19/12/2009

176


Os possuídos se levantam, vão para a sala, e vêem a Akito descendo as escadas, vestida com um vestido preto longo, um pouco justo ao corpo, mas com alguns babados na região dos seios, dando uma falsa idéia de que a garota tinha muito mais seios. Uma fenda na lateral do vestido deixava a vista o sapato com um pequeno salto. Seus curtos cabelos estavam presos com pequenas presilhas. Estava extremamente feminina, sensual e linda.

-SENHORITA AKITO, ESTÁ LINDA!

Tohru a olhava completamente admirada. Akito descia os últimos degraus se sentindo um pouco envergonhada e caminhando com um pouco de dificuldade, mas não tinha ainda percebido que isso era devido ao sapato de salto que nunca tinha usado em sua vida.

Hatori e Shigure não conseguiam falar nada, o que deixava o Ayame completamente satisfeito com o seu trabalho, pois sabia que aquela reação era a sua altura. Não havia palavras suficientes no mundo para descrever algo tão perfeito e tão belo.

O coração do médico batia muito acelerado. Aquela garota que estava agora parada a sua frente, não estava apenas linda, era a pessoa mais feliz e livre que ele tinha visto.

#Serei eternamente grato a Hanajima. Foi ela quem possibilitou a Akito esses dias de liberdade. Definitivamente não deixarei que os Sohmas tomem essa felicidade dela.#

-Vamos Akky. Agora você irá vestir aquele quimono de festa todo bordado.

-NÃO!

Hatori finalmente sai do seu transe e segura na mão da garota antes que ela dê o primeiro passo.

-Eu sei Tori-san que a Akky ficou perfeita com esse vestido preto. Mas eu tenho mais uns quinze, mais maravilhosos e mais divinos do que esse preto que é mais básico e simples, para ela experimentá-los.

-Me desculpe Honda-san, mas, a Akito e eu não iremos jantar aqui.

Hatori começa a caminhar puxando a Akito consigo, e sem se despedir dos demais, o casal sai da casa.

-Viu só isso Guretti? O Tori-san, não me deixou brincar com a Akky!

-Ahahaha, era isso mesmo que você ia fazer com ela. Deixa a Akito curtir esses momentos de felicidade com o Haa-san.

-O senhor a deixou ainda mais linda do que ela já é, Ayame-san.

-É claro que sim, minha jovem vassala. Pelas minhas mãos, até mesmo você que é uma abóbora se transformaria na mais bela cinderela.

-Aaya, deixa o Momicchi-kun escutar isso que verá um coelho muito bravo.

-Como o que ficarei bravo, Shii-chan.

-Ahahaha, falando do coelho.... Onde estão os outros Momicchi-kun?

-Estão sentados lá perto do laguinho.

-O meu amado, idolatrado e perfeito irmãozinho está com a ralé também?

-Não. O Yuki-kun não está com eles.

-O Kyo se deu muito bem com os irmãos Hanajima.

-Não é só com eles. Ele até cozinhou para a Akito-san hoje, né, né, Tohru-chan?

-O QUE?

Shigure e Ayame falam ao mesmo tempo, era impossível acreditar naquilo, e muito mesmo imaginar a cena.

-Ah, e ele até mesmo mandou a Akito-san lavar a louça do almoço.

-AHAHAHAHAHAHAHA, escutou essa Guretti, o pequeno gatito laranja está achando que pode se aproveitar da situação para mandar na nossa Akito. Ahahahah

-AHAHAHAHAHAHAHAhAH. Queria ter visto a cara da Akito... Até parece que ela ia fazer qualquer coisa que ele tenha lhe mandado fazer. Ahahahaha

-Mas ela o obedeceu sim.

Os possuídos pelo cão e pela serpente param de rir assim que o coelho termina de falar, e ambos tem a mesma sensação. A perda de memória da Akito poderia se transformar posteriormente em algo muito dolorido para o Hatori e para o Kyo.

-Tenho a impressão de que a senhorita Akito também está se dando muito bem com o Kyo.

Os dois amantes se olham e não falam mais nada. Momiji percebe que os dois estavam um pouco inquietos, como se quisessem falar algo que a garota não poderia escutar.

-Tohru-chan, esse coelhinho irá lhe ajudar com a janta. O que iremos preparar?

