21/12/2009

177


-Guretti, será que isso acabará bem?

-Espero que sim, Aaya. Eu não havia percebido que a falta de memória da Akito, tinha criado um mundo totalmente novo para o Haa-san e para o Kyo.

-Principalmente para o Kyo, que nunca teve a oportunidade de se aproximar da Akito, devido ao ódio que ela sempre sentiu por ele.

-Mesmo que ela não volte a se lembrar de nada, ao retornar para a sede, não será possível viver da mesma maneira em que está vivendo aqui. A Yoko-san, nunca permitiria isso.

-Por que a gente não aproveita que o Kazuma-san está como patriarca e não lhe pedimos para tirá-la da sede?

-Ahahahahaha, lembrei-me agora que esse era o nosso plano para quando a Akito se torna-se o patriarca.

-Estou falando sério, Guretti. Eu não quero que o Tori-san sofra mais uma vez.

Shigure se aproxima do Ayame e lhe abraça.

-Não precisa se preocupar com o Tori-san. Não percebe o quanto que ele está apaixonado?

-Ele a está amando muito mais do que amava a Kana.

-É por isso que tudo será diferente dessa vez. Ele sempre protege as mulheres que ele ama. Foi assim com a Kana e não será diferente com a Akito.

-Mas ele bem que poderia me deixar brincar um pouco com ela. Tenho cada vestido lindo para ela.

Shigure aproxima os seus lábios do ouvido do possuído e lhe sussurra.

-E não tem nenhum para você vestir para mim?

-É claro que tenho, cariño.

Shigure passa lentamente os seus lábios do ouvido pelo rosto do Ayame e no momento em que ele estava se aproximando de seus lábios, eles escutam a voz de protesto do Kyo.

-Eih... Aqui não é local para isso.

Os dois se afastam um pouco sem jeito ao verem que o menino estava junto com os namorados.

-Ah, Kyo... Que bom que chegou. Preciso lhe perguntar algo.

O escritor olhava para o garoto com um aspecto um pouco mais sério em seu rosto.

-O que é?

-O que preparou para a Akito no almoço?

Kyo nem se dá o trabalho de lhe responder e deixa os dois possuídos rindo como uns bobos no meio da sala, enquanto vai para o quarto.

Mais um alegre e divertido jantar acontece na casa do escritor. Akito e Hatori ainda não tinham retornado quando Ayame, Haru e os irmãos Hanajima foram embora. Aquela ausência fez com que o casal fosse a conversa principal da noite.

Quando o médico deixou a Akito na casa do escritor, a casa já estava toda apagada. A garota entra com cuidado no quarto e se troca com o máximo de cuidado para não acordar a Honda. Seu coração não parava de bater tão forte e ela resolve fazer o que o namorado havia lhe falado para ela fazer quando sentisse muito a sua falta.

by DonaKyon

19/12/2009

176


Os possuídos se levantam, vão para a sala, e vêem a Akito descendo as escadas, vestida com um vestido preto longo, um pouco justo ao corpo, mas com alguns babados na região dos seios, dando uma falsa idéia de que a garota tinha muito mais seios. Uma fenda na lateral do vestido deixava a vista o sapato com um pequeno salto. Seus curtos cabelos estavam presos com pequenas presilhas. Estava extremamente feminina, sensual e linda.

-SENHORITA AKITO, ESTÁ LINDA!

Tohru a olhava completamente admirada. Akito descia os últimos degraus se sentindo um pouco envergonhada e caminhando com um pouco de dificuldade, mas não tinha ainda percebido que isso era devido ao sapato de salto que nunca tinha usado em sua vida.

Hatori e Shigure não conseguiam falar nada, o que deixava o Ayame completamente satisfeito com o seu trabalho, pois sabia que aquela reação era a sua altura. Não havia palavras suficientes no mundo para descrever algo tão perfeito e tão belo.

O coração do médico batia muito acelerado. Aquela garota que estava agora parada a sua frente, não estava apenas linda, era a pessoa mais feliz e livre que ele tinha visto.

