somente uma coisa irá acontecer aqui.#

Yoko caminha até a mesa e coloca o antigo livro no meio dos livros que estavam sendo pesquisados pelo Kazuma.

#Preciso conversar com o idiota do meu sobrinho.#

Kazuma e Hatori caminhavam em silêncio para o Dojo e ao notar que o médico estava um pouco nervoso, Kazuma coloca a mão em seu ombro e lhe sorri.

-Está muito apaixonado por ela, não é mesmo?

O médico lhe olha espantado. O Shigure e o Ayame fazerem aquele comentário era algo bem esperado, mas já o professor, que não sabia do que estava acontecendo entre Akito e ele, falar aquilo, o faz perceber qual foi a verdadeira razão para o Kazuma sair da biblioteca com ele.

-Podemos conversar na minha casa?

Kazuma apenas confirma que sim com a cabeça e os dois caminham em silêncio até a casa do médico, ao chegarem lá, Kazuma se senta no sofá e tira o maço de cigarros do bolso do paletó, e antes de se sentar na poltrona a frente do professor, ele acende o cigarro.

-Já realizou os exames que precisava na Akito-san?

-Ainda não. Vou levá-la hoje à tarde.

-E mesmo assim ela poderá voltar no final de semana?

-Por mim ela não voltaria nunca mais. Foi esse clã que a transformou naquela pessoa. A Akito verdadeira não é daquele jeito.

-Mas ele tem que voltar. Ela é a líder desse clã.

Hatori dá uma longa tragada e depois apaga o cigarro.

-Ela precisa voltar mesmo?

-Akito-san pode não se lembrar de nada, mas ainda é o patriarca dos Sohmas e a kamisama dos possuídos. E ela precisará assumir a essas funções, mesmo sem se lembrar de nada.

-Como iremos explicar para a Akito que ela sempre foi criada como se fosse um homem e sobre a nossa maldição?

Kazuma percebe o quanto que o médico estava angustiado.

-Você conseguirá protegê-la aqui também.

O médico apóia a cabeça nas mãos e os cotovelos em suas pernas. Sentia uma angustia que o amedrontava todo por dentro.

by DonaKyon

07/01/2010

183


Ren retira a sua mão do braço da velha governanta.

-O que tinha na carta da Eiko-chan?

-É por isso que está aqui? Pois, pode ir embora. Eu não sei de carta alguma.
Yoko volta a caminhar em direção da porta.

-Acabei de me recordar que a Eiko-chan se matou poucos dias depois que Akito retirou o bracelete do gato.

A governanta ao escutar aquilo para de andar, mas ainda se mantém de costas para a Ren, que agora estava parada em pé no meio do quarto, olhando atentamente para descobrir qual seria a reação da mulher.

-Não foi isso? Creio que ela se matou depois de três ou quatro dias.

-Não me lembro.

-É mesmo?! Creio que o possuído do gato deverá se lembrar. Afinal, aquela experiência deve ter lhe marcado.

#Maldita Ren. O que o Kazuma-kun está pretendendo com essa mulher aqui?#

Yoko volta a caminhar deixando a Ren sozinha em seu antigo quarto.

#Por que nunca me lembrei disso? Sempre achei estranho o fato de aquela menina ter se matado, a Eiko-chan não era o tipo de pessoa que faria isso. E se ela realmente o fez, certamente teve um forte motivo para isso. Mas qual seria?#

Yoko volta para o seu quarto e retira de dentro do armário o antigo livro que havia retirado da biblioteca na noite anterior.

#Malditos! Malditos! Mil vezes malditos!#

Yoko, devido a sua idade, não conseguia andar tão rápido como ela gostaria. As empregadas que a encontram entre o percurso realizado entre o quarto da Ren e o da velha governanta, mal se atreviam a olhar em seu rosto, sabiam que a mulher estava morrendo de ódio por alguém.

#Onde a idiota da Akito se meteu? Ela tem que voltar. Tem que tirar essa mulher daqui. O Kazuma-kun não pode ficar nem mais um dia aqui na mansão#

Ela entra e se tranca no quarto. Caminha até uma gaveta de sua cômoda retiramdo o antigo livro, que havia pegado da biblioteca na noite anterior.

