17/05/2009

83


- Isso não é justo! Não é justo viver sozinha para sempre! Não é justo! Neste mundo repleto de desconhecidos... Não é justo que não haja alguém que possa entendê-la. Alguém que possa amá-la. Por isso, venha até ela.... Se esta pessoa existir, que venha até ela.... Se mora num país distante, então venha de avião. Rápido! Por favor, apareça na vida da Saki. Apareça depressa.... por favor....

Megumi estava sentado na janela do seu quarto que ficava no segundo andar da ampla e “normal” casa onde a família Hanajima morava. Esperava ansiosamente a chegada da irmã. Novamente o garoto olhava para o relógio que estava em cima da mesa de estudo e escuta o barulho do portão se abrindo, olha rapidamente pela janela, e vê a irmã entrando com um garoto de cabelo laranja.

-Então ele veio mesmo?!

No dia anterior os dois irmãos tinham conversado por telepatia sobre tudo o que tinha acontecido nas termas. O fato da Saki não conseguir ler os pensamentos do Kyo era algo que deixava o garoto muito intrigado. Aquela era a primeira pessoa que tinha conseguido bloquear os poderes da irmã. Querendo descobrir o que esta acontecendo, ele tinha sugerido a irmã para convidar o seu falso namorado para ir tomar um chá em sua casa. O garoto calmamente caminha pelo quarto indo até a divisão que separava os dois quartos, ele se senta para escutar a conversa da irmã com o seu colega.

-Vou trazer um chá.

Hanajima deixa a mala sob a cama e o possuído fica sozinho no quarto. Ele se senta no tatame e pressente que tem alguém o observando. Kyo se levanta e vai até a divisão a abrindo e encontra o garoto sentado no chão.

-Venha prá cá pirralho. Não deixe a sua irmã sozinha com um homem no quarto.

Kyo lhe dá as costas e volta a se sentar no mesmo local que estava antes. Megumi apenas fica o observando, sem sombra de dúvidas aquele garoto tinha algo de muito diferente, e não era apenas aquele cabelo laranja.

-Eih... a Hanajima me disse que não era para eu falar o meu nome para você, porque você pode amaldiçoar as pessoas só com o nome. Eu me chamo Kyo Sohma e duvido que possa me amaldiçoar mais do que já sou.

-Sou Megumi Hanajima, e tenha certeza de que podemos sempre ser mais amaldiçoados do que já somos. Assim como podemos deixar de ser amaldiçoado de uma hora para outra.

#-Hunf! Esse pivete deve se achar só porque tem esse poder estranho. O que uma criança como ele sabe sobre ser amaldiçoado.#

Megumi se levanta e vai se sentar no tatame ficando próximo do visitante. A irmã já tinha falado que ele possuía uma maldição, mas também lhe disse que não poderia falar mais detalhes, por ser grande um segredo. Aquilo só tinha aumentado ainda mais sua curiosidade, imaginando que aquela maldição poderia ser a chave para entender o motivo dela não ler os pensamentos dele, apesar da Saki ter lhe garantido que não era.

-Descobriu?!

O garoto olha para o possuído sem entender ao certo sobre o que ele estava se referindo.

-Descobriu porque a garota psíquica não consegue ler os meus pensamentos?

-A Saki-chan te contou.

-Não... Eu escutei os pensamentos dela. Por mais que ela tentasse não conseguia evitar, mas eu não falei que estava escutando. A Hanajima fica muito aflita quando isso acontece.

-Você se preocupa com a Saki-chan?

Kyo apenas abaixa a cabeça se lembrando do desespero que a garota sentiu quando descobriu que não conseguia controlar os seus pensamentos e que não entendia a razão daquilo quando os dois estavam na piscina lá nas termas.

-Não quero que ela se sinta mal por não controlar esse lance das ondas dela. Sei muito bem como é penoso viver com uma maldição da qual não temos o menor controle.