#Serei eternamente grato a Hanajima. Foi ela quem possibilitou a Akito esses dias de liberdade. Definitivamente não deixarei que os Sohmas tomem essa felicidade dela.#

-Vamos Akky. Agora você irá vestir aquele quimono de festa todo bordado.

-NÃO!

Hatori finalmente sai do seu transe e segura na mão da garota antes que ela dê o primeiro passo.

-Eu sei Tori-san que a Akky ficou perfeita com esse vestido preto. Mas eu tenho mais uns quinze, mais maravilhosos e mais divinos do que esse preto que é mais básico e simples, para ela experimentá-los.

-Me desculpe Honda-san, mas, a Akito e eu não iremos jantar aqui.

Hatori começa a caminhar puxando a Akito consigo, e sem se despedir dos demais, o casal sai da casa.

-Viu só isso Guretti? O Tori-san, não me deixou brincar com a Akky!

-Ahahaha, era isso mesmo que você ia fazer com ela. Deixa a Akito curtir esses momentos de felicidade com o Haa-san.

-O senhor a deixou ainda mais linda do que ela já é, Ayame-san.

-É claro que sim, minha jovem vassala. Pelas minhas mãos, até mesmo você que é uma abóbora se transformaria na mais bela cinderela.

-Aaya, deixa o Momicchi-kun escutar isso que verá um coelho muito bravo.

-Como o que ficarei bravo, Shii-chan.

-Ahahaha, falando do coelho.... Onde estão os outros Momicchi-kun?

-Estão sentados lá perto do laguinho.

-O meu amado, idolatrado e perfeito irmãozinho está com a ralé também?

-Não. O Yuki-kun não está com eles.

-O Kyo se deu muito bem com os irmãos Hanajima.

-Não é só com eles. Ele até cozinhou para a Akito-san hoje, né, né, Tohru-chan?

-O QUE?

Shigure e Ayame falam ao mesmo tempo, era impossível acreditar naquilo, e muito mesmo imaginar a cena.

-Ah, e ele até mesmo mandou a Akito-san lavar a louça do almoço.

-AHAHAHAHAHAHAHA, escutou essa Guretti, o pequeno gatito laranja está achando que pode se aproveitar da situação para mandar na nossa Akito. Ahahahah

-AHAHAHAHAHAHAHAhAH. Queria ter visto a cara da Akito... Até parece que ela ia fazer qualquer coisa que ele tenha lhe mandado fazer. Ahahahaha

-Mas ela o obedeceu sim.

Os possuídos pelo cão e pela serpente param de rir assim que o coelho termina de falar, e ambos tem a mesma sensação. A perda de memória da Akito poderia se transformar posteriormente em algo muito dolorido para o Hatori e para o Kyo.

-Tenho a impressão de que a senhorita Akito também está se dando muito bem com o Kyo.

Os dois amantes se olham e não falam mais nada. Momiji percebe que os dois estavam um pouco inquietos, como se quisessem falar algo que a garota não poderia escutar.

-Tohru-chan, esse coelhinho irá lhe ajudar com a janta. O que iremos preparar?

Os dois namorados vão para a cozinha deixando os dois adultos na sala sozinhos.

by DonaKyon

16/12/2009

175


Ao escutar aquela informação, o médico desesperadamente desamarra o laço do avental e o joga sob a cabeça da órfã e dá um enorme passo para trás se afastando o máximo que podia da pia.

-Ah, estão aqui!

Shigure para na porta e percebe que o primo estava em atitude suspeita, o escritor lhe olha com a sobrancelha um pouco arqueada e de desconfiança, tinha certeza de que o médico estava fazendo algo até a poucos instantes, porque ainda estava com a respiração ofegante. Ele olha para as duas garotas paradas na frente da pia, a Akito com o pano e a louça em suas mãos e a Tohru que estava tirando um avental de cima da sua cabeça.

