24/12/2009

178


Kyo estava deitado em cima do telhado olhando as estrelas. Estava com o coração batendo seneramente, pois sabia que no outro dia iria encontrar a Hanajima novamente. Diferentemente de todos os outros, aquilo não era tão simples quando se pensava na situação deles, pois uma vez que Akito recupera-se a sua memória, ele seria aprisionado e a sua namorada nunca mais iria se lembrar dele.

Ele se recorda de Akito,e de tudo o que tinha acontecido entre eles naquele dia. Ela não lembrava nem de perto o patriarca que o garoto conhecia a tantos anos.

#É uma pena que essa garota pode deixar de existir. Não estou pensando apenas em mim e na Saki, mas também na própria Akito. Ela parece que estar muito mais feliz agora. Parece que ela está viva, não, parece não, ela está viva agora que está fora da sede. Nunca imaginei que Akito vivesse a sua vida de forma tão aprisionada na sede.... Pensando bem, talvez o nosso final seja igual para ambos. Viver sozinho e aprisionado na sede dos Sohmas.#

Kyo escuta alguns passos no quintal e rapidamente procura a causa, já imaginando que era novamente a louca da escola atrás dele. Ele olha atentamente e vê que Akito estava andando enquanto olhava para as estrelas no céu.

#Mas que diabos ela está fazendo? Daqui a pouco vai acabar tropeçando em alguma cois... #

Blafff

#Eu não falei....#

Akito havia enfiado o pé num buraco enquanto olhava para o céu e tinha levado um belo tombo. Kyo se aproveitando de suas habilidades felinas, desce se segurando na parede da casa.

-Eih, cê tá bem?

Akito que não tinha escutado nenhum barulho se assusta quando vê o garoto ao seu lado.

-Credo! Parece uma assombração. De onde você saiu?

-Do telhado. Não se machucou?

O garoto se abaixa para olhar o pé torcido da garota e começa a tocar para ver se não tinha quebrado ou luxado. Akito olha para o telhado e depois para o garoto sem entender como ele tinha em poucos segundos descido dali.

-Não foi nada. Cê deve olhar para o chão e não para o céu enquanto anda.

Ele se levanta e estende a mão para ajudar a garota se levantar.

-É que estava olhando as estrelas.

-Se quer ver as estrelas o melhor lugar é o telhado. Sobe pela escadinha ali no fundo da casa.

-E se eu cair?

-Não seja tão medrosa. Até mesmo a Tohru consegue subir. Vamos lá.

Kyo começa a caminhar e se aproxima da parede para subir por ela.

-Eih, o que está fazendo?

#Merda! É verdade, ela não sabe de nada!#

-Pensei ter visto um bicho aqui. Mas não é nada. Deixa eu subir na frente.

O garoto e o patriarca sobem a pequena escadinha indo para o telhado e ficam sentados um ao lado do outro. A noite estava extremamente agradável, e havia uma suave brisa. Akito fica olhando as estrelas com os olhos brilhando.

-Que lindas! Espero que ele também esteja vendo esse céu agora.

-Quem?

-O Hatori. Ele disse que mesmo que nós estejamos longe um do outro, ainda estamos sob o mesmo céu. Podemos ver a mesma Lua, o mesmo Sol, e as mesmas estrelas, na mesma hora.

-Não sabia que ele falava esses tipos de coisas.

-Eu tenho a impressão que você não se aproxima muito dos nossos primos. Te vi conversando muito pouco com eles.

-Eu sou a ovelha negra dos Sohmas.

-Como assim?

-Deixa pra lá. Não quero falar sobre isso agora.

Akito olha para o garoto e percebe que o seu semblante tinha ficado um pouco triste.

#É melhor mudar de assunto. Ele deve ter coisas que não quer se lembrar também.#

-Eih, Kyo, por que é que você e o Yuki moram aqui e não na sede?

#Putz! Essa nossa conversa está ficando um pouco complicada.# - Ah, tipo, foi o Mestre quem me obrigou a ficar aqui, disse que isso faz parte do meu treinamento.

-Mestre?