Os dois namorados vão para a cozinha deixando os dois adultos na sala sozinhos.

by DonaKyon

16/12/2009

175


Ao escutar aquela informação, o médico desesperadamente desamarra o laço do avental e o joga sob a cabeça da órfã e dá um enorme passo para trás se afastando o máximo que podia da pia.

-Ah, estão aqui!

Shigure para na porta e percebe que o primo estava em atitude suspeita, o escritor lhe olha com a sobrancelha um pouco arqueada e de desconfiança, tinha certeza de que o médico estava fazendo algo até a poucos instantes, porque ainda estava com a respiração ofegante. Ele olha para as duas garotas paradas na frente da pia, a Akito com o pano e a louça em suas mãos e a Tohru que estava tirando um avental de cima da sua cabeça.

-AKKY!! Venha! Venha! Deixa que essa jovem vassala faça essas tarefas pequenas. Você precisa se livrar imediatamente desses trapos que está vestindo. Infelizmente, não havia nenhum motorista disponível para ir até o meu magnífico atelier para buscar e lhe trazer as minhas exclusivas e maravilhosa coleção. Todos os motoristas estavam ocupados com os membros do nosso clã por causa da reunião. Onde já se viu? São um bando de folgados! Deveriam ter ido a pé. Eles não sabem que andar faz bem? Mas agora o seu salvador está aqui. Vou lhe vestir divinamente. Tenho um vestido mais lindo do que o outro. Tem que ver um branco quase transparente que lhe fiz para que use no verão. Ah! E aquele preto então! Ficará muito sensual em você! Sem falar do...

Todos na cozinha agora escutavam a voz do possuído pela serpente que ia ficando cada vez mais distante. Ayame nem tinha dado à Akito a oportunidade dela os cumprimentar. Ele simplesmente entrou na cozinha, tirou as coisas que ela tinha nas mãos praticamente jogando em cima da Tohru, depois segurou em sua mão e a levou para o quarto, enquanto que puxava a enorme mala com a outra mão.

-Muitíssimo boa tarde, Shigure-san.

-Boa tarde, Tohru-kun. E me conte o que é que o Haa-san estava aprontando.

-Nada! O Hatori-san só est..

-SHIGUre! O que o Kazuma-san te falou? Não achou muito estranha a atitude da Yoko-san? Vamos lá para a biblioteca.

O escritor olha para a menina sorrindo e lhe fazendo um sinal para que ela lhe conta-se depois.

-Ahahaha... Só estou te seguindo porque isso é importante.

Shigure fecha a porta da biblioteca e se senta em sua cadeira de trabalho enquanto que o médico se senta no pequeno sofá de dois lugares ao lado da janela.

-Então achou suspeita a atitude da Yoko-san?

-Claro! A velha nunca desobedeceu a uma ordem dada pela Akito.

-Mas o que ela ganharia com isso?

-Isso ainda não sabemos, mas certamente deve ter uma forte razão.

-Espero que sim. Não quero levar a Akito para a sede sem antes descobrir isso.

-Ela se lembrou de alguma coisa?

-Sim. E foi de algo relacionado à Eiko-san.

-O que ela lembrou?

-Parece que foi de uma brincadeira que elas faziam.

-De ficar rodando com os pássaros?

-Eu não sei ao certo.

-Adorava ver o rostinho de felicidade da Akito quando ela ficava brincando disso com a Eiko-san. É uma pena que com o tempo a gente vá se esquecendo dessas pequenas coisas.

Hatori não consegue evitar que uma pitada de ciúmes doa em seu coração, ao perceber que o Shigure sempre esteve muito mais ao lado da Akito do que ele, e que talvez a conhece-se muito mais do que ele.

-Do que mais elas brincavam?

-De poucas coisas. A Yoko-san sempre estava por perto cuidando para que a Akito fosse sempre tratada como um homem.

-Cadê aqueles dois? Eles tinham que estar aqui para contemplarem a minha maravilhosa e sublime criação.

by DonaKyon

174


-Então ela nunca irá se lembrar dos possuídos?

-É possível. A Saki-chan, fica triste com isso?

-Eu não sei.... Acho muito triste ela não se lembrar de nada do seu passado, mas por outro lado, ela parece estar feliz por ter se esquecido de tudo.

-Enquanto ela mesma estiver desejando se esquecer de tudo, a sua memória não irá retornar.

-Essa garota deve ter tido um passado muito doloroso. Como é que ninguém percebia o quanto que ela sofria?

