26/09/2009

140


Megumi não ficou muito tempo dentro da cozinha.

-Saki-chan, as garotas estão te chamando.

A colegial vai até lá, e o garoto se aproxima do grupo de adultos. Todos estavam o olhando, e ele não falava nada, mas era evidente que algo o estava incomodando muito.

-E aí pivete?

-A maldição da Saki-chan é melhor do que as minhas. Me pergunto como foi que ela conseguiu ficar tão boa assim. E olha que essa foi a sua primeira vez.

-Então não conseguiu desfazer a maldição?

Megumi olha para o Hatori.

-Ainda não.... Mas achei a Aa-chan muito bonita!

#Sim... Coragem é um dos nomes da família Hanajima. Será que a nossa maldição também não foi lançada por uma simples criancinha como essa?#

O médico vai se sentar no sofá, agora só lhe restava à medicina para reverter àquela situação.

-Pesquisarei mais sobre isso também. Deve ter uma maneira de desfazer sim. Não existe nenhuma maldição no mundo que não possa ser desfeita, ou controlada!

Todos os possuídos olham para o garoto, mas nenhum chegou acreditar que a sua própria maldição poderia ser desfeita.

-Eu também acredito nisso! E irei ajudá-lo. Tentarei encontrar o máximo de informações possíveis sobre a maldição do Jûnishi lá na mansão, acredito que como sendo o patriarca, terei acesso a muitas coisas.

-Que? O Mestre vai ficar como o patriarca?

-Sim, mas será apenas por um tempo.

O som das risadas das garotas na cozinha chama a atenção de todos.

-É difícil acreditar que ela esteja rindo dessa maneira também.

Megumi olha para o Shigure e dá um pequeno sorriso com o canto dos lábios.

#Acredito que o meu gesto egoísta será favorável para eles também.#

O garoto, ao ver o quanto que todos estavam curiosos sobre o que as garotas estavam conversando, resolve se aproveitar de sua posição como criança e vai até a cozinha, deixando todos os outros com inveja dele.

-Puxa... eu também queria ir lá.... Queria ficar com a Tohru-chan.

-Como é bom ser criança nessa hora. A gente também fazia muito isso, né Aaya?

-Vocês dois faziam isso e coisas muito piores também. Mas foi bom que o Hanajima-kun foi para a cozinha. Preciso esclarecer uma coisa. O Haru-kun, não foi para a sede para conversar com Akito. Ele foi para se consultar comigo.

-Eu passei na casa do Hatori e a empregada falou que ele tava lá na mansão. Na verdade eu fui até a mansão atrás do Hatori e não do Akito.

-Mas você tinha me falado antes que ia até a sede para contar ao patriarca sobre a Hanajima e o Kyo porque estava com ciúmes deles.

-Yuki, você me fez ver que eu estava errado. Eu percebi que se contasse a verdade para Akito não estaria apenas prejudicando as garotas e o Kyo. Estaria prejudicando principalmente a pessoa que mais amo. Aquela por quem eu tinha feito de tudo para salvar, para tirá-la da sede, e assim, ficar longe das torturas de Akito. Se a Tohru-kun se esquecesse de tudo, era você a pessoa que mais iria sofrer. Eu sempre disse que eu gosto do Kyo, mas é você quem eu amo, e eu não queria te magoar mais com isso. Não queria que você sofresse por causa da minha obsessão pelo Kyo. Por causa da minha doença.

-O que o Haru-kun tem é chamado em inglês de Dissociate Type. É a teoria que explica os casos de dupla personalidade. Normalmente, se alguém não é capaz de ultrapassar uma barreira psicológica durante o período da sua infância, outra personalidade pode nascer dentro dela, para proteger e confortar esta criança. Não importa a personalidade, ela existe, porque a pessoa deseja isso. Eu descobri isso alguns anos atrás, mas ele sempre tinha se recusado a começar um tratamento até hoje. O que aconteceu, é que a Akito acabou ouvindo o final da nossa conversa, justamente a parte que o Haru-kun estava dizendo que queria ser capaz de desejar felicidade para o Kyo e a sua namorada.

