09/11/2008

14


Akito se levanta da cama e fica parada na frente do Hatori, e assim que ele volta a fica com o tronco ereto, ela lhe dá um forte tapa no rosto.

-SEU IDIOTA.... SOME DA MINHA FRENTE. FORA DAQUI! FORAAAA.... FORAAAA...

-Akito...

-SOME DA MINHA FRENTE HATORI.... VÁ EMBORAAAA.....

Akito puxava novamente os seus próprios cabelos com muito mais força dessa vez enquanto gritava. Ela estava muito descontrolada e Hatori a olhava sem saber o que fazer. Imediatamente se recorda da outra vez que ele a tinha visto daquele jeito. Tinha sido justamente quando ele foi lhe pedir permissão para se casar e que ela tinha lhe deixado quase cego. A própria Akito estava com medo de se aproximar dele, já sabia que não conseguia se controlar quando ficava naquele estado, ela sentasse no chão chorando e ainda puxando os cabelos.

-SAI DAQUI HATORIII.... VAI EMBORAAAA.....

O possuído fica olhando para a garota, queria se aproximar dela, mas estava cheio de receio.

-NÃO FICA PARADO AÍ! VÁ EMBORA ANTES QUE EU TE MACHUQUE NOVAMENTE!

Mesmo sentindo ainda muito receio o médico se abaixa e se aproxima de Akito. O coração da garota começa a bater ainda mais rápido e ela não consegue se segurar, ela o puxa pela gravata e o beija. Hatori se mantinha com os olhos abertos e não conseguia corresponder ao beijo de Akito, que o beijava em meio as lágrimas. Sentia-se ainda mais triste por não ter o seu beijo retribuído pelo rapaz, ela se afasta e o abraça, deixando a sua camisa molhada com as suas lágrimas.

-Como nunca percebeu?? Como pode ter ignorado por todos esses anos os meus sentimentos por você?

Hatori escuta aquela frase como se tivesse levado um grande choque. Nunca tinha suspeitado que Akito tivesse qualquer tipo de sentimento por ele, e na verdade ele sempre tinha imaginado que ela não era capaz de amar ninguém. Ele continuava sendo abraçado por ela, mas não conseguia lhe abraçar.

Tudo o que mais desejava naquele momento era ser abraçada por ele, mas aquele abraço não veio. Ela o solta e lhe olha. Hatori mantinha-se com o olhar na parede, mas ao perceber que a garota o estava olhando ele abaixa o seu olhar até o dela.

-Eu te odeio. Como poderia amar uma pessoa como você? Graças a você não pude ficar com a mulher que eu amo. Eu te odeio.

Aquele olhar frio e distante dela e aquela voz tão imparcial só fizeram com que o desespero de Akito aumentasse ainda mais. Ela estava extremamente confusa e assustada, não sabia se chorava, se gritava, se o agredia, um turbilhão de sentimentos estavam a ponto de explodirem dentro de seu coração naquele momento.

Hatori a olhava de uma maneira muito mais fria agora e abria lentamente as suas mãos, enquanto que a Akito abaixava a sua cabeça se segurando ao máximo para não chorar.

-AHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAAH

As altas gargalhadas do possuído faz com que o patriarca levante a cabeça para lhe olhar, o médico não conseguia parar de rir, e conforme ria caminhava até a cama, onde se senta por não agüentar a dor na barriga de tanto que estava rindo.

-Do que está rindo?

-AHAHAHHAHAHAH.... DO QUE ACHA QUE ESTOU RINDO? AHAHAHAHHAHA... É DESSA DECLARAÇÃO ESTUPIDA QUE ME FEZ AGORA..... AHAHAHHAHAHA.....

Akito não consegue segurar por mais tempo as lágrimas que estavam em seus olhos e ela começa a chorar enquanto tampava com muita força os seus ouvidos para não escutar as gargalhadas do Hatori.