Megumi encosta a cabeça no braço da irmã e lhe fala com o coração cheio de admiração por ela.

-Mas agora a Saki-chan é amiga dela, e irá lhe proteger da mesma forma que sempre protegeu a Tohru-chan e a Uo-chan.

-Sim. Se ela se esqueceu do seu passado triste por minha causa, eu irei fazer de tudo para que o seu presente seja sempre alegre. Eu sei o que é a dor de ser sempre isolada e ignorada.

Kyo, que tinha ido procurar à namorada, olhava os dois irmãos um pouco distante enquanto eles conversavam.

#É por isso que ela sempre me compreendeu. No fundo e por diferentes razões, tanto eu, como a Saki e a Akito, sempre fomos isolados e ignorados pelos demais.#

Ao perceber que tinha pensado daquela maneira a respeito do patriarca, o possuído pelo gato dá um pequeno sorriso com os lábios.

-Em quem está pensando com esse sorriso nos lábios, Kyo?

O garoto olha para o lado esquerdo de onde vinha se aproximando a voz e vê que o Haru estava agora parado ao seu lado, e que o Yuki estava junto dele.

-Não era na Saki!

Kyo lhe dá aquela resposta por duas razões, a primeira, porque era a verdade e a segunda, era porque ainda se preocupava com o ciúmes do Haru pela Saki.

-Eu sei! Não era um sorriso de apaixonado. Era um sorriso que nunca tinha visto em seu rosto antes.

O garoto apenas lhe olhava sem entender que poderia haver diferentes tipos de sorrisos e muito menos que o dele estaria dentro daquela situação, e o mais estranho ainda era do Haru saber que ele nunca tinha sorrido daquela maneira antes.

-Como pode saber que nunca tive esse sorriso antes?

-Porque te conhece há muitos anos. Eu sei de tudo sobre você e o Yuki.

-É mesmo?? Então, como era o meu sorriso?

-O seu sorriso parecia o sorriso daquele pirralho para a irmã dele.

Yuki olha espantado para o Kyo, por que nunca tinha percebido que ele via a Tohru Honda como se fosse a sua irmã, mas entendia que aquilo era possível.

-Eu sempre a vi como uma mãe e não como uma irmã. Será que os sentimentos são muito diferentes.

-O QUE? CÊ A VÊ COMO UMA MÃE?! Tudo bem que ela é mais velha, mas não é tanto assim.

-A Honda é mais velha do que a gente? Achei que era da nossa idade.

Kyo fica imediatamente vermelho, ao perceber que o Yuki não estava pensando na Akito como ele.

#E por que ele estaria pensando nela? E POR QUE É QUE EU ESTOU PENSANDO NELA?#

O possuído pelo gato enfia a mão no bolso e vira as costas para os dois primos e caminha para o lado da namorada.

-Não entendi. O que deu nele, Haru?

-Acho que ele não estava pensando na Tohru-kun.

-Não?! Então em quem ele poderia pensar como uma irmã?

A conversa entre os dois garotos é interrompida ao escutarem o barulho do carro que se aproximavam. Yuki reconhece as pessoas que estavam dentro dele, e rapidamente pega na mão do Haru e anda com passos bem largos para a porta dos fundos da casa. Haru se deixa ser levado mesmo sem ter visto quem havia chegado.
A porta levava a pequena área de serviço ao lado da cozinha, os dois entram na casa e passam pela cozinha de mãos dadas indo em direção da porta para a sala. Hatori estava acabando de lavar a louça, com a Akito ao seu lado que a secava e a Honda que estava no outra ponta da pia, cortando os vegetais que seriam usados para o jantar daquela noite.

-O que aconteceu, Yuki-kun?

-O Shigure chegou com o meu irmão. Fala que não estou.

Yuki e Haru subiam as escadas correndo e por poucos segundos o seu querido irmão não os vêem no final da escada.

by DonaKyon

12/12/2009

173


-Hanajima-kun, o Kazuma-san lhe mandou alguns documentos para a sua pesquisa.

-Muito obrigado.

-Conseguiu descobrir alguma coisa sobre o problema da Akito?

-Ainda não.

Diferentemente do dia anterior, escutar aquela resposta do garoto havia lhe deixado um pouco mais tranqüilo.

-Então é por isso que acabou aquele barulho todo. É o Hatori quem está lavando a louça.

-Boa tarde Hatori-san, Megumi-kun.