-É o Kazuma, o meu pai adotivo.

-Ah, já sei quem é. Quando foi que o seu pai morreu?

-Ele não morreu.

-Não?! E por que é que precisa de um pai adotivo?

-Porque o meu pai biológico me odeia.

by DonaKyon

21/12/2009

177


-Guretti, será que isso acabará bem?

-Espero que sim, Aaya. Eu não havia percebido que a falta de memória da Akito, tinha criado um mundo totalmente novo para o Haa-san e para o Kyo.

-Principalmente para o Kyo, que nunca teve a oportunidade de se aproximar da Akito, devido ao ódio que ela sempre sentiu por ele.

-Mesmo que ela não volte a se lembrar de nada, ao retornar para a sede, não será possível viver da mesma maneira em que está vivendo aqui. A Yoko-san, nunca permitiria isso.

-Por que a gente não aproveita que o Kazuma-san está como patriarca e não lhe pedimos para tirá-la da sede?

-Ahahahahaha, lembrei-me agora que esse era o nosso plano para quando a Akito se torna-se o patriarca.

-Estou falando sério, Guretti. Eu não quero que o Tori-san sofra mais uma vez.

Shigure se aproxima do Ayame e lhe abraça.

-Não precisa se preocupar com o Tori-san. Não percebe o quanto que ele está apaixonado?

-Ele a está amando muito mais do que amava a Kana.

-É por isso que tudo será diferente dessa vez. Ele sempre protege as mulheres que ele ama. Foi assim com a Kana e não será diferente com a Akito.

-Mas ele bem que poderia me deixar brincar um pouco com ela. Tenho cada vestido lindo para ela.

Shigure aproxima os seus lábios do ouvido do possuído e lhe sussurra.

-E não tem nenhum para você vestir para mim?

-É claro que tenho, cariño.

Shigure passa lentamente os seus lábios do ouvido pelo rosto do Ayame e no momento em que ele estava se aproximando de seus lábios, eles escutam a voz de protesto do Kyo.

-Eih... Aqui não é local para isso.

Os dois se afastam um pouco sem jeito ao verem que o menino estava junto com os namorados.

-Ah, Kyo... Que bom que chegou. Preciso lhe perguntar algo.

O escritor olhava para o garoto com um aspecto um pouco mais sério em seu rosto.

-O que é?

-O que preparou para a Akito no almoço?

Kyo nem se dá o trabalho de lhe responder e deixa os dois possuídos rindo como uns bobos no meio da sala, enquanto vai para o quarto.

Mais um alegre e divertido jantar acontece na casa do escritor. Akito e Hatori ainda não tinham retornado quando Ayame, Haru e os irmãos Hanajima foram embora. Aquela ausência fez com que o casal fosse a conversa principal da noite.

Quando o médico deixou a Akito na casa do escritor, a casa já estava toda apagada. A garota entra com cuidado no quarto e se troca com o máximo de cuidado para não acordar a Honda. Seu coração não parava de bater tão forte e ela resolve fazer o que o namorado havia lhe falado para ela fazer quando sentisse muito a sua falta.

by DonaKyon

19/12/2009

176


Os possuídos se levantam, vão para a sala, e vêem a Akito descendo as escadas, vestida com um vestido preto longo, um pouco justo ao corpo, mas com alguns babados na região dos seios, dando uma falsa idéia de que a garota tinha muito mais seios. Uma fenda na lateral do vestido deixava a vista o sapato com um pequeno salto. Seus curtos cabelos estavam presos com pequenas presilhas. Estava extremamente feminina, sensual e linda.

-SENHORITA AKITO, ESTÁ LINDA!

Tohru a olhava completamente admirada. Akito descia os últimos degraus se sentindo um pouco envergonhada e caminhando com um pouco de dificuldade, mas não tinha ainda percebido que isso era devido ao sapato de salto que nunca tinha usado em sua vida.

Hatori e Shigure não conseguiam falar nada, o que deixava o Ayame completamente satisfeito com o seu trabalho, pois sabia que aquela reação era a sua altura. Não havia palavras suficientes no mundo para descrever algo tão perfeito e tão belo.