#-Não é justo que não haja alguém que possa entendê-la..... #

Megumi olha um pouco espantado para o Kyo e o seu coração bate com um pouco mais de esperanças. Ainda não tinha certeza de nada, mas ver que aquele garoto poderia entender o que a sua irmã vivia o deixava um pouco mais aliviado. Por mais que ele desejasse, por mais que os seus pais e a sua avó tentassem, por mais que a Tohru e a Arisa quisessem, era impossível para eles saberem com certeza como era ser um amaldiçoado. E todos sabiam que aqueles dons era uma maldição para a Hanajima.

-Qual é a sua maldição?

O possuído ainda estava de cabeça baixa, e por alguns instantes ele ficou pensando se lhe respondia ou não. Nesse tempo Saki retorna para o quarto com os chás e os dangos que o irmão tanto gostava.

-Ah, vocês já se conheceram.

by DonaKyon

16/05/2009

82


-Mas eu mesma não sei o que sou. Não sei se sou o patriarca, se sou o kamisama, se sou um homem ou se sou uma mulher, já nem mais sei se ainda sou um ser humano. Eu gostaria de saber quem sou eu..... Gostaria que alguém me disse-se quem realmente eu sou....

Hatori imediatamente se lembrava novamente daquela frase dita pelo Akito no dia anterior, e consegue entender um pouco mais o desespero que ela sentia. Seu coração bate um pouco mais aflito e ao mesmo tempo o médico sente um pouco de raiva de si próprio por não ter percebido algo que era tão claro.

-Como nunca percebi isso antes?

-Acho que agora irá entender um pouco mais a Akito. Pode parecer que são as mesmas pessoas, mas não são. Os sofrimentos e as decisões de cada uma delas são muito diferentes umas das outras.

Hatori tira mais um cigarro do bolso e acende. Tudo aquilo tinha o deixado um pouco confuso. O escritor toma o maço de cigarros de sua mão, acendendo um, e começa a se lembrar do dia em que ele descobriu qual era a dor que Akito carregava sozinha.

-No dia em que ela descobriu que não era um menino como nós, ela chorou tanto que tive muita pena dela. Foi naquele dia que eu me apaixonei por ela.

-Shigure, você se apaixonou por qual delas?

-Eu me apaixonei pela Akito Sohma. Pela triste Akito Sohma.

O médico se levanta para apagar o cigarro no cinzeiro que estava na mesa. Ainda era difícil aceitar o kamisama, o patriarca e Akito não eram as mesmas pessoas, quer dizer, eram e ao mesmo tempo não eram. Shigure ainda se mantinha sentado no sofá de três lugares.

-Sei que é difícil de entender. Eu mesmo demorei algumas semanas para entender isso. O Ayaa também já entendeu isso, mas tenho certeza que para os outros possuídos isso não é algo tão claro como ficou para você agora. Para nós desde que nascemos vemos Akito Sohma como o HOMEM que é o nosso Kamisama, já para todos os outros do clã vêem Akito Sohma como o HOMEM que é o patriarca dos Sohmas.

O escritor se levanta e fica ao lado do médico. Desejava que o primo entendesse exatamente qual era a real situação de Akito, uma vez que não poderia lhe contar que na verdade a garota era apaixonada por ele.

-Akito governa as novas vidas seguindo cada um desses papeis. Mesmo nós, os possuídos, que sabemos que ela também é o patriarca do clã, só a vemos como sendo apenas o nosso Kamisama, apesar de chamá-lo de patriarca também. Acho que você foi o único dos possuídos que foi a procurar como sendo o patriarca do clã dos Sohmas.

-Quando fui lhe pedir permissão para me casar com a Kana.

-Exatamente! Naquele dia não foi para o kamisama que você pediu para se casar, mas sim para o patriarca dos Sohmas.

-Mas ela me respondeu como sendo o Kamisama dos possuídos. Por isso não me deu permissão para me casar com a Kana.

