03/05/2009

77


O coração de Hatori fica um pouco mais aliviado quando escuta que Akito não tinha a ferido fisicamente, mas sabia perfeitamente que as palavras do patriarca poderiam muitas vezes machucar muito mais do que uma violência física.

-O que o patriarca te falou então?

-Akito-sama disse... disse que não pode voltar atrás com a sua palavra dada ao clã dos Hitachins....

-Ele apenas disse isso?

-Sim. Mesmo sabendo que eu te amo, disse que tenho que me casar, porque tudo já está acertado entre os dois clãs.

Hatori a solta e volta a se sentar na sua frente, não podia acreditar que Akito só tinha lhe falado aquilo. Aquela não era a atitude do patriarca que todos já estavam acostumados. O esperado era que o patriarca tentasse matar a Kana, não só pelo fato dela querer voltar atrás com a palavra dada, o que era uma grande vergonha para o clã dos Sohmas, mas principalmente pelo fato dela falar que o amava.

#Naquele dia, Akito-san a olhava com tanto ódio quando ela soube que a Kana me amava. Gritava que os possuídos não podiam ser amados por ninguém. Que eles apenas deveriam amar o kamisama e ser amado por ele. Mas agora ela não fez nada contra a Kana. O que aconteceu?#

-Mas eu mesma não sei o que sou. Não sei se sou o patriarca, se sou o kamisama, se sou um homem ou se sou uma mulher, já nem mais sei se ainda sou um ser humano. Eu gostaria de saber quem sou eu..... Gostaria que alguém me disse-se quem realmente eu sou....

Ao se lembrar daquela frase dita de uma forma tão desesperada por Akito, o médico volta a sentir uma forte vontade de ir ver como o patriarca estava. Tinha certeza que ela não estaria bem.

-Por favor, Dr. Hatori. Fale com Akito-sama. Não posso me casar amando tanto como te amo.

Aquelas palavras ferem um pouco o médico. Ele também a amava, mas sabia que para os dois uma segunda oportunidade não poderia ser dada.

#Tem coisas que não podemos recuperar por mais que queremos. Por mais que desejamos, há coisas que nunca mais voltarão a ser como era antes. É o mesmo com o nosso amor. Não podemos mais recuperá-lo como se nada tivesse acontecido.#

-Me desculpe, Kana-san. Mas não posso aceitar os seus sentimentos por mim.

-O que?? Mas por quê??

Hatori a segura no braço direito e se levanta a trazendo junto para que fique de pé.

-Akito-san tem razão. Não podemos voltar atrás com a palavra dada.

-Mas...

-Tenho certeza que será feliz ao lado do seu noivo. Ele gosta muito da senhorita e com o tempo, a senhorita passará a amá-lo muito mais do que me ama agora.

A garota coloca as mãos na frente dos olhos e volta a chorar um pouco mais. Sabia que a culpa era dela mesma. Odiava-se naquele momento por não ter tido coragem antes para se declarar para ele. Ela conhecia um pouco o médico e sabia que para ele a questão da honra vinha sempre em primeiro lugar, mas no fundo do seu coração ela queria acreditar que por ela, ele poderia abrir mão daqueles valores que prezava tanto.

Hatori ainda a amava, mas sabia que era impossível para os dois ficarem juntos. Tudo o que ele poderia fazer era desejar de todo o coração que ela fosse feliz com o seu marido.

-Eu preciso ir examinar o senhor patriarca. A senhorita ficará bem?

-Sim. Não precisa se preocupar comigo. E muito obrigada Dr Hatori.

Os dois se inclinam para se despedirem. E o médico caminha normalmente até a porta da biblioteca, mas depois, quando já estava no corredor, ele começa a correr até o quarto de Akito, sem se importa se alguma das empregadas iria vê-lo.

#Como será que Akito-san está?#

by DonaKyon

01/05/2009

76


Hatori caminhava pelo largo e escuro corredor da mansão de Akito. Estava indo para o quarto do patriarca como fazia todas as manhãs. Mas diferentemente do que acontecia nos últimos anos, agora já não caminhava com o mesmo sentimento. Até a pouco tempo, o médico sempre chegava muito apreensivo por nunca saber com qual humor o patriarca iria o receber. Não era como se agora ele o soubesse, mas já não era mais uma tarefa tão pesada como era até a pouco tempo.