#De uma maneira ou de outra, o Kazuma-kun irá sair daqui. #

A mulher esconde o livro dentro da manga de seu quimono e caminha até a biblioteca. Ela bate na porta e espera o professor responder e entra.

-Kazuma-sama, por favor, me diga onde Akito-sama está?

-Infelizmente não poderei lhe dizer.

-Entenda que sou uma mulher velha. Sempre cuidei do patriarca, ele deve estar sentindo a minha falta também. Preciso saber como está a saúde do patriarca.

-Akito nunca se sentiu tão bem como está agora.

Kazuma e Yoko olham em direção da porta e encontram o médico que entrava.
-Se o patriarca está bem de saúde, por que é que não está aqui?

Hatori fica um pouco desconcertado por ter cometido aquela gafe .

-Que ótima notícia Hatori. Acredita que Akito voltará dentre de quantos dias?

-Creio que até no próximo final de semana.

-É uma grande notícia mesmo. Mas não posso falar com Akito-sama, nem por telefone?

Hatori olha para Kazuma, a espera de mais uma ajuda, mas agora, tão pouco o professor, sabia o que falar.

-Já vai correr para falar ao Akito que estou aqui e ver se assim ele volta antes?

-Era exatamente isso. Não acho certo que você fique nessa casa. Akito-sama ainda é o patriarca oficial do clã dos Sohmas, e sabe o que ele sente por você!

-Ele me odeia, tanto quanto eu o odeio!

Hatori estava um pouco chocado ao ver que a Ren estava dentro da mansão, mas ao escutar aquilo, ele precisa se controlar para não lhe responder, afinal ela estava falando à respeito da mulher que ele amava.

-Se sabe disso, o que faz aqui? Essa casa é o local onde nunca deveria ter entrado.

-Por favor, senhoras...

-Kazuma-sama, pergunte ao filho da Eiko-chan, qual foi o dia em que o Akito tirou o seu bracelete e viu a sua forma monstruosa pela primeira vez.

Ao escutar aquilo, Yoko fica completamente branca e olha para o Kazuma com os olhos bem arregalados. Era impossível se controlar naquele instante. Sentia que a qualquer momento tudo poderia ser revelado.

by DonaKyon

30/12/2009

182


Ren continua a folhear os livros, mas sem prestar muita atenção no que estava contido neles. Kazuma apenas a observava, estava ansioso para descobrir o segredo que aquela mulher sabia.

-Quando é que o Akito voltará?

-Creio que daqui alguns dias.

-E por que foi que justamente o senhor ficou como patriarca?

-Essa foi a decisão de Akito-san.

A mulher olha um pouco desconfiada para o professor, achava muito estranho o fato de a Akito ter escolhido precisamente o pai adotivo do possuído que ela mais odiava.

toc toc

-Entre.

Yoko abre a porta mais não entra.

-O quarto já está pronto.

-A senhora pode acompanhar a Ren-sama?

-Certamente que sim.

A mulher responde sem olhar na direção deles e começa a caminhar sendo seguida de perto pela Ren.

#Agora a Yoko-san irá sentir a perturbação que ela queria que o Kyo sentisse ao enviar aquela empregada lá para o Dojo#

O professor fecha a porta e volta rapidamente a procurar os livros mais recentes sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

#Começarei com a geração de agora e depois irei vendo as outras mais antigas.#

Yoko caminhava sem falar nada, quando chega no quarto, ela abre a porta e a Ren entra.

-De volta ao meu antigo quarto.

-Esse nunca deveria ter sido o seu quarto.

-A Tsukiko-sama ficou muito feliz quando eu passei a ficar em seu antigo quarto.

-A falecida esposa do Akio-sama era uma alma muito generosa, por isso nunca viu a víbora que tinha ao seu lado.

-Cuidado Yoko, eu posso voltar a ser a esposa do patriarca, afinal o Kazuma-sama é um homem solteiro.

Yoko fecha as mãos com a pouca força que ainda tinha em seus braços.

-Você é uma mulher baixa o suficiente para fazer isso. Sempre tive certeza de que se casou com o Akira-sama por esse motivo e não por amor.