#Ele se esquece que ela é uma MULHER. Ele ainda não a viu como a triste mulher que ela é. Se um dia ele passasse a ver como realmente é, nesse dia tenho certeza que ele se apaixonaria por ela também.#

-O Ayaa me contou que esteve na loja dele com a Akito.

-COMO ELE FICOU SABENDO?

-Se esqueceu da assistente fofoqueira dele? Ela tratou de ligar para ele, assim que você e a TSUBAKI saíram de lá.

-Até o nome ela contou?! Ela percebeu que Akito era o patriarca do clã?

-Não! Mas quem diria que aquela lá ia perceber que Akito era mulher?

-Foi por causa dos seios, mesmo sendo pequenos deu para notá-los.

-Ahh, como eu queria ter visto a Akito vestida com um vestido. Esse sempre foi um dos meus fetiches. E ela ficou bonita?

-Sim. Ficou linda. Não lembrava em nada o nosso patriarca.

-E por que fez isso? Por que a fez se vestir como uma mulher? Vai me dizer que esse era o seu fetiche também?

-Não seja idiota, Shigure! Apenas quis tirar Akito-san de dentro da sede e que se esquecesse de tudo por algumas horas. Nos últimos tempos a depressão dela piorou muito. Percebi que se não fizesse nada ela poderia até mesmo morrer.

- Então, fez isso como se fosse um tratamento médico?

Hatori não sabia que resposta dar ao escritor. Era obvio que estava preocupado com a saúde de Akito, mas não sabia se realmente tinha feito tudo àquilo apenas como se fosse parte de um tratamento. O médico caminha em direção da cozinha para pegar algo para eles beberem.

Shigure tinha percebido que aquela era uma oportunidade de fazer algo por Akito, e era por esse motivo que ele continuava com a conversa.

-E onde vocês foram depois?

-No aquário da cidade. Ela nunca tinha ido lá.

-Akito nunca fez muitas coisas para a sua própria diversão.

O possuído voltava para a sala com dois copos e uma garrafa de saque.

-Akito-san deve ser o mais amaldiçoado de todos nós.

-Sempre achei isso também. A sua vida é a mais dura de todos. Creio que ninguém no clã ou entre os possuídos sabem quais são as dores que ela carrega.

-Você sabe!

-Quem sabe agora você não comece a saber também? Mas viu?! O que deu de presente para ela no sábado?

-Você não se esquece de nada, não é mesmo?

-Claro que não! Afinal eu sou um escritor.... ahahahahah

O médico lhe serve mais uma dose de saque e os dois passam a tarde conversando ainda mais sobre Akito e o final de semana nas Termas, até mesmo sobre o beijo do Kyo em Haru e de seu namoro com a Hanajima.

by DonaKyon

13/05/2009

81


-Me ajude. Me salve!!! Eu não quero me casar com o Tamaki-san. Eu não posso me casar com ele, amando você tanto como eu amo. Por favor, me salve! Fale com Akito-sama também.... Me salve, Dr. Hatori.

-Mas eu mesma não sei o que sou. Não sei se sou o patriarca, se sou o kamisama, se sou um homem ou se sou uma mulher, já nem mais sei se ainda sou um ser humano. Eu gostaria de saber quem sou eu..... Gostaria que alguém me disse-se quem realmente eu sou....


As imagens das duas mulheres não saiam da cabeça do médico. Havia passado uma boa parte do período da tarde com a Akito, porém não tinham conversado muito, mas mesmo assim, ele sentia uma vontade de ficar ao seu lado. O possuído caminhava pela trilha de pedra que levava até a sua casa, e percebe que havia uma pessoa muito conhecida parada diante da sua porta.

