04/10/2010

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O tom choroso e de pavor em sua voz chama a atenção do Yuki, e o garoto para de guardar o material e olha para a colegial. E ao perceber o quanto que aquelas palavras a tinham ferido ele se sente um pouco culpado.

#A Honda-san sempre recebeu muito amor de sua mãe, é natural que ela pense que todas as mães são como a que ela teve. #


O possuído pelo espírito do rato se aproxima dela e fala com um pequeno sorriso nos lábios.

-Não precisa ficar assim, Honda-san. Acredito que a rejeição das nossas mães deve ser parte da nossa maldição. Até mesmo o Kamisama foi rejeitado pela sua mãe.

Aquelas palavras provocaram uma reação oposta ao que o Yuki queria. Em vez de confortá-la, agora a garota estava chorando. E para esconder a sua tristeza ela tampava o rosto com as mãos. O jovem lhe olhava todo preocupado, não sabia o que fazer para que ela parasse de chorar. Ele abaixa a cabeça e segura o seu braço esquerdo, aquele era um gesto que sempre fazia quando estava muito inseguro.

-Me desculpe, Honda-san. Deveria ter lhe contado de outra maneira.


A garota passa as mãos nos olhos e limpa o nariz passando o braço, e lhe olha de uma forma carinhosa e triste.

-Não precisa se desculpar. Os possuídos são muito mais fortes do que eu – Tohru se lembra dos dias de tristeza que viveu logo após a morte de seu pai.

Yuki se lembra que a garota havia lhe dito algo de ajudar também a Akito e lhe parece uma boa oportunidade para mudar de assunto naquele instante.

-Como possuído, fico muito feliz por ver o carinho que a senhorita sente pelo nosso kamisama.

-Yuki-kun – a garota faz uma breve pausa e continua – teria alguma maneira da Hana-chan e eu continuarmos a ser amigas da Aki-chan depois que ela voltar para a sede?

O garoto continuava a lhe olhar, mas não sabia o que lhe responder. Tudo era tão incerto para todos. Shigure que estava escutando toda a conversa do lado de fora do quarto, sentia o mesmo que o garoto.

O escritor começa a coçar a cabeça e pensa que o futuro deles nunca tinha estado tão incerto como naquele instante, e em solidariedade ao primo, resolve acabar com aquela conversa tão séria em plena madrugada. Sem a menor cerimônia o possuído abre a porta do quarto e encontra os dois estudando em pé de frente um para o outro no meio do quarto.

-O que é que estão fazendo? Vou contar tudo para o Haru-kun e para o Momicchi amanhã mesmo.

Tohru imediatamente começa a agitar os braços e lhe responde vermelha de vergonha.

-Não! Não é nada disso! E-eu... Apenas vim ser se o Yuki-kun estava passando bem.

Yuki cruza os dois braços diante do corpo, mas não olha com fúria para o primo, na verdade, estava bem aliviado com a sua repentina chegada. Tudo o que ele não queria naquela noite, era pensar em como ficaria o futuro dos possuídos e do Kamisama.

Shigure, que ria sem parar vendo o desespero da garota à sua frente, olha para o Yuki e lhe sorri também. Aquela atitude deixa o rato um pouco contrariado, pois lhe pareceu que ele estava insinuando que os dois estavam como amantes naquele quarto. Como não recebeu um gesto amigável do Yuki, o escritor deduz que o menino não havia entendido o seu sorriso.

-O que vocês acham da gente viver um dia de cada vez? Não adianta tentarmos adivinhar qual será o nosso futuro. E agora como o grande e responsável tutor está mandando as duas crianças irem dormir.

Tohru olha sorrindo para o Shigure, pois havia entendido o recado.

#O Shigure tem razão. Tenho que pensar no que posso fazer pela Aki-chan agora. E farei de tudo para fortalecer ainda mais a minha amizade com ela.#

-Muitíssima boa noite. – Tohru se despede dos dois com um sorriso e vai para o quarto.

Ao ficar sozinho no quarto com o Yuki, Shigure caminha até o garoto e lhe fala enquanto colocava a mão direita em seu ombro esquerdo.

-Não se esqueça que a mãe do Hiro-kun o ama acima de tudo. – ao terminar a frase Shigure segura com um pouco mais de força o ombro do rapaz – quem sabe esse milagre não pode acontecer para os outros possuídos também?