-AKKY!! Venha! Venha! Deixa que essa jovem vassala faça essas tarefas pequenas. Você precisa se livrar imediatamente desses trapos que está vestindo. Infelizmente, não havia nenhum motorista disponível para ir até o meu magnífico atelier para buscar e lhe trazer as minhas exclusivas e maravilhosa coleção. Todos os motoristas estavam ocupados com os membros do nosso clã por causa da reunião. Onde já se viu? São um bando de folgados! Deveriam ter ido a pé. Eles não sabem que andar faz bem? Mas agora o seu salvador está aqui. Vou lhe vestir divinamente. Tenho um vestido mais lindo do que o outro. Tem que ver um branco quase transparente que lhe fiz para que use no verão. Ah! E aquele preto então! Ficará muito sensual em você! Sem falar do...

Todos na cozinha agora escutavam a voz do possuído pela serpente que ia ficando cada vez mais distante. Ayame nem tinha dado à Akito a oportunidade dela os cumprimentar. Ele simplesmente entrou na cozinha, tirou as coisas que ela tinha nas mãos praticamente jogando em cima da Tohru, depois segurou em sua mão e a levou para o quarto, enquanto que puxava a enorme mala com a outra mão.

-Muitíssimo boa tarde, Shigure-san.

-Boa tarde, Tohru-kun. E me conte o que é que o Haa-san estava aprontando.

-Nada! O Hatori-san só est..

-SHIGUre! O que o Kazuma-san te falou? Não achou muito estranha a atitude da Yoko-san? Vamos lá para a biblioteca.

O escritor olha para a menina sorrindo e lhe fazendo um sinal para que ela lhe conta-se depois.

-Ahahaha... Só estou te seguindo porque isso é importante.

Shigure fecha a porta da biblioteca e se senta em sua cadeira de trabalho enquanto que o médico se senta no pequeno sofá de dois lugares ao lado da janela.

-Então achou suspeita a atitude da Yoko-san?

-Claro! A velha nunca desobedeceu a uma ordem dada pela Akito.

-Mas o que ela ganharia com isso?

-Isso ainda não sabemos, mas certamente deve ter uma forte razão.

-Espero que sim. Não quero levar a Akito para a sede sem antes descobrir isso.

-Ela se lembrou de alguma coisa?

-Sim. E foi de algo relacionado à Eiko-san.

-O que ela lembrou?

-Parece que foi de uma brincadeira que elas faziam.

-De ficar rodando com os pássaros?

-Eu não sei ao certo.

-Adorava ver o rostinho de felicidade da Akito quando ela ficava brincando disso com a Eiko-san. É uma pena que com o tempo a gente vá se esquecendo dessas pequenas coisas.

Hatori não consegue evitar que uma pitada de ciúmes doa em seu coração, ao perceber que o Shigure sempre esteve muito mais ao lado da Akito do que ele, e que talvez a conhece-se muito mais do que ele.

-Do que mais elas brincavam?

-De poucas coisas. A Yoko-san sempre estava por perto cuidando para que a Akito fosse sempre tratada como um homem.

-Cadê aqueles dois? Eles tinham que estar aqui para contemplarem a minha maravilhosa e sublime criação.

by DonaKyon

174


-Então ela nunca irá se lembrar dos possuídos?

-É possível. A Saki-chan, fica triste com isso?

-Eu não sei.... Acho muito triste ela não se lembrar de nada do seu passado, mas por outro lado, ela parece estar feliz por ter se esquecido de tudo.

-Enquanto ela mesma estiver desejando se esquecer de tudo, a sua memória não irá retornar.

-Essa garota deve ter tido um passado muito doloroso. Como é que ninguém percebia o quanto que ela sofria?

Megumi encosta a cabeça no braço da irmã e lhe fala com o coração cheio de admiração por ela.

-Mas agora a Saki-chan é amiga dela, e irá lhe proteger da mesma forma que sempre protegeu a Tohru-chan e a Uo-chan.

-Sim. Se ela se esqueceu do seu passado triste por minha causa, eu irei fazer de tudo para que o seu presente seja sempre alegre. Eu sei o que é a dor de ser sempre isolada e ignorada.

Kyo, que tinha ido procurar à namorada, olhava os dois irmãos um pouco distante enquanto eles conversavam.