#O que ele está fazendo aqui?#

O médico suspira e caminha de cabeça baixa, imaginando que aquela atitude poderia deixá-lo invisível e ele entraria em casa sem ser notado pelo seu visitante. Entretanto, tal estratégia não dá certo, e assim que o seu visitante percebe que o médico estava chegando ele tira as mãos de dentro do quimono e abre os braços para o receber com um enorme abraço.

-Haa-san... quanto tempo que não nos vemos... estava com saud.....

-O que quer, Shigure?

-Nossa?? É assim que você responde a minha demonstração de afeto?

O médico nem se dá ao trabalho de lhe olhar e abre a porta de casa a deixando aberta para que o possuído pelo espírito do cão entre. O escritor percebe que o médico não estava de bom humor para as suas brincadeiras, não que normalmente ele estivesse, mas naquela tarde estava com um ar ainda mais sério em seu rosto. O médico assim que entra acende um cigarro e se senta no sofá afrouxando a gravata. Estava morrendo de vontade de fumar, devido a fraca saúde do patriarca ele evitava fumar na sua frente. Com três longos tragos praticamente fuma o cigarro todo. Shigure se senta ao seu lado e não fala nada, ficando apenas a observá-lo.

-Como foi o final de semana nas Termas? A saúde do Yuki já está melhor?

-Sim, não teve mais crises. Ele foi até para o colégio hoje.

-Ótimo. As crises deles estão ficando mais fracas com o passar dos anos. Gostaria que a saúde de Akito-san também melhorasse com o tempo.

-Será que algum dia a saúde do nosso kamisama irá melhorar?

-Não sei.

-O que aconteceu, Haa-san?

O Trio amigos do peito se conheciam tão bem que era impossível tentar mentirem um para os outros. Sabendo que se não falasse o que estava acontecendo só deixaria o escritor ainda mais curioso, o que faria com que a sua visita durasse ainda tempo, Hatori resolve conversar com o possuído.

-Acabei de me encontrar com a Kana lá na sede. Ela foi pedir ao patriarca para cancelar o casamento dela. Disse que não pode se casar com o noivo porque ela me ama.

Shigure olha para o médico um pouco apreensivo para saber mais detalhes da tal conversa, mas a sua maior aflição era justamente por causa da Akito.

-Mesmo depois de eu ter lhe apagado suas memórias, ela ainda continuou me amando.

-O que irá fazer, Haa-san?

-Nada! Não posso fazer mais nada pela Kana. Ela irá se casar.

-Então o patriarca não aceitou cancelar o casamento?

-Claro que não! Isso deixaria o clã dos Sohmas mal visto pelos outros clãs, principalmente pelo clã do noivo dela.

-Mas e o seu amor por ela? Você ainda a ama, e mesmo assim aceita essa decisão do patriarca?

Hatori que até então conversava olhando para frente olha para o primo que estava sentado do seu lado esquerdo, e Shigure fica lhe olhando sem entender muito bem a expressão que ele tinha em seu rosto.

-Por que a chamou assim agora?

-Que?

-Quando a gente falava da saúde de Akito-san, você a chamou de kamisama, e agora a chamou de patriarca, por que disso? Todos não são a mesma pessoa?

Shigure dá um leve sorriso com os lábios e lhe responde.

-Acha mesmo que são as mesmas pessoas?


by DonaKyon

10/05/2009

80


Elisa volta a ficar de pé e caminha até uma linda sala cheia de brinquedos, sendo seguida pela garota e a criança. Ela se senta no sofá e aponta para o local ao lado para que a Tohru se sentasse, ficando a Momo a brincar com as várias bonecas que estavam espalhadas pelo chão.

-Eu não entendo muito família do meu marido. Às vezes, tenho a sensação de que os Sohmas vivem em dois mundos totalmente separados. Eu não conheço quase a nenhum dos Sohmas que moram na parte que é conhecida como “dentro”. A nós que vivemos do lado de “fora” só nos é permitida a entrada uma vez por ano, justamente para comemorar o primeiro almoço do ano. A senhorita mora com alguns Sohmas, segundo o meu marido me contou.

