30/12/2009

181


Ren se aproximava da porta principal da mansão do patriarca, com seus longos cabelos negros soltos balançando ao sabor do vento, que estava bem forte e gelado naquela manhã. Vestia o último presente que havia ganhado de seu falecido esposo, um belo quimono de seda preto com diversas flores bordadas. Certamente, aquele quimono era um dos mais ricos e delicados, e que poucos no mundo seriam capazes de fazê-lo. Aquele quimono era apenas usado pelas esposas dos patriarcas, e era passado de uma geração para outra.

A mulher mantém a sua cabeça erguida e olhava cheia de raiva e ódio em direção da mansão.

-R-ren-sama... A a se-senhora não pode...

A ex-mulher do antigo patriarca passa direto pela pobre empregada que estava na porta da casa, e a sua fiel empregada, que a acompanhava, também entra sem dizer nada. Ren entra na sala e olha para todos os lados. Finalmente ela colocava os seus pés na mansão, o local onde ela mais sentia a presença do seu amado esposo, e que estava proibida de entrar desde que o Akira tinha morrido.

-Onde está o Kazuma-sama?

-E-ele está na bibl...

-Não precisa responder nada a essa louca.

Yoko se aproximava com passos tranqüilos e seguros, seu olhar para Ren era igualmente cheio de ódio, não apenas por ela estar novamente dentro daquela casa, mas principalmente por estar vestindo exatamente aquele quimono. Ren a olha cheia de superioridade e percebe que a roupa havia chamado a sua atenção assim como ela queria.

-Bom dia Yoko. Vejo que ainda se lembra do quimono de minha sogra.

-Saia daqui imediatamente Ren.

-Bom dia Ren-sama.

As quatro mulheres olham para o Kazuma que chegava a sala.

-Bom dia Kazuma-sama. Estou aqui conforme me pediu.

-Yoko-san, peça as empregadas para deixarem o antigo quarto da Ren-sama arrumado. Ela irá voltar a morar aqui na mansão.

-O quee?

A velha mulher precisa se controlar ao máximo quando escuta aquilo, suas pernas começam a tremer e a sua respiração fica mais acelerada. Ren a princípio fica tão surpresa quanto a Yoko, mas depois de olhar um pouco mais atentamente para o Kazuma, ela percebe o que estava acontecendo.

#Será que ele já descobriu?#

-Ren-sama, vamos até a biblioteca enquanto o seu aposento não está pronto.

-Até quando ela ficará aqui, Kazuma-SAMA?

-Até o Akito-san retornar.

O homem percebe o quanto que aquela notícia havia desestabilizado a velha governanta. Ele começa a caminhar pelo longo corredor seguido pela Ren. Assim que entram na biblioteca, a mulher vê os vários livros que estavam espalhados pelo tatame.

-O Kazuma-sama já encontrou?

-Ainda não.

-Então, por que quer que eu fique aqui na mansão?

-Me desculpe, Ren-sama, os meus motivos são pessoais. Se importaria de ficar esse tempo aqui?

-De forma alguma.

Ren se aproxima da mesa e vê um livro muito antigo sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

-O senhor deveria começar dos mais recentes.

Aquela informação deixa o professor muito surpreso.

#O que é que ela quer que eu encontre?#

A mulher começa a olhar os outros livros e percebe que o homem buscava informações sobre a maldição dos possuídos.

-Realmente deve amar muito o filho da Eiko-chan.

-A Ren-sama sabe algo sobre a carta de suicídio da Eiko-san?

-Carta de suicídio?! A Eiko-chan deixou uma carta? Por que é que ela se matou?

-Não encontramos a carta ainda.

-Nunca entendi o que levou aquela menina a se matar.

-Eu não sabia que a Eiko-san tinha tomado conta da Akito-san quando criança.

-A Yoko fez isso para me atingir. Ela sabia que eu gostava muito da Eiko-chan. Foi por isso que a chamou para ser bába do Akito, e também a fez se casar com o idiota do sobrinho dela.