O médico caminhava com passos um pouco mais rápidos, mas tentava se segurar o máximo para caminhar como sempre caminhava, não queria que as empregadas da casa começassem a comentar que viram o rapaz correndo pelo corredor. Mas o possuído queria chegar rapidamente até o quarto de Akito para ver como ela estava naquela manhã. Tinha certeza que o passeio do dia anterior tinha mexido com ela. Em sua memória sempre vinha o desespero de Akito.

-Como acha que eu estou me sentindo vestida desse jeito? Acha que eu me reconheço nessas roupas? Eu não sei quem eu sou. Essa não sou eu. Mas eu mesma não sei o que sou. Não sei se sou o patriarca, se sou o kamisama, se sou um homem ou se sou uma mulher, já nem mais sei se ainda sou um ser humano. Eu gostaria de saber quem sou eu..... Gostaria que alguém me disse-se quem realmente eu sou.... Eu realmente gostaria que aparecesse alguém que acabasse com a maldição. Com a maldição de vocês possuídos e com a minha maldição de kamisama. Quem sabe assim eu saberia quem eu sou.....

O médico aperta mais um pouco os seus passos, e ao passar diante da porta da biblioteca escuta um choro um pouco abafado.

#Será que é Akito-san?#

Hatori abre a porta de uma vez, imaginando que poderia ser o patriarca a pessoa que estava chorando, por alguns segundos ele não reconhece a pessoa que estava sentada no chão chorando de uma maneira tão desesperada, mas quando ele vê que era a Kana quem chorava o seu coração acelera e ele corre até a garota.

-Kana?! O que aconteceu?


A garota o olha imediatamente, queria parar de chorar naquele instante, mas lhe era impossível. Ao ver o médico ajoelhado na sua frente o seu coração fica ainda mais dolorido, e ela começa a chorar ainda mais. A dor que sentia naquele momento era algo que parecia que nunca mais iria sair de seu peito.

#Será que Akito-san fez alguma coisa com ela? Isso só pode ter sido coisa do patriarca. Mas por que? Porque depois de tantos anos Akito-san quis se vingar da Kana?#

O médico passa sua mão suavemente nos cabelos loiros da garota. Ter a garota de maneira tão frágil próximo dele faz com que seu coração bata acelerado e as suas pernas tremem um pouco.

#Queria ser capaz de ficar ao seu lado só para que ela nunca mais chorasse em sua vida.#

O toque da mão de Hatori em seus cabelos faz com que Kana levante a cabeça e olha diretamente nos olhos do médico que estava a poucos centímetros dela.

-Dr Hatori, eu te amo. Eu sempre... sempre te amei....

Aquela confissão saia no meio de muita dor e sofrimento. Hatori ao escutar aquilo se assusta e acaba caindo sentado. Ele lhe olha imaginando que a garota tinha recuperado a memória.

-Me desculpe! Deveria ter lhe contado antes que te amava..... mas nunca tive coragem.... desde o primeiro dia em que lhe vi.... desde aquele dia eu me apaixonei por você.

A garota se inclina e tremendo muito, segura o jaleco do médico.

-Me ajude. Me salve!!! Eu não quero me casar com o Tamaki-san. Eu não posso me casar com ele, amando você tanto como eu amo. Por favor, me salve! Fale com Akito-sama também.... Me salve, Dr. Hatori.

Ao escutar o nome do patriarca, o médico segura a garota pelos braços, tentando encontrar algum machucado. Certamente as duas tinham conversado e Akito certamente a teria ferido.

-Onde o patriarca te feriu?

-Akito-sama.... Akito-sama.....

-Vamos Kana, me diga onde está ferida?

-Akito-sama não me feriu....


by DonaKyon

28/04/2009

75


#Eu conheço essas vozes.#

O rato abre a porta e vê os dois primos se beijando dentro do banheiro completamente nus. Seu coração quase que para por alguns instantes, suas mãos ficam geladas e seus olhos arregalados. Não sabia o que fazia, se corria, ou se entrava e tirava o Kyo de cima do Haru, ou se matava o Kyo com uma vassourada em sua cabeça. Ficou parado na porta sem saber o que fazer e muito menos se ser notado pelos dois possuídos.