-Sim. Gentilmente o senhor Shigure me deixou morar na casa com eles depois que a minha mãe faleceu.

-Então é por isso que se esforça tanto sendo tão jovem. Meus sentimentos pela sua mãe.

-Obrigada.

Tohru já não sentia aquela dor que parecia que iria lhe matar quando se lembrava da mãe. Aos poucos estava se acostumando com a idéia de viver sozinha no mundo.

-Ahh, Shigure Sohma, não é aquele jovem escritor?

-É ele sim. Moro com ele e mais dois primos dele, o Yuki-kun e o Kyo-kun que são meus colegas de classe.

-Humm, esses eu já não os conheço.

Tohru arregala um pouco os olhos, nunca tinha imaginado que a separação entre os Sohmas fosse tão grande assim.

-São todas excelentes pessoas.

A mulher aproveita aquela oportunidade para tentar entender um pouco mais sobre a família de seu marido.

-Não duvido. Os Sohmas é uma das famílias mais tradicionais do Japão. Quando me casei e vim para cá, estranhei muito as regras do clã. Acho que não conheço nem um terço dos Sohmas. O Momiji-kun o conheci alguns anos trás no prédio que o meu marido administra, e onde a senhorita trabalhava.

A senhora Sohma abaixa a cabeça e continua falando.

-O Momiji ficava todas as noites lá, brincando pelo saguão. Até que um dia tentei conversar com ele, mas não consegui, assim que cheguei perto dele, ele começou a chorar. Depois de uma semana o vi por lá, e aí sim, conseguiu conversar um pouco com ele. Mas o Momiji-kun me pareceu ser uma criança muito triste. Perguntei ao meu marido e ele me contou que os pais deles vivem fora do Japão.

Tohru se segurava para não ficar emocionada na frente da mulher, era muito difícil a ver falando daquela maneira do seu próprio filho.

#Ela não parece ser do tipo que preferiria esquecer o próprio filho, ela fala com tanto carinho do Momiji-kun. Mas por que será que ela preferiu ter a sua memória apagada pelo Hatori-san?#

-Quem cuida do Momiji-kun é o senhor Hatori.

-Hatori-san?

-Ele é o médico do clã dos Sohmas e é um Sohma também. Mora do lado de dentro da sede.

-Ahahha, a Honda-chan sabe muito mais sobre a família Sohma do que eu.... ahahahah

Tohru lhe dá um pequeno sorriso. Era evidente que ela sabia muito mais dos segredos do clã do que a mulher que estava sentada ao seu lado. Momo apesar de estar brincando, prestava atenção na conversa das duas e percebe que aquela era mais uma oportunidade para pedir um irmão.

- Eu queria muito ter um irmãozão como o Momi-kun. Mamãe porque que a gente não fala para o Momiji-kun morar aqui com a gente?

-Ahahahah.... A Momo-chan insiste na idéia de ter um irmão mais velho do que ela. A mamãe já falou que só poderia te dar um irmãozinho...

-Irmãozinho eu não quero! Quero um irmão como o Momiji-kun!

-Acho que os pais do Momiji-kun não iriam permitir isso. Você gostaria que a mamãe deixasse você morar com outra família?

-Só se a mamãe for junto.

A menina corre para abraçar a mãe com muita força. Honda fica olhando aquela cena tão meiga com os olhos cheios de lágrimas.

#Eu preciso fazer algo por essa família. Deve ter uma maneira de unir o Momiji com os seus pais e a sua irmã. Eu não posso mais ter o carinho da minha mãe, mas o Momiji-kun ainda pode. Vou fazer tudo o que posso para que ele também receba esse afeto materno que a Elisa-san tem.#

-Tohru-chan...

A Momo passa de leve a mão no rosto da garota, sem perceber ela havia deixado que algumas lágrimas caíssem.