#Gostaria de entender a razão do ódio dessas duas.#

By DonaKyon

28/12/2009

180


-Mas que garota ingrata! Só porque agora tem um namorado me deixou para segundo plano. Ela vai ver só.

Shigure desce para atrapalhar a conversa dela com o médico.

Kyo dá um longo suspiro e se senta no chão colocando a mão na testa.

-Não adianta sofrer por antecipação.

-Cala a boca Ratazana! Pra você nada irá mudar com ela se lembrando ou não.

Yuki se sentava ao lado do Kyo.

-Todos nós iremos perder essa Akito. Nenhum dos possuídos a conheciam também.

-Mas a vida de vocês continuará a mesma. Principalmente a sua, que nem irá perder o namorado.

-Kyo, por que você não faz o mesmo comigo?

-OQUEE????

Kyo se afastava um pouco do garoto e lhe olhava todo abismado.

-Por que não me dá uma oportunidade assim como fez com a Akito?

-Ahhh, era disso que estava falando...

-Do que achou que era?

-Err... Nada não.

-Da mesma forma que você não conhecia essa Akito e foi capaz de se aproximar dela e de ficar seu amigo, você também não me conhece, e eu também não te conheço. Agora estamos morando juntos e estudamos juntos. Por que não tentamos ser amigos?

Kyo se levanta e olha para o Yuki que estava sentado no chão.

-Volte a conversar comigo sobre sermos “amiguinhos” depois que Akito recuperar a memória e mandar me aprisionar lá no retiro. Acredito que lá terei muito mais tempo para pensar nessa sua proposta.

O gato entra no seu quarto e fecha a porta. Yuki dá um forte tapa em sua testa e encosta a cabeça na parede.

#Como eu sou estúpido! É claro que para ele faz uma tremenda diferença Akito voltando a ser o que era antes. A vida dele não será igual. Ele não perderá só a namorada, como também perderá a liberdade.#

Yuki sente uma suave mão tocando a sua e olha para o seu lado esquerdo, e vê a Honda com o seu sorriso cheio de esperança para ele.

-O dia de hoje é completamente diferente do dia de ontem. Vamos acreditar que mesmo se recordando de tudo, essa Akito não irá mais desaparecer de nossas vidas.

O possuído pelo rato só consegue lhe responder com um sorriso, por que Akito e Shigure estavam subindo as escadas.

Akito estava empoleirada no pescoço do primo enquanto subiam as escadas.

-Eu não sabia que era tão ciumento assim, Shigure.

-Sou mesmo, e daí?

-Ahh, Tohru, Yuki.... Me lembrei de uma coisa do meu passado.

-Que ótimo Aky-chan.

-E o que se lembrou Akito?

-Do meu pai. E o meu NA-MO-RA-DO – Akito fala aquilo bem no ouvido do Shigure que estava ao seu lado – me confirmou que o que lembrei aconteceu mesmo.

-A-KI-TOOO... eu vou deixar o Haa-san viúvo de namorada.

-Ahahahah

Akito saiu correndo para dentro do quarto que estava ocupando sendo perseguida pelo escritor, enquanto que a Tohru e o Yuki se levantavam do chão.

-Tem razão Honda-san. A Akito de ontem não conhecia o que era o amor.

Os dois começam a escutar as risadas alegres de Akito que vinha do quarto.

-Ainda bem que vocês não se transformam com o abraço dela.

-Já imaginou, Honda-san?

-TOHRUUU VENHA ME AJUDAR! TIRA ESSE ESCRITOR DE FOLHETIM DE CIMA DE MIM.... AHAHAHHA.

-Acho melhor a senhorita não ir. Vai que por um acidente, o Shigure esbarre em você.

-É melhor não arriscarmos mesmo.

-AHAHAHAHAH..... TOHRUUUUU.... AHAHAHAH

-VOCÊS QUEREM CALAR ESSAS BOCAS! AMANHÃ EU TENHO AULA E TENHO QUE DURMIR!

Kyo que havia aberto a porta do quarto só para gritar com eles, já tinha voltado a fechá-la quando Akito e Shigure saem correndo do quarto da Tohru e abrem a porta do quarto do garoto só para pularem em cima dele enquanto se matavam de rir.