-AHAHAHHAHAH.... VOCÊ CHEGOU MESMO A IMAGINAR QUE EU PODERIA SENTIR ALGUMA COISA POR VOCÊ?? AHAHAHHAAHHA.... SÓ PODE SER UMA PIADA ISSO.... COMO EU IRIA AMAR UMA PESSOA HORRIVEL E FEIA COMO VOCÊ? COMO PODERIA AMAR ALGUÉM COMO VOCÊ, DEPOIS DE TER AMADA UMA LINDA MULHER COMO A KANA?..... AHAHAHAHAHAH

-Pára... pára de rir... pára....


by DonaKyon

08/11/2008

13


#Aii minha cabeça.... Maldição, não devia ter bebido tudo aquilo.... Aiii como dói.....#

Akito se levantava lentamente para sair do ofuro. Tinha se levantado com uma terrível dor de cabeça conseqüência das três garrafas de saquês quente que havia tomado na noite anterior. Ela se enxuga, veste o quimono e vai para o quarto.

-Como está se sentindo?

-O QUE ....

Akito ia gritar com ele, mas a dor não a permite, o médico que estava a esperando sair do banho sentado na poltrona se levanta ficando em pé na sua frente segurando um copo de água e um medicamento para curar a sua ressaca.

-A sua governanta mandou que me chamasse, ela imaginava que você iria acordar assim.

#Maldita velha intrometida. Não tinha nada que ter chamado ele aqui#

Akito se senta e pega o copo e o remédio da mão do médico e toma sem falar nada.

-Daqui a pouco essa dor de cabeça passará, mas é melhor tentar comer alguma coisa.

-Não quero comer nada.

#Mas por que ela é assim? Por que já levanta com esse humor e me olhando com essa cara?#

Hatori pega o copo da mão da Akito e ela caminha até a cama para se sentar. O rapaz fica a observando por alguns instantes sem falar nada, e depois sentasse ao seu lado na cama.

-Estou realmente preocupado com você. A sua saúde está muito mais instável nos últimos meses e isso deve ter uma forte ligação com o seu lado emocional.

-Está preocupado comigo apenas como um médico, Doutor Hatori?

-Não. Não é apenas como o seu médico, me preocupo como um possuído e também como seu primo.

-Hunf...

Hatori coloca a mão em cima da cabeça da garota e bagunça um pouco mais os seus cabelos.

-Não acredita em mim? Todos nós nos preocupamos com você.

-Só por obrigação.

-Isso sempre foi um peso para você, não é mesmo? Sempre acha que só nos aproximamos por causa da maldição. Por que se sente tão insegura por causa disso? Por que se esquece que os possuídos também são os seus primos?

-Se até a minha mãe não se importa comigo, porque que vocês se importariam?

Hatori sabia muito bem da rejeição da mãe de Akito e da do Momiji pelos filhos, sendo que ele achava ainda mais monstruosa a mãe do Momiji, que havia preferido esquecer o filho. Ele retira a mão da cabeça de Akito e fica lhe olhando. A garota estava com a cabeça baixa olhando para as flores desenhadas no tapete que ficava ao lado da cama.

-Eu me importo com você. Sempre me importei e sempre te vi como se fosse a minha irmã, assim como vejo o Momiji como sendo o meu irmão mais novo.

Ao escutar aquilo, Akito vira um pouco a cabeça e olha para o médico tendo em seu olhar um sentimento que ele não conseguia identificar qual era.

-Irmã? Você me vê como se fosse a sua irmã?

Akito começa a segurar o quimono com as mãos e volta a olhar para as mesmas flores que estava vendo antes.

#Eu não quero que me veja como uma irmã, seu idiota! Não quero nem que me veja apenas como o kamisama e muito menos como o patriarca. Eu quero que me veja como mulher.. Eu não quero ser a sua irmã... eu não quero#

Hatori percebe que a garota estava começando a ficar toda trêmula, ela leva as mãos aos cabelos e começa a puxar.

-EU NÃO QUERO... NÃO QUERO....

-Acalme-se Akito. O que está acontecendo?

O médico a segura pelos ombros e ela fica lhe olhando com raiva.

-Eu não quero ser a SUA IRMÂ.

-Acalme-se, me desculpe. Esqueci que são poucos que sabem do seu segredo. Eu deveria ter falado irmão.

Escutar aquilo só faz com que a garota fique com mais raiva do possuído, e agora passa a lhe olhar cheia de ódio e magoa. Ele fica em dúvida se a soltava ou não. Não sabia o motivo daquele olhar, mas aquilo o estava deixando muito inquieto, por fim ele a solta e se levanta da cama e se inclina na sua frente.