Kyo beijava e mordia os lábios do Haru com tanta força e violência como aqueles fossem os seus momentos finais de vida. Haru retribuía aqueles beijos gemendo embaixo dele.

-Você precisa disso Haru. Precisa de um homem de verdade, e não de um mariquinha como o Yuki. Ele não sabe o que fazer.

Kyo falava enquanto passava a sua mão com força pelo corpo do possuído e depois segurando o seu membro e apertando com um pouco de força o que faz com o Haru solte um forte gemido.

-SIMMM.... Você é muito melhor do que ele. É por isso que eu gosto de você!

Haru passa a mão pelo tórax bem definido do Kyo e continua falando.

-Isso sim é corpo de homem.

Yuki ainda não acreditava no que estava vendo e ouvindo. Chegava a sentir ânsia ao ver os dois juntos.

-Ahahahahha.... olha aí o senhor perfeição! AHAHAHHAHAHA.... VEIO APRENDER COMO SE FAZ ISSO DE VERDADE?

-Entra Yuki. O Kyo sabe como se faz. Veja como ele está segurando o meu....

-EU NÃO QUERO VER ISSO!!

Yuki vai para cima do Kyo tentando o tirar de cima do Haru, mas o gato gargalhava ainda mais e aumentava a velocidade dos movimentos que estava fazendo no membro do Haru, o que fazia com que o boi gritasse ainda mais de prazer.

-ISSO KYOOOO.... EU TE AMOOOOO


-NÃOOOOO!!!!

-Quer dizer que o Sohma-kun não concorda com a libertação dos escravos negros em 1888 no Brasil??

Yuki estava vermelho de vergonha. Toda a classe estava rindo ao ver que o príncipe tinha dormido no meio da aula e que acordava no meio de algum sonho.

O possuído pelo espírito do rato olha rapidamente em direção da carteira do gato e o vê em seu lugar. Kyo não estava rindo, mas tinha um olhar de satisfação ao ver que o rato era motivo de piada da classe.

-Me desculpe Mayuko-sensei...

-Vai lavar o rosto para ver se acorda.

O garoto se levanta e começa a caminhar de cabeça baixa até a porta da sala de aula.

#Que vergonha. Isso nunca tinha acontecido antes. O pior não foi ter dormido em plena sala de aula, mas sim o pesadelo que eu tive.#

Yuki passa a mão nos cabelos e se dá conta de que estava molhado de suor.

#Por que será que tive aquele sonho? Droga, deve ter sido por culpa do Haru. Não... a culpa é minha. A culpa é desse sentimento de insegurança, e de inferioridade que eu sinto. No fundo eu sei que o Kyo deve ser melhor do que eu.#

Yuki começa a sentir um pouco de ânsia de vômito.

#Acho que é melhor eu ir até a enfermaria#

O possuído começa a caminhar um pouco mais rápido até a enfermaria e quando chega lá vê que o Haru estava deitado em uma das camas.

-Haru?! O que aconteceu?

O possuído abre os olhos e vê o primo todo preocupado se aproximando da cama.

-Hummm... não aconteceu nada não.

-Então porque está deitado aí?

-Estava ainda com sono e vim tirar um cochilo aqui.

Yuki não sabia se ria ou se batia no primo, mas acaba se sentando na cama. A ânsia que estava sentido tinha se passado por completo e ele já nem se lembrava que tinha ido até lá por aquele motivo.

-Como consegue ser assim tão despreocupado?

-Humm.... isso é um mistério....

-Ahahahah, você não existe Haru.

Yuki agora tinha o coração mais aliviado. Ria sentado na cama ao lado do primo. Aquele sim era o Hatsuharu que tinha passado àquela tarde inesquecível com ele. Haru também lhe sorri ao ver que o garoto estava rindo de alegria.

by DonaKyon

26/04/2009

74


-Ô Professora delinqüente, preciso ir ao banheiro.

Kyo nem espera a professora responder e se levanta. Sua carteira era a última ao lado da janela, ele começa a caminhar com as mãos nos bolsos pela ampla sala.

#Como ele pode ser tão insolente assim?#

Yuki o olhava com um pouco mais de raiva naquela manhã.