O coração do médico batia muito acelerado. Aquela garota que estava agora parada a sua frente, não estava apenas linda, era a pessoa mais feliz e livre que ele tinha visto.

#Serei eternamente grato a Hanajima. Foi ela quem possibilitou a Akito esses dias de liberdade. Definitivamente não deixarei que os Sohmas tomem essa felicidade dela.#

-Vamos Akky. Agora você irá vestir aquele quimono de festa todo bordado.

-NÃO!

Hatori finalmente sai do seu transe e segura na mão da garota antes que ela dê o primeiro passo.

-Eu sei Tori-san que a Akky ficou perfeita com esse vestido preto. Mas eu tenho mais uns quinze, mais maravilhosos e mais divinos do que esse preto que é mais básico e simples, para ela experimentá-los.

-Me desculpe Honda-san, mas, a Akito e eu não iremos jantar aqui.

Hatori começa a caminhar puxando a Akito consigo, e sem se despedir dos demais, o casal sai da casa.

-Viu só isso Guretti? O Tori-san, não me deixou brincar com a Akky!

-Ahahaha, era isso mesmo que você ia fazer com ela. Deixa a Akito curtir esses momentos de felicidade com o Haa-san.

-O senhor a deixou ainda mais linda do que ela já é, Ayame-san.

-É claro que sim, minha jovem vassala. Pelas minhas mãos, até mesmo você que é uma abóbora se transformaria na mais bela cinderela.

-Aaya, deixa o Momicchi-kun escutar isso que verá um coelho muito bravo.

-Como o que ficarei bravo, Shii-chan.

-Ahahaha, falando do coelho.... Onde estão os outros Momicchi-kun?

-Estão sentados lá perto do laguinho.

-O meu amado, idolatrado e perfeito irmãozinho está com a ralé também?

-Não. O Yuki-kun não está com eles.

-O Kyo se deu muito bem com os irmãos Hanajima.

-Não é só com eles. Ele até cozinhou para a Akito-san hoje, né, né, Tohru-chan?

-O QUE?

Shigure e Ayame falam ao mesmo tempo, era impossível acreditar naquilo, e muito mesmo imaginar a cena.

-Ah, e ele até mesmo mandou a Akito-san lavar a louça do almoço.

-AHAHAHAHAHAHAHA, escutou essa Guretti, o pequeno gatito laranja está achando que pode se aproveitar da situação para mandar na nossa Akito. Ahahahah

-AHAHAHAHAHAHAHAhAH. Queria ter visto a cara da Akito... Até parece que ela ia fazer qualquer coisa que ele tenha lhe mandado fazer. Ahahahaha

-Mas ela o obedeceu sim.

Os possuídos pelo cão e pela serpente param de rir assim que o coelho termina de falar, e ambos tem a mesma sensação. A perda de memória da Akito poderia se transformar posteriormente em algo muito dolorido para o Hatori e para o Kyo.

-Tenho a impressão de que a senhorita Akito também está se dando muito bem com o Kyo.

Os dois amantes se olham e não falam mais nada. Momiji percebe que os dois estavam um pouco inquietos, como se quisessem falar algo que a garota não poderia escutar.

-Tohru-chan, esse coelhinho irá lhe ajudar com a janta. O que iremos preparar?

Os dois namorados vão para a cozinha deixando os dois adultos na sala sozinhos.

by DonaKyon

16/12/2009

175


Ao escutar aquela informação, o médico desesperadamente desamarra o laço do avental e o joga sob a cabeça da órfã e dá um enorme passo para trás se afastando o máximo que podia da pia.

-Ah, estão aqui!

Shigure para na porta e percebe que o primo estava em atitude suspeita, o escritor lhe olha com a sobrancelha um pouco arqueada e de desconfiança, tinha certeza de que o médico estava fazendo algo até a poucos instantes, porque ainda estava com a respiração ofegante. Ele olha para as duas garotas paradas na frente da pia, a Akito com o pano e a louça em suas mãos e a Tohru que estava tirando um avental de cima da sua cabeça.