-Ahahahah, e a senhora morreria feliz se isso acontecesse, não é mesmo? Mas nunca lhe darei essa alegria. Eu sempre amei e só amarei o Akira.

#Maldita!#

A governanta se virá, mas não consegue andar muito, pois Ren a segura pelo braço.

-O que sabe da carta de suicídio da Eiko-chan?

A governanta olha para a mão da Ren em seu braço e a mulher imediatamente se lembra da outra vez que tinha visto aquele olhar em alguém. Ele era o olhar que a Akito direcionou ao Kyo, na única vez em que ele lhe tocou.

Flash-back

-Por favor, não tire o meu bracelete.

O menino chorava enquanto segurava a pequena mão que tentava arrancar o seu bracelete.

-Aki-chan, o deixa ir embora.

Shigure estava parado a poucos passos das duas crianças, mas não ousava se aproximar e impedir a Akito de arrancar o bracelete do possuído pelo gato.

-MAMÃE.... ME AJUDA MAMÃE...

#Ela nunca deveria ter sido a sua mãe seu monstro. A Eiko-chan não deveria ter sido a sua mãe.#

Akito olha cheia de ódio, magoa e nojo para aquela mão que estava sob a sua. E ao empurrar a criança para trás, ela acaba tirando o seu bracelete. E poucos segundos depois a verdadeira forma do possuído se revela a sua frente.

- Que nojo! Que coisa nojenta. Agora sei porque sempre senti muito nojo de você.

O cheio de coisa podre toma conta de toda a sala, e a Ren que estava acompanhando tudo atrás da porta começa a sentir fortes ânsias e sai correndo para fora da mansão.

-Cof cof cof..

-Ren-sama - A mulher se abaixa para ajudá-la a se levantar – cadê o Kyo-kun?

-Me desculpe Eiko-chan, mas quando cheguei já era tarde demais. O patriarca tirou o bracelete do seu filho.

-E onde ele está agora?

-Eu não sei. Sai de lá porque não agüentei o fedo do seu filho.

-Era por isso que o cheiro desagradável começou antes do Akito-san retirar o bracelete. Então, o cheiro de algo apodrecendo era o seu, Ren?

-Yoko-sama, onde está o meu filhinho?

-Ele saiu correndo. Tome, isso é daquele monstro.


A governanta joga nos pés da mulher o bracelete e logo lhe virá às costas.

-A senhora é a tia-avô desse menino. Por que não impediu a Akito-chan?

Yoko se vira rapidamente e esbofeteia a face da mãe que chorava desesperada.

-Já falei para não chamar o patriarca dessa maneira. E não me lembre que aquele monstro é da minha família.

-ELE NÃO É UM MONSTRO! O MEU FILHINHO NÃO É UM MONTRO! O ÚNICO MONSTRO QUE EXISTE NESSE CLÃ É A SENHORA!

A mulher sai correndo em direção do portão que levava para fora da sede, onde ficava a sua casa.

#Desgraçada. Irei falar com o Higuchi-kun, essa idiota ainda irá revelar que o patriarca é uma mulher. A gente já devia ter se livrado dela, assim que o possuído do rato nasceu.#


by DonaKyon

181


Ren se aproximava da porta principal da mansão do patriarca, com seus longos cabelos negros soltos balançando ao sabor do vento, que estava bem forte e gelado naquela manhã. Vestia o último presente que havia ganhado de seu falecido esposo, um belo quimono de seda preto com diversas flores bordadas. Certamente, aquele quimono era um dos mais ricos e delicados, e que poucos no mundo seriam capazes de fazê-lo. Aquele quimono era apenas usado pelas esposas dos patriarcas, e era passado de uma geração para outra.

A mulher mantém a sua cabeça erguida e olhava cheia de raiva e ódio em direção da mansão.

-R-ren-sama... A a se-senhora não pode...

A ex-mulher do antigo patriarca passa direto pela pobre empregada que estava na porta da casa, e a sua fiel empregada, que a acompanhava, também entra sem dizer nada. Ren entra na sala e olha para todos os lados. Finalmente ela colocava os seus pés na mansão, o local onde ela mais sentia a presença do seu amado esposo, e que estava proibida de entrar desde que o Akira tinha morrido.