Todos olham para o Haru como se lhe pedissem desculpas.

by DonaKyon

23/09/2009

139


Akito já não estava suportando ficar ali na sala com aqueles olhares tão espantados para ela, tudo o que ela queria era sair um pouco dali.

-Onde fica a cozinha? Tem coisas que precisam ir para a geladeira aqui!

-Ah, pode me dá Aki-chan. A cozinha é ali naquela porta.

As duas garotas vão para a cozinha e todos os outros que estavam na sala olham imediatamente para o Hatori, que estava encostado na parede com os braços cruzados.

-Eu avisei.

-Talvez tenha tido uma grande idéia quando a trouxe para cá. Acredito que lhe fará muito bem respirar ares mais leves do que os da sede.

-Eu me lembrei do que o senhor fez pelo Kyo. E eu queria que ela ficasse próxima da Honda-san e da Hanajima, e isso seria impossível se ficasse dentro da sede. Eu quero que ela finalmente descubra quem ela é.

-Mas agora, precisamos comunicar a sede. Provavelmente nem todos do clã irão aceitar que eu seja o patriarca por esse tempo.

-Akito terá que assinar algum documento para podermos provar que essa foi uma decisão do próprio patriarca.

-O Shigure tem razão. Com esse documento em mãos, todos terão que aceitar que o Kazuma-san é no novo patriarca.

Os possuídos mais novos, apenas se limitavam a escutar. Tudo aquilo estava parecendo muito complicado para os três. Estavam sentados no sofá e em silêncio, e assim ficaram por alguns minutos. Só se levantaram quando escutaram o barulho da porta se abrindo.

Hanajima e o Kyo haviam entrado de mãos dadas na sala, mas agora a garota a solta e se ajoelha na frente dos possuídos.

-Me perdoem pelo que fiz!

Kazuma vai até a garota e a faz com que se levante do chão.

-Não precisa pedir perdão. Somos nós que temos que nos desculpar por tudo o que a senhorita passou. Podemos imaginar um pouco do que aconteceu. Eu sou o Kazuma Sohma, sou o pai do Kyo. Muito prazer em lhe conhecer.

A garota se inclina para lhe cumprimentar.

-O Haa-san nos contou como foi. Não precisa se preocupar.

-Ah, Hana-chan, muito obrigado por já ter contado que eu sou o namorado da Tohru-chan.

-Como é que é?

-É verdade. Me esqueci de te contar isso. Eles começaram a namorar na hora do almoço.

-E vocês dois na hora da janta! Muito prazer, sou o Megumi Hanajima.

-Agora eu entendi o motivo da sua vinda aqui. O Kyo me contou essa tarde que você ia pesquisar sobre a maldição do Jûnishi.

-Sim.. Eu já comecei a pesquisar, mas ainda não encontrei nada, apenas vários relatos da lenda. A Saki-chan me chamou para ver se eu consigo reverter a maldição que ela lançou, se bem que lançar maldições é a minha especialidade e não a dela.

-Um garotinho tão novinho como você sabe lançar maldições?

-Sim.. Basta eu saber o nome da pessoa que posso lhe lançar qualquer maldição que eu queira.

-Eu sou o Hatori Sohma.

-Então era o senhor quem ia apagar as memórias da minha irmã?

-Sim. Eu apagarei as memórias dela, se assim o nosso kamisama decidir. Mas, por hora, isso não será necessário.

-Entendo! E onde estão a Tohru-chan e a Aa-chan?

-Elas estão ali na cozinha.

O médico aponta na direção e o garoto vai sozinho até lá.

-Pelo visto a coragem é uma característica da família Hanajima.

-O Megumi-kun aprendeu tudo o que sabe por causa da minha maldição. Tudo para me proteger. Mas, não se preocupe Hatori-san, ele não lhe lançará maldição alguma se tiver que apagar a minha memória e da Tohru-chan.

-Mas isso ainda pode acontecer Hatori?

-Se o Hanajima-kun conseguir que a Akito recupere a memória dela. Isso poderá acontecer sim.