Yuki abaixa a cabeça e o primo retirar a mão de seu lhe ombro e lhe afaga os seus fios de cabelos cinza.

-Mas você tem um irmão que lhe ama muito. Nunca se esqueça disso, meu querido irmãozinho.

O rato imediatamente olha para o Shigure e entende a principal razão do escritor por ter lhe acolhido em sua casa; estava fazendo aquilo pelo grande amor que sentia pelo Ayame.

by DonaKyon

25/09/2010

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Tohru Honda estava sentada sob o telhado da casa a observar a lua. Tinha adquirido aquele hábito com o possuído do gato, alguns dias depois que os dois estavam morando na casa do Shigure. Seu coração estava muito inquieto para dormir. Queria encontrar uma maneira de ajudar a Elisa-san e a Akito-san.

#Como poderei ajudá-las? Sei muito pouco sobre os Sohmas e até mesmo sobre a maldição, mas gostaria que a felicidade chegasse finalmente para ela. Mas como? O que poderia fazer? Com qual deles poderia conversar sem lhe sofrimentos?#

A garota começa a sentir o friozinho da madrugada e resolve entrar. Com cuidado e sem fazer barulho ela desce do telhado pela pequena escadinha e ao olhar a janela do quarto do Yuki percebe que a sua luz ainda estava acesa.

#Será que o Yuki-kun está passando mal? Não faz nem uma semana que ele se recuperou da sua crise de asma.#

Apressadamente a colegial termina de descer os degraus e ao entrar na casa, se dirigi imediatamente para o quarto do rato.

-Yuki-kun, posso entrar?

-Sim, Honda-san

Tohru abre a porta e encontra o Yuki sentado diante da mesa de estudo com os livros abertos, e com um tom de medo e susto a garota lhe pergunta.

-Teremos alguma prova amanhã?

-Não, por quê?

-É que está estudando a essa hora.

-Como estava sem sono, resolvi aproveitar o tempo revendo a matéria.

#Por isso o Yuki-kun é o aluno mais inteligente da classe. Por que é que eu não pensei nisso também?#

Ao ver que a garota estava pensando em algo que a estava deixando desanimada, o rato se preocupa.

-Está com algum problema, Honda-san?

-Não. Está tudo bem. Como vi a luz do seu quarto acesa, pensei que poderia estar tendo alguma crise.

-E por que é que a Honda-san ainda está acordada?

Tohru lhe olha um pouco em duvida se lhe falava ou não, após um pequeno suspira ela cria coragem e lhe revela.

-Queria ajudar a Elisa-san e a Akito-san.

-Por que quer ajudar mãe do Momiji?

-Porque a Elisa-san sente a falta do filho.

Yuki não consegue acreditar naquelas palavras, pois conhecia muito bem a relação entre os possuídos e suas mães, sendo que muitas vezes o próprio garoto havia pensado que aquilo também seria uma conseqüência da maldição.

-Ela não sente a falta do Momiji. Elisa-san só o viu por alguns minutos após o nascimento do filho. Durante os primeiros meses de vida do Momiji, a Elisa-san não podia nem escutar o choro da criança que começava a gritar histericamente. Por isso o Momiji passou a morar numa casa reservada somente para ele dentro da sede e os seus pais foram morar naquela casa fora da sede.

A garota olha para o chão sem conseguir acreditar naquelas palavras, e cheia de vergonha, por ainda assim acreditar na Elisa, ela diz com um tom mais baixo de voz.

-Mas a Momo-chan a curou...

-Não, Honda-san. Infelizmente as nossas mães nos odeiam - Tohru olha de uma maneira muito assustada para o garoto. O tom de sua voz não era nem de raiva e nem de tristeza, era de completa indiferença. Yuki ainda estava sentado à mesa e enquanto falava arrumava o material escolar para o dia seguinte. – A minha mãe não se “curou” depois que eu nasci. Ela odeia tanto o Ayame quanto a mim. – Yuki faz uma breve pausa e após pensar um pouco ele conclui – Não, na verdade, ela me odeia mais do que ao Ayame. Por isso ela me “vendeu” para o patriarca.

Naquele instante, o pavor já estava preenchendo todo o olhar da garota, ela não conseguia entender como uma mãe poderia odiar a um filho e muito menos em vendê-lo.