-Onde está o Kazuma-sama?

-E-ele está na bibl...

-Não precisa responder nada a essa louca.

Yoko se aproximava com passos tranqüilos e seguros, seu olhar para Ren era igualmente cheio de ódio, não apenas por ela estar novamente dentro daquela casa, mas principalmente por estar vestindo exatamente aquele quimono. Ren a olha cheia de superioridade e percebe que a roupa havia chamado a sua atenção assim como ela queria.

-Bom dia Yoko. Vejo que ainda se lembra do quimono de minha sogra.

-Saia daqui imediatamente Ren.

-Bom dia Ren-sama.

As quatro mulheres olham para o Kazuma que chegava a sala.

-Bom dia Kazuma-sama. Estou aqui conforme me pediu.

-Yoko-san, peça as empregadas para deixarem o antigo quarto da Ren-sama arrumado. Ela irá voltar a morar aqui na mansão.

-O quee?

A velha mulher precisa se controlar ao máximo quando escuta aquilo, suas pernas começam a tremer e a sua respiração fica mais acelerada. Ren a princípio fica tão surpresa quanto a Yoko, mas depois de olhar um pouco mais atentamente para o Kazuma, ela percebe o que estava acontecendo.

#Será que ele já descobriu?#

-Ren-sama, vamos até a biblioteca enquanto o seu aposento não está pronto.

-Até quando ela ficará aqui, Kazuma-SAMA?

-Até o Akito-san retornar.

O homem percebe o quanto que aquela notícia havia desestabilizado a velha governanta. Ele começa a caminhar pelo longo corredor seguido pela Ren. Assim que entram na biblioteca, a mulher vê os vários livros que estavam espalhados pelo tatame.

-O Kazuma-sama já encontrou?

-Ainda não.

-Então, por que quer que eu fique aqui na mansão?

-Me desculpe, Ren-sama, os meus motivos são pessoais. Se importaria de ficar esse tempo aqui?

-De forma alguma.

Ren se aproxima da mesa e vê um livro muito antigo sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

-O senhor deveria começar dos mais recentes.

Aquela informação deixa o professor muito surpreso.

#O que é que ela quer que eu encontre?#

A mulher começa a olhar os outros livros e percebe que o homem buscava informações sobre a maldição dos possuídos.

-Realmente deve amar muito o filho da Eiko-chan.

-A Ren-sama sabe algo sobre a carta de suicídio da Eiko-san?

-Carta de suicídio?! A Eiko-chan deixou uma carta? Por que é que ela se matou?

-Não encontramos a carta ainda.

-Nunca entendi o que levou aquela menina a se matar.

-Eu não sabia que a Eiko-san tinha tomado conta da Akito-san quando criança.

-A Yoko fez isso para me atingir. Ela sabia que eu gostava muito da Eiko-chan. Foi por isso que a chamou para ser bába do Akito, e também a fez se casar com o idiota do sobrinho dela.

#Gostaria de entender a razão do ódio dessas duas.#

By DonaKyon

28/12/2009

180


-Mas que garota ingrata! Só porque agora tem um namorado me deixou para segundo plano. Ela vai ver só.

Shigure desce para atrapalhar a conversa dela com o médico.

Kyo dá um longo suspiro e se senta no chão colocando a mão na testa.

-Não adianta sofrer por antecipação.

-Cala a boca Ratazana! Pra você nada irá mudar com ela se lembrando ou não.

Yuki se sentava ao lado do Kyo.

-Todos nós iremos perder essa Akito. Nenhum dos possuídos a conheciam também.

-Mas a vida de vocês continuará a mesma. Principalmente a sua, que nem irá perder o namorado.

-Kyo, por que você não faz o mesmo comigo?

-OQUEE????

Kyo se afastava um pouco do garoto e lhe olhava todo abismado.

-Por que não me dá uma oportunidade assim como fez com a Akito?

-Ahhh, era disso que estava falando...

-Do que achou que era?

-Err... Nada não.