-Me desculpe. Não deveria ter falado isso. Você é o patriarca do clã. E também é o nosso kamisama. Me perdoe por ter sido tão ousado em minhas palavras.

by DonaKyon

06/11/2008

12


Hanajima e o Kyo começam a andar em direção da casa para pegar suas mochilas que já estavam na entrada da casa, mas vêem que os motoristas já estavam colocando as bagagens nos porta-malas dos carros.

-Eles são iguais. Têm as mesmas ondas.

-Do que está falando?

-Do Momiji-kun e da Tohru-chan. E o Yuki-kun e o Hatsuharu-kun também têm umas ondas bem parecidas.

-O que quer dizer com isso?

Hanajima olha para o Kyo e lhe sorri pela primeira vez.

-Eu entendo o que sente.

-Hana-chan, vamos nesse carro. Venha Kyo, venha com a gente também.

Tohru entra no carro onde o Momiji já estava. Hanajima se senta no banco de trás e o Kyo vai no banco da frente ao lado do motorista tentando entender o que a garota queria dizer com aquela conversa de ondas e de se sentir como ele.

No carro da frente entra primeiro o Haru, o Yuki e o Ayame que ocupam o banco de trás e o Shigure vai no banco da frente.

-Sinistra essa amiga da Tohru-kun... Mas eu curti.

-Eu sempre achei que aquela história dela ter esse poder fosse uma mentira.

-Ahahahah.... E o Yuki-kun revela o segredo da maldição pela segunda vez... ahahahah....

-Como consegue rir numa hora dessas Guretti?? E se o Akito-san resolver apagar as memórias dela? Já imaginou o quanto que o meu amado irmão irá sofrer novamente?

-É só a gente não contar para o patriarca. E não teremos problema.

-O Haru-kun tem razão.

-Estou sendo um bom discípulo, não é mesmo Sensei?

-Ahahahah.... Daqui a pouco ficará melhor que o mestre até. Ahhh, Haru-kun, por que a Hana-chan ficou vermelha naquela hora, heim?? O que pensou???

-Só pensei que ela era bonita. Foi só isso.

-Ahahahahha, ainda bem que foi só isso... aahahahahha, imaginou se pensasse outras coisas com ela?... ahahahahah.... Vou tomar cuidado com o que pensar quando estiver do lado dela.... ahahahah

-Oras Guretti, trate de se comportar.

Yuki já não estava escutando o que o Shigure e o seu irmão estavam falando, ele estava perdido em seus pensamentos.

#Quer dizer que o Haru achou a Hanajima bonita? Se ele acha uma mulher bonita, então isso quer dizer que ele gosta de mulher....#

Yuki sente o peso de um braço em seus ombros e olha para os lados para ver quais dos dois estava o abraçando.

-Será que a aquela garota me passa um pouco do poder dela? Eu queria poder ler a sua mente agora. Se bem, que até posso imaginar...

-O nome dela é Hanajima. E por favor tire o braço daí, Haru.

-Até o nome é bonito, combina com ela mesmo. Ela parece uma flor mesmo.

Yuki olha para o Haru, mas logo volta a olhar para frente e tira o braço do primo dos seus ombros. Ayame que também olhava aquela cena entre os dois garoto vira-se rapidamente com um sorrisinho nos lábios olhando a paisagem.

#Hohoho... sem dúvida alguma, o Haru-kun é discípulo do Guretti...#

by DonaKyon

11


Tohru já imaginava que a amiga poderia saber de alguma coisa, mas nunca tinha comentado com ela sobre aquele assunto.

-Err... Saki-chan....

-Eu já sei do segredo deles. E se eles querem ser meus amigos também, não é justo que eles não saibam do meu...

-COMO ASSIM? SOBRE QUAL SEGREDO ESTÁ FALANDO?

Kyo era o que lhe olhava mais apavorado de todos, afinal ele tinha um segredo que escondia até mesmo da Tohru, que era sobre a sua verdadeira forma. Hanajima levanta a cabeça e olha diretamente para o Kyo, lhe olhando fixamente nos olhos.

-Agora já sei de mais um.

Todos ficam arrepiados mesmo sem entender o que estava acontecendo. Tohru segura na mão de Hanajima e percebe o quanto que a garota estava tremendo. Ela sabia as razões para aquela atitude da garota.

#Ela está fazendo exatamente o que a mamãe falou. De não esconder dos amigos o dom que ela tem.#

-Eu posso ouvir as vozes dos pensamentos de vocês....

