01/06/2009

89


#Por que será que as luzes de casa estão todas apagadas?#

Kyo estava chegando em casa e estranha o fato de que não havia uma única luz acesa na casa. A essa hora, normalmente, a Tohru estava cuidando do jantar antes de ir trabalhar como faxineira num prédio do centro da cidade. Se durante a tarde toda tinha se esquecido da raiva que estava sentindo do Yuki foi só chegar em casa para se lembrar dela, e ao ver que as luzes estavam apagadas o faz crer que não precisaria ver a cara da ratazana naquela noite. Ele iria comer algo e ficar o resto da noite em seu quarto ou no telhado da casa. O possuído abre e vê que os sapatos do Yuki estavam ali e havia mais um sapato que ele conhecia. Kyo arranca os seus com pressa, largando-os de qualquer jeito e sobe correndo as escadas.

#Ratazana maldita....#

O gato chega até o corredor dos quartos e vê uma pequena quantidade de luz saindo de baixo da porta do quarto do Yuki.

#Não acredito que o Haru seja tão sem-vergonha assim. Eles estão fazendo aquilo aqui em casa, sem se importarem com a Tohru e o cão.#

Kyo caminha até a porta e fica parado diante dela. Não sabia se abria a porta ou não. Sua vontade era de abri-la e de lutar com o Yuki. Estava com tanto ódio, que tinha quase certeza de que dessa vez o venceria. Porém, não queria abri-la e vê os dois numa cena de amor.

O garoto fecha com forças as duas mãos e abaixa a cabeça. Queria pensar no que tinha que fazer.

#Ele só está fazendo isso para me provocar. Ele nunca gostou do Haru. Sempre desprezou os sentimentos do Haru. E agora, só porque eu o beijei, ele começou a fazer essas coisas com o Haru.#

Kyo se recorda do dia que beijou o Haru nas termas. Ele estava evitando pensar no que tinha feito, mas agora não conseguia mais. Na sua mente estava a imagem do Haru com a boca machucada devido ao soco que tinha levado dele, porque ele tinha ofendido a Hanajima.

Ao se lembrar da colegial, vêem a sua mente a imagem dela soltando os cabelos e depois do beijo que tinha acabado de lhe dar. O seu corpo treme todo ao se lembrar dos dois beijos que tinha dado na garota.

#Por que será que na hora que eu beijei o Haru eu só consegui pensar que estava beijando a Hanajima? Por que não senti nada quando o beijei, mas quando beijo a Hanajima parece que há um vulcão dentro de mim.#

Por mais que tentasse não conseguia encontrar uma resposta.

-Sabia que era você, Kyo.

Kyo levanta a cabeça e encontra Haru parado na sua frente com o mesmo jeito lesado de sempre, ele olha para dentro do quarto e vê que o Yuki estava sentado na escrivaninha, e que pelo jeito os dois estavam estudando.

-Hunf...

O possuído pelo espírito do gato começa a caminha até o seu quarto sendo seguido pelo primo, o que deixo o Yuki um pouco aflito.

-Kyo, onde estava até agora?

-Não te interessa!

-Estava com aquelaz....

Haru ia falar “aquelazinha”, mas ao ver o olhar fulminante do Kyo para cima dele, ele muda a frase.

-.... garota amiga da Tohru?

Kyo acha melhor não responder aquela pergunta, já estava com muita coisa para pensar e não queria ter que enfrentar o Haru na sua forma Black. Ele começa a tirar o uniforme escolar sem se importar do primo estar no quarto com ele.

-Por que me beijou no sábado?

O garoto não estava esperando aquela pergunta tão direta. Sabia que um dia teria que conversar com o Haru sobre aquele beijo, mas nunca tinha imaginando que o primo iria direto ao assunto. Ele tira uma bermuda da gaveta e a veste em silêncio. Haru conhecia muito bem ao Kyo e sabia que ele só respondia as coisas que o incomodavam quando era confrontado. O boi caminha até o garoto o encostando contra a parede.

-Está querendo fugir da sua responsabilidade agora?

-DO QUE É QUE ESTÁ FALANDO?

Haru segura no queixo do Kyo, se aproximando um pouco mais dele e fica lhe olhando fixamente.

-Você roubou um beijo.