#Ainda não consigo acreditar que eu consigo o odiar muito mais agora. Jurava que era impossível, que o meu ódio já era o máximo que podia sentir, mas não. Eu estava enganado. Eu definitivamente o odeio muito, mais muito mais hoje. Se eu pudesse, fazia-o desaparecer das nossas vistas. Deixava-o num lugar onde o Haru nunca mais pudesse olhar para ele, nunca mais pudesse o desejar.#

O rato fica o seguindo com um olhar desafiador até que o gato chegue à porta da sala. E como se fosse algo próprio do instinto felino, Kyo percebe que era observado pelo primo, e antes de continuar a caminhar lhe olha e dá um sorriso do tipo “estou indo atrás dele”.

#EU NÃO ACREDITO! O DESGRAÇADO ESTÁ INDO ATRÁS DO HARU!!#

O coração do possuído começa a bater muito forte e suas pernas começam a tremer.

#O que eu faço?? O que eu faço??? Ele está indo atrás do Haru!! Aquele desgraçado não pode sumir de uma vez??? Por que?? Por que ele tem que fazer isso? Eu te odeio Kyo!! Juro que te odeio!!!#

Yuki olha para Hanajima, que se sentava a poucas carteiras na sua frente e a vê sentada na carteira conversando toda feliz com a Tohru que estava sentada no chão e a Uotani que estava sentada na janela.

#Faça alguma coisa Hanajima! Não percebe que ele está indo atrás do Haru??? Será que ela não se importa com isso??? Se ela não se importa eu me importo!!#

O garoto empurra com muita violência a sua carteira para frente e se levanta.

#Eu não vou permitir isso. Não vou deixar que ele chegue perto do Haru.#

O coração do garoto batia ainda mais acelerado, suas mãos estavam muito mais frias e sua boca estava seca. Ele para no corredor e olha para os dois lados não encontrando o menor sinal do gato. Yuki começa a correr pelo corredor escuro até a escada e desce para o primeiro andar, onde ficavam as salas do primeiro ano. Estava tão desesperado para chegar até a sala do Haru que ele desce as escadas voando, quase nem sentia os degraus embaixo dos seus pés. Quando chega ao primeiro andar, começa a correr pelo corredor, que estava iluminado por uma fraca luz azul, procurando pela sala do primo. Ele vai olhando pelas janelas enquanto corre, mas não encontra o Haru em nenhuma das salas.

#Eu não me lembro em qual sala o Haru está. E não estou vendo o Momiji em nenhuma das salas também.#

Yuki volta a correr na direção de que vinha antes para olhar novamente pelas salas, até que ele vê que um grupo de alunos estava todo animado em volta de alguma coisa.

-Poxa que mágica legal essa.

-Sim... Faz novamente..

-Nhaaaa, ele fica ainda mais fofinho assim. Quero te levar para casa Momiji-kun.

O rato se aproxima do grupo de alunos e vê que o Momiji dançava para todos no meio do chão na forma de coelho. Quando o possuído lhe vê começa a dançar e pular ainda mais.

-Veja Yuki! Veja! Veja como eles gostam da gente! Todos são como a Tohru! O Akito estava errado.

-MOMIJI?! O QUE ESTÁ FAZENDO??

-Ele também faz essa mágica. Abraçam ele, abraçam...

As meninas vão para cima do Yuki enquanto suspiravam, e o garoto sai correndo apavorado pelo corredor que agora estava todo iluminado de amarelo.

#O que deu nesse coelho cretino?? Depois ele me paga. Como pode ter feito isso? Como pode ter revelado o nosso segredo? Akito-san irá nos mandar de volta para a sede. E onde está o Haru? Por que ele não o impediu de fazer isso???#

Yuki corria agora por uma parte da escola que ele não conhecia, mas quando estava passando perto da porta do banheiro masculino ele escuta algumas vozes e para para tentar escutar.


by DonaKyon

24/04/2009

73


-NÃO ME TOQUE.

Akito lhe dá um grande tapa em sua mão lançando assim o lenço para longe e deixando a mão da garota bem vermelha.

-NÃO ME TOQUE SUA CRETINA! COMO OUSAR ME PEDIR PARA VOLTAR ATRÁS COM A MINHA PALAVRA DADA AOS HITACHINS?? VOCÊ IRÁ SE CASAR SIM COM O TAMAKI-KUN. IRÁ CASAR E IRÁ MORAR BEM LONGE DAQUI DA SEDE!!