-Ahhh.... Agora entendi o porque que ficou vermelha na hora que me cumprimentou...

Haru se encostava na cadeira todo calmo e colocando os braços cruzados sob a cabeça, enquanto que os outros não estavam entendendo nada.

-Eu descobri o segredo dos Sohmas pelos pensamentos do Yuki-kun logo no primeiro dia de aula. Eu já sabia de tudo, muito antes do que a Tohru-chan. Não se preocupem que nunca revelarei o segredo de vocês.

-Quer dizer que você sempre soube que a gente era possuído? Sempre soube que eu era o possuído pelo gato e mesmo assim não se afastou da gente e nem quis tirar a Tohru daqui?

-Eu falei quando vim aqui da outra vez, que os Sohmas pareciam ser uma família bastante animada. E que se o ambiente daqui fosse impróprio para a Tohru-chan, que eu iria tomar algumas boas providências.

-É verdade... eu me lembro da senhorita ter dito isso para o Kyo e para mim.

-Por isso que ela me chamou de cão, naquele dia.

-Na verdade eu estava realmente me referindo ao cachorro que estava na varanda naquela hora.

Todos os possuídos voltam a respirar novamente, estavam confusos, nunca tinham imaginado que poderia existir alguém no mundo com o dom de ler mente. Hanajima se segurava para não ler a mente deles naquele momento, tinha medo de descobrir algum pensamento que a deixasse triste ou chateada. Kyo se levanta da mesa e se aproxima da garota.

-Eu quero conversar as sós com você.

Ele sai da cozinha e a garota vai atrás dele indo para o jardim que ficava ao lado da casa. O ar gelado de inverno não incomodava em nada o garoto que vestia apenas uma blusa de malha preta. O vento frio despenteava todo o cabelo da garota, ela colocava as mãos nos bolsos do grosso casaca preto que vestia e olhava para o garoto.

-Por favor, não conte para a Tohru sobre a minha outra forma.

-Eu não contarei.

Kyo não tinha coragem de lhe olhar nos olhos, ele não se chateava tanto por ela saber que ele era o gato, mas sim por saber que ele também era um monstro. A garota olhava para ele, o vento também estava brincando com os seus cabelos laranjas e o garoto olhava um pouco triste para o chão, e ela achou aquela imagem muito agradável.

#Até que ele é muito bonito.#

-O que você falou?!

Hanajima havia deixado sem querer um pensamento dela sair, e o garoto levanta a cabeça, e percebe que a garota estava lhe olhando um pouco sem graça.

#O que foi isso agora? Ela falou ou não falou aqui?#

-Você não está com nojo ou medo de mim?

-Não. E você?

-Hehe... Pensei que lia pensamentos...

-Agora eu consigo ler apenas quando eu quero. Graças a Tohru-chan, a Uo-chan, a Dona Kyoko e a minha família, eu finalmente consegui controlar esse poder.

-Tá... Entendi...

Eles escutam o barulho dos dois carros que chegavam na casa e vêem que o Momiji saia correndo da casa em direção dos carros.

-Vem Kyo, Hana-chan.... Vamos... vamos.... Quanto mais rápido formos, mais cedo estaremos lá... Venham.... Venham....

O garoto entra em um dos carros esperando com a porta aberta pelos outros..

by DonaKyon

02/11/2008

10


-Bom dia.

Ayame estava de costas para a porta de entrada da casa do Shigure quando escuta uma voz fina, calma e misteriosa que vindo por de trás e o deixando todo arrepiado, se vira como se estivesse em câmera lenta para olhar, e encontra uma bela jovem com longos cabelos pretos soltos e com um casaco bem comprido todo preto.

-Bo-bom dia....

Hanajima inclina um pouco a cabeça olhando fixamente no rosto do Ayame, que estava visivelmente espantado com a presença dela.

-Sem dúvida alguma que o Yuki-kun ficará ainda mais bonito do que já é.

-VOCÊ TAMBÉM ACHA ISSO?? EU SEMPRE FALO QUE O MEU AMADO IRMÃO VAI SUPERAR A MINHA BELEZA. MAS CERTAMENTE NÃO CONSIGUIRÁ ME SUPERAR NO QUESITO ELEGANCIA.

A alta voz do possuído chama a atenção da Tohru que estava na cozinha indo até a sala para ver o que estava acontecendo.