-Vender? Como lhe vendeu?

by DonaKyon

12/09/2010

198


-E mesmo assim?? Mesmo sabendo que você é um monstro, ela quer se casar com o Dr. Hatori?

-Ela me aceitou como eu sou.

-Você não irá se casar com ela. Eu vou matá-la. MATAREI ESSA DESGRAÇADA QUE TOCOU EM VOCÊ!!

CRASSHH

Akito vê que Hatori está ajoelhado a sua frente com a mão nos olhos.

-AKITO!! ACALME-SE POR FAVOR... ESPERE!!

Assim que escuta o seu nome, Akito olha na direção da voz e vê o Shigure segurando o jovem de cabelos curtos e pretos pela cintura, que se debatia e gritava com toda força.

-ALGUÉM COMO VOCÊ...

-k&*.. LEVE O HATORI DAQUI..

Akito não consegue entender o nome que o Shigure tinha acabado de lhe dizer. Ela olha mais uma vez para o Hatori que estava a sua frente e depois para o Shigure. Naquele instante, Akito estava completamente tomada pelo medo e desespero.

-EU NÃO VOU ENTREGÁ-LO A VOCÊ. EU NÃO PRECISO DE VOCÊ. NÃO PRECISO DE ALGUÉM QUE SEQUER CONSEGUE DESFAZER ESSA MALDIÇÃO. EU NÃO PRECISO...

-AKITO!

Ao escutar o seu nome novamente a garota olha na direção do Shigure e vê o quanto que o jovem que ele segurava estava tremendo e chorando.

-A CULPA É SUA SE O HATORI FICAR CEGO!!

#Hatori.... cego??#

-A CULPA É SUA. É SUA. A CULPA É SUA...

#Como a culpa é minha? O que eu estou fazendo ali? Por que é que o Shigure está me segurando?#

Hatori tira as mãos do rosto e Akito vê o seu rosto todo ensangüentado.


-NÃÃÃOOO!!

Akito acorda com o seu próprio grito e começa a chorar enquanto ainda gritava.

-A CULPA NÃO FOI MINHA! A CULPA NÃO FOI MINHA!

Desesperada a garota se senta no futton sem reconhecer onde estava. Chorava sem parar e como se fosse ela mesma quem estivesse ferida.

-A CULPA NÃO FOI MINHA!

-Aa-chan.

Akito olha para a criança que estava sentada a sua frente e que lhe olhava todo aflito.

-A culpa não foi minha... Não foi.... não foi..

- Acalma-se por favor.

Megumi a abraça e a garota chora ainda mais em seu ombro. Kyo e Saki entram correndo no quarto, e estavam tão apavorados quanto o garoto.

-O que aconteceu, Megumi-kun?

-Acho que a Aa-chan teve algum pesadelo.

Saki se ajoelha ao lado deles enquanto que o Kyo permanecia em pé.

-Aa-chan... está tudo bem.... foi só um pesadelo....

Akito olha para a Hanajima e por alguns segundos ela não lhe fala nada.

#Será que ela se lembrou de tudo?#

Kyo ao escutar aquele pensamento da namorada, fecha fortemente a mão direita e começa a sentir que o seu corpo estava tremendo.

-Foi horrível... Foi horrível, Saki-chan.... O Hatori estava cheio de sangue....

Ao escutar o seu nome, Hanajima respira um pouco mais aliviada e segura na mão de Akito.

-Foi só um pesadelo. O Hatori está bem.

-Eu preciso ver o Hatori. Quero vê-lo. Quero muito vê-lo....

Akito coloca as mãos na cabeça e continua chorando baixinho.

-Kyo, poderia ligar para o Hatori? Peça para que ele venha até aqui agora.

-Tá. Onde fica o telefone, pirralho?

Megumi se levanta e começa a caminhar sendo seguido pelo Kyo, quando estavam um pouco mais distante do quarto o possuído lhe pergunta com um tom de voz mais baixa.

-O que ela te falou?

-Disse que não era culpa dela.

-Pelo visto ela deve ter se lembrado do dia que deixou o Hatori cego.

Ao ouvir aquilo, Megumi olha espantado para o possuído.

-Achava que a Aa-chan só iria se lembrar dos momentos felizes do seu passado.

-Acho que desses momentos ela já se lembrou de todos.

-Isso é muito triste!

-O que?

-A Aa-chan teve muito mais momentos felizes em 3 dias do que durante toda a sua vida.