-AKKY!! Venha! Venha! Deixa que essa jovem vassala faça essas tarefas pequenas. Você precisa se livrar imediatamente desses trapos que está vestindo. Infelizmente, não havia nenhum motorista disponível para ir até o meu magnífico atelier para buscar e lhe trazer as minhas exclusivas e maravilhosa coleção. Todos os motoristas estavam ocupados com os membros do nosso clã por causa da reunião. Onde já se viu? São um bando de folgados! Deveriam ter ido a pé. Eles não sabem que andar faz bem? Mas agora o seu salvador está aqui. Vou lhe vestir divinamente. Tenho um vestido mais lindo do que o outro. Tem que ver um branco quase transparente que lhe fiz para que use no verão. Ah! E aquele preto então! Ficará muito sensual em você! Sem falar do...

Todos na cozinha agora escutavam a voz do possuído pela serpente que ia ficando cada vez mais distante. Ayame nem tinha dado à Akito a oportunidade dela os cumprimentar. Ele simplesmente entrou na cozinha, tirou as coisas que ela tinha nas mãos praticamente jogando em cima da Tohru, depois segurou em sua mão e a levou para o quarto, enquanto que puxava a enorme mala com a outra mão.

-Muitíssimo boa tarde, Shigure-san.

-Boa tarde, Tohru-kun. E me conte o que é que o Haa-san estava aprontando.

-Nada! O Hatori-san só est..

-SHIGUre! O que o Kazuma-san te falou? Não achou muito estranha a atitude da Yoko-san? Vamos lá para a biblioteca.

O escritor olha para a menina sorrindo e lhe fazendo um sinal para que ela lhe conta-se depois.

-Ahahaha... Só estou te seguindo porque isso é importante.

Shigure fecha a porta da biblioteca e se senta em sua cadeira de trabalho enquanto que o médico se senta no pequeno sofá de dois lugares ao lado da janela.

-Então achou suspeita a atitude da Yoko-san?

-Claro! A velha nunca desobedeceu a uma ordem dada pela Akito.

-Mas o que ela ganharia com isso?

-Isso ainda não sabemos, mas certamente deve ter uma forte razão.

-Espero que sim. Não quero levar a Akito para a sede sem antes descobrir isso.

-Ela se lembrou de alguma coisa?

-Sim. E foi de algo relacionado à Eiko-san.

-O que ela lembrou?

-Parece que foi de uma brincadeira que elas faziam.

-De ficar rodando com os pássaros?

-Eu não sei ao certo.

-Adorava ver o rostinho de felicidade da Akito quando ela ficava brincando disso com a Eiko-san. É uma pena que com o tempo a gente vá se esquecendo dessas pequenas coisas.

Hatori não consegue evitar que uma pitada de ciúmes doa em seu coração, ao perceber que o Shigure sempre esteve muito mais ao lado da Akito do que ele, e que talvez a conhece-se muito mais do que ele.

-Do que mais elas brincavam?

-De poucas coisas. A Yoko-san sempre estava por perto cuidando para que a Akito fosse sempre tratada como um homem.

-Cadê aqueles dois? Eles tinham que estar aqui para contemplarem a minha maravilhosa e sublime criação.

by DonaKyon

174


-Então ela nunca irá se lembrar dos possuídos?

-É possível. A Saki-chan, fica triste com isso?

-Eu não sei.... Acho muito triste ela não se lembrar de nada do seu passado, mas por outro lado, ela parece estar feliz por ter se esquecido de tudo.

-Enquanto ela mesma estiver desejando se esquecer de tudo, a sua memória não irá retornar.

-Essa garota deve ter tido um passado muito doloroso. Como é que ninguém percebia o quanto que ela sofria?

Megumi encosta a cabeça no braço da irmã e lhe fala com o coração cheio de admiração por ela.

-Mas agora a Saki-chan é amiga dela, e irá lhe proteger da mesma forma que sempre protegeu a Tohru-chan e a Uo-chan.

-Sim. Se ela se esqueceu do seu passado triste por minha causa, eu irei fazer de tudo para que o seu presente seja sempre alegre. Eu sei o que é a dor de ser sempre isolada e ignorada.