-Hehe, vai me falar que aquele tinha sido o seu primeiro beijo?


by DonaKyon

29/05/2009

88


#Os Sohmas são realmente muito curiosos. Existe uma coisa neles que o afastam dos outros. Mesmo eu que sou uma Sohma por causa do meu marido, não sei nada deles, e eles parecem que fazem questão de me ignorarem. Será que é porque eu não sou uma japonesa?#

Elisa percebe que o Hatori a olha mais uma vez, só que dessa vez percebe também uma certa hostilidade em seu olhar.

#Isso não é uma impressão minha. Parece que ele me odiar. Mas por quê? Eu nunca lhe fiz nada...#

Momo solta da mão da mãe e a mulher olha para ver onde a menina tinha ido.

-Eu vou falar com o papai, Momi-kun. Quem sabe o papai não me deixa ter aulas de violino junto com você?

Momiji lhe sorri um pouco nervoso, imaginando que o pai fosse brigar com ele, mas ao mesmo tempo estava feliz por poder sonhar um pouco que poderia passar algumas horas do dia com a sua irmã. A menina vai até a Tohru para se despedir e depois atravessa a rua de mão dada a mãe e voltam para casa.

-A Honda-san quer conversar comigo agora?

-O que é que a Tohru-chan quer falar com o Harry?

-Ahahahahah.... Ela vai se declarar para o nosso charmoso médico, Momicchi....

Ao escutar aquilo, Momiji se aproxima da Tohru com um olhar cheio de piedade.

-É isso mesmo, Tohru-chan?? Você gosta do Harry?

-NÃO... NÃO... NÃO É VERDADE! Eu... Eu só quero lhe perguntar algo sobre a Elisa-san...

-Sobre a minha mãe?

-Sim. É possível o efeito da hipnose passar com o tempo?

-Não. Isso nunca aconteceu antes. Por que está perguntando isso?

-É que a Elisa-san me contou que às vezes ela tem a sensação de que se esqueceu de algo muito importante.

-Talvez ela estivesse se referindo a outra coisa. É impossível que ela se lembre do Momiji.

-Mas ela fala no Momiji-kun com muito carinho.

-É por que ela pensa que sou apenas um sobrinho qualquer.

Tohru percebe que aquele era um assunto que machucava muito o garoto e acha melhor não continuar. Não queria dar falsas esperanças para o possuído, e se o médico tinha falado que era impossível que a mulher lembrasse o que aconteceu, não adiantava continuar com aquela conversa.

-Tenha muito cuidado Momicchi. A sua irmã não pode descobrir a verdade sobre a maldição.

-Eu sei Shii-chan.

-Momiji-kun, o senhor aceitaria almoçar comigo e as minhas amigas?

-Sim... sim...

-Ah, Honda-san. O Shigure me contou que uma amiga sua descobriu o segredo da maldição.

-Não se preocupe senhor Hatori. A Hana-chan nunca irá contar para ninguém.

-A minha maior preocupação não é essa. Mas sim o fato dela estar namorando o Kyo. Se Akito-san descobrir isso, temo que algo muito ruim poderá lhe acontecer.

Tohru já sabia que o namoro era uma farsa entre os dois, mas não se acha no direito de contar tudo para eles.

-Será que Akito-san nunca nos deixará ter uma vida um pouco normal?

Diferentemente de todas as outras vezes que o médico escutava alguém falando mal de Akito, dessa vez ele sente um pouco de irritação.

-Momichi, dentre todos nós, Akito-san é a pessoa que tem a sua vida bem mais longe de ser normal.

-E é por isso que o patriarca faz o que faz?

Hatori faz uma menção de responder ao coelho, mas percebe que não poderia lhe falar nada, uma vez que não poderia fazer com que ele entende-se a dor de Akito sem revelar o maior segredo dos Sohmas.

#Não posso falar que ela é uma mulher......#

Os possuídos e a colegial que estavam prestando atenção na conversa do médico e do coelho se assustam com a expressão que o médico estava fazendo agora. Sua face era ao mesmo tempo de perplexidade e de choque.

-Eih, Haa-san?! O que houve?

O médico olha para o escritor e coloca as mãos em seus ombros.

-É isso! Shigure, é isso!

-Isso o que??

-Depois a gente conversa melhor. Boa noite, Honda-san. E trate de ir para casa logo, Momichi, senão ficará doente.