#É por isso que ela sempre me compreendeu. No fundo e por diferentes razões, tanto eu, como a Saki e a Akito, sempre fomos isolados e ignorados pelos demais.#

Ao perceber que tinha pensado daquela maneira a respeito do patriarca, o possuído pelo gato dá um pequeno sorriso com os lábios.

-Em quem está pensando com esse sorriso nos lábios, Kyo?

O garoto olha para o lado esquerdo de onde vinha se aproximando a voz e vê que o Haru estava agora parado ao seu lado, e que o Yuki estava junto dele.

-Não era na Saki!

Kyo lhe dá aquela resposta por duas razões, a primeira, porque era a verdade e a segunda, era porque ainda se preocupava com o ciúmes do Haru pela Saki.

-Eu sei! Não era um sorriso de apaixonado. Era um sorriso que nunca tinha visto em seu rosto antes.

O garoto apenas lhe olhava sem entender que poderia haver diferentes tipos de sorrisos e muito menos que o dele estaria dentro daquela situação, e o mais estranho ainda era do Haru saber que ele nunca tinha sorrido daquela maneira antes.

-Como pode saber que nunca tive esse sorriso antes?

-Porque te conhece há muitos anos. Eu sei de tudo sobre você e o Yuki.

-É mesmo?? Então, como era o meu sorriso?

-O seu sorriso parecia o sorriso daquele pirralho para a irmã dele.

Yuki olha espantado para o Kyo, por que nunca tinha percebido que ele via a Tohru Honda como se fosse a sua irmã, mas entendia que aquilo era possível.

-Eu sempre a vi como uma mãe e não como uma irmã. Será que os sentimentos são muito diferentes.

-O QUE? CÊ A VÊ COMO UMA MÃE?! Tudo bem que ela é mais velha, mas não é tanto assim.

-A Honda é mais velha do que a gente? Achei que era da nossa idade.

Kyo fica imediatamente vermelho, ao perceber que o Yuki não estava pensando na Akito como ele.

#E por que ele estaria pensando nela? E POR QUE É QUE EU ESTOU PENSANDO NELA?#

O possuído pelo gato enfia a mão no bolso e vira as costas para os dois primos e caminha para o lado da namorada.

-Não entendi. O que deu nele, Haru?

-Acho que ele não estava pensando na Tohru-kun.

-Não?! Então em quem ele poderia pensar como uma irmã?

A conversa entre os dois garotos é interrompida ao escutarem o barulho do carro que se aproximavam. Yuki reconhece as pessoas que estavam dentro dele, e rapidamente pega na mão do Haru e anda com passos bem largos para a porta dos fundos da casa. Haru se deixa ser levado mesmo sem ter visto quem havia chegado.
A porta levava a pequena área de serviço ao lado da cozinha, os dois entram na casa e passam pela cozinha de mãos dadas indo em direção da porta para a sala. Hatori estava acabando de lavar a louça, com a Akito ao seu lado que a secava e a Honda que estava no outra ponta da pia, cortando os vegetais que seriam usados para o jantar daquela noite.

-O que aconteceu, Yuki-kun?

-O Shigure chegou com o meu irmão. Fala que não estou.

Yuki e Haru subiam as escadas correndo e por poucos segundos o seu querido irmão não os vêem no final da escada.

by DonaKyon

12/12/2009

173


-Hanajima-kun, o Kazuma-san lhe mandou alguns documentos para a sua pesquisa.

-Muito obrigado.

-Conseguiu descobrir alguma coisa sobre o problema da Akito?

-Ainda não.

Diferentemente do dia anterior, escutar aquela resposta do garoto havia lhe deixado um pouco mais tranqüilo.

-Então é por isso que acabou aquele barulho todo. É o Hatori quem está lavando a louça.

-Boa tarde Hatori-san, Megumi-kun.

Kyo e Saki apareciam na porta da cozinha.

-Espero que tenha cozinhado direito para a Akito.

O gato fica imediatamente roxo de vergonha. Ele nem tinha imaginado no que os outros possuídos iriam pensar quando ficassem sabendo que ele tinha lhe cozinhado.