-Nhaaa.... É que o carinho de vocês duas é tão lindo que fiquei emocionada.

-É que a Momo-chan é a minha vida. Acho que morreria se ela não existisse. Sinto que ela curou uma grande dor que sentia na alma, mas nunca descobri o que era. Às vezes sinto como se tivesse me esquecido de algo que foi muito importante em minha vida.

Tohru a olhava um pouco espantada.

#Seria o Momiji-kun? Será que algum dia a hipnose do senhor Hatori deixaria de existir? Será que o senhor Shigure saberia me responder isso? Assim que voltar para casa lhe perguntarei isso.#

by DonaKyon

06/05/2009

79


Tohru chegava até a parte de fora das residências dos Sohmas destinadas aqueles que não conheciam o segredo da maldição dos treze possuídos. Seu novo local de trabalho era a casa dos pais do Momiji, ela iria ficar como uma espécie de babá da Momo no período da tarde, após a sua saída do colégio até o começo da noite. Estava muito feliz, não só porque passaria a trabalhar menos e a ganhar mais, mas principalmente pelo fato de ficar perto da Momo.

#Nhaaa... Ainda me lembro do lindo sorriso que o Momiji deu quando lhe contei que ia cuidar da Momo.#

-TOHRU-CHAN... AQUI! AQUI!!

Momiji gritava de cima do muro que separava os dois mundos dos Sohmas. Ao ver o garoto, a colegial corre e fica lhe falando olhando para cima.

-O senhor irá comigo até a casa da Momo-chan?

-Eu não posso Tohru-chan. Não temos a permissão do patriarca para irmos para o lado de lá.

O possuído falava sem ter nenhum tom de tristeza ou magoa em sua voz. Tohru já sabia que o patriarca era alguém muito influente nas vidas dos possuídos, mas não imaginava que ele também era o kamisama dos mesmos.

-Que pena, Momiji-kun. Então por que está aí?

-Eu queria ver a Tohru-chan.

-Ahahah, mas acabamos de nos encontrar na escola.

-Sim, mas nunca é demais ver a Tohru-chan.

O garoto havia dito aquela frase de uma maneira diferente. Não parecia aquela criança de sempre, mas sim um rapaz apaixonado. O coração da garota se aquece um pouco, e ela fica um pouco envergonhada.

#Isso só pode ser coisa da minha cabeça. O Momiji-kun é apenas um garotinho.#

-Né, Né Tohru-chan, o que acha de amanhã brincar comigo e uns colegas de classe de polícia e ladrão?

-Ahahahhaha... Muito obrigada pelo convite, Momiji-kun, mas já combinei com a Uo-chan e a Saki-chan de almoçarmos juntas.

-Então fica para outro dia. Ah! Mande um beijinho meu para a Momo-chan, tá?

-Sim.

Tohru lhe acena e o garoto fica de pé no muro lhe acenando com os dois braços levantados.

#Viu, o Momiji-kun é apenas um garotinho. Não fique criando coisas em sua cabecinha Tohru Honda.#

A colegial caminhava pela calçada da estreita rua toda arborizada até a rica mansão da família do Momiji, e quando lá chega, vê que a Momo a esperava sentada na frente da porta principal da casa.

-Tohru-chan, aqui!

#Ahahah, igualzinho o Momiji-kun. Sem dúvida alguma seriam ótimos irmãos.#

-Muitíssimo boa tarde senhorita Momo.

A menina se levanta e corre para abraçar a Tohru, que estava a poucos passos da entrada.

-Tohru-chan, cadê o Momiji-kun? Ele não vinha também?

-Ele não pode vir Momo-chan, mas te mandou um beijinho.

-Nhooo, mas eu queria brincar com ele também...

Tohru segura em sua mão e as duas entram na casa. A casa era ricamente decorada no estilo ocidental e com vários objetos que tinham vindo diretamente da Alemanha.

-Bom tarde Honda-chan.