O médico começa a caminhar rumo de casa, mas muito pensativo.

by DonaKyon

27/05/2009

87


Hatori acompanhava Shigure até o portão principal da sede. Aquela visita ao final não tinha se tornando o grande suplicio que o médico imaginou que seria, pois foi sido graças a ela, que ele agora podia entender um pouco mais do sofrimento de Akito. Os dois tinham bebido um pouco mais do que deveriam e caminhavam lentamente enquanto iam conversando.

-Hihihi.... O Harry e o Shii-chan estão vermelhos....

-Ahh, se não é o pequeno Momicchi, o que está fazendo aí?

Momiji dá um salto e desce de cima do muro ficando ao lado dos possuídos.

-Estou esperando a Tohru-chan. Ela já deve estar saindo da casa dos meus pais.

-Mas deveria está com pelo mesmo um cachecol, assim poderá pegar um resfriado.

-Sem problemas, Harry. O calor do meu coração aquece o meu corpo todo.

Hatori dá um sorriso para o Momiji. O possuído pelo espírito do coelho era o único que estava acostumado a ver aqueles breves momentos de afetividade do médico. O dragão tinha um carinho muito grande pelo coelho, se sentia responsável pela grande solidão que o garoto sentia, e desde de que havia apagado as memórias de sua mãe, o tinha adotado como se fosse um irmão mais novo.

Os três possuídos caminham até a calçada e ficam esperando pela colegial, que poucos minutos depois surgia do outro lado da calçada acompanhada pela Elisa e a Momo.

-Olha Mamãe... Olha... Lá está o Momi-kun... MOMI-KUN... MOMI-KUN...

A pequena criança solta da mão de sua mãe e atravessa a rua correndo para ir falar com o Momiji. Tohru corre atrás da menina temendo que ela fosse abraçar o possuído.

-Oi Momo-chan. Gostou de ficar com a Tohru-chan?

-Sim, mas eu queria que você também fosse. Eu gosto muito de brincar com você também.

-Muitíssima boa noite, senhor Hatori, senhor Shigure.

#Ah, então esses são o médico que cuida do Momiji e o escritor com quem a Honda-chan mora.#

Elisa atravessava a pequena rua arborizada que separava os dois mundos dos Sohmas e se inclina para os cumprimentarem. Ato repedido pelos três possuídos de uma maneira bem formal.

-Como está Momiji-kun.

-Eu estou bem senhora Sohma.

-Momiji-kun, você pode ir brincar comigo amanhã?

-Errr.... eu não posso Momo-chan....

Hatori que até então estava olhando a conversa entre os dois irmãos, percebe que alguém estava o observando fixamente e ele levanta a cabeça e encontra os olhos de Elisa em cima dele. O médico desvia rapidamente o olhar. Só havia duas mulheres no mundo que ele não gostava; a Ren Sohma e a Elisa Sohma.

-Me desculpe. Mas tenho a impressão de já lhe conhecer, Hatori-san.

-Eu estive auxiliando no dia do parto da senhora.

-Ah... Muito obrigada! Mas tenho a sensação de que conheço de algum outro lugar também....

Os outros dois possuídos e a colegial olham um pouco aflitos para eles.

-Provavelmente do almoço do primeiro dia do ano.

-É... Pode ser isso...

-Mamãe, posso começar a ter aulas de violino também?

Elisa se abaixa para falar com a filha e Tohru se aproxima do médico e do escritor, ela queria conversar com o médico, mas sabia que não podia lhe perguntar nada na frente da mulher e da menina.

-Não é melhor a gente entrar, Haa-san?

-Vamos ficar só mais um pouco.

O médico não tinha coragem de interromper aqueles poucos segundos de alegria do Momiji. Ele conversava com a irmã com um brilho nos olhos que era capaz de cativar qualquer coração.

-Err, senhor Hatori, eu gostaria de conversar depois com o senhor, posso?

-Não vai se declarar para o Haa-san, né Tohru-kun?

-NÃOOO.... É CLARO QUE NÃOOO...

Shigure começa a rir, ele se divertia muito quando deixava a menina sem graça com alguma de suas brincadeiras. Elisa ao ver o escritor rindo se levanta e olha para o grupo.

by DonaKyon

24/05/2009

86


A garota se abaixa e fica lhe olhando sem entender o motivo daquelas risadas, certamente ele não estava rindo apenas da sua frase e ela não se lembrava do que estava pensando naquele instante em que tinha falado.