#Só espero que ela não tenha contado o que me obrigou a cozinhar, graças a minha namorada.#

-Hatori-san, creio que a Aa-chan se lembrou de algo do passado dela.

Ao escutar aquilo o médico coloca o prato que lavava na pia e olha atentamente para a garota.

-É. Ela se lembrou de um lance que a minha mãe fazia. Acho que as duas brincavam daquilo.

-Mas porque ela foi se lembrar de algo que lhe aconteceu quando era criança? Será que a memória dela voltará dos fatos mais antigos para os mais recentes?

Megumi apenas acompanhava a conversa dos três sem demonstrar a menor intenção de que falaria alguma coisa.

#Pelo visto eu estou certo. Creio que a minha teoria está certa, e isso explicaria o fato da Saki-chan ter lançado a maldição tão perfeita na sua primeira vez.#

-Hatori, como estão as coisas lá na sede?

-Deu tudo na reunião, e o Kazuma-san pediu para que não vá até o Dojo nos próximos dias.

-E por que não?

-Os motivos ele não me disse.

Kyo olha um pouco desconfiado para o médico, mas se o Mestre tinha dado aquela ordem alguma razão deveria haver por detrás dela.

-Ahahahah... Quer dizer que a omelete com nirá do Kyo é muito boa...

-A batata ao misô estava um pouco salgada
, mas estava bom também.

Akito, Momiji e Tohru retornavam para a cozinha enquanto conversavam sobre o menu do almoço, e ao chegarem percebem que o Hatori estava se segurando para não ri e que o garoto dos cabelos laranjas estava com o rosto todo vermelho.

-Mas o Kyo pode deixar que eu cuidarei do jantar. Vou preparar algo muito especial para comemorarmos as aulas de violino que o Momiji-kun irá dar a Momo-chan.

Querendo mudar o tema da conversa, Kyo olha para a Tohru como se fosse o seu tutor e lhe pergunta cheio de autoridade.

-Eih? Não vai trampar hoje não?

-Hihihihi... O Kyo não quer que ninguém mais cozinhe para a Akky... hihihihihi...

-CALA A BOCA SEU COELHO IDIOTA!!

-AHAHAHHA

Momiji sai correndo da cozinha com o gato correndo atrás dele. Akito acha estranho o fato de o Kyo ter chamado o primo de “coelho”, mas não faz nenhuma pergunta e volta a secar a louça.

Megumi observava atentamente a tudo que estava acontecendo e a reação de cada um enquanto estava sentado à mesa e comendo um dos pêssegos que estavam na fruteira sob a mesa. Hanajima olha para o irmão e percebe que ele tinha descoberto algo muito importante. Os olhares dos dois irmãos se cruzam e sem dizerem nada os dois saem da cozinha, deixando o casal de namorados terminando de lavarem a louça do almoço e a Honda já a procura do que iria cozinhar para a janta.

Os irmãos Hanajima vão para o jardim ao lado da casa para poderem conversar, sem que os outros ouvissem.

-O que descobriu Megumi-kun?

-Provavelmente a razão de a sua maldição ter dado tão certo. A Saki-chan também já descobriu?

Saki caminha até a beira do pequeno laguinho que havia no jardim e se abaixa para mexer em algumas pedrinhas, o seu irmão se abaixa ao seu lado.

-Sim.... A minha maldição só funcionou porque a Akito também desejava se esquecer de quem era.

-Exatamente isso.

-É por isso que ela não quer saber do seu passado, a sua intuição lhe diz que ela não deve se lembrar de nada.

-Creio que ela só se lembrará dos momentos que a fizeram feliz.

by DonaKyon

10/12/2009

172


#Você não pode voltar a ser aquela pessoa triste e solitária. Eu não permitirei que o clã dos Sohmas a transforme naquela Akito novamente. Lhe protegerei até o fim. De agora em diante, você não será mais a refém daquele clã maldito e nem dos possuídos, você será livre para ser a Akito que quiser se tornar, e eu estarei ao seu lado para proteger a sua liberdade.#

Hatori se afasta um pouco para lhe olhar e pergunta todo sorridente.