-Da mesma forma que você não conhecia essa Akito e foi capaz de se aproximar dela e de ficar seu amigo, você também não me conhece, e eu também não te conheço. Agora estamos morando juntos e estudamos juntos. Por que não tentamos ser amigos?

Kyo se levanta e olha para o Yuki que estava sentado no chão.

-Volte a conversar comigo sobre sermos “amiguinhos” depois que Akito recuperar a memória e mandar me aprisionar lá no retiro. Acredito que lá terei muito mais tempo para pensar nessa sua proposta.

O gato entra no seu quarto e fecha a porta. Yuki dá um forte tapa em sua testa e encosta a cabeça na parede.

#Como eu sou estúpido! É claro que para ele faz uma tremenda diferença Akito voltando a ser o que era antes. A vida dele não será igual. Ele não perderá só a namorada, como também perderá a liberdade.#

Yuki sente uma suave mão tocando a sua e olha para o seu lado esquerdo, e vê a Honda com o seu sorriso cheio de esperança para ele.

-O dia de hoje é completamente diferente do dia de ontem. Vamos acreditar que mesmo se recordando de tudo, essa Akito não irá mais desaparecer de nossas vidas.

O possuído pelo rato só consegue lhe responder com um sorriso, por que Akito e Shigure estavam subindo as escadas.

Akito estava empoleirada no pescoço do primo enquanto subiam as escadas.

-Eu não sabia que era tão ciumento assim, Shigure.

-Sou mesmo, e daí?

-Ahh, Tohru, Yuki.... Me lembrei de uma coisa do meu passado.

-Que ótimo Aky-chan.

-E o que se lembrou Akito?

-Do meu pai. E o meu NA-MO-RA-DO – Akito fala aquilo bem no ouvido do Shigure que estava ao seu lado – me confirmou que o que lembrei aconteceu mesmo.

-A-KI-TOOO... eu vou deixar o Haa-san viúvo de namorada.

-Ahahahah

Akito saiu correndo para dentro do quarto que estava ocupando sendo perseguida pelo escritor, enquanto que a Tohru e o Yuki se levantavam do chão.

-Tem razão Honda-san. A Akito de ontem não conhecia o que era o amor.

Os dois começam a escutar as risadas alegres de Akito que vinha do quarto.

-Ainda bem que vocês não se transformam com o abraço dela.

-Já imaginou, Honda-san?

-TOHRUUU VENHA ME AJUDAR! TIRA ESSE ESCRITOR DE FOLHETIM DE CIMA DE MIM.... AHAHAHHA.

-Acho melhor a senhorita não ir. Vai que por um acidente, o Shigure esbarre em você.

-É melhor não arriscarmos mesmo.

-AHAHAHAHAH..... TOHRUUUUU.... AHAHAHAH

-VOCÊS QUEREM CALAR ESSAS BOCAS! AMANHÃ EU TENHO AULA E TENHO QUE DURMIR!

Kyo que havia aberto a porta do quarto só para gritar com eles, já tinha voltado a fechá-la quando Akito e Shigure saem correndo do quarto da Tohru e abrem a porta do quarto do garoto só para pularem em cima dele enquanto se matavam de rir.

-AHHHHH SEUS IDIOTAS! SAEM DE CIMA DE MIM!!


-Nossa, mais uma para a nossa lista! O Kyo chamando Akito de “idiota”.

-Ahahah...

Yuki e Tohru só acompanhavam o que estava acontecendo escudando o que vinha do quarto.

-Ahahahahha.... Quer dizer que amanhã não irá matar aula, Kyo?

-ahahahhaha se quiser eu posso levar a Aky-chan para passear e deixar a casa livre para os bombinhos... ahahah

-SOMEM DAQUI!! VÃO DORMIR!!! ME DEIXEM DURMIRRRR.


by DonaKyon

25/12/2009

179


Akito ao escutar aquilo sente uma forte dor em seu coração. Era como se aquela dor também fosse a dela. Ela não consegue mais olhar para o garoto e começa a olhar para as árvores a sua frente.

-E a sua mãe? Ela não fica triste com isso?

-A minha mãe se matou a muito tempo atrás.

-Não vejo a hora da minha memória voltar para parar de dar esses foras.