Kyo, que tinha ido procurar à namorada, olhava os dois irmãos um pouco distante enquanto eles conversavam.

#É por isso que ela sempre me compreendeu. No fundo e por diferentes razões, tanto eu, como a Saki e a Akito, sempre fomos isolados e ignorados pelos demais.#

Ao perceber que tinha pensado daquela maneira a respeito do patriarca, o possuído pelo gato dá um pequeno sorriso com os lábios.

-Em quem está pensando com esse sorriso nos lábios, Kyo?

O garoto olha para o lado esquerdo de onde vinha se aproximando a voz e vê que o Haru estava agora parado ao seu lado, e que o Yuki estava junto dele.

-Não era na Saki!

Kyo lhe dá aquela resposta por duas razões, a primeira, porque era a verdade e a segunda, era porque ainda se preocupava com o ciúmes do Haru pela Saki.

-Eu sei! Não era um sorriso de apaixonado. Era um sorriso que nunca tinha visto em seu rosto antes.

O garoto apenas lhe olhava sem entender que poderia haver diferentes tipos de sorrisos e muito menos que o dele estaria dentro daquela situação, e o mais estranho ainda era do Haru saber que ele nunca tinha sorrido daquela maneira antes.

-Como pode saber que nunca tive esse sorriso antes?

-Porque te conhece há muitos anos. Eu sei de tudo sobre você e o Yuki.

-É mesmo?? Então, como era o meu sorriso?

-O seu sorriso parecia o sorriso daquele pirralho para a irmã dele.

Yuki olha espantado para o Kyo, por que nunca tinha percebido que ele via a Tohru Honda como se fosse a sua irmã, mas entendia que aquilo era possível.

-Eu sempre a vi como uma mãe e não como uma irmã. Será que os sentimentos são muito diferentes.

-O QUE? CÊ A VÊ COMO UMA MÃE?! Tudo bem que ela é mais velha, mas não é tanto assim.

-A Honda é mais velha do que a gente? Achei que era da nossa idade.

Kyo fica imediatamente vermelho, ao perceber que o Yuki não estava pensando na Akito como ele.

#E por que ele estaria pensando nela? E POR QUE É QUE EU ESTOU PENSANDO NELA?#

O possuído pelo gato enfia a mão no bolso e vira as costas para os dois primos e caminha para o lado da namorada.

-Não entendi. O que deu nele, Haru?

-Acho que ele não estava pensando na Tohru-kun.

-Não?! Então em quem ele poderia pensar como uma irmã?

A conversa entre os dois garotos é interrompida ao escutarem o barulho do carro que se aproximavam. Yuki reconhece as pessoas que estavam dentro dele, e rapidamente pega na mão do Haru e anda com passos bem largos para a porta dos fundos da casa. Haru se deixa ser levado mesmo sem ter visto quem havia chegado.
A porta levava a pequena área de serviço ao lado da cozinha, os dois entram na casa e passam pela cozinha de mãos dadas indo em direção da porta para a sala. Hatori estava acabando de lavar a louça, com a Akito ao seu lado que a secava e a Honda que estava no outra ponta da pia, cortando os vegetais que seriam usados para o jantar daquela noite.

-O que aconteceu, Yuki-kun?

-O Shigure chegou com o meu irmão. Fala que não estou.

Yuki e Haru subiam as escadas correndo e por poucos segundos o seu querido irmão não os vêem no final da escada.

by DonaKyon

12/12/2009

173


-Hanajima-kun, o Kazuma-san lhe mandou alguns documentos para a sua pesquisa.

-Muito obrigado.

-Conseguiu descobrir alguma coisa sobre o problema da Akito?

-Ainda não.

Diferentemente do dia anterior, escutar aquela resposta do garoto havia lhe deixado um pouco mais tranqüilo.

-Então é por isso que acabou aquele barulho todo. É o Hatori quem está lavando a louça.

-Boa tarde Hatori-san, Megumi-kun.

Kyo e Saki apareciam na porta da cozinha.

-Espero que tenha cozinhado direito para a Akito.