-AHHHHH SEUS IDIOTAS! SAEM DE CIMA DE MIM!!


-Nossa, mais uma para a nossa lista! O Kyo chamando Akito de “idiota”.

-Ahahah...

Yuki e Tohru só acompanhavam o que estava acontecendo escudando o que vinha do quarto.

-Ahahahahha.... Quer dizer que amanhã não irá matar aula, Kyo?

-ahahahhaha se quiser eu posso levar a Aky-chan para passear e deixar a casa livre para os bombinhos... ahahah

-SOMEM DAQUI!! VÃO DORMIR!!! ME DEIXEM DURMIRRRR.


by DonaKyon

25/12/2009

179


Akito ao escutar aquilo sente uma forte dor em seu coração. Era como se aquela dor também fosse a dela. Ela não consegue mais olhar para o garoto e começa a olhar para as árvores a sua frente.

-E a sua mãe? Ela não fica triste com isso?

-A minha mãe se matou a muito tempo atrás.

-Não vejo a hora da minha memória voltar para parar de dar esses foras.

-Tudo bem. Sobre isso eu já nem ligo mais. Graças a Saki, esse assunto agora está superado.

-Vocês são bem apaixonados um pelo outro. Assim como a Tohru e o Momiji.

-E você e o Hatori.

Kyo sorria com um ar de deboche para Akito. Era como se ela estivesse falando dos outros sem levar em consideração a si própria. O patriarca se deita no telhado e olha as estrelas.

-Ahahah.... Tá certo, e eu e o Hatori. ... É muito bom esse sentimento, né? O meu pai tinha razão, eu nasci para ser amada.....

Akito rapidamente volta a ficar sentada e coloca as duas mãos nos ombros do garoto.

-KYOOO!!! Eu me lembrei do meu pai! Eu me lembrei dele... AHHH!!!

Ela o abraça enquanto ficava dando pequenos pulos no mesmo lugar.

-Eu finalmente me lembrei do rosto do meu pai. Me lembrei do dia em que ele me falou isso.

-Vo-você se lembrou?

-Sim.. Sim... SIMMMM.... Eu me lembrei. Eu era bem pequena quando ele me falou: É você Akito! A criança especial. A criança escolhida. A criança que nasceu para ser amada. Todos estávamos esperando por você. No seu futuro não haverá solidão ou medo.

A garota solta o Kyo e fica lhe olhando cheia de felicidade, enquanto que o gato tentava disfarçar o medo que estava sentindo.

-E o que mais lembrou Akito?

-Me lembrei do rosto do meu pai. Ele era tão jovem e bonito. Era isso mesmo, não é Kyo?

-Eu não conheci o antigo patriarca.

-Preciso perguntar para o Shigure então. Vamos lá Kyo!

A garota se levanta e agora é a sua vez de estender a mão para ajudar o garoto. Kyo olha em sua mão e depois lhe olha nos olhos, e Akito percebe que havia um pouco de lágrimas em seus olhos. Ela segura em sua mão o levantando e depois lhe abraça.

-Obrigada por se emocionar com isso.

#Na verdade, estou triste porque essa pode ter sido a última vez que segurei em sua mão.#

O patriarca o solta e segura em seu pulso esquerdo, quase bem próximo do bracelete.

-É melhor segurar na minha mão direita.

-Por quê? Você já quebrou o pulso?

-Não! É porque não posso tirar esse bracelete.

-Quê?

-É uma promessa que fiz a minha mãe.

-Ah tá!.

Akito começa a descer os degraus com o coração pulando de felicidade, e o garoto ia bem atrás dela. Assim que coloca os pés no chão, a garota sai correndo para dentro da casa.

-Eih, vai se esborrachar no chão de novo.

Kyo corre atrás do patriarca, mas dessa vez a garota no cai e entra com sapato e tudo pela casa adentro.

-EIHH!! TIRA OS SAPATOSSS!!

Akito para no meio da escada, arrancando os sapatos e jogando para o meio da sala e quase acertando a cabeça do gato.

-EIHH!!! JÁ QUER ME MATAR, É?