-Não foi só ela. Esses 3 dias também foram os mais felizes de minha vida.

-A sua vida ainda não acabou.

-Não! Ela apenas começou.

Megumi olha novamente para o Kyo e percebe que havia uma determinação diferente em seu olhar.

#Eu quero continuar tendo muitos outros dias tantos dias felizes ao lado da Saki, e para isso mudarei o meu presente e o da Akito.#

by DonaKyon

05/09/2010

197


Akito caminhava de mãos dadas com o Hatori por um pequeno bosque, e a seu pedido ela mantinha os olhos fechados. Como estava sem o sentido da visão, a garota prestava mais atenção nos outros sentidos, e assim o som dos passarinhos cantando, a suave brisa que tocava nas folhas das árvores, os latidos distante dos cachorros, o sol que delicadamente esquentava a sua pele, e o próprio calor que vinha da mão do namorado, tudo lhe parecia como se fossem pequenos tesouros da vida.

-Para onde está me levando?

-Já irá saber. Não abra os olhos.

-Por que precisa fazer esse mistério todo?

-A nossa vida toda sempre foi um mistério.

Akito não consegue compreender aquela frase dita pelo médico, mas no instante que iria lhe perguntar, ele para de caminhar.

-Chegamos.

Hatori solta à mão de Akito e lhe abraça com muita força.

-Você é a mulher da minha vida. Você foi a única que me aceitou como eu sou. Eu quero me casar com você.

O coração da garota se enche de uma felicidade da qual nunca antes havia provado. Ela era amada por aquele que sempre amou.

-Hatori....

Akito também lhe abraça. Porém o sorriso que tinha em seus lábios logo desaparece ao perceber o quanto que o médico estava tremendo naquele momento.

-Não posso te perder. Ele precisa aceitar que eu te amo.

-Ele? De quem está falando Hatori?

O possuído a segura em seus ombros e lhe olha um pouco apreensivo.

-Não deixarei que lhe machuque. Por favor, fique com a cabeça baixa o tempo todo.

-Quem irá me machucar? Por que está com tanto medo?

O médico volta a segurar novamente em sua mão, mas dessa vez ela está tremula e gelada. O coração de Akito começa a bater um pouco mais assustado. Eles voltam a andar por uma pequena trilha e logo estão num silencioso jardim.

-Onde estamos Hatori?

-Shhiii...

Akito olha para o médico e depois começa a reparar na casa que surge a sua frente.

Apesar de estar diante de apenas um cômodo da casa, ela sabia que se tratava de uma casa de arquitetura japonesa e bem luxuosa. O médico caminha até a varanda e ajoelha.

-Senhor patriarca, posso entrar?

-Entra Hatori.

#-Mas essa não é a voz do pai do Kyo.#

Hatori se levanta e segura na mão da Akito e lhe fala baixinho.

-Fique ao meu lado, não fala nada e fica apenas olhando para o chão.

O médico abre a porta e Akito entra atrás dele. Estavam numa sala bem ampla, e sentado numa rica almofada estava um rapaz vestido com um quimono arroxeado. Hatori se ajoelha a sua frente e fica com a testa no chão. Akito se ajoelha ao lado do médico e abaixa a cabeça.

# O Hatori o chamou de patriarca, mas esse não é o senhor Kazuma. Quem é esse homem?#

-Eu... eu vim pedir a permissão do senhor patriarca para me casar.

-O QUE? SE CASAR? NUNCA!! NUNCA!!

-Senhor patriarca, eu a amo. Quero me casar com ela.

-NUNCA!! NUNCA IRÁ SE CASAR COM ESSA MULHER. VOCÊS SÃO MEUS!! MEUS!! MEUSSS!!

Akito se mantinha de cabeça baixa, mas agora estava tremendo da cabeça aos pés. Os gritos daquele rapaz eram os gritos de uma pessoa descontrolada.

-Mas eu a amo...

-VOCÊS SÓ PODEM AMAR O KAMISAMA. OS POSSUÍDOS SÓ PODEM AMAR A MIM!!

#Estou com medo. Quem é esse rapaz? Do que ele está falando?#

Akito olha com os cantos dos olhos para o Hatori e vê que ele ainda se mantinha com a testa no chão. A garota começa a escutar os passos do jovem caminhando até o médico, e logo depois ele o segura pela gravata fazendo com que ele fique de pé. Akito ao ver aquele rapaz tão descontrolado segurando o namorado pela gravata, finalmente consegue dominar o pavor que estava sentindo e levanta a cabeça.