-Muitíssimo boa tarde senhora Sohma, mas uma vez agradeço pelo novo trabalho.

A garota havia dito enquanto se inclinava na frente da mulher para lhe cumprimentar.

-Somos nós quem lhe agradecemos. E pode me chamar de Elisa.

-Sim, Elisa-san. #Até o nome da mãe do Momiji é bonito.#

Momo solta da mão da Tohru e caminha até a mãe fazendo a típica carinha que as crianças fazem quanto querem fazer um pouco de manha e a mulher se abaixa para ficar na mesma altura que a filha.

-Mamãe, mamãe, o Momi-kun não pode vir brincar com a gente.

-É mesmo, filhinha?! Que pena, né? A mamãe também queria que o Momiji-kun viesse.

Ao escutar aquilo o coração da Tohru bate mais alegremente. E ela tem que se segurar para não ficar emocionada. Afinal a mãe do Momiji havia pensado nele e esperado pela sua ida até a casa.

-Err, o Momiji-kun não tem autorização para sair de casa, por isso não pode vir.


by DonaKyon

03/05/2009

78


Assim que chega diante da porta do quarto do Patriarca o médico a abre de uma vez se esquecendo de bater antes. Akito estava sentada na varanda do quarto. O frio vento do inverno balança os seus curtos cabelos negros, e ela estava tão distante com os seus pensamentos que nem ao menos escuta o barulho da porta se abrindo. Aquela imagem lhe pareceu tão triste e solitária que fez com que o seu coração batesse um pouco mais forte.

-Akito-san...

Ao escutar o seu nome, Akito lhe olha assustada, mas imediatamente os seus olhos se enchem de lágrimas.

-Hatori...

O médico vê que os olhos delas estavam com lágrimas e ele já imagina como ela poderia estar se sentindo naquele momento. Ele caminha até ela e se senta ao seu lado.

-Eu me encontrei com a Kana. Já sei que ela foi lhe pedir para cancelar o casamento.

Akito, agora, lhe olhava ainda mais espantada, como ele poderia estar ali sentado ao seu lado mesmo depois de ter conversado com a Kana?

-Eu acho que o patriarca fez o que deveria ter sido feito.

-Mas essa era uma segunda oportunidade para vocês dois! Não me odeia mesmo depois disso? Como pode ficar aqui ao meu lado, mesmo sabendo que ela ainda te ama?

-Não podemos voltar atrás com a palavra dada.

Akito abaixa a cabeça se sentindo um pouco envergonhada. O seu principal motivo para não ter cancelado o casamento, não era por causa da palavra dada pelo patriarca dos Sohmas, mas porque estava agindo como uma mulher apaixonada, que não queria perder para a rival o homem que amava.

-Obrigado.

O patriarca nada lhe pergunta, mas lhe olha como se perguntasse o motivo daquele agradecimento.

-Obrigado por não ter feito nada contra ela.

Hatori olha para o rosto de Akito e percebe que o seu lábio inferior estava machucado. Ele delicadamente segura em seu queixo para ver o ferimento e se aproxima com o rosto bem próximo ao da garota.

O coração de Akito não poderia bater mais rápido do que já estava. O médico olhava o tamanho do ferimento atentamente e o patriarca não conseguia tirar os olhos do rosto do médico. Sua vontade era de beijar aqueles lábios, mas a sua razão falava mais alto.

-Ficou um machucado feio aqui. Como se feriu assim?

O médico levanta o olhar e encontra os olhos negros de Akito. Naquele instante um pode se enxergar dentro do olhar do outro. Akito é a primeira a desviar o olhar, mas não consegue evitar de dar um pequeno sorriso de felicidade, e que não foi visto pelo médico por que ela virou a cabeça na direção oposta.