-AHAHAHAHAHAHAH..... Tá explicado...... AHAHAHAHAHAH..... É por isso.....AHAHAHAH.... por isso que a gente se deu tão bem assim..... AHAHAHAH

#Entendi agora. Mas é bom vê-lo tão leve e feliz assim. Nunca tinha visto essa expressão em seu rosto. Ele está ainda mais lindo. O meu maior desejo agora era de lhe beijar novamente.#

Kyo escuta os pensamentos da garota e se lembra da imagem dela soltando os cabelos e seu coração volta a bater mais forte. O possuído para de rir e aproxima o seu rosto do dela, tocando suavemente em seus lábios. O coração dos dois batia muito mais forte e ao mesmo tempo eles fecham os olhos e se beijam abaixados no meio da calçada sem se importarem com as pessoas que estavam passando pela rua.

#-Ele.... Ele.... ele a beijou..... Eu te odeio, sua bruxa maldita#

A jovem colegial que estava se escondendo atrás de uma árvore ao ver a cena, começa a caminhar com os olhos cheios de lágrimas. Não conseguia ficar ali vendo aquela cena por mais tempo. O beijo era cheio de sentimentos de ambas as partes, mas sentimentos que nenhum dos dois podia descrevê-los. Kyo é o primeiro que abre os olhos. E vê que aquela imagem da garota com alguns fios de cabelo soltos em seu rosto e de olhos fechados a deixavam ainda mais linda.

-.....realizei o seu desejo.....

A garota abre os olhos e se vê dentro do olhar do Kyo. Parecia que se coração ia explodir de tanta felicidade. Aquele sentimento que estava em seu peito era totalmente diferente do que tinha vivido antes.

-Uhuuuu..... É o amorrrrr......

Um grupo de estudante passa ao lado deles e começam a fazer algumas gracinhas obrigando os dois a se levantarem cheios de vergonhas. Só agora tinham se dado conta de onde estavam. Hanajima volta a caminhar, mas com a cabeça baixa, e o Kyo que caminhava ao seu lado se manteve com a cabeça erguida e um pequeno sorriso nos lábios.

#Por que ele me beijou? Ele não precisa ser tão realista nesse falso namoro.#

Kyo ao escutar aquilo para de caminhar e a fica olhando.

-Foi mal tá. Eu apenas fiz aquilo que queria que eu fizesse.

A colegial se lembra do que estava pensando antes e percebe que o garoto havia lido os seus pensamentos.

-Desde quando você estava lendo os meus pensamentos?

Kyo nada lhe responde e volta a caminhar, deixando a garota um pouco irritada.

-Isso é horrível! Eu não vou conseguir ficar assim por muito tempo. Me irrita vê-lo tão tranqüilo, parecendo que está lendo os meus pensamentos.

-Não parece. Eu estou ouvindo.

#Será que ele sabe do meu crime?#

-Se não quer que eu saiba de tal crime, então não pense nele, e continue falando qualquer coisa que lhe venha à mente. Por mais que fique irritada, agora é tarde. Eu continuarei com esse falso namoro e também quero saber o porquê que não consegue ler a minha mente.

-E por quê? Por que quer me ajudar tanto assim?

Kyo abre a boca, mas não consegue lhe dar uma resposta. Ele mesmo não sabia as razões de desejar ajudar aquela garota.

-Eu já sei o caminho daqui. Pode voltar para a sua casa. Amanhã eu te espero na porta da escola.

Ele se vira e começa a caminhar em direção da estação. Hanajima tentava não pensar em nada. Sentia-se muito insegura, não só por não poder controlar os seus pensamentos, como também por sentir que seu coração estava um pouco machucado, devido a ausência de uma resposta pelo garoto a sua pergunta. Ela realmente queria saber o porquê que ele estava querendo a ajudar tanto.


by DonaKyon

23/05/2009

85


Megumi coloca a xícara sob a mesa e olha para o Kyo. Sem dúvida alguma aquele garoto tinha algo que o deixava com o coração um pouco mais leve, porém não conseguia entender o motivo daquilo. Ele olha depois para a irmã a sua esquerda e sente que as ondas dela estavam tão calmas e tranqüilas como no dia em que se tornou amiga da Arisa e da Tohru.