Depois daquela frase era impossível falar qualquer coisa.

by DonaKyon

20/09/2009

138


Akito abria a porta da casa se sentindo um pouco assustada. Todos os que ali estavam a conheciam muito bem e há muitos anos, mas para ela, aquela seria a primeira vez que se encontraria com eles.

#Está tudo bem... Ficará tudo bem... Em breve irei me lembrar de tudo.... A Saki-chan falou que eles são as pessoas em quem eu mais confiava e que eram os meus amigos.... Então, está tudo bem......#

O patriarca começa a recordar da mão da garota lhe acariciando quando ela tinha acordado do desmaio.

#Não tenho motivos para não acreditar nela. Ela estava sendo tão gentil e carinhosa comigo naquele momento.... Aquela só poderia ser a atitude de uma amiga.#

Ela tira os sapatos e entra na sala, onde todos aqueles rostos estranhos a estavam esperando.

-Akito, como você está? Está sentindo alguma dor? Já se lembrou de alguma coisa?

A garota recebia aquele abraço tão afetuoso, daquele jovem rapaz que vestia um quimono cinza, se sentindo um pouco sem jeito.

-Shigure, a deixe se familiarizar um pouco.

O jovem a solta, e lhe olha cheio de afeto e com um pouco de tristeza em seu olhar. Estava sendo muito difícil para o possuído, ver o seu kamisama sem se lembrar de nada do que tinha acontecido.

Todos os possuídos estavam sentindo a mesma sensação de abandono. Desde que nasceram, sabiam que tinham que obedecer, amar e temer aquela pessoa que estava parada na entrada da casa. Mas, agora, tudo estava diferente, o kamisama não se lembrava que era o kamisama deles, não se lembrava de seus possuídos. Akito estava ali, parada na frente deles, mas não era o kamisama, era apenas uma pessoa que eles, também, tinham acabado de conhecer. E para aquela Akito Sohma, eles não eram obrigados a sentir nenhum tipo de sentimento. Não eram mais obrigados a lhe obedecer, a lhe amar e nem a lhe temer. Ela era somente uma garota que tinha acabado de chegar a suas vidas, e que era impossível saber até quando ela existiria.

Aquela garota que estava um pouco assustada, sem saber de nada sobre o que tinha vivido, e que olhava perdida para cada um daqueles rostos, podia deixar de existir a qualquer momento ou ficar para sempre em suas vidas. Tudo agora era muito incerto, é era por isso que eles estavam se sentindo tão abandonados.

- Hatori, está tudo bem... Shigure, ainda não me lembro de nada e estou bem... Desculpem-me por deixá-los tão preocupados.

#Definitivamente essa pessoa não é Akito Sohma!#

Esse foi o pensamento que passou na cabeça de todos os Sohmas que estavam na sala. Nunca antes tinham visto aquele leve sorriso de sinceridade em seu rosto e nem escutado aquelas palavras com aquele tom de voz e atenção.

-Mas você não se lembrou do meu nome?

-Não. A Saki-chan me descreveu um pouco de cada um de vocês. Acho que ela não queria que vocês passassem pelo sofrimento que o Hatori e ela passaram. De me verem diante de vocês, sem que ao menos, eu soubesse os seus nomes.

-Então a Akky sabe o meu nomezinho?

-Você deve ser o Ayame, e aquele garoto é o seu irmão, o Yuki. Você é o Hatsuharu, e você, com os cabelos loiros, é o Momiji, o namorado da Tohru-chan. Como é a única garota que está aqui, certamente é a Tohru-chan.... Mas, do senhor, acredito que a Saki-chan não me falou nada....

-Sou o Kazuma Sohma. Você é a minha prima de terceiro grau, e também sou o pai do Kyo.

-Ah, daquele garoto bonito de cabelo laranja?!

Todos tiveram que se segurarem para não caírem no chão naquele instante. Não estavam acreditando que Akito Sohma tinha se referido ao possuído do gato como sendo um “garoto bonito” e não um monstro como ele sempre fazia.

-Exatamente dele... Onde ele está?

- O seu filho está lá fora com a Saki-chan. Estão esperando pelo irmãozinho da Saki-chan.... Como é mesmo o nome dele?