-Akito-sama, por favor, eu lhe imploro. Eu lhe imploro. Eu não posso ser feliz ao lado do Tamaki-san. Eu só posso ser feliz ao lado do Dr Hatori.

-E VOCÊ ACHA QUE FARIA O HATORI FELIZ??? ACHA QUE UMA MULHER COMO VOCÊ O FARIA FELIZ???

O coração de Akito estava sangrando muito mais do que a sua boca tinha sangrado, porque ela sabia a resposta daquela pergunta. Ela sabia que a única possibilidade do Hatori ser feliz era ao lado da Kana, mas novamente ela não era capaz de abrir mão de seu próprio egoísmo. Ela sabia que não poderia viver sabendo que o Hatori era feliz ao lado de uma outra mulher. Ela preferia morrer ao ver aquilo, mas ela não poderia morrer, ela era o patriarca dos Sohmas, o kamisama dos possuídos. A ela era proibido morrer por amor.

Kana agora chorava sem parar na sua frente. E lhe olhava como se implorasse por sua própria vida.

-Por favor Akito-sama! Por favor!! Eu lhe imploro. Eu não posso me casar com o Tamaki-san... não posso...

Aquela imagem só fazia com que o ódio de Akito aumentasse ainda mais. Odiava aquela mulher porque ela ainda amava o Hatori, mesmo depois de tudo o que tinha acontecido, mesmo após dois anos, ela ainda o amava. E a odiava ainda mais por estar ali sentada no chão a poucos passos dela, chorando desesperada, implorando pela sua ajuda e lhe ofertando a oportunidade de se redimir de seus pecados do passado. Ela não poderia devolver a visão que tinha roubado do médico mais poderia lhe dar a sua felicidade.

-Eu sei que posso fazer o Dr Hatori feliz. Ontem quando o vi abraçado com aquela garota lá no aquário, percebi que o amo e que somente eu o posso fazer feliz.

-O QUE??? DO QUE ESTÁ FALANDO?

Kana olha bem nos olhos de Akito e fecha as duas mãos que estavam pousadas em suas coxas.

-Eu o encontrei ontem no aquário. O Doutor estava acompanhado por uma jovem. Quando eu os vi abraçados, percebi que não poderia me casar. Por isso estou aqui, lhe implorando para que me ajude.

#Essa desgraçada é tão egoísta como eu! Ela não está fazendo isso apenas motivada pelo amor que sente por ele, mas sim porque o viu comigo. #

Akito se levanta e vai até a janela para ver o seu próprio reflexo.

#Ela me viu como uma mulher, como a rival dela. Ela está aí me implorando porque acha que aquela mulher que estava com o Hatori pode fazê-lo feliz.#

O coração de Akito bate mais aliviado agora e ela dá um pequeno sorriso.

#Obrigada Kana por me fazer ver. Obrigada por me mostrar que eu também posso fazê-lo feliz. Eu sou tão egoísta quanto você e é por isso que não vou te dar essa oportunidade.#

O patriarca volta a caminhar e sentasse novamente em sua cadeira.

-Como patriarca do clã dos Sohmas eu não posso permitir isso. Não posso quebrar com esse compromisso. Um patriarca não pode voltar à palavra dada a outro patriarca.

-MAS...

-Kana-san, quem veio pedir a permissão para se casar foi você mesma. Agora assumirá essa responsabilidade. O casamento será daqui alguns dias como ficou decidido.

Akito se levanta se sentindo um pouco diferente do que estava antes. Ela passa ao lado da Kana que estava ainda sentada com a cabeça baixa e chorando muito.

#Quem vai fazer o Hatori feliz será eu!#

O patriarca deixa a mulher chorando sozinha na biblioteca e volta para o quarto.

by DonaKyon

22/04/2009

72


-O que você quer? Já não tem a permissão para se casar?!

Akito falava enquanto caminhava para a cadeira que era reservada para se sentar num local de destaque da sala. Kana ainda sentada se inclina colocando a testa no chão enquanto falava mantendo aquela mesma posição.