#Ele está fazendo bem a ela....#

-Sohma-kun, eu....

-Pivete! Me chame de Kyo!

-Kyo-kun, eu...

-Só de Kyo!

-KYO! Eu irei pesquisar melhor para descobrir o motivo da Saki-chan não conseguir ler mais a sua mente.

-Beleza. Espero que assim descubra uma maneira dela não ler mais a mente de ninguém, e assim acabar com a sua maldição.

Kyo ia se levantando enquanto falava e fica de pé olhando para os dois irmãos que ainda estavam sentados e que lhe olhavam um pouco admirados pelo fato do garoto desejar acabar com a maldição da Hanajima.

-Vou pesquisar sobre a sua também.

-Não precisa! A minha maldição só acaba quando eu morrer. Foi assim com os outros possuídos.

-Nunca se sabe...

-Hunf.. Já vi que essa teimosia é mal de família.

Kyo pega a sua mochila e Hanajima se levanta.

-Vou com você até a estação.

A garota ao mesmo tempo que ia falando, começa a desmanchar a sua longa trança negra, aquela era uma imagem que estava enfeitiçando o possuído, ele não conseguia desviar o seu olhar dela. Ela estava tão linda com os seus longos cabelos negros se soltando e que lhe dava um ar de liberdade e ao mesmo tempo uma certa tristeza. Megumi percebe o olhar de admiração do garoto e entende finalmente o motivo de sentir aquela leveza em seu coração.

#Então é você?!.... Demorou para chegar, mas ainda bem que está aqui com ela agora.#

-Até mais Pivete!

Megumi ainda se mantinha sentado, ele se despede apenas inclinando a cabeça, mas com um pequeno sorriso nos lábios.

Kyo e Hana caminhavam um ao lado do outro em silêncio pela calçada. O coração do garoto ainda palpitava mais forte quando se lembrava da imagem da garota soltando os cabelos. A colegial o olhava pelos cantos dos olhos e aquele silêncio estava a deixando aflita.

#Esse silêncio está me deixando um pouco nervosa. Acho que ele odiou o fato de ter vindo até a minha casa.....#

-O pivete parece ser divertido. Deve ser bom ter um irmão como ele...

Saki o olha por uns segundos apenas e confirma que sim com a cabeça.

-O Megumi sempre me apoiou e esteve ao meu lado. Mesmo quando....

A colegial para de falar, ainda não queria falar sobre o seu crime para o possuído.

#Mesmo quando eu quase matei aquele garoto... Mesmo assim ele ficou ao meu lado. Nunca me disse que eu era culpada, e até começou a se vestir de preto, só para que os outros não me olhassem tão estranho na rua...#

Kyo havia escutado os pensamentos de Saki, e apesar de estar muito curioso sobre o que ela estava se referindo, acha melhor não lhe perguntar nada.

-Ele nem se abalou quando eu me transformei em um gato.

Hanajima estava prestando atenção na conversa, mas devido ao medo de que o Kyo começasse a ler os seus pensamentos e descobrisse o seu crime, a garota fala a primeira coisa que lhe vem a mente.

-Os gatos sempre foram associados as bruxas.....

-AHAHAHAHAHAHAHAHHA

A risada do Kyo faz com que a garota leve um susto, ela lhe olha espantada. Aquela era a primeira vez que o via rindo daquela maneira. Havia uma onda diferente ao seu redor. Era uma onda alegre e suave, bem diferente das pesadas e solitárias ondas que sempre o rodeavam. O possuído estava rindo tanto que não conseguia nem dá um passo e se abaixa no chão colocando a mão no rosto enquanto chorava de tanto que ria. Ria como nunca tinha rido em sua vida.


by DonaKyon

20/05/2009

84


A garota coloca a bandeja sob a mesinha, com delicados movimentos ela vai servindo aos dois garotos, o colegial sem falar uma única palavra se levanta e fica ao se lado.

-Quer mesmo saber qual é a minha maldição, pivete?


Kyo não espera pela resposta do menino, e abraça a Hanajima.

BOUNFFF

Megumi cobre os olhos para se proteger da fumaça que misteriosamente havia surgido quando o garoto abraçou a sua irmã, e quando volta a olhar para os dois, vê que um pequeno gato laranja estava no colo da Saki. Durante alguns segundos o menino não compreende o que tinha acontecido, mas ao olhar no chão vê o uniforme escolar do Kyo nos pés da irmã, rapidamente ele olha do chão para o colo da irmã e entende qual era a maldição do garoto.