-Hat...

-Continue sentada e com a cabeça baixa!

Akito obedece ao médico e volta à mesma posição.

-Ela já sabe que você é um monstro?

-Já!

#Monstro? Do que é que eles estão falando?#


by DonaKyon

04/09/2010

196


Hanajima abre os olhos e olha para o seu lado esquerdo. A luz da lua cheia que entrava pela janela, iluminava todo o quarto. No futton ao seu lado, Akito dormia um sono bem tranqüilo e estava com um leve sorriso em seu rosto.

#Ela deve estar sonhando com o Hatori. Será que ela tinha tido outras noites de sonhos tão tranqüilas assim?#

A colegial volta a olhar para o teto e coloca o braço direito sob a testa, mas não tem tempo de pensar em nada, pois logo começa a escutar passos que vinham do telhado. Seu coração começa a disparar e rapidamente ela se descobre e corre em direção da sua pequena varanda.

#Calma Hanajima! Calma!#

A garota se detem diante da porta mantendo a mão na maçaneta antes de abri-la.

#Pode ser apenas um gato!#

Novamente ela escuta mais alguns passos, e pelo som sabia que o que fosse que estava andando sob o seu teto havia parado justamente acima dela. Saki fica olhando atentamente para o lado de fora e percebe que alguns fios laranjas estavam surgindo e logo depois aparece apenas a cabeça do Kyo. O garoto estava deitado com a barriga para baixo no telhado e lhe fazia sinal para que ela fosse até lá.

Saki dá um pequeno sorriso e abre a porta lentamente para não fazer barulho, e utilizando a pequena escada sobe até o teto.

O coração do Kyo que já estava acelerado bate com mais força ao vê-la subindo. A lua brilhava atrás dela com muito mais força agora. Seus longos fios negros dançavam levemente ao sabor da suave brisa, e a sua longa e fina camisola preta revelava as formas de seu corpo.

Saki sentasse ao lado do garoto e fica olhando a lua a sua frente. Após alguns segundos sem falarem nada, Kyo segura em sua mão entrelaçando os dedos e a garota encosta a cabeça em seu ombro.

O que seria a “festa do pijama” entre a Hanajima, a Tohru e a Akito ao final se transformou num jantar entre os irmãos Hanajima e a Akito. Shigure achou mais sensato que a Honda mantivesse naquela noite a sua rotina, pois se caso o pai do Kyo voltasse a espionar a casa, não desconfiaria que eles já haviam descoberto o seu plano.

-Como foi o jantar de vocês três?

-Foi muito divertido. O Megumi-kun e a Aa-chan se deram muito bem .

-Essa é a primeira vez que a Akito está completamente longe dos Sohmas.

-Mas você está aqui.

-Mas eu não estou aqui por ela, e sim por você.

Ao escutar aquelas palavras, Saki fecha os olhos e dá um longo suspiro.

-Me desculpe, Kyo. Tudo isso é minha culpa. Se eu não tivesse apagado as memórias da Aa-chan...

-... Eu já teria te perdido! E agora estaria aprisionado no Retiro e você e a Tohru não se lembrariam mais de nós. Enquanto que a Akito estaria aprisionada como sempre esteve na mansão dos Sohmas.

-Será que ela irá me perdoar?

-Saki, foi graças a você que a Akito teve a oportunidade de viver como uma pessoa normal. Na sede dos Sohmas, ela é o patriarca do clã, o kamisama dos possuídos, e desde que nasceu é obrigada a fingir que é um homem, mas agora ela está aqui. Podendo ter duas amigas, ser próxima dos possuídos e até ter um romance com um deles.

-E será que a Aa-chan conseguirá voltar a viver essa vida? Será que ela não me odiará por ter lhe mostrado algo que ela nunca terá possibilidade de viver?
Kyo tampouco sabia aquela resposta, estava tão inseguro e com medo quanto à namorada, mas não queira que a garota sofresse.

-Não se preocupe com isso agora. Tem algo muito mais importante para se preocupar nesse momento.

Hanajima levanta a cabeça do ombro do Kyo e lhe olha cheia de dúvida.

-Já pensou no que irá preparar para o meu lanche? A Tohru levará um pequeno banquete para o coelho amanhã.