Akito nem tenta entender o que o garoto tinha falado com aquilo, ela acaba de subir as escadas e abre a porta do quarto do Shigure com tudo pulando em cima dele, que por milagre já estava dormindo àquela hora.

-SHI-GU-RE... A-COR-DAAAA....

-Aky? O que foi?

O possuído a olha todo assustado.

-Eu me.....

A garota para de falar, lhe dá um sorriso e depois se levanta da cama lhe mostrando a língua.

-bleeeh.... Vou contar primeiro para o meu na-mo-ra-do e depois eu te conto.

Ela volta a correr, passando pelo gato que estava parado na porta e desce as escadas para ir até a biblioteca onde ficava o telefone da casa.

-O que deu nela?

Shigure já estava fora da cama e ajeitava o seu quimono.

-Akito se lembrou do pai.

-Ela se lembrou do Akira-sama?

-Sim. Pelo visto a memória dela deve estar voltando.

By DonaKyon

24/12/2009

178


Kyo estava deitado em cima do telhado olhando as estrelas. Estava com o coração batendo seneramente, pois sabia que no outro dia iria encontrar a Hanajima novamente. Diferentemente de todos os outros, aquilo não era tão simples quando se pensava na situação deles, pois uma vez que Akito recupera-se a sua memória, ele seria aprisionado e a sua namorada nunca mais iria se lembrar dele.

Ele se recorda de Akito,e de tudo o que tinha acontecido entre eles naquele dia. Ela não lembrava nem de perto o patriarca que o garoto conhecia a tantos anos.

#É uma pena que essa garota pode deixar de existir. Não estou pensando apenas em mim e na Saki, mas também na própria Akito. Ela parece que estar muito mais feliz agora. Parece que ela está viva, não, parece não, ela está viva agora que está fora da sede. Nunca imaginei que Akito vivesse a sua vida de forma tão aprisionada na sede.... Pensando bem, talvez o nosso final seja igual para ambos. Viver sozinho e aprisionado na sede dos Sohmas.#

Kyo escuta alguns passos no quintal e rapidamente procura a causa, já imaginando que era novamente a louca da escola atrás dele. Ele olha atentamente e vê que Akito estava andando enquanto olhava para as estrelas no céu.

#Mas que diabos ela está fazendo? Daqui a pouco vai acabar tropeçando em alguma cois... #

Blafff

#Eu não falei....#

Akito havia enfiado o pé num buraco enquanto olhava para o céu e tinha levado um belo tombo. Kyo se aproveitando de suas habilidades felinas, desce se segurando na parede da casa.

-Eih, cê tá bem?

Akito que não tinha escutado nenhum barulho se assusta quando vê o garoto ao seu lado.

-Credo! Parece uma assombração. De onde você saiu?

-Do telhado. Não se machucou?

O garoto se abaixa para olhar o pé torcido da garota e começa a tocar para ver se não tinha quebrado ou luxado. Akito olha para o telhado e depois para o garoto sem entender como ele tinha em poucos segundos descido dali.

-Não foi nada. Cê deve olhar para o chão e não para o céu enquanto anda.

Ele se levanta e estende a mão para ajudar a garota se levantar.

-É que estava olhando as estrelas.

-Se quer ver as estrelas o melhor lugar é o telhado. Sobe pela escadinha ali no fundo da casa.

-E se eu cair?

-Não seja tão medrosa. Até mesmo a Tohru consegue subir. Vamos lá.

Kyo começa a caminhar e se aproxima da parede para subir por ela.

-Eih, o que está fazendo?

#Merda! É verdade, ela não sabe de nada!#

-Pensei ter visto um bicho aqui. Mas não é nada. Deixa eu subir na frente.

O garoto e o patriarca sobem a pequena escadinha indo para o telhado e ficam sentados um ao lado do outro. A noite estava extremamente agradável, e havia uma suave brisa. Akito fica olhando as estrelas com os olhos brilhando.

-Que lindas! Espero que ele também esteja vendo esse céu agora.

-Quem?