-Isso acontece como?

-Toda vez que ele é abraçado por alguém do sexo oposto, ou quando estão fracos.

Hanajima coloca o gato no chão e senta-se a mesa ao lado do irmão.

-E tem certeza que não é por isso que não pode ler os pensamentos dele?

-Ela continua lendo os pensamentos dos outros possuídos.

-Existem outros assim?

-Depois conta tudo para o pivete aí!

-Isso não era um segredo?

-Já estou cheio de viver seguindo as ordens do patriarca. E é para te ajudar....

-Se esta pessoa existir, que venha até ela.... Se mora num país distante, então venha de avião. Rápido!

Megumi tem novamente um pequeno flash-back de uma oração que tinha feito para a irmã alguns anos atrás. Ele novamente olha para o gato que estava sentado no chão na ponta da mesa. Era difícil acreditar que aquele garoto de antes era mesmo aquele gato. Desde criança sempre tinha lido vários livros sobre maldições, mas nunca tinha encontrado algo parecido com aquilo.

-Megumi-kun, apenas a Tohru-chan é quem sabe desse segredo.

-A sua maldição acaba como?

-Quando eu morrer!

-E não pode a controlar como fez a Saki-chan?

-Não!

#Ele de fato é um amaldiçoado. Ele realmente pode entender o que a Saki-chan sofre, porque deve sofrer tanto quanto ela.#

O menino pega um dango para comer enquanto tentava se lembrar de algo parecido que tinha lido em algum livro. Hanajima tomava calmamente o seu chá enquanto que o Kyo olhava a tranqüilidade que aqueles dois estavam, principalmente o pivete, que não tinha nem ao menos dado um grito de espanto.

#Essa família é realmente muito estranha mesmo! Por causa da maldição da Hanajima eles sabem que existem várias coisas sem explicação no mundo. Não é a toa que a ela teve a reação que teve quando viu a minha verdadeira forma. De fato para ela, eu não sou um monstro!#

Megumi olha para o Kyo e percebe que ele olhava atentamente para a irmã.

-E como foi o primeiro dia dos falsos namorados na escola?

Kyo vira a cabeça, sentia vergonha por ter feito a garota passar pelo que tinha passado na escola. Até então ele não sabia que tinha um fã clube assim como o Yuki, e as garotas do fã clube tinham mandado algumas cartas de ameaça para a Hanajima.

-Sofri um novo tipo de ameaças hoje. Estava faltando apenas esse tipo para fechar a minha lista.

-Ele é popular na escola?

-É sim!

-Eih, cês falam sobre tudo mesmo?

-Sim.

Aquele “sim” tinha sido respondido ao mesmo tempo pelos dois.

BOUNFFF

Kyo voltará ao normal e rapidamente procurava a roupa para vestir, Hanajima olhava disfarçando enquanto que o Megumi tomava o seu chá tranquilamente após perceber que o garoto tinha voltado ao normal nu. Poucos segundos depois, o possuído já estava vestido e volta a se sentar no mesmo lugar.


-Eih pivete! Conseguiu entender o por quê que a Hanajima não consegue ler mais os meus pensamentos?

-Ainda não. Outras vezes ela não tinha conseguido evitar de que os pensamentos dela fossem lidos por outras pessoas, principalmente quando ela se tornava um pouco mais próxima delas, foi assim com a Tohru-chan e a Arisa-chan.

#Então isso quer dizer que ela ficou mais próxima de mim....#

Kyo deixa escapar um tímido sorriso de seus lábios, que é visto pelo menino.

#Ele deve ter percebido que está no rol de amigos da Saki.#

by DonaKyon

17/05/2009

83


- Isso não é justo! Não é justo viver sozinha para sempre! Não é justo! Neste mundo repleto de desconhecidos... Não é justo que não haja alguém que possa entendê-la. Alguém que possa amá-la. Por isso, venha até ela.... Se esta pessoa existir, que venha até ela.... Se mora num país distante, então venha de avião. Rápido! Por favor, apareça na vida da Saki. Apareça depressa.... por favor....