-MEGUMI-KUN.... É Megumi Hanajima...

-Isso, o Megumi-kun está vindo pra cá.

Akito já não estava suportando ficar ali na sala com aqueles olhares tão espantados para ela, tudo o que ela queria era sair um pouco dali.

by DonaKyon

19/09/2009

137


Hanajima começa a caminhar um pouco mais e quando balança a sua mão direita para trás, ela sente que o garoto a estava segurando e para de andar.

-Eu não quero apenas te ajudar como sendo o seu amigo. Eu não quero te proteger apenas porque é a minha amiga. Eu preciso de você!

O garoto podia sentir o quanto que a mão dela estava tremendo naquele momento. Ele entrelaça os seus dedos nos dela, se aproximando ainda mais, e apóia a cabeça em suas costas.

-Quando o Haru contou que você iria me esquecer, eu entrei em desespero. Imaginei que, amanhã, você ia passar ao meu lado na escola sem se lembrar de tudo o que aconteceu com a gente. Sem se lembrar do quanto que havia me ajudado, e que eu não teria mais nenhuma oportunidade de te agradecer por tudo o que fez por mim. Eu não sabia como ia viver daquele momento em diante. Percebi que você é a pessoa mais importante para mim. Saki, você é a pessoa por quem eu daria a minha própria vida para proteger. Eu não quero apenas ser amigo da garota que estou amando. Saki, eu preciso muito de você!

-Kyo, não haveria o amanhã para a gente.... Se a Akito não tivesse perdido a memória, a gente nunca mais iria se encontrar.... Ela ia tirar os garotos da escola e você seria aprisionado.... Quando senti a mão do Hatori em minha cabeça, eu vi que estava a poucos segundos de me esquecer de tudo o que tinha vivido nesses últimos 4 dias. Esses 4 dias que foram os melhores da minha vida.... Eu não queria que você fosse o único a se lembrar do que tínhamos vivido juntos. Trancado num lugar qualquer, sozinho e sendo odiado... Eu não queria que você fosse aprisionado...... Eu não queria me esquecer do garoto que eu estou amando..... Foi por isso que lancei a maldição na Akito. Eu queria ter um amanhã ao seu lado.... Eu queria me lembrar de você e ter a possibilidade de que amanhã eu poderia me tornar a sua namorada....

Hanajima finalmente estava chorando. Durante tudo o que tinha acontecido antes, ela não tinha derramado nenhuma lágrima, mas agora era impossível segurar a emoção que estava sentindo. Ela se vira e beija o garoto. Agora, tudo estava resolvido entre os dois, depois de todo o sofrimento que ambos haviam passado horas antes. O futuro ainda era incerto, mas a possibilidade de se ter um amanhã, era o que motivava os dois a desejar seguirem juntos. O gosto daquele beijo era o de que amanhã eu te darei esse mesmo beijo novamente.

Sem ter sido visto pelos dois, Megumi havia presenciado a declaração. Estava parado a poucos passos a frente deles, e com o coração repleto de felicidade pela sua querida irmã.

#Eu sabia! Sabia que você ia encontrar uma pessoa que saberia como te amar.#

Ele esperava calmamente até que aquele beijo terminasse. Não queria estragar aquela linda declaração de amor. Quando finalmente os dois afastam os seus lábios, o garoto se aproxima deles.

-Se fizer a minha irmã sofrer, verá como pode ser muito mais amaldiçoado do que já acha que é.

Os dois ficam muito sem jeito, mas o garoto se recusa a largar da mão da Hanajima.

-Eu sei disso! Pode ficar tranqüilo agora, Pivete! A sua irmã já tem ao seu lado uma pessoa para protegê-la.

Megumi sorri para o Kyo e depois se aproxima da irmã, lhe beijando carinhosamente no rosto, e posteriormente, lhe fala baixinho ao seu ouvido.

-Seja muito feliz Saki-chan. O seu castigo acabou!

Hanajima deixa cair mais algumas lágrimas ao escutar aquilo do irmão.

-Obrigada, Megumi-kun.

-E onde está a garota?