-Mil desculpas Akito-sama. Sei que é uma pessoa muito ocupada e com alguns problemas de saúde, mas precisava muito conversar com o patriarca dos Sohmas. Poderia me receber por alguns minutos?

-Já não estou aqui?! Pergunto novamente, o que você quer?

Era difícil não ficar com medo diante daquela pessoa. Todos do clã já conheciam o humor do patriarca e suas atitudes que muitas vezes eram autoritárias.

-Eu... eu... eu não quero... não quero me casar mais com o Tamaki Hitachin! Por favor, senhor Patriarca, interceda por mim junto ao clã dos Hitachins.

Kana que ainda mantinha a testa grudada no chão não viu a cara de pavor que tomou conta do rosto de Akito.

-O QUE VOCÊ DISSE?? NÃO QUER MAIS SE CASAR COM O HITACHIN-SAN???

-Eu imploro senhor patriarca Akito-sama.

-Impossível. O casamento já foi confirmado pelos patriarcas dos dois clãs e eu não irei voltar atrás com a palavra dada pelos Sohmas.

-MAS... Mas...

-MAS NADA! QUER QUE O CLÃ DOS SOHMAS FIQUE MAL VISTO PELOS OUTROS CLÃS? COMO PODEMOS VOLTAR ATRÁS DE NOSSA PALAVRA DADA?? A SENHORITA IRÁ SE CASAR COM O HITACHIN-SAN SIM!

-...mas eu não o amo suficiente para isso, eu amo o doutor Hatori.....

Akito sente um imensa vontade de se levantar e de bater naquela mulher que nem tinha coragem de levantar a cabeça para falar que amava o Hatori.

-O QUE???? O QUE ESTÁ DIZENDO COM A CABEÇA METIDA NO CHÃO??? OLHE PARA MIM, KANA SOHMA. OLHE-ME E REPITA O QUE ACABOU DE FALAR!!

Kana levanta o tronco, mas permanece sentada sob os joelhos e Akito pode ver os olhos dela cheios de lágrimas.

O coração da Kana batia dolorido e com medo. Ainda não acreditava que tinha tido a coragem de estar ali na frente do patriarca implorando pela sua ajuda para não se casar mais com o seu noivo, mas ela sabia que não seria feliz se casasse com ele, não era ele quem ela amava. O seu único amor era o Hatori Sohma, o seu ex-chefe, aquele para quem ela nunca tinha tido a coragem suficiente de se declarar.

-Eu amo o Dr Hatori Sohma. Sempre o amei, mas nunca tive coragem de lhe contar.

#Ela não se lembrou de nada!#

Akito a olhava com o coração batendo muito acelerado. Nunca tinha imaginado que aquilo poderia acontecer. Estava diante da sua rival, da mulher que amava o mesmo homem que ela, e que também era a mulher que ele amava. Suas mãos estavam tremendo e Akito as fecha com grande força. Diante dela não estava apenas a Kana, era na realidade um passado que estava ali sentado na sua frente. Era como se lhe estivesse sendo dada uma segunda oportunidade. Novamente ela estava com a felicidade de Hatori em suas mãos.

-Você já contou para ele os seus sentimentos?

-Ainda não. Mas assim que sair daqui, irei correndo para o consultório dele. Por favor Akito-sama, me ajude. Ajude-me a terminar esse compromisso com o clã dos Hitachins.

Algumas lágrimas escorriam pelos olhos de Kana agora. Akito a olhava com grande pavor, e mordia o seu lábio inferior.

#Maldita mulher! Por que está fazendo isso comigo? Por que está esfregando na minha cara essa oportunidade de eu pagar pelo meu pecado? Se ela não se casar com o Hitachin, ela irá atrás do homem que eu amo. Ela irá falar que o ama, e o Hatori ainda a ama. Eles iriam ficar juntos. Ela pode fazer o Hatori feliz. Como poderei impedir o casamento deles dessa vez? Eu não poderia!#

-SENHOR PATRIARCA, SUA BOCA ESTÁ SANGRANDO.