Ao escutar aquela frase dita com tanta seriedade pelo colegial, Saki consegue conter a vontade de rir e lhe responde da mesma maneira séria.

-Será arroz!

-Arroz com o que mais?

-Simplesmente arroz! Só arroz e mais nada.

Kyo olha para a namorada e começa a rir, pois havia conseguido seu objetivo, naquele instante as nuvens negras da incerteza não estavam mais sob eles.

by DonaKyon

01/08/2010

195


Rin segurava a camiseta do garoto com toda a sua força enquanto tremia muito e tentava ao máximo não chorar. Haru sempre lhe disse que amava o Yuki, mas ela nunca imaginou que os dois chegariam aquele ponto. O garoto mantinha-se bem tranqüilo, e levantas as suas mãos colocando-as sob as da garota.

-Rin.... Poderia me soltar? Eu adoro essa camiseta.

Yuki olhava de forma muito nervosa e apreensiva para os dois, ele sabia que o Haru e a Rin tinham se beijado, mas não sabia que se ainda havia algo entre os dois.

-Haru, como pode ter coragem??

-Rin.... Eu sempre lhe falei que amava o Yuki.

-MAS EU NÃO ACREDITO QUE TEVE CORAGEM DISSO?? VOCÊS SÃO HOMENS! HOMENS!!

-E daí?

Ao escutar aquelas simples palavras, Rin se enche ainda mais de raiva e rasga de uma vez a camiseta do primo.

-EU CONTAREI TUDO AO PATRIARCA QUANDO ELE VOLTAR. TENHO CERTEZA QUE AKITO-SAN NÃO PERMITIRÁ ISSO.

O mesmo sentimento de incerteza invade o coração de Yuki e Haru. Antes de a Akito perder a sua memória eles já sabiam exatamente o quais seriam as conseqüências de tal ameaça, mas agora tudo estava tão incerto que os deixou ainda mais apreensivos, não por estarem pensando neles, mas sim na própria Akito.

Rin olha para o Yuki e caminha com firmes passos até o possuído pelo espírito do Rato, mas mão tem nenhum tipo de contato físico com ele, apenas lhe fala em tom de desafio.

-Eu o tomarei de volta.

-Eu não permitirei.

A determinação que Yuki colocou em sua voz naquele instante surpreendeu tanto ao Haru como a Rin, parecia que o primo era outra pessoa naquele instante. Nunca tinham visto o garoto tão decidido e seguro de si.

Rin não consegue encontrar as palavras para lhe responder a altura, apenas vira o corpo e começa a caminhar deixando os dois garotos sozinhos novamente.
Haru olhava para o Yuki de uma maneira muito mais apaixonada naquele momento. Aquela tinha sido uma linda declaração de amor.

#Ele realmente está sentindo o mesmo que eu sempre senti por ele. O Yuki está me amando também!#
Haru vira-se de costas rapidamente, não podia olhar nos olhos do Yuki naquele instante, pois sentia que poderia chorar de felicidade. Seu coração estava batendo tão acelero que parecia que era impossível que voltasse a ficar sereno novamente. Durante toda sua vida, ele havia amado o primo, mas no fundo de sua alma, sempre teve a certeza que de nunca seria correspondido, e ter a certeza de que estava errado, era algo que não estava lhe dando apenas felicidade, mas sim plenitude. Poderia morrer naquele instante, que morreria como sendo o homem que mais amou e que mais foi amado em toda Terra.

Yuki apenas observa curiosamente o primo, sem entender o motivo de ter-lhe dado as costas. Sentia que o seu coração já estava voltando a bater normalmente após o enfrentamento com a Rin. Aquela tinha sido a primeira vez que havia demonstrado a sua opinião e certamente que era um sentimento muito bom.

-Haru...

Ao escutar o seu nome, o possuído pelo espírito do boi sente algo parecido com um pequeno choque a percorrer todo o seu corpo. A voz do Yuki tinha saído com a mesma entonação que havia falado com a Rin.

-... vamos embora para a casa do Shigure.

-E a sua mãe?

-Sinceranente..... Eu não quero ver a minha mãe hoje.

Ao terminar aquela frase, Yuki colocou um leve sorriso em seus lábios. E ao ver aquilo Haru sorri não somente com os lábios, mas com a sua alma, que foi refletida pelo brilho dos seus olhos. O garoto teve a certeza de que o seu amor pelo Yuki estava lhe fazendo muito bem. O primo estava se transformando num homem muito melhor graças ao seu amor.