-Está lá na casa com os outros.

-E ela é bonita?

-É melhor esquecer, Megumi-kun. Tem alguém que poderia virar um dragão por causa disso.

-É? Que pena... Ainda não será dessa vez então...

Os três voltam a caminhar, mas agora no sentido da casa do escritor. Kyo e Saki caminhavam lado a lado, de mãos dadas e com os dedos entrelaçados.

by DonaKyon

16/09/2009

136


Kyo sentia uma grande vontade de segurar a mão da Hanajima, assim como eles fizeram naquela manhã ao entrar no colégio, mas não conseguia fazer aquilo.

-Eu liguei lá pra casa, e pedi para o Megumi-kun vir até aqui. Talvez ele consiga retirar a maldição que lancei na Akito.

-É difícil acreditar que o patriarca está sentindo um pouco do seu próprio veneno.

-Tente não odiar essa Akito que não se lembra de nada. Eu já sei o quanto e o porquê que o patriarca te odeia.

-É porque eu sou o gato!

-Não é apenas por isso. Você sabia que a sua mãe foi a babá de Akito quando ela era criança?

Kyo para de andar e abaixa a cabeça. Estava se sentindo um pouco apreensivo agora, pois certamente a garota já sabia de toda a história de sua mãe.

-Kyo, eu sei que você não teve a menor culpa na morte da sua mãe. Antes da Akito perder a sua memória eu ouvi os seus pensamentos. Você sabia que a Eiko-san foi babá de Akito?

-Não!

-A sua mãe foi a pessoa que ficou mais próxima de Akito quando o pai dela morreu. Ela era a única pessoa que dava carinho e atenção para aquela criança. Akito só se sentiu amada pelo pai dela e pela Eiko-san. Quando a sua mãe se casou, ela deixou de trabalhar na mansão, e depois você nasceu. Justamente o possuído do gato nasceu da mulher que ela tanto amava. Ela sempre sofreu achando que a sua mãe foi punida por gostar tanto dela. No fundo, a Akito se culpa pelo suicídio da sua mãe, mas nunca conseguiu aceitar essa culpa e foi por isso que ela a transferiu para você.

Kyo não conseguia acreditar no que estava escutando, nunca tinham lhe contado que a sua mãe era a babá de Akito.

-Akito te odeia porque ela sempre sentiu inveja e raiva de você. Você foi a pessoa que roubou a Eiko-san dela.

-Nunca me contaram isso.

-Pelo visto existem muitos outros segredos para eu descobrir nessa família.

Hanajima tinha lhe falado com um tom mais alegre e de piada em sua voz, queria que o possuído não se sentisse tão triste como ele estava.

-Kyo, não precisa perdoar a Akito. Mas tente entender um pouco o que ela sofreu durante todos esses anos.

-E você? Você realmente não acha que eu sou o culpado pelo suicídio da minha mãe?

-E por que seria?

-Porque eu sou o possuído do gato. Se ela tivesse dado a luz a qualquer outro possuído, ela estaria viva ainda.

-Nesse ponto vocês dois são iguais. Vocês dois se culpam por algo que está além de suas próprias forças. Akito acha que ela só deu a luz ao gato como uma punição, pelo fato de uma ter gostado da outra. E você acha que a sua mãe se matou só porque deu a vida ao possuído do gato.

-Mas a minha mãe foi a única que escolheu a morte. Ela não fez como a mãe do coelho, ela preferiu morrer.

-Então por que é que ela esperou tantos anos para se matar? A mãe do Momiji-kun o rejeitou assim que ele nasceu, mas a sua mãe não. Se você fosse a causa do suicídio dela, não acha que ela teria feito isso no mesmo dia em que você nasceu?

O garoto não sabia o que lhe responder. Apenas olhava para aquela garota que em poucos dias tinha conseguido mudar toda a sua visão de vida. Graças a ela, já não se sentia como se fosse um monstro, e agora, ela tinha conseguido tirar de sua alma toda a culpa que ele sempre tinha sentido sobre a morte de sua mãe.