Kyo e Saki apareciam na porta da cozinha.

-Espero que tenha cozinhado direito para a Akito.

O gato fica imediatamente roxo de vergonha. Ele nem tinha imaginado no que os outros possuídos iriam pensar quando ficassem sabendo que ele tinha lhe cozinhado.

#Só espero que ela não tenha contado o que me obrigou a cozinhar, graças a minha namorada.#

-Hatori-san, creio que a Aa-chan se lembrou de algo do passado dela.

Ao escutar aquilo o médico coloca o prato que lavava na pia e olha atentamente para a garota.

-É. Ela se lembrou de um lance que a minha mãe fazia. Acho que as duas brincavam daquilo.

-Mas porque ela foi se lembrar de algo que lhe aconteceu quando era criança? Será que a memória dela voltará dos fatos mais antigos para os mais recentes?

Megumi apenas acompanhava a conversa dos três sem demonstrar a menor intenção de que falaria alguma coisa.

#Pelo visto eu estou certo. Creio que a minha teoria está certa, e isso explicaria o fato da Saki-chan ter lançado a maldição tão perfeita na sua primeira vez.#

-Hatori, como estão as coisas lá na sede?

-Deu tudo na reunião, e o Kazuma-san pediu para que não vá até o Dojo nos próximos dias.

-E por que não?

-Os motivos ele não me disse.

Kyo olha um pouco desconfiado para o médico, mas se o Mestre tinha dado aquela ordem alguma razão deveria haver por detrás dela.

-Ahahahah... Quer dizer que a omelete com nirá do Kyo é muito boa...

-A batata ao misô estava um pouco salgada
, mas estava bom também.

Akito, Momiji e Tohru retornavam para a cozinha enquanto conversavam sobre o menu do almoço, e ao chegarem percebem que o Hatori estava se segurando para não ri e que o garoto dos cabelos laranjas estava com o rosto todo vermelho.

-Mas o Kyo pode deixar que eu cuidarei do jantar. Vou preparar algo muito especial para comemorarmos as aulas de violino que o Momiji-kun irá dar a Momo-chan.

Querendo mudar o tema da conversa, Kyo olha para a Tohru como se fosse o seu tutor e lhe pergunta cheio de autoridade.

-Eih? Não vai trampar hoje não?

-Hihihihi... O Kyo não quer que ninguém mais cozinhe para a Akky... hihihihihi...

-CALA A BOCA SEU COELHO IDIOTA!!

-AHAHAHHA

Momiji sai correndo da cozinha com o gato correndo atrás dele. Akito acha estranho o fato de o Kyo ter chamado o primo de “coelho”, mas não faz nenhuma pergunta e volta a secar a louça.

Megumi observava atentamente a tudo que estava acontecendo e a reação de cada um enquanto estava sentado à mesa e comendo um dos pêssegos que estavam na fruteira sob a mesa. Hanajima olha para o irmão e percebe que ele tinha descoberto algo muito importante. Os olhares dos dois irmãos se cruzam e sem dizerem nada os dois saem da cozinha, deixando o casal de namorados terminando de lavarem a louça do almoço e a Honda já a procura do que iria cozinhar para a janta.

Os irmãos Hanajima vão para o jardim ao lado da casa para poderem conversar, sem que os outros ouvissem.

-O que descobriu Megumi-kun?

-Provavelmente a razão de a sua maldição ter dado tão certo. A Saki-chan também já descobriu?

Saki caminha até a beira do pequeno laguinho que havia no jardim e se abaixa para mexer em algumas pedrinhas, o seu irmão se abaixa ao seu lado.

-Sim.... A minha maldição só funcionou porque a Akito também desejava se esquecer de quem era.

-Exatamente isso.

-É por isso que ela não quer saber do seu passado, a sua intuição lhe diz que ela não deve se lembrar de nada.

-Creio que ela só se lembrará dos momentos que a fizeram feliz.

by DonaKyon

10/12/2009

172


#Você não pode voltar a ser aquela pessoa triste e solitária. Eu não permitirei que o clã dos Sohmas a transforme naquela Akito novamente. Lhe protegerei até o fim. De agora em diante, você não será mais a refém daquele clã maldito e nem dos possuídos, você será livre para ser a Akito que quiser se tornar, e eu estarei ao seu lado para proteger a sua liberdade.#

Hatori se afasta um pouco para lhe olhar e pergunta todo sorridente.