O gato fica imediatamente roxo de vergonha. Ele nem tinha imaginado no que os outros possuídos iriam pensar quando ficassem sabendo que ele tinha lhe cozinhado.

#Só espero que ela não tenha contado o que me obrigou a cozinhar, graças a minha namorada.#

-Hatori-san, creio que a Aa-chan se lembrou de algo do passado dela.

Ao escutar aquilo o médico coloca o prato que lavava na pia e olha atentamente para a garota.

-É. Ela se lembrou de um lance que a minha mãe fazia. Acho que as duas brincavam daquilo.

-Mas porque ela foi se lembrar de algo que lhe aconteceu quando era criança? Será que a memória dela voltará dos fatos mais antigos para os mais recentes?

Megumi apenas acompanhava a conversa dos três sem demonstrar a menor intenção de que falaria alguma coisa.

#Pelo visto eu estou certo. Creio que a minha teoria está certa, e isso explicaria o fato da Saki-chan ter lançado a maldição tão perfeita na sua primeira vez.#

-Hatori, como estão as coisas lá na sede?

-Deu tudo na reunião, e o Kazuma-san pediu para que não vá até o Dojo nos próximos dias.

-E por que não?

-Os motivos ele não me disse.

Kyo olha um pouco desconfiado para o médico, mas se o Mestre tinha dado aquela ordem alguma razão deveria haver por detrás dela.

-Ahahahah... Quer dizer que a omelete com nirá do Kyo é muito boa...

-A batata ao misô estava um pouco salgada
, mas estava bom também.

Akito, Momiji e Tohru retornavam para a cozinha enquanto conversavam sobre o menu do almoço, e ao chegarem percebem que o Hatori estava se segurando para não ri e que o garoto dos cabelos laranjas estava com o rosto todo vermelho.

-Mas o Kyo pode deixar que eu cuidarei do jantar. Vou preparar algo muito especial para comemorarmos as aulas de violino que o Momiji-kun irá dar a Momo-chan.

Querendo mudar o tema da conversa, Kyo olha para a Tohru como se fosse o seu tutor e lhe pergunta cheio de autoridade.

-Eih? Não vai trampar hoje não?

-Hihihihi... O Kyo não quer que ninguém mais cozinhe para a Akky... hihihihihi...

-CALA A BOCA SEU COELHO IDIOTA!!

-AHAHAHHA

Momiji sai correndo da cozinha com o gato correndo atrás dele. Akito acha estranho o fato de o Kyo ter chamado o primo de “coelho”, mas não faz nenhuma pergunta e volta a secar a louça.

Megumi observava atentamente a tudo que estava acontecendo e a reação de cada um enquanto estava sentado à mesa e comendo um dos pêssegos que estavam na fruteira sob a mesa. Hanajima olha para o irmão e percebe que ele tinha descoberto algo muito importante. Os olhares dos dois irmãos se cruzam e sem dizerem nada os dois saem da cozinha, deixando o casal de namorados terminando de lavarem a louça do almoço e a Honda já a procura do que iria cozinhar para a janta.

Os irmãos Hanajima vão para o jardim ao lado da casa para poderem conversar, sem que os outros ouvissem.

-O que descobriu Megumi-kun?

-Provavelmente a razão de a sua maldição ter dado tão certo. A Saki-chan também já descobriu?

Saki caminha até a beira do pequeno laguinho que havia no jardim e se abaixa para mexer em algumas pedrinhas, o seu irmão se abaixa ao seu lado.

-Sim.... A minha maldição só funcionou porque a Akito também desejava se esquecer de quem era.

-Exatamente isso.

-É por isso que ela não quer saber do seu passado, a sua intuição lhe diz que ela não deve se lembrar de nada.

-Creio que ela só se lembrará dos momentos que a fizeram feliz.

by DonaKyon

10/12/2009

172


#Você não pode voltar a ser aquela pessoa triste e solitária. Eu não permitirei que o clã dos Sohmas a transforme naquela Akito novamente. Lhe protegerei até o fim. De agora em diante, você não será mais a refém daquele clã maldito e nem dos possuídos, você será livre para ser a Akito que quiser se tornar, e eu estarei ao seu lado para proteger a sua liberdade.#

Hatori se afasta um pouco para lhe olhar e pergunta todo sorridente.