-O Hatori. Ele disse que mesmo que nós estejamos longe um do outro, ainda estamos sob o mesmo céu. Podemos ver a mesma Lua, o mesmo Sol, e as mesmas estrelas, na mesma hora.

-Não sabia que ele falava esses tipos de coisas.

-Eu tenho a impressão que você não se aproxima muito dos nossos primos. Te vi conversando muito pouco com eles.

-Eu sou a ovelha negra dos Sohmas.

-Como assim?

-Deixa pra lá. Não quero falar sobre isso agora.

Akito olha para o garoto e percebe que o seu semblante tinha ficado um pouco triste.

#É melhor mudar de assunto. Ele deve ter coisas que não quer se lembrar também.#

-Eih, Kyo, por que é que você e o Yuki moram aqui e não na sede?

#Putz! Essa nossa conversa está ficando um pouco complicada.# - Ah, tipo, foi o Mestre quem me obrigou a ficar aqui, disse que isso faz parte do meu treinamento.

-Mestre?

-É o Kazuma, o meu pai adotivo.

-Ah, já sei quem é. Quando foi que o seu pai morreu?

-Ele não morreu.

-Não?! E por que é que precisa de um pai adotivo?

-Porque o meu pai biológico me odeia.

by DonaKyon

21/12/2009

177


-Guretti, será que isso acabará bem?

-Espero que sim, Aaya. Eu não havia percebido que a falta de memória da Akito, tinha criado um mundo totalmente novo para o Haa-san e para o Kyo.

-Principalmente para o Kyo, que nunca teve a oportunidade de se aproximar da Akito, devido ao ódio que ela sempre sentiu por ele.

-Mesmo que ela não volte a se lembrar de nada, ao retornar para a sede, não será possível viver da mesma maneira em que está vivendo aqui. A Yoko-san, nunca permitiria isso.

-Por que a gente não aproveita que o Kazuma-san está como patriarca e não lhe pedimos para tirá-la da sede?

-Ahahahahaha, lembrei-me agora que esse era o nosso plano para quando a Akito se torna-se o patriarca.

-Estou falando sério, Guretti. Eu não quero que o Tori-san sofra mais uma vez.

Shigure se aproxima do Ayame e lhe abraça.

-Não precisa se preocupar com o Tori-san. Não percebe o quanto que ele está apaixonado?

-Ele a está amando muito mais do que amava a Kana.

-É por isso que tudo será diferente dessa vez. Ele sempre protege as mulheres que ele ama. Foi assim com a Kana e não será diferente com a Akito.

-Mas ele bem que poderia me deixar brincar um pouco com ela. Tenho cada vestido lindo para ela.

Shigure aproxima os seus lábios do ouvido do possuído e lhe sussurra.

-E não tem nenhum para você vestir para mim?

-É claro que tenho, cariño.

Shigure passa lentamente os seus lábios do ouvido pelo rosto do Ayame e no momento em que ele estava se aproximando de seus lábios, eles escutam a voz de protesto do Kyo.

-Eih... Aqui não é local para isso.

Os dois se afastam um pouco sem jeito ao verem que o menino estava junto com os namorados.

-Ah, Kyo... Que bom que chegou. Preciso lhe perguntar algo.

O escritor olhava para o garoto com um aspecto um pouco mais sério em seu rosto.

-O que é?

-O que preparou para a Akito no almoço?

Kyo nem se dá o trabalho de lhe responder e deixa os dois possuídos rindo como uns bobos no meio da sala, enquanto vai para o quarto.

Mais um alegre e divertido jantar acontece na casa do escritor. Akito e Hatori ainda não tinham retornado quando Ayame, Haru e os irmãos Hanajima foram embora. Aquela ausência fez com que o casal fosse a conversa principal da noite.

Quando o médico deixou a Akito na casa do escritor, a casa já estava toda apagada. A garota entra com cuidado no quarto e se troca com o máximo de cuidado para não acordar a Honda. Seu coração não parava de bater tão forte e ela resolve fazer o que o namorado havia lhe falado para ela fazer quando sentisse muito a sua falta.

by DonaKyon

19/12/2009

176


Os possuídos se levantam, vão para a sala, e vêem a Akito descendo as escadas, vestida com um vestido preto longo, um pouco justo ao corpo, mas com alguns babados na região dos seios, dando uma falsa idéia de que a garota tinha muito mais seios. Uma fenda na lateral do vestido deixava a vista o sapato com um pequeno salto. Seus curtos cabelos estavam presos com pequenas presilhas. Estava extremamente feminina, sensual e linda.