Hanajima sente que áurea do garoto estava adquirindo uma nova cor naquele momento. Estava muito feliz por ver que tinha conseguido ajudar o garoto que ela estava amando. Ela começa a caminhar novamente ficando um pouco a frente dele.

-A gente não precisa mais mentir que somos namorados.

-Mas eu quero te ajudar.

-Para isso não precisamos mentir. Poderá me ajudar apenas sendo o meu amigo.

A garota se esforçava ao máximo para controlar os seus pensamentos naquele momento. Não queria que o garoto descobrisse a verdade.

by DonaKyon

13/09/2009

135


Kyo corria como nunca tinha corrido em toda a sua vida em direção do mercado onde estaria a Hanajima e Akito. Queria ter certeza de que a garota não tinha se esquecido de nada. Tudo aquilo estava sendo inacreditável para ele. Como é que ela tinha conseguido apagar as memórias de Akito?

#Hehe... De fato ela é uma bruxa mesmo... Mas tudo bem, porque os gatos sempre estiveram com as bruxas.#

O possuído já estava quase próximo do mercado quando vê a Hanajima e Akito caminhando na sua direção. O patriarca e a garota estavam conversando tão tranquilamente que era difícil acreditar que havia alguma coisa errada ali. O garoto continua correndo até se encontrar com a garota.

-Hanajima!

-Ah.. Oi..

-Kyo!

Os dois olham para Akito com o coração batendo mais acelerado e com medo dela já ter recuperado a memória.

-Aposto que ele é o Kyo! É ele não é, Saki-chan?

-Você se lembrou dele, Aa-chan?

-Não! É que ele é igualzinho ao que você me falou antes.

-É ele sim. Kyo Sohma, mais um dos seus primos. Kyo, a Tohru-chan já chegou também?

-Deve ter chegado.

-Então vamos Aa-chan... Quem sabe ao ver a Tohru-chan, você não se lembre de alguma coisa?

Hanajima e Akito começam a andar e o garoto vai atrás, sem entender o que estava acontecendo.

#Akito perdeu as suas memórias e ficou mariquinha? Ele está agindo como se fosse uma garota. Está até andando como se fosse uma garota!#

Saki olha para trás, percebendo o quanto que o garoto estava perdido. Ela lhe sorri e volta a olhar pra frente, e o garoto finalmente se sente mais aliviado.


#Está tudo bem Kyo. O Hatori não apagou as minhas memórias. Mas Akito não se lembra de nada e nem de vocês... Eu menti para a Akito quando descobrimos que ela estava sem memória. Disse que eu e a Tohru-chan somos suas amigas a muitos anos. Ah, a Aa-chan, na verdade é uma mulher!#


-OQUE??

Akito e Hanajima olham para o garoto. A colegial é obrigada a se segurar para não rir, ao ver que o garoto estava olhando para a Akito como se ela fosse um ser de outro planeta.

-Aconteceu alguma coisa, Kyo-kun?

-Err... Nada não...

-Ah, Aa-chan, o Kyo não gosta de ser chamado assim. Pode o chamar apenas pelo nome. Não é mesmo, Kyo?

-É....

Os três voltam a caminhar em direção da casa do escritor, sendo que o garoto vai ao lado de Hanajima.

-Essa minha ausência de memória deve estar sendo difícil para vocês também, não é?

-Não se preocupe com isso Aa-chan. Tenho certeza que isso será por pouco tempo.

-Mas o que farei até me lembrar de tudo?

-Não precisa se preocupar com isso. Todos os que estão na casa do Shigure-san são as pessoas com que a Aa-chan mais tem amizade. São as pessoas em quem você sempre confiou. A Aa-chan deverá ser apenas ela mesma até se lembrar de tudo novamente.

Akito olha para os dois e se sente um pouco mais segura. Kyo não conseguia acreditar que aquela pessoa era o patriarca. Pela primeira vez, ele não tinha recebido um olhar cheio de ódio de Akito. As duas garotas iam conversando sobre coisas que viam ao seu redor. Realmente parecia que as duas eram amigas de longa data. Em pouco tempo os três estavam diante da casa do escritor.