-Ahh... Muitíssimo bom dia, Saki-chan.

-Bom diaa, Tohru-kun....

Ayame percebe que agora a voz da garota era completamente diferente da que ele tinha escutado a pouco, era ainda um tom calmo e fino, porém estava bem mais meigo. Ele fica olhando para as duas amigas que se abraçam.

-Já conheceu o senhor Ayame, né? Ele é o irmão do Yuki-kun.

-Sim. Percebi assim que o vi.

-Ahh, a senhorita é a amiga da Tohru-chan que irá conosco.

-Sim, muito obrigada pelo convite.

A garota se inclina para agradecer de uma maneira mais formal. E assim que se levanta, a Honda segura em sua mão a levando para a cozinha.

-Estamos acabando de tomar o café da manhã, venha comer com a gente.

Na cozinha estavam o Shigure, Kyo e o Momiji, que assim que a vê entrando se levanta para se apresentar.

-Bom dia, sou o Momiji Sohma.

Assim que coloca os olhos no garoto, Hanajima leva a sua mão até o coração fazendo uma suave pressão sob o peito.

#Então é você..... #

-Ah, bom dia, sou a Saki Hanajima.

-Vêm, sente-se aqui conosco

O garoto segura em sua mão sem a menor cerimônia a levando para se sentar na cadeira que estava vaga ao lado da Tohru. Ela fica olhando para o jeito alegre do menino, que estava muito animado com aquela viagem.

-Come alguma coisa Hanajima.

Kyo lhe estende o prato com os onigiris e ela aceita um.

#As ondas dele estão piores do que antes. Certamente o que o está deixando tão irritado está nessa casa.#

Ayame estava na porta da cozinha quando vê que o Yuki e o Haru estavam descendo as escadas.

-OHH... O meu amado irmãozinho tomará o seu pequeno desajum junto com a plebe, e ele vem acompanhando por seu fiel cavalheiro.

Hanajima percebe que as ondas do Kyo ficaram mais perturbadas ainda e olha em direção da porta vendo os três rapazes que estavam entrando na cozinha.

-Bom dia Hanajima-chan.

-Bom dia Yuki-kun. Fico feliz por ver que está bem de saúde agora.

-Ah, é você a amiga da Tohru-kun. Prazer, sou o Hatsuharu Sohma. Obrigado por cuidar dos meus primos. #Ela é realmente muito bonita.#

Todos percebem que a garota havia ficado vermelha de vergonha, mas não entendem a razão. Ela se levanta para se apresentar ao Haru.

-Sou a Saki Hanajima. E agradeço a todos vocês por cuidarem da Tohru-chan também.

-Pronto... Pronto... Já chega desse formalismo todo. Queremos que a Hanajima-chan se sinta em casa.

-O Guretti tem toda a razão. Sendo amiga da Tohru-chan já é amiga de todos nós... AHH... Isso é... Se a senhorita assim desejar, é claro.

Hanajima olha para cada um deles e abaixa a cabeça.

-Eu nunca tive amigos e nem amigas. A Tohru-chan e a Uo-chan foram as primeiras amigas que eu tive. Elas foram capazes de me aceitarem do jeito que eu sou..... Enquanto todos os outros tinham medo de mim, e me chamavam de bruxa, a Tohru-chan e a Uo-chan nunca se importaram com o fato de eu ser diferente..... Assim como a Tohru-chan me aceitou do jeito que eu sou, ela também aceitou a vocês....

Os seis possuídos olham para ela com os olhos arregalados e brancos.

by DonaKyon

01/11/2008

9


O médico já estava no quase do meio do corredor quando escuta o barulho da porta do quarto se abrindo.

-YOKO... YOKO.... –Assim que ver o possuído parado no corredor Akito deixa de gritar. - O o que está fazendo ainda aí?

Hatori volta e fica parado na frente de Akito. Queria pensar em uma desculpa, mas nada lhe vinha a mente. O patriarca o olhava fixamente e com a mão direita fechada sob o seu coração, que batia freneticamente.

-Ele sempre faz isso, senhor patriarca. O Hatori-kun sempre fica por um tempo parado no corredor quando sai do seu quarto.

#Velha fofoqueira!#

O Médico olha para a Akito, mas não consegue ficar lhe olhando por muito tempo desviando logo o olhar.

-E por que você faz isso?