Akito nem percebia que estava se ferindo e só acorda de seus pensamentos quando vê que a Kana estava na sua frente com um lenço para limpar o sangue que saia de sua boca.

by DonaKyon

19/04/2009

71


Akito voltava para o quarto. Tinha se levantado há uma hora mais ou menos e havia permanecido esse tempo todo no ofurô. Seus pensamentos não podiam ser outros que não os acontecimentos do dia anterior. A garota fica parada segurando a toalha e olhando para cima da cama. O terno do Hatori estava ali. Era uma sensação um pouco triste, a roupa da pessoa amada vazia em cima daquela cama, como se fosse apenas alguns pedaços de tecido, mas o seu coração sabia que não era isso. Aquela era um pedaço do médico, o seu cheiro estava ali.

O patriarca caminha até a cama, se senta e começa a passar delicadamente a mão na roupa como se estivesse acariciando o seu próprio dono, quando escuta o barulho da porta se abrindo e imediatamente as joga no chão bem distante dela.

-Ainda bem que o senhor patriarca já está acordado. Tem visita.

-YOKO SUA IDIOTA!! QUANTAS VEZES JÁ FALEI PARA BATER NA PORTA ANTES DE ENTRAR???

O coração de Akito batia acelerado, por medo da governanta ter visto aquela cena ridícula dela alisando um pedaço de tecido, e ao mesmo tempo batia desapontado por ver que não era o médico que estava entrando para mais um exame de rotina.

-Me desculpe. Acabei me esquecendo de suas ordens.

-EU AINDA VOU TE MANDAR EMBORA DA SEDE!! QUEM É A TAL VISITA?? É ALGUM DOS POSSUÍDOS??? EU NÃO QUERO OS VER AGORA!!!

-Não. É a senhorita Kana Sohma.

Aquele nome faz com que Akito se sinta completamente perdida. Justamente a Kana era a última pessoa que ela queria ver naquele dia. Desde o acontecido, nunca mais as duas tinham estado juntas. Nem mesmo quando a Kana foi pedir uma audiência para falar sobre os preparativos do casamento.

#Mas o que ela quer? Eu já mandei a Yoko acertar todos os detalhes do casamento com ela.#

-Fala que não estou me sentindo bem.

-Ela insiste em conversar com o senhor patriarca. Disse que é muito importante.

#Será que ela se lembrou de algo?? Não! Isso é impossível!#

Akito joga a toalha que estava em seu colo no chão e se levanta.

Sabia de suas obrigações como o patriarca dos Sohmas, sendo que essa era ainda mais pesada do que como kamisama dos possuídos, uma vez que não podia todas as vezes que desejava mandar todos os Sohmas para o inferno como era a sua vontade. Ser patriarca era uma posição quase que política, e ela sabia que muitos outros Sohmas, muitos dos quais mais velhos do que ela, queriam muito aquele posto. Um posto que era dela, apenas pelo fato de fingir que era um homem, seguindo a vontade de seu pai e avôs. Se a infeliz da Ren tinha tido alguma boa idéia, sem duvida tinha sido aquela, porque graças a isso, o clã tinha permanecido para o filho de Akiro Sohma, o filho mais velho do antigo patriarca.

-Fale para ela me esperar na biblioteca.

-Sim, senhor patriarca.

Yoko sai do quarto e Akito corre até a mesa para atirar o vaso contra a parede. Uma atitude que sempre fazia quando era obrigada a fazer algo contra a sua vontade.

#Odeio ser o patriarca dos Sohmas! Odeio ser o Kamisama dos possuídos! Odeio ser quem eu sou!#

Esse último pensamento a garota tem quando olha o seu reflexo refletido na janela do quarto. Ela odiava ser aquela pessoa desde que era adolescente, desde que descobriu que não era um menino de verdade. Só ela sabia qual era aquela dor. Os sentimentos de amar como uma mulher e ter que agir como um homem. Os sentimentos de amar um dos possuídos, quando não deveria ter amor por nenhum deles em especial.

O patriarca veste o seu tradicional quimono e vai até a biblioteca. Durante o caminho até o local, seu coração era o coração de uma mulher que iria encontrar com a antiga namorada do seu grande amor. Akito abre a porta de uma vez e com um pouco de violência e encontra Kana sentada de maneira toda formal no meio da ampla sala. Aquela era a imagem que Akito odiava, por ser exatamente a imagem que nunca veriam dela, uma mulher toda delicada, toda meiga e toda feminina, sentada esperando por uma pessoa superior a ela.


by DonaKyon