-Ok. Então vamos!

Os dois garotos começam a caminhar em direção da saída da sede. Os corações dos dois batiam de maneiras diferentes, o do Yuki estava sereno enquanto que o do Haru era ainda de pura tormenta, mas ambos tinham a segurança de seus sentimentos um pelo outro.

by DonaKyon

22/05/2010

194


Yuki abaixa a cabeça e a cada instante ficava ainda mais vermelho de vergonha. O professor olha para o Haru que estava parado ao seu lado com os braços cruzados atrás da cabeça e com uma expressão facial bem normal.

-Também? Também o que Yuki-kun??

-Ele pediu para uma de suas “amigas” ir distrair o pai do Kyo.

O professor ainda olhava para o garoto sem entender nada.

-O Shigure-sensei, chamou uma prostituta amiga dele para dá em cima do pai do Kyo.

O safado caiu como um pato e deixou o serviço pela metade.

Haru que não tinha a menor vergonha falou claramente qual tinha sido a situação, o que deixou o Yuki ainda mais roxo de vergonha.

-E onde é que a Akito está?

-Ela foi para a casa Hanajima.

Kazuma percebe que Haru conseguia pronunciar o nome da garota sem colocar raiva e ciúmes em sua voz.

-Creio que em breve o patriarca terá que voltar. Essa situação não poderá continuar por muito tempo. Vocês sabem o que deu nos exames da Akito?

-Não apareceu nada de anormal. Provavelmente a falta da memória da Akito está relacionada à Hanajima-san.

-Sim. Espero que o Hanagima-Kun saiba como reverter isso.

-Professor?! O senhor acha que tem uma possibilidade do Kyo não ser aprisionado no retiro depois que terminar o colegial?

Aquela era a primeira vez que o garoto perguntava sobre o futuro do gato. Kazuma a principio lhe olha um pouco surpreso, mas depois percebe o quanto que todos haviam mudado nos últimos dias graças a Tohru e a Saki, e também a nova Akito.

-Sinceramente não sei, Yuki. É impossível saber como que a Akito ficará ao retornar para sede.

-É! Será difícil para o patriarca também. Será que voltará a fingir que é um homem?

-A Honda-san acha que essa Akito não irá desaparecer mesmo se recordando de tudo.

-Assim desejo, mas é muito difícil acreditar que a Akito terá liberdade de escolha. Uma vez que retorne à Sede, voltará a ter sua vida controlada por todos desse clã.

toc toc

-Pode entrar.

A empregada abre a porta e fala de cabeça baixa em sinal de respeito.

-Senhor Yuki-san, a sua mãe pediu para passar em sua residência após a sua reunião com o patriarca.

-Obrigado.

A mulher sai e volta fechar a porta, e o garoto dá um enorme suspiro.

-Como ela soube que eu estava na sede?

-Uma vez na parte de “dentro”, todos do clã já sabem de está na sede.

-O Professor está certo. Espero que o Hatori consiga protegê-la aqui dentro também.
-Assim como eu irei lhe proteger da megera da sua mãe.

Haru pega na mão do Yuki enquanto falava e deixa o menino um pouco sem jeito.
Afinal, eles ainda não tinham demonstrado o carinho que sentiam um pelo outro na frente de ninguém. Kazuma apenas limita-se apenas a olhar para os dois, mas não fala nada.

-Boa noite, Professor.

-Boa noite, garotos.

Yuki gentilmente puxa a sua mão e sai caminhando na frente do Haru e ambos saem da biblioteca, fechando a porta e Kazuma volta a analisar os livros.

Os dois garotos caminham em silêncio até a parte externa da mansão, mas quando estavam no meio de uma trilha que levava em direção da casa dos pais do Yuki. Haru segura em sua gélida mão e lhe puxa rapidamente em direção do seu corpo.
Yuki não tem tempo de lhe dizer nada, pois no instante que abriu a boca, tem a mesma invadida pela língua do Haru que lhe beijava com todo desejo.

-HARUUU!!!

O estridente grito feminino faz o coração de ambos dispararem e o Yuki empurra o primo e olha em direção da voz. Rina olhava cheio de raiva para os dois e avança rapidamente, segurando o Haru pela camiseta.

by DonaKyon.