-É para ter certeza que o senhor patriarca está bem. O que deseja, Akito-sama?

Akito olha para a velha governanta e depois para o médico que não lhe olhava.

-Akito-sama??

-Quero que me traga um pouco de saquê quente. E vá logo.

-Sim, senhor.

A governanta faz uma referencia e sai para providenciar a bebida deixando os dois parados no corredor.

-Não sabia que o patriarca bebia sozinho.

-Hunf.. Não é assim que fico sempre? Estou o tempo todo sozinho, como quer que eu beba acompanhado?

Akito se vira e entra no quarto deixando o médico parado na porta.

-Se quer companhia basta chamar algum dos possuídos.

O sangue de Akito começa a ferver e ela fecha as duas mãos.

-Vocês só sabem vir assim mesmo. Nenhum é capaz de vir me ver se não for por obrigação.

#Eu não quero mais a companhia deles por obrigação. Chega. Não quero!#

-Eu vou te fazer companhia então.

-O que?

Akito fica o olhando toda espantada enquanto que o médico tirava a gravata e abria os quatro primeiros botões da camisa branca e se sentava no chão puxando a mesinha onde a Akito fazia as suas refeições no quarto.

-Eu ia tomar uma dose de saquê em casa mesmo.

#O que ele está fazendo?#

-Ou não quer a minha companhia?

-Hunf... por mim tanto faz.

Akito se senta na frente de Hatori, era obvio que para ela havia uma enorme diferença em beber sozinha e com a companhia dele, mas era muito orgulhosa para admitir que queria a sua companhia. O médico desabotoa mais um botão e abre um pouco mais a camisa, e se senta de uma maneira muito confortável. Akito o olha com o canto dos olhos, e tenta não olhar para o tórax do rapaz que estava aparecendo, mas o possuído nem percebe isso.

#É melhor não a deixar que beba sozinha. Mas eu não fazia a menor idéia que ela fazia isso.#

Hatori a olha, e vê que ela estava olhando para a mesa com uma cara bem fechada.

#Pelo visto o mau humor dela só vai piorar ainda mais. Gostaria de saber o que a deixa tão mal humorada assim.#

#Que droga. A minha vontade era de pular em cima dele e arrancar de vez aquela camisa.#

O som da batida na porta tira os dois de seus pensamentos e a empregada entra com a garrafa de saquê quente e a deixa sob a mesa, se retirando depois. O médico pega uma das tacas e serve ao patriarca e depois se serve.

-Eu não sabia que Akito-san bebia.

-Vocês não sabem de nada sobre mim. A única coisa que sabem é que eu sou o kamisama de vocês e o patriarca do clã.

Ela vira de uma vez a taça deixando-a vazia. Hatori só lhe olha e lhe serve uma outra dose.

#O que ela quer que a gente saiba?#

Akito pega a taça novamente e mais uma vez a deixa vazia com apenas um gole, enquanto que o rapaz ainda nem tinha bebido a sua primeira taça.

#Ela sempre bebe assim?#

A garota estava um pouco nervosa, nos últimos meses estava evitando ao máximo falar com o possuído. Odiava-se por ficar tão ansiosa só para vê-lo, e agora estava com ele a sua frente e bebendo em sua companhia.

-Por que não foi com os outros para as termas?

-São três horas de viagem até lá. Se precisar não conseguirei voltar imediatamente. Sua saúde está muito instável nos últimos tempos.

-Ainda bem que pensa. O seu dever é sempre comigo em primeiro lugar.

Ela vira mais uma taça de saquê.

-Eu sei.

A voz do rapaz pareceu ser muito indiferente para Akito o que a deixa muito irritada e se levanta da mesa e lhe falando com um tom bem áspero em sua voz.

-Pronto. Pode ir.

Hatori fica apenas a observando, mas sabe que de nada adianta falar com ela naquele momento, ele termina de beber o saquê de sua primeira taça e se levanta.

-Da próxima vez que quiser beber pode me chamar. Oyasumi Akito-san.

Akito nada lhe fala, enquanto ele sai do quarto.