-SENHORITA AKITO, ESTÁ LINDA!

Tohru a olhava completamente admirada. Akito descia os últimos degraus se sentindo um pouco envergonhada e caminhando com um pouco de dificuldade, mas não tinha ainda percebido que isso era devido ao sapato de salto que nunca tinha usado em sua vida.

Hatori e Shigure não conseguiam falar nada, o que deixava o Ayame completamente satisfeito com o seu trabalho, pois sabia que aquela reação era a sua altura. Não havia palavras suficientes no mundo para descrever algo tão perfeito e tão belo.

O coração do médico batia muito acelerado. Aquela garota que estava agora parada a sua frente, não estava apenas linda, era a pessoa mais feliz e livre que ele tinha visto.

#Serei eternamente grato a Hanajima. Foi ela quem possibilitou a Akito esses dias de liberdade. Definitivamente não deixarei que os Sohmas tomem essa felicidade dela.#

-Vamos Akky. Agora você irá vestir aquele quimono de festa todo bordado.

-NÃO!

Hatori finalmente sai do seu transe e segura na mão da garota antes que ela dê o primeiro passo.

-Eu sei Tori-san que a Akky ficou perfeita com esse vestido preto. Mas eu tenho mais uns quinze, mais maravilhosos e mais divinos do que esse preto que é mais básico e simples, para ela experimentá-los.

-Me desculpe Honda-san, mas, a Akito e eu não iremos jantar aqui.

Hatori começa a caminhar puxando a Akito consigo, e sem se despedir dos demais, o casal sai da casa.

-Viu só isso Guretti? O Tori-san, não me deixou brincar com a Akky!

-Ahahaha, era isso mesmo que você ia fazer com ela. Deixa a Akito curtir esses momentos de felicidade com o Haa-san.

-O senhor a deixou ainda mais linda do que ela já é, Ayame-san.

-É claro que sim, minha jovem vassala. Pelas minhas mãos, até mesmo você que é uma abóbora se transformaria na mais bela cinderela.

-Aaya, deixa o Momicchi-kun escutar isso que verá um coelho muito bravo.

-Como o que ficarei bravo, Shii-chan.

-Ahahaha, falando do coelho.... Onde estão os outros Momicchi-kun?

-Estão sentados lá perto do laguinho.

-O meu amado, idolatrado e perfeito irmãozinho está com a ralé também?

-Não. O Yuki-kun não está com eles.

-O Kyo se deu muito bem com os irmãos Hanajima.

-Não é só com eles. Ele até cozinhou para a Akito-san hoje, né, né, Tohru-chan?

-O QUE?

Shigure e Ayame falam ao mesmo tempo, era impossível acreditar naquilo, e muito mesmo imaginar a cena.

-Ah, e ele até mesmo mandou a Akito-san lavar a louça do almoço.

-AHAHAHAHAHAHAHA, escutou essa Guretti, o pequeno gatito laranja está achando que pode se aproveitar da situação para mandar na nossa Akito. Ahahahah

-AHAHAHAHAHAHAHAhAH. Queria ter visto a cara da Akito... Até parece que ela ia fazer qualquer coisa que ele tenha lhe mandado fazer. Ahahahaha

-Mas ela o obedeceu sim.

Os possuídos pelo cão e pela serpente param de rir assim que o coelho termina de falar, e ambos tem a mesma sensação. A perda de memória da Akito poderia se transformar posteriormente em algo muito dolorido para o Hatori e para o Kyo.

-Tenho a impressão de que a senhorita Akito também está se dando muito bem com o Kyo.

Os dois amantes se olham e não falam mais nada. Momiji percebe que os dois estavam um pouco inquietos, como se quisessem falar algo que a garota não poderia escutar.