Megumi estava sentado na janela do seu quarto que ficava no segundo andar da ampla e “normal” casa onde a família Hanajima morava. Esperava ansiosamente a chegada da irmã. Novamente o garoto olhava para o relógio que estava em cima da mesa de estudo e escuta o barulho do portão se abrindo, olha rapidamente pela janela, e vê a irmã entrando com um garoto de cabelo laranja.

-Então ele veio mesmo?!

No dia anterior os dois irmãos tinham conversado por telepatia sobre tudo o que tinha acontecido nas termas. O fato da Saki não conseguir ler os pensamentos do Kyo era algo que deixava o garoto muito intrigado. Aquela era a primeira pessoa que tinha conseguido bloquear os poderes da irmã. Querendo descobrir o que esta acontecendo, ele tinha sugerido a irmã para convidar o seu falso namorado para ir tomar um chá em sua casa. O garoto calmamente caminha pelo quarto indo até a divisão que separava os dois quartos, ele se senta para escutar a conversa da irmã com o seu colega.

-Vou trazer um chá.

Hanajima deixa a mala sob a cama e o possuído fica sozinho no quarto. Ele se senta no tatame e pressente que tem alguém o observando. Kyo se levanta e vai até a divisão a abrindo e encontra o garoto sentado no chão.

-Venha prá cá pirralho. Não deixe a sua irmã sozinha com um homem no quarto.

Kyo lhe dá as costas e volta a se sentar no mesmo local que estava antes. Megumi apenas fica o observando, sem sombra de dúvidas aquele garoto tinha algo de muito diferente, e não era apenas aquele cabelo laranja.

-Eih... a Hanajima me disse que não era para eu falar o meu nome para você, porque você pode amaldiçoar as pessoas só com o nome. Eu me chamo Kyo Sohma e duvido que possa me amaldiçoar mais do que já sou.

-Sou Megumi Hanajima, e tenha certeza de que podemos sempre ser mais amaldiçoados do que já somos. Assim como podemos deixar de ser amaldiçoado de uma hora para outra.

#-Hunf! Esse pivete deve se achar só porque tem esse poder estranho. O que uma criança como ele sabe sobre ser amaldiçoado.#

Megumi se levanta e vai se sentar no tatame ficando próximo do visitante. A irmã já tinha falado que ele possuía uma maldição, mas também lhe disse que não poderia falar mais detalhes, por ser grande um segredo. Aquilo só tinha aumentado ainda mais sua curiosidade, imaginando que aquela maldição poderia ser a chave para entender o motivo dela não ler os pensamentos dele, apesar da Saki ter lhe garantido que não era.

-Descobriu?!

O garoto olha para o possuído sem entender ao certo sobre o que ele estava se referindo.

-Descobriu porque a garota psíquica não consegue ler os meus pensamentos?

-A Saki-chan te contou.

-Não... Eu escutei os pensamentos dela. Por mais que ela tentasse não conseguia evitar, mas eu não falei que estava escutando. A Hanajima fica muito aflita quando isso acontece.

-Você se preocupa com a Saki-chan?

Kyo apenas abaixa a cabeça se lembrando do desespero que a garota sentiu quando descobriu que não conseguia controlar os seus pensamentos e que não entendia a razão daquilo quando os dois estavam na piscina lá nas termas.

-Não quero que ela se sinta mal por não controlar esse lance das ondas dela. Sei muito bem como é penoso viver com uma maldição da qual não temos o menor controle.

#-Não é justo que não haja alguém que possa entendê-la..... #

Megumi olha um pouco espantado para o Kyo e o seu coração bate com um pouco mais de esperanças. Ainda não tinha certeza de nada, mas ver que aquele garoto poderia entender o que a sua irmã vivia o deixava um pouco mais aliviado. Por mais que ele desejasse, por mais que os seus pais e a sua avó tentassem, por mais que a Tohru e a Arisa quisessem, era impossível para eles saberem com certeza como era ser um amaldiçoado. E todos sabiam que aqueles dons era uma maldição para a Hanajima.

-Qual é a sua maldição?

O possuído ainda estava de cabeça baixa, e por alguns instantes ele ficou pensando se lhe respondia ou não. Nesse tempo Saki retorna para o quarto com os chás e os dangos que o irmão tanto gostava.

-Ah, vocês já se conheceram.

by DonaKyon