-Tudo bem. Sobre isso eu já nem ligo mais. Graças a Saki, esse assunto agora está superado.

-Vocês são bem apaixonados um pelo outro. Assim como a Tohru e o Momiji.

-E você e o Hatori.

Kyo sorria com um ar de deboche para Akito. Era como se ela estivesse falando dos outros sem levar em consideração a si própria. O patriarca se deita no telhado e olha as estrelas.

-Ahahah.... Tá certo, e eu e o Hatori. ... É muito bom esse sentimento, né? O meu pai tinha razão, eu nasci para ser amada.....

Akito rapidamente volta a ficar sentada e coloca as duas mãos nos ombros do garoto.

-KYOOO!!! Eu me lembrei do meu pai! Eu me lembrei dele... AHHH!!!

Ela o abraça enquanto ficava dando pequenos pulos no mesmo lugar.

-Eu finalmente me lembrei do rosto do meu pai. Me lembrei do dia em que ele me falou isso.

-Vo-você se lembrou?

-Sim.. Sim... SIMMMM.... Eu me lembrei. Eu era bem pequena quando ele me falou: É você Akito! A criança especial. A criança escolhida. A criança que nasceu para ser amada. Todos estávamos esperando por você. No seu futuro não haverá solidão ou medo.

A garota solta o Kyo e fica lhe olhando cheia de felicidade, enquanto que o gato tentava disfarçar o medo que estava sentindo.

-E o que mais lembrou Akito?

-Me lembrei do rosto do meu pai. Ele era tão jovem e bonito. Era isso mesmo, não é Kyo?

-Eu não conheci o antigo patriarca.

-Preciso perguntar para o Shigure então. Vamos lá Kyo!

A garota se levanta e agora é a sua vez de estender a mão para ajudar o garoto. Kyo olha em sua mão e depois lhe olha nos olhos, e Akito percebe que havia um pouco de lágrimas em seus olhos. Ela segura em sua mão o levantando e depois lhe abraça.

-Obrigada por se emocionar com isso.

#Na verdade, estou triste porque essa pode ter sido a última vez que segurei em sua mão.#

O patriarca o solta e segura em seu pulso esquerdo, quase bem próximo do bracelete.

-É melhor segurar na minha mão direita.

-Por quê? Você já quebrou o pulso?

-Não! É porque não posso tirar esse bracelete.

-Quê?

-É uma promessa que fiz a minha mãe.

-Ah tá!.

Akito começa a descer os degraus com o coração pulando de felicidade, e o garoto ia bem atrás dela. Assim que coloca os pés no chão, a garota sai correndo para dentro da casa.

-Eih, vai se esborrachar no chão de novo.

Kyo corre atrás do patriarca, mas dessa vez a garota no cai e entra com sapato e tudo pela casa adentro.

-EIHH!! TIRA OS SAPATOSSS!!

Akito para no meio da escada, arrancando os sapatos e jogando para o meio da sala e quase acertando a cabeça do gato.

-EIHH!!! JÁ QUER ME MATAR, É?

Akito nem tenta entender o que o garoto tinha falado com aquilo, ela acaba de subir as escadas e abre a porta do quarto do Shigure com tudo pulando em cima dele, que por milagre já estava dormindo àquela hora.

-SHI-GU-RE... A-COR-DAAAA....

-Aky? O que foi?

O possuído a olha todo assustado.

-Eu me.....

A garota para de falar, lhe dá um sorriso e depois se levanta da cama lhe mostrando a língua.

-bleeeh.... Vou contar primeiro para o meu na-mo-ra-do e depois eu te conto.

Ela volta a correr, passando pelo gato que estava parado na porta e desce as escadas para ir até a biblioteca onde ficava o telefone da casa.

-O que deu nela?

Shigure já estava fora da cama e ajeitava o seu quimono.

-Akito se lembrou do pai.

-Ela se lembrou do Akira-sama?

-Sim. Pelo visto a memória dela deve estar voltando.