-Como está sendo a sua primeira vez lavando uma louça?

- É a minha primeira vez?

O possuído apenas confirma que sim com a cabeça abrindo ainda mais o seu sorriso.

-Então é por isso que estou sendo esse desastre. Já acabei com dois frascos de detergentes e ainda nem lavei a metade da louça.

-Ahahahha, dois frascos??... ahahah

-Por que está rindo? Vai-me dizer que estou usando pouco detergente?

-AHAHAHHA...

Hatori ria como há muitos anos não fazia, ele mesmo, já nem se lembrado dos motivos que o tinham feito parar de rir daquela maneira. Ele a vira e desamarra o laço do avental.

-Pode deixar que eu termino. É melhor que você as enxugue.

O médico veste o avental e começa a lavar a louça, enquanto que a garota ia secando com um pano as peças que ela já havia lavado.

#Só espero terminar de lavar isso antes que aqueles dois idiotas apareçam por aqui. Certamente eles iriam me azucrinar até os dias finais da minha vida.#

-Obrigada por me ajudar, Hatori.

-Não precisa agradecer. Afinal, essa é a minha obrigação como seu namorado.

plafttt

Akito havia deixado cair a vasilha de alumínio que estava secando ao escutar aquilo e aquela reação faz com que o médico se sinta um pouco sem jeito, afinal acreditava que não tinha mais idade para falar aquele tipo de frase tão piegas.

-Namorados?

-Você não quer? Acha melhor esperar retornar a sua memória?

-Não! Não! Quero sim!

O médico vira um pouco a cabeça para olhar a garota e vê o quanto que ela estava sorrindo e um pouco vermelha enquanto secava mais um prato.

-Cadê os outros?

- A Tohru chegou chorando e saiu com a Saki. Os outros eu não sei onde estão.

-Quem te colocou para lavar a louça?

-Foi o Kyo. Como ele cozinhou, eu tive que lavar a louça.

BLANTH

Agora era a vez de o médico derrubar a louça dentro da pia. Mas o choque de saber que o gato tinha cozinhado para o Kamisama, que o Kamisama havia comido e que depois o Kamisama estava obedecendo a uma ordem dada pelo possuído, tinha sido enorme.

-Como foi a reunião?

-Está tudo acertado. Não precisa se preocupar com o clã nos próximos dias, e amanhã cedo lhe levarei ao Hospital para realizarmos alguns exames.

-Precisamos mesmo?

A voz da garota havia saído um pouco mais baixa e manhosa. Tudo estava indo tão bem desde que ela tinha acordado daquele desmaio, e agora sentia medo de voltar a ter a vida de antes. A sua intuição lhe dizia que ela não iria mais ficar feliz se voltasse a se lembrar de tudo.

O médico entende que ela não estava querendo retornar tão rapidamente para a sede, e começa a suspeitar que ela tivesse se lembrado de algo.

-Se lembrou de alguma coisa?

-Ainda não.

-Tudo bem. Então amanhã iremos a outro lugar. Aonde quer ir?

-Ahahahha, como é que eu vou saber? Esqueceu-se que eu não me lembro de nada do que tem nessa cidade?

-Porque não a leva num parque de diversão? Certamente a Aa-chan gostará de andar na roda gigante.

Aquela voz infantil que vinha por de trás de suas costas, faz com que os dois fiquem arrepiados ao mesmo tempo.

-Olá Megumi-kun.

-Boa tarde Aa-chan, Hatori-san.

-Boa tarde, Hanajima-kun.

-Aa-chan, sabe onde a minha irmã está? A Tohru-chan me falou que ela entrou.

-Não a vi Megumi-kun, e cadê a Tohru?

-Está lá na frente com o Momiji-kun.

-Hatori, eu já volto para terminar de secar.

Akito coloca o pano sob a pia e sai para falar com a colegial, deixando os dois na cozinha.

by DonaKyon

08/12/2009

171


O coração da Tohru ao ver o namorado naquele estava fica muito dolorido. Ela então percebe que ele tinha passado o dia todo naquele estado, e assim como ela, ele também estava com medo, mas o seu medo era de perdê-la.

As duas garotas se aproximam da casa e Hanajima vê que o namorado estava na janela do quarto e que lhe fazia sinal para ela ir até lá. A colegial entra na casa sem falar nada, e deixando a Tohru sentada ao lado do garoto que nem tinha percebido que a namorada estava ao seu lado.