-Como está sendo a sua primeira vez lavando uma louça?

- É a minha primeira vez?

O possuído apenas confirma que sim com a cabeça abrindo ainda mais o seu sorriso.

-Então é por isso que estou sendo esse desastre. Já acabei com dois frascos de detergentes e ainda nem lavei a metade da louça.

-Ahahahha, dois frascos??... ahahah

-Por que está rindo? Vai-me dizer que estou usando pouco detergente?

-AHAHAHHA...

Hatori ria como há muitos anos não fazia, ele mesmo, já nem se lembrado dos motivos que o tinham feito parar de rir daquela maneira. Ele a vira e desamarra o laço do avental.

-Pode deixar que eu termino. É melhor que você as enxugue.

O médico veste o avental e começa a lavar a louça, enquanto que a garota ia secando com um pano as peças que ela já havia lavado.

#Só espero terminar de lavar isso antes que aqueles dois idiotas apareçam por aqui. Certamente eles iriam me azucrinar até os dias finais da minha vida.#

-Obrigada por me ajudar, Hatori.

-Não precisa agradecer. Afinal, essa é a minha obrigação como seu namorado.

plafttt

Akito havia deixado cair a vasilha de alumínio que estava secando ao escutar aquilo e aquela reação faz com que o médico se sinta um pouco sem jeito, afinal acreditava que não tinha mais idade para falar aquele tipo de frase tão piegas.

-Namorados?

-Você não quer? Acha melhor esperar retornar a sua memória?

-Não! Não! Quero sim!

O médico vira um pouco a cabeça para olhar a garota e vê o quanto que ela estava sorrindo e um pouco vermelha enquanto secava mais um prato.

-Cadê os outros?

- A Tohru chegou chorando e saiu com a Saki. Os outros eu não sei onde estão.

-Quem te colocou para lavar a louça?

-Foi o Kyo. Como ele cozinhou, eu tive que lavar a louça.

BLANTH

Agora era a vez de o médico derrubar a louça dentro da pia. Mas o choque de saber que o gato tinha cozinhado para o Kamisama, que o Kamisama havia comido e que depois o Kamisama estava obedecendo a uma ordem dada pelo possuído, tinha sido enorme.

-Como foi a reunião?

-Está tudo acertado. Não precisa se preocupar com o clã nos próximos dias, e amanhã cedo lhe levarei ao Hospital para realizarmos alguns exames.

-Precisamos mesmo?

A voz da garota havia saído um pouco mais baixa e manhosa. Tudo estava indo tão bem desde que ela tinha acordado daquele desmaio, e agora sentia medo de voltar a ter a vida de antes. A sua intuição lhe dizia que ela não iria mais ficar feliz se voltasse a se lembrar de tudo.

O médico entende que ela não estava querendo retornar tão rapidamente para a sede, e começa a suspeitar que ela tivesse se lembrado de algo.

-Se lembrou de alguma coisa?

-Ainda não.

-Tudo bem. Então amanhã iremos a outro lugar. Aonde quer ir?

-Ahahahha, como é que eu vou saber? Esqueceu-se que eu não me lembro de nada do que tem nessa cidade?

-Porque não a leva num parque de diversão? Certamente a Aa-chan gostará de andar na roda gigante.

Aquela voz infantil que vinha por de trás de suas costas, faz com que os dois fiquem arrepiados ao mesmo tempo.

-Olá Megumi-kun.

-Boa tarde Aa-chan, Hatori-san.

-Boa tarde, Hanajima-kun.

-Aa-chan, sabe onde a minha irmã está? A Tohru-chan me falou que ela entrou.

-Não a vi Megumi-kun, e cadê a Tohru?

-Está lá na frente com o Momiji-kun.

-Hatori, eu já volto para terminar de secar.

Akito coloca o pano sob a pia e sai para falar com a colegial, deixando os dois na cozinha.

by DonaKyon