By DonaKyon

24/12/2009

178


Kyo estava deitado em cima do telhado olhando as estrelas. Estava com o coração batendo seneramente, pois sabia que no outro dia iria encontrar a Hanajima novamente. Diferentemente de todos os outros, aquilo não era tão simples quando se pensava na situação deles, pois uma vez que Akito recupera-se a sua memória, ele seria aprisionado e a sua namorada nunca mais iria se lembrar dele.

Ele se recorda de Akito,e de tudo o que tinha acontecido entre eles naquele dia. Ela não lembrava nem de perto o patriarca que o garoto conhecia a tantos anos.

#É uma pena que essa garota pode deixar de existir. Não estou pensando apenas em mim e na Saki, mas também na própria Akito. Ela parece que estar muito mais feliz agora. Parece que ela está viva, não, parece não, ela está viva agora que está fora da sede. Nunca imaginei que Akito vivesse a sua vida de forma tão aprisionada na sede.... Pensando bem, talvez o nosso final seja igual para ambos. Viver sozinho e aprisionado na sede dos Sohmas.#

Kyo escuta alguns passos no quintal e rapidamente procura a causa, já imaginando que era novamente a louca da escola atrás dele. Ele olha atentamente e vê que Akito estava andando enquanto olhava para as estrelas no céu.

#Mas que diabos ela está fazendo? Daqui a pouco vai acabar tropeçando em alguma cois... #

Blafff

#Eu não falei....#

Akito havia enfiado o pé num buraco enquanto olhava para o céu e tinha levado um belo tombo. Kyo se aproveitando de suas habilidades felinas, desce se segurando na parede da casa.

-Eih, cê tá bem?

Akito que não tinha escutado nenhum barulho se assusta quando vê o garoto ao seu lado.

-Credo! Parece uma assombração. De onde você saiu?

-Do telhado. Não se machucou?

O garoto se abaixa para olhar o pé torcido da garota e começa a tocar para ver se não tinha quebrado ou luxado. Akito olha para o telhado e depois para o garoto sem entender como ele tinha em poucos segundos descido dali.

-Não foi nada. Cê deve olhar para o chão e não para o céu enquanto anda.

Ele se levanta e estende a mão para ajudar a garota se levantar.

-É que estava olhando as estrelas.

-Se quer ver as estrelas o melhor lugar é o telhado. Sobe pela escadinha ali no fundo da casa.

-E se eu cair?

-Não seja tão medrosa. Até mesmo a Tohru consegue subir. Vamos lá.

Kyo começa a caminhar e se aproxima da parede para subir por ela.

-Eih, o que está fazendo?

#Merda! É verdade, ela não sabe de nada!#

-Pensei ter visto um bicho aqui. Mas não é nada. Deixa eu subir na frente.

O garoto e o patriarca sobem a pequena escadinha indo para o telhado e ficam sentados um ao lado do outro. A noite estava extremamente agradável, e havia uma suave brisa. Akito fica olhando as estrelas com os olhos brilhando.

-Que lindas! Espero que ele também esteja vendo esse céu agora.

-Quem?

-O Hatori. Ele disse que mesmo que nós estejamos longe um do outro, ainda estamos sob o mesmo céu. Podemos ver a mesma Lua, o mesmo Sol, e as mesmas estrelas, na mesma hora.

-Não sabia que ele falava esses tipos de coisas.

-Eu tenho a impressão que você não se aproxima muito dos nossos primos. Te vi conversando muito pouco com eles.

-Eu sou a ovelha negra dos Sohmas.

-Como assim?

-Deixa pra lá. Não quero falar sobre isso agora.

Akito olha para o garoto e percebe que o seu semblante tinha ficado um pouco triste.

#É melhor mudar de assunto. Ele deve ter coisas que não quer se lembrar também.#

-Eih, Kyo, por que é que você e o Yuki moram aqui e não na sede?

#Putz! Essa nossa conversa está ficando um pouco complicada.# - Ah, tipo, foi o Mestre quem me obrigou a ficar aqui, disse que isso faz parte do meu treinamento.

-Mestre?

-É o Kazuma, o meu pai adotivo.

-Ah, já sei quem é. Quando foi que o seu pai morreu?

-Ele não morreu.

-Não?! E por que é que precisa de um pai adotivo?

-Porque o meu pai biológico me odeia.

by DonaKyon