Honda delicadamente encosta os seus lábios em sua bochecha lhe beijando docemente. Ao sentir aquele suave toque, o coração do possuído volta a bater tranquilamente, ele não precisava lhe perguntar mais nada, pois já sabia que ela havia entendido o seu medo e que iria permanecer ao seu lado até o último momento.
O coelho se levanta e começa a agitar os braços enquanto falava com a namorada.

-Né... né... Tohru-chan... Não irá acreditar no que acabou de acontecer?

-O que foi, Momiji-kun?

-A Akit....

O som de um veículo se aproximando faz com que o garoto pare de falar, e rapidamente eles olham. Sabiam que naquela tarde aconteceria a reunião do clã dos Sohmas para comunicar o afastamento de Akito. Hatori sai do carro cheio de pressa, tudo o que ele queria era ver como a Akito estava.

-Boa tarde Momiji-kun, Honda-san.

-Muitíssimo boa tarde Hatori-san.

-Olá Harry. Como foi a reunião?

-Deu tudo certo.

O médico lhes cumprimentavam enquanto caminhava e lhes respondiam ao mesmo tempo em que passava ao lado deles, era visível que ele não queria parar para conversar, mas um pouco antes de entrar na casa, o dragão para e se vira para olhar o Momiji.

-Ah, Momiji-kun. Você será o professor de violino da sua irmã.

-É SÉRIO, HARRY?

Hatori apenas lhe sorri vendo o brilho de felicidade em seus olhos e depois entra na casa do escritor deixando do lado de fora os gritos de felicidade do meigo casal. Ele tira os sapatos enquanto procurava pela Akito na sala, mas não a encontra.

#Será que ela está no quarto?#

O médico estava caminhando diretamente para as escadas, sem se importar com o grande barulho que vinha da cozinha, mas o som da panela caindo no chão foi tão alto que ele acabou virando a cabeça para ver quem era aquela pessoa tão desajeitada.

-A-KI-TO???

A garota que estava pegando a panela do chão, com as mãos e várias partes dos seus cabelos cheios de espumas, olha e vê que o médico estava parado na porta da cozinha lhe olhando todo chocado.

-Boa tarde Hatori.

-Mas...? Mas...?

O médico olha para os lados, para ver se encontrava alguma explicação para aquela visão. Nunca em toda a sua vida tinha pensado que veria algo parecido com aquilo, o patriarca dos Sohmas cheia de espuma de detergente lavando a louça do almoço.

Akito se levantava com a panela em suas mãos e abre um lindo sorriso para o médico. Era o mesmo sorriso que ela tinha quando era criança, quando não sabia que seria o patriarca do clã e nem o que representaria em sua vida ela ter nascido como o kamisama dos possuídos.

Hatori não consegue mais se segurar e rapidamente a abraça. Akito podia sentir o quando que o coração do médico estava batendo forte naquele momento. Ela fecha os olhos e sente o calor daquele abraço preenchendo a sua alma. Era um sentimento tão forte que ela queria que nunca mais acabasse. Parecia que não haveria nenhum outro lugar do mundo capaz de lhe dar a aquela mesma felicidade e segurança que ela estava sentindo naqueles braços. Novamente o som da panela caindo no chão ecoa pela cozinha, e Akito, agora o prendia em seus braços também. Não precisavam falar nada e nem se beijar, somente aquele abraço já era o suficiente para eles declararem o amor que um sentia pelo outro.

O toque das mãos de Akito em suas costas, a suave pressão que ela fazia ao encostar a cabeça em seu peito, o coração dela batendo no mesmo ritmo que o dele, tudo aquilo, fez o médico desejar que ela nunca mais voltasse a ser o patriarca de antes.

by DonaKyon

04/12/2009

170


Kazuma havia chegado todo ofegante na casa, e esperava em pé no meio da sala, por sua ilustre moradora.

-A que devo a honra de sua visita, Kazuma-san

-Como está Ren-san?

O homem se inclina de maneira bem respeitosa a sua frente.

-Veio me avisar que finalmente aconteceu ao Akito o mesmo que a mim? O trancaram em algum lugar alegando que ele ficou louco?

-Vim avisar a esposa do nosso antigo patriarca que nesse atual momento sou eu a pessoa quem ocupa as funções de seu falecido esposo.

-Você? E Akito? O que aconteceu com ele?