-Como está sendo a sua primeira vez lavando uma louça?

- É a minha primeira vez?

O possuído apenas confirma que sim com a cabeça abrindo ainda mais o seu sorriso.

-Então é por isso que estou sendo esse desastre. Já acabei com dois frascos de detergentes e ainda nem lavei a metade da louça.

-Ahahahha, dois frascos??... ahahah

-Por que está rindo? Vai-me dizer que estou usando pouco detergente?

-AHAHAHHA...

Hatori ria como há muitos anos não fazia, ele mesmo, já nem se lembrado dos motivos que o tinham feito parar de rir daquela maneira. Ele a vira e desamarra o laço do avental.

-Pode deixar que eu termino. É melhor que você as enxugue.

O médico veste o avental e começa a lavar a louça, enquanto que a garota ia secando com um pano as peças que ela já havia lavado.

#Só espero terminar de lavar isso antes que aqueles dois idiotas apareçam por aqui. Certamente eles iriam me azucrinar até os dias finais da minha vida.#

-Obrigada por me ajudar, Hatori.

-Não precisa agradecer. Afinal, essa é a minha obrigação como seu namorado.

plafttt

Akito havia deixado cair a vasilha de alumínio que estava secando ao escutar aquilo e aquela reação faz com que o médico se sinta um pouco sem jeito, afinal acreditava que não tinha mais idade para falar aquele tipo de frase tão piegas.

-Namorados?

-Você não quer? Acha melhor esperar retornar a sua memória?

-Não! Não! Quero sim!

O médico vira um pouco a cabeça para olhar a garota e vê o quanto que ela estava sorrindo e um pouco vermelha enquanto secava mais um prato.

-Cadê os outros?

- A Tohru chegou chorando e saiu com a Saki. Os outros eu não sei onde estão.

-Quem te colocou para lavar a louça?

-Foi o Kyo. Como ele cozinhou, eu tive que lavar a louça.

BLANTH

Agora era a vez de o médico derrubar a louça dentro da pia. Mas o choque de saber que o gato tinha cozinhado para o Kamisama, que o Kamisama havia comido e que depois o Kamisama estava obedecendo a uma ordem dada pelo possuído, tinha sido enorme.

-Como foi a reunião?

-Está tudo acertado. Não precisa se preocupar com o clã nos próximos dias, e amanhã cedo lhe levarei ao Hospital para realizarmos alguns exames.

-Precisamos mesmo?

A voz da garota havia saído um pouco mais baixa e manhosa. Tudo estava indo tão bem desde que ela tinha acordado daquele desmaio, e agora sentia medo de voltar a ter a vida de antes. A sua intuição lhe dizia que ela não iria mais ficar feliz se voltasse a se lembrar de tudo.

O médico entende que ela não estava querendo retornar tão rapidamente para a sede, e começa a suspeitar que ela tivesse se lembrado de algo.

-Se lembrou de alguma coisa?

-Ainda não.

-Tudo bem. Então amanhã iremos a outro lugar. Aonde quer ir?

-Ahahahha, como é que eu vou saber? Esqueceu-se que eu não me lembro de nada do que tem nessa cidade?

-Porque não a leva num parque de diversão? Certamente a Aa-chan gostará de andar na roda gigante.

Aquela voz infantil que vinha por de trás de suas costas, faz com que os dois fiquem arrepiados ao mesmo tempo.

-Olá Megumi-kun.

-Boa tarde Aa-chan, Hatori-san.

-Boa tarde, Hanajima-kun.

-Aa-chan, sabe onde a minha irmã está? A Tohru-chan me falou que ela entrou.

-Não a vi Megumi-kun, e cadê a Tohru?

-Está lá na frente com o Momiji-kun.

-Hatori, eu já volto para terminar de secar.

Akito coloca o pano sob a pia e sai para falar com a colegial, deixando os dois na cozinha.

by DonaKyon

08/12/2009

171


O coração da Tohru ao ver o namorado naquele estava fica muito dolorido. Ela então percebe que ele tinha passado o dia todo naquele estado, e assim como ela, ele também estava com medo, mas o seu medo era de perdê-la.