-Aa-chan, poderia levar essas coisas para a Tohru-chan? Eu vou esperar pelo Megumi-kun lá na rua, ele nunca veio até aqui e poderia se perder se não pegar a trilha certa.

-Tudo bem. Levo sim.

-Kyo, poderia me fazer companhia?

Akito pega os pacotes que a garota estava segurando e entra na casa. Hanajima começa a voltar pelo caminho com o Kyo andando ao seu lado. O coração dos dois estava batendo mais forte agora que estavam sozinhos.

by DonaKyon

11/09/2009

134


Kazuma ainda um pouco atônico pergunta para o Hatori.

-Mas vocês vão esconder até quando o que está acontecendo para o resto do clã e dos possuídos?

-Eu preciso ter certeza que Akito não voltará a se lembrar de nada. Eu gostaria de esconder isso de todos até ter os resultados finais de todos os exames. Até lá, falarei que Akito está em alguma de nossas propriedades para um tratamento médico e que por esse motivo terá que se afastar de suas funções como o patriarca do clã.

-E quem ficaria como o novo patriarca?

-O Kazuma-san tem razão. Tori-san, você sabe quem é que ficaria?

-O cargo de patriarca é passado de pai para o filho. Como Akito não tem um representante direto, seria um dos seus irmãos. Mas, o patriarca também não tem irmãos também.

-Nesse caso, qualquer um do clã pode assumir as funções de patriarca. E isso pode ser perigoso para os possuídos, uma vez que nem todos do clã sabem sobre a maldição. Creio que seria melhor, se algum, de vocês três, ficasse como o patriarca.

-Eu passo. Se ainda fosse o título de imperador, vá lá... Estaria mais a minha altura, mas patriarca é muito pouco para alguém tão grandioso como a minha pessoa.

-Eu sou muito irresponsável para assumir essas funções. E também odeio a burocracia daquele clã.

-Eu não posso. Não teria tempo suficiente para tratar de Akito e dos outros do clã.

-Kazuma-san, por que é que não fica sendo o senhor o nosso patriarca por esse tempo?

-O Aya está certo. O senhor sabe de tudo sobre a maldição dos possuídos muito antes de a gente nascer.

-Acredito que de todos do clã o senhor seria a melhor opção, principalmente para o Kyo. O senhor sabe que muitas outras pessoas do clã o odeiam também.

O Homem pondera um pouco antes de responder aos possuídos.

-Muito bem. Ficarei como o novo patriarca do clã até o Hatori terminar todos os exames. Mas depois a função voltará para Akito-san. Se lembrando ou não, ela é a filha do nosso antigo patriarca.

-Ninguém mais pode saber do que está acontecendo com a Akito. Para todos os outros do clã e possuídos, o patriarca está em tratamento médico. Shigure, ela pode ficar um tempo aqui na sua casa?

-Claro.

-Err... senhor Hatori, então o senhor não irá apagar as minhas memórias e nem as da Hana-chan?

-Não. Enquanto o nosso kamisama não se lembrar de nada, não precisarei apagar. Isso é claro, se o novo patriarca assim concordar.

Todos olham para Kazuma e o homem abre um sorriso muito gentil para a garota.

-Muito prazer, Tohru Honda. Eu sou Kazuma Sohma, o pai adotivo do Kyo. Muito obrigado por tudo o que tem feito ao meu querido filho. Posso lhe chamar apenas de Tohru?

-Si..! s-sim!! Muito prazer.

-Todos os possuídos que estão aqui irão agir como sendo apenas primos de Akito. Como não nos transformamos quando somos abraçados por ela, não teremos problemas. A Hanajima e a Honda-san precisarão ter apenas esse cuidado. Contaremos apenas a Akito que ela é a líder da nossa família, e mais nada.

-Então vamos entrar e esperar por nossa priminha lá dentro.... Eih, Haa-san, eu não posso falar que sou o irmão mais velho dela?

-Não! Não quero gerar um trauma ainda maior na Akito.

Todos começam a rir e entram na casa. Seus corações ainda estavam muito doloridos, mas por hora, a possibilidade de serem esquecidos pelas duas garotas estava afastada.

by DonaKyon