-Devido a um problema de saúde Akito-sama teve que se afastar por alguns dias da sede.

Ren se senta no tatame e Kazuma se senta a sua frente.

-Agradeço a consideração que o Kazuma-san teve ao vir me avisar disso. A minha prisão domiciliar continuará sendo essa mesma, ou irá me transferir para outro lugar? Não me diga que irá me mandar para o retiro? Não foi lá que os Sohmas deixaram o seu avô preso por vários anos?

Ren odiava todos os Sohmas e não perdia a oportunidade de ferir a qualquer um deles. Kazuma já imaginava que aquela conversa não seria fácil, mas estava disposto a conversar com aquela mulher, afinal, ela tinha sido a esposa do patriarca anterior.

-Se eu pudesse derrubaria aquele lugar.

-O Kazuma-kun sempre foi um Sohma que me intrigou muito. Sempre teve um posicionamento diferente dos demais do clã, principalmente com relação aos possuídos. Foi até mesmo capaz de adotar aquele garoto quando ele ficou órfão de mãe.

-Creio que com relação aos possuídos pensamos a mesma coisa.

-Que são pobres coitados? Que Akito os faz de brinquedos com essa história estúpida de enlace? Se pensar assim, então de fato pensamos a mesma coisa.

-Por que a Ren-san sempre pensou isso?

-Porque essa é a única verdade.

-Gostaria de entender as razões dos pais odiarem os seus próprios filhos.

-Sim, nesse ponto eu sou igual ao sobrinho daquela velha nojenta. Ambos odiamos os nossos filhos.

-Você deveria dizer que odeia a sua FILHA.

Ao escutar aquilo, Ren fecha com forças as suas mãos.

-Então já descobriu esse segredo?

-Descobri ontem. Mas não poderei contar os detalhes.

-Hunf!! Certamente foi aquela velha asquerosa da Yoko. Ela sempre jogou na minha cara o fato de eu não ter gerado um filho homem para o meu amado Akira. Que se o meu amor fosse realmente tão grande por ele, que eu teria lhe parido um filho macho.

-Pelo visto, a Ren-san odeia ainda mais a Yoko-san do que o Akito-sama.

-É, pode ser que tenha razão.

-Curioso, isso até parece ser aquelas relações de amor e ódio entre nora e sogra.

-AAHAHAHAHHAHAHAHAHAH

Ren ria sem parar e Kazuma a olhava espantado.

-O Kazuma-san de fato é um Sohma bem diferente dos outros, o senhor consegue pensar.... ahahahahhahaha Aquela pobre infeliz da Eiko-chan deve estar tranqüila vendo que o filho é criado por alguém como o senhor... ahahahah

- É claro!!! A Ren-san conheceu a mãe do Kyo!

-AHAHAHAHHA.... Não estou falando!! O Kazuma-san é o único de todo o clã que deve ter uns 3 ou 4 neurônios. Ahahahahha... Esse clã maldito que é formado de burros e cegos....... ahahahah.... Não é a toa que ficou como o novo patriarca.... ahahahah

Kazuma percebe que aquela era a oportunidade que ele estava esperando para lhe perguntar o que queria de fato saber.

-Por um acaso a Ren-san sabe de outros segredos dos Sohmas e é por isso que nos chama de burros e cegos?

Ren para de rir e olha atentamente para o Kazuma.

#Será que ele conseguiria realizar o meu desejo? Não perderei nada se tentar, e ganharei a minha vingança se ele descobrir.#

-Quem dentro desse clã não guarda uns dois ou três segredos? Acredito que deveria aproveitar que está com um tempo livre, agora que é patriarca, e estudar melhor a árvore genealógica da sua família. Se olhar com atenção verá que tem certas coisas que não batem.

O homem a olhava atentamente e sabia que apesar de não ter entendido o que ela havia falado, certamente aquela era alguma dica para ele encontrar a resposta de sua pergunta.

A Mulher se levanta e lhe sorri de forma muito sarcástica.

-Depois venha me contar o que encontrou, Kazuma-SAMA.

A mulher se inclina em sinal de respeito e o professor vai embora.

#Eu prometi a Tsukiko-sama que nunca contaria esse segredo para ninguém, mas nunca lhe prometi que iria protegê-lo.#

Kazuma voltava para a mansão com passos bem apressados, queria analisar todos os documentos antigos sobre a árvore genealógica dos Sohmas.

by DonaKyon