As duas garotas se aproximam da casa e Hanajima vê que o namorado estava na janela do quarto e que lhe fazia sinal para ela ir até lá. A colegial entra na casa sem falar nada, e deixando a Tohru sentada ao lado do garoto que nem tinha percebido que a namorada estava ao seu lado.

Honda delicadamente encosta os seus lábios em sua bochecha lhe beijando docemente. Ao sentir aquele suave toque, o coração do possuído volta a bater tranquilamente, ele não precisava lhe perguntar mais nada, pois já sabia que ela havia entendido o seu medo e que iria permanecer ao seu lado até o último momento.
O coelho se levanta e começa a agitar os braços enquanto falava com a namorada.

-Né... né... Tohru-chan... Não irá acreditar no que acabou de acontecer?

-O que foi, Momiji-kun?

-A Akit....

O som de um veículo se aproximando faz com que o garoto pare de falar, e rapidamente eles olham. Sabiam que naquela tarde aconteceria a reunião do clã dos Sohmas para comunicar o afastamento de Akito. Hatori sai do carro cheio de pressa, tudo o que ele queria era ver como a Akito estava.

-Boa tarde Momiji-kun, Honda-san.

-Muitíssimo boa tarde Hatori-san.

-Olá Harry. Como foi a reunião?

-Deu tudo certo.

O médico lhes cumprimentavam enquanto caminhava e lhes respondiam ao mesmo tempo em que passava ao lado deles, era visível que ele não queria parar para conversar, mas um pouco antes de entrar na casa, o dragão para e se vira para olhar o Momiji.

-Ah, Momiji-kun. Você será o professor de violino da sua irmã.

-É SÉRIO, HARRY?

Hatori apenas lhe sorri vendo o brilho de felicidade em seus olhos e depois entra na casa do escritor deixando do lado de fora os gritos de felicidade do meigo casal. Ele tira os sapatos enquanto procurava pela Akito na sala, mas não a encontra.

#Será que ela está no quarto?#

O médico estava caminhando diretamente para as escadas, sem se importar com o grande barulho que vinha da cozinha, mas o som da panela caindo no chão foi tão alto que ele acabou virando a cabeça para ver quem era aquela pessoa tão desajeitada.

-A-KI-TO???

A garota que estava pegando a panela do chão, com as mãos e várias partes dos seus cabelos cheios de espumas, olha e vê que o médico estava parado na porta da cozinha lhe olhando todo chocado.

-Boa tarde Hatori.

-Mas...? Mas...?

O médico olha para os lados, para ver se encontrava alguma explicação para aquela visão. Nunca em toda a sua vida tinha pensado que veria algo parecido com aquilo, o patriarca dos Sohmas cheia de espuma de detergente lavando a louça do almoço.

Akito se levantava com a panela em suas mãos e abre um lindo sorriso para o médico. Era o mesmo sorriso que ela tinha quando era criança, quando não sabia que seria o patriarca do clã e nem o que representaria em sua vida ela ter nascido como o kamisama dos possuídos.

Hatori não consegue mais se segurar e rapidamente a abraça. Akito podia sentir o quando que o coração do médico estava batendo forte naquele momento. Ela fecha os olhos e sente o calor daquele abraço preenchendo a sua alma. Era um sentimento tão forte que ela queria que nunca mais acabasse. Parecia que não haveria nenhum outro lugar do mundo capaz de lhe dar a aquela mesma felicidade e segurança que ela estava sentindo naqueles braços. Novamente o som da panela caindo no chão ecoa pela cozinha, e Akito, agora o prendia em seus braços também. Não precisavam falar nada e nem se beijar, somente aquele abraço já era o suficiente para eles declararem o amor que um sentia pelo outro.

O toque das mãos de Akito em suas costas, a suave pressão que ela fazia ao encostar a cabeça em seu peito, o coração dela batendo no mesmo ritmo que o dele, tudo aquilo, fez o médico desejar que ela nunca mais voltasse a ser o patriarca de antes.

by DonaKyon