-Tohru-chan, esse coelhinho irá lhe ajudar com a janta. O que iremos preparar?

Os dois namorados vão para a cozinha deixando os dois adultos na sala sozinhos.

by DonaKyon

16/12/2009

175


Ao escutar aquela informação, o médico desesperadamente desamarra o laço do avental e o joga sob a cabeça da órfã e dá um enorme passo para trás se afastando o máximo que podia da pia.

-Ah, estão aqui!

Shigure para na porta e percebe que o primo estava em atitude suspeita, o escritor lhe olha com a sobrancelha um pouco arqueada e de desconfiança, tinha certeza de que o médico estava fazendo algo até a poucos instantes, porque ainda estava com a respiração ofegante. Ele olha para as duas garotas paradas na frente da pia, a Akito com o pano e a louça em suas mãos e a Tohru que estava tirando um avental de cima da sua cabeça.

-AKKY!! Venha! Venha! Deixa que essa jovem vassala faça essas tarefas pequenas. Você precisa se livrar imediatamente desses trapos que está vestindo. Infelizmente, não havia nenhum motorista disponível para ir até o meu magnífico atelier para buscar e lhe trazer as minhas exclusivas e maravilhosa coleção. Todos os motoristas estavam ocupados com os membros do nosso clã por causa da reunião. Onde já se viu? São um bando de folgados! Deveriam ter ido a pé. Eles não sabem que andar faz bem? Mas agora o seu salvador está aqui. Vou lhe vestir divinamente. Tenho um vestido mais lindo do que o outro. Tem que ver um branco quase transparente que lhe fiz para que use no verão. Ah! E aquele preto então! Ficará muito sensual em você! Sem falar do...

Todos na cozinha agora escutavam a voz do possuído pela serpente que ia ficando cada vez mais distante. Ayame nem tinha dado à Akito a oportunidade dela os cumprimentar. Ele simplesmente entrou na cozinha, tirou as coisas que ela tinha nas mãos praticamente jogando em cima da Tohru, depois segurou em sua mão e a levou para o quarto, enquanto que puxava a enorme mala com a outra mão.

-Muitíssimo boa tarde, Shigure-san.

-Boa tarde, Tohru-kun. E me conte o que é que o Haa-san estava aprontando.

-Nada! O Hatori-san só est..

-SHIGUre! O que o Kazuma-san te falou? Não achou muito estranha a atitude da Yoko-san? Vamos lá para a biblioteca.

O escritor olha para a menina sorrindo e lhe fazendo um sinal para que ela lhe conta-se depois.

-Ahahaha... Só estou te seguindo porque isso é importante.

Shigure fecha a porta da biblioteca e se senta em sua cadeira de trabalho enquanto que o médico se senta no pequeno sofá de dois lugares ao lado da janela.

-Então achou suspeita a atitude da Yoko-san?

-Claro! A velha nunca desobedeceu a uma ordem dada pela Akito.

-Mas o que ela ganharia com isso?

-Isso ainda não sabemos, mas certamente deve ter uma forte razão.

-Espero que sim. Não quero levar a Akito para a sede sem antes descobrir isso.

-Ela se lembrou de alguma coisa?

-Sim. E foi de algo relacionado à Eiko-san.

-O que ela lembrou?

-Parece que foi de uma brincadeira que elas faziam.

-De ficar rodando com os pássaros?

-Eu não sei ao certo.

-Adorava ver o rostinho de felicidade da Akito quando ela ficava brincando disso com a Eiko-san. É uma pena que com o tempo a gente vá se esquecendo dessas pequenas coisas.

Hatori não consegue evitar que uma pitada de ciúmes doa em seu coração, ao perceber que o Shigure sempre esteve muito mais ao lado da Akito do que ele, e que talvez a conhece-se muito mais do que ele.

-Do que mais elas brincavam?

-De poucas coisas. A Yoko-san sempre estava por perto cuidando para que a Akito fosse sempre tratada como um homem.

-Cadê aqueles dois? Eles tinham que estar aqui para contemplarem a minha maravilhosa e sublime criação.

by DonaKyon