#Essa indiferença dele é o que me machuca mais. Ele sempre agiu como se nada tivesse acontecido. Parece que apagou de sua mente no mesmo instante que apagou as memórias da Kana. Em sua voz não existe nenhuma emoção. Tudo está frio e distante para ele.#

Akito pega a garrafa a levando para a cama e começa a beber o que restava do saquê quente diretamente na garrafa.

by DonaKyon

31/10/2008

8


Hatori pára diante da porta do quarto de Akito e respira profundamente. Fazia esse mesmo ritual toda vez que ia examinar o patriarca. Como nunca sabia com qual humor Akito-san o iria receber ele sempre ficava muito apreensivo de ir até aquele quarto. Respira mais uma vez e abre a porta. Akito estava deitada no meio da cama toda encolhida e com o quarto totalmente escuro.

-Por que está no escuro?

Hatori acende a luz e caminha até o patriarca, mas ela nem se mexe na cama.

-Está sentindo alguma dor?

Ele senta-se na cama e coloca a mão em sua testa para verificar a temperatura, mas ela não demonstra nenhuma reação.

-Sua temperatura está normal. Vou deixar que descanse então.

Hatori passa a mão na cabeça de Akito e se levanta, mas o patriarca se virá rapidamente segurando o rapaz pela gravata.

-Não mandei que fosse embora ainda.

Akito o segurava firmemente pela gravata levando o rosto dele para mais perto do dela, mas depois solta e o empurra.

-Agora vá.

O médico afrouxa a gravata olhando para Akito que volta a ficar na mesma posição que estava

#Ela está com um péssimo humor hoje.#

Ele respira novamente profundamente e volta a se sentar na cama.

-O que fez hoje?

-Nada!

-O Yuki-kun já está melhor. Mas recomendei que eles fossem passar o final de semana nas termas.

-.....

-A Tohru Honda também irá com eles.

-.....

#Definitivamente ela está com um péssimo humor.#

O rapaz passa a mão em sua longa franja e respira.

-Já te falei para não fazer isso quando está ao meu lado.

-Me desculpe. É a força do habito.

-Pode ir embora. Não preciso de você hoje.

#É melhor eu ir. Quando ela fica assim não posso fazer nada.#

Ele se levanta e caminha em direção da porta, mas antes de fecha-la, olha novamente para a garota encolhida no meio da cama.

-Oyasumi, Akito-san.

Ele fecha a porta, mas deixando a luz acessa. Quando escuta o barulho da porta fechando, ela olha na direção.

#Que oyasumi porcaria nenhuma... Acha que terei uma boa noite de sono apenas porque assim me desejou?#

Akito se descobre com uma certa violência mandando o cobertor diretamente para o chão e se levanta da cama.

#Que droga! Que droga! Passo o dia todo esperando por esse momento. Eu me odeio por isso. Me odeio!#

Akito olha em sua volta e acha um vaso sob uma mesa de canto, mas o vaso fica poucos segundos inteiro, ela logo o manda em direção da porta e o faz em pedaços.

#Odeio ainda mais quando ele passa a mão naquela maldita franja. Eu sei que te feri. Sei que está quase cego por minha culpa, mas não precisa me lembrar disso.#

Ela olha em sua volta a procura de um outro objeto para atirar, mas não encontra nenhum e se senta no chão olhando para as suas próprias mãos.


# Como eu pude ter sido capaz de fazer aquilo? Eu já sei o porquê. Mas não quero acreditar nisso. Não quero admitir que.... #

Akito leva as mãos até o rosto e se inclina para frente, deitando-se no chão.

#....não quero admitir, mas eu gosto dele. Eu gosto do Hatori. Durante esses dois anos estou tentando negar para mim mesma que o amo. Mas a cada dia está ficando mais difícil me enganar.#

Ela dá um soco no chão.

-QUE DROGA! EU NÃO QUERO. NÃO QUERO ADMITIR ISSO. EU NÃO QUERO. NUNCA IREI ADMITIR!

#O que será que ela não quer admitir?#

Hatori estava encostado na porta do quarto de Akito escutando ao patriarca gritar. Ele já havia percebido que a garota sempre ficava mais agitada assim que ele saia do quarto e sempre ficava esperando pelo som do objeto se quebrando para ter a certeza de que estaria tudo bem com ela e só depois voltar para a sua casa. Ele fica prestando atenção para ver se escuta mais alguma coisa, mas o quarto volta a ficar em silêncio.

#Já está mais calma. Agora posso ir embora.#

O médico começa a caminhar pelo longo corredor que estava iluminado apenas pela luz que vinha de fora.

by DonaKyon