#Eu posso te fazer feliz também. Um dia ainda terei coragem para te falar o que sinto. Obrigada por não me odiar mesmo destruindo a sua felicidade pela segunda vez.#

by DonaKyon

77


O coração de Hatori fica um pouco mais aliviado quando escuta que Akito não tinha a ferido fisicamente, mas sabia perfeitamente que as palavras do patriarca poderiam muitas vezes machucar muito mais do que uma violência física.

-O que o patriarca te falou então?

-Akito-sama disse... disse que não pode voltar atrás com a sua palavra dada ao clã dos Hitachins....

-Ele apenas disse isso?

-Sim. Mesmo sabendo que eu te amo, disse que tenho que me casar, porque tudo já está acertado entre os dois clãs.

Hatori a solta e volta a se sentar na sua frente, não podia acreditar que Akito só tinha lhe falado aquilo. Aquela não era a atitude do patriarca que todos já estavam acostumados. O esperado era que o patriarca tentasse matar a Kana, não só pelo fato dela querer voltar atrás com a palavra dada, o que era uma grande vergonha para o clã dos Sohmas, mas principalmente pelo fato dela falar que o amava.

#Naquele dia, Akito-san a olhava com tanto ódio quando ela soube que a Kana me amava. Gritava que os possuídos não podiam ser amados por ninguém. Que eles apenas deveriam amar o kamisama e ser amado por ele. Mas agora ela não fez nada contra a Kana. O que aconteceu?#

-Mas eu mesma não sei o que sou. Não sei se sou o patriarca, se sou o kamisama, se sou um homem ou se sou uma mulher, já nem mais sei se ainda sou um ser humano. Eu gostaria de saber quem sou eu..... Gostaria que alguém me disse-se quem realmente eu sou....

Ao se lembrar daquela frase dita de uma forma tão desesperada por Akito, o médico volta a sentir uma forte vontade de ir ver como o patriarca estava. Tinha certeza que ela não estaria bem.

-Por favor, Dr. Hatori. Fale com Akito-sama. Não posso me casar amando tanto como te amo.

Aquelas palavras ferem um pouco o médico. Ele também a amava, mas sabia que para os dois uma segunda oportunidade não poderia ser dada.

#Tem coisas que não podemos recuperar por mais que queremos. Por mais que desejamos, há coisas que nunca mais voltarão a ser como era antes. É o mesmo com o nosso amor. Não podemos mais recuperá-lo como se nada tivesse acontecido.#

-Me desculpe, Kana-san. Mas não posso aceitar os seus sentimentos por mim.

-O que?? Mas por quê??

Hatori a segura no braço direito e se levanta a trazendo junto para que fique de pé.

-Akito-san tem razão. Não podemos voltar atrás com a palavra dada.

-Mas...

-Tenho certeza que será feliz ao lado do seu noivo. Ele gosta muito da senhorita e com o tempo, a senhorita passará a amá-lo muito mais do que me ama agora.

A garota coloca as mãos na frente dos olhos e volta a chorar um pouco mais. Sabia que a culpa era dela mesma. Odiava-se naquele momento por não ter tido coragem antes para se declarar para ele. Ela conhecia um pouco o médico e sabia que para ele a questão da honra vinha sempre em primeiro lugar, mas no fundo do seu coração ela queria acreditar que por ela, ele poderia abrir mão daqueles valores que prezava tanto.

Hatori ainda a amava, mas sabia que era impossível para os dois ficarem juntos. Tudo o que ele poderia fazer era desejar de todo o coração que ela fosse feliz com o seu marido.

-Eu preciso ir examinar o senhor patriarca. A senhorita ficará bem?

-Sim. Não precisa se preocupar comigo. E muito obrigada Dr Hatori.

Os dois se inclinam para se despedirem. E o médico caminha normalmente até a porta da biblioteca, mas depois, quando já estava no corredor, ele começa a correr até o quarto de Akito, sem se importa se alguma das empregadas iria vê-lo.

#Como será que Akito-san está